Mostrar mensagens com a etiqueta Gian Maria Volonté. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gian Maria Volonté. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Capitão Brancaleone (L'armata Brancaleon) 1966

Os costumes da cavalaria medieval através da sátira, mostrando um jovem aristocrata chamado Brancaleone (Vittorio Gassman) que, educado no código de cavalaria da ética, deve reivindicar uma alegada herança que consiste num feudo. Por isso, Brancaleone recorre ao apoio de um punhado de bandidos mal armados e muito temerosos, que só procuram fugir das agruras do banditismo sem correr grandes riscos, e a quem o protagonista da fantasia chama seriamente de "meu exército" (chamado armata em italiano). A ingenuidade e a falta de coragem de Brancaleone e seu temido "exército" causam situações irónicas e humorísticas, enquanto o grupo de aventureiros mal equipados busca realizar a sua missão. 
Uma década antes de "Monty Phyton and the Holy Grail" , apareceu um, agora, filme obscuro, mas muito famoso na sua altura, antecipando o humor da famosa troupe de actores ingleses, e estabelecendo um novo sub-género, que poderíamos chamar de "sátira medieval". Um sucesso tão grande que, quatro anos mais tarde, viria a originar uma sequela.
Era um filme difícil de exportar para fora de Itália, porque a parte mais engraçada estava na linguagem usada, uma mistura de vários dialectos italianos com o latim da idade média, e era também mais um episódio da ascenção de Mario Monicelli como o grande poeta da comédia italiana. 

Link
Imdb

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cara a Cara (Faccia a Faccia) 1967

Depois do grande sucesso comercial de "The Big Gundown", o primeiro western de Sollima, o mesmo voltou ao género logo de seguida, voltando a reunir-se com Tomas Milian, para "Faccia a Faccia". Ao lado de Tomas Milian, como o fora-da-lei Solomon Beauregard Bennet, encontrávamos outra grande estrela do género, que vinha dos filmes de Leone, Gian Maria Volonté como Brad Fletcher, um professor a morrer de uma doença nos pulmões.
O filme começa com o rapto de Fletcher por Beauregard, que originalmente leva Fletcher como refém, mas os dois começam a formar uma amizade depois de o raptado ajudar o raptor, acabando também por se tornar num fora-da-lei. Beauregard ensina-o a disparar uma arma, introduzindo-o a um mundo violento do qual ele não estava familiarizado, assim como também o introduz ao seu bando. 
A progressão da narrativa é dominada por estas duas personagens, nas mudanças dos seus comportamentos e atitudes. Enquanto ocorrem eventos importantes dentro da história, assaltos a bancos, e planos para capturar esta dupla pelos agentes policiais, é a relação entre os dois, e o seu gradual desenvolvimento que faz deste filme uma obra tão fascinante. Há um interruptor fundamental no comportamento dos dois personagens. Fletcher começa o filme como um intelectual, incapaz de disparar uma arma, muito distante do mundo fora da lei de Beauregard, que começa o filme do lado oposto. Os dois personagens vão inverter os papéis, mas não é uma simples mudança directa, porque Beauregard começa a perceber que existe muito mais vida para além daquela que ele conhece, enquanto Fletcher se vai tornando em algo ainda mais desprezível e destrutivo do que o seu mentor. 
Com uma banda sonora de Sérgio Morricone, e um argumento de Sergio Donati, que escreveu todos os westerns de Sollima, além de "Aconteceu no Oeste", "Faccia a Faccia" é um dos mais importantes spaghettis de todos os tempos. 

Link
Imdb

domingo, 4 de setembro de 2016

O Mercenário (Quién sabe?) 1966

Gringo Bill Tate (Lou Castel) viaja de comboio para Durango, no México da década de 1910, uma época de revolução de bandos de bandoleros errantes. Depois do comboio ser emboscado pelo gang de El Chucho (Gian Maria Volonté), Tate tira o melhor partido da situação, e depois de ser baptizado por El Niño, junta-se aos bandidos que estão a colecionar armas para o revolucionário General Elias. Mas na realidade, Gringo tem um plano secreto, que já está a ser posto em prática...
Muito violento para a sua época, é um filme cheio de acção e com um grande sentido de humor, fortemente politizado. O argumento é escrito pelo criador do argumento de "A Batalha de Argel", de Gillo Pontecorvo,  Franco Solinas, (que também escreveu o argumento de outros filmes politizados, como "Salvatore Giuliano", "Tepepa", "Queimada", "La Resa Dei Conti", "État de Siège", ou "Le Soldatese", que vimos recentemente no ciclo de Zurlini), e é um filme solidário com os revolucionários de esquerda. A sequência final não faz mistério sobre a tendência política deste filme de Damiano Damiani, mas, no entanto as coisas não são tão simples assim, os bandoleros também participam em invasões de casas particulares, que expôe o lado obscuro do movimento para a redistribuição de terras mostrando a ganância que não é menor do que a dos ricos proprietários das terras. 
.Este filme é muitas vezes interpretado como uma alegoria sobre o envolvimento dos Estados Unidos nas políticas sul americanas. Em 1966 não havia qualquer evidência de actividades ilegais da CIA, mas havia muitos rumores, e na altura que o filme foi lançado era difícil não interpretá-lo doutra forma, a não ser do envolvimento externo dos americanos. Tal como a maioria dos argumentistas "comprometidos" dos anos sessenta, Solinas era marxista. Era um teórico bem versado em teorias marxistas, e isso reflecte-se inevitavelmente nas suas narrativas e caracterizações. Este filme acabaria por dar inicio a um novo sub-género dentro do "spaghetti", chamado Zapata. Não teria muitos seguidores na tela, mas os poucos que teve seriam de inegável importância. 
Nota: não confundir o título em português com o filme de Sérgio Corbucci com o mesmo nome. Também ele um western Zapata, e que em Portugal ficou com o título de "Pistoleiro Profissional".

Link
Imdb

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Rapariga da Mala (La Ragazza con la Valigia) 1961

Aida é uma jovem mulher pobre, atraente, cantora, que é enganada por um rapaz que lhe prometeu um bom contrato mas depois a abandonou. Aida descobre-o em Parma, bate à porta de casa dele e ele manda o irmão, Lorenzo, adolescente de 16 anos, atender a porta e dizer que ele não mora ali, que é engano. Mas Lorenzo apieda-se dela e tenta ajudá-la. Começa aqui uma relação de profunda amizade da parte de Aida e de amor da parte de Lorenzo. Esta relação vai ajudar Lorenzo a crescer e Aida a buscar um rumo para a sua vida. 
Sendo ele de uma família abastada, mas com inclinações de esquerda e querendo-se encaixar na comunidade artística mais boémica dos cineasta italianos, Zurlini conhecia bem as diferenças entre os dois mundos transcritos no filme, o de Aida e o de Lorenzo, e seriam as precisões destas diferenças que fariam deste filme tão grande. Aida tem pouco mais do que as roupas no corpo, lutando para ganhar a vida da única forma como ela pode, como uma "showgirl", vivendo dos favores dos homens e lidando dos contratempos que vai enfrentando ao longo do caminho. Lorenzo vem de uma família rica e privilegiada, mas não está orgulhoso da forma como eles se comportam com os outros menos afortunados, e a sua consciência começa a pesar pelos maus tratos que Aida recebe do seu irmão.
Mais uma vez, como acontece com "Verão Violento", Zurlini mistura uma história de amor e um cenário socialmente consciente, cada um deles com uma quantidade razoável de sentimento pelo outro, mas muito mais subtilmente do que o flash bombástico do filme anterior. Em "A Rapariga da Mala" a caracterização é muito mais contida, mas não menos magistral. A desconfiança de Aida em relação aos homens é mostrada apenas em pequenos detalhes, como a forma como ela tranca a porta e como obriga constantemente Lorenzo a jurar por tudo o que diz. 
Concorrendo para a Palma de Ouro em Cannes, seria o primeiro grande sucesso de Claudia Cardinale, como protagonista, apesar de na altura ela já ter trabalhado com realizadores como Luchino Visconti, Pietro Germi, Luigi Zampa ou Mario Monicelli. 

Link
Imdb

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sob o Signo do Escorpião (Sotto il Segno Dello Scorpione) 1969



Numa época pré-histórica, um grupo de homens chamados “escorpiões” são forçados a deixar sua terra natal, destruída por uma erupção vulcânica. Ao chegar a uma ilha, encontram uma pacífica comunidade de lavradores. Logo descobrem, no entanto, que todos ali vivem sob a ameaça de um vulcão ainda mais potente. Em vez de aceitarem a oferta de uma nova embarcação para seguir viagem, os recém-chegados tentam convencer os moradores da ilha a abandonar aquele local perigoso. Os habitantes jovens concordam em partir, mas os mais velhos desejam permanecer.
No seu quarto filme, os irmãos Taviani recorrem à alegoria, numa reflexão metafórica para representar um conflito entre reformistas e revolucionários, e entre duas gerações. Posicionado entre Brecht e Godard (com ecos óbvios de Pasolini), proporcionando momentos evocativos, o filme resulta bem sobre o ponto de vista estilístico, pouco incisivo sobre a narrativa, e abstracto em relação à ideologia.
Lucia Bosé protagoniza ao lado do grande actor do cinema de género Gian Maria Volonté, nesta altura mais virado para o "western spaghetti".

Link
Imdb

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Juízo Final (Todo Modo) 1976

M. (Gian Maria Volonté) atravessa a cidade de Roma, no meio do caos de uma iminente epidemia, até ao centro espiritual de Zafer, local onde personalidades do mundo político e económico se encontram e onde estão a ocorrer estranhos acontecimentos. Lá, M. chega quebrando todas as regras, ao levar a esposa consigo. Durante um ritual religioso, os anfitriões são roubados, um senador é morto a tiro, um suspeito é encontrado desmaiado na casa de banho. E M. tem de descobrir o que realmente está a acontecer, antes que seja a próxima vítima.
O filme foi considerado uma crítica à corrupção no Partido Democrático Cristão italiano, e um ataque ao poder da igreja católica, e, no entanto, é necessário ser visto ou revisto nos dias de hoje, principalmente porque apresenta um argumento muito forte, interpretações soberbas de Gian Maria Volonté, no papel do presidente (uma figura que evoca o político italiano Aldo Moro, assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978), um homem que parece interessado em fazer toda a gente feliz, mas motivado por uma sede infinita de poder, e Marcello Mastroianni como Don Gaetano, um sacerdote ganancioso com muitos amigos entre os amigos proeminentes, e Mariangela Melato como Giacinta, a mulher do presidente, além da música de Ennio Morricone (Charles Mingus foi originalmente escolhido para a partitura musical).
Alguns consideraram-no enigmático e lento, mas "Todo Modo" fornecia inspirações arquitectónicas muito importantes, e deve ser considerado entre os filmes sobre arquitectura. Seria o penúltimo filme de Elio Petri, um nome importante sobre o cinema político italiano.

Link
Imdb

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Vontade de Um General (Uomini Contro) 1970

Norte da Itália, a Primeira Guerra Mundial atravessa um impasse sangrento. Atolados nas suas trincheiras, é dado um objectivo a uma divisão de infantaria italiana: retomar um alto posto de comando que está nas mãos do inimigo. Infelizmente, a ingenuidade táctica do General Leone, o pouco popular comandante da divisão, consiste em atacar o inimigo com ataques frontais contra poderosas metralhadoras. As tropas estão desmoralizadas, o número de vítimas aumenta, e a indignação espalha-se entre as fileiras. Perturbado pela decisão dos seus superiores, o tenente Sassu é progressivamente levado a questionar-se sobre o propósito da guerra...
Realizado por Francesco Rossi, "Uomino Contro" está provavelmente, para sempre destinado a ser comparado com "Paths of Glory" de Stanley Kubrick, e as similaridades não são apenas superficiais. Em primeiro lugar sublinham a desumanidade pura e absurda do que era lutar nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, através de uma variedade de técnicas formais cuidadosamente afinadas, para chegarem a uma condenação apaixonada, e persuasiva da guerra. Mas o filme de Kubrick nunca atinge os níveis de raiva ostensiva que o de Rosi atinge. A fúria da guerra é visceralmente sentida cena após cena, num movimento pulsante, e numa explosão sonora.
Sendo um filme de Francesco Rossi, tem contornos políticos, e a presença habitual de Gian Maria Volonté num dos principais papéis.

Link
Imdb

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O Caso Mattei (Il Caso Mattei) 1972



Enrico Mattei ajudou a mudar o futuro de Itália, primeiro como combatente da liberdade contra os Nazis, depois como investidor em gás metano, através de uma empresa pública, e, finalmente, como chefe da E.N.I., um organismo do estado formado para o desenvolvimento de recursos petrolíferos. A 27 de Outubro de 1962 ele morreu, quando o seu avião particular caíu, um minuto antes ele devia estar a aterrar no aeroporto de Milão. Oficialmente ele morreu num acidente de avião, mas outros jornalistas exploram outras razões plausíveis para a sua morte.
O mistério da vida e da morte de Mattei, e a investigação que sucedeu à sua morte, é o tema deste thriller político de Francesco Rossi, vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes, a meias com outro filme que já vimos neste ciclo: "A Classe Operária Vai ao Paraíso". Rossi já estava habituado a lidar com personagens controversas, como era o caso de "Salvatore Juliano", e já desde o início dos anos 60 que vinha a produzir obras dentro do cinema político.
O filme é uma inovação híbrida do documentário e de ficção, representado o conceito de Rossi do que é cinema de investigação. A estrutura em flashback mostra influência de filmes como "Citizen Kane", ou Salvatore Giuliano", um filme anterior de Rossi. O realizador mantém-se fiel ás suas raízes neo-realistas com filmagens em exteriores, e actores não profissionais. O filme é intercalado com imagens do realizador tentando encontrar o seu amigo, o jornalista investigador Mauro de Mauro, que desapareceu enquanto fazia pesquisas para o filme. Diz-se que foi morto pela Máfia siciliana, mal tal como o caso de Enrico Mattei, este também nunca foi resolvido.
Um destaque especial para o actor Gian Maria Volonté, protagonista do filme, e que a esta altura já era figura de proa dentro deste cinema político italiano, já que aparecia como protagonista de alguns dos mais importantes filmes desta série. Para além dos que já vimos esta semana, ele também protagonizava "Uomini Contro", de Rossi, "Sbatti il Mostro in Prima Pagina", de Bellocchio, "Lucky Luciano", de Rossi, "Io ho Paura", de Damiano, "Todo Modo", de Petri, entre outros.
 
Link
Imdb

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Classe Operária Vai para o Paraíso (La Classe Operaia va in Paradiso) 1971



Lulù é muito trabalhador. Por causa disso é amado pelos patrões, e odiado por alguns colegas de trabalho. Os sindicatos decidem revoltar-se contra os patrões. Lulù não concorda, até cortar um dedo, por acidente. Agora, depois de confrontado com as condições de trabalho dos empregados, ele concorda com os sindicados e participa numa greve. É despedido imediatamente, e abandonado pela sua amante, e também por outros trabalhadores seus amigos. Só lhe resta o sindicato.

Drama social vencedor da Palma de Ouro em 1972 (ex-áqueo com "O Caso Mattei", que também veremos neste ciclo), que por acaso era a segunda Palma de Ouro para Elio Petri, em apenas três anos. Uma vez mais com a colaboração no argumento de Ugo Pirro, e com Gian Maria Volonté como protagonista. Há poucas dúvidas de que as convicções do realizador-argumentista são comunistas, projetando uma visão cínica do trabalhador, que ao mesmo tempo é fascinante e preocupante.
Petri, em Cannes, chamou ao seu filme de "propaganda para a classe trabalhadora", mas os seus activistas são fracos defensivamente quando confrontados com um Lulù desempregado, e os sindicalistas parecem estar a agir por conta própria.
O conceito do filme pode não ser totalmente original, já que "Coup Pour Coup", um filme francês de 1971, também mostra um caso de injustiça industrial. Mas, "La Classe Operaia va in Paradiso" é uma declaração de propaganda mais forte, e o mais importante, formou um movimento mais rápido e humano, muitas vezes perturbador. O filme tornou-se numa das obras-chave do cinema político.

Link
Imdb

terça-feira, 27 de maio de 2014

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto) 1970



O arrogante inspector da policia de homicídios (Gian Maria Volonté), corta a garganta da sua sexy namorada (Florinda Bolkan), enquanto faz amor, e, propositadamente, vai deixando pistas que conduzirão os investigadores a ele, apesar de se considerar um cidadão acima de qualquer suspeita. Acabado de ser promovido a novo chefe da polícia, será que o bem sucedido polícia consegue escapar do que crime que cometeu enquanto o realizador da extrema-esquerda Elio Petri nos conta uma história em que o poder corrompe?
Elio Petri era um ativista da esquerda bastante dedicado (e membro do partido comunista italiano), cuja carreira era brilhante para o conjunto de apenas 11 longas-metragens que realizou, mas é dificil de ser julgado porque as suas obras dificilmente eram vistas fora de Itália. O seu filme mais acessivel fora do país é uma sátira de ficção científica chamada "The 10th Victim" (1965), com Marcello Mastroianni e Ursula Andress, um conto sombrio que se transforma numa comédia lúdica.
Este filme de Petri era uma das dissecações mais incisivas sobre a patologia do poder, alguma vez passada para filme, e foi extremamente controverso na altura em que foi lançado, num período bastante volátil depois das convulsões sociais dos anos 60. Ainda com o filme em produção e já os produtores estavam preocupados com as repercussões das autoridades, e antecipando problemas com os censores. Mas, em tempos tão turbulentos, nem mesmo as forças da ordem têm força para levar para a frente a sua autoridade, contra um filme que estava a adquirir uma enorme popularidade, e elogios por todo o lado. Os censores permitiram que o filme fosse mostrado apesar do pedido de várias autoridades para ser proibido, por difamar a polícia.
O filme é dominado pela interpretação hipnotizante de Gian Maria Volonté, o polícia, a quem nunca é dado um nome. Um militante da esquerda, Volonté, que começou a sua carreira nos western spaghetti e se tornou na maior estrela do cinema político italiano no início dos anos 70, era um actor de extraordinária presença. Raramente fora do ecrã, ele atravessa todo o filme elegantemente vestido, carismático, num filme simultaneamente belo e repelente, numa mistura inebriante de Marx, Freud, Wilhelm Reich, e Brecht, com um pouco de Dashiell Hammett.
É um dos filmes italianos mais premiados dos anos 70. Em Cannes ganhou a Palma de Ouro, o Grande Prémio do Júri e o FIPRESCI Prize. Em 1971 ganhou o Óscar de Melhor Filme em Lingua Estrangeira, e em 1972 ainda conseguiu ser nomeado para o Óscar de Melhor Argumento. 
Uma palavra especial para a banda sonora de Ennio Morricone. Uma das minhas preferidas.

Link
Imdb

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Círculo Vermelho (Le Cercle Rouge) 1970

 

Le Cercle Rouge era o penúltimo dos 13 filmes de Jean-Pierre Melville. Sempre um artista ferozmente independente, que trabalhava como seu próprio produtor, em grande parte das vezes fora do sistema francês (ele era um de um punhado de realizadores franceses que tinha o seu próprio estúdio), Melville criou um conjunto significativo de filmes ao longo de pouco mais de duas décadas, e sempre será lembrado como uma das influências fundadoras da Nouvelle Vague e o padrinho do cinema de crime europeu. 
 Os policiais feitos por si, estão profundamente flexionados com obsessões americanas de cinema, e, por sua vez, estes filmes tiveram um efeito profundo numa nova geração de cineastas de todo o mundo, de Quentin Tarantino a John Woo.
Le Cercle Rouge é, na sua essência, um filme de assalto, embora seja muito mais sobre como as relações entre os criminosos e aqueles que os persegue, do que é sobre o próprio crime. Alain Delon, que teve um de seus melhores papéis como um assassino ultra-cool no filme de Melville, Le Samouraï (1967), interpreta Corey, um ladrão que é libertado da prisão e imediatamente estabelece o plano do roubo a uma loja de jóias parisiense altamente guardada. O fatalismo é um componente crucial em muitos filmes de Melville, e logo se estabelece este tema através do regresso de Corey à vida do crime. Este fatalismo é também notado quando Corey une forças com Vogel (Gian Maria Volonté), um fugitivo que se esconde no porta-malas do carro de Corey. Se ele tivesse escolhido qualquer outro carro, as coisas poderiam ter sido muito diferentes. Para completar o grupo, temos Jansen (Yves Montand), um ex-investigador da polícia que não quer fazer o assalto por dinheiro, mas pela a satisfação do trabalho em si. 
Claro que, como este trio improvável planeia um assalto complicado, cada um está a ser perseguido por alguém ou alguma coisa, o passado nunca está morto, e corre sempre atrás deles. Corey está em apuros com a máfia, que quer recuperar o dinheiro que ele roubou. Vogel pelo intrépido detective Mattei (André Bourvil), um homem discreto, determinado, e que é sem dúvida o personagem mais honrado do filme. Mesmo que Melville nos persuade a identificar-nos com os criminosos e a sua situação, complica as coisas, fazendo um personagem simpático e resistente, Mattei, em vez de um detective desviado e corrupto como tantos outros da polícia, em filmes deste tipo. Jansen está a ser perseguido por algo diferente: os seus próprios demónios pessoais do fracasso e da desilusão. Quando o conhecemos, está tão viciado em álcool que alucina que vê animais e répteis a rastejar pela sua cama, e o assalto torna-se uma forma de redenção para si, o que é irónico, já que ele era um polícia.
Ao contrário de muitos filmes de hoje rm dia, Melville leva o seu tempo com a alcançar o ritmo em Le Cercle Rouge, permitindo a que as personalidades dos personagens sejam desenvolvidas. Mantem-nos a uma certa distância dos seus personagens, muitas vezes enfatizado com ângulos de longa distância ou um enquadramento deliberado que os coloca em lados opostos da tela, mas eles são tão convincentes na sua autoridade silenciosa que somos atraídos para eles, queremos saber mais sobre eles, assim como eles se recusam a revelar-se. Estes são homens de ação, não de palavras, e muito do que se passa entre eles é o silêncio que brota com significado. Simples acenos, olhares e linguagem corporal transmitem muito do que precisamos saber. A desenvoltura, dedicação e a honra que existe entre si é admirável, apesar do status como criminosos, e quando a corda aperta, finalmente, no fim e que nós sabemos o que irá acontecer, e sentimos uma ponta de tristeza com a perda.

Mega
Link 
Imdb