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quinta-feira, 21 de março de 2013
O Ano do Dragão (Year of the Dragon) 1985
"There's a new Marshal in town". Estas palavras são proferidas pelo detective de Nova York, Stanley White (Mickey Rourke), depois de lhe ser atribuída a tarefa gigantesca da limpeza de Chinatown, que, nos últimos meses, tem sido assolada pela violência dos gangs. Como Harry Callahan, o policia renegado de Clint Eastwood da série Dirty Harry, White ocasionalmente opera para lá da lei, para garantir que a justiça é feita. Mas, como ficamos a saber logo no início do filme, Stanley não é exatamente um herói. Na verdade, ele por vezes consegue ser um grande bastardo.
A investigação de White centra-se nas actividades de Joey Tai (John Lone), um gangster jovem e ambicioso que recentemente assumiu o controle do vasto império da sua família criminosa. Com a ajuda da repórter Tracy Tzu (Ariane), um White sempre persistente interrompe toda a operação de Tai, iniciando uma batalha entre os dois homens que, antes de acabar, vai custar um elevado número de vidas.
Mickey Rourke, pode dizer-se que foi um actor chave no cinema de Hollywood dos anos oitenta, em "O Ano do Dragão", é dos filmes em que ele mais brilha. Há momentos em que estamos definitivamente do seu lado, mas Stanley White é um personagem difícil de se gostar. Além do seu chocante desrespeito para com a lei (chega ao ponto de prender centenas de chineses apenas para enviar uma mensagem a Joey Tai), além de também permitir que os sentimentos pessoais interfiram com o seu trabalho. Um veterano de guerra do Vietname, Stanley deixa muitas vezes o seu ódio por todas as coisas chinesas falarem mais alto do que ele, e observações racistas são também frequentes. Ignora a sua esposa sofredora, Connie (Caroline Kava), e, corteja Tracy Tzu, mesmo indo tão longe a ponto de forçá-la quando ela recusa ter relações sexuais. É tão estranho o seu comportamento que chegamos a perguntar como é que ele não foi expulso das forças policiais. No outro lado está Joey Tai, bem interpretado por John Lone. No início, parece que o interesse primário de Tai é o negócio. Na sequência de um ataque a um restaurante da propriedade do seu tio, Harry Jung (Victor Wong), Tai começa a retaliação, principalmente porque há muito pouco dinheiro q entrar nos cofres, e não podem correr o risco de baixar as receitas futuras. Mas, debaixo do seu fato branco e tino comercial, Joey Tai é um criminoso de sangue frio.
"Year of the Dragon" marcava o regresso de Michael Cimino, cinco anos depois de "Heaven's Gate", um projecto muito mal amado, completamente falhado do ponto de vista comercial. A história em si é um veículo perfeito para Cimino encenar explosões, tiroteios, confrontos violentos e afins. Baseado num romance de Robert Daley (que também escreveu o livro que mais tarde se tornou em "Prince of the City", outro grande filme) e co-escrito por Cimino e Oliver Stone (que se preparava para dar dar o salto no ano seguinte). Temas como o racismo, o orgulho , a ganância, a raiva e a vingança são abordados de uma forma bastante eficaz. Cimino e Stone, ambos pesados a retratarem as mulheres, limitados de diálogos, e lançando uma mão pesada nas mensagens políticas que surgem em cada cena, provavelmente foi muito difícil criar entusiasmo por uma tão violenta exposição da guerra dos gangs chineses em Chinatown, mas este é um filme sobre o qual foi-se criando uma aura mítica ao longo dos anos.
Pouco amado, é verdade, mas provavelmente é o mais perfeito exemplo do que era um típico filme policial dos anos 80. Pelo menos para mim, é o meu preferido.
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Os Outros policiais
Antes de amanhã terminarmos este ciclo, com o policial que eu acho o melhor e mais emblemático dos anos 80, é tempo de fazer algumas considerações.
Em primeiro lugar, este ciclo, tal como já disse anteriormente, parte da minha escolha pessoal, não quer dizer que a minha opinião seja a mais correcta. Os anos 80 foram pródigos em filmes policiais, e este tema explorado no blog anterior, teria dado um ciclo bem maior.
Por isso vou deixar-vos com uma lista de filmes que ficaram de fora, mas que também valem a pena ser visionados.
Um Agente na Corda Bamba (Tightrope, 1984), de Richard Tuggle
Arizona Júnior (Raising Arizona, 1987), de Joel Coen
Arma Mortífera (Lethal Wheapon, 1987), de Richard Donner
A Arte do Crime (Cop, 1988), de James B. Harris
Atirar a Matar (Shoot to Kill, 1988), de Roger Spottiswoode
A Bola Preta (The Black Marble, 1980), de Harold Becker
Brigada Anticrime (Sharkys Machine, 1981), de Burt Reynolds
A Caça (Cruising, 1980), de William Friedkin
A Câmara Secreta (Star Chamber, 1983), de Peter Hyams
Cidade Ardente (City Heat, 1984), de Richard Benjamim
Os Duros Não Brincam (Tough Guys Don't Dance), de Norman Mailer
O Fio do Suspeito (Jagged Edge, 1985), de Richard Marquand
Forte Apache, the Bronx (Fort Apache, the Bronx, 1981), de Daniel Petrie
Impacto Súbito (Sudeen Impact, 1983), de Clint Eastwood
Inferno em Saigão (Saigon, 1987), de Christopher Crowe
Inferno Vermelho (Red Heat, 1988), de Walter Hill
A Manhã Seguinte (The Next Morning, 1986), de Sidney Lumet
Morto à Chegada (D.O.A., 1988), de Rocky Morton e Annabel Jankel
Nas Teias da Máfia (The Big Easy, 1987), de Jim McBride
Pacto Fatal (Best Seller, 1987), de John Flynn
O Príncipe da Cidade (The Prince of the City, 1981), de Sidney Lumet
Wisdow (Wisdow, 1987), de Emilio Estevez
Claro que a linha que divide entre o que é um filme policial, e o que não é, por vezes se pode tornar muito ténue. Poderão o "Robocop" ou o "Blue Thunder" ser considerados policiais? Eu acho que não, mas esta é apenas a minha lista. Se tiverem algum filme a acrescentar, façam favor.
Amanhã teremos o grande finalista.
Em primeiro lugar, este ciclo, tal como já disse anteriormente, parte da minha escolha pessoal, não quer dizer que a minha opinião seja a mais correcta. Os anos 80 foram pródigos em filmes policiais, e este tema explorado no blog anterior, teria dado um ciclo bem maior.
Por isso vou deixar-vos com uma lista de filmes que ficaram de fora, mas que também valem a pena ser visionados.
Um Agente na Corda Bamba (Tightrope, 1984), de Richard Tuggle
Arizona Júnior (Raising Arizona, 1987), de Joel Coen
Arma Mortífera (Lethal Wheapon, 1987), de Richard Donner
A Arte do Crime (Cop, 1988), de James B. Harris
Atirar a Matar (Shoot to Kill, 1988), de Roger Spottiswoode
A Bola Preta (The Black Marble, 1980), de Harold Becker
Brigada Anticrime (Sharkys Machine, 1981), de Burt Reynolds
A Caça (Cruising, 1980), de William Friedkin
A Câmara Secreta (Star Chamber, 1983), de Peter Hyams
Cidade Ardente (City Heat, 1984), de Richard Benjamim
Os Duros Não Brincam (Tough Guys Don't Dance), de Norman Mailer
O Fio do Suspeito (Jagged Edge, 1985), de Richard Marquand
Forte Apache, the Bronx (Fort Apache, the Bronx, 1981), de Daniel Petrie
Impacto Súbito (Sudeen Impact, 1983), de Clint Eastwood
Inferno em Saigão (Saigon, 1987), de Christopher Crowe
Inferno Vermelho (Red Heat, 1988), de Walter Hill
A Manhã Seguinte (The Next Morning, 1986), de Sidney Lumet
Morto à Chegada (D.O.A., 1988), de Rocky Morton e Annabel Jankel
Nas Teias da Máfia (The Big Easy, 1987), de Jim McBride
Pacto Fatal (Best Seller, 1987), de John Flynn
O Príncipe da Cidade (The Prince of the City, 1981), de Sidney Lumet
Wisdow (Wisdow, 1987), de Emilio Estevez
Claro que a linha que divide entre o que é um filme policial, e o que não é, por vezes se pode tornar muito ténue. Poderão o "Robocop" ou o "Blue Thunder" ser considerados policiais? Eu acho que não, mas esta é apenas a minha lista. Se tiverem algum filme a acrescentar, façam favor.
Amanhã teremos o grande finalista.
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Os Intocáveis (The Untouchables) 1987
Se "Os Intocáveis" prova alguma coisa, é que, se colocarmos muita gente talentosa a trabalhar em conjunto, o mais certo é que os bons resultados sejam obrigados a surgir. Este é o equivalente de Hollywood ao All-Star Game, com um elenco e uma equipa selecionados pelas suas habilidades, para o projeto em mãos. O diálogo do estimado argumentista David Mamet, faz com que Brian De Palma tenha um argumento perfeitamente adequado para as suas virtudes cinematográficas. Embora Harrison Ford tivesse recusado o papel de Eliot Ness, Kevin Costner provou ser bastante profissional para o papel, que acabaria por catapulta-lo para galã durante muitos anos vindouros. Sean Connery ganha o seu primeiro e único Óscar pelo seu papel de secundário, ancorando o protagonista com um grande desempenho, como Jim Malone, o mentor de Ness. A banda-sonora de Ennio Morricone, é uma das suas melhores e mais memoráveis até hoje. E claro, não esquecer que tinhamos um Robert de Niro em forma, como Al Capone.
Passado durante a década de 20, na Chicago da Era Proibida, um agente do tesouro de nome Eliot Ness é chamado a reprimir o mercado ilegal do tráfico do álcool, executado pelo crime organizado, e apanhar o gangster mais notório, Al Capone. As regras de Capone, mandar os seus lacaios para fazerem o trabalho sujo, e subornar funcionários públicos para olharem para o lado. Ness monta uma equipa de homens que não podem ser "tocados" pela persuasão de Capone, mas sem conseguirem obter qualquer evidência por parte dos gangsters. As testemunhas vão morrendo antes que consigam ir a tribunal acusar Capone.
"Os Intocáveis" é um drama de acção potente que atinge quase todos os níveis necessários. As interpretações brilhantes, com excelente desempenho de todo o elenco, especialmente pelos actores principais. Brian De Palma realmente faz a sábia escolha de perceber o que está a mais, só puxando pelos seus floreios elegantes quando é necessário, como na homenagem a "O Couraçado Potemkine" com um carrinho de bébé, que é uma peça verdadeiramente clássica de cinema em ambos os filmes. Morricone mantém o tom febril com a música fantástica, acentuando esta cena perfeição.
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Scarface - A Força do Poder (Scarface) 1983
Scarface, a grandiosa e moderna reformulação por Brian De Palma do clássico de gangsters de Howard Hawks, de 1932, é a própria definição do excesso, e talvez seja por isso que tem persistido por tanto tempo como um totem cultural. Centrado em torno de desempenho gloriosamente perturbado de Al Pacino e emoldurado pelos visuais estilísticos de De Palma, banda-sonora de Giorgio Moroder com sintetizadores pulsantes, Scarface descaradamente ultrapassa todos os limites imagináveis na sua história de ascensão e queda familiar, no cenário das guerras da cocaína em Miami do início dos anos 80. Épico, tanto em extensão como ambição, o excesso do filme é o seu conceito central, atraindo-nos para um mundo que, principalmente na altura, era muito familiar nos noticiários da noite, e ainda mergulha com estética e tal exagero narrativo, que nunca estamos demasiado perturbados pelos seus horrores.
Pacino, no que se tornou um dos seus desempenhos mais referenciados, interpreta Tony Montana, um gangster sarcástico que chega a Miami, como parte do infame êxodo Mariel em 1980, que inundou a costa da Flórida, com mais de 125 mil refugiados cubanos durante vários meses, muitos dos quais acabaram por se tornar criminosos ou doentes mentais (há sugestões de que Tony é ambos). O argumentista Oliver Stone, que recentemente tinha ganho um Oscar por escrever Midnight Express (1978), usa a estrutura narrativa básica do argumento de Ben Hecht, de 1932, e a maioria dos seus temas principais, com um foco particular na necessidade incessante de Tony para provar a si mesmo a sua origem, e a subida ao topo é patológica. Com um sotaque cubano e uma arrogância implacável que esconde a sua pequena estatura, Pacino rapidamente estabelece Tony como uma presença feroz, só esperando para aproveitar uma oportunidade, a natureza animalesca impulsionada na violência, mas é sempre fermentado por uma inteligência clara e uma boa compreensão das pessoas ao seu redor. Tony sabe o que quer e está disposto a fazer qualquer coisa para obtê-lo, e é isso que o faz ser tão assustador e fascinante, imoral ainda que filosoficamente consistente.
Depois de, com o seu amigo Manny Ribera (Steven Bauer), assassinar um refugiado político e realizar com sucesso um grande negócio de droga, Tony chama a atenção de Frank Lopez (Robert Loggia), um dos maiores barões da droga de Miami, que o traz para o seu cartel. Apesar do poder de Frank, Tony rapidamente o considera ser "suave", e, silenciosamente, mina a sua autoridade, e eventualmente apreende os negócios de Frank, bem como a sua gelada namorada Elvira (Michelle Pfeiffer), embora a verdadeira paixão sexual de Tony parece estar dirigida à sua irmã mais nova Gina (Mary Elizabeth Mastrantonio). Uma aliança com o traficante boliviano Alejandro Sosa (Paul Shenar) cimenta totalmente o seu poder, que é literarizado na frase "The World is Yours", um slogan publicitário que ele transforma no seu mantra pessoal (um dos vários elementos que Stone pede emprestado ao original de 1932). “I want the world and everything in it,” declara Tony a certa altura do filme, um desejo que, essencialmente, sela o seu destino. Brutal e grosseiro, mas estranhamente atraente, Tony é a personificação do gangster Robert Warshow como herói trágico, um personagem que é, literalmente, o lado escuro dos ideais americanos sobre a individualidade, a ambição e o sucesso.
Não surpreendentemente, Scarface foi um filme polémico, especialmente com o conselho de classificação da MPAA, que originalmente avaliou o filme como "X" pela linguagem universal e violência gráfica. Com mais de 200 declarações de "fuck" e os seus diversos derivados, uma sequência em que um homem está acorrentado a uma cortina do chuveiro a ser esquartejado com uma serra elétrica (quase inteiramente fora do ecrã), e imagens de Pacino não apenas a cheirar linhas de coca , mas literalmente inalando pilhas dela, Scarface tornou-se numa espécie de prova de fogo para o quão longe um filme mainstream poderia ir.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
A Testemunha (Witness) 1985
"Witness" é uma história cheia de contrastes - campo versus cidade, o pacifismo contra a violência, simplicidade versus sofisticação - e seria errado dizer que em qualquer momento o filme pende fortemente para um lado ou para o outro. Há uma tendência em apreciá-lo como uma romantização da comunidade Amish, que retrata algo sagrado e quase sobrenatural na sua "perfeição" pacífica, especialmente em contraste com a velocidade e a violência da vida em contraponto. "Witness" é um filme sobre o equilíbrio, que tenta encontrar um espaço entre os extremos. É um thriller, mas é também uma história de amor sobre pessoas que vêm de mundos bastante diferentes.
O filme começa na comunidade Amish, na Pensilvania rural, onde um jovem morreu recentemente. A viúva, Rachel (Kelly McGillis), leva o filho, Samuel (Lukas Haas), à cidade para apanhar um comboio e visitar a irmã, em Baltimore. Enquanto isso, na estação dos comboios, Samuel testemunha um assasinato horrível na casa de banho dos homens. São levados em custódia pela polícia, por Samuel ser a única testemunha do homicídio. Entra em cena John Book (Harrison Ford, num desempenho particularmente bom), um duro detective da polícia que percebe que a sua cabeça está a prémio, quando descobre que o homicídio implica oficiais do departamento de polícia. É assim forçado a regressar com Rachel e Samuel para a distante comunidade, porque os assassinos virão atrás deles.
Nesta altura, o filme muda completamente de rumo, com Book a esconder-se na comunidade Amish, porque praticamente não confia em ninguém no departamento da polícia. Os seus costumes da cidade são trocados pela simplicidade e calma do mundo Amish - aprende a ordenhar vacas às cinco da manhã e reacende a paixão há muito tempo adormecida. Ao mesmo tempo, Rachel vê-se cada vez mais fascinada por este homem estranho, de outro mundo, e entre eles desenvolve-se uma atracção, que é baseada tanto na ligação física como no mistério de duas pessoas que vêm de caminhos completamente diferentes, mas sentem um certo tipo de atracção. A maioria do filme é romântico, que faz com que este relacionamento pareça ainda mais poderoso, mesmo que, no fundo, saibamos que, em última análise, será em vão.
"Witness" era a estreia cinematográfica americana de Peter Weir, que já tinha dirigido filmes em vários géneros, na sua Austrália natal, desde os anos 1970. Há muito que já tinha provado a sua habilidade cinematográfica, ilustrando a compreensão poética do tempo e do lugar no assombroso "Picnic at Hanging Rock" (1975), assim como já tinha mostrado a sua visão da acção e intriga em "The Year of Living Dangerously" (1983). Weir foi uma escolha perfeita para este filme, pelo modo como capta a essência idílica da comunidade rural, sem transformá-la no cliché dos cartões postais.
Ganhou dois Óscares, e valeu a Harrison Ford a sua única nomeação até hoje.
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domingo, 17 de março de 2013
Caçada ao Amanhecer (Manhunter) 1986
"Manhunter" preocupa-se primordialmente com semelhanças e paralelos. O primeiro dos filmes de Hannibal Lector (mesmo que ele seja uma personagem mais secundária), esta obra de Michael Mann é filmada a direito, em linhas rectas que constantemente enquadram os personagens e as suas acções, uns contra os outros. Um colaborador frequente de Michael Mann, o diretor de fotografia Dante Spinotti, criou umas linhas que não são importantes apenas para olhar para "Manhunter", mas servem também para ilustrar as semelhanças dos seus personagens. O argumento é bastante simples, e espelha a história contada no romance de Thomas Harris, do segundo Hannibal, "O Silêncio dos Inocentes".
Um serial killer anda à solta, tendo matado duas famílias anteriormente, e sem intenções de parar. Francis Dollarhyde (um fantástico e imponente Tom Noonan), conhecido simplesmente como “The Tooth Fairy”, invade a casa das suas vítimas e mata todos, inclusive colocando pedaços de vidros partidos nos seus olhos para que eles possam testemunhar a sua grande transformação. Will Graham (William Peterson), um profiler retirado do FBI, que vive numa majestosa propriedade à beira-mar, é chamado pelo diretor do FBI, Jack Crawford (Dennis Farina) para ajudar a apanhar o perturbado assassino. Com a ajuda e conselho do icónico Hannibal Lector (soletrar Lecktor, interpretado por um incrível Brian Cox), Graham é obrigado a juntar cuidadosamente o perfil psicológico de Dollarhyde, transformando-se, e tornando-se ele mesmo no personagem que está perseguindo.
Também é importante observar a decisão de Mann de alterar o título de "Red Dragon" (que é o nome do livro de Harris) para "Manhunter". Mais uma vez, isso ilustra o trabalho de Mann recorrente em todos os seus filmes: personagens definidos pelo que eles fazem. Will Graham está literalmente a caçar Dollarhyde, e é isso que o consome. Privado do sono e geralmente sozinho, Graham observa obsessivamente todos os detalhes sobre cada pista, tornando-se, essencialmente, o Tooth Fairy que persegue. Graham também é um sonhador, ele trabalha na resolução dos crimes, mas os sonhos da sua casa, da esposa, do filho, são sonhos que são tão vívidos e inebriantes para Graham como são os de Dollarhyde. Mann corta para essas fantasias em longos flashbacks em slow motion, que são de tirar o fôlego de toda a sua beleza.
A abordagem de Mann sobre o cinema, as cores vibrantes, a composição singular, a banda-sonora de sintetizadores, emocionam. Definem Manhunter para lá, não apenas de todos os filmes de serial killers, mas também de todos os outros filmes de Mann.
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A Fronteira do Perigo (Extreme Prejudice) 1987
De tempos a tempos, aparecem filmes que não conseguem gerar muito interesse nas bilheterias, o que é um completo mistério quando que o filme em questão é realmente muito bom. "Extreme Prejudice" encaixa-se nessa descrição, e é um dos melhores e mais subestimados filmes de acção dos anos 80. Dirigido por Walter Hill (The Warriors, 48 hrs.), é um westen comtemporâneo, interpretado por Nick Nolte (48 Hrs.) como o Texas Ranger Jack Benteen, que se encontra no meio de uma situação complexa, que envolve um grupo clandestino de soldados e o seu ex-melhor amigo Cash Bailey (Powers Boothe), um grande traficante de drogas no México. O filme começa com um grupo de soldados a encontrar-se com o major Paul Hackett (Michael Ironside), no aeroporto de El Paso. Todos têm uma coisa em comum, estão oficialmente dados como mortos nos arquivos militares. Desta forma, podem realizar com êxito operações clandestinas em todo o mundo. Eles são os sargentos Larry McRose (Clancy Brown), Buckman Atwater (William Forsythe), Declan Coker (Matt Mulhern), Charles Biddle (Larry B. Scott) e Lutero Fry (Dan Tullis Jr.). Passando por um agente da DEA, Hackett oferece-se para ajudar Benteen a derrubar Bailey enquanto esconde os seus verdadeiros motivos pelo seu envolvimento com o caso. Trouxe os soldados para roubar o banco onde Bailey mantém o seu dinheiro e um cofre contendo informações sobre os seus sócios. Benteen quer mesmo derrubar Bailey depois de um dos seus homens ter morto o seu parceiro (Rip Torn). Bailey também tem um efeito nociso sobre a vida pessoal de Benteen, já que a sua namorada Sarita (Maria Conchita Alonso) costumava ser romanticamente envolvida com o traficante de drogas.
A conclusão de "Extreme Prejudice" é na verdade uma homenagem ao clássico de Sam Peckinpah "The Wild Bunch", e também um dos melhores filmes de Walter Hill. Por um lado, não se trata apenas de um filme de rotina "policias contra traficantes", Hill realmente leva algum tempo para criar as personagens totalmente, especialmente as personagens de Jack Benteen e Bailey Cash. Nolte tem uma das suas melhores performances, como o duro Texas Ranger. Aparentemente, ele trabalhou com um Texas Ranger da vida real chamado Joaquim Jackson, e baseou-se nele para caracterizar a personagem.
Além de uma grande história, desenvolvida por John Milius e Rexer Fred (conselheiro militar de Apocalypse Now), Extreme Prejudice tem um grande elenco de actores secundários, que já referi em cima .... Powers Boothe, Michael Ironside, Clancy Brown, William Forsythe, Larry B. Scott.. As cenas de acção são muito bem feitas, especialmente a sequência de assalto ao banco e o clímax super violento do filme.
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48 Horas (48 Hrs) 1982
Eddie Murphy tinha 21 anos quando terminou a segunda temporada de Saturday Night Live, e quando apareceu em "48 Hrs.", uma comédia de acção que passou por cerca de meia dúzia de iteracções antes de aterrar nas suas mãos. Desenvolvido por Lawrence Gordon e Joel Silver, o argumento de "48 Horas" passou pelas máquinas de escrever de pesos pesados como Roger Spottiswoode e E. Steven de Souza, e teria sido revisto pelo realizador Walter Hill até ao momento em que este gritou "Acção!". O projecto também teve um número considerável de actores ligados, (incluindo Clint Eastwood e Richard Pryor), antes dos produtores contratarem Nick Nolte para o papel de um polícia bêbado e solitário de São Francisco, e Murphy como o condenado que Nolte concede dois dias de passe em troca de ajuda num caso. No entanto, com todo o talento por trás das cenas envolvidas, e todos os ajustes ao longo do caminho, "48 horas" acabou por ser o primeiro "Eddie Murphy film." Tal seria o impacto que Murphy tinha em 1982.
O filme em si pode ser dividido em "antes e depois de Murphy." Nos primeiros 20 minutos, 48 Horas é um filme policial duro, cheio de sexo, violência, e o tipo de detalhes sórdidos que se tornou a norma no Harry de Clint Eastwood. Nolte tenta capturar um condenado bastante violento, e decide questionar um dos antigos parceiros do bandido, que está atrás das grades. Temos então uma das mais memoráveis introduções da história do cinema: Murphy, sentado numa cela com os seus óculos escuros e fones nos ouvidos, a cantar a música dos The Police, "Roxanne". Há poucas piadas reais em "48 Horas". Murphy é engraçado todo o filme, o humor é principalmente um desdobramento natural da personalidade do seu personagem.
Porque "48 Horas" foi dirigido pelo especialista económico no género, Walter Hill, o filme move-se sem descanso, com apenas uma cena ou outra desperdiçada nos seus 96 minutos. E porque é um dos primeiros exemplos do buddy-movie policial, apresenta algumas cenas e elementos que mais tarde se tornaram cliché. Seria um filme de acção sólido, mesmo sem Murphy, ancorando Nolte, cuja personagem é tão despenteada e abrasiva que é constantemente ameaçado de prisão por policias que não percebem que ele é um deles. Com Nolte a atirar a Murphy constantes insultos raciais (alguns evidentes, outros subtis), "48 Horas" brinca com a questão de qual destes dois homens tem o poder do seu relacionamento: a figura de autoridade decadente, ou o bem-falante prisioneiro?
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sábado, 16 de março de 2013
Viver e Morrer em Los Angeles (To Live and Die in L.A.) 1985
Dois policias em Los Angeles (William Petersen e Dean Stockwell) tentam capturar o cruel criminoso Eric Masters (Willem Dafoe). De seguida, um deles é morto por Masters, e o outro jura vingança, não importa a que custo. De seguida, a caça ao homem torna-se uma obsessão para lá da lei, uma vez que a causa que ele jurou defender deixou de ter sentido.
Se há algo para ser dito sobre William Friedkin, é que ele é um homem que destrói todas as expectativas. Nunca estamos seguros no seu mundo. Precisamente quando pensávamos que Popeye Doyle tinha o seu homem na mão em "French Connection", vêmo-lo ficar de mãos a abanar. "O Exorcista" caminhou para excessos nunca explorados antes, e quando pensávamos que tudo estava terminado, temos um enorme twist. Naquele que foi comercializado como um thriller mainstream para Al Pacino, "Cruising", tornou-se numa incursão ao mundo surreal da homossexualidade, acentuado na última cena com uma ambiguidade sexual que nunca tinha sido vista no cinema de Hollywood, nem antes, nem depois. Friedkin regressou, em 1985, ao território do policial duro, "Viver e Morrer em LA" é um jogo inteiro de expectativas. São tantas as voltas e reviravoltas que se reúnem num filme que se sente ser o mais completo e satisfatório de todo o trabalho de Friedkin. O twist final é menos anti-clímax e tematicamente mais adequado do que o de "French Connection", enquanto que o sangue e a violência extrema dão a Los Angeles um realismo bastante corajoso, em comparação com o excesso desnecessário do vómito e a ofensividade de "O Exorcista".
Uma sequência de nudez frontal de William Petersen tira qualquer dúvida de que este filme não vai jogar pelas convenções do cinema mainstream, mas é com o final que tudo isto vai ficar mais explicíto. No confronto final entre Petersen e Dafoe, acontece algo, que eu não vou falar aqui, mas que vocês vão ter que ver o filme. Esta sequência rebenta com todas as expectativas de um filme policial, mas também parece, paradoxalmente, a mais realista.
De realçar que Willem Dafoe teve aqui um dos seus mais brilhantes papéis, como o vilão do filme.
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Los Angeles a Ferro e Fogo (Colors) 1988
As cores do título são as dos bandos que enxameiam Los Angeles, definidos numa vibrante abertura. Robert Duvall e Sean Penn são dois polícias, um veterano e o outro ainda a aprender, que se envolvem na luta contra esses bandos. "Colors" é uma espécie de fresco, com uma excelente banda sonora, um novo tipo de cinema policial que recolhe inspiração dos modelos televisivos, e da tendência da actualidade dos filmes a dois.
"Los Angeles a Ferro e Fogo" assinala o regresso ao cinema de Dennis Hopper, o homem que agitou a América em 1969, com "Easy Rider". Vinte anos depois, com cinquenta e dois anos, Dennis Hopper viu-se em certa medida reabilitado, depois de ter estado à beira do abismo, misturando um caso grave de toxicodepência com a vontade de fazer cinema. "Out of the Blue" é desse período e mostra a fase acabrunhada em que Hopper caíra.
Mas, a pouco e pouco, foi o regresso.Como actor faz duas entradas fulgurantes, na pele de um vilão pervertido e sem escrúpulos em Blue Velvet, de David Lynch, e, como herói à maneira de Rambo, de serra eléctrica em punho, em "Massacre no Texas 2".
"Los Angeles a Ferro e Fogo", um filme que se filia no estilo policial que a série televisiva "Hill Street Blues" popularizava, foi um êxito, abrindo-lhe novas portas. É um filme com mensagem?: "Fiz o filme para denunciar um problema que, aparentemente, não tem solução. É a história de dois polícias que têm de enfrentar esse problema na rua. É tudo. Não há mensagem. O problema em questão é a educação, a miséria, as mães de familias com seis filhos que não conhecem o pai...", diz Hopper.
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"Se o crime é a doença, eu sou a cura". - este slogan acompanhou uma tentativa (dir-se-ia desesperada) de Sylvester Stallone para impôr a personagem de um polícia solitário, brutal e vingativo, de olhar rude e ofensivo.
Mas Mário Cobretti (o herói de "Cobra") não "pegou", e o filme foi um fracasso, apesar do vendaval de violência revanchista que trazia consigo. Talvez devido às cores excessivamente carregadas desta contrapartida urbana de Rambo.
Estavamos nos anos 80. Já não havia lugar para os heróis românticos dos anos 30 e 40. Os novos justiceiros do cinema policial mais banalizado carregam armas de calibre imenso, são exércitos de um só homem, dizimam criminisos com uma facilidade que sugere serem eles próprios os donos do mundo. Charles Bronson, Chuck Norris, Sylvester Stallone e, em alguns dos seus filmes, da série Dirty Harry, Clint Eastwood forneceram, ao lado de actores menores, personagens vagamente carismáticas, de vingadores de arma em punho, que excitavam plateias quando perseguiam traficantes de droga, criminosos ou simples drogados alucinados.
Felizmente que à violência banal o cinema também soube se meter por outros caminhos, para o qual foi necessária a contribuição - inteligente e artisticamente inovadora - de realizadores mais sensíveis, e com idéias próprias. É assim que nascem, mesmo que assentes em padrões que tendem a banalizar-se, os heróis perturbados de "O Ano do Dragão", "48 horas", "Viver e Morrer em Los Angeles" e "Chuva Negra". O cinema consegue sugerir sempre uma réstea de esperança de que melhores dias hão de vir, quanto mais não seja, quando o público se cansar da banalidade.
A seleção desta semana, puramente pessoal, é a minha lista dos melhores policiais dos anos anos 80, no que refere ao cinema de Hollywood. Espero que valha a pena.
Mas Mário Cobretti (o herói de "Cobra") não "pegou", e o filme foi um fracasso, apesar do vendaval de violência revanchista que trazia consigo. Talvez devido às cores excessivamente carregadas desta contrapartida urbana de Rambo.
Estavamos nos anos 80. Já não havia lugar para os heróis românticos dos anos 30 e 40. Os novos justiceiros do cinema policial mais banalizado carregam armas de calibre imenso, são exércitos de um só homem, dizimam criminisos com uma facilidade que sugere serem eles próprios os donos do mundo. Charles Bronson, Chuck Norris, Sylvester Stallone e, em alguns dos seus filmes, da série Dirty Harry, Clint Eastwood forneceram, ao lado de actores menores, personagens vagamente carismáticas, de vingadores de arma em punho, que excitavam plateias quando perseguiam traficantes de droga, criminosos ou simples drogados alucinados.
Felizmente que à violência banal o cinema também soube se meter por outros caminhos, para o qual foi necessária a contribuição - inteligente e artisticamente inovadora - de realizadores mais sensíveis, e com idéias próprias. É assim que nascem, mesmo que assentes em padrões que tendem a banalizar-se, os heróis perturbados de "O Ano do Dragão", "48 horas", "Viver e Morrer em Los Angeles" e "Chuva Negra". O cinema consegue sugerir sempre uma réstea de esperança de que melhores dias hão de vir, quanto mais não seja, quando o público se cansar da banalidade.
A seleção desta semana, puramente pessoal, é a minha lista dos melhores policiais dos anos anos 80, no que refere ao cinema de Hollywood. Espero que valha a pena.
Etiquetas:
Policiais da década de 80
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