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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Companheiro (The Dresser) 1983

Durante a 2ª Guerra Mundial vive um idoso (Albert Finney), mas famoso actor shakespeariano, que agora está frustrado, senil e à beira de uma crise nervosa. É conhecido pelo elenco e equipa apenas como "Sir" e continua com a sua temporada pelos teatros britânicos com um grupo de velhos actores, que ficaram isentos do serviço militar. Sir exerce uma tirânica liderança na companhia, que começa a desmoronar em virtude da sua idade e do seu estado de saúde. Ele conta com Norman (Tom Courtenay), o seu camareiro, um homossexual infinitamente fiel que tem uma dedicação tão extrema que até é irritadiça. Neste momento estão a encenar "Rei Lear" e Norman inclina-se às exigências por vezes absurdas do seu patrão, cuida da sua saúde e procura lembrá-lo do papel que está a encenar...
Peter Yates realiza esta competente, descontraída e teatral adaptação de uma premiada peça da Broadway de Ronald Harwood. O seu ponto mais forte é sem dúvida a interpretação, com ambos os protagonistas, Albert Finney e Tom Courtenay a serem nomeados para o Óscar, com a actriz Eileen Atkins a tentar, e quase conseguir, roubar o filme. 
Yates captura o ambiente levemente decadente da Grâ-Bertanha dos tempos da guerra, e evoca a sensação de dedicação dos pequenos actores, mesmo quando eles se queixam e reclamam. Sir, o personagem de Finney, baseado no actor Donald Wolfitt, de quem o argumentista Ronald Harwood supostamente foi camareiro, possui um domínio tirânico sobre toda a sua companhia, apesar de estar cheio de inseguranças que o transformam repetidamente de um egoísta de voz alta, num homem fraco a gaguejar, e agarra a nossa simpatia aos poucos, e é aqui que o poderoso desempenho de Finney brilha, transformando uma personagem estereotipado num ser humano real atormentado por todos os medos. Courteney acompanha o seu desempenho, que pela forma como ele habita o seu personagem, parece ter sido feito à sua medida.
Filme escolhido pelo Pedro Fiuza.

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sábado, 15 de agosto de 2015

Selva Humana (The Friends of Eddie Coyle) 1973

"Sabe aquela famosa frase? “Com amigos como este, quem precisa de inimigos?”. Então, é este tipo de “amigo” que o título do filme se refere nesta obra prima do diretor Peter Yates. Eddie Coyle, interpretado por Robert Mitchum, conta, a certa altura, que ganhou o apelido de fingers depois de um servicinho ter dado errado e seus “amigos” terem arrebentado sua mão como castigo. Realmente mui amigos...
Yates é bastante esperto ao retratar este mundo de uma maneira sombria e extremamente melancólica, sob o olhar cansado de um Robert Mitchum cheio de dilemas. Seu personagem já inicia o filme em apuros. A esta altura da vida, Eddie teve problemas com a lei, possui mulher e três filhos, não quer ir pra prisão na sua idade, então resolve virar “dedo duro” da policia pra sair dessa situação de uma vez, mas acaba colocando sua vida em risco. E, basicamente, é isso que temos aqui para formar uma trama bem desenvolvida.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.
Como já devem ter percebido, OS AMIGOS DE EDDIE COYLE é uma obra mais séria que o habitual, um exercício de realismo dentro de um gênero repleto de situações exacerbadas que, aqui, não vêm ao caso. Até mesmo nas cenas de assaltos a bancos, que Yates intercala na estrutura narrativa, são ausentes de qualquer tipo de manipulação emocional. Yates prefere apostar na atmosfera natural, com a magnífica fotografia crua de Victor J. Kemper (que já havia trabalhado com John Cassavetes em HUSBANDS e depois faria UM DIA DE CÃO, de Sidney Lumet); nos diálogos que carregam muito mais tensão; e claro, em Robert Mitchum brilhando como nunca."
Texto do Ronald Perrone, daqui
Legendas exclusivas para o My Two Thousand Movies, da autoria do Rui Alves de Sousa.

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