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domingo, 2 de junho de 2019

Paris, Texas (Paris, Texas) 1984

Acabamos de (re)ver “Paris, Texas”, filme “maior” de Wenders (na minha humilde opinião, o
aclamado “Der Himmel über Berlin” está longe da magistralidade deste), e a redenção alcançada de Travis dá um sentido ao imenso “cosmos” desértico que perpetua aquelas almas “perdidas” ou alienadas ao longo da monstruosidade que é este colorido road movie imerso na melancolia e na desolação daquelas almas solitárias e, aparentemente, “vazias” (e não sei porquê - talvez pelo título - mas lembro-me sempre da Desolation row do Dylan). É, portanto, uma viagem interior impregnada na desolação duma alma errante e solitária que anseia a redenção numa procura de paz interior.
Wenders, o tal da nova vaga alemã que ficou imortalizado ao lado de nomes como Fassbinder, Herzog, Schroeter, Schlöndorff ou Syberberg, sempre mostrou o seu fascínio pela cultura americana e pelo mito americano… “Paris, Texas” não é imune a isso, está lá tudo, inclusive o falhanço do sonho americano, o american way of life! É, talvez por aí, que “Paris, Texas” encontra o seu propósito, desde a imutabilidade do género (à qual falsamente alude e primícia visualmente como um western para logo a seguir se permutar e imutar no road movie que é), à alusão da perfeição perdida (ou nunca alcançada) na simbologia que o deserto Mojave, com que inicia o filme e no qual aquele Travis errático e solitário se “perdeu”, assume… simbologia “estendida” e “descortinada” mais à frente quando percebemos que a Paris do título é no Texas e não na França, contraste assumido que percorre todo este road movie tão seco quanto o Mojave, até ao lamento que no fundo do mais fundo deste filme o é, perpetuado no tempo (os tais 4 anos de errância pelo deserto) e que culmina naquele peep show onde se confessam as duas almas errantes e angustiantes deste filme.
Por isso “Paris, Texas” é um filme-lamento, onde não só a melancolia ou a desolação reinam como a tristeza é absoluta (como absolutas são as interpretações de Stanton e de Kinski)… a recusa de Travis em falar no início do filme (silêncio quebrado apenas já quase no final da viagem de regresso a casa do irmão), assim como a obstinação inicial em caminhar, apenas caminhar, sem rumo aparente ou em direcção ao vazio, numa alienação incógnita, coisas que irão ser “confessadas” (e que genialidade a de Wenders na “criação” daquele peep show como alusão a um confessionário) mais tarde, lá perto do final… o rumo à redenção num caminho que é de redescoberta interior - a relação “resgatada” com o filho a isso possibilitou -, a solidão que Travis “chama” para si… tudo isso é um lamento e uma resignação pelo passado (que só no final e naquele tal “confessionário” emerge) e pela culpa que Travis carrega em si. 
É, portanto, no lamento que reside a vitalidade de “Paris, Texas”, no lamento da solidão e do amor que apenas de longe poderá existir, e Travis sabe-o bem e por isso a redenção final. O amor continua lá, o filho viu-o no olhar do pai enquanto via aquela super 8 e aqueles momentos nostálgicos que o fazem “lembrar” e “redescobrir-se”… foi tudo por amor, inclusivamente a fuga e o abandono… e além do lamento é o amor a força motriz deste filme, é por amor que a redenção se procura e se dá!... 
Nunca mais Wenders atingiria esta magistralidade e esta grandiosidade. Absoluto!
Texto de Álvaro Martins.

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Imdb

domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Bird - Fim do Sonho (Bird) 1988
"Bird" evoca a figura genial e trágica do saxofonista Charlie Parker (1920-1955), um exemplo superior dessa sua atitude criativa. A história de Charlie Parker é indissociável do seu protagonismo na criação do chamado som “bebop”. Não admira, por isso, que algumas das personagens marcantes do filme de Eastwood se chamem Red Rodney ou Dizzy Gillispie. Em todo o caso, "Bird" não é um mero inventário de figuras emblemáticas do jazz — é, acima de tudo, uma viagem pelos fantasmas mais íntimos de Charlie Parker.
No papel de Charlie Parker, Forest Whitaker tem aquela que, a meu ver, continua a ser a melhor composição de toda a sua carreira. E importa não esquecer a sua mulher, Chan Parker, interpretada por uma actriz admirável, infelizmente pouco conhecida — é ela Diane Venora. Entretanto, pode dizer-se que Clint Eastwood continua a ser um cineasta de "todos" os géneros: a sua agilidade temática e expressiva tem-lhe permitido ziguezaguear entre os mais diversos registos, reforçando uma imagem de marca muito pessoal — tal como Charlie Parker no jazz, Eastwood é um dos grandes individualistas do cinema americano.
* Texto de João Lopes.

Gente de Dublin (The Dead) 1987
6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis num ambiente de neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um encontro musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história.
Passado na Irlanda, durante a viragem do século 19 para o século 20, o filme mostra um jantar em casa de uma família com os seus convidados, onde reminiscências e momentos de melancolia trazem indagações e algumas revelações existenciais.
Baseado num conto do mesmo nome do livro "Dubliners", de James Joyce, foi o derradeiro filme realizado por John Huston, e contava com Anjelica  Huston, a sua filha, no papel de protagonista. O argumento era da autoria de outro filme de Huston, Tony Huston, e esta seria considerada a adaptação mais fiel a contos de Joyce, com apenas algumas alterações para ajudar a sua passagem para o cinema.

Os Amantes de Maria (Maria's Lovers) 1984
1946. O veterano de guerra americano Ivan Bibic (John Savage), que foi um prisioneiro de guerra, sofreu uma crise nervosa que só lhe permitia morrer ou sonhar. Assim, ao regressar para a sua pequena cidade natal, Brownsville, na Pensilvânia, ele só pensa em encontrar o seu sonho: uma refugiada jugoslava, Maria Bosic (Nastassja Kinski), uma amiga de infância que se tornou numa bela mulher. Ele sempre sonhou ter com Maria o casamento perfeito, embora ela seja desejada por outros homens. Ivan diz que sonhou tanto com Maria que ela vive nos seus sonhos, não no seu corpo, e é verdade, pois os sonhos dele não são iguais à realidade. Maria e Ivan casam-se, mas ele descobre que não consegue fazer amor com ela.
Andrei Konchalovsky era um realizador russo bastante bem cotado no cinema do seu país, que entre outras coisas, era amigo e colaborador do lendário Andrei Tarkovsky, estreava-se aqui em território americano. Um filme notável porque marcava a estreia de Konchalovsky em língua inglesa, sendo também um dos primeiros filmes de realizadores russos falados em inglês.
Nastassja Kinski, filha de Klaus Kinski, com apenas 23 anos era já uma das maiores sex symbols dos anos 80 graças a filmes como "Tess", "One From the Heart", "Cat People", "Paris Texas", "The Hotel New Hampshire", entre outros, sendo esta uma das suas maiores explosões de sensualidade.
Para além de John Savage o filme conta ainda com o veterano Robert Mitchum, num dos papéis principais.

Havana (Havana) 1990
Final da década de 1950. Vivem-se tempos turbulentos, e a política de Cuba vive uma violenta fase de transição. A poderosa milícia de Fidel Castro bate de frente com o Exército do país, liderado por Fulgencio Baptista, e toma o poder na capital, Havana. É neste cenário conturbado que Jack (Robert Redford), um jogador norte-americano, chega à bela e destruída cidade para organizar um histórico torneio de póquer. Contundo, durante a viagem, ele conhece a bela Roberta (Lena Olin), uma cubana que rouba o seu coração. Pouco depois de se envolverem, a mulher reencontra o marido, o revolucionário Arturo, e os dois acabam presos e torturados. Jack irá tentar ajudá-los...
Um filme que queria ser o "Casablanca" das Caraíbas. Era o regresso de Sydney Pollack ao cinema depois do seu multi-premiado "Africa Minha", e marcava a sétima colaboração do realizador com Robert Redford. 
Apesar de uma recepção considerável na altura, foi um fracasso comercial, tendo em conta que era uma super-produção americana. 
Raul Julia recusou-se a ser creditado no filme depois de não lhe ter sido dado honras de ter o nome ao lado de Redford e Olin no cartaz do filme. O elenco contava com dois actores nascidos em Cuba, Tomas Milian e Tony Plana, para além dos experientes Alan Arkin e Richard Farnsworth. 

sábado, 29 de outubro de 2016

Capítulo 1 - Terror

Vamos começar esta viagem ao mundo do VHS pelo género de Terror, que ao mesmo tempo irá ser a nossa forma de festejar o Halloween. O terror foi ganhando popularidade com o passar dos anos, e se durante muito tempo era um género tabu, hoje em dia é dos mais procurados. Principalmente a partir dos anos 80 tivemos um boom considerável, em parte por causa da evolução dos efeitos especiais. Graças a isso muitas obras deste género tornaram-se mainstream durante esta década: "O Uivo da Fera", "Companhia dos Lobos", "A Mosca", "Gremlins", "Um Lobisomem Americano em Londres", "The Evil Dead", "Pesadelo em Elm Street", "The Shining", "Poltergeist", entre outros.
Vamos então fazer uma viagem por este género, não pelos filmes de primeira linha, mas pelos outros que vêm logo a seguir. Estes foram alguns dos filmes presentes na prateleira de terror.

A SEITA DO MAL (The Believers) 1987
Ao investigar o brutal assassinato de dois jovens, um detetive perde o equilíbrio mental. O psicólogo da polícia descobre que a insanidade do colega está diretamente relacionada com um culto religioso especializado em sacrifícios humanos.
O filme fala sobre a religião de Santeria, uma fé que teve a sua origem no comércios de escravos, quando os nativos africanos foram transportados à força para as Caraíbas e foram e foram convertidos aos catolicismo. A fim de manter as suas crenças nativas, misturam conceitos da sua religião com os principios de Roma. Estima-se que 35000 pessoas pratiquem Santeria nos Estados Unidos. 
Baseado no livro "The Religion" de Nicholas Conde, e adaptado por Mark Frost (antes de se envolver em "Twin Peaks"), foi um dos melhores filmes sobre o oculto realizados nos anos 80. Realizado pelo britânico John Schlesinger, que aos poucos tentava regressar à boa forma do seu inicio de carreira, este acabaria por ser o seu melhor filmes pós-1980, a par com "Pacific Heights", que veremos mais para a frente. Martin Sheen é o protagonista.

 ARACNOFOBIA (Arachnophobia) 1990
Toda a gente tem medo de alguma coisa...mas a fobia do Dr. Ross era muito estranha. Quando ele se muda com a família para uma cidade do interior, aquilo que o apavorava transforma-se numa crescente ameaça para todos os moradores do lugar. As aranhas estão prestes a destruir a cidade inteira. A única hipótese de salvar todo mundo é superar este medo infantil - mas pode ser tarde demais...
Atrás deste projecto estava a Amblin Entertainment, e logo a equipa de produção de alguns dos maiores êxitos dos anos 80, "ET", "Poltergeist", "Indiana Jones e o Templo Perdido", "Goonies", "Regresso ao Futuro", logo as expectativas eram bastante elevadas. Frank Marshall era um dos cabeças do estúdio, junto com Steven Spielberg e Kathleen Kennedy, salta pela primeira vez para atrás das câmaras, e pode-se dizer que fez um bom trabalho. Estava-se no auge da popularidade da Amblin, e tinha-se que aproveitar o momento.
É um filme um pouco reminiscente de "Gremlins". A pequena cidade a ser invadida por criaturas. O facto de serem aranhas, dá um tom um pouco mais realista ao filme, e os efeitos especiais são do melhor da altura. Destaque para a curta interpretação de John Goodman, apesar do protagonista ser Jeff Daniels.

 A FELINA (Cat People) 1982
Natassia Kinski é Irene, uma bela jovem que ao descobrir o seu primeiro amor, apercebe-se que uma explosiva experiência trazer-lhe-á trágicas consequências. Esta poderosa paixão ultrapassa todo o caos à sua volta, incluindo as bizarras exigências do seu próprio irmão (Malcolm McDowell) uma vez que a puxa para um destino bizarro.
"Cat People" era um remake do filme do mesmo nome realizado por Jacques Tourneur. Em plenos aos oitenta, com a pouca facilidade em descobrir cinema, o filme original era uma obra completamente obscura, ao passo que hoje é muito mais conhecido. Era um projecto de Paul Schrader, um argumentista ligado aos Movie Brats (Coppola, De Palma, etc), e que tinha já no seu historial argumentos tão importantes como "Yakuza", "Taxi Driver", ""Obsession", "Rolling Thunder", e que procurava um lugar ao sol no campo da realização, sendo este já o seu quarto filme. E pode-se dizer que até aqui a sua carreira corria muito bem.
Como cinema fica bastantes furos abaixo do original, mas é um óptimo projecto de promoção à actriz Natassia Kinski, uma das maiores sex symbol dos anos 80.

O DESVENDAR DE UM MISTÉRIO (The Changeling) 1980
Desde a trágica morte da sua família, o compositor John Russell abandonou Nova York e agora vive numa casa solitária na esperança de continuar compondo e encontrar a paz. Enquanto aprecia o silêncio e a solidão de sua nova residência, começa a ver constantemente o corpo de um rapaz. Nas suas andanças pela casa, descobre uma entrada secreta para um antigo quarto de criança que permanecia esquecido. Nele John encontra uma cadeira de rodas e uma caixinha de música e tem o pressentimento de que alguma coisa terrível aconteceu naquele quarto. 
 Um dos bons filmes sobre casas assombradas que se fez no período entre final dos anos setenta, e principio dos anos oitenta. Passou um pouco ao lado de uma carreira de sucesso, talvez por ter sido uma produção canadiana, mas o elenco de velhas estrelas é do melhor que se podia encontrar: George C. Scott, Trish Van Devere, Melvin Douglas e Jean Marsh. É bastante superior a "The Amityville Horror" de Stuart Rosenberg, mas inferior a "The Shining" de Kubrick, do mesmo ano. A realização é de Peter Medak.
Imdb

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Do Fundo do Coração (One From the Heart) 1982



Na década de 1970, não havia nenhum realizador que tivesse atraído tantos elogios como Francis Ford Coppola. Enquanto lançava quatro filmes nesta década, O Padrinho, O Padrinho - Parte II, The Conversation e Apocalypse Now, também pertencia ao movimento chamado New Hollywood, ao qual pertenciam realizadores como Steven Spielberg, Peter Bogdanovich e Martin Scorsese. Coppola era também um argumentista e produtor, que também ajudou as carreiras de George Lucas e Carroll Ballard. Embora a década de 1970 fosse um triunfo para Coppola, ele estava prestes a entrar noutra em que teve de enfrentar o fracasso, falta de dinheiro, e outros problemas pessoais.
Durante anos, Coppola desejava tornar-se independente e formar o seu próprio estúdio, onde pudesse criar os seus próprios filmes. Assim nascia o Zoetrope Studios, que começou como um estúdio independente que permitia a realizadores iniciantes terem um impulso para a sua carreira. Também era o lugar onde Coppola esperaria criar o tipo de filmes que queria sem a interferência de um grande estúdio. Para o seu próximo projeto, Coppola decidiu fazer uma obra que seria uma experiência completamente nova, a criação de um filme com novos gadgets eletrónicos para o cinema da época, no início dos anos 80. O filme era suposto ser pequeno, um musical romântico passado em Las Vegas. One from the Heart quase daria cabo da carreira de Francis Ford Coppola, e fê-lo andar no limbo por vários anos.
Originalmente com um orçamento de 2 milhões de dólares, era para ser filmado dentro de um estúdio no Zoetrope Studios para criar uma versão artificial de Las Vegas. Com a ajuda do diretor de fotografia Vittorio Storaro e o designer de produção Dean Tavoularis, a re-criação de Las Vegas, juntamente com outros cenários parecia ser difícil. Como Coppola queria experimentar novas câmeras, novos modos de filmar, e novas técnicas, acabou por ser construída uma cidade artificial, e a produção subiu em flecha para 26 milhões de dólares, isto para um filme lançado no início de 1982. Quando surgiram notícias sobre o seu orçamento final, era claro que Coppola estava prestes a entrar em apuros.
Dois anos antes, Michael Cimino tinha lançado "Heaven’s Gate", um western revisionista histórico passado nas Johnson County Wars, no final do século 18. Seria a continuação de Cimino para o seu aclamado filme de 1978, vencedor dos Oscares, The Deer Hunter, e por isso as expectativas estavam altas. Em vez disso, o filme com um custo de 40 milhões de dólares tornou-se num enorme desastre que iria levar a United Artists à falência, bem como trazer um fim à era de ouro da "New Hollywood", e dos seus realizadores-autores. Para Coppola, a produção e o lançamento de "One from the Heart" deixou-o nervoso, e o filme acabaria por ser um fracasso enorme, uma vez que só iria render 600 mil dólares na bilheteria durante a primeira semana. Depois disto, o realizador resolveu tirar o filme dos cinemas e iria passar o resto da década de 1980 e parte da década de 1990 a fazer filmes para saldar as dívidas.
Coppola acabaria por recuperar o dinheiro perdido, bem como reviver a Zoetrope como American Zoetrope. Mas, muitas pessoas não viram "One From the Heart", que começou a ser elogiado por um pequeno grupo de cinéfilos que o tinha visto com interesse, quando saíu. Em 2001, Coppola lançou uma versão estendida de Apocalypse Now chamada Apocalypse Now Redux, com grande sucesso, que o levou a decidir revisitar o filme que lhe tinha dado tantos problemas. Com a ajuda de Storaro e o executivo da American Zoetrope, Kim Aubry, Coppola fez algumas mudanças na montagem, e deu a "One From the Heart uma nova hipótese de ser visto.
Com argumento de Coppola e Armyan Bernstein, baseado numa história verdadeira, "One from the Heart" é a história de um casal cuja relação de cinco anos está a começar a desmoronar-se. Os dois caminham em mundos diferentes, como a mulher a apaixonar-se por um empregado de mesa, enquanto o homem é surpreendido por uma artista de circo alemã. Um retrocesso aos musicais e filmes românticos das décadas de 40 e 50, de produção abundante, é um filme em que Coppola combina esse estilo de produção pródiga, em sintonia com o mundo colorido dos anos 80. Interpretado por Frederic Forrest, Teri Garr, Raul Julia, Nastassja Kinski, Lainie Kazan, e Harry Dean Stanton.
A história do filme é bastante simples. Um rapaz e uma rapariga, namorados, separaram-se e conhecem os seus parceiros ideais, até perceberem que ainda estão apaixonados um pelo outro. Isso é muito bonito, e é parcialmente contado através da música do filme. A música de Tom Waits é o verdadeiro destaque, uma vez que não joga apenas com cool world de Las Vegas, mas também com o desejo de romance dos personagens. Com músicas e letras de Waits, as canções jogam até com o cerne emocional do filme, quando são cantadas por Waits e Crystal Gayle. A voz de Gayle sobe ao mesmo tempo de muitos momentos comoventes. A banda sonora acabaria por ser nomeada para um Óscar, a única nomeação do filme, e era a primeira fez que Waits trabalhava a tempo inteiro numa banda sonora.
O argumento é apenas um pano de fundo para o que Coppola quer criar, um filme mais sobre a parte visual do que sobre a história. Como a história não tem muito brilho, com uma enorme falta de tensão e surpresas, permite que Coppola crie sequências mais sobre o momento e os visuais. A realização de Coppola é definitivamente maravilhosa, não apenas a recriar Las Vegas, mas também a recriar um lugar de fantasia. Um puro filme de culto.

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