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sábado, 27 de janeiro de 2024

O Vampiro de Dusseldorf (Le Vampire de Düsseldorf) 1965

Na década de 30 do século XX o caos e a miséria reinam na cidade de Dusseldorf, enquanto os Nazis começam a sua campanha de terror. A cidade enfrenta outra ameaça, um serial killer que envia cartas para a polícia sempre que assassina uma nova jovem mulher. Ninguém suspeita de Peter Kuerten, um homem bastante despretensioso cuja única paixão é Anna, uma cantora de um café.
No início do filme o espectador é avisado que este se baseia numa história verdadeira, o que em parte é verdade, mas Robert Hossein, o realizador só se baseia vagamente na história do verdadeiro assassino. Os crimes sádicos de Kuerten já tinham sido previamente explorados em filme na obra-prima de Fritz Lang realizada em 1931, "M", com o então desconhecido Peter Lorre no papel do assassino, mas Lang na altura negou com o filme tivesse alguma coisa a ver com o famoso assassino.
"Le Vampire de Dusseldorf" é extremamente bem sucedido na evocação da sua época, a miséria e a pobreza difundida, a ascensão do Nazismo e o declínio da sociedade estão muito bem representados. O terror que se vivia na Alemanha dos anos 30 era contraposto pela figura solitária do assassino, com uma estranha e perigosa personalidade. Hossein, evidentemente, vê em Kuerten uma manifestação dos males do nacional socialismo. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Cemitério Sem Cruzes (Une Corde, Un Colt) 1969

 

Ben Caine e os dois irmãos roubam o ouro da família de Roger, em resposta a eles lhe terem roubado gado. Ben é enforcado em frente à sua mulher, e ela viaja para uma cidade fantasma para convencer o amigo de Ben, Manuel, para executarem a merecida vingança. Ele fá-lo, embora a contra vontade. 
Num filme cheio de atmosfera e estilo, Robert Hossein conta uma história familiar, mas trata-a com classe. O tema aqui, embora de certa forma usado, é tratado como se nunca tivesse sido usado. Não mostra a vingança de uma forma agradável, como acontecia muito em filmes deste género, mostra como um círculo sem fim irá destruir todos os que se envolvem nele. Um filme anti-vingança, por assim dizer. Para começar, este é um filme muito estilizado. Hossein conta-o à sua própria maneira. O seu estilo é muito melancólico e segue a tradição de Leone de deixar as cenas falarem por elas mesmas, não havendo muito diálogo. Mas Hossein não copia Leone directamente. Ele reutiliza-lo, filmando-o à sua própria maneira. Um exemplo, quando Manuel (Hossein) e Maria (Mercier) estão na cidade fantasma. Manuel olha para Mercier, de uma forma profundamente triste, mas ela está tão preocupada com a vingança que mal consegue ver o seu amor por ela. Evita responder às "chamadas" de Manuel, evitando o contacto com os olhos, porque a vingança envenenou a sua mente. Ele percebe que Maria se tornou numa espécie de monstro, porque, enquanto isto acontece, os dois meio-irmãos violam a filha de Roger. Uma inocente que não tinha nada a ver com o assassinato do marido de Maria. Mas Manuel também não faz nada para detê-los, porque ele ama Maria. Tudo isto acontece num espaço de 3 minutos e definitivamente diz mais do que mil palavras. Este estilo de abordagem faz o filme parecer uma obra de arte, embora assim, a acção seja bem mais lenta, e sem darmos por isso já passaram 30 minutos de filme.
O personagem principal Manuel é um homem deprimido e perturbado, o que faz dele um perfeito anti-herói. Um pouco semelhante às personagens de Leone, mas também completamente diferente. muito mais profundidade neste personagem. É um assassino magnífico, e mata quase sem qualquer hesitação, mas há qualquer coisa nele que o torna numa personagem "cool". Sempre que dispara a arma coloca uma luva de couro preto. Quase nunca fala, e por vezes parece prefere deixar a luva fazer a falar por si.
Esta era uma co-produção franco/italiana, embora francesa na sua maior parte. Além de haver um monte de Pierres no elenco principal, há coisas que só podemos encontrar nos westerns franceses. Sempre que um personagem bebe café, está a fazê-lo de uma tigela. Também há uma cena com cerca de 20 vaqueiros todos sentados numa mesa a comer sopa. Além disso, embora não seja tão perceptível, na cena do mesmo jantar, a família Rogers cruzam as mãos como fazem no Catolicismo.
Um western a não perder.

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