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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O Importante é Amar (L'important C'est D'aimer) 1975

Servais Mont, um fotógrafo, conhece Nadine Chevalier, que ganha a vida e entrar em filmes baratos de soft-core. Tentando ajudá-la, pede dinheiro emprestado para financiar uma produção teatral de "Richard III", e dá um papel a Nadine. Nadine fica dividida entre Servais, por quem se apaixona, e o marido, por quem tem obrigações morais.
"L'important c'est d'aimer" é uma das mais comoventes e agonizantes manifestações emocionais de um tema que precorre grande parte do trabalho de Andrezj Zulawski, que, como o título indica, o mais importante é amar. Para Zulawski o amor é mais importante do que as preocupações burguesas de honra e fidelidade, ilustradas no triângulo amoroso da actriz (Romy Schneider, num papel que é considerado a sua melhor interpretação, e para o qual ganhou um César) entre as obrigações morais com o marido (Jacques Dutronc), e o amor crescente com um fotógrafo (Fabio Testi).
O filme é marcado pela banda sonora esparsa de Georges Delerue, com a mesma sensibilidade usada no filme de Godard, "O Desprezo", Zulawski retrata um mundo de actores, pornógrafos, drogas e violência, em que o amor pode ser a única arma salvadora. Adaptado de um livro de Christopher Frank, era uma co-produção europeia, e o primeiro filme do realizador fora da Polónia. Do elenco fazem ainda parte Claude Dauphin, Michel Robin, e Klaus Kinski.
Filme escolhido pela Julia Moellmann.

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sábado, 5 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

A prateleira das comédias era sempre das mais concorridas nos clubes de vídeo.Quem procurava uma comédia era sempre pelo sentimento de se divertir, optando por um passatempo inofensivo, por uma diversão que permitia descarregar os maus humores acumulados. Principalmente os anos 80, foram ricos em comédias marcantes, desde os filmes da equipa conhecida por ZAZ, ás comédias românticas que tiveram o seu ponto mais alto em "When Harry Meet Sally".  Vamos lá então conhecer algumas comédias do tempo do VHS.

Os Amigos da Onça (Buddy, Buddy) 1981
Num quarto de hotel Victor Clooney (Jack Lemmon), um homem desajeitado, tenta suicidar-se por ter sido abandonado pela mulher e acaba por perturbar Trabucco (Walter Matthau), um assassino profissional que tem um "contrato" com a Máfia para eliminar uma testemunha.
O derradeiro filme de Billy Wilder é uma comédia negra baseada numa peça de Francis Weber, que já tinha sido adaptada para o cinema francês em 1973, por Edouard Molinaro, num filme chamado "L'Emmerdeur", com o argumento a ser escrito em conjunto pelo próprio Wilder e o seu colaborador habitual, I.A.L. Diamond.
Infelizmente não teve a melhor recepção possível, tanto a nível crítico como comercial, mas no final da década acabaria por ser considerado das melhores comédias dos anos 80. Era a quinta colaboração entre Walter Matthau e Jack Lemmon, uma das duplas de maior sucesso no território da comédia. Só voltariam a colaborar juntos em 1993, com "Grumpy Old Men".
O elenco conta ainda com Paula Prentiss e Klaus Kinski.

Os Dias da Rádio (Radio Days) 1987
As décadas de 30 e 40 foram os momentos áureos do rádio nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody Allen escreveu e dirigiu "Radio Days", que conta as lembranças de um jovem e a sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial. Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio norte-americana, e também conta histórias, como se fosse o protagonista, Seth Green, relembrando a sua infância preenchida pelos programas de rádio da época.
O período entre finais dos anos setenta e final dos anos oitenta, foi também o período de ouro de Woody Allen. Os êxitos sucediam-se, filme após filme, "Annie Hall", "Manhattan", "Stardust Memories", "Zelig", "Broadway Danny Rose", "The Purple Rose of Cairo", "Hannah and Her Sisters", "September", "Another Woman", "Crimes and Misdemeanors", grande parte deles com lançamento no nosso mercado em VHS.
A partir de certa altura Allen começou a reflectir sobre o espectáculo em geral, e o cinema em particular. Allen parece indetificar-se, simultaneamente, com os estilos de um escritor como um Tchekov e de um realizador como como Ingmar Bergman, escolhendo espaços interiores e retratos, em grande plano, de pessoas.

Porky´s (Porky´s) 1982
No sul da Flórida, em 1954, Pee Wee (Dan Monahan), Billy (Mark Herrier), Tommy (Wyatt Knight) e Mickey (Roger Wilson) têm de enfrentar quatro dolorosos anos na Angel Beach High School. Mas as actividades escolares e desportivas estão em segundo plano, porque o principal interesse deles é o sexo. Assim, a vida deles consiste principalmente em observar as raparigas no chuveiro e transformar num inferno a vida dos seus professores, mas são sempre perseguidos por Beulah Balbricker (Nancy Parsons), a professora de ginástica. Acabam por ir parar ao Porky’s, um misto de cabaret e bordel onde o dono (Chuck Mitchell) arranjará uma prostituta por um preço razoável. Mas nem tudo vai acontecer conforme previsto.
Um clássico campy dos anos 80, um dos maiores, dos mais vistos, pelo menos no território da comédia. Alguns anos depois do sucesso de "National Lampoon's Animal House" (1978), Bob Clark introduz-nos a um novo nível de piadas baixas, dando força a um sub-género dentro da comédia, que estava em clara expansão. Bob Clark era um realizador de filmes de terror, que fez por exemplo o clássico "Black Christmas".

Travões Avariados, Carros Estampados (Used Cars) 1980
Rudy Russo (Kurt Russell), um vendedor de carros usados, necessita de dinheiro para concorrer a senador. Assim fala com Luke Fuchs (Jack Warden), o seu chefe, que concorda em emprestar-lhe os 10 mil dólares de que ele precisa. Entretanto, um “acidente” elaborado por Roy Fuchs (Jack Warden), o irmão gémeo de Luke e ferrenho rival nos negócios, mata Luke. Roy também tem uma loja de carros usados do outro lado da rua e espera o momento para reivindicar a propriedade para si. 
Uma hilariante alusão àqueles tipos de vendedores que usam das mais variadas técnicas de persuasão com os seus clientes e conseguem transformar verdadeiras velharias no carro em segunda mão dos seus sonhos. Era o segundo filme de Robert Zemeckis, realizado dois anos depois de "I Want to Hold Your Hand", e a cinco de fazer o primeiro "Regresso ao Futuro". 

domingo, 4 de setembro de 2016

O Mercenário (Quién sabe?) 1966

Gringo Bill Tate (Lou Castel) viaja de comboio para Durango, no México da década de 1910, uma época de revolução de bandos de bandoleros errantes. Depois do comboio ser emboscado pelo gang de El Chucho (Gian Maria Volonté), Tate tira o melhor partido da situação, e depois de ser baptizado por El Niño, junta-se aos bandidos que estão a colecionar armas para o revolucionário General Elias. Mas na realidade, Gringo tem um plano secreto, que já está a ser posto em prática...
Muito violento para a sua época, é um filme cheio de acção e com um grande sentido de humor, fortemente politizado. O argumento é escrito pelo criador do argumento de "A Batalha de Argel", de Gillo Pontecorvo,  Franco Solinas, (que também escreveu o argumento de outros filmes politizados, como "Salvatore Giuliano", "Tepepa", "Queimada", "La Resa Dei Conti", "État de Siège", ou "Le Soldatese", que vimos recentemente no ciclo de Zurlini), e é um filme solidário com os revolucionários de esquerda. A sequência final não faz mistério sobre a tendência política deste filme de Damiano Damiani, mas, no entanto as coisas não são tão simples assim, os bandoleros também participam em invasões de casas particulares, que expôe o lado obscuro do movimento para a redistribuição de terras mostrando a ganância que não é menor do que a dos ricos proprietários das terras. 
.Este filme é muitas vezes interpretado como uma alegoria sobre o envolvimento dos Estados Unidos nas políticas sul americanas. Em 1966 não havia qualquer evidência de actividades ilegais da CIA, mas havia muitos rumores, e na altura que o filme foi lançado era difícil não interpretá-lo doutra forma, a não ser do envolvimento externo dos americanos. Tal como a maioria dos argumentistas "comprometidos" dos anos sessenta, Solinas era marxista. Era um teórico bem versado em teorias marxistas, e isso reflecte-se inevitavelmente nas suas narrativas e caracterizações. Este filme acabaria por dar inicio a um novo sub-género dentro do "spaghetti", chamado Zapata. Não teria muitos seguidores na tela, mas os poucos que teve seriam de inegável importância. 
Nota: não confundir o título em português com o filme de Sérgio Corbucci com o mesmo nome. Também ele um western Zapata, e que em Portugal ficou com o título de "Pistoleiro Profissional".

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sábado, 24 de maio de 2014

Cobra Verde (Cobra Verde) 1987



O temido bandido Cobra Verde (Klaus Kinski) é contratado pelo dono de uma plantação para supervisionar os seus escravos. O bandido acaba por se envolver com as filhas do patrão e engravida-as. Em vez de o mandar matar, o patrão envia-o para África, para um local onde é o único homem branco, e onde vai ser vítima de humilhação e tortura. Mais tarde, ele irá treinar soldados num exército rebelde. Longe de casa, Cobra Verde está à beira da loucura.
Um filme exótico e de uma grandeza épica, com espetaculares imagens, não só do Brasil, mas também dos rituais e costumes africanos, do mar, das florestas, incluindo ainda um exército de mulheres ganesas em topless. Herzog alcançou toda esta beleza por uns meros 2 milhões de dólares. Muito pouco comparado com um filme "grande" de Hollywood da altura. Infelizmente, o argumento, e as suas metáforas, não pareciam ser muito claras para ele. Herzog começa por fazer a avaliação da vida dura de um bandido brasileiro, e acaba a explorar o comércio de escravos africanos. Talvez haja uma semelhança entre estas duas atrocidades, com o fictício Cobra Verde a servir de ligação devido aos seus próprios problemas, e a ambição que o levou a fazer coisas que vão acabar por o destruir.
Herzog deixa Kinski andar mais livremente, talvez porque já não tivesse forças para o conter, o que leva Kinski a ter a sua interpretação mais desinibida e desequilibrada. O personagem de Kinski é incansável, e, como sempre, o actor tenta o impossível, como um homem destemido, astuto e insano. A interpretação de Kinski é maníaca, e é incrível como aos 61 anos consegue ter um desempenho tão físico, mas a sua agitação interna, e a força com que trabalha com os africanos são de um jovem de 25 anos.
Seria o último filme entre Herzog e Kinski. Nunca mais voltariam a trabalhar juntos, e Kinski faleceria apenas quatro anos depois, vítima de um ataque de coração. Depois deste "Cobra Verde" Kinski só entraria em mais três filmes. Mas ainda seria recordado no documentário de Werner Herzog.

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Fitzcarraldo (Fitzcarraldo) 1982



Fitzcarraldo (Klaus Kinski) é um homem obcecado por ópera, que quer construir uma Ópera no meio da selva. Para conseguir isso ele primeiro tem de fazer uma fortuna no negócio da borracha, e para o conseguir ele elabora um plano astuto que envolve transportar um enorme barco pelo rio, através de uma montanha com a ajuda dos indios locais.
Uma das melhores colaborações entre Kinski e Herzog, talvez apenas suplantada pelo primeiro filme dos dois (Aguirre), e talvez mesmo o melhor do ponto de vista visual. Falta-lhe apenas a crueza e a ferocidade que fizeram de "Aguirre" um filme tão convincente. Nesse aspecto "Fitzcarraldo" é um filme mais simples.
Mas simples não é bem a palavra certa para este filme, uma vez que envolve arrastar um navio através de uma montanha. Herzog arrastou mesmo um navio através de uma encosta, apesar de lhe terem dito que era impossível. Com Stanley Kubrick disse: "Um filme é - ou deve ser - mais sobre música do que sobre ficção. Deve ser uma progressão de estado de espírito e de sentimentos. O tema, o que está por trás da emoção. O sentido, tudo o que vem depois". O filme fala para nós a um nível muito profundo, mas explicá-lo em palavras é muito difícil, já que mesmo o realizador não é capaz de fazê-lo. Isto resume o filme perfeitamente, já que não há razão para tentar explicá-lo verbalmente, pois representa o cinema na sua forma mais artística.
Kinski, num dos seus papéis mais frenéticos, aparece aqui na sua melhor força. O facto da história ser mínima pode deixar em aberto algumas críticas, mas há que apreciar todos os méritos cinematográficos do filme. Fitzcarraldo é um filme que celebra tanto a importância da arte nas nossas vidas como a resistência do espírito humano em face às adversidades. Muito bem trabalhado e intensamente poético na sua simplicidade narrativa, é um filme fascinante.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Woyzeck, o Soldado Atraiçoado (Woyzeck) 1979



Franz Woyzeck (Klaus Kinski) é um soldado mentalmente instável no exército alemão, que vive de uma dieta de ervilhas por causa de uma experiência conduzida por um médico. Um dia ele descobre que a sua esposa lhe tem sido infiel, o que começa a bater forte na cabeça do soldado, fazendo dele ainda mais instável.
"Woyzeck" é uma filme curioso, baseado numa famosa e inacabada peça, escrita em 1836 por Georg Büchner, falecido com tifo aos 23 anos, tendo terminado apenas quatro fragmentos da peça. A ordem pela qual os quatro fragmentos nos são mostrados não é clara, e a peça foi ignorada durante 60 anos. Apesar disto, a rejeição de Büchner pela estrutura tradicional e o seu foco sobre o estado mental de um indivíduo levaram a que a fosse agora seja considerada uma obra moderna, e um percursor do Expressionismo e o Teatro do Absurdo.
Pode parecer surpresa que Herzog e Kinski tenham feito outro filme no mesmo ano que "Nosferatu", tendo em conta o complicado relacionamento entre os dois, e que seria necessário algum tempo para descansar entre as filmagens. Mas, em vez disso, Kinski usou a sua exaustão como vantagem para o seu intérprete deste filme. Esta é mais uma das suas grandes interpretações do actor, e, na realidade, Kinski é mesmo o ponto forto do filme.
Esta premissa sombria faz do filme um pouco estranho, as suas origens teatrais estão bastante evidentes ao longo da obra, e também porque grande parte da acção se passa entre portas e com um reduzido número de personagens. O trabalho de câmara de Herzog é muito mais contido do que os trabalhos habituais do realizador, talvez porque ele ainda se encontrava a recuperar do cansaço de "Nosferatu", e o filme acabaria por ser filmado em apenas 21 dias.
Dos cinco trabalhos entre os dois, este é o menos conhecido. 

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Nosferatu, o Fantasma da Noite (Nosferatu: Phantom der Nacht) 1979



Jonathan Harker é enviado para o castelo do Conde Drácula, para lhe vender uma casa em Varna, onde Jonathan vive. Mas o conde Drácula é um vampiro, um morto-vivo que vive de sugar o sangue dos homens. Transtornado por uma fotografia de Lucia Harker, a esposa de Jonathan, o Conde muda-se para Varna, levando consigo a morte, e a peste...
Remake do clássico do cinema mudo, do mesmo nome, de F. W. Murnau, é um conto baseado no livro de Bram Stoker, "Dracula". Não é uma tentativa de refazer a história, ou uma tentava de modernizar o conto, muito mais do que isso, é uma homenagem a Murnau. Tal como o filme anterior, também tem uma história muito diferente do livro, com Herzog a preferir recriar muitas das cenas do filme original, e a conseguir criar um ambiente bem assustador, mais do que o original.
O desempenho de Klaus Kinski é extraordinário, de cabeça rapada, orelhas em forma de morcego, e dentes de rato, que fazem desta uma das recriações mais assustadoras do famoso vampiro. Herzog originalmente gravou o filme em duas linguas ao mesmo tempo, inglês e alemão, o que como é claro trouxe problemas com as dobragens, já que o filme incluía actores de várias nacionalidades. (esta versão do post é a inglesa).
Por mais que fosse uma homenagem a Murnau, Herzog conseguiu incluir algumas sequências que são tipicamente "Herzoguianas", tal como a onda de ratos que chegam à cidade, e para a qual o realizador teve de libertar alguns milhares de ratos vivos, para conseguir os ângulos certos. Uma sequência que tem tanto de impressionante como de desagradável, e que leva a perguntar o que terão feito a todos aqueles ratos depois de terminadas as rodagens?
A principal inovação para a obra de Murnau é apresentar a criatura vampiresca não tanto como um monstro perverso, mas mais como uma vítima, um ser que tanto devemos ter medo como pena. E é aqui que Kinski sobressai, com uma caracterização que dificilmente o faz ser reconhecido, consegue provocar-nos um poderoso sentimento de emoção. O filme é dele.

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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Aguirre, o Aventureiro (Aguirre, der Zorn Gottes) 1972



Algumas décadas depois da destruição do império Inca, uma expedição espanhola deixa as montanhas do Perú e desce até ao rio Amazonas, em busca de tesouros e riquezas. Depressa eles se deparam com grandes dificuldades, quando Don Aguirre (Klaus Kinski) um homem cruel preocupado apenas com a riqueza, se torna o líder da expedição. Esta nova liderança irá levá-los à "cidade de ouro", ou à destruição...
"Aguirre, der Zorn Gottes", primeira colaboração entre Herzog e Kinski, por muitos considerado a sua melhor. "Aguirre" é um filme fascinante, que tem tanto de terrível como de belo, que sentimos ser diferente de tudo o conhecemos, tal como a obra do próprio Herzog. Como se o trabalho de Herzog pertencesse a um género completamente à parte, porque é tão único e original.
É difícil imaginar um actor melhor para o papel de Aguirre do que Klaus Kinski. Kinski tinha pensado interpretar o seu personagem como um louco mais convencional, mas Herzog foi insistente para que o personagem fosse mais contido, para transmitir a ameaça que ele representava de forma mais eficaz. Kinski criava assim um dos personagens mais grotestos do seu repertório, um monstro monomaníaco tão absorvido pelas suas ambições, tão confiante nas suas crenças que não vê os perigos reais ao seu redor, de modo a que, se torna o líder condenado de uma missão suicida.
O filme custou cerca de 350 mil dólares, que mesmo naquela altura era um orçamento muito baixo para um projecto tão ambicioso. Foi rodado em apenas cinco semanas, na floresta do Perú, e foi uma filmagem rodeada de problemas, em parte por causa dos desentendimentos entre o realizador e o actor.
"Aguirre, der Zorn Gottes", é um filme sobre a loucura do homem, em especial a do "homem branco nas américas", mas também continha outro tema da preferência de Herzog, o do homem vs natureza. O realizador tenta capturar o lado selvagem escuro e ameaçador da natureza humana criando uma visão da natureza selvagem completamente diferente do que já tinhamos visto antes.
Legendas em inglês.

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Grande Silêncio (Il Grande Silenzio) 1968



Silencio (Jean-Louis Trintignant) é um pistoleiro mudo com um grande senso de justiça. É contratado por uma viúva cujo marido foi assassinado, para se vingar do pistoleiro Loco (Klaus Kinski), um dos caçadores de recompensas que foi contratado para caçar os sem abrigo nos arredores de Snow Hill. Um novo sherife (Frank Wolff), e o juiz local, vão tornar as coisas um pouco complicadas.
Existe um grande culto à volta deste filme, que vai muito para lá de um normal spaghetti western. Apesar de "Django" ser o mais conhecido dos westerns de Corbucci, este é o mais bem cotado entre os críticos, aparecendo em muitas listas bem no meio dos filmes de Leone. Provavelmente é mesmo o melhor spaghetti para lá dos de Leone.
A intenção de Corbucci era ter novamente Nero no papel principal, mas diz-se que como alguns dos produtores eram franceses, foi imposto o actor Jean-Louis Trintignant para ficar com o papel principal. Trintignant não sabia uma única palavra de italiano, então acabou por surgir a idéia de ter um protagonista mudo. O nome de Grande Silencio vem assim da incapacidade do protagonista de conseguir falar, para além de também ser um grande pistoleiro.
Por vezes chamado de "o western da neve", a acção passa-se no Utah, perto do final do século 19. Foras da lei encontraram um sitio para se esconder nas montanhas, mas têm de descer à cidade para conseguir alimentos. Snow Hill tornou-se num antro para caçadores de recompensas, que assassinam os foragidos a sangue frio, sem misericórdia, para apenas conseguirem a recompensa. Tal como a maioria dos westerns que Corbucci fez, este era um filme político, um filme sobre os ricos a pagarem à escumalha para matar os pobres. Os foras da lei são homens que têm de roubar para comer, e apenas são procurados porque o rico banqueiro local paga uma fortuna pelas suas cabeças. Corbucci já se tinha debruçado no tema da inutilidade de um homem para mudar o mundo, que era normalmente personificado na figura de um anti-cristão. Essa idéia está bem presente neste filme, mas para se aperceberem disso terão de ver o final, um dos mais duros e revoltantes de sempre, não estou a exagerar considerando toda a história do cinema.
Alguns pontos altos do filme, a enorme interpretação de Klaus Kinski, completamente lunático como vilão, superior até ao protagonista, e, claro, a grande banda sonora de Ennio Morricone. Um dos maiores spaghetti de sempre.

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domingo, 11 de agosto de 2013

Venus in Furs (Paroxismus) 1968



Em Istambul, um trompetista de jazz puxa o corpo assassinado de uma jovem mulher do mar. Ele lembra-se dela quando a viu na festa de um playboy milionário e depois viu-a ser agredida e violada pelo anfitrião e duas outras pessoas. Confuso, Jimmy, o músico, parte para o Rio, onde encontra a companhia da solidária Rita, uma cantora que o convida a viver com ela e o ajuda a recuperar o equilíbrio e a capacidade musical. De repente, entra na sala uma mulher que se parece com Wanda, a vítima da praia. Jimmy segue-a, não se importando se ela está viva ou morta. O que estará a acontecer?
Vênus in Furs de Jess Franco - muitas vezes apontado como a maior obra do autor espanhol -  inclina-se mais para a avant-garde, mas, principalmente, evita a armadilha do surrealismo. Impregnado com uma atmosfera de decadência lânguida, definida por uma batida jazzy, que começava a ser normal nos filmes do realizador, é uma história de fantasmas erótica, de obsessão e vingança que, nos seus melhores momentos é estranhamente convincente e hipnótica. Nada é realmente explicado neste filme, mas o seu feitiço sonhador é potente o suficiente para fazer com que este facto tenha pouca importância. Tal como acontece ao jazz de improviso, só temos que nos render ao clima e seguir com ele.
Venus in Furs (AKA Paroxismus) é uma peça muito bem conseguida, tanto estilisticamente como tecnicamente, um filme de arte com elementos de horror cujo erotismo é provocativo sem se tornar vulgar. Imagem e som são uma parte integrante muito importante - os compositores Manfred Mann e Mike Hugg capturam perfeitamente o espírito e o tom de sonho erótico de Franco. Mesmo que estejam longe do Leone de "Aconteceu no Oeste", as imagens do filme e a música estão perfeitamente sincronizadas que poderíamos pensar que a banda sonora foi composta de antemão e a parte visual foi feita especificamente para acompanhá-la
Venus in Furs é um dos favoritos pessoais de Jess Franco, de entre a sua lista colossal de filmes selvagens. Apesar do seu título em Inglês ser amplamente conhecido, apenas partilha o título e o nome da anti-heroína Wanda com a obra de Leopold von Sacher-Masoch, o infame fundador da literatura masoquista. Na verdade, o filme de Franco foi inspirado por uma conversa que Franco teve com o trompetista de jazz Chet Baker sobre os costumes da contracultura, e foi, nos seus primeiros rascunhos, um drama romântico interracial. Este aspecto ainda está presente na narrativa, mas o pouco entusiasmo dos produtores fez com que Franco reescrevesse a história para voltar ao tema que obsessivamente retratava nesta fase da sua carreira: a femme fatale sepulcral consuminda pelos seus tormentos e amantes. 
Legendado em português.

Critica do theresomethingouthere aqui.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Grand Slam (Ad ogni costo) 1967



Heist movies dificilmente serão melhores do que isto, um clássico perdido do final dos anos 60 que, embora obviamente influenciado por "Rififi" de Jules Dassin (qual será o filme de assalto que não tenha sido influenciado por esta obra-prima francesa?) tem twists suficientes, e planos engenhosos para manter o mais exigente dos fãs do crime satisfeitos. Realizado por Giulano Montaldo, é uma co-produção europeia/norte-americana, filmada principalmente em exteriores no Brasil, passou despercebido por muito tempo e merece encontrar um lugar ao lado de outras grandes obras do género, como o já mencionado Rififi. 
Edward G Robinson interpreta um professor bem-educado, o professor James Anders, um trabalhador americano no Rio de Janeiro. Anders, aborrecido com anos de ensino, decide montar uma equipa para executar um roubo de diamantes durante o Carnaval do Rio de Janeiro. No crime, uma equipa de quatro especialistas internacionais estão reunidos para realizar o roubo: um especialista em segurança, um mestre ladrão, um génio mecânico, e um playboy (para seduzir a única mulher com a única chave para o edifício onde está o diamante, a bela Janet Leigh).
Dos ladrões, é Klaus Kinski quem rouba a cena como um psicótico (claro) especialista em explosivos que sempre parece estar à beira de quebrar e trair o resto do grupo. Ninguém pode fazer o olhar com os olhos arregalados de um louco tão bem como Kinksi (provavelmente devido ao facto dele ser um psicótico maluco na vida real) e aqui ele aplica toda a sua intensidade habitual. Também é óptimo ver uma lenda de Hollywood como Edward G. Robinson, mastiga o cenário como "o homem com o plano", e, embora tenha estado disponível para apenas alguns dias de filmagens (todos os exteriores com ele andando pelas ruas são de estúdio), faz sua presença ser sentida apenas como um ator da sua magnitude pode. 
O assalto clímax é uma peça incrível de cinema nervoso, levando 20 minutos de sequência de assalto silencioso (mais uma vez Rififi). O sempre confiável Ennio Morricone mantém as coisas interessantes com uma banda-sonora que faz uso pesado de batidas de samba tradicional brasileiro e uma fotografia muito bem composta por Antonio Macasoli. "Grand Slam" viria a ser considerado o primeiro filme da série dos Poliziotteschi.
Atenção que este filme não tem legendas, é falado em inglês.

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terça-feira, 9 de julho de 2013

Cobra Verde (Cobra Verde) 1987



 Cobra Verde de Werner Herzog abre com imagens de um quente e árido deserto, e então, somos imediatamente empurrados para um close-up do rosto de Klaus Kinski, que é doloroso, contorcido, e inegavelmente insano. A implicação é clara: Kinski é o deserto mais árido de todos, e se Fitzcarraldo é um filme sobre as próprias obsessões loucas de Herzog, então este será um filme totalmente, completamente enfurecido sobre a alma de Kinski.
 Nenhum realizador trabalhou tanto com Kinski como Herzog, na verdade, nenhum realizador teve a coragem ou a paciência. Kinski era inegavelmente um louco, muito dado a acessos de raiva violenta e birras que testaram a tolerância até mesmo dos realizadores mais prolíficos, como David Lean ou Sergio Leone. Era tão delirante como era egoísta, durante as filmagens de Aguirre, em que ele acreditava ser tanto Jesus Cristo como Paganini, passava o tempo todo a fazer birras quando Herzog ousava apontar a câmera para qualquer outra coisa, sem ser o rosto do actor . Kinski e Herzog reconhecidamente odiavam-se um ao outro nos sets dos seus filmes, mas algo os chamava continuamente de volta, de filme para filme. Para Herzog se colocar com o calvário de Kinski era uma pergunta que provavelmente nunca será totalmente respondida (o próprio Herzog admite que não tem respostas no seu documentário sobre Kinski, My Best Fiend), mas Cobra Verde talvez forneça mais pistas do que qualquer outro filme que fizeram juntos. Isso acontece porque mais do que em qualquer outra das suas colaborações, Herzog e Kinski permitiam criar uma personagem que era a encarnação viva da sua raiva pessoal.

Cobra Verde é um filme difícil de analisar, porque é ao mesmo tempo um dos maiores fracassos de Herzog e um dos seus melhores filmes. A sua grandeza é determinada pelo ponto de vista em que o vemos. Herzog está claramente a tentar fazer algum tipo de declaração filosófica sobre os males da escravidão, mas a história é tão confusa que esse tema acaba por ficar perdido. Herzog também dá uma facada na política da escravidão, a partir dos pontos de vista de ambos, comprador e vendedor. Destaque, portanto, para um elenco cheio de personagens, mas todos eles se movem com pouca profundidade ou diversidade, e acabamos por perder a noção do que a personagem estava aliada com quem, ou porquê.   
No entanto, o cerne do filme é Klaus Kinski como o lendário bandido, Cobra Verde. Nos melhores filmes de Herzog factos e ficção sempre foram intercambiáveis, tais como escolher um verdadeiro esquizofrénico para o papel de Bruno S. como uma pessoa mentalmente perturbada em O Enigma de Kaspar Hauser, ou a utilização de habitantes peruanos, literalmente, a puxar um navio a vapor sobre uma montanha em "Fitzcarraldo". Aqui, é difícil dizer onde termina Cobra Verde e começa Klaus Kinski, e talvez nem seja importante se tal distinção é relevante. Descrevendo este personagem, poderiamos muito bem estar descrever Kinksi: um louco inquieto propenso a uma raiva assassina, que, literalmente, viaja para todos os quatro cantos do mundo em busca de algo para acalmar o espírito. Ele odeia a sua ocupação, mas é brilhante no que faz. Anda com um suporte arrogante como as pessoas fogem dele, a sua presença solicita o medo. O cabelo é selvagem, longo e despenteado, como o de um leão ferido. Não usa sapatos porque "não confia neles." Anda sozinho, porque não gosta de cavalos ou pessoas.

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domingo, 10 de março de 2013

E Deus Disse a Caim (E Dio Disse a Caino) 1970


Depois de dez anos de trabalhos forçados, por um crime que não cometeu, Gary Hamilton (Klaus Kinski) é perdoado. Ele foi traído pelo seu ex-amigo Acombar, que agora está casado com Maria, ex-namorada de Gary. Enquanto isso, Acombar tornou-se um tirano local, com um exército de pistoleiros a protegê-lo. Na diligência que o traz de volta, Hamilton acidentalmente encontra o filho de Acombar, Dick, e pede-lhe para dizer ao pai sobre a sua chegada. Um tornado é anunciado, e quando Hamilton se aproxima da cidade os pistoleiros de Acombar esperam por ele, cegos pela poeira levantada pelos fortes ventos. Hamilton usa a rede de galerias subterrâneas (de um cemitério indígena) para perseguir os seus inimigos e matá-los um a um, ajudado por algumas das pessoas da cidade que odeiam Acombar.
Muitas vezes considerado o melhor western de Margheriti, bem como o melhor dos spaghetti westerns góticos, este é também um filme controverso. É um remake não-oficial de um outro western spaghetti, feito apenas meses antes, "A Stranger in Passo Bravo", de Salvatore Rosso. Embora alguns elementos da história tivessem sido mudados, as semelhanças não podem ser negadas ou simplesmente chamadas de coincidência, tanto mais que no filme de Rosso, Anthony Steffen desempenha um vingador chamado Gary Hamilton, enquanto o seu rival, interpretado por Eduardo Fajardo, é chamado de Acombar. Foi considerado um milagre que Margheriti não fosse processado por plágio. Talvez a possibilidade de um procedimento legal fosse a razão para Margheriti praticamente renegar o filme durante a maior parte da sua vida. Mas, mesmo que tivesse sido plágio, não implica necessariamente uma falta de criatividade.
Aqui, Margheriti desenvolvia algumas idéias já utilizadas no seu western anterior. Embora no filme os aspectos do horror sejam ainda bastante contidos, começamos a duvidar se a personagem de Kinski é um homem ou um fantasma. Na primeira meia hora, quando o personagem é desenvolvido, vemos Kinski gradualmente a degenerar-se numa criatura possuída por um desejo de vingança, e quando finalmente chega às portas da cidade (na melhor sequência do filme), ele não é mais do que uma sombra, uma silhueta contra o horizonte. Na cena seguinte, apenas o seu cavalo entra na cidade, como se o homem tivesse sido engolido pelos ventos uivantes. No estilo do verdadeiro terror, um excelente uso de janelas a bater é utilizado, batendo cortinas e tocando sinos para criar uma atmosfera de terror e perigo iminente. As aves começam a gritar quando o nome de Hamilton é pronunciado...
Outro aspecto que é ainda mais levado ao extremo aqui do que no western anterior de Margheriti, é a representação da violência. A famosa cena de abertura de "Joko invoca Dio... e Muori", em que um homem está prestes a ser esquartejado, é assustadora, mas de uma forma sugestiva não exploradora. Mas neste filme um padre é executado, lenta e deliberadamente, na frente de uma câmera imóvel, e um dos vilões é literalmente esmagado por um sino gigante, provavelmente na cena mais graficamente violenta que poderemos ver num western spaghetti. Margheriti também considera o seu próprio filme "mais siciliano do que o americano": com um argumento sobre a traição e a força dos laços familiares, que está mais próxima de uma história da máfia do que de uma história típicamente passada no Oeste. Quando o filho de Acombar, que parece ser uma pessoa decente durante todo o filme, descobre que o seu amado pai aparentemente respeitável é um criminoso, ele escolhe o seu lado, referindo-se aos fortes sentimentos de lealdade com o clã e a família, que se encontram na base das existências criminosas italianas. De acordo com o drama da família clássica, em que é o pai, o patriarca, que finalmente causa a queda da dinastia, matando o seu próprio sucessor por engano.  

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