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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Quinteto Era de Cordas (The Ladykillers) 1955


Lançado em 1955, a comédia negra "The Ladykillers", foi a última das grandes comédias da Ealing (embora mais duas, muito menores, tivessem sido lançadas ainda depois). Foi também o último filme do realizador Alexander Mackendrick na Grã-Bretanha, antes de partir para águas ainda mais escuras em Hollywood, com uma obra-prima do cinismo, "The Sweet Smell of Sucess" (EUA, 1957). 
A história - cinco criminosos, disfarçados de músicos, realizam com sucesso um assalto, mas de seguida, são derrotados pela sua senhoria, aparentemente inofensiva, mas levando-os a destruirrem-se uns aos outros - surgiu a partir de um sonho do escritor William Rose (que também escreveu o filme anterior de Mackendrick, "The Maggie" (1954)), e Mackendrick foi imediatamente levado pelo seu humor negro.
Alec Guinness tem mais uma enorme performance cómica como o cada vez mais desequilibrado criminoso, e mentor, Professor Marcus. O papel foi originalmente destinado a Alastair Sim, mas Guinness desempenharia o papel com aquele seu toque especial. Mas o filme, na verdade, era roubado por uma velha senhora de 77 anos de idade, Katie Johnson, como uma velhota aparentemente inofensiva, mas totalmente incansável, a senhora Wilberforce. 
O elenco é perfeito a toda a linha: Herbert Lom, no seu primeiro papel cómico é a ameaça genuína como Louis, enquanto Cecil Parker como o major, e o enorme ex-boxeador Danny Green, também como um ex-boxeador Round One, seria díficil imaginar outros actores nestes papéis. Peter Sellers conseguiu o seu primeiro grande papel como Harry (também expressou o papagaio da senhora Wilberforce). Sellers e Lom, mais tarde, viriam a contracenar juntos em vários filmes da Pink Panther.
Como os filmes anteriores de Mackendrick, "The Man in the White Suit" (1951) e "Mandy" (1952), o significado de "The Ladykillers" era o conservadorismo do embrutecimento contemporâneo na Grã-Bretanha. A sra. Wilberforce e as pessoas com idade semelhante representam o peso contínuo da Inglaterra Vitoriana, atrasando o progresso e a inovação (esta inovação é representada aqui como um roubo e um crime e dá alguma indicação da ambiguidade da visão de Mackendrick). 
"The Ladykillers" foi um grande sucesso na Grã-Bretanha e nos EUA, onde foi nomeado para o Oscar de Melhor Argumento. William Rose, no entanto, deixou o filme com a produção a meio, depois de acessas discussões com Mackendrick e o produtor Seth Holt, deixando-lhes a tarefa de completar o guião. Quando finalmente viu o filme, passados três anos, foi forçado a admitir que os resultados melhoraram muito em relação à sua própria visão. 

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The Titfield Thunderbolt (The Titfield Thunderbolt) 1953


Esta é uma das comédias da Ealing menos conhecidas e embora não seja tão amada como os filmes mais famosos do estúdio, não deixa de ter a sua mordidela satírica, além de ser uma divertida e suave aventura que não irá chamar a atenção apenas aos amantes de comboios. 
Como é típico para a Ealing, é um conto sobre o espírito de comunidade. Quando os moradores de Titfield percebem que a sua aldeia idílica está prestes a ser arruinada por uma nova auto-estrada, devido ao serviço ferroviário britânico querer acabar com a linha local, decidem governar eles próprios a linha. Inevitavelmente uma combinação do seu próprio amadorismo, sabotadores que trabalham para a empresa de autocarros local e inspectores do governo rigorosos tornam a tarefa difícil, mas será que eles vão ter sucesso e salvar as suas casas?
Charles Crichton, de "Hue & Cry" e "The Lavender Hill Mob", colaborou mais uma vez com Tibby Clarke em "The Thunderbolt Titfield", lançado em 1953. A fotografia de Douglas Slocombe foi, no entanto, muito evocativa do interior de Inglaterra utilizado Technicolour pela primeira vez numa comédia da Ealing.
Feita já no periodo final das comédias desta produtora tem muitos dos seus atributos tradicionais - comédia satírica, alegria, a pequena-versus-grande história - mas envelheceu muito mais do que muitos dos seus "primos". Isto acontece porque o filme foi feito na Inglaterra rural, pouco antes desta mudar para sempre. Possui belos exteriores e uma aldeia estereotipada de personagens que parecem muito com o que era normal em 1953, mas que praticamente não existem hoje. Ainda assim é um título a ser visto.
Legendas em espanhol.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Homem do Fato Claro (The Man in the White Suit) 1951


Em 1951, os Ealing Studios produziram "O Homem do Fato Claro", a história de um cientista, Sidney Stratton (interpretado pela estrela Alec Guinness), que inventa uma fibra super-resistente, que poderia revolucionar a indústria têxtil e vestir toda a gente para a eternidade. Encontramos o nosso jovem herói no laboratório da fábrica têxtil de Corland, como uma figura anónima a trabalhar, aparentemente, às custas do proprietário, Michael Corland (Michael Gough). Quando as notícias sobre o sucesso de Stratton vêm a público, toda a indústia se sente ameaçada por um caos que tanto as fábricas como os sindicatos tentam evitar a todo custo. Unindo esforços, decidem que o fabrico de Stratton jamais será comercializado.
Típica comédia para a Ealing - e especialmente para o realizador Alexander Mackendrick - é uma história ferozmente satírica e bastante obscura que é contada de uma forma deliciosamente acolhedora. Aqui os males e perigos do capitalismo são explorados e, embora o humor por vezes ronde o dos desenhos animados (por exemplo a forma como uma explosão química não faz mais nada às suas vítimas além de rasgar as roupas e denegrir os rostos), ainda tem personagens que, apesar de serem amplamente desenhadas, são completamente críveis e simpáticas. O desempenho de Guinness é, como sempre foi, espetacularmente bom, e tem o público ao seu lado desde o início, com o equilíbrio magistral de humor e emoção. Na verdade, nas mãos de qualquer outra pessoa Stratton poderia ter sido uma personagem profundamente antipática. E no clímax do filme, que o vê perseguido por uma multidão enfurecida, como os moradores do filme de Frankenstein, ele prova mais uma vez que, como comediante físico era mais do que uma ameaça para Chaplin ou Buster Keaton.
Valeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Roubei um Milhão (The Lavender Hill Mob) 1951


Histórias sobre o crime perfeito a correr mal (por exemplo, Double Indemnity) têm sido muito exploradas na ficção e no cinema. As comédias do mundo do crime são quase tão antigas como o próprio cinema, mas existe um sub-género dentro das comédias de crime chamado caper-gone-wrong (caper crime eram filmes sobre assaltos, por isso "caper-gone-wrong" seriam assaltos que correm mal) que deve ter sido inventado por volta de 1950, nos Ealing Studios da Grã-Bretanha, mais conhecidos pelas suas comédias peculiares do pós-guerra. Algumas das comédias clássicas da Ealing eram histórias de crimes subversivos, e a maioria contava com Alec Guinness. Três filmes cumpriam estes critérios: "Kind Hearts and Coronets", "The Lavender Hill Mob", e "The Ladykillers".
Qualquer um destes filmes são enormes, e cada um tem os seus defensores como sendo o melhor das comédias da Ealing. Provavelmente o mais popular hoje é o primeiro, "Kind Hearts and Coronets", que também deve ser o mais obscuro e o mais subversivo, com a história de um herdeiro descontente que tem de matar os seus parentes para receber um título da nobreza .  
The Lavender Hill Mob" é o mais universal dos três, com foco num cidadão normal, aparentemente íntegro, e consciente empregado de um Banco de Londres chamado Henry Holland (Alec Guinness), cujas funções incluem supervisionar barras de ouro. Ao longo dos anos Holland vem fazendo duas coisas: ganhar a confiança dos superiores do Banco, e procurando uma maneira de liquidar o ouro que supervisiona depois de roubá-lo.  
Quase todos nós, mesmo os mais honestos, notamos de tempos a tempos o quanto vilneráveis são as instituições à nossa volta, e o quanto fáceis são de enganar. Em parte, isto deve-se a algo que fazemos para testar o quanto seguro somos, ou o quão segura é a nossa sociedade. O argumentista T.E.B. Clarke, que ganhou um Óscar por "The Lavender Hill Mob", foi ele próprio um ex-policia, e quando se sentou para escrever sobre um funcionário de um banco, de confiança, que rouba um milhão de libras de ouro, aproximou-se do Banco do Inglaterra para pedir conselhos, e uma maneira plausível de cometer um assalto perfeito - um pedido que o Banco respondeu com entusiasmo, fazendo uma investigação informal sobre o assunto.
Muita da comédia deste filme vem da inversão de estereótipos, com o homem bem-educado, da classe média, aspirante ao papel de mestre do crime. E enquanto este género tem sido demasiado reproduzido nas últimas décadas, The Lavender Hill Mob evita a maior parte do que se tornaram os clichés do género. Cenas memoráveis ​​incluem a maneira divertida como Holland e o seu parceiro, Stanley Holloway, propagandam para depois recrutar dois criminosos mais experientes, uma sequência vertiginosa, tipo Vertigo, na escada da Torre Eiffel, e uma outra hilariante envolvendo um policia violento. Também digno de nota é um pequeno papel, da então desconhecida Audrey Hepburn, ainda em principio de carreira. Atrás das câmeras está Charles Crichton.

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Oito Vidas por Um Título (Kind Hearts and Coronets) 1949



É tanto uma jóia finamente polida de inteligência literária com uma visão sátirica e impiedosa do privilégio da vida, o conflito de classes, e a moral Edwardiana, "Kind Hearts and Coronets" desmente o título(original) aparentemente gentil, concentrando-se num jovem determinado a matar no seu caminho para o ducado onde ele sente é a sua primogenitura. Feito nos anos negros depois da Segunda Guerra Mundial, "Kind Hearts and Coronets" rompeu com o tom mais quente e suave da maioria dos filmes produzidos nos famosos Ealing Studios, com uma visão barbaramente abatida da natureza humana.
A mãe de Louis Mazzini (Dennis Price, que representa a essência da urbanidade refinada com uma mente assustadoramente sociopata) é banida da sua herança familiar régia por causa do grave pecado de se casar por amor, e não pela riqueza e posição. Isto deixa Louis sem a pretensão da sua herança familiar. Preso num trabalho sem perspectivas e rejeitado pela sua antiga namorada Sibella (Joan Greenwood) por um bronco implacável com mais potencial financeiro (John Penrose), Louis decide matar pelo seu caminho, até eliminar os oito membros da família d'Ascoyne que se interpõem entre ele e o ducado. 
Numa façanha de mestre, o incomparável Alec Guinness foi escolhido para interpretar todos os oito membros da família d'Ascoyne, que variam desde um padre a um almirante ridiculamente orgulhoso, passando por um playboy e até mesmo uma feminista agitadora. Guinness, embora não apareça em cena por muito tempo com cada personagem, ainda consegue dotar cada uma deles com bastantes traços e personalidades únicas para torná-los instantaneamente memoráveis. Guinness já tinha deixado a sua marca há vários anos em duas adaptações de clássicos de Charles Dickens por David Lean, Oliver Twist e Grandes Esperanças, e "Kind Hearts and Coronets" não deixa qualquer dúvida sobre a sua versatilidade única.
No entanto, apesar de Guinness ser tão grande, não domina completamente "Kind Hearts and Coronets", um filme cuja leve crueldade se torna no seu traço mais duradouro. O realizador Robert Hamer consegue minar toda a moral e os valores convencionais, de tal forma que, nunca se sente que o próprio filme seja tão depravado como realmente é. "Kind Hearts and Coronets" é mais frequentemente descrito como uma comédia de humor negro, mas não é cómica, no sentido usual da palavra, mesmo para os refinados padrões britânicos. Na realidade, "Kind Hearts and Coronets" é, provavelmente, o melhor filme já criado para ilustrar a teoria de Alfred Hitchcock, em que o público deve se identificar com qualquer personagem na tela, não importa o quão vil ela seja. Louis Mezzini é o retrato de um malandro muito amoral, não só nas suas atividades assassinas, mas também no tratamento de todos ao seu redor como uma série de peões para serem manipulados para alcançar o seu próprio fim.

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Whisky Galore! (Whisky Galore!) 1949



O período das comédias da Ealing começou com "Hue and Cry", em 1947, e "Whisky Galore!" tornou-se um dos mais importantes desta série de filmes. Seria a estreia do realizador Alexander Mackendrick, que viria a realizar cinco destas magníficas comédias. Começou com um storyboarder e foi andando até começar a dirigir filmes. Nascido americano, eventualmente regressou ao seu país de origem, a Escócia, depois de descobrir que fazer filmes em Hollywood não era coisa muito fácil.
Numa pequena ilha nas Hébridas Exteriores, chamada Todday, a Segunda Guerra Mundial continua a ser um evento bastante distante. Isto até um triste dia de 1943, quando o fornecimento de whisky esgota. As consequências são terríveis, já que naquela ilha havia pouco mais acção do que beber whisky no bar da cidade. Onde quer que se olhasse lá estava um homem triste, de luto, pela perda do que vale a pena viver, a água da vida. Então um raio de esperança ilumina-os na forma de um acidente. Um cargueiro, o SS Cabinet Minister, não consegue navegar no meio da neblina e encalha ao largo da ilha de Todday. Quando dois dos habitantes da ilha remam até ao navio para ajudar a tripulação ficam a saber que a carga é composta por 50.000 garrafas de whisky. Os dois homens contam a todos os habitantes de Todday o valor da carga inestimável, mas o Capitão Paul Waggett (Basil Radford), o comandante da guarda inglesa no local, impede os habitantes da ilha de saquear o navio, e dá ordens a um sargento para garantir que ninguém bote as mãos no alcool. Mas é claro que os habitantes da ilha não vão desistir tão facilmente. 
A história foi inspirada em eventos reais, e faz o divertimento lúdico da animosidade tradicional entre escoceses e ingleses, onde as nossas simpatias caem obrigatoriamente sobre os escoceses e não com os frios ingleses cujos deveres da Guarda se tornam mais um obstáculo para a vida na ilha do que uma defesa eficaz contra os alemães. É um filme muito charmoso, simples, que praticamente evita a comédia slapstick (excepto perto do final) a favor de piadas mais discretas. Observar os moradores de Todday é um prazer, graças ao elenco magnífico, mas Basil Radford também está perfeito como o sério capitão que tenta manter alguma aparência da ordem e da autoridade sobre a ilha. O filme é bem tranquilo e apresenta várias sequências divertidas que ilustram o quão triste e posteriormente alegres as pessoas de Todday podem ser, consoante a falta, ou não, do whisky.
 
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Hue & Cry - Grito de Indignação (Hue and Cry) 1947



"Hue and Cry" tornou-se na primeira, das que depois ficaram conhecidas como as comédias da Ealing, embora na altura não se tivesse percebido que representava o início de um género. O escritor de "Hue and Cry" era Tibby Clarke, um antigo jornalista e policia de Londres na altura da guerra, que também arranjou tempo para ser comissário de bordo num navio e editor e escritor num semanário australiano de mulheres, entre muitos outros trabalhos improváveis. Ele tinha convencido Balcon a deixá-lo escrever o diálogo adicional para uma das curtas de  Dead of Night (The Golfing Story) e agora, com Henry Cornelius como produtor associado e Charles Crichton como realizador, foi-lhe dada a tarefa de formar uma história em torno de uma misteriosa maçonaria de rapazes. O jovem líder, Joe, interpretado por Harry Fowler, o jovem actor londrino de "Went the Day Well?", tem mais imaginação do que a maioria e fica convencido duma história de arrepiar os cabelos, que ele está a ler, sobre um gang de criminosos, e que as páginas de uma banda desenhada estão a ser utilizadas por ladrões, como meio de comunicação. Primeiro convence os amigos, conta as suas teorias para a polícia, mas estes respondem com desprezo e assim os rapazes decidem por eles mesmos apanhar os ladrões.  
"Hue and Cry" foi anunciado com o slogan "The Ealing film that begs to differ", uma frase que mais tarde foi adoptada como uma espécie de lema não-oficial para os estúdios. Mudou o rumo dos estúdios para uma nova direção, usando exteriores brilhantemente como pano de fundo para uma história com alguma originalidade. O personagem das comédias da Ealing talvez pudesse ser descrito como um fantasiasta realista, com eventos fantasiosos que ocorrem num ambiente meticulosamente credível, nas miseráveis ruas do pós-guerra londrino. O conceito de que o filme tomou formou-se a partir da sequência no final do filme, com a aglomeração de rapazes, que ilustra uma ideia que Cornelius queria expressar. Muitos dos rapazes não tinham experiência a interpretar, incluindo um pequeno jovem, cujo talento especial era para reproduzir o barulho de praticamente qualquer coisa que lhe viesse à mente, e que, no filme oferece uma grande abundância de efeitos sonoros, mas nem uma palavra de diálogo. A presença no elenco dos actores adultos era necessária para dar alguma coragem aos jovens actores, mas Jack Warner e Alastair Sim são especialmente eficazes.
Seriam precisos mais dois anos para saír outra comédia de sucesso dos estúdios, mas "Hue and Cry" foi um grande sucesso, e também agradou bastante os críticos. 
Legendas em espanhol.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

As Comédias dos Estúdios Ealing

É virtualmente impossível pensar nos Ealing Studios, sem acrescentar a palavra "comédia". Já passou mais de meio século desde que as cortinas fecharam sobre o período clássico desta produtora, as comédias Ealing são uma das marcas mais poderosas do cinema britânico, e os seus únicos sérios rivais são os filmes de terror da Hammer ou as séries James Bond ou "Carry On". É difícil de acreditar, mas, o ciclo que trouxe estas duas palavras juntas teve pouco mais do que 10 filmes,  ao longo de menos do que nove anos - desde o lançamento de Hue and Cry  (D. Charles Crichton) em Fevereiro de 1947 até Dezembro de 1955, quando "The Ladykillers" (d. Alexander Mackendrick) teve a sua estreia no cinema.
Em 1947, uma comédia sobre um grupo de jovens detetives que descobre uma conspiração criminosa que usava livros aos quadrinhos para passar mensagens secretas, "Hue and Cry" foi um sucesso inesperado, e encorajou o estúdio com Michael Balcon à cabeça para investir mais em filmes cómicos. Seriam precisos dois anos até que o estúdio fosse recompensado com outro sucesso, mas valeu a pena esperar. Entre Abril e Junho de 1949 os Estúdios Ealing lançaram mais três filmes - Passport to Pimlico (D. Henry Cornelius), Whisky Galore! (D. Alexander Mackendrick) e Kind Hearts and Coronets (d. Robert Hamer) - que definiram a nova direção do estúdio.
Estes três filmes foram escritos pelo jornalista e ex-policia TEB "Tibby" Clarke - que também escreveu Hue and Cry - que fez mais do que qualquer outro para estabelecer a reputação de humor gentil, excêntrico ou lunático que ficou ligado ao estúdio desde então. Mas a comédia Ealing também teve o seu lado mais sombrio. Em "Kind of Hearts and Coronets", um homem jovem, deserdado pela sua família aristocrática por causa da decisão da mãe de se casar com um plebeu italiano, determina matar todos os parentes que ficam entre ele e o ducado, já que considera seu o direito de primogenitura. O realizador Robert Hamer fez uma análise elegantemente selvagem da classe e da sociedade Edwardiana, que não perdeu nada da sua sagacidade  - o crítico de cinema Philip French chamou-o de um dos "mais perfeitos" filmes já feitos na Grã-Bretanha.
Mais prolífico - mas não menos cínico - foi o realizador nascido na américa,  mas de raça escocesa  Alexander Mackendrick, que chegou a fazer cincos das famosas comédias para este estúdio.
Ao todo foram doze ou treze filmes, que ficaram frescos, mesmo depois de meio século, os seus temas eternos, o humor ainda inconfundivelmente britânico. Foram redescobertos e apreciados em cada nova geração e esta semana serão recordados aqui neste blog. Neste ciclo passarão 7 das mais famosas comédias da Ealing. Espero que gostem. Bom fim de semana.