Mostrar mensagens com a etiqueta Terror Europeu Anos 60. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Terror Europeu Anos 60. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 10 de maio de 2013
A Hora do Lobo (Vargtimmen) 1968
Cheio de fantasmas e de shock-cuts, A Hora do Lobo (1968) é o mais próximo que Bergman alguma vez esteve de fazer um filme de terror.. Max Von Sydow interpreta um artista solitário que se refugia com a sua esposa (Liv Ullmann) numa uma ilha remota para trabalhar. "Vizinhos" abrasivos e assustadores começam a incomodá-lo, mas todos eles são apenas fantasmas - fantasmas da sua mente. Infelizmente, a esposa do artista começa a vê-los também. Algumas das imagens, como a de um menino a olhar para Von Sydow quando ele está a pescar, irá assombrá-lo muito tempo depois. O filme é contado a partir do ponto de vista de Ullmann, depois do artista estar morto. Ela fala diretamente para a câmera, com barulhos da equipa de filmagem a poderem ser ouvidos durante os créditos de abertura, lembrando-nos desde o início que tudo isto é só um filme.
Um primo mais escuro de "Persona", "A Hora do Lobo" mantém uma estrutura mais familiar - sequências estranhas contadas em flashback pela viúva do artista -, mas afastam-se das confissões emocionalmente vulneráveis da viúva, como a mentira, o segredo, do pintor a morrer emocionalmente, que perde a capacidade de discernir a realidade, mas é suficientemente cognitivo das suas ações para a observação clínica dos efeitos sobre a sua leal esposa.
Com as recordações de Ullman, um final chocante, e uma fotografia num preto e branco requintado, há uma semelhança especial com o chocante clássico de 1961, de Jack Clayton, "Os Inocentes." Como o pesadelo do funeral em "Morangos Silvestres", e a banda-sonora de Lars Johan Werle faz lembrar o vale de lama surreal de Alejandro Jodorowsky em "Fando e Lis" (em termos de sonoridade e texturas físicas há uma semelhança indireta).
Link
Imdb
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Viy (Viy) 1967
Viy narra a história de um jovem do clero num curto período de licença de férias do seminário. Junto com dois amigos, Khoma encontra abrigo numa quinta, onde mora uma velha. Naquela noite, a velha mulher que afinal era uma bruxa, leva Khoma para um passeio na sua vassoura. Khoma, de modo nenhum satisfeito com a bruxa, espanca-a e foge. Enquanto bate na velha bruxa esta transforma-se numa bela jovem. Depois de regressar ao seminário, Khoma é convocado para recitar as últimas orações a uma jovem mulher que o chamou especificamente a ele, antes de dar o seu último suspiro. Sim, adivinharam, a mesma jovem da noite anterior. Durante três noites Khoma está trancado num quarto com a jovem, e enquanto ele reza, coisas estranhas começam a acontecer. A cada noite, as coisas ficam cada vez piores, até que, finalmente, Viy é convocado.
Viy é uma história que foi escrita no século XVIII por Nikolay Gogol, e o conto é atemporal. É um conto de fadas, de pesadelo, e esta versão do filme é uma exploração de todo o ambiente inerte à sua história. O russo Alexander Ptushko é conhecido pelos seus efeitos especiais, que têm um charme adequadamente low-tech neste conto popular. As imagens parecem ilustrações de livros infantis de animação, e enquanto elas não são aqui particularmente inovadoras como cinema, funcionam muito bem. Ptushko compartilha os créditos do argumento com Konstantin Ershov e Giorgi Kropachyov, que também são os realizadores.
Ao contrário de Mario Bava, que, basicamente, usou o gancho em "Viy" no seu clássico trabalho gótico Black Sunday / La Maschera del demonio (1960), ao conto de Nikolai Gogol foi dada uma adaptação mais fiel nesta produção russa , com os realizadores praticamente a aderirem à história original e às suas personagens, com resultados muito diferentes.
Este foi o primeiro filme de terror russo feito até hoje, uma obra totalmente perdida no tempo, que merece ser recordada.
Link
Imdb
Frankenstein's Bloody Terror (La Marca del Hombre-lobo) 1968
Procurando um tesouro numa certa noite, um casal cigano bêbado profana a cripta da família do castelo Wolfstein, em ruínas. Um cadáver que deveria estar completamente deteriorado, mas não está - o do notável Imre Wolfstein, a quem diz a lenda ter sido amaldiçoado - é encontrado com um crucifixo de prata valioso enterrado no seu peito. A arma é removida, e antes que consigamos dizer "Lycanthrope!" o homem morto ganha vida transformado num lobisomem e mata os ciganos, partindo depois para o campo.
Waldemar Daninsky (Paul Naschy) sabe alguma coisa sobre a história da família Wolfstein e as lendas obscuras que a rodeiam. Depois de ouvir falar de um ataque fatal sobre a população local, vai para a cripta Wolfstein, descobrindo os corpos dos ciganos e a arma santa que foi tolamente removida. Quando os homens da área organizam uma caça ao lobo para matar a fera, Daninsky traz o crucifixo-punhal com ele, além da sua espingarda. Mas só então percebem que o predador que eles procuram não é um lobo comum.
Em primeiro lugar, devem querer saber onde diabos o nome de Frankenstein se encaixa em tudo isto? A resposta é: em lado nenhum. Originalmente chamado La Marca Del Hombre Lobo ("Mark of the Wolf Man"), o título do filme foi mudado para "Frankenstein´s Bloddy Terror" pela The Independent Internacional de Sam Sherman para ser distribuido nos EUA - apenas porque Sherman já tinha prometido aos distribuidores um filme de Frankenstein, e de repente se viu incapaz de o entregar.
Frankenstein´s Bloddy Terror é um marco no cinema espanhol. Não só ajudou a iniciar a resurgente fase do horror gótico em Espanha, mas também lançou a carreira de um dos actores e cineastas mais prolíficos de Espanha: Jacinto Molina (Aka"Paul Naschy"). Molina interpreta o machista Conde Waldemar Daninsky num papel que iria voltar por onze vezes nos anos seguintes. Um grande fã dos filmes de monstros da Universal, Molina incorpora muitos elementos de enredos familiares e dispositivos estilísticos utilizados em filmes como The Wolf Man para moldar o seu próprio clássico gótico. Traz uma energia bruta e uma fúria bestial ao papel que fez dele um ícone internacional do cinema de terror. Considerando o orçamento minúsculo, Molina e o realizador Enrique López Eguiluz conseguem incluir uma série de surpreendentes cenários, assim como um clima terrível que assombra os corredores malditos do Castelo Wolfstein.
Legendado em Inglês.
Link
Imdb
Drácula, O Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness) 1966
A Hammer Films deu seguimento ao seu muito bem sucedido "Horror of Dracula" (1958) com "Brides of Dracula", em 1960. Embora Peter Cushing tenha aparecido novamente como o caçador de vampiros Professor Van Helsing no último filme (cujo vilão era o "Barão Meinster", não Dracula), Christopher Lee não regressaria como o morto-vivo da Transilvânia até este "Dracula - Prince of Darkness", em 1966. Descontente com o diálogo dado ao rei vampiro no argumento de John Sansom, Lee interpretava o papel - além dos rosnares habituais - completamente em silêncio.
Dez anos depois de Dracula ser espetacularmente morto por Van Helsing durante o clímax do filme de 58 (que é mostrado aqui como uma sequência pré-título), dois casais Ingleses estão de férias nos Cárpatos: os irmãos Kent, Alan (Charles Tingwell) e Charles (Francis Matthews), juntamente com as suas esposas Helen (Barbara Shelley) e Diana (Suzan Farmer). Numa pousada encontram o Padre Sandor (Andrew Keir), um corpulento abade. Ele aconselha-os a não desprezar algumas das superstições locais, incisivamente alertando-os para ficarem longe de um castelo nas proximidades. O conselho do monge só contribui para a sensação de mal-estar que tomou conta de Helen desde que chegou à região.
Naturalmente, este quarteto acaba por ir parar ao castelo que foram avisados . Abandonados pelo cocheiro supersticioso, são surpreendidos quando um coche sem condutor aparece na estrada - uma dádiva de Deus. Embarcam neste novo transporte mas rapidamente descobrem que os cavalos não irão responder ao seu controle. E rapidamente os cavalos levam-nos directamente para o pátio do castelo aparentemente deserto. A partír daqui este quarteto vai passar uma noite de horrores...
Christopher Lee, como um Drácula silencioso, usa a sua altura, fisicalidade escura para um grande efeito no filme, continuando a sua história do Conde Drácula de um modo realista, e cruel, composto ainda por selvagens explosões de violência. Esta é uma produção de primeira linha, muito bem interpretada por todo o elenco - Barbara Shelley é o verdadeiro destaque - e enquanto se pode lamentar a ausência de Peter Cushing (que trouxe tal dinamismo a "Brides of Dracula"), mas o substituto do professor Van Helsing, o padre Sandor, é um personagem memorável, imposto por Keir. O filme é habilmente dirigido por Terence Fisher, o homem por trás de muitos dos melhores e mais amados filmes do estúdio, um mestre da atmosfera gótica e um realizador muito hábil em obter o máximo de quilometragem de um orçamento limitado.
Link
Imdb
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Repulsa (Repulsion) 1965
Na história do cinema de terror, "Repulsa" é um marco, um filme que ajudou a restabelecer o poder primordial do género e as suas complexidades temáticas e emocionais. Depois de na década de 50 o terror ter-se tornado numa espécie de piada via os "teen-cheapie drive-in movies" como as comédias de Abbott e Costello, a década de 60 foi uma década de reinvenção, começando por "Psycho" e terminando em "A Noite dos Mortos Vivos" (1968), de George A. Romero, explorações psicologicamente densas, visualmente inventivas, e tematicamente ricas do que nos assusta mais, que sempre corresponde a uma queda drástica do que oque consideramos "normal".
"Repulsa" é, em muitos aspectos, o mais complexo e exigente dos filmes de terror desta década, principalmente na forma como nega qualquer tipo de explicação para o que acontece durante os tensos 105 minutos. Em vez disso, Polanski e o seu antigo co-argumentista Gerard Brach deixa-nos no início de um colapso psicológico, que depois seguem inexoravelmente, recusando-se a permitir ao público um momento de tréguas a partir da perspectiva da heroína mentalmente em ruínas, uma franco-belga que mora em Londres chamada Carole Ledoux. Carole é interpretada por Catherine Deneuve, que na altura era uma estrela em ascensão na sua França natal, mas era geralmente desconhecida no cinema em lingua inglesa, o que lhe dava um tipo de beleza anónima que fazia o eventual colapso ser ainda mais chocante e desconcertante . Carole, que é quase patologicamente tímida e reservada (para não dizer sexualmente reprimida), vive num apartamento com a irmã mais velha Hélène (Yvonne Furneaux), uma morena sensual e extrovertida, que está envolvida num caso com um homem casado (Ian Hendry) . Quando ela e o namorado vão de férias para Itália durante uma semana, Carole é deixada sozinha, e o seu estado mental começa a deteriorar-se rapidamente, o que Polanski retrata com uma intensidade fascinante, levando-nos profundamente dentro da sua experiência de alucinações, paranoia e medo.
Fotografado num preto e branco austero por Gilbert Taylor, um veterano da indústria que recentemente tinha feito a fotografia de Dr. Strangelove (1964) e A Hard Day's Night (1964) e iria fazer a de Frenzy de Hitchcock (1972), bem como a de Star Wars (1977), "Repulsion" é antes de mais um filme intensamente experimental, trazendo fisicalidade literal de fissuras mentais e emocionais. Polanski atrai-nos com uma cascata crescente de sons e imagens, começando com pequenos ruídos estranhos e a aparência ímpar de rachas nas paredes. Conforme o tempo avança, marcado tanto pelo crescimento como pela decadência, as rachas começam a ficar maiores, e os sons estranhos a transformarem-se numa cacofonia de sons que gritam como uma voz distorcida. Quando estranhos tentam entrar no apartamento, incluindo um senhorio lascivo (Patrick Wymark) e um rapaz (John Fraser), que teve uma tentativa frustrada de sair com Carole, a sua paranoia torna-se homicida.
No entanto, ao longo do filme Polanski recusa-se a transformar Carole num simples monstro, razão pela qual Repulsa é como um filme de terror progressivo, que corta as simples e reconfortantes categorias do bem e do mal. O filme é assustador precisamente porque somos atirados directamente ao mindscape de Carole, e vemos praticamente tudo através dos seus olhos. Assim, os temores de Carole são os nossos medos, nós saltar como ela faz quando as rachas, cada vez mais maciças, de repente aparecem nas paredes, e sentimos-nos desorientados quando a sala é inexplicavelmente maior do que era, e sentimos os horrores da asfixia quando ela é atacada na sua cama. Polanski tinha apenas 32 na altura em que ele fez Repulsa.
Link
Imdb
terça-feira, 7 de maio de 2013
O Manuscrito de Saragoça (Rekopis Znaleziony w Saragossie) 1965
A reputação deste filme polaco, épico surrealista, precede-o e Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Jerry Garcia (dos Grateful Dead), Luis Buñuel e David Lynch são todos fãs, e o filme é muito interessante com estudo de um fluxo narrativo. Começa durante as Guerras Napoleónicas com soldados rivais a descobrirem o manuscrito do título. A "história", de seguida, salta para Alfonso van Worden (Zbigniew Cybulski), que aparentemente casa-se com duas princesas que só pode ver em sonhos. Seguimos Alfonso em viagem por algum tempo, mas ele acaba por se tornar uma personagem secundária com os outros a assumirem mais relevância, a contarem as suas próprias histórias.
Personagens dentro de flashbacks a contarem histórias, que levam a outros flashbacks. A certa altura, há quatro ou cinco flashbacks dentro uns dos outros. É um filme digno de Walter Benjamin ou Jorge Luis Borges, mas é bastante surpreendente de descobrir esta pequena obra.
É fácil de perceber porque Buñuel era fã, o filme apresenta o seu tipo de humor e erotismo. Uma equipa de fãs do filme reuniram-se em 1990 para restaurar a longa-metragem aos seus 182 minutos.
O tempo comporta-se de maneira imprevisível, as noções de realidade e fantasia, e histórias pessoais e nacionais dolorosas são examinadas em dois filmes do realizador polaco Jerzy Wojciech Has, "The Hourglass Sanatorium (1973) e The Saragossa Manuscript (1964). Ambos são baseados em obras da literatura, o último do romance histórico de Jan Potocki, "The Manuscript Found in Saragossa" e o outro elaborado a partir de várias coleções de contos de Bruno Schulz, principalmente "Sanatorium Under the Sign of the Hourglass".
Embora não fosse um filme plenamente de terror, é uma obra que curcula por entre o territário do fantástico.
Link
Imdb
A Máscara da Morte Vermelha (The Masque of the Red Death) 1964
O principe Prospero regularmente organiza grandes bailes de máscaras no seu castelo, com convidados selecionados que têm permissão para lá ficar e manterem-se a salvo da praga chamada "Morte Vermelha", que está a assombrar o país. Prospero é também um satânico para estas festividades, que têm um grande número de abusos, humilhações e actos sexuais sádicos.
Ocasionalmente viaja para fora do castelo para convidar novas pessoas para a sua sociedade demente. Numa pequena aldeia ele depara-se com Gino, que leva para o castelo, com a sua adorável namorada Francesca e o pai Ludovico para sua própria diversão e tentar colocar Gino e Ludovico um contra o outro numa luta pela sobrevivência. No entanto, a morte rasteja por todo o lado, e os planos de Próspero podem não resultar tão bem como ele planeava...
"The Masque of the Red Death! é baseado em duas histórias de Edgar Allan Poe, a primeira tem o mesmo título do filme, e a segundo chama-se Hop-Frog. É a sétima de oito adaptações de Poe por Roger Corman, e é muitas vezes considerarado um dos melhores filmes do realizador.
Roger Corman rodeou-se de pessoas talentosas para esta produção, incluindo Nicolas Roeg (Don't Look Now, The Witches), que foi contratado como diretor de fotografia. Juntos, criaram um filme bonito e elegante, cheia de cores como uma história aos quadradinhos. Fizeram um excelente trabalho na criação de um clima festivo dentro do castelo, enquanto mostram o medo e a escuridão fora dele. A história com cores desempenha um papel muito importante, tanto no humor como também na própria história.
A premissa é muito bem definina para arrancar um bom desempenho para Vincent Price, como o príncipe Prospero. Prospero é um homem rico e poderoso, arrogante, sem respeito pela vida de ninguém. É tão sinistro neste papel que até parece que se está a divertir.
The Masque of the Red Death exibe todo o talento que Roger Corman realmente tinha. Muito foi feito com um orçamento pequeno, e foi uma co-produção entre os Estados Unidos e a Grâ-Bertanha.
Link
Imdb
Blood and Black Lace (Sei Donne Per l'Assassino) 1964
"Blood and Black Lace", de Mario Bava é um dos primeiros exemplos do sub-género italiano conhecido como "giallo", bem como um dos primeiros filmes slashers. Tem lugar numa boutique da moda, propriedade de Cristina (Eva Bartok) e Max (Cameron Mitchell), esta fachada de grande glamour cobre uma série de pecados, incluindo drogas, traições e abortos. Alguém começa a assassinar as modelos femininas, uma por uma, enquanto que toda a gente tenta colocar as mãos num diário secreto, todos podem ser culpados, e por isso não é fácil de encontrar o assassino.
Bava nunca foi conhecido pela força das suas histórias - o que pode ser a única razão pela qual ele não é mais reconhecido e apreciado hoje - mas Blood and Black Lace é realmente uma das suas narrativas mais fortes, uma história de mistério obscura, com uma vingança memorável.
É uma das obras mais bem-sucedidas de Bava, executada com um uso deslumbrante, sem precedentes de cores brilhantes e sombras profundas (por vezes, ambas ao mesmo tempo). O assassino usa uma muito assustadora máscara sem rosto, parecida com os manequins, que estão constantemente em exposição, o que dá a toda a produção uma qualidade estranha, que só é quebrada quando os personagens são assassinados.
A violência é surpreendentemente brutal para o seu tempo, e ainda tem o poder de choque, especialmente tendo em conta a beleza estóica do resto do filme. Herschell Gordon Lewis tinha feito o infâme "Blood Feast" no ano anterior, mas a sua explosão de sangue não tem o mesmo poder que este trabalho mais pictórico. Bava estava muito à frente no tempo, e voltaria a visitar este género sete anos depois com "Bay of Blood", mais um marco no género.
Link
Imdb
domingo, 5 de maio de 2013
Dança Macabra (Danza Macabra) 1964
"Castle of Blood" de Antonio Margheriti tem sido aclamado por muitos como um ponto alto no cinema de terror italiano a preto e branco. Familiarizado apenas com os filmes de acção de Margheriti a partir dos anos 70 e 80 (como Cannibal Apocalypse), é uma obra dificil de ser vista. Positivamente pinganda com uma atmosfera gótica, o filme é um passeio à luz de velas através de um mundo fantasma de corredores profundamente sombreados e húmidos, criptas cheias de mofo.
Em 1840, o jornalista de Londres Alan Foster segue a visita de Edgar Allan Poe, ansioso por entrevistar o famoso autor americano. Foster localiza-o num pub, onde Poe (Silvano Tranquili) conta uma história macabra ao seu companheiro, o rico aristocrata Sir Thomas Blackwood (Umberto Raho). O jornalista apresenta-se, e logo se envolve num cavalheiresco debate sobre questões da metafísica. Poe afirma que os seus contos são baseados em casos da vida real. Foster educadamente goza. Eventualmente Blackwood faz uma proposta surpreendente ... Para testar as convicções do repórter, ele desafia-o para passar a noite num castelo assombrado que possui. Ele afirma que, numa certa noite, em cada ano, os espíritos daqueles que morreram lá vivem novamente. Esta assombração anual irá ter lugar naquela mesma noite. Blackwood adoça a oferta com uma aposta. Foster aceita a aposta de 10 €, mais para obter uma longa entrevista com Poe durante a viagem do que desmascarar qualquer noção do sobrenatural.
Deixado no castelo alguns momento antes da Witching Hour, Foster explora o castelo poeirento, deserto à luz de velas, lenta mas inexoravelmente, cada vez mais nervoso. Do nada assusta-se com a aparência de uma bela mulher - Elisabeth Blackwood (Barbara Steele), uma parente de Sir Thomas, que afirma morar naquela casa. Foster fica imediatamente em transe. Em muito menos tempo do que leva a descer um dos corredores do castelo, o casal fica apaixonado. Isso não se coaduna com alguns dos outros habitantes com quem Foster terá encontros futuros, incluindo uma loira gelada (Margarete Robsahm) com a sua própria fixação ímpar sobre Elisabeth e um brutamontes propenso a actos de violência com ciúmes. O jornalista fica intrigado para descobrir o que se passa no castelo...
Muito forte em termos de ambiente, o filme começa com uma atmosfera de horror gótico tão boa, na verdade, que prontamente compensa a fina e inconsistente história de fantasmas em torno do qual o filme é estruturado. O design de produção e a direcção de Margheriti complementam-se muito bem. Mas o ritmo é extremamente lento, há uma série de sequências muito longas com os personagens simplesmente vagando pelo castelo. As coisas crescem consideravelmente nos últimos 15 minutos, como o conto a seguir o seu caminho em direcção a uma conclusão adequadamente assustadora.
O argumento é de Sérgio Corbucci, e consta que este também deu uma ajuda na realização. Andei a investigar mas não descobri até que ponto isto aconteceu.
Link
Imdb
Black Sabbath (I Tre Volti Della Paura) 1963
A antologia gótica de horror de Mario Bava consiste em três contos de terror diferentes, cada um com o seu próprio tom e estilo únicos, mas todos contêm aquele inimitável toque de Bava. Cada um dos filmes desdobra-se como um exercício de estilo e atmosfera, reforçada por histórias intrigantes que cuidadosamente se desdobram para revelar uma picada mortal no conto.
Como um todo, Black Sabbath é mais do que satisfatório. O que torna tudo ainda mais atraente é a introdução do filme pelo próprio Boris Karloff, com um discurso lírico sobre a mecânica do medo. Cada segmento é introduzido por um pequeno cartão-título que contém a sua própria quota de indução ao medo, todos belamente capturados pela câmera de Bava.
O primeiro é o giallo-esque "Telephone", um desconfortável conto de obsessão, paixão e vingança. Rosy (Michèle Mercier) regressa a casa para o seu luxuoso apartamento, para receber chamadas sinistras que parecem ser de um gangster maníaco que ela ajudou a prender. O gangster parece ver Rosy em cada movimento dentro do seu domicílio, deleitando-se com os seus movimentos cada vez mais em pânico. Rosy eventualmente chama a sua confidente e ex-namorada Mary (Lydia Alfonsi) e pede-lhe para vir e ficar a noite. Bava faz um excelente uso do local que fornece o pano de fundo para esta história. Logo assume uma atmosfera mais ameaçadora como com o decorrer da noite e Rosy torna-se uma prisioneira na sua própria casa. Aparentemente, a subtrama lésbica foi completamente retirada no corte da versão americana.
De seguida temos Wurdalak, um conto assustador envolvendo vampirismo, uma família condenada e o recente regresso do seu patriarca dos mortos-vivos - interpretado com uma alegria diabólica por Boris Karloff. Wurdalak é uma criatura vampírica específica para a Europa Oriental, onde o conto é definido. Ele ataca aqueles que mais gosta - a família, amigos e amantes - transformando-os em outros sugadores de sangue que vagueiam pelas horas crepusculares.
Vladimire d'Urfe (Mark Damon) busca refúgio numa quinta isolada depois de descobrir um corpo decapitado com uma espada nas suas costas. É recebido com cautela pela família que espera ansiosamente o regresso do pai, que se aventurou para fora para rastrear um Wurdalak. Á família foram dadas instruções estritas para negar a entrada ao pai se ele voltar depois da meia-noite. Logo depois da meia-noite a paisagem começa a sufocar sob uma névoa esvoaçante, Papa Gorca regressa e quando insiste em ser permitido entrar, logo se põe a matar a sua própria família transformando-os em sanguinárias criaturas da noite.
Wurdalak é uma peça altamente atmosférica e maravilhosamente iluminada, também bem sucedida na sua utilização de locais limitados. Como nos outros dois contos de Black Sabbath, o lugar onde os personagens são mais ameaçados é no santuário da sua própria casa. A quinta da família aqui é inicialmente acolhedora e convidativa e aparece como um farol de esperança e luz na escuridão que o rodeia. Mas, não por muito tempo. Logo se assume como um ambiente estranho e ameaçador.
Por último, mas não menos importante, temos "The Drop of Water" - uma história extremamente inquietante de uma enfermeira que rouba um anel a partir do leito de morte de um medium, para sofrer as consequências horripilantes na privacidade da sua própria casa. Quando ela é chamada já tarde na noite e lhe pedem para preparar o corpo recém-falecido de uma medium local, Helen (Jacqueline Pierreux) deixa o conforto relativo por uma noite, para embarcar numa jornada. Chegando a casa da mulher morta, é deixada entrar por uma empregada que a leva através dos doces coloridos corredores espalhados pela casa. Estamos tão chocados como Helen quando vemos o morbido sorriso da morta apoiado num dos seus travesseiros. Helen repara num anel ornamentado e acha que ninguém vai reparar, tirando-o dos dedos da morta. Voltando para casa, Helen é atormentada pelos sons de uma torneira a pingar e a memória do sorriso assustador da mulher morta. Eventualmente, com nervos em frangalhos, Helen percebe, tarde demais, que roubar os mortos não é coisa boa para se fazer.
O clima predominantemente assustador deste capítulo final é bastante opressivo. O apartamento compacto de Helen, muito parecido com o de Rosy em "Telephone", e a casa da família condenado em "Wurdalak", logo assume uma atmosfera estranha, como a pobre mulher a ser atormentada pelo som de gotas de água e uma mosca a zumbir. O uso de Bava de luz e sombra é fascinante e certamente está entre os melhores nos seus pesadelos góticos. O final desagradável sugere muito fortemente que um destino semelhante irá acontecer à vizinha intrometida, que encontrou o corpo de Helen e tirou o anel para si mesma ...
Link
Imdb
sábado, 4 de maio de 2013
Burn, Witch, Burn! (Night of the Eagle) 1962
Peter Wyngarde interpreta Norman Taylor, professor de psicologia, que desacredita em qualquer coisa sobrenatural sobre a religião ou a feitiçaria, e que é um absurdo que as pessoas acreditam em tudo o que diga respeito a isto. Até que descobre que a sua esposa é ela mesmo uma bruxa. Ao longo do filme ele vai encontrar várias formas de bruxaria, enquanto a sua "fé" é testada.
A contribuição da produtora/distribuidora Anglo-Amalgamated para a história do terror britânico foi muitas vezes negligenciada a favor de Hammer, Amicus, ou da Tigon. Apesar de não se ter especializada no género terror, provaram ser mais ousados do que os seus contemporâneos quando fizeram distribuir tal material. David Pirie é conhecido pela "Sadean Trilogy" compreendendo Horrors of the Black Museum (1959), Circus of Horrors (1960) e Peeping Tom (1960), que foram lançados para um público britânico desavisado pelo distribuidor. Os três filmes eram a cores, preocupados com o voyeurismo e o espectador, e rigorosamente contemporâneos. O último foi uma lição séria e inesperada sobre o poder da crítica, e a partir daqui em diante, a Anglo-Amalgamated começou a bater um caminho mais tranquilo no que dizia respeito ao género.
Os fanáticos do género que ainda não viram este filme de baixo orçamento terão uma verdadeira surpresa. Com base numa premissa narrativa simples, mas inspirada - um jovem professor procurando o sucesso certamente teria mais necessidade de assistência do "dark side" do que ninguém - e possui ecos claros de "Rosemary´s Baby" (Polanski terá sido inspirado aqui?). Na sua descrição, um casal amoroso cujas vidas são quase destruídas pelas suas crenças espirituais divergentes. O realizador Sidney Hayers e o director de fotografia Reginald Wyer dominam todo o filme com uma habilidade extraordinária, evocando o terror em interações aparentemente banais e objetos; chegamos realmente a acreditar que forças obscuras estão a governar este lar infeliz. A meia-hora final traz uma reviravolta inesperada, aquela que de repente lança uma nova luz sobre a narrativa - e a tensão simplesmente nunca cessa.
Link
Imdb
Subscrever:
Mensagens (Atom)