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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Clayton, o Cavaleiro da Noite (Amore, Piombo e Furore) 1978

A um pistoleiro condenado, Clayton Drumm (Fabio Testi), é dada uma hipótese de liberdade e salvação, se ele aceitar uma proposta apresentada pela companhia ferroviária. Matar um fazendeiro chamado Matthew Sebanek (Warren Oates), que se recusa vender as suas terras para a companhia. Clayton aceita a missão, mas a sua vitima parece ser uma pessoa agradável e os dois acabam por se tornar amigos. As coisas complicam-se quando a jovem noiva de Matthew se apaixona por Clayton.
"China 9, Liberty 37" (o titulo refere-se a um poste de sinalização que é mostrado no inicio do filme) é uma produção italo-espanhola com a excepção do realizador e um par de actores, com o resto da equipa de produção a ser europeia, principalmente italiana. A história de fundo, sobre as companhias de caminhos de ferro a retirarem pessoas das suas terras é sem dúvida uma homenagem ao filme de Sérgio Leone, "Aconteceu no Oeste", mas, por outro lado, esta obra parece mais um western revisionista americano, não fosse ele realizado por um dos realizadores de culto daquele país, Monte Hellman, que já tinha dado cartas em dois outros grandes westerns, "The Shooting" e "Ride in the Whirlwind", ambos de 1966.
Sam Peckinpah tem um pequeno papel (como escritor de "pulp fictions"), e há algumas semelhanças com o seu "Ride the High Country" (a noiva em fuga, os irmãos instáveis, e Warren Oates), apesar de Hellman ter declarado querer fazer um western mais tradicional, mas também há muitas semelhanças com os seus westerns mais experimentais, a atmosfera é muitas vezes opressiva, os diálogos são escassos, e embora os dois protagonistas serem pistoleiros esta é uma história que se foca mais nas relações entre pessoas isoladas da sociedade.   
Realizado numa altura em que os spaghetti já tinham praticamente desaparecido, não é uma obra para quem gostasse do filme mais tradicional deste género, mas ainda assim é um autêntico filme de culto.

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Keoma (Keoma) 1976

Franco Nero interpreta Keoma, um meio-indío que regressa a casa da Guerra Civil, e encontra-a sob o comando de Caldwell, um ex-confederado e o seu bando de bandidos. Para fazer as coisas piores, os três meio-irmãos de Keoma juntaram forças com Caldwell, e deixam dolorosamente claro que o seu regresso não é bem vindo. Determinado a derrotar Caldwell e os seus irmãos do controlo da cidade, Keoma junta-se ao antigo capataz da quinta do seu pai, para derrotar os adversários. 
Alternando entre a epatia e o brilhantismo, entre o monstruosamente kitsch e o mais profundo significado alegórico, "Keoma" foi o último grande spaghetti numa altura em que o género já estava morto. Com as suas imagens crepusculares e os seus temas apocalípticos, "Keoma" tornou-se o epónimo desses chamados "twilight westerns" (não confundir com os westerns americanos sobre a morte do Oeste), que marcaram a última desesperante tentativa de revitalizar um género que nesta altura apenas sobrevivia da auto paródia e da comédia. Mesmo o sucesso de "Keoma" não conseguiu recuperar o interesse do público por mais do que este filme em particular. Em parte fascinante, "Keoma" foi o mais ambicioso e melhor dos westerns de Enzo G. Castellari, ganhando um fenómeno de culto que vingaria até aos dias de hoje.
É um filme místico, simbólico e referencial. Com tocas a iluminarem a cidade à noite, cidade que mais parece uma cidade medieval do que uma cidade do oeste tradicional. Existem algumas semelhanças com "O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman (a praga, a atmosfera de decadência) e as idéias cristãs sobre a morte e ressurreição são fundidas com o ciclo da destruição e renascimento da religião natural. Quando uma velha mulher lhe pergunta porque ele voltou, Keoma diz que o mundo continua a girar, e o homem acaba sempre no mesmo lugar. Originalmente esta mulher era para simbolizar a morte, mas a idéia acabou por ser alterada, e ela é agora uma deusa com o poder de decidir entre a vida e a morte. 

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Gigantes em Duelo (I Giorni Dell'ira) 1967

Lee Van Cleef é um pistoleiro envelhecido que num esforço para recuperar a sua reputação de temível abate um xerife local. Descobre então que tem de lidar com o seu jovem protegido, interpretado por Giuliano Gemma, que também é o melhor amigo do xerife. No confronto final vão enfrentar-se os dois, que conhecem muito bem cada movimento do outro.
Comparações foram feitas no passado, entre o argumento deste filme e de "Star Wars", e é fácil perceber porquê. Os velhos temas do aluno e do seu mentor, de um jovem a aprender a usar as suas habilidades naturais, a fim de entrar na idade adulta, são semelhanças com o filme de Lucas. As semelhanças ainda são mais impressionantes se lhe adicionarmos a dimensão do jovem herói a ser tentado pelo lado negro, e o poder que lhe pode ser adicionado, juntamente com o confronto final onde ele tem de derrotar a sua figura de pai, a fim de se libertar de toda a tentação. É possível que Lucas tenha sido influenciado por "Day of Anger" na construção de "Star Wars" (Lucas declarou ser fã do spaghetti western), mas é mais provável que ambos os filmes partilhem uma origem em comum.
E pode ser este tema universal que faz deste filme tão satisfatório. Não é excessivamente complicado, não é especialmente inovador em qualquer uma das áreas, mas funciona a praticamente todos os níveis. O realizador é Tonino Valerii, que era conhecido como um dos argumentistas não creditados de "Por um Punhado de Dólares" (outros são Fernando di Leo e Duccio Tessari), e que faria uma carreira muito interessante no território do spaghetti. Este seria o seu spaghetti mais conhecido, a par de "O Meu Nome é Ninguém".

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domingo, 18 de setembro de 2016

Corre Homem Corre (Corri Uomo Corri) 1968

Cuchillo um ladrão e excelente atirador de facas, é perseguido por um gang até à fronteira do Texas por saber onde está escondida uma grande fortuna. Fazem parte desta gang mercenários franceses que trabalham para o Governo Mexicano e Nathaniel Cassidy um pistoleiro americano que apesar de interessado no dinheiro, ainda conserva alguns ideais. Agora Cuchillo terá que enfrentar duas grandes forças, a namorada, sensual e extremamente ciumenta e o gang de Cassidy.
 Terceiro e último Western de Sérgio Sollima, uma sequela do mais conhecido "The Big Gundown", considerado um pouco inferior pela maioria dos criticos e fãs do spaghetti western, e sem o protagonista do filme anterior, Le Van Cleef. O único elo de ligação entre os dois filmes é Tomas Milian, repetindo o papel de Cuchillo Sanchez, o peão mexicano armado com facas. É um filme episódico, um pouco mais leve que o filme anterior, muito sério para ser considerado uma comédia (como os da série Trinitá), mas também muito cómico para ser considerado um spaghetti normal. Mas, há aqui mais para descobrir, do que aparenta...
Apesar de ser menos complexo do que os outros dois westerns de Sollima, é um perfeito exemplo dos estudos de personagens que Sollima costuma utilizar nos seus filmes. São muitas vezes sobre pessoas que mudam, descobrem a sua própria natureza, em circunstâncias difíceis."The Big Gundown" tinha mostrado a transformação de Cuchillo Sanchez, de um peão mexicano para um bandido social, que força o agente da lei interpretado por Cleef a fazer uma "escolha de classes". É obrigado a escolher entre poupar a vida a um homem inocente, ou fazer a vontade ao homem que poderia ajudar na sua carreira política. Em "Run Man Run" é Cuchillo Sanchez, o homem do título que muda para melhor por força das circunstâncias e das pessoas que encontra. Ao longo do filme, Cuchillo muda de um pequeno criminoso e vagabundo para um herói revolucionário. 
Existe uma enorme discussão sobre quem escreveu a banda sonora. Sollima referiu que esta é da autoria de Ennio Morricone, mas muita gente creditou-a a Bruno Nicolai. Seja ela de quem for, é das melhores dentro deste género.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Um Dólar Entre Os Dentes (Un dollaro tra i denti) 1967

Um estranho chega a uma cidade fronteiriça onde testemunha como um regimento do exército mexicano é aniquilado por bandidos, que tomam o lugar dos soldados num negócio lucrativo com o exército americano. O estranho é contratado pelos bandidos para os identificarem como federais, mas depois de fazer o seu trabalho o líder dos bandidos tenta eliminá-lo. 
O primeiro (e melhor) de uma série de filmes onde o actor Tony Anthony interpreta um personagem conhecido como "The Stranger". Embora o filme tenha sido co-produzido por Allan Klein, foi feito com muito pouco dinheiro. Foram utilizados apenas um punhado de cenários e tem muito poucas falas, sendo por vezes considerado uma versão pobre de "Por um Punhado de Dólares", mas o realizador Luigi Vanzi usa uma versão simplificada do argumento do filme de Leone para fazer um filme que, definitivamente, tem o seu cunho pessoal. Na verdade este é um excelente western spaghetti minimalista, atmosférico e violento. 
Um estranho vestindo um poncho não foi a única idéia directamente "emprestada" de "Por um Punhado de Dólares", o que levou os críticos a classificarem-no como a versão mais impertinente de todos os filmes derivados dos westerns de Leone. O que os críticos muitas vezes se esqueciam é que o personagem de Tony Anthony tinha o seu próprio charme, e o realizador Luigi Vanzi era auto-suficiente o bastante para trazer para a história o seu próprio sentido. Um filme malvado, taciturno, violento, decorado com um grande vilão interpretado por Frank Wolff, actor que veriamos em inúmeros westerns. 

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Uma Pistola para Ringo (Una pistola per Ringo) 1965

Numa cidade fronteiriça o famoso pistoleiro Ringo mata quatro pessoas em auto defesa, mas acaba por ser preso. Enquanto isso, um grupo de mexicanos atravessa a fronteira para assaltar o banco local. O seu líder é ferido na fuga quando tentam escapar, o que leva os bandidos a refugiarem-se numa quinta nas proximidades, fazendo dos seus ocupantes reféns. O xerife está relutante em tomar medidas, porque a sua noiva está entre os reféns. A única pessoa que agora os pode ajudar é Ringo, que é colocado em liberdade com o intuito de se infiltrar entre os reféns. 
O primeiro de dois filmes sobre a personagem de Ringo foi um dos westerns italianos de maior sucesso, feitos no rasto de "Por um Punhado de Dólares". Conta uma história semelhante, a de um estranho que intervém num conflito, mas a abordagem de Duccio Tessari é mais superficial que a personagem do homem sem nome de Eastwood. Ringo é um herói barbeado, bem vestido, e muito bem parecido, mas no bom estilo do western spaghetti, ele é letal com a arma. O seu lema é "Deus criou os homens todos iguais, mas o Colt fê-los diferentes". Este filme fez de uma estrela o actor Giuliano Gemma, um antigo duplo, assim como de Fernando Sancho, um dos actores espanhóis mais prolíficos de todos os tempos.  
Foi um filme muito importante para a indústria italiana ao demonstrar que os seus filmes podiam fazer sucesso sem uma estrela ameiricana de importação. Tessari queria Fernando Rey para o papel do aristocrata, mas quando este actor recusou, os co-produtores espanhois avançaram com o nome de Antonio Casas, um ex-jogador de futebol do Atlético Madrid. Não é um filme muito violento, mas a contagem de corpos é bastante elevada, e há pelo menos uma cena muito escandalosa com Sancho a executar peões mexicanos, que inspiraria Corbucci a fazer uma semelhante em Django.
O sucesso do filme levaria a uma sequela, "O Regresso de Ringo", feito pelo mesmo realizador, com praticamente os mesmos actores e filmado nos mesmos locais, mas com uma história bem diferente.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sabata (Ehi Amico... c'è Sabata. Hai Chiuso!) 1969

O banco de Daugherty é assaltado na mesma noite em que Sabata (Lee Van Cleef) chega à cidade. Ao seguir os ladrões consegue matá-los e recuperar o dinheiro. Mas Sabata não fica satisfeito e com uma investigação mais profunda descobre que os três poderosos de Daugherty, o Coronel Stengel (Ressel), o Juiz O’Hara (Rizzo) e o banqueiro Fergusson (Antonio Gradoli) estão por trás do roubo. Com a ajuda de dois vagabundos da cidade, Carrincha (Sanchez) e Alley Cat (Nick Jordan) começa a chantagear os vilões. Mas tudo se complica com a intromissão de Banjo (Berger).
Uma das personagens preferidas do spaghetti western, que tem a sua estreia neste filme, é Sabata, interpretada também por um dos actores preferidos no género, que contava já com um número considerável de westerns filmados em Itália, Lee Van Cleef. Cleef foi a escolha ideal para um papel com uma certa ironia cómica, que repetiria numa sequela bem sucedida, "O Regresso de Sabata" (com Yul Brynner a ser escalado para um filme intermédio, não oficial). Embora a procura de westerns italianos estivesse a desacelerar entre o final dos anos sessenta, e inicio dos anos setenta, a United Artists conseguiu transformar este filme num sucesso, mantendo a fama de Cleef por mais alguns anos.
O tom gótico e peculiar do filme é estabelecido logo de inicio, numa tentativa de assalto a uma carruagem. O filme está cheio de estranhos toques, como vilões acrobatas, e sidekicks coloridos, e fica uma nota de destaque para o austriaco William Berger, aqui no papel de co-estrela, mas prestes a destacar-se no giallo de Mario Bava, "5 bambole per la Luna D'agosto." Aqui é um pistoleiro ruivo cujas verdadeiras motivações só serão descobertas na cena final do filme. 
Gianfranco Parolini, nome forte do cinema de género, que já tinha realizado anteriormente vários peplum, é o realizador e argumentista.

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sábado, 10 de setembro de 2016

A Morte Vem a Cavalo (Da Uomo a Uomo) 1967

Numa noite chuvosa, um grupo de cinco homens invade uma casa de campo e violam e matam a mãe, e matam o pai, deixando o jovem filho vivo. O jovem (John Phillip Law) cresce cego pela raiva, sedento por vingança num periodo de 15 anos. Também durante estes 15 anos, Ryan (Lee Van Cleef) é libertado da cadeia, também com fome de vingança, pelos homens que o puseram lá. Ryan mata um homem e passa a usar as mesmas esporas que um dos homens que matou os pais do jovem. Quando ele se apercebe persegue Ryan, na esperança de chegar aos outros assassinos dos seus pais, mas pelos vistos ambos querem vingança dos mesmos homens...
A interacção entre os dois personagens principais é maravilhosa. Ambos começam a ter desprezo pelo outro, mas acabam a salvar a vida um ao outro por várias ocasiões. Não são apenas os personagens que são grandes, mas também a realização de Giulio Petroni, que garante ao filme uma óptima atmosfera, com os seus grandes movimentos de câmara.
 Depois do sucesso dos dois primeiros  da trilogia de Leone, o western viria a tomar conta da indústria cinematográfica italiana, e surgiram inúmeros imitadores que levaram à saturação este género. Petroni apenas realizou duas mãos de filmes em toda a sua carreira, e foi um dos melhores neste periodo de ouro do western, realizando três westerns muito relevantes. Para além deste, destacavam-se "Tepepa" e "E per Tetto un Cielo di Stelle". "Da Uomo a Uomo" contava com outro trunfo muito importante, o argumento de Luciano Vincenzoni, que co-escreveu também scripts de filmes como "Por Alguns Dólares Mais", "O Bom, o Mau, e o Vilão", "Il Mercenario" e "Giù la Testa", o último western de Leone.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cara a Cara (Faccia a Faccia) 1967

Depois do grande sucesso comercial de "The Big Gundown", o primeiro western de Sollima, o mesmo voltou ao género logo de seguida, voltando a reunir-se com Tomas Milian, para "Faccia a Faccia". Ao lado de Tomas Milian, como o fora-da-lei Solomon Beauregard Bennet, encontrávamos outra grande estrela do género, que vinha dos filmes de Leone, Gian Maria Volonté como Brad Fletcher, um professor a morrer de uma doença nos pulmões.
O filme começa com o rapto de Fletcher por Beauregard, que originalmente leva Fletcher como refém, mas os dois começam a formar uma amizade depois de o raptado ajudar o raptor, acabando também por se tornar num fora-da-lei. Beauregard ensina-o a disparar uma arma, introduzindo-o a um mundo violento do qual ele não estava familiarizado, assim como também o introduz ao seu bando. 
A progressão da narrativa é dominada por estas duas personagens, nas mudanças dos seus comportamentos e atitudes. Enquanto ocorrem eventos importantes dentro da história, assaltos a bancos, e planos para capturar esta dupla pelos agentes policiais, é a relação entre os dois, e o seu gradual desenvolvimento que faz deste filme uma obra tão fascinante. Há um interruptor fundamental no comportamento dos dois personagens. Fletcher começa o filme como um intelectual, incapaz de disparar uma arma, muito distante do mundo fora da lei de Beauregard, que começa o filme do lado oposto. Os dois personagens vão inverter os papéis, mas não é uma simples mudança directa, porque Beauregard começa a perceber que existe muito mais vida para além daquela que ele conhece, enquanto Fletcher se vai tornando em algo ainda mais desprezível e destrutivo do que o seu mentor. 
Com uma banda sonora de Sérgio Morricone, e um argumento de Sergio Donati, que escreveu todos os westerns de Sollima, além de "Aconteceu no Oeste", "Faccia a Faccia" é um dos mais importantes spaghettis de todos os tempos. 

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Grande Pistoleiro (La Resa dei Conti) 1966

Jonathan Corbett (Lee Van Cleef) é um famoso caçador de recompensas que costuma apanhar sempre o seu homem. Numa festa é alarmado por um grupo de jovens que diz ter visto um mexicano violar e matar uma jovem de 12 anos de idade. Corbett resolve ajudar, e parte em busca daquele assassino. Depressa descobre que o mexicano parece ser Cuchillo Sanchez (Tomas Milian), e dirige-se para a fronteira mexicana. Corbett pretende apanhá-lo e trazer à justiça, mas será que ele é realmente o culpado?
Dirigido com grande estilo e perspicácia por Sergio Sollima, "The Big Gundown" tirou vantagem do novo status de estrela de Lee Van Cleef, depois do sucesso de "Por Alguns Dólares Mais", e do grande argumento de Sergio Donati (a partir de uma história de Franco Solinas), que conseguiu filtrar a natural tendência esquerdista de Sollima do ponto de vista educativo, anulando as criticas sobre ganância, supressão e corrupção, embora a sua posição política seja bem visível ainda hoje em dia, tornado o filme mais acessível que os seus homólogos de Hollywood.
Tendo sido feito antes de "O Bom, o Mau, e o Vilão" (também de 1966), este filme está cheio não só de reviravoltas dramáticas, mas também de um orçamento elevado, que faz dele um filme tão sofisticado como os melhores westerns de Hollywood. Estava também muito à frente da maioria dos westerns spaghetti que o seguiriam, onde cineastas reciclavam o reusavam cenários construidos de raíz por Leone e Sollima, respectivamente.
Sendo este o primeiro western de Sollima, foi um sucesso em Itália tornando Milian numa estrela de primeira grandeza e provando que Van Cleef podia brilhar fora dos filmes de Leone. foi lançado nos Estados Unidos dois anos depois, conseguindo um resultado nas bilheteira acima dos dois milhões de dólares, e obtendo criticas bastante favoráveis em publicações como o New York Times.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Django Mata (Se sei Vivo Spara) 1967

Um bandido mexicano e o seu grupo são traídos e executados por um gang de ladrões americanos, que ajudaram a assaltar uma carruagem de transporte de ouro. Depois da poeira assentar, o bandido mexicano simplesmente conhecido como "The Stranger" consegue escapar com vida, e persegue os americanos que mataram os seus amigos.
Um spaghetti muito pouco convencional e bizarro, que tem muito pouco a ver com o "Django" (1966), de Sergio Corbucci, apesar do título internacional ser "Django Kills...If you Live, Shoot!", que levou o filme a ser promovido na américa como fazendo parte da série. Este acaba por ser um filme completamente sozinho, apesar de partilhar com o de Corbucci uma grande quantidade de cinismo e uma visão amarga do mundo que era pouco comum, mesmo nos westerns italianos. Esta espécie de desolação explorada em "Se Sei Vivo Spara", viria a tornar-se um esteio para todos os westerns da década de 70 (ver, por exemplo, "High Plains Drifter"), mas para 1967 era incrivelmente ousado e audacioso, e poucos filmes do género conseguiram alcançar uma atmosfera tão alienada. Giulio Questi, o realizador e argumentista do filme, não estava satisfeito com o nome que ele levou (e ainda menos com os diversos cortes que o filme sofreu nas mãos de diversos censores), preferindo apenas " If You Live…Shoot! ", que era uma representação muito mais precisa dos eventos do filme. Se bem quem, sem o prefixo "Django", o mais certo era ele desaparecer na obscuridade, no meio de tantos western spaghettis.
Superficialmente pode parecer um tradicional western de vingança, mas logo avança para uma mistura de terror gótico e filme de arte. Tomas Milian interpreta o arquétipo "stranger",  ou o "homem sem nome", traído e deixado para morrer pelo vilão de serviço. Trazido de volta para a vida por dois misteriosos índios que lhe dão um saco de balas de ouro de presente, ele vai partir para a vingança, acabando numa bizarra cidade, conhecida como “The Unhappy Place”. É aqui que o tom do filme muda drasticamente, quando Milian percebe que a cidade e os seus habitantes são loucos desviados sexualmente, com um desejo de violência sadomasoquista. 
Injustamente esquecido durante muitos anos, tomado como um rip-off de "Django", "Se Sei Vivo Spara" tem tanto em comum com o filmes de Luis Buñuel como com os de Leone. um dos spaghettis mais alternativos, sem qualquer dúvida.

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domingo, 4 de setembro de 2016

O Mercenário (Quién sabe?) 1966

Gringo Bill Tate (Lou Castel) viaja de comboio para Durango, no México da década de 1910, uma época de revolução de bandos de bandoleros errantes. Depois do comboio ser emboscado pelo gang de El Chucho (Gian Maria Volonté), Tate tira o melhor partido da situação, e depois de ser baptizado por El Niño, junta-se aos bandidos que estão a colecionar armas para o revolucionário General Elias. Mas na realidade, Gringo tem um plano secreto, que já está a ser posto em prática...
Muito violento para a sua época, é um filme cheio de acção e com um grande sentido de humor, fortemente politizado. O argumento é escrito pelo criador do argumento de "A Batalha de Argel", de Gillo Pontecorvo,  Franco Solinas, (que também escreveu o argumento de outros filmes politizados, como "Salvatore Giuliano", "Tepepa", "Queimada", "La Resa Dei Conti", "État de Siège", ou "Le Soldatese", que vimos recentemente no ciclo de Zurlini), e é um filme solidário com os revolucionários de esquerda. A sequência final não faz mistério sobre a tendência política deste filme de Damiano Damiani, mas, no entanto as coisas não são tão simples assim, os bandoleros também participam em invasões de casas particulares, que expôe o lado obscuro do movimento para a redistribuição de terras mostrando a ganância que não é menor do que a dos ricos proprietários das terras. 
.Este filme é muitas vezes interpretado como uma alegoria sobre o envolvimento dos Estados Unidos nas políticas sul americanas. Em 1966 não havia qualquer evidência de actividades ilegais da CIA, mas havia muitos rumores, e na altura que o filme foi lançado era difícil não interpretá-lo doutra forma, a não ser do envolvimento externo dos americanos. Tal como a maioria dos argumentistas "comprometidos" dos anos sessenta, Solinas era marxista. Era um teórico bem versado em teorias marxistas, e isso reflecte-se inevitavelmente nas suas narrativas e caracterizações. Este filme acabaria por dar inicio a um novo sub-género dentro do "spaghetti", chamado Zapata. Não teria muitos seguidores na tela, mas os poucos que teve seriam de inegável importância. 
Nota: não confundir o título em português com o filme de Sérgio Corbucci com o mesmo nome. Também ele um western Zapata, e que em Portugal ficou com o título de "Pistoleiro Profissional".

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sábado, 3 de setembro de 2016

A Primeira Divisão dos Spaghetti Westerns

Não sei se vocês se lembram, mas o último ciclo do My One Thousand Movies foi sobre os spaghetti westerns, um ciclo que pretendia ser uma chave para quem quisesse descobrir o género. Infelizmente o blog foi apagado a meio do ciclo e toda a base de dados se perdeu. Mais tarde, já neste M2TM esse ciclo foi dividido em dois outros ciclos: Os Spaghetti de Sergio Corbucci, e um ciclo maior de westerns mais desconhecidos, que se chamou de "Os Outros Spaghettis". Com isto tudo, ficaram de fora uma importante série destes filmes, que incluía os de Sergio Sollima, "Keoma", "Sabata", entre outros.
No universo do género só existem um nome incontornável, o de Sérgio Leone. Tudo o que vem depois de Leone, é mais ou menos obscuro, mas inclui muitos filmes de inegável qualidade. Já tínhamos visto por aqui os de Corbucci, e agora vamos ver todos os outros spaghettis de primeira linha.
Preparem-se, porque vai haver muitos tiros nas próximas duas semanas.