sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Golem (Der Golem, Wie er in die Welt Kam) 1920


Século 16, Praga. Enquanto estudava as estrelas através do seu telescópio, o velho rabbi Loew prevê um momento conturbado à frente do seu povo. O Imperador Luhois emite um decreto expulsando todos os judeus da cidade. Para salvar o seu povo, o rabbi convoca  o demónio Astaroth para dar vida a uma estátua de barro que construiu. Quando convidado para o palácio do Imperador para colocar um pouco de animação numa festa, Loew leva consigo a sua criação, o Golem. O rabbi evoca imagens do passado dos judeus, mas quando os espectadores riem de gozo, o palácio começa a ruir. O Golem salva o Imperador e os habitantes do palácio, impedindo o telhado de desabar. O Imperador mostra a sua gratidão com a rescisão do decreto, permitindo que os judeus fiquem na cidade. Com o trabalho do Golem feito, o rabbi remove o amuleto mágico que o trouxe à vida, e junta-se aos judeus nos festejos. Entretanto, o assistente do rabbi, Famulus, reanima o Golem para se vingar do seu rival, Florian, mensageiro do imperador...
 Um dos filmes de terror mais antigos e influentes da história do cinema, "O Golem" é uma mistura confusa de misticismo judaico, expressionismo alemão, e romantismo europeu. Contém todos os ingredientes do filme de terror clássico, e foi dirigido por Paul Wegener, um actor de teatro com alguma reputação, que ficou fascinado com a arte do cinema na década de 1910, década em que a experimentação artística e exploração comercial eram forças igualmente potentes no desenvolvimento deste novo meio. Tendo dirigido um filme de sucesso, Der Student von Prag (1913), Wegener fez o que seria legitimamente citado como o primeiro filme de terror, Der Golem (1914), inspirado numa lenda judaica que tinha aprendido enquanto tinha vivido em Praga. O sucesso do filme levou Wegener a fazer uma sequela, Der Golem und die Tanzerin, em 1917. Em ambos os filmes, Wegener fez ele próprio o papel do Golem - uma decisão que foi justificada pela compleição física do realizador (tinha dois metros de altura) e pela personalidade forte. Wegener repetiu o papel no filme de 1920, O Golem (aka: Der Golem, wie er in die Welt kam), em que conta a história das origens do golem. Este é o único dos filmes de Wegener, dos três "Golem", que sobreviveu às marcas do tempo, na sua totalidade, e é regularmente considerado como um dos melhores filmes de Wegener como realizador.
O Golem foi lançado no mesmo ano de "O Gabinete do Dr. Caligari", outro filme de fantasia e terror que clamou a visão artística do expressionismo alemão. Ambos os filmes estão em conformidade com a fórmula de terror clássico (uma monstruosidade deformada que se liberta da influência do seu mestre e acaba aterrorizando uma pequena comunidade), mas são estilisticamente filmes muito diferentes. Os explícitos, e exagerados, motivos expressionistas de Caligari são menos evidentes no filme "O Golem", embora os dois usem ângulos de câmera perturbadores e uma iluminação atmosférica de grande efeito. É verdade que, enquanto Wegener foi influenciado pelo expressionismo, não estava tão comprometido com ele como alguns dos seus contemporâneos. Isto permitiu-lhe uma maior liberdade para experimentar outras técnicas e experiências com efeitos especiais, o resultado é um filme que, embora falte um pouco de coerência artística, é visualmente deslumbrante. 
Wegener teve a sorte de ter como diretor de fotografia Karl Freund, que mais tarde iria trabalhar nos Estados Unidos em alguns dos filmes clássicos de terror da Universal, nomeadamente "Dracula" (1931). como diretor de fotografia e "The Mummy" (1932) como realizador. Para o argumento, Paul Wegener teve a ajuda de Henrik Galeen que ficou famoso por Nosferatu, de FW Murnau (1922), outro filme de terror que se tornou um marco. 
Hoje em dia, é fácil ridicularizar o retrato de Wegener sobre o Golem. A sequência onde a criatura sai para fazer compras, com uma cesta no braço, tem tanto de ridícula com está cheia de emoção. Wegener transmite o poder de um monstro irracional, através do seu corpo e força, mas também revela a tragédia interior de uma criatura que tem sido manipulada e abusada pelo homem. Como o monstro de pedra, o filme é um pouco desajeitado do ponto de vista da narrativa, mas consegue contar a história com pungência e um grande sentimento humano. Este retrato de Wegener do Golem, influenciou diretamente James Whale, quando este realizou Frankenstein (1931), um filme que tem muito mais do que uma semelhança passageira com esta obra de Wegener.

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