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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Terror Gótico: mais alguns filmes

Ter reduzido este belo movimento de cinema de terror gótico italiano a 5 filmes, foi um pouco injusto. Como tinha por aqui alguns filmes, que dificilmente utilizarei noutros ciclos, resolvi fazer uma postagem extra com algumas destas obras. Espero que gostem.

 - L'Amante del Vampiro (1960, Renato Polselli) - Link Imdb (legendado em inglês)
- I Tre Volti Della Paura (1963, Mário Bava) - Link Imdb
- La Vergine di Norimberga (1963, Antonio Margheriti) - Link Imdb
- Sfida al Diavolo (1963, Giuseppi Veggezzi) - Link Imdb
- Lo Spettro (1963, Riccardo Freda) - Link Imdb (dobrado em inglês, sem legendas)
- Danza Macabra (1964, Sergio Corbucci e Antonio Margheriti) - Link Imdb
- 5 Tombe Per Un Medium (1965, Massimo Pupillo) - Link Imdb
- Amanti d'Oltretomba (1965, Mario Caiano) - Link Imdb
- La Notte dei Diavoli (1972, Giorgio Ferroni) - Link Imdb (legendado em inglês)
- Lisa e il Diavolo (1973, Mário Bava) - Link Imdb

Bom fim de semana.

Operação Medo (Operazione Paura) 1966



O Dr. Eswai é chamado pelo Inspector Kruger a uma pequena aldeia para fazer uma autópsia a uma mulher que morreu debaixo de estranhas circunstâncias. Apesar da ajuda de Ruth, a bruxa da aldeia, Kruger é assassinado, e é revelado que a mulher morta, assim como outras vítimas, foram assassinadas pelo fantasma de Melissa, uma jovem que, alimentada pelo ódio do luto da mãe, vinga-se sobre todos os habitantes da aldeia. Com a ajuda da enfermeira Mónica, o Dr. Eswai vai ter de descobrir qual é a verdade.
A primeira sequência de "Operação Medo", é tão poderosa e visceral como o nome do filme pode sugerir. O filme começa abruptamente, a meio de uma cena, com uma mulher a fugir de um grande castelo, e a gritar "Não! Não!".Ela corre para a câmera, que alterna entre close-ups para fazer sobressair o terror nos seus olhos, e shots de longa distância que a mostram a fugir horrorizada. Uma sequência fascinante, e aterrorizante, que promete um grande filme de terror psicológico. Poucas vezes durante o filme Mario Bava alcança o impacto destas primeiras cenas, e embora o filme, na realidade, tenha falta de sustos, ganha na atmosfera que consegue criar, e na deslumbrante fotografia, sempre da autoria de Mário Bava, com a ajuda de Antonio Rinaldi, colaborar de Bava em vários filmes.
É um filme que divide muito os fãs do realizador. Alguns consideram-no o seu melhor trabalho, enquanto para outros foi uma desilusão. E é fácil perceber porquê. É uma obra sedutoramente misteriosa, com uma história de fantasmas no seu núcleo, mas superficialmente é mais do que um exercício de estilo, com muita substância, e muitas cenas marcantes. Todos os problemas desaparecem no final do filme, quando Bava faz uma montagem rápida de frissons, com a terrível verdade à vista, e a realidade contextual do filme finalmente a encaixar-se. É um dos melhores filmes desta vaga de terror gótico, provavelmente o meu preferido. 

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Chicote e o Corpo (La Frusta e il Corpo) 1963



Kurt Menliff é um nobre do século XIX, cruel e sádico, que regressa ao seu castelo à beira-mar plantado, depois de passar alguns anos fora. Entra logo em conflito com o seu pai inválido, um Conde, assim como com o seu irmão mais novo, Christian, que agora é casado com a prima, e ex-amante de Kurt, Nevenka. Quando na noite seguinte Kurt é encontrado morto no seu quarto, toda a gente é suspeita, e tudo fica mais complicado quando Nevenka começa a ver o fantasma de Kurt (real ou imaginário?), que assombra o Castelo, supostamente para se vingar do seu assassino.
Mário Bava é considerado por muitos como o Padrinho do terror Italiano. Um verdadeiro auteur, fez a fotografia da maioria dos filmes que realizou, e começou a escrever os próprios argumentos da década de sessenta em frente. Em 1963, já com alguns filmes no seu currículo, realizaria aquela que seria considerada uma obra prima do sadomasoquismo, e uma das mais importantes obras do terror gótico: "La Frusta e il Corpo", com o lendário Christopher Lee, e a bela desconhecida Daliah Lavi, que viria, mais tarde, a ser uma Bond Girl em Casino Royale, nos principais papéis.
Para quem procura filmes de terror gráficos, ou sangrentos, não é isso que vão aqui encontrar. Há muito pouco sangue, ou nudez, mas os temas sórdidos tratados entre as personagens (um triângulo amoroso com conotações incestuosas), e as chicoteadas são muito decadentes. O ritmo é lento, criando uma sensação de tensão e expectativa. Apesar de todos serem suspeitos neste filme, Bava está mais interessado em usar a sua marca registrada de cores sombrias, para estabelecer o clima e a atmosfera pretendidos. Brinca com o erotismo sádico, quando Kurt ataca a sua ex-amante com um chicote - e ela parece gostar. 
Um grande desapontamento foi porque a voz de Christopher Lee não foi usada, nem na versão italiana, nem na versão internacional. Esta versão aqui presente é a versão internacional.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Raptus - O Diabólico Dr. Hichcock (L'orribile segreto del Dr. Hichcock) 1962



O ano é de 1885, e o necrófilo Dr. Hitchcock gosta de drogar a sua esposa para jogos sexuais funerários. Um dia, administra-lhe uma dose maior, e acidentalmente mata-a. Vários anos depois volta a casar, e regressa à sua antiga casa. Ao descobrir que a sua amada primeira esposa ainda está viva, mas prematuramente envelhecida, ele planeia usar o sangue sangue da sua nova esposa para rejuvenescê-la...
"Raptus", o título alternativo de " L'Orribile segreto del dottor Hichcock", de Riccardo Freda, é certamente um filme que vai atraír os seguidores do cinema virado para o macabro. Os visuais atmosféricos desta obra prima de Riccardo Freda, de alienação sexual e necrofilia, é um capítulo sem precedentes no campo da Idade de Ouro do Terror Italiano, que agarrou a indústria romana de 1956 a 1966.
Com várias referências para as influências literárias de Ann Radcliffe e o século 19, "L'Orribile segreto del dottor Hichcock", é um catálogo de repressões vitorianas, referentes ao desejo e à morte, ao casamento e à sepultura. O perverso comportamento do nosso herói, o Dr Bernard Hichcock (Robert Flemyng), resulta na criação de objectos-fetiche de desejo e morte, de cada uma das suas mulheres. O argumento retira inteiramente o Dr Hichcock das convenções morais, tal como os críticos surrealistas observam, sem racionalização narrativa das suas acções. A sequência do funeral no filme levou o crítico Raymond Durgnat a comentar sobre o quanto eficaz uma boa iluminação pode ser, capaz de dar a um filme de terror uma poesia visual única no cinema. 
"L'Orribile segreto del dottor Hichcock" ficou completo em apenas 16 dias, em Abril de 1962. Freda, como famoso jogador, fez uma aposta de que poderia completar um filme de época em apenas 16 dias. A sexualidade submissa, e o misterioso subtexto foram em parte por causa do resultado de Freda em ler uma história de Ernesto Gastaldi, argumentando que não houve tempo em aprofundar as motivações dos personagens principais. O objecto de toda essa tensão sexual, é a raínha do gótico italiano, Barbara Steele. A sua reputação vem da série de filmes que ela representou na primeira metade da década de 60, quando Bava fez dela um ícone do fetichismo, em "La Maschera del Demonio"

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Moinho das Mulheres de Pedra (Il Mulino Delle Donne di Pietra) 1960



Hans chega a uma cidade perto de Amesterdão, para escrever uma história sobre um escultor recluso, o Professor Wahl, que vive num velho moinho numa ilha, que os locais chamam de Moinho das Mulheres de Pedra. Hans conhece a linda e sedutora filha do professor, e começa a apaixonar-se por ela, apesar de todo o seu amor por Liselotte. Lentamente ele vai ficar a saber das experiências que Wahl vem fazendo com o seu assistente, o Dr. Bohlen, e enquanto isso andam a desaparecer mulheres na cidade...
"Il Mulino Delle Donne Di Pietra", de Giorgio Ferroni, é um Eurochiller imponente, de ritmo lento, e que se baseia mais em nos elementos visuais, e uma forte atmosfera gótica, do que na tentativa de pregar sustos. Como consequência, pode não agradar a algum público, fã do cinema de terror. O mistério por trás do carrossel, e da estranha morte de Elfie, e da sua ressureição, é revelado muito cedo, e o facto de ser preciso quase uma hora para a audiência apanhar o filme, pode não ser muito positivo. Felizmente, o filme consegue manter-se interessante até chegarmos lá. As cenas que conduzem à grande revelação, e ao ardente climax, embora por vezes letárgico, fazem avançar a história.
A personagem central neste filme, tal como a personagem principal de "Black Sunday", é uma mulher que se transforma num monstro, tal como uma vítima dos seus próprios desejos. Scilla Gabel é uma morena de beleza incomum, e tal como Barbara Steele personifica as forças negras de uma forma muito poética. A sua interpretação é tão hipnótica que fazem do filme uma joia da coroa entre todo o cinema italiano de terror.
Georgio Ferroni dirigiu esta elegante obra prima do terror, embora a maior parte do seu trabalho nesta altura fosse no território do "pepelum". Mais tarde, ele ainda viria a realizar outra grande obra do cinema gótico, já no seu final, chamada "La Notte dei Diavoli". 

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Vampiro (I Vampiri) 1957



Paris é assolada por um assassino que rapta jovens mulheres, drena-as de todo o seu sangue, e as atira para o rio Sena.O intrépido repórter Pierre Lantin (Dario Michaelis) está determinado a desvendar esta onda de crimes, e descobrir o assassino que a imprensa apelidou de "o vampiro". Enquanto tenta desvendar o caso, Pierre é alvo do afecto da bela Giselle, sobrinha da duquesa Du Grand. Apesar de toda a beleza de Giselle, Lantin sente uma repulsa por ela. O que haverá de estranho nesta figura?
"I Vampiri" é um filme marcante na história do cinema, de várias formas: em primeiro lugar, é o filme que deu inicio ao cinema terror italiano moderno, bem como o inicio virtual da carreira de Mário Bava como realizador (era o director de fotografia, mas tomou conta da realização quando o realizador Riccardo Freda saíu). E é provavelmente, uma das poucas vezes (ou pelo menos, das primeiras), que um repórter de jornal questiona seriamente a ética da sua profissão.
A história de "I Vampiri" é terrivelmente prosaica para um filme de Bava: mas nas suas mãos, até mesmo o prosaico se torna uma maravilha expressionista. O filme é percorrido por imagens surpreendentes, incluindo a sequência do funeral, e o assassinato muito "noirish" do viciado em drogas.Também antecipa imagens que prenunciam o trabalho posterior de Bava (particularmente a sua obra-prima, "Black Sunday"), como a entrada escondida atrás da lareira, abrindo para um grande salão da Duquesa du Grand.
Bava também conseguiu criar alguns excelentes efeitos especiais, como a transformação de Giselle, que não foi apenas realizada sem computadores, como também foi feita sem cortes. A ausência de computadores produz um efeito muito realista, mas mesmo assim, "I Vampiri" não consegue alcançar a qualidade de alguns filmes posteriores de Bava, dentro deste ciclo de cinema de terror gótico.

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sábado, 30 de agosto de 2014

Terror Gótico Italiano

Castelos isolados, corredores empoeirados, nevoeiro, galhos de árvores que nos atingem como se fossem mãos, viajantes encalhados, amantes que conspiram para assassinar, passagens secretas que descem até criptas em deterioração - este é o sumo do terror gótico italiano, um dos mais emocionantes e atmosféricos sub-géneros do cinema.
A idade de ouro do terror italiano começou em 1957, com "I Vampiri", de Riccardo Freda. Este conto maravilhosamente filmado sobre transfusões de sangue, teve origem na lenda de Elizabeth Bathory, que segundo a história preservava a sua beleza banhando-se no sangue de virgens. Mais importante do que isso, foi o primeiro filme a mostrar-nos uma personagem monstro-mulher, um ingrediente recorrente (e fundamental), do cinema de terror italiano, nascido da atitude da cultura em relação à sexualidade feminina, que combinava partes iguais de amor e medo.
Depois de um período calmo do cinema de terror, que já vinha desde meados da década de 40, "I Vampiri" sinalizava a aproximação de uma nova tempestade de cinema de terror, que viria a ultrapassar largamente a dos monstros da Universal dos anos 30 e 40.
Mas o impacto de "I Vampiri" permaneceu relativamente insignificante durante alguns anos. Por mais que o filme fosse respeitado e considerado um dos clássicos do cinema de terror, poucos filmes italianos seguiram o seu rasto, no imediato. Em paralelo desenvolvimento em Inglaterra, os estúdios da Hammer estavam ocupados com a sua própria interpretação de uma diferente lenda - um remake de Frankenstein. O sucesso das produções da Hammer sinalizavam para os cinéfilos de todo o mundo, reviver o poder dos antigos monstros da Universal.
Entretanto filmava-se no México, onde Fernando Mendez realizava "The Vampire" (1957), e em França, onde Georges Franju realizava "Les Yeaux Sans Visage (1959), começando uma vaga de contos horripilantes, e foi aí que os realizadores italianos responderam com uma enxurrada de filmes. Entre 1960 e 1966, os italianos fizeram alguns dos melhores filmes de terror atmosférico já feitos.
Depois de fazer a fotografia de "I Vampiri" e "Caltiki", Mario Bava virou-se para a realização. O seu primeiro filme, "La Maschera del Demonio", é uma obra prima do terror gótico, um dos mais perfeitos filmes de terror de todos os tempos. Com magníficos cenários que evocam um mundo traiçoeiro de sombras (parecido com o do film noir americano), e câmeras que nos arrastam para criptas deterioradas e passagens secretas, "Black Sunday" (como era conhecido na América) criava um mundo de pesadelo, um mundo perto da obra Lovecraftiana, onde as força do mal estavam em constante perigo de emergir das sombras.
"Black Sunday" também nos iria introduzir a um outro ícone do cinema de terror italiano: a face de Barbara Steele. Sem ela este sub-género teria sido, de facto diferente.

Vamos deixar de lado este "La Maschera del Demonio" (mas aqui fica a referência se quiserem ver), que já passou várias vezes pelos thousand movies, e vamos ver cinco obras que são completamente novas para nós. Vamos começar por "I Vampiri", e vamos até 1966, a tal idade de ouro do cinema gótico italiano. Espero que gostem.

Segunda: I Vampiri (1957), de Riccardo Freda

Terça: Il Mulino Delle Donne di Pietra (1960), de Giorgio Ferroni

Quarta: L'Orribile Segreto del Dr. Hichcock (1962), de Riccardo Freda

Quinta: La Frusta e il Corpo (1963), de Mario Bava

Sexta: Operazione Paura (1966), de Mario Bava

PS: no fim poderá haver umas surpresas.