Mostrar mensagens com a etiqueta Ettore Scola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ettore Scola. Mostrar todas as mensagens

sábado, 30 de maio de 2020

Os Novos Monstros (I Nuovi Mostri) 1977

"Os Novos Monstros" é um filme em sketchs composto por 14 contos com uma característica em comum entre eles: são sobre circunstâncias da vida real onde, de alguma forma, os personagens principais assumem uma conduta perturbadora, transformando-se em monstros da vida real e como eles colocam os seus interesses acima de tudo.
Realizado quase 15 anos depois de "I Mostri" de Dino Risi, um dos melhores exemplos de comédias em sketchs saídos dos estúdios italianos, era uma espécie de sequela, onde Risi se vê reforçado de dois dos maiores realizadores da "commecia all'italiana": Mario Monicelli e Ettore Scola, além dos ilustres argumentistas Age e Scarpelli, e um elenco de luxo que incluía Vittorio Gassman, Alberto Sordi, Ugo Tognazzi e Ornella Muti, sendo por isso quase um best of deste género. 
Mais do que uma selecção, era quase uma despedida do género que vinha a ser tão popular quase há vinte anos. O último sketch (um funeral) é simbólico. Representa a morte da "commédia all'italiana" que ajudou a Itália durante muitos anos a ser o segundo país com mais produções cinematográficas no mundo. Terminamos também assim este ciclo. Espero que tenham gostado. 
Nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Link
Imdb

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Feios, Porcos e Maus (Brutti, sporchi e cattivi) 1976

"Num bairro de lata em Roma vive a família de Giacinto. Uma vintena de pessoas entre filhos, filhas, noras, genros e netos para além da matrona da mulher e da mãe inválida e senil de cuja pensão a família se apropria todos os meses. Vivem apertados numa barraca miserável rodeados pelo lixo dos outros que vivem nos arranha-céus que os cercam. Giacinto dorme de arma na mão para proteger o seu tesouro, um milhão de liras que recebeu de indemnização por ter perdido um olho, e que muda constantemente de lugar, certo da cobiça da sua familia. O dia a dia desta amoral, feroz e incontrolável família entra em aceso conflito quando um dia Giacinto leva para a barraca uma divertida e gorda prostituta. 
Prémio Para a Melhor Realização no Festival de Cannes de 1976 "Feios, Porcos e Maus" confirmou Ettore Scola como um dos mais inspirados cineastas italianos dos nossos dias. Na verdade Scola é um dos mais nostálgicos continuadores da grande sátira social ao mesmo tempo que soube reinventar e evocar de forma notável toda a tradição poética, neo-realista e romanesca do cinema italiano. Debruçando-se sem paternalismos, análises sócio-políticas ou mesmo juízos morais, em "Feios, Porcos e Maus" Scola constrói uma sátira espantosa, hilariante, mordaz, sórdida, desconcertante e absolutamente amoral sobre o cruel e alucinante quotidiano de uma miserável família romana "das barracas". Uma crónica de sabor trágico-burlesco que reflete toda a miséria humana deste nosso "admirável Mundo novo" europeu, ocidental e rico através de uma farsa truculenta, de um humor irresistível e contagiante mas ao mesmo tempo de uma amargura e de um desencanto perturbadores. Uma grande realização de Scola que conta com uma portentosa interpretação de Nino Manfredi no protagonista, mais uma vez demonstrando ser um dos comediantes mais talentosos do cinema italiano. " Texto RTP

Link
Imdb

sábado, 23 de maio de 2020

Tão Amigos Que Nós Éramos (C'eravamo Tanto Amati) 1974

Três italianos, Gianni (Vittorio Gassman), Nicola (Stefano Satta Flores) e Antonio (Nino Manfredi) tornam-se muito amigos durante o ano de 1944 enquanto combatem os nazis. Cheio de ilusões, eles estabelecem-se depois da guerra. Os três amigos idealistas têm agora de lidar com as inevitáveis desilusões da vida no pós-guerra da Itália. Ettore Scola compõe um painel que segue 30 anos da vida italiana recortada pelo envolvimento destes três homens, completamente diferentes entre si, que se desencontram numa outra batalha, a de conquistar o amor de uma mulher, Luciana (Stefania Sandrelli). Ela torna-se a inspiração das estratégias que eles constroem para reconhecer a quem ama e nisso os quatro desencontram-se sem perder a amizade.
Ettore Scola teve em meados da década de 70 o seu período mais criativo, começando com este "C'eravamo Tanto Amati", realizado em 1974.Algumas cenas são pura poesia: a mudança repentina de preto e branco para uma imagem colorida (sublinhada por uma banda sonora), a conclusão dramática de uma noite na Piazza de Spagna, o sentimento geral de nostalgia que atravessa todo o filme. É um filme que envelhece como um bom vinho.
O filme é dedicado a Vittorio de Sica e tem cameos de Fellini e do próprio De Sica, além de ter clipes de filmes de outros realizadores, como Antonioni, Rosellini e Visconti.

Link
Imdb 

sábado, 16 de maio de 2020

Ciúme, ciúmes e ciumentos (Dramma della gelosia) 1970

Um triângulo amoroso na Roma do inicio da década de 70. Oreste, um trabalhador da construção civil, e a sua noiva, Adelaide, conhecem Nello, o cozinheiro de uma pizzaria. Os três costumam ir a comícios comunistas e gostam da praia imunda de Ostia. Será que este ambiente hostil poderá levar ao caminho dos ciúmes?
Realizado por Ettore Scola, de quem já tínhamos falado no inicio deste ciclo, por ter sido argumentista de filmes como "Il Mattatore", "Il Sorpasso", "La Marcia Su Roma", ou "I Mostri".  Depois de se estrear na realização, e depois dos seus primeiros filmes não terem sido muito relevantes, acabaria por se tornar um dos grandes mestres da "comédia à italiana" durante a década de setenta. Começando por este "Drama Della Gelosia", uma história tragicómica de ciúmes românticos, ressentimento de classe  e emoções exageradas que tanto gozam como prestam homenagem à grande tradição cinematográfica da "commedia all'italiana".
Scola partiu para este filme com um trio de actores com o qual seria difícil de falhar: Marcello Mastroianni, numa das suas melhores prestações, com a qual ganhou o prémio de Melhor Actor em Cannes, Monica Vitti e Giancarlo Giannini. O argumento também era da autoria da famosa dupla Incrocci e Scarpelli, argumentistas de filmes como "Gangsters Falhados", "Seduzida e Abandonada" e "O Bom, o Mau e o Vilão".

Link
Imdb

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O Terraço (La Terraza) 1980

Cinco amigos de longa data reúnem-se para jantar num terraço do apartamento de um deles, situado em pleno centro de Roma. As conversas e a s confidências sucedem-se. É visível que o entusiasmo de outrora deu lugar a uma profunda desilusão devido a sucessivos fracassos, tanto a nível profissional como sentimental. O argumentista vive uma crise artística; o produtor de cinema é desprezado pela mulher; o jornalista de esquerda, recém-abandonado pela esposa, perde o emprego; o deputado do PCI envolve-se com uma jovem casada; e o diretor de uma rede de televisão renuncia à vida.
Uma boa oportunidade para ver novamente o grande sentido de crítica e amor de Ettore Scola pela sociedade contemporânea italiana, misturando de forma tragicómica a política, a crise de meia-idade, o casamento fracassado, o amor, a infidelidade, o suicídio, a amizade, e o papel dos intelectuais. 
Um destaque muito especial para o grandioso elenco, com nomes como Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi, Jean-Louis Trintignant, Marcello Mastroianni, Serge Reggiani nos principais papéis, e ainda, a bela Stefania Sandrelli, e a quase estreante Marie Trintignant, filha de Jean-Louis, em papéis secundários. 
Não é dos melhores filmes de Scola, mas tem os seus créditos, que valeram a Scola a sua quarta nomeação para a Palma de Ouro.

Link
Imdb

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Noite de Varennes (La Nuit de Varennes) 1982

Em 20 de junho de 1791, o Rei e a Rainha da França (Luiz XVI e Maria Antonieta),tentaram fugir dos revolucionários de Paris para se juntar aos aliados monarquistas de fora da França, no entanto foram capturados na cidade de Varennes. O incidente deu início a uma inflamada desconfiança popular e repúdio à monarquia. Ligados a esse evento histórico, nesse mesmo caminho está um grupo de viajantes, incluindo Thomas Paine (Harvey Keitel), um patriota americano, o conhecido e sedutor Casanova (Marcello Mastroianni), o escritor Frances Restil de La Bretone (Jean-Louis Barrault) e uma das pajens da Rainha. A partir dessa idéia original, Scola retrata os diversos olhares daquele momento em relação à Revolução Francesa.
"La Nuit de Varennes" continua a tradição francesa de filmes de época de qualidade nos anos 80, e oferece-nos um atraente retrato da pré-revolução francesa. Produção franco-italiana de grande orçamento, era realizada pelo italiano Ettore Scola, e contava com um elenco cheio de estrelas e valores de produção que muitos realizadores franceses não podiam sequer sonhar.
Pouco vulgar, o filme mantém os seus personagens e a audiência bem longe dos actores principais desta história, e, em vez disso, reflecte sobre  os eventos históricos e os seus efeitos nestas personagens. Quando finalmente o rei e a raínha aparecem no filme, é por uma breve cena, dando ênfase ao abismo intransponível entre a monarquia real e o povo.
Durante a maior parte do tempo, "La Nuit de Varennes" está mais preocupada com os problemas políticos e sociais do dia, particularmente o papel da monarquia e a pressão que eles fazem perante a revolução sangrenta. Em vez de nos apresentar um contexto histórico, Scola anima as coisas usando personagens coloridas para contar a história, usando mesmo elementos cómicos para fazer a ponte com os nossos dias. Isto torna o filme mais relevante para uma audiência moderna, sem perder o contexto histórico ou o sentido de autenticidade.
Fez parte da selecção oficial do Festival de Cannes.

Link
Imdb