Mostrar mensagens com a etiqueta Dana Andrews. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dana Andrews. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de julho de 2021

A Estrela do Norte (The North Star) 1943

"The North Star" é uma relíquia do seu tempo, um dos vários filmes de propaganda sobre a Segunda Guerra Mundial criados por Hollywood, que refletiam a nova relação entre os Estados Unidos e a União Soviética depois de em 1941 estes terem passado de aliados da Alemanha para aliados dos Estados Unidos. Estes filmes, que incluíam "Mission to Moskow", "Days of Gloria" e "Song of Russia",  foram feitos para ajudar os esforços dos americanos na guerra, e o mesmo tempo para fazer algum dinheiro nas bilheteiras. Samuel Goldwyn juntou uma equipa bastante criativa, que continha desde o realizador Lewis Milestone, ao fabuloso elenco, mas em vez de seguir os outros filmes de propaganda, centrava-se, segundo dizia, "na vida de russos normais, para americanos normais."
A história passa-se numa pequena cidade agrícola ucraniana, e começa com cenas extensas da vida das pessoas antes da guerra estourar. A vida dos russos são cantos, danças, piqueniques e tocar acordeão, vivendo todos felizes. Tudo muda drasticamente quando a guerra começa, e a paisagem torna-se num amontoado de destruição. O filme evita a política negra de Estaline e os fardos sob os quais os russos comuns trabalharam nas décadas de 20 e 30, e em vez disso, concentra-se na tragédia de guerra.
Ao contrário dos outros filmes deste ciclo, pelo menos a maioria, este não foi banido na estreia, nem teve qualquer problema até a guerra acabar, mas viria a ter depois. Ao longo dos anos, e ao longo dos acontecimentos da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, foi sendo alterada a mensagem de cooperação entre os dois países no filme. Ao saber que o seu material estava a ser alterado, a argumentista Lillian Hellman tentou que o seu nome fosse retirado do filme. Numa versão televisiva de 1956 foram removidos 25 minutos, e todas as referências à palavra "camarada", além de todo o discurso pró-comunista ter passado a anti-comunista. Já na parte final de década de 40, tanto Milestone como Hellman foram perseguidos pelos anti-comunistas e colocados na lista negra de Hollywood. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Cidade nas Trevas (While the City Sleeps) 1956

A morte do magnata dos média, Amos Kyne, está a causar uma luta pelo poder entre os seus executivos. Entretanto, as mulheres de Nova Iorque tornam-se presa de um serial killer. O repórter Edward Mobley está na eminência de enfrentar uma missão quase impossível: capturar o assassino, para impedir que o império do magnata não caia nas mãos erradas, e salvar o seu romântico relacionamento.
Depois de duas décadas a fazer filmes nos Estados Unidos, Fritz Lang estava prestes a regressar ao seu país natal. A década de 50 era uma década difícil na produção cinematográfica. A televisão era um grande rival, e as oportunidades para Lang já não eram as mesmas, e eram mais espaçadas e por outro lado Lang tinha ganho a reputação de ser cruel com os actores. Em "While the City Sleeps" teve direito a um elenco de luxo, com alguns dos nomes mais conhecidos de Hollywood: Dana Andrews, Rhonda Fleming, George Sanders, Howard Duff, Thomas Mitchell, Vincent Price, e Ida Lupino, num papel mais secundário, uma vez mais contracenando com o seu marido. 
"While the City Sleeps" traz-nos um retrato cínico do império dos média, mais interessado em vendas do que no serviço público, que continua a ser um assunto corrente até aos dias de hoje, mesmo que as mudanças radicais na tecnologia de disseminação de informação tenha mudado de uma forma tão acentuada. Seria uma despedida em grande para Lang.


segunda-feira, 11 de maio de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Os Melhores Anos das Nossas Vidas”, de William Wyler

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O último convidado é Filipa Gambino, que escolheu Os Melhores Anos das Nossas Vidas de William Wyler.

Sinopse: Filme dramático norte-americano realizado em 1946 por William Wyler, The Best Years of Our Lives foi interpretado por Myrna Loy, Fredric March, Dana Andrews, Harold Russell, Teresa Wright e Virginia Mayo, entre outros. O argumento foi escrito por Robert E. Sherwood, baseando-se no livro Glory For Me, de MacKinlay Kantor. Tratando-se de um clássico sobre o regresso a casa, depois da guerra, e as dificuldades de adaptação à nova vida civil, o filme centra-se em três homens: Al Stephenson (Fredric March), Fred Derry (Dana Andrews) e Homer Parrish (Harold Russell). Os três regressam a casa juntos, atormentados pelas memórias recentes da guerra e com dúvidas acerca do seu futuro. Quando chegam, seguem diferentes caminhos. O marinheiro Homer regressa a casa sem mãos, Al regressa para a sua esposa Milly (Myrna Loy), filhos e o antigo emprego num banco, e Fred encontra uma mulher que praticamente o abandonou e não tem perspetivas de trabalho.

Em jeito de conclusão, escreve-nos que “o ecletismo deste ciclo (de uma maneira pouco premeditada já que a curadoria foi distribuída por tantas pessoas quantos os filmes que por aqui passaram) acabou, de certa forma, por reflectir os vários estágios pelos quais passámos durante esta quarentena. O terror do vírus desconhecido em Cassandra Crossing, ou da peste em A Máscara da Morte Vermelha, ou da cólera em 7 Mulheres; a estranheza da impossibilidade de sair do confinamento em O Anjo Exterminador, a necessidade de evasão em E.T. - O Extraterrestre ou Querido Diário, os dramas familiares como Spencer’s Mountain ou O Túmulo dos Pirilampos e tantos outros e tão bons onde pudemos encontrar paralelos com a situação em que nos encontramos. 
Escolhi Os Melhores Anos das Nossas Vidas porque descobri nele ecos para as perguntas que me invadem agora o pensamento, nesta fase de desconfinamento: vamos encontrar o mundo ainda como o deixámos? Haverá lugar nele para nós? Saberemos/poderemos ainda abraçar os que amamos? Terá o pior já passado? Tudo perguntas que atormentam estes 3 veteranos de guerra que Wyler acompanha no regresso a casa. 
Ao longo do filme o desconforto é palpável, o desajustamento destes homens às realidades às quais regressam quase que nos fere. No entanto, ou por isso mesmo, está cheio de vida e beleza. Particularmente marcantes os momentos em que Wyler recorre à profundidade de campo como forma de contar as histórias dos três homens ao mesmo tempo. Acontece no bar onde os três amigos se costumam encontrar mais que uma vez (Fred, no fundo, ao telefone com Peggy), acontece no magistral plano final: toda a força do poder redentor do amor numa única imagem. 
Esperemos que seja também esse poder redentor do amor a salvar-nos agora e que os melhores anos das nossas vidas estejam, afinal, ainda por viver.”

Link
Imdb

domingo, 26 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Cidade nas Trevas”, de Fritz Lang

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O vigésimo sexto convidado é o realizador, actor e encenador Jorge Silva Melo, que escolheu Cidade nas Trevas de Fritz Lang, dizendo-nos que “precisamos de uma imprensa livre, precisamos de si, não podemos viver nesta corrupção, neste mundo sem luz. Para Lang tudo era tremendo - e ameaçador o final que parece feliz. Temos de ouvir Puccini logo a seguir: nessun dorma!

Sinopse: Outro dos filmes favoritos de Lang. Adaptação de um romance de Charles Einstein que, por sua vez, teve como uma das inspiração o filme de Lang "Man Hunt". Lang retoma o tema do assassino "compulsivo" que desenvolvera em M, mas coloca-o no centro da disputa pela direcção de um jornal por um grupo de candidatos.

No seu Dicionário do Cinema, Jacques Lourcelles diz-nos que é o “penúltimo filme americano de Lang. Um dos pontos mais altos da sua carreira; na nossa opinião, o seu melhor filme. Baseado num romance, mas sobretudo baseado em relatos de notícias variadas recortadas de jornais e que ele tinha o hábito – mantido até ao fim da sua vida, embora já não trabalhasse mais - de coleccionar, Lang escreveu o guião minuciosamente com Casey Robinson e será um dos mais sofisticados da sua carreira. A preparação não menos minuciosa da rodagem e que permitiu manter, sendo o orçamento do filme bastante razoável, os intérpretes prestigiosos reunidos no conjunto (George Sanders, Ida Lupino, Thomas Mitchell, Rhonda Fleming, etc) só quatro ou cinco dias cada um, quando temos a impressão de os ver presentes ao longo de toda a intriga. (Só a Dana Andrews foi concedido um número de dias ligeiramente superior.) A ambição do filme é imensa, a perfeição do seu estilo, cujos elementos desdenham dar nas vistas, sóbria e eficaz. Lang quer dar a ver um panorama bastante vasto da sociedade americana, fundada aos seus olhos na competição e no crime. Como a competição e o crime se tornaram indissoluvelmente ligados, é este o seu tema, a partir do qual surgem as características do seu estilo, obedecendo todas a uma estética da necessidade que nenhum outro cineasta levou tão longe. Criador solitário e exigente, Lang não está totalmente à parte da corrente americana mais inovadora. While the City Sleeps integra e até interioriza de alguma maneira a revolução trazida no ano anterior ao relato policial por Kiss Me Deadly. Doravante já não há bons nem maus nos enredos. A ferocidade da competição trouxe todas as personalidades ao mesmo nível, o grau zero da moral e da consideração pelos outros. Se examinarmos à lupa (é o que faz o filme) o comportamento de cada uma das personagens envolvidas na acção, vemos ou que eles não têm ideia nenhuma do que lhes poderia servir de moral, ou então – e ainda é pior – que eles sacrificam à sua ambição quaisquer escrúpulos que pudessem ter, comportamento considerado como normal na sociedade em que estão inseridas. A partir daí, o criminoso que os jornalistas procuram com tanto ardor para conseguir um cargo torna-se não só a sua presa, mas também o seu reflexo. Às vezes é mais digno de piedade do que eles. Lang leva aqui a um grau de perfeição absoluta a sua arte das ligações necessárias ou mesmo fatais entre as sequências. Seja por um elemento de diálogo, por um elemento visual, por uma personagem ou pelo efeito de uma causa dramática específica, as sequências encadeiam-se umas às outras a um ritmo e a uma progressão lógica que parece obedecer a alguma fatalidade, que na verdade não é senão a consequência das acções cruzadas de cada um dos protagonistas ocupados em suplantar, a usar ou a destruir o próximo – grande teia de aranha onde por fim todos se encontram presos. Requinte supremo da mise en scène: aquelas divisórias de vidro que, dentro dos escritórios do jornal, separam as personagens permitindo-as verem-se umas às outras e dão à história a possibilidade de executar várias sequências frontais, ligadas numa interacção permanente. Este entrelaçado magistral é visto na luz soberba de uma chapa metálica rasgada a bisturi. Depois de muitos avatares e metamorfoses, redesenhados através da experiência e do estilo de um cineasta meticuloso e genial, o microcosmos expressionista reaparece aqui – talvez pela última vez – lavado de todas as suas histórias, dotado de uma pureza expressiva cuja abstracção e concentração fascinam. É um pequeno pedaço de inferno onde as criaturas estão ocupadas, achando-se livres e activas, sob o olhar de um cineasta que não procura outra coisa senão ver bem e dar bem a ver a realidade, mas mantendo o ponto de vista de Sirius sobre todas as coisas.”

Amanhã, a escolha de Mieriën Coppens.

Link
Imdb

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A Estrada do Tabaco (Tobacco Road) 1941

Durante a Grande Depressão americana, a família Lester não sabe como sobreviver à miséria que se avizinha. Residem e gerem os territórios rurais da Geórgia, cultivados com tabaco e algodão, mas já nem isso os salva. Debilitados pela pobreza ao ponto de atingirem um estado de ignorância e egoísmo cruel, os Lesters preocupam-se com a fome, os apetites sexuais que os devoram e o medo de que a hierarquia social os empurre para uma camada ainda mais desfavorecida.
O filme mais estranho de John Ford, é como uma realidade alternativa para "As Vinhas da Ira". Baseado num livro de Erskine Caldwell, e numapeça longa de Jack Kirkland, com argumento escrito por Nunnally Johnson, o filme concentra-se num grupo de camponeses que ainda ocupam as suas terras, mesmo depois das plantações terem deixado de crescer. Charley Grapewin dá algum equilibrio como Jeeter Lester, um homem de bom coração, à frente de um elenco de peso: Gene Tierney, Wiliam Tracy, Dana Andrews, Marjorie Rambeau, Elizabeth Patterson e Ward Bond.
O filme foi bastante prejudicado por ter sido homogeneizado pelos pedidos dos estúdios e dos censores, indo parar à lista dos filmes amaldiçoados. Depois de várias reclamações de que "muitas pessoas religiosas em todo o pais possam ter ficado ofendidas com os aspectos religiosos", Ford aligeirou o tom do filme. Segundo as suas palavras: "We have no dirt in the picture. We’ve eliminated the horrible details and what we’ve got left is a nice dramatic story. It’s a tearjerker, with some comedy relief. What we’re aiming at is to have the customers sympathize with our people and not feel disgusted." Para evitar controvérsias a Fox decidiu não filmar em exteriores, na Geórgia, mas sim em estúdios e cenários fechados para impedir que o filme fosse banido antes da estreia. Eventualmente só seria banido na Austrália.
O certo é que seria mais um filme injustamente esquecido de Ford, talvez por ter sido lançado mesmo no meio de dois filmes em que Ford foi premiado com o Óscar de Melhor Realizador: "As Vinhas da Ira" (1940) e "O Vale era Verde" (1941).

Link
Imdb

domingo, 2 de abril de 2017

A Senda dos Elefantes (Elephant Walk) 1954

Ruth Wiley (Elizabeth Taylor) é uma jovem mulher recém-casada, que viaja da Inglaterra até ao Ceilão para encontrar nativos, o seu marido John (Peter Finch) e uma imensa plantação de chá de propriedade dele, chamada Caminho dos Elefantes. Milionário e ainda jovem, John vive num luxuoso bangaló construído pelo seu pai no terreno, que servia de passagem para os elefantes da ilha até às fontes de água. Ruth tenta adaptar-se a este ambiente totalmente estranho, enquanto sofre constantes ameaças dos animais e sente a indiferença dos amigos de John. Ao seu lado ela tem apenas Dick Carver (Dana Andrews), o administrador da propriedade, que se apaixona pela sua determinação e delicadeza. Mas o pior ainda está por vir, com a chegada de uma epidemia de cólera que ameaça todos os habitantes da ilha.
"Elephant Walk" (1954) é um filme que mal é recordado hoje em dia, mas foi na altura do seu lançamento considerado o filme mais caro de sempre da Paramont, acabando com uns custos totais de 3 milhões de dólares. Culpe-se uma produção acidentada, que teve vários precalços, incluindo os exteriores no Ceilão (agora Sri Lanka) que se situavam a meio mundo de distância, e uma estrela de Hollywood que teve um colapso mental a meio das filmagens, e teve de ser substituída por outra. A estrela era Vivien Leigh, e foi substituída por Elizabeth Taylor. O produtor Irving Asher queria Laurence Olivier e Vivien Leigh para os papéis principais, mas Olivier não gostou do argumento, recusou e incentivou a sua esposa a fazer o mesmo. Quando ela assinou, apesar das objecções do marido, Olivier recomendou Peter Finch para o papel principal, que ainda era um desconhecido de Hollywood, mas era seu protegido. Durante as filmagens Finch e Leigh envolveram-se num caso, que acabaria por levar ao colapso mental da actriz. Por causa destes acontecimentos, Leigh teve de ser substituída por Elizabeth Taylor, ainda com 21 anos, e 20 anos mais jovem que a primeira actriz. Como era uma actriz da MGM, esta aquisição acabaria por ser bem paga pela Paramont.
Todos estes precalços não seriam muito favoráveis ao filme, nem ao seu realizador William Dieterle, que já tinha a atravessar uma fase menos criativa. Daqui para a frente só faria mais duas produções em Hollywood para depois se retirar para a Europa. Apesar de nunca ter sido colocado na lista negra do MaCartismo, um filme seu, "Blockade" foi considerado suspeito, assim como algumas pessoas com quem tinha trabalhado também o eram. Ele e sua esposa, nos anos trinta, tinham ajudado muita gente a fugir da Alemanha Nazi, muitas delas da extrema esquerda. Numa entrevista Dieterle disse: "Embora eu nunca tenha tido conhecimento de alguma lista negra, eu devo ter estado em algum tipo de lista cinzenta, porque durante alguns anos nunca consegui trabalho". Assim termina este ciclo.

Link
Imdb

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A Noite do Demónio (Night of the Demon) 1957


Conhecido como "Night of the Demon" na sua Inglaterra natal, esta adaptação de 1957, de "Casting the Runes" escrita pelo famoso escritor de histórias de fantasmas. M.R. James. tem uma merecida reputação como um dos filmes de terror mais inteligentes e pensativos já feitos. O argumento escrito por Charles Bennett (com assistência do produtor Hal. E. Chester) efetivamente atualiza e expande o material original, elaborando uma meditação maravilhosa da ciência e da superstição. Embora ofereça bastantes sustos, a ênfase é em retratar um conflito dramático entre dois pontos de vista do mundo, consagrados pelo protagonista (o psiquiatra, Dana Andrews) e o antagonista (o ocultista, Niall MacGinnis). Jacques Tourneur, é o génio que equilibra a corda bamba entre os dois mundos, o real eo imaginário, lidando com o material perfeitamente bem, embora o resultado seja marcado pela inclusão de efeitos especiais retratando o monstro, que minam a ambiguidade cuidadosamente forjada.
Dr. John Holden aventura-se por Londres, para participar num seminário de psicologia paranormal com a intenção de expor o líder de um culto, Julian Karswell. Holden é um céptico e não acredita no poder de Karswell. No entanto, aceita um convite para ficar na propriedade de Karswell, junto com Joanna Harrington. Karswell secretamente adiciona um pergaminho de papel aos papéis de Holden, que poderia possivelmente ser uma maldição da morte. Estranhos acontecimentos começam a causar medo em Holden, que acredita que a sua única esperança é passar o pergaminho de volta para Karswell, para quebrar a maldição demoníaca. 
A sinopse não faz toda a justiça ao filme. O argumento é realmente muito inteligente, sobre como equilibrar os fenómenos que retrata, de forma que nem o científico, nem o ponto de vista supersticioso ganham ascendência. Sim, muitas coisas estranhas acontecem, mas o argumento quer deixar em aberto a questão de saber se alguma delas era verdadeiramente sobrenatural. De certo modo, o filme era o protótipo para a série de televisão "X-Files", focando as aventuras de um casal, um céptico, um crente (embora os papéis sejam revertidos, neste caso). Pode-se também citar o caso de "O Exorcista" como outro exemplo deste tema, com o padre perturbado (Jason Miller) a tentar determinar se a possessão de Regan (Linda Blair) é genuína ou apenas um caso de dupla personalidade, e cumplicidade de poderes telecinéticos latentes.
Em "Night of the Demon", este tema está no centro da história. Ao concentrar-se num céptico como personagem principal, e usando um ambiente contemporâneo, o filme cria um senso de realismo convincente que eleva a história para o nível de um drama sério, e não uma espécie de filme de género convencional dependendo exclusivamente de atmosfera assustadora e dos monstros.

Link
Imdb

sábado, 11 de maio de 2013

Amor Selvagem (Canyon Passage) 1946



Em 1856, um empresário do interior, Logan Stuart (Dana Andrews) acompanha Lucy Overmire (Susan Hayward), a noiva de um amigo, de volta para casa para a remota Jacksonville, no Oregon. No decurso da difícil viagem, Lucy sente-se atraída por Logan, cujo coração parece pertencer a outra. Assim que chegam a Jacksonville, uma confusão de subtramas envolvendo vilões, damas, triângulos românticos, febre do jogo, homicídio, e vigilantismo ... culminando com uma revolta indígena que ameaça todos os colonos.
"Canyon Passage" é um exercício maravilhosamente divertido no subgénero "western psicológico", rodado num glorioso Technicolor, e com algumas interpretações surpreendentemente pesadas ​​pelo excelente elenco. O realizador Tourneur, no auge da sua forma (o filme seguinte a Canyon Passage seria o noir clássico, Out of the Past), manipula de uma forma incrível o argumento deste western (o seu primeiro western, assim como o seu primeiro filme colorido), trazendo um fio condutor, quase hipnotizante. Enquanto os principais elementos da trama são simples (o triângulo amoroso, a cidade civilizada emergente, o valentão da cidade), Tourneur mostra uma atenção quase perversa de intrigantes detalhes ao desenhar os personagens que irão preencher esta trama.Obviamente, Tourneur deu um maior destaque aos canalhas deste filme, deixando Brian Donlevy e Ward Bond criarem vilões memoráveis e ​​complexos que inquietam desenhar a simpatia do espectador. O George de Donlevy, um ladrão que procura sempre o caminho mais fácil, é o suficiente preverso para escolher alguém tão bonita como Lucy para sua noiva, mesmo indo tão longe a ponto de ousar que o seu melhor amigo Logan a beije, para provar que é melhor. Tourneur, na sua busca por personagens mais complexas moralmente, recusa-se a deixar-nos saber, concreta e definitivamente, se George realmente matou o mineiro por causa do ouro, tornando ainda mais desconfortável o personagem George. O tratamento de Tourneur para com o valentão da cidade, Honey Bragg, é talvez o mais estranho neste filme. Bond, dando a Bragg uma inteligência pensativa  e astuta ao seu personagem, sai quase como patético na sua luta com Logan (melhor sequência do filme). Espancado, mas não abatido, ele é o desprezo da multidão que instiga a luta. E quando Bragg foge dos índios que querem vingar a sua violação e assassinato de uma jovem india, Tourneur dá-lhe um momento final do simpatia do público, como um quadro do seu rosto aterrorizado preenchido entre as folhas vermelhas de um outono sangrento (o uso da cor por Tourneur não é nada menos do que brilhante neste filme). 

Link 
Imdb

domingo, 10 de março de 2013

Cavalgada Fantástica (Take a Hard Ride) 1975


Kiefer (Lee Van Cleef) é um caçador de recompensas que leva o seu trabalho talvez um a pouco sério demais. Aprendemos isso ao observá-lo, perseguindo um bom homem que cometeu um crime décadas atrás, e desde então, que vem a ser perseguido pelo caçador. Não está preocupado em justificar a sua linha de trabalho, está apenas preocupado em fazê-lo bem. Quando Morgan, um rico fazendeiro que está a tentar mover $ 86.000 para o México, morre de causas naturais, deixa o dinheiro ao seu melhor amigo e empregado Pike (Jim Brown) agora responsável por esta missão. Isso faz com que Pike passe a ser um dos homens mais procurados em todo o velho oeste. Este cruza com Tyree, astuto e perigoso (Fred Williamson), que quer pôr as suas mãos no ouro, mas está disposto a ajudar a levar o dinheiro para o México antes de fazer o seu jogo. Ao longo do caminho estes dois tropeçam numa família que foi massacrada por cowboys. Entre eles está Kashtok (Jim Kelly), um índio criado como afro-americano, que usa os punhos em vez de uma arma. Este estranho grupo de viajantes vão ter que lutar contra várias armas no Oeste, assim como contra o perigoso Kiefer, o caçador de recompensas.
Pegamos num realizador italiano versátil, António Margheriti, três das maiores estrelas da Blaxploitation, uma banda sonora de Jerry Goldsmith e uma história envolvendo um Kung Fu indiano, uma prostituta à procura de redenção, racistas e religiosos, um vilão chamado Lee van Cleef - e temos este incrível western. Um raro exemplo de como a ética toma o spaghetti western de volta para os EUA e constroi algo único, como: um blaxploitation spaghetti western!
"Take a Hard Ride" não tem a história mais original. Jim Brown jura ao seu chefe moribundo que vai levar o seu dinheiro para o México, e que a sua versão mexicana do Shangri La pode ser construída. Então, é emboscado regularmente por qualquer pessoa que ouve falar sobre o dinheiro, incluindo Fred Williamson. Uma vez que Williamson, Kelly e Brown se unem, a vitória está garantida, enquanto combatem os banditos, o KKK e Van Cleef.  Ebora o filme não seja uma aula de história, é engraçado assistir a um western, onde os negros acabam por vencer.
Um detalhe engraçado é a quantidade de velhas estrelas de Hollywood que podem ser encontradas no filme: Harry Carrey Jr, Barry Sullivan, ou Dana Andrews.

Mega
Link 
Imdb