.Um grande executivo está numa situação crítica. Ele reservou uma verba para resolver problemas da fábrica de sapatos, quando descobre que o seu filho foi raptado. O resgate pedido pelos raptores aproxima-se do dinheiro separado para a empresa e será crucial para os seus negócios. Contudo, quando resolve salvar a vida do filho, acontece algo muito inesperado.
Depois do enorme sucesso de "Rashomon" em 1950, o filme que literalmente abriu os olhos do mundo para o cinema japonês, Akira Kurosawa passou a maior parte do tempo a fazer jida-geki, ou filmes dramáticos passados no passado, que incluía uma longa série de filmes de samurais, como "Os Sete Samurais" (1954) ou "Yojimbo" (1961). No entanto, durante este tempo ele também fez um punhado de gendai-geki, filmes dramáticos passados no Japão contemporâneo. Em cada um deles Kurosawa explorava questões pertinentes, morais e sociais, como o significado de viver (Ikiru), o medo da aniquilação nuclear (I Live in Fear), ou a prevaricação corporativa (The Bad Sleep Well).
Enquanto "Céu e Inferno" se encaixa perfeitamente neste segundo grupo de filmes, também se destaca como um thriller de mistério habilmente trabalhado, cuja história de um rapto e as suas consequências é tecida através de um retrato particularmente agudo da decadência do Japão Moderno. A idéia da moralidade e da honra debaixo de fogo, eram uma constante nos filmes de Kurosawa, mas nunca tinham sido tão vis e caóticas como aqui, principalmente no último terço do filme, passado nas favelas de Yokohama. Kurosawa tinha feito algo semelhante em "Cão Danado" (1949), um procedimento policial que era tanto sobre a natureza sórdida do submundo do crime como era sobre o seu mistério central, mas aqui assume uma febre ainda mais apertada do que anteriormente.
Foi nomeado para o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 1964.
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domingo, 29 de maio de 2016
Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku) 1963
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Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru) 1960
Um jovem tenta utilizar-se da sua posição no coração de uma empresa corrupta para expor os homens responsáveis pela morte do seu pai. No dia do seu casamento, vários rumores e comentários circulam entre os presentes, que cinco anos antes, o pai de Nishi morrera após cair de uma janela do andar do edifício da empresa. Muitos duvidam de um suicídio. Nishi, tentará investigar sobre um possível assassinato de seu pai.
O título deste filme de Akira Kurosawa, "Homem Mau Dorme Bem" (Warui yatsu hodo yoku nemuru), evoca com perfeita clareza a visão cínica do filme, e do mal que corre no mundo moderno. Enquanto os bons lutam e sofrem para fazer o que é certo, os maus dormem em conforto, sabendo que não só a sua ganância e fraudes não pagarão dividendos, como estarão seguros na sua teia de corrupção. É aqui que o filme revela o seu sentido mais agudo de amargura, cumprindo a tarefa de mostrar que no mundo corporativo moderno o fim justifica os meios, principalmente se os poderosos permanecerem no poder. Apesar de ter sido feito à tantos anos, e no ambiente japonês do pós-guerra, pode ser mais relevante do que nunca.
Kurosawa tenta recriar um Hamlet contemporâneo, segundo o estilo assumido do noir americano dos anos 40, mas tem outras coisas em mente para poder ser considerado 100% noir. Era a primeira produção independente para a companhia do realizador, que infelizmente não durou muito tempo. O argumento era escrito segundo um livro de Ed McBain, e manipulado por um grupo de argumentistas que incluía o próprio Kurosawa e uma equipa formada por Shinobu Hashimoto, Eijirô Hisaita, Ryuzo Kikushima e Hideo Oguni.
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O título deste filme de Akira Kurosawa, "Homem Mau Dorme Bem" (Warui yatsu hodo yoku nemuru), evoca com perfeita clareza a visão cínica do filme, e do mal que corre no mundo moderno. Enquanto os bons lutam e sofrem para fazer o que é certo, os maus dormem em conforto, sabendo que não só a sua ganância e fraudes não pagarão dividendos, como estarão seguros na sua teia de corrupção. É aqui que o filme revela o seu sentido mais agudo de amargura, cumprindo a tarefa de mostrar que no mundo corporativo moderno o fim justifica os meios, principalmente se os poderosos permanecerem no poder. Apesar de ter sido feito à tantos anos, e no ambiente japonês do pós-guerra, pode ser mais relevante do que nunca.
Kurosawa tenta recriar um Hamlet contemporâneo, segundo o estilo assumido do noir americano dos anos 40, mas tem outras coisas em mente para poder ser considerado 100% noir. Era a primeira produção independente para a companhia do realizador, que infelizmente não durou muito tempo. O argumento era escrito segundo um livro de Ed McBain, e manipulado por um grupo de argumentistas que incluía o próprio Kurosawa e uma equipa formada por Shinobu Hashimoto, Eijirô Hisaita, Ryuzo Kikushima e Hideo Oguni.
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sábado, 28 de maio de 2016
Cão Danado (Nora Inu) 1949
Murukami (Toshirô Mifune), um jovem detetive de homicídios, é roubado nos transportes públicos e perde a sua pistola. Atordoado e envergonhado tenta recuperar a arma, mas não obtem sucesso até ter a ajuda de um detetive mais velho e mais sábio, Sato (Takashi Shimura). Juntos, irão rastreiam o culpado.
"Com mesclas do noir americano e uma bela referência a um filme de King Vidor, Cão Danado (1949) aparece como a provável primeira grande obra de Akira Kurosawa, um penúltimo passo (se excluirmos Escândalo, seu filme seguinte) antes de sua obra-prima primeva, Rashomon.
A construção relativa acima certamente se aplica a muitos leitores e fãs do “Luminoso”, mas no meu caso, ela é menos nebulosa, pois contemplo Cão Danado como um verdadeiro filme-trampolim para o Kurosawa Master dos anos 1950, e entendo-o realmente como a primeira grande obra do cineasta japonês.
Em Cão Danado, já é possível perceber um amadurecimento patente das nuances mais recorrentes de Kurosawa, como o trabalho com a matéria natural (em especial, a chuva), a disposição em múltiplos ângulos no mesmo cenário, e o lado sentimental e humano que se faz presente em qualquer situação. Neste caso, a postura passional de um jovem investigador de polícia é quase toda a matéria do filme, e o drama policial gira em torno de um tormento particular e da criminalidade na periferia de Tóquio.
Duas das primeiras coisas que se destacam no filme são a fotografia e a direção de arte, que logram transmitir uma forte sensação de calor ao espectador (o filme se passa durante dias terrivelmente quentes), bem como de uma “poluição visual” do cenário, sempre com takes em ambientes abarrotados de coisas, e em sua maior parte, muito pequenos, intensificando ainda mais a sensação de calor e dando espaço para uma interpretação claustrofóbica da história que está sendo contada. Ambos os setores técnicos foram premiados no Mainichi Film Concours de 1949, que também deu a Fumio Hayasaka o prêmio de melhor trilha sonora e a Takashi Shimura o de melhor atuação (também por seu papel em Duelo Silencioso)."
Texto de Luiz Santiago, podem ler mais aqui.
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"Com mesclas do noir americano e uma bela referência a um filme de King Vidor, Cão Danado (1949) aparece como a provável primeira grande obra de Akira Kurosawa, um penúltimo passo (se excluirmos Escândalo, seu filme seguinte) antes de sua obra-prima primeva, Rashomon.
A construção relativa acima certamente se aplica a muitos leitores e fãs do “Luminoso”, mas no meu caso, ela é menos nebulosa, pois contemplo Cão Danado como um verdadeiro filme-trampolim para o Kurosawa Master dos anos 1950, e entendo-o realmente como a primeira grande obra do cineasta japonês.
Em Cão Danado, já é possível perceber um amadurecimento patente das nuances mais recorrentes de Kurosawa, como o trabalho com a matéria natural (em especial, a chuva), a disposição em múltiplos ângulos no mesmo cenário, e o lado sentimental e humano que se faz presente em qualquer situação. Neste caso, a postura passional de um jovem investigador de polícia é quase toda a matéria do filme, e o drama policial gira em torno de um tormento particular e da criminalidade na periferia de Tóquio.
Duas das primeiras coisas que se destacam no filme são a fotografia e a direção de arte, que logram transmitir uma forte sensação de calor ao espectador (o filme se passa durante dias terrivelmente quentes), bem como de uma “poluição visual” do cenário, sempre com takes em ambientes abarrotados de coisas, e em sua maior parte, muito pequenos, intensificando ainda mais a sensação de calor e dando espaço para uma interpretação claustrofóbica da história que está sendo contada. Ambos os setores técnicos foram premiados no Mainichi Film Concours de 1949, que também deu a Fumio Hayasaka o prêmio de melhor trilha sonora e a Takashi Shimura o de melhor atuação (também por seu papel em Duelo Silencioso)."
Texto de Luiz Santiago, podem ler mais aqui.
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O Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi) 1948
Depois de uma batalha com um gang rival, um pequeno gangster é tratado por um jovem médico alcoólico no Japão do pós-guerra. O médico diagnostica tuberculose ao jovem gangster e convence-o a iniciar o tratamento. Os dois começam a desfrutar de uma amizade inquieta, até que o antigo chefe do gangster é libertado da prisão e volta para o seu gang mais uma vez. O jovem doente perde o estatuto de líder e torna-se condenado ao ostracismo, envolvendo-se numa luta com o ex-líder até à morte.
Se não for por outras razões, "O Anjo Embriagado" é um marco na história do cinema, por ter sido a primeira colaboração entre Akira Kurosawa e Toshiro Mifune, uma colaboração que se prolongaria por mais 15 filmes, ao longo de duas décadas. Kurosawa reconheceu imediatamente o poder da volatilidade de Mifune em acção, e lança-o como um jovem bandido chamado Matsunaga. Curiosamente, a última colaboração dos dois seria em 1964, no filme "O Barba Ruiva", no qual Mifune interpreta um médico que guia um jovem protegido na busca da maturidade espiritual.
O filme tem lugar nas favelas de Tóquio do pós-guerra, e foca-se na escória da sociedade - tanto nos pobres como nos criminosos que se alimentam deles. Kurosawa literaliza a corrupção social, centrando a maior parte da acção em volta de um esgoto no meio de uma praça do mercado negro. A fossa, que se torna um personagem importante, constantemente em ebulição, é a primeira coisa que vemos no filme. Kurosawa usa-a frequentemente como objecto de transição, e mesmo quando não é um objecto principal, está sempre lá no fundo, lembrando-nos em termos puramente visuais, de tudo o que é venenoso e destrutivo.
"O Anjo Embriagado" também é um filme importante na carreira de Kurosawa. Foi feito com os seus próprios meios, e mesmo que tenha sido obrigado a ceder em alguns elementos para se desviar dos censores dos americanos ocupantes, ainda é uma visão singular da corrupção da sociedade japonesa no pós guerra da Segunda Guerra Mundial. Kurosawa já tinha explorado este terreno antes, e vai continuar a fazê-lo por mais alguns anos, usando a luta dos bons personagens por entre as ruínas de Tóquio e os seus crescentes mercados negros, como uma forma de enfrentar as memórias remanescentes da derrota, e os desafios que se impõem da reconstrução.
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Se não for por outras razões, "O Anjo Embriagado" é um marco na história do cinema, por ter sido a primeira colaboração entre Akira Kurosawa e Toshiro Mifune, uma colaboração que se prolongaria por mais 15 filmes, ao longo de duas décadas. Kurosawa reconheceu imediatamente o poder da volatilidade de Mifune em acção, e lança-o como um jovem bandido chamado Matsunaga. Curiosamente, a última colaboração dos dois seria em 1964, no filme "O Barba Ruiva", no qual Mifune interpreta um médico que guia um jovem protegido na busca da maturidade espiritual.
O filme tem lugar nas favelas de Tóquio do pós-guerra, e foca-se na escória da sociedade - tanto nos pobres como nos criminosos que se alimentam deles. Kurosawa literaliza a corrupção social, centrando a maior parte da acção em volta de um esgoto no meio de uma praça do mercado negro. A fossa, que se torna um personagem importante, constantemente em ebulição, é a primeira coisa que vemos no filme. Kurosawa usa-a frequentemente como objecto de transição, e mesmo quando não é um objecto principal, está sempre lá no fundo, lembrando-nos em termos puramente visuais, de tudo o que é venenoso e destrutivo.
"O Anjo Embriagado" também é um filme importante na carreira de Kurosawa. Foi feito com os seus próprios meios, e mesmo que tenha sido obrigado a ceder em alguns elementos para se desviar dos censores dos americanos ocupantes, ainda é uma visão singular da corrupção da sociedade japonesa no pós guerra da Segunda Guerra Mundial. Kurosawa já tinha explorado este terreno antes, e vai continuar a fazê-lo por mais alguns anos, usando a luta dos bons personagens por entre as ruínas de Tóquio e os seus crescentes mercados negros, como uma forma de enfrentar as memórias remanescentes da derrota, e os desafios que se impõem da reconstrução.
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quinta-feira, 26 de maio de 2016
Kurosawa e o Noir
Akira Kurosawa uma vez disse: "Gosto muito de Georges Simenon, e queria fazer alguma coisa ao seu jeito". Simenon era um autor francês da década de 30, famoso pelas suas novelas de crime e ficção fortemente influenciadas pelo film noir francês. A influência de Simenon podia ser vista através da sua escrita, que minimizava a violência e a acção em troca de uma atmosfera visual escura. Ao afirmar a sua admiração por Simenon, Kurosawa identificava a sua influência no film noir.
Os filmes de Akira Kurosawa onde se pode aplicar o termo "noir" são os que têm as mesmas fontes literárias que os clássicos de Hollywood, misturados com o estilo do expressionismo alemão. Kurosawa gostava dos dois, então os filmes que conhecemos dentro deste estilo talvez sejam mais uma evolução paralela do que propriamente uma homenagem ou tributo.
Dentro do ciclo do "Film Noir Japonês" vamos criar uma nova caixa, e nos próximos dias poderão seguir mais um ciclo dentro deste ciclo, onde poderão ser vistos os quatro "Noirs" realizados pelo famoso realizador japonês. Quatro filmes, todos de superior qualidade.
- "Drunken Angel" (1948)
- "Cão Danado" (1949)
- "Homem Mau Dorme Bem" (1960)
- "Entre o Céu e o Inferno" (1963)
Poderão ver tudo no fim de semana.
Os filmes de Akira Kurosawa onde se pode aplicar o termo "noir" são os que têm as mesmas fontes literárias que os clássicos de Hollywood, misturados com o estilo do expressionismo alemão. Kurosawa gostava dos dois, então os filmes que conhecemos dentro deste estilo talvez sejam mais uma evolução paralela do que propriamente uma homenagem ou tributo.
Dentro do ciclo do "Film Noir Japonês" vamos criar uma nova caixa, e nos próximos dias poderão seguir mais um ciclo dentro deste ciclo, onde poderão ser vistos os quatro "Noirs" realizados pelo famoso realizador japonês. Quatro filmes, todos de superior qualidade.- "Drunken Angel" (1948)
- "Cão Danado" (1949)
- "Homem Mau Dorme Bem" (1960)
- "Entre o Céu e o Inferno" (1963)
Poderão ver tudo no fim de semana.
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