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sábado, 30 de junho de 2018

Morgan - Um Caso para Tratamento (Morgan: A Suitable Case for Treatment) 1966

Morgan Delt é um artista falido da extrema esquerda, um irresponsável cujos pais comunistas possuem uma loja no mercado de Londres. Ele também é agressivo, e um sonhador confesso, obcecado por Karl Marx, gorilas, e incapaz de impedir a sua esposa de se envolver com o seu ex-melhor amigo. Usa o seu rico mundo de fantasia como refúgio da realidade externa, onde o seu comportamento não convencional irá provocar o divórcio com a sua esposa, e problemas com a polícia.
Karel Reisz dirige esta comédia de humor negro passada em Londres, ainda hoje visto como um filme de culto da década de sessenta. É baseado numa peça para televisão de David Mercer, chamada "A Suitable Case for Treatment". Mercer era um dramaturgo de grande intelecto que fez muito para moldar os dramas da década de sessenta na TV britânica. Don Taylor era um seu frequente colaborador e considerava-o como o primeiro grande dramaturgo inglês a surgir da televisão. O seu trabalho tinha universalidade, e lidava com sérios problemas intelectuais, filosóficos e políticos. 
O filme explorava um tema que era familiar para Mercer, e que o realizador Paul Madden chamou de "alienação social disfarçada de loucura".O filme era inovador na forma como na forma como representava os pensamentos e fantasias de Morgan, e o seu comportamento excêntrico.
Como era habitual nos filmes britânicos deste período, contava com grandes interpretações da dupla central de protagonistas, David Warner e Vanessa Redgrave. Esta ganhou o prémio de melhor actriz em Cannes e foi nomeada para o Óscar de Melhor Actriz. Neste ano aconteceu uma coisa curiosa: pela primeira vez estavam nomeados para o Óscar de Melhor Actriz duas irmãs, Vanessa Redgrave por este filme, e Lynn Redgrave pela sua prestação em "Georgy Girl", que também será visto neste ciclo.

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terça-feira, 12 de junho de 2018

Sábado à Noite, e Domingo de Manhã (Saturday Night and Sunday Morning) 1960

No fim dos anos 50 e no inicio dos 60, o cinema britânico virou-se para o realismo social, lidando usualmente com impulsos de rebelião ou aspirações de ascenção social, entre jovens espertos, articulados e amargos, das classes trabalhadoras. Quase todos esses filmes eram baseados em obras dos "angry young men", romancistas e dramaturgos como John Osborne (Paixão Proibida/ Look Back in Anger), John Braine (Um Lugar na Alta Roda), e Sean Barstow (Um Modo de Amar), o livro de Alan Sillitoe, "Sábado à Noite, e Domingo de Manha" deu origem ao melhor filme desta lista, embora a direcção de Karel Reisz não seja isenta de um tipo de inclinação sentimental para o pitoresco, que surge muitas vezes quando cineastas educados em Cambridge viajam para o Norte para transformar montes de detritos em paisagens extraterrestres e espiar, em Nottingham, os estranhos comportamentos de operários fabris que frequentam pubs.
A força do filme está na voz de Sillitoe ("o que quero é divertir-me - tudo o resto é propaganda") e na entrega do diálogo a Albert Finney, que faz uma tremenda primeira impressão como Arthur Seaton, o hedonista rebelde e viril que explode de indignação no local de trabalho e goza o que pode nas horas livres. O titulo refere-se implicitamente ao processo de "meter na ordem" que é a consequência inevitável do estado de Arthur: as noites de sábado, marcadas por uma escalada de álcool e excessos sexuais, são pagas nas manhãs de Domingo, durante as quais o protagonista está confinado a uma casa nova e ao seu casamento respeitável.
O filme mostra como o pai de Arthur (Frank Pettitt) ficou reduzido a um telespectador e como muitos dos seus amigos, ligeiramente mais velhos (sobretudo o companheiro a quem ele põe os cornos) estão a caminho de ficar presos no sistema. Apesar de Arthur saír de uma relação com uma mulher casada (Rachel Roberts) e ser atraído para um noivado com uma rapariga (Shirley Anne Field) bonita mas convencional, ainda está decidido a continuar a atirar pedras e partir janelas. Como muitos outros filmes deste ciclo, "Sábado à Noite, e Domingo de Manha" tende para ser complacente com um género de machismo proletário que ronda a misoginia (para Arthur, todas as mulheres são ratoeiras), mas Rachel Roberts - num papel semelhante ao de Simone Signoret em "Um Lugar na Alta Roda" (1959) - exprime uma dor real que constitui uma leitura alternativa à rebelião de Arthur."
Texto de Kim Newman

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