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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Senhoras e Cavalheiros (Signore & Signori) 1966

Os costumes e a vida da região de Veneto, na Itália da década de 60, representados por três histórias distintas. A primeira envolve um homem que confidencia um segredo ao seu médico, que prontamente repassa a informação para alguns amigos que não conseguem ficar de boca calada; a segunda explora a vida de um bancário que acaba de perder a mulher e a amante; e a terceira é a história de um grupo de rapazes que se aproveita da ingenuidade de uma jovem, cujo pai fará de tudo para colocá-los na cadeia. 
O casamento italiano anda sob ataque constante de Pietro Germi, desde que o seu “divorcio à italiana” concluiu que o assassinato era mais fácil e mais conveniente do que o divórcio. Principalmente porque a Itália não permite o divórcio, mas se um marido matar a sua esposa enquanto ela estiver nos braços de um amante, o que pode um juiz fazer contra ele? 
Germi começa com opiniões partilhadas por todo o italiano que se preze, e depois, astuciosamente, leva-as ao resultado mais lógico. Foi assim em “Divórcio à Italiana”, e também em “Seduzida e Abandonada”, os dois filmes que com este “Senhoras e Cavalheiros” fazem parte da chamada trilogia provincial. “Senhoras e Cavalheiros goza com as atitudes dos italianos perante o casamento, o divorcio, a castidade, e também o amor. Germi destrói os tribunais, a polícia, a igreja, a família e o estado. Os filmes de Germi estão cheios de puro amor ao movimento e à acção, e poderiam ser descritos como “slapstick”, não fossem eles descritos com tanta força e direcionados tão directamente para alvos satíricos. 
Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, no ano de 1966, ex-aqueo com “Um Homem e uma Mullher” de Claude Lelouch, algo inesperadamente, já que era raro comédias ganharem prémios tão importantes. Nessa edição do festival participavam filmes como: “A Religiosa” de Rivette, “Doutor Jivago” de David Lean, “Morgan” de Karel Reisz, “Passarinhos e Passarões” de Pasolini, ou “Seconds” de John Frankenheimer. Também foi nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

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segunda-feira, 30 de março de 2020

Seduzida e Abandonada (Sedotta e Abbandonata) 1964

Agnese, uma adolescente siciliana, é seduzida por Peppino, noivo da sua irmã, e fica grávida. Quando seu pai Vincenzo descobre tudo, obriga o futuro genro a casar com Agnese, mas ele foge. Vincenzo então ordena que seu filho Antonio mate Peppino.
O filme anterior de Pietro Germi, "Divórcio à Italiana", tinha sido um importante sucesso comercial entre 1961 e 1962, tendo ganho um Óscar pelo seu argumento. O único lugar onde fracassou foi no Sul de Itália, porque o público não apreciou a ironia amarga de Germi em assuntos tão sérios como o chamado "delito d'onore" (crime de honra), que era tão praticado naquelas paragens. 
Três anos depois, em 1964, Germi voltaria com um tema similar, no segundo filme da que mais tarde seria chamada da trilogia da Itália Provincial (também veremos o terceiro filme neste ciclo, na segunda parte). "Seduzida e abandonada", uma locução muito popular na sociedade italiana da década de sessenta, e que na vida real selava o destino de tantas jovens, e permitia que os seus pais e irmãos "salvassem" a honra da família vingando-se das seduzidas, enquanto que o sedutor podia safar-se casando-se com as jovens raparigas. Numa entrevista, Germi disse que fez o filme para explorar as razões porque as jovens (que normalmente eram as vítimas) se viam obrigadas a casar com os seus agressores. Queria entender porque razão a reputação era tão importante para as famílias e queria mostrar que essa era uma regra tão básica e sem mérito.
Germi sempre disse que preferia, de longe, os seus filmes dramáticos antes de "Divórcio à Italiana", alguns deles compreendidos no movimento neorrealista. Mas o sucesso mundial de "Divórcio à Italiana" fê-lo continuar no mesmo registo, com este filme a conseguir novamente grande sucesso. Saro Urzi, no papel do pai ofendido era a grande alma desta película, tendo vencido o prémio de Melhor Actor em Cannes, mas "Seduzida e Abandonada" também destacava a jovem Stefania Sandrelli, então com 18 anos, e que já se havia destacado no filme anterior de Germi. 

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sábado, 21 de março de 2020

Divórcio à Italiana (Divorzio all'italiana) 1961

Ferdinando Cefalù está desesperado para casar com a prima, Angela, mas é casado com Rosália e o divórcio é ilegal em Itália. Para conseguir contornar a lei ele vai tentar com que a esposa tenha um caso, para que possa apanhá-la e assassiná-la, pois sabe que apanharia uma sentença leve por assassinar uma mulher adúltera. Ferdinando consegue convencer um pintor a ter um caso com a sua esposa, mas Rosália prova ser mais fiel do que ele pensava.
"Divorzio all'italiana" foi um grande êxito internacional logo desde a estreia, e é fácil de perceber porquê. O realizador Pietro Germi, que no início tinha proposto fazer um filme sério, consegue captar o chamado "código de honra" da Sicilia, que estipula que o assassinato pode ser desculpável, o adultério nunca, um paradoxo que facilmente seria satirizável. Marcello Mastroianni, recém saído de "La Dolce Vita", de Fellini, é maravilhoso no papel principal, interpretando um homem que queremos desprezar, mas do qual não conseguimos deixar de rir: a sua expressão perante a impotência e ocasionais espasmos faciais são realmente hilariantes. O argumento nunca é previsível, há voltas e reviravoltas inesperadas, que nos mantém o interesse até ao fim.
Pietro Germi, um realizador que vinha do neorrealismo, com uma carreira que vinha desde os anos 40, era na altura um desconhecido fora de Itália, no entanto acabaria por vencer o Óscar de Melhor Argumento Original em 1963, em conjunto com Ennio de Concini e Alfredo Giannetti. Um ano em que esta categoria contaria com outros dois filmes em língua estranheira: "Em Busca da Verdade" de Ingmar Bergman, e "O Último Ano em Marienbad", de Alain Resnais. Outra curiosidade, é que Mastroianni também seria nomeado para o Óscar de Melhor Actor. Seria o primeiro actor a ser nomeado por um filme em língua estrangeira, e a sua primeira de três nomeações.

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Divórcio à Italiana (Divorzio All'italiana) 1961



O barão Fefe Cefalù é um nobre siciliano chateado com a vida e com a esposa Rosalia: e apaixona-se pela jovem e bela prima Angela, que passa os verões no mesmo palácio que ele. Como o divórcio é impossível na Itália da década de 1960, decide matar a esposa, sabendo que a sentença seria muito leve, se ele provar que cometeu um homicidio por uma questão de honra, ou seja, por encontrar a esposa com outro homem. Por isso, começa a magicar um amante para Rosália, usando Carmelo Patané, um pintor conhecido dela para o assunto.
Assim, o conceito central do filme e as suas piadas e estruturação social são um plano egocêntrico para explorar a compreensão cultural já exploradora que uma mulher que desonra merece a morte. De nenhuma modo Ferdinando (Marcello Mastroianni) quer proteger a sua "honra", já que ele claramente não tem nenhuma, o que sugere que todo o plano é apenas uma desculpa para sustentar uma forma cada vez mais fora de moda do machismo patriarcal. Na sua essência, Divórcio à Italiana é uma farsa sobre como os homens podem se tornar caricaturas dispostas a tudo o que é mau sobre a masculinidade, o que é particularmente evidente na narração em voice-over de Ferdinando, que, por vezes, tem lapsos de humor em monólogos interiores.
A este respeito, o desempenho de Mastroianni é crucial para o sucesso do filme, especialmente porque ele estava no topo da sua carreira durante a década de 1960, como um modelo da sexualidade masculina italiana. Um ano antes ele já tinha interpretado um jornalista playboy em La Dolce Vita (1960) de Fellini, que tem uma participação especial divertida em Divórcio à Italiana. De certa forma, Ferdinando é um riff do personagem de Mastroianni de "La Dolce Vita" - o que acontece quando o playboy finalmente se acalma? Ele torna-se miserável e fica ansioso para voltar aos seus caminhos errantes. A ironia em Divórcio à Italiana é que o sistema cultural/social que se destina a reforçar a vida familiar, honra e fidelidade é virado de cabeça para baixo pelo plano sorrateiro de Ferdinando para se livrar da esposa atirando-a para os braços de outro homem (que por acaso é um ex-namorado).
O realizador Pietro Germi é praticamente desconhecido fora de Itália, embora tivesse ganho um Oscar pela co-autoria do argumento deste filme. É seguramente um dos mais influentes realizadores do cinema italiano (Fellini, De Sica, Visconti, etc), mas manteve-se praticamente desconhecido nos Estados Unidos, e consequentemente no resto do mundo. Por vezes é comparado a Billy Wilder ou Preston Sturges, apesar desta ser a sua primeira comédia. Surpreende que tivesse levado tanto tempo a entrar neste campo, porque ele tem uma fantástica sensibilidade cómica, que vai desde a brincadeira espirituosa, com o diálogo, para gradualmente construír e sustentar piadas visuais, com o uso do cabelo de Ferdinando como um barómetro visual do seu estado emocional.
Germi começou a sua carreira cinematográfica a fazer filmes neo-realistas na década de 1940, depois da qual ele se concentrou principalmente em dramas e thrillers. O seu olho de realizador é evidente, com este filme a corresponder à sua sagacidade verbal e nitidez temática, com uma bela fotografia e enquadramentos precisos. As raízes neo-realistas de Germi serviram-no bem.

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