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domingo, 4 de outubro de 2015
A Caminho da Forca (Along the Great Divide) 1951
No Oeste americano, o jovem oficial Len Merrick (Kirk Douglas) vive atormentado por se sentir responsável pela morte do pai. Ele encontra uma hipótese de se redimir ao salvar Timothy Keith (Walter Brennan), que foi acusado pelo assassinato de um jovem, de um linchamento iminente, levando-o a uma outra cidade para que possa ter um julgamento justo. Apesar de condenado por esse crime, Tim contará com a ajuda de Merrick para encontrar o verdadeiro assassino e poder provar sua inocência.
Primeiro western de Kirk Douglas, apenas quatro anos depois da sua carreira se tornar conhecida pelo papel que interpretou em "Out of the Past". Preso a um contracto de "um filme por ano", Douglas entrou neste projecto apenas por uma questão de obrigação contractual, para ficar livre para trabalhar também para outros estúdios. O actor odiou fazer "Along the Great Divide", filmar num deserto hostil circundante a Lone Pine, California, para trabalhar com Raoul Walsh. Na sua autobiografia Douglas descrevia Walsh como um homem "brutal", com o qual era difícil de trabalhar. Walsh era conhecido por fazer filmes rápidos, com muita acção, sobre o qual Douglas disse que eram rápidos porque Walsh estava sempre com pressa para os acabar.
Walsh entrou no projecto logo depois de terminar as filmagens de "Captain Horatio Hornblower" (1951), que acabaria por ser lançado depois. Tinha também terminado "The Enforcer", filme do qual recusou créditos, mas Walsh estava mais do que pronto para voltar a pegar no tema deste filme, principalmente filmar no Deserto Mojave, local onde rodou o climax para "High Sierra", alguns anos antes.
Merecendo ser reavaliado hoje em dia, sobretudo devido aos seus próprios méritos, dramáticos e técnicos (principalmente a fotografia de Sid Hickox), "Along the Great Divide" aponta directamente para outros filmes sobre o tema "policia-transporta-o-prisioneiro", um sub-género que inclui filmes como "The Narrow Margin" (1952), de Richard Fleischer, "The Naked Spur" (1953), de Anthony Mann, "3:10 to Yuma" (1957), de Delmer Davis, entre outros.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
As Aventuras do Capitão Wyatt (Distant Drums) 1951
Gary Cooper interpreta o capitão Quincy Wyatt, que tem a missão de reprimir a rebelião dos índios semínolas na Flórida, bem como impedir que contrabandistas vendam armas aos índios. Baseado numa história verdadeira passada em 1840.
Muito poucos westerns se tinham debruçado sobre os índios semínolas, localizados na região do Leste em vez do Oeste, mais propriamente na Florida. "Distant Drums", de Raoul Walsh foi quem quebrou este vazio, e vários outros se seguiram nos anos próximos, todos na década de 50: "Semínole" (1953), "War Arrow" (1953), "Shark River" (1953), "Seminole Uprising" (1955) e "Naked in the Sun" (1957).
"Distant Drums" tinha o mérito de ter sido filmado em extensas paisagens da Flórida, com muita da acção a ser filmada na região pantanosa dos Everglades. Também foi dado um grande uso do Castillo de San Marcos (anteriormente conhecido como Fort Marion) uma fortaleza espanhola onde este aprisionado o Chefe Seminole Osceola em 1837, durante a Segunda Guerra Seminole. Esta personagem é interpretada no filme por Larry Carper, um raro exemplo onde um caucasiano interpreta um indio americano. Na vida real Osceola era um misto de Caucasiano com Índio, e nasceu com o nome de Billy Powell.
O filme é um misto de western com "Objective, Burma!" (1945), uma das obras de guerra mais marcantes de Walsh, e conta-nos a história do Capt. Quincy Wyatt (Gary Cooper) e do tenente Richard Tufts (Richard Webb), e a sua companhia de soldados especialistas em andar nos pântanos, numa missão de recapturar um forte que foi tomado pelos Semínoles. Ao longo do percurso têm de atravessar várias dificuldades, como passar por areias movediças, escalar paredes, combates subaquáticos, por vezes só com uma faca, um revólver ou com os punhos, bem à maneira de Walsh.
Era muito difícil filmar nos pântanos, e Walsh contou que teve de contratar dois especialistas em serpentes, para limparem o terreno à medida que íam filmando. Mesmo assim os perigos ainda eram muitos. Cooper caíu nas areias movediças um dia antes de começar as filmagens, e o director de fotografia Sid Hickox disse que quase foi engolido por um jacaré. Segundo o realizador, Cooper também se queixou que tinha doado uma boa quantidade de sangue aos mosquitos e sanguessugas.
Longe de ser um dos melhores filmes de Walsh, ainda é um entretimento bem interessante. O equivalente a um blockbuster para a altura.
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terça-feira, 29 de setembro de 2015
Montana, Terra Proibida (Montana) 1950
Morgan Lane (Errol Flynn) é um humilde pastor de carneiros australiano que resolve dar uma reviravolta na sua vida partindo para as planícies dos Estados Unidos. No estado de Montana, destino final de Morgan, está a acontecer uma violenta batalha entre pastores de ovelhas e criadores de gado sob o comando da rica fazendeira Maria Singleton (Alexis Smith). Morgan irá tentar devolver a paz para a região, mas não será nada facil, uma vez que ele apaixona-se por Maria e terá que colocar a sua vida em risco.
"Montana" é um relativamente pequeno e anónimo Western, que não se consegue livrar de um patético final. Embora seja surpreendente que talentos como James R. Webb (Vera Cruz, The Big Country, Cape Fear) e Borden Chase (Red River, Winchester '73, Bend of the River) tenham tratado do argumento, não é de surpreender que alguns elementos importantes tenham sido retirados da versão final. E foi por causa desses minutos cortados da versão final, e dos defeitos já evidentes, que "Montana" acabou por ser um filme a passar totalmente ao lado. O próprio Raoul Walsh gravou algumas sequências, mas acabou por não ser creditato no filme.
Numa cena que é um pouco fora de vulgar, o realizador Ray Enright mostra-nos Flynn e Alexis Smith a cantar no dueto "Reckon I'm in Love", enquanto Flynn dedilha uma guitarra. Eles usam as suas vozes verdadeiras, e cantam mesmo na realidade, por isso quase que podemos chamar Flynn de "o Cowboy Cantor". Flynn tinha uma relação de amizade muito próxima com a sua co-star, Alexis Smith, tanto que tinha sido padrinho de casamento da actriz com o também actor Craig Stevens, em 1944. Já vinham a trabalhar juntos desde 1941.
Algumas fontes indicam Walsh como realizador não creditado, por isso cá está o filme.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Golpe de Misericórdia (Colorado Territory) 1949
No território do Colorado, o fora-da-lei Wes McQueen (Joe McCrea) foge da cadeia para fazer um assalto a um comboio, mas depois de conhecer a bela colona Julie Ann (Dorothy Mallone), ele pensa se estará na altura de organizar a sua vida. O problema é que tem uma recompensa pela sua captura de 10 mil dólares, morto ou vivo.
Raoul Walsh dirigiu "Colorado Territory" em 1949. Um western, remake do seu próprio filme de gangsters de época "High Sierra" (1941), que trouxe para o estrelato Hunphrey Bogart, num dos seus primeiros papéis de actor principal. Mais do que apenas mais um filme na história do cinema, "Colorado Territory" tornou-se num filme de culto por causa da sua combinação de Western com Film Noir (muito ajudado pelo grande contraste a preto e branco das colinas do Novo México, fotografia de Sid Hickox), e o fascinante retrato da mulher protagonista, uma das mulheres mais duras da história do cinema.
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial a Warner Bros. enfrentou um declinio nas bilheteira, relançando alguns dos filmes mais populares dos anos 30, e refazendo outros, mundando por vezes de género e de cenário. Felizmente para o público, alguém teve a feliz idéia de transformar "High Sierra" num western e contratar Raoul Walsh para fazê-lo. Os resultados foram bastante dinâmicos, com alguns críticos a considerarem que a história resultava melhor no Oeste selvagem do que no mundo do crime contemporâneo.
O melhor do filme era Virginia Mayo, no papel da dançarina Colorado, como uma cantora mestiça. Ida Lupino já tinha tido uma presença forte no filme original, mas Mayo foi muito mais dura, como se pode ver no duelo final. Walsh foi um dos poucos realizadores que soube apreciar o potencial de Mayo como actriz dramátca. O produtor independente Samuel Goldwyn tinha-a trazido poucos anos para Hollywood para trabalhar em musicais, normalmente como interesse romântico de Danny Kaye. William Wyler tinha dado uma pista do seu potencial quando a escolheu como mulher infiel de Dana Andrews em "The Best Years of Our Lives" (1946). Mas foi Walsh quem lhe deu os seus melhores papéis, por curiosidade, ambos em 1949. Neste mesmo ano ela interpretava a esposa assassina de James Cagney em "White Heat". O seu enorme talento foi tão tragicamente desperdiçado como qualquer coisa que aconteça aos personagens de "Colorado Territory".
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Santo António, Cidade sem Lei (San Antonio) 1945
Em 1877 o rancheiro Clay Hardin é obrigado a fugir para o México depois de ser baleado, ver o seu rancho queimado e o seu gado roubado. O responsável é Roy Stuart, sócio do Hotel e Casa de Espetáculos de San Antonio, no Texas. Clay descobre provas sobre o envolvimento de Roy com os bandidos que o roubaram e agora quer regressar a San Antonio. O duelo final será num tiroteio nas ruínas do famoso Álamo.
Errol Flynn não gostava da idéia de fazer westerns, porque se considerava demasiado "britânico" e demasiado sofisticado para o género. No entanto, o actor australiano foi suficientemente convincente como herói dos westerns para entrar numa sequência de sucesso deles, entre "Dodge City" (1939) e "Rocky Mountain" (1950). O seu maior sucesso no território dos westerns foi com "Todos Morreram Calçados" (1941), também de Raoul Walsh, no papel do General Custer, mas apesar do sucesso deste filme, ele não voltaria a entrar num western até este "San António". Filmado em grande parte no rancho Calabass, da Warner Bros, o filme conta com um duelo empolgante.
Alexis Smith, uma velha amiga de Flynn, contracenava com o actor como dançarina, mas não esteve presente durante a maior parte das filmagens, primeiro por causa das suas obrigações para completar o filme The Horn Blows at Midnight (1945), depois por causa de uma misteriosa doença viral que se arrastou durante semanas. Os dois actores já tinham contracenados juntos várias vezes, e voltariam a juntar-se num outro western, "Montana" (1950).
Apesar da sua colaboração não ter sido creditada nos créditos finais do filme, Raoul Walsh realizou algumas cenas. A realização seria creditada a David Butler. O filme foi nomeado a dois Óscares, nas categorias técnicas.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
O Homem Que Matou Liberty Valence (The Man Who Shot Liberty Valance) 1962
Quando o Senador Ransom Stoddard regressa para casa em Shinbone, para o funeral de Tom Doniphon, conta a um editor do jornal local a história por detrás da sua vida. Ele tinha chegado à cidade muitos anos antes, um advogado por profissão. A diligência tinha sido roubada pelo rufia local, Liberty Valance, que tinha deixado Stoddard sem nada, a não ser uns livros de direito. Consegue um trabalho na cozinha de um restaurante, onde conhece a sua futura mulher, Hallie. Em flachback vamos ficar a saber como é que a vida destas quatro pessoas se cruzou.
A mudança da guarda, a perseverança de um homem, e a necessidade de um herói são temas recorrentes neste grande clássico de John Ford, The Man Who Shot Liberty Valance. Mais elegante do que a maioria dos westerns de Ford, resultou na única vez que contracenaram dois dos mais míticos actores da história do cinema, John Wayne, o cowboy maior do que a vida, e James Stewart, o bom rapaz que toda a gente gostava em Hollywood. O resultado seria um dos maiores westerns jamais feitos.
De certa forma, Wayne nunca esteve tão bem como aqui, nem mesmo em "The Searchers", e Stewart, que costuma estar sempre bem, mantém-se firme num papel oposto ao de Wayne, e mantém um contraste interessante com a dureza do outro actor. O personagem de Stewart é o mais efeminado dos dois, e usa mesmo avental a maior parte do filme, incluindo no duelo com o vilão. A fotografia de William H. Clothier dá ao filme uma atmosfera quase noirish, e Ford, como é habitual faz um grande uso do seu naipe de actores secundários, em especial Woody Stroode, e Lee Marvin como vilão.
É evidente que Ford ficou cada vez mais desiludido com a sociedade, que é visível principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial, e quanto mais profundo se tornou o seu desespero, mais visível isso ficou nos seus westerns. Mesmo nos filmes menores do final da sua carreira, como Cheyenne Autumn, a sua fé deu lugar ao pessimismo, tal como se vê nos filmes da cavalaria onde ele mostra os seus soldados a derrubarem os índios desarmados.
Foi o último filme que Ford fez com Wayne como protagonista. Os dois morreriam na década seguinte, Ford em 1973 e Wayne em 1979.
Filme escolhido pelo Nuno Fonseca.
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domingo, 19 de outubro de 2014
Shane (Shane) 1953
Shane envolve-se num conflito entre o vaqueiro Ryker e um grupo de colonos, os Starretts, cuja terra Ryker quer. Quando Shane vence um dos homens de confiança de Ryker, Chris, Ryker tenta comprá-lo, sem sucesso. Depois de Shane e Joe, o pai do clã Starrett terem derrotado os homens de Ryker, este contrata um famoso pistoleiro, para derrotar os nossos heróis.
Seria tão fácil descartar "Shane" como um dos westerns mais bem filmados de sempre. A sua história já foi feita tantas vezes, que se tornou um cliché. Um pistoleiro solitário tentando deixar o passado para trás, chega a uma cidade onde tem de usar as armas novamente em nome do bom povo da cidade, contra os assassinos do barão do gado local. Apesar do enredo ser bastante simples superficialmente, há muito mais a acontecer do que parece.
Desde os primeiros momentos em que o pequeno Joey grita, "Somebody's comin', Pa!", e vemos pela primeira vez Alan Ladd como Shane, cavalgando para a herdade dos Starrett, que percebemos que há algo misterioso nesta personagem solitária. Que ele é um pistoleiro com um passado negro é óbvio, mas os detalhes do seu passado nunca são revelados, assim como de onde ele vem, nem para onde ele vai. É através dos olhos do pequeno Joey que vemos quase todo o filme, para ele Shane é o herói ideal, e aos seus olhos qualquer pecado lhe é perdoado, embora ele sinta que existem acções obscuras no passado de Shane.
Realizado por George Stevens, e ao contrário de muitos outros westerns, este é um filme de actores. A personagem de Ladd ficou mítica, assim como o jovem Joey interpretado por Brandon de Wilde, um actor bastante prometedor falecido muito cedo. Jean Arthur tinha o seu último papel no cinema, mas o grande destaque vai para o vilão de Jack Palance, um dos seus primeiros papéis do cinema, e um dos melhores vilões alguma vez trazidos ao grande ecrã. Valeu-lhe logo uma nomeação ao Óscar.
Foi uma forte inspiração para o homem sem nome de Clint Eastwood na trilogia dos dólares, e em muitos filmes posteriores.
Foi uma escolha do Nuno Fonseca.
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Navajo Joe (Navajo Joe) 1966
Um gang de bandidos impiedosos liderados por Duncan (Aldo Sambrell), massacra índios pacíficos para lhes retirar e vender os seus escalpos. Uma das mulheres que eles assassinam é companheira de um índio Navajo chamado Joe (Burt Reynolds), que rapidamente se mete a caminho para obter a vingança. Quando é dito a Duncan e ao seu pequeno exército que os escalpos já não valem nada, ele faz um pacto com o sinistro Dr. Chester Lynne (Pierre Cressoy) para roubar uma larga quantia em dinheiro que está a ser transportada por comboio. Mas Joe persegue este bando.
"Navajo Joe" era o filme que sucedia ao grande êxito de "Django". "Django" vira a luz do dia em Abril, e "Navajo Joe" sucedera-o em Novembro. Longe de ser dos melhores filmes do realizador, ainda assim era uma obra interessante, onde mais uma vez se nota o uso de uma violência excessiva. O tema do western centrado no índio era bastante popular nos westerns europeus na fase pré-spaghetti, como acontecia com a série de filmes alemães "Winnetou" e a maioria dos westerns italianos produzidos antes de 1963. Mas "Navajo Joe" era um filme diferente destes, era uma obra centrada no tema da vingança, ao contrário dos outros filmes com índios deste período.
Produzido por Dino de Laurentiis, que tinha fixado a idéia num índio herói em quem Corbucci não estava interessado, o filme tem pouco a dizer sobre os nativos americanos. Era a primeira colaboração entre Corbucci e Morricone, que se iria repetir diversas vezes neste território, com o seu ponto alto em "O Grande Silêncio". Morricone teve o cuidado de trabalhar de maneira diferente nos filmes de Leone e Corbucci, para que os filmes fossem bem diferenciados. A música-título seria um grande êxito neste ano de 1966.
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
The Deadly Trackers (The Deadly Trackers) 1973
Depois de The Wild Bunch ter ultrapassado alguns limites em termos de violência, especialmente dentro do género western, seguiu-se uma série de westerns semelhantes: Billy Two Hats , Chato's Land, The Hunting Party , The Revengers e The Last Hard Men estavam entre os principais candidatos. "The Deadly Trackers"
também estaria em qualquer lista de westerns brutais de vinçança dos anos 70, o filme foi originalmente planeado como uma obra de Samuel Fuller, mas foi completado por Barry Shear depois de Fuller sair do projeto. O estúdio permitiu a Fuller gastar mais de 1 milhão de dólares em filmagens até que foi demitido por causa das "diferenças artísticas" com o egocêntrico protagonista do filme, Richard Harris, que simplesmente não aceitou receber ordens deste realizador. O estúdio então desfez-se da maioria das filmagens, contratando Shear para substituir Fuller, e começar tudo de novo.
O xerife irlandês Sean Kilpatrick (Richard Harris) cuida da pequena cidade do Texas de Santa Rosa, e faz questão de resolver os crimes e capturar os criminosos sem recorrer à violência. Na verdade, enunca na vida disparou uma arma de raiva , mas de alguma forma promoveu a lei total, a ordem e o respeito entre os habitantes da cidade. Os seus métodos são testados até ao limite quando o fora-da-lei Frank Brand ( Rod Taylor, numa interpretação surpreendentemente sádica) e o seu bando roubam o banco local. Durante a tentativa de fuga, os bandidos, inadvertidamente, matam a própria esposa e o filho de Kilpatrick. Devastado, Kilpatrick deixa para trás a sua atitude anti-armas e anti-violência e persegue os assassinos. A perseguição leva-o até ao México, onde ele não tem nenhuma autoridade oficial e é visto como pouco mais do que um próprio bandido.
Não é propriamente um filme de Fuller, mas por ter sido ele a iniciar o projeto, resolvi inclui-lo neste ciclo.
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Quarenta Cavaleiros (Forty Guns) 1957
Um filme notável, típicamente excêntrico, produzido, escrito e realizado pelo insubstituível Samuel Fuller, Forty Guns (1957) é bastante diferente de qualquer western feito antes ou depois. O florido melodramático na forma de Douglas Sirk e, por sua vez, explicitamente violento com insinuações sexuais ultrajantes.
Como Ali Baba, Jessica Drummond (Barbara Stanwyck), veste-se de preto da cabeça aos pés e monta um cavalo branco, leva consigo um verdadeiro exército a cavalo, quarenta pistoleiros-ladrões que atravessam as colinas do território do Arizona, deixando grandes nuvens de poeira no seu rastro. Presos numa guerra estão, o homem da lei, Griff Bonnell (Barry Sullivan), o irmão Wes (Gene Barry) e o irmão mais novo Chico (Robert Dix). Quando o velho (e quase cego) marshal da cidade, John Chisum (Hank Worden, aparentemente não interpretando o Chisum histórico) é morto pelo irmão de Jessica, Brockie (John Ericson) e Brockie, bêbado, invade a cidade com vários amigos delinquentes, Griff fica determinado a trazer o jovem à justiça.
Embora o filme perca um pouco de vapor na segunda metade, em particular nos motivos e meios de alguns dos seus personagens secundários, "Forty Guns" é visualmente deslumbrante e cheio de pequenos pormenores que continuamente o definem como muito mais do que um western normal. Fuller usa uma grande variedade de ângulos estilizados, incluindo até mesmo um ponto de vista do "tiro no cano" de uma arma, antecipando a imagem icónica dos filmes do 007. Há até mesmo um tornado bastante credível, que Fuller conseguiu tirar do orçamento muito baixo (apenas USD$300.000), que é uma prova da sua habilidade.
Por toda a sua hipérbole, certos aspectos visuais capturam o olhar do Velho Oeste de uma forma bastante autêntica. O filme é assumidamente o mais sujo que seria possível na Hollywood dos anos 50. Alguns dos diálogos mais escandalosos são gerados de um romance entre Wes e Louvenia (Eve Brent), uma senhora armeira durona que parece saída de um filme de Howard Hawks.
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A Flecha Sagrada (Run of the Arrow) 1957
Muitas vezes, "Run of the Arrow" é comparado com "Dança com Lobos" de Kevin Costner, e é fácil perceber porquê, por causa da sua história de um americano que acaba a viver com os Sioux, e a casar com uma esposa Sioux. Mas na verdade são filmes muito diferentes porque "Run of the Arrow" é mais sobre como o personagem de Rod Steiger, O'Meara, se sente. É o seu ódio à União que o leva a abandonar o estado onde vive, e procurar tornar-se um Sioux, mas é também sobre como ele se sente quando se trata de combater americanos e quebrar tratados de paz. Isto vale a que dos westerns dos anos 50, "Run of the Arrow" esteja acima da média, pois funciona como simples entretenimento, mas oferece um ponto de vista para aqueles que procuram mais qualquer coisa dentro de um filme.
Recusando-se a aceitar que a União ganhou a guerra, o soldado confederado rebelde O'Meara (Rod Steiger) vira as costas para a sua família na Virgínia e parte para o oeste, onde encontra o indio Walking Coyote (Jay C. Flippen) que lhe ensina sobre a vida dos Sioux. Uma disputa com Crazy Wolf (HM Wynant) leva a O'Meara a batê-lo no "run of the arrow" e a ser aceite por Blue Buffalo (Charles Bronson) como um dos seus, e autorizado a tomar Yellow Moccasin (Sara Montiel) como sua esposa. Mas quando um homem da cavalaria cheio de ódio quebra o acordo de paz e faz com que os Sioux partam para a guerra para proteger as suas terras, O'Meara apanha-se no meio de uma encruzilhada, com a sua lealdade a ser posta à prova.
Samuel Fuller dirige, no seu habitual estilo visceral e primitivo este western sangrento sobre a identidade nacional, que conta como um país imperfeito deve renascer depois dos confederados se renderem à União, em Appomattox, em 9 de abril de 1865. Este filme não serve para explicar a tradição indiana ou abrir novos caminhos de como fazer um western de cowboys contra índios, mas dá-nos um excelente ponto de vista na procura da alma, através de um antipático anti-herói, e humaniza-o de modo a que possamos ter respeito pela sua coragem. O método de interpretar de Steiger não é para qualquer gosto, mas o seu desempenho vigoroso leva-nos a crer que ele é um homem perturbado, e não pode simplesmente escapar das suas raízes conturbadas. O'Meara é um símbolo para todos os fanáticos confederados intransigentes que não aceitam e se sentem cheios de culpa por perderem a guerra, mas que deve ser reintegrado de volta para a América para que o país sobreviva sem rancor. Fuller segue a alucinante jornada de O'Meara para encontrar-se antes que seja tarde demais para ser encontrado, o que nos permite ver o quão difícil seria para os perdedores, se não lhes fosse dada outra oportunidade, para se tornarem novamente americanos . "Dança com Lobos" pede emprestado este tema a este filme, mas como uma obra de baixo orçamento, "Run of the Arrow" tinha um poder muito maior do que o filme de Costner, de grande orçamento, e é um filme mais interessante.
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Matei Jesse James (I Shot Jesse James) 1949
Depois de anos de reportagens do mundo do crime, argumentos e novelas pulp, Samuel Fuller fez a sua estreia na realização com a balada solitária de Robert Ford, que fatalmente traiu o seu amigo, o famoso Jesse James. Ao mesmo tempo modesto e intenso, I Shot Jesse James é um retrato fascinante da culpa e do tormento psicológico, e um começo auspicioso para o cineasta independente.
Samuel Fuller realmente não parece muito preocupado com a história de Jesse James, como um mito ocidental. Em todos os seus filmes, ele anda muito ocupado a aprofundar os cantos escuros da natureza humana para entrar no aspecto mais abstrato de mitificação (ou o seu inverso iconoclasta em filmes como The Ballad of Cable Hogue e O Homem Que Matou Liberty Valance ) à la John Ford, Leone, ou Peckinpah. I Shot Jesse James não vive de qualidades míticas, mas principalmente como elas surgem em conjunto com a dissolução psicológica e a mortalidade iminente de Robert Ford ( John Ireland), enfaticamente, o homem que matou Jesse James. O termo "western psicológico", repleto de nuances freudianas, parece uma descrição perigosa, uma simplificação do drama complexamente humano de Fuller, as pessoas de Fuller são as pessoas, em vez de símbolos. Ele recebe na sua humanidade através de uma narrativa intensamente subjectiva, enfatizando, através de um ambiente de close-ups, o espaço interior da consciência de Bob Ford. No processo, Jesse James, o lendário fora da lei, não só desromantiza (a aparência de Reed Hadley como Jesse definitivamente faz com que seja difícil simpatizar com ele), como é praticamente ignorado. A angústia de um homem confuso que iria atirar no seu melhor amigo para ganhar amnistia é um assunto muito mais atraente para Fuller. O título do filme em si é um sinal dessa subjetividade agonizante, sugerindo tanto a confissão como a propaganda, os eixos ordenados da culpa e da potência que delíneam os planos da luta interior de Robert Ford.
O filme é essencialmente uma versão melodramática sobre a vida de Robert Ford, depois de assassinar Jesse James, onde ele seria considerado covarde. Enquanto o filme não explora a complexidade da relação de Ford com James, também iria mostrar algumas razões sobre as quais porque ele matou James, que viria a ser a sua ruína. Enquanto alguns factos permanecem fiéis sobre alguns dos acontecimentos do verdadeiro crime, há muita liberdade dramática que é levada pela motivação de Ford sobre a idéia de ele matar James por causa de uma mulher (Barbara Britton).A realização de Samuel Fuller é bastante atraente para a forma como ele cria um clima de suspense no primeiro acto, como ele iria apresentar o assassinato de James pelas mãos de Robert Ford. Mostra um ar de emoção nas cenas de luta, bem como em alguns dos confrontos que ocorrem.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Shalako (Shalako) 1968
Baseado num romance de Louis L'Amour, Shalako é passado no Novo México, nas terras da reserva Apache, onde um grupo de caçadores europeus de elite alegremente ignora repetidas advertências de que estão em perigo de um ataque indio iminente. Passado nas ruínas de um forte, Shalako (Sean Connery, com um sotaque escocês intacto) faz o seu melhor para preparar a burguesia arrogante e ignorante. Deixa-os então com o guia Fulton (Stephen Boyd), na esperança de chegar a um posto do exército e regressar com soldados antes dos caçadores brancos serem mortos. No entanto, quando a situação no forte se deteriora, Shalako regressa numa tentativa desesperada de levar os europeus através do território indígena para um local de segurança.
Na esteira do sucesso dos Westerns espanhois, alemães, e, principalmente, italianos, os Euro-Westerns de maior orçamento tornaram-se inevitáveis. A natureza intrínseca destas produções intercontinentais é compensada com uma história muito bem contada. Shalako tem um realizador norte-americano (Edward Dmytryk), tem actores escoceses, franceses e alemães, exteriores espanhóis e interiores britânicos. Os créditos identificam-no como uma produção britânica, apesar de dinheiros franceses e alemães e, possivelmente, poderem ter sido envolvidos no projeto. Embora tais produções cinematográficas muitas vezes acabem em desastre, Shalako funciona muito bem. A dicotomia dos ricos, europeus impecavelmente vestidos, com seu desgaste formal, porcelanas finas, e jóias, faz um contraste interessante com o sujo, rude cowboys americano. O cerco do forte é bem dirigido, cheio de acção e suspense críveis.
O que parece ter decepcionado o público em 1968 foi a falta de química entre Connery e a co-estrela Brigitte Bardot, que interpreta uma condessa que se apaixonava por Shalako. Bardot, entrando no seu período de rosto pálido e activista dos animais, tem cabelo e maquilhagem singularmente anacrónicos.
O elenco é extremamente interessante, e conta ainda com Jack Hawkins e Woody Stroode.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Alvarez Kelly (Alvarez Kelly) 1966
Alvarez Kelly (1966) conta-nos a história de um senhor do gado cuja manada se torna objeto de uma guerra entre a União e as forças Confederadas durante os dias em que os alimentos eram escassos na altura da Guerra Civil Americana. A história seria banal se não fosse pelo seu herói do mesmo nome, também conhecido como o Señor irlandês. Em contraste com os outros personagens, que prestam serviço sincera e inquestionavelmente para o cada lado da Guerra Civil, Kelly tem um relacionamento complexo e crítico para com os Estados Unidos.
Alvarez Kelly é um cowboy que acabou de pastorear durante três meses o seu gado através das pradarias para entregá-lo ao coronel da União Albert Steadman. Para sua decepção, Steadman informa-lhe que ele é quem agora vai levá-los de comboio para Richmond, na Virginia. Os homens discutem, mas Steadman aponta-lhe para as suas obrigações contratuais para entregar o gado para a área considerada mais urgente. Kelly acaba por concordar e leva os novilhos para leste, deixando claro que ele não dará o mínimo para quem ganhar a guerra, e só quer receber o seu salário. Ficamos a saber que ele anda envolvido na guerra da especulação, comprando gado por US $ 2 por cabeça e a vendê-los por US $ 20. Mas Kelly não é apenas um bom negociante renegado. A sua maneira inteligente de falar, salpicada com observações sarcásticas, dão indícios de que as suas motivações são mais complexas do que parecem.
Uma história decente, um bom realizador e uma dupla de protagonistas sólida em William Holden e Richard Widmark são as coisas que mais jogam a favor deste western, "Alvarez Kelly". Mas há uma coisa que vai contra o filme. Apesar do filme ter quase 2 horas, os primeiros 80 minutos andam em círculos, estabelecendo personagens, mas na verdade não movendo a história para diante. O filme acorda para uma conclusão cheia de acção empolgante. A sua salvação é que as cenas de ação do final dão um novo sopro de vida. Caso contrário, a película seria feita por um argumento confuso que nunca funcionaria. Supostamente baseado num incidente verdadeiro da Guerra Civil, durante o cerco de Richmond.
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O Grande Combate (Cheyenne Autumn) 1964
Na sua carreira John Ford dirigiu alguns dos mais emblemáticos westerns da história do cinema, e estabeleceu um standard muito alto, e muito poucos chegaram perto de sequer igualar a sua classe. Isto, de certa forma, faz com que assistir a "Cheyenne Autumn" seja uma experiência um pouco triste, não só porque era para ser o último western de Ford, mas também porque não atingiu os padrões habituais do realizador. Tem alguns dos toques habituais de Ford, e não era apenas a paisagem do Monument Valley, mas este é um filme sangrento que tenta fazer a já poderosa história dos Cheyenne regressarem ao seu lar ancestral mais poderoso, mas acaba por não o fazer da melhor forma.
Tendo mantido a sua parte de um acordo e mudarem-se para uma reserva, os Cheyenne cansam-se de esperar pelo governo dos EUA para defender o seu lado, fornecendo-lhes as suas necessidades na sua nova casa. Traidos, os Cheyenne embarcam numa jornada de 1.500 milhas através do país para regressarem ao seu lar ancestral, mas tendo agora quebrado a promessa, deixando a reserva, têm agora o Exército dos EUA no seu encalço. O capitão da cavalaria dos EUA, Thomas Archer (Richard Widmark) é obrigado a garantir o regresso dos Cheyenne para a reserva, mas do modo como ele conduz a acção, começa a entender e a simpatizar com eles, bem como ver o quão mal o governo dos EUA os tratava. É isso que o leva a agir contra as suas ordens e tentar ajudá-los.
Um dos pontos fortes de "Cheyenne Autumn" é que somos levados a simpatizar com os Cheyenne, e ao contrário dos westerns que Ford fez antes, os indios não são retratados como selvagens. Também simpatizamos com Archer porque ele parece entender porque os Cheyenne sentem a necessidade de voltar para casa. Há talvez acção, bem como um toque de romance mas quando a história avança, em vez de se debruçar apenas dos clichês dos Westerns, é sobre o porquê dos Cheyenne sentirem a necessidade de arriscar as vidas a fim de voltar para casa.
Mas o problema é que "Cheyenne Autumn" é um filme longo demais, com uns 154 minutos que se arrastam. Percebemos que John Ford realmente queria destacar a incrível viagem que fizeram os indios, bem como a coragem que os levaram a fazê-lo, destacando a ignorância do Exército dos EUA e do governo. Também não ajuda que haja uma série de cenas passadas em Dodge City, onde encontramos Wyatt Earp e Doc Holliday, que pouco têm a ver com a história real.
Também é necessário falar do enorme elenco, com quase toda a família fordiana, e não só: Richard Widmark, Carroll Baker, Sal Mineo, Karl Malden, Dolores del Rio, Ricardo Montalban, Arthur Kennedy, Patrick Wayne, John Carradine, George O'Brien, James Stewart (como Wyatt Earp) e Edward G. Robinson.
Ainda assim, é um filme imperdível.
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O Sargento Negro (Sergeant Rutledge) 1960
"Sergeant Rutledge" é um filme interessante, porque é um pouco diferente de tudo o que seria de esperar de um western de John Ford. O que o torna um pouco diferente é que ele assume a forma de um drama de tribunal, um tribunal marcial de um soldado negro acusado de assassinato e violação. Mas este não é o drama de tribunal como "Anatomy of a Murder", em vez do tribunal e das testemunhas que assumem a história, estamos lá para ouvir contar a história, através de uma série de flashbacks que são mais típicos dos westerns de John Ford. Há ainda um toque de ingenuidade sobre como as peças da história juntas e as pistas se revelam quanto à possibilidade ou não do soldado ser culpado.
O sargento Braxton Rutledge (Woody Strode) é um soldado numa unidade em que um major e a sua filha são assassinados, e é ele quem é acusado. Diante de um tribunal marcial o tenente Tom Cantrell (Jeffrey Hunter) defende Rutledge, e cada testemunha leva para baila uma história que se desenrola a respeito de porque Rutledge fugiu da guarnição e foi encontrado numa estação de comboios com Mary Beecher (Constance Towers).
"Sergeant Rutledge" toma assim a forma de um drama de tribunal com o tenente Tom Cantrell a tentar provar que o primeiro sargento Braxton Rutledge não é culpado do crime e violação. Inicialmente, sentimos que a definição do tribunal existe para pouco mais do que permitir a Ford servir um pouco do seu humor típico, já que temos o atrapalhado coronel Otis Fosgate a presidir a corte marcial e há uma sala cheia de civis que olham para o caso como uma forma de entretenimento, incluindo a própria esposa de Fosgate. Mas no final, a configuração do tribunal real acaba por ser um veículo para contar a história através de uma série de depoimentos de testemunhas, e uma série de flashbacks.
Quanto às interpretações são sólidas mas também esquecíveis, ou pelo menos a maioria, que inclui Jeffrey Hunter e Constance torres. Mas é Woody Strode como o sargento acusado que faz o maior impacto com a sua imponente figura muscular, preencheendo a tela. Ele mal pode dizer uma palavra no tribunal, mas durante os flashbacks cria esse personagem recto, um homem decente, mas um com uma escuridão e um medo de ser acusado injustamente, devido à cor de sua pele.
O que a isso tudo se resume é que "Sergeant Rutledge" é surpreendentemente um bom filme, mas que não é realmente um drama de tribunal. A forma como os pedaços da história se juntam funciona bem, mantendo-o interessante até ao fim.
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terça-feira, 20 de agosto de 2013
A Desaparecida (The Searchers) 1956
Em 1868, Ethan Edwards regressa a casa do irmão, Aaron, que mora numa quinta no norte da fronteira do Texas com a esposa Martha e os três filhos: Ben, Lucy e Debbie. A quinta também é o lar de Martin Pawley, que foi adoptado por Aaron depois de ter sido resgatado ainda jovem dos índios, por Ethan. Aaaron não vê o irmão há anos, desde que ele deixou de lutar pela Confederação durante a Guerra Civil. No dia seguinte, Ethan, Martin e Brad Jorgensen, o noivo de Lucy, são atraídos para longe da quinta por índios Comanche. Quando regressam encontram a quinta em chamas. Aaron, Martha e Ben estão mortos e Lucy e Debbie desaparecidas. O Ranger Captain Clayton lidera um grupo para procurar as jovens desaparecidas que, presume-se, foram raptadas pelos Comanches. Quando Ethan revela que encontrou o corpo de Lucy, Brad faz um ataque a solo sobre os Comanches e é morto. Começa então uma procura pela outra jovem que irá durar anos, Ethan e Martin continuam a procurar Debbie,embora por razões diferentes...
O mais conceituado dos grandes westerns de John Ford é também um dos mais subversivos do realizador, uma vez que confronta a questão do racismo, especificamente o ódio arraigado dos anglo-americanos para com os nativos americanos. Quando o filme foi feito, o racismo era um tema quente nos Estados Unidos, com a política de direitos civis a fazer crescer tensões entre os diferentes grupos raciais. The Searchers pode não pode lidar com esta questão muito profundamente, mas, para seu crédito, é o primeiro filme que mostra o ódio racial como a força motivadora primária na determinação do homem branco para exterminar os nativos americanos. De nenhuma maneira ajudou a mudar atitudes públicas sobre a questão racial, principalmente, incentivando outros artistas e comentaristas influentes para continuar a lembrar os americanos da sua história vergonhosa e da necessidade de fazer as pazes.
The Searchers também é tecnicamente o mais ambicioso filme de John Ford, e um dos seus filmes que podem ser legitimamente chamados de épico. As paisagens deslumbrantes, principalmente as filmadas no amado Monument Valley, a narrativa alastrando-se e o subtexto político subjacente, tudo contribui para este filme ser a obra-prima do realizador, um western complexo e convincente que é ambíguo, comovente e altamente poético. O filme seria insuportavelmente triste se não fosse por alguns momentos inspirados de comédia que oferecem um alívio muito necessário a partir do tenso drama catastrófico.
Num papel surpreendentemente antipático, John Wayne tem uma das suas melhores performances, que transcreve o tradicional héroi westerniano, com um grande senso de ironia, sugerindo que a sua coragem e a determinação podem ser o produto de forças motivadoras menos nobres do que o heroísmo. Diferentemente da maioria dos westerns, que tendem a glamourise, e a retratar os índios como selvagens sem rosto, The Searchers é uma obra que procura a exatidão histórica. Lançou as bases para os westerns modernos que rejeitaram os velhos mitos e nos mostraram a verdade nua e crua de como o oeste realmente foi feito.
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