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domingo, 5 de junho de 2016

A Colt is my Passport (Koruto wa ore no Pasupooto) 1967

Kamikura (Jô Shishido) é um assassino que é contratado para matar um chefe da Yakuza que está a ficar ganancioso. O senhor do gang rival que contratou Kamikura e o seu motorista Shun paga-lhes e arranja estadia num hotel durante uma noite, enquanto lhes arranja passagem para um navio. O filho do homem morto vai ter com o seu rival e oferece-lhe dinheiro e uma parceria em troca da vida de Kamikura. Kamikura agora passa a ser perseguido por dois gangs, e uma empregada no hotel onde estão ajuda Kamikura e Shun a fugirem...
A história é simples, o diálogo é mínimo e a acção é escassa. Narrativamente, e até cinemagráficamente, o filme deve muito à Nouvelle Vague, mas principalmente a Jean-Pierre Melville. Soltam-se ecos do seus films noir minimalistas, Jô Shishido parece encarnar o ar de coolness de Jean Paul Belmondo ou Alain Delon.Esta influência parece preceder uma vaga de filmes que viria uns anos mais tarde, com "The Killer", de John Woo e uma série de outros filmes cheios de derramamento de sangue. Embora este filme de Takashi Nomura não retrate elementos tão trágicos e tão extremos como Melville ou Woo, todos os três fazem canalizar os mesmos ideais para o seu protagonista: um homem que segue o seu próprio código estrito, mesmo que isso possa trazer a sua morte. Perante qualquer situação, estes homens nunca irão quebrar e irão manter sempre, o mesmo ar de confiança.
A partitura musical completamente aleatória de Jerry Fujio evoca imagens de Elvis Presley, que influenciou fortemente os primeiros filmes de acção da Nikkatsu, no final dos anos cinquenta. A banda sonora, obviamente, teve influência dos spaghetti westerns, mas tem uma grande importância no filme.
Legendas em inglês.

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sábado, 4 de junho de 2016

A Marca do Assassino (Koroshi no Rakuin) 1967

Depois de fracassar numa missão por causa dos seus sentimentos por uma mulher, um assassino profissional, o número 3, passa a ser perseguido pelo fantasmagórico assassino número 1, de quem ele não conhece a identidade.
"O filme, a história de um matador de aluguel, Número 3, que falha em uma missão e passa a ser perseguido pelo Número 1, não é apenas puro exercício formal, na medida em que vemos a queda, a transformação de um personagem. A insanidade e o profissionalismo do assassino Hanada (Jo Shishido) vão ruindo em paralelo com o delírio visual da mise-en-scenepsicotrópica de Suzuki; o visual surrealista prende o espectador em seu interessante contraste de luz e sombras. Cria, portanto, a (i)lógica própria do filme. Porém, não há de se perder de vista, o verdadeiro desejo de Suzuki é entreter, fazer o que bem quiser com os elementos fílmicos, a possível reflexão sobre perda de identidade do assassino parece ser apenas uma âncora pra todo esse delírio visual.
À época, Suzuki estava ligado à produtora Nikkatsu. Fazia filmes sobre a yakuza, uma das especialidades dessa produtora de filmes B. A Marca do Assassino opera um ruptura tão intensa com toda aquela produção, que o cineasta acabou por ser afastado da produtora, vindo a ficar por 10 anos em litígio até ganhar na justiça o direito à deposição de cópia de todos os seus filmes na Cinemateca Japonesa, uma indenização, além de um pedido público de desculpas por parte da Nikkatsu.
Talvez o mais radical de sua geração, trilhando ora americanismo e a cultura Pop, ora a estética dos mangá, Suzuki arregaça com tudo, pretende um cinema sem amarras com o verossímil, com o próprio cinema. Um cinema de clima, sensorial, alucinante. É visível a influência em Jarmush – a forma como utiliza a música, além de uma cena de Ghost Dog, além de Tarantino – alguns momentos de Kill Bill I e seu uso de grafismos. Um cinema pulsante, intenso e único. Adjetivar A Marca do Assassino é, sobretudo, reconhecer o talento de Seijun Suzuki em ser criterioso apenas com si mesmo." Texto de Allan Kardec Pereira

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Tokyo Drifter (Tôkyô Nagaremono) 1966

Tetsuya "Phoenix Tetsu" Hondo é um implacável assassino de uma quadrilha da Yakuza que foi recentemente desativada quando Kurata, o chefe, resolveu aposentar-se. Otsuka, líder de uma quadrilha rival, tenta recrutar Tetsu para o seu lado, mas o assassino nega o convite. Assim, o chefe do crime resolve eliminá-lo.
Alguns filmes apenas têm para oferecer um estilo visual impressionante, mas no caso de Tokyo Drifter (1966), de Seijun Suzuki, isso é mais do que suficiente, e torna-se uma celebração de todo o potencial do cinema. Visto por estes olhos, o filme de gangsters como género torna-se um ponto de partida em que vale qualquer coisa, desde interromper a narrativa para um selvagem e desorientado número de discoteca, homenagear o Oeste americano numa briga de bar entre prostitutas e Yakuzas que combatem com marinheiros americanos. A história, que ziguezagueia da vida nocturna de Tóquio para as vistas rurais cobertas de neve (que pode parecer muito incompreensível numa primeira visão) segue um ex-condenado que tenta endireitar a vida, mas as probabilidades estão contra ele. Perseguido a cada passo por antigos membros de gangues, rivais nos negócios e policias, Tetsu segue o seu próprio código de honra, que o mantém em movimento, atirando os seus inimigos uns contra os outros, enquanto resgata Chiharu, a cantora de um clube noturno (interpretada pela pop star Chieko Matsubara).
Tal como o protagonista de "Tokyo Drifter", Suzuki era um "maverick" que seguiu o seu próprio caminho, mesmo a escrever por linhas tortas. De certa forma, o comportamento auto.destrutivo de Tetsu espelha a própria experiência do realizador na indústria cinematográfica japonesa, e é autobiográfica em espírito. Quando ele foi trabalhar para a Nikkatsu, no final dos anos 50, este estúdio era especializado em filmes de género, mas logo depois da chegada de Suzuki começaram a perceber que a maioria dos sucessos comerciais eram do género Yakuza, muitos deles realizados pelo próprio realizador. Em sete anos Suzuki realizou mais de 25 filmes até conseguir os elogios da crítica em "Youth of the Beast". Com o tempo o realizador cansou-se da Yakuza, e começou a puxar os seus filmes para os limites do género, experimentando em aparência e estilo. Começou a provocar o estúdio que lhe enviou um alerta depois do delírio que foi "Tokyo Drifter", mas Suzuki ignorou os seus avisos fazendo ainda mais dois filmes dentro desta linha, o segundo foi  "Branded to Kill" (1967).
"Tokyo Drifter" foi assim um filme pouco apreciado pelos críticos e cinéfilos na altura da sua estreia, mas com o tempo tornou-se num grande filme de culto, e hoje é apreciado como um dos mais importantes filmes japoneses da década de 60.

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Violência ao Meio Dia (Hakuchû no Tôrima) 1966

Baseado numa história da vida real, Nagisa Oshima analisa o caso do brutal violador Eisuke (Kei Sato), retratando a sua relação com a esposa protectora Matsuko (Akiko Koyama), e a sua última vitima Shino (Saeda Kawagushi). Apesar de viverem num ambiente rural, as cruéis condições de vida que os três personagens principais têm de enfrentar, são retratadas como sendo igualmente abomináveis para as actividades do próprio violador, cujas acções revelam a deterioração amoralidade e corrupção que a sociedade moderna se tem afundado.
Retrato perturbador do pós-guerra do Japão, que deve muito aos filmes de Alain Resnais e Robert Bresson, em termos da sua estrutura não-linear, e o fascínio pela actividade amoral de cidadão "outsider". Agora já bem estabelecido como um dos nomes mais importantes para a Nova Vaga do Cinema Japonês, Nagisa Oshima frequentou a escola de cinema em França, e a sua abordagem fragmentada da narrativa, e as críticas mordazes da sua sociedade nativa na época da ocidentalização eram a antítese do cinema humanista de realizadores como Yasujiro Ozu ou Akira Kurosawa. Vendo o filme tantos anos depois do seu lançamento fica a idéia de que o realizador teve influência em provocadores cinematográficos posteriores, como Nicolas Roeg, Donald Cammell ou Olivier Assayas.
O argumento de Takseshi Tamura, a partir de uma história de  Taijun Takeda, salta para trás no tempo para mostrar como o assassino teceu uma teia sensual em torno das mulheres. Oshima e Akira Takada usam inventivas técnicas com a câmara para reflectir os múltiplos pontos de vista, e o sentimento que as mulheres partilham. Não é dos filmes mais conhecidos do realizador, mas é uma pérola a descobrir.

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Um Fugitivo do Passado (Kiga kaikyô) 1965

O Detective Yumisaka (Junzaburô Ban) tenta encontrar um bando de criminosos. Três homens roubaram uma família em milhões de yenes, assassinaram-nos, queimaram-lhes a casa, e fugiram, enquanto o fogo se espalhava pela cidade. Enquanto isso, um tufão andava pela redondeza, e vira um ferry que transportava milhares de pessoas. Na confusão, os três homens roubam um barco para a fuga, mas no dia seguinte dois corpos dão à costa, e não estão listados entre os passageiros do ferry. São dois dos suspeitos do roubo/homicídio, e o terceiro homem, Takichi Inukai (Rentarô Mikuni), está em fuga, escondendo-se com a prostituta Yae Sugito (Sachiko Hidari). Quando Inukai vê os jornais da manhã, foge, deixando muito dinheiro para Yae. O dinheiro para ela deixar a prostituição e começar uma vida nova, mas acaba por voltar à casa de partida. Durante dez anos Yae e Yumisaka procuram Inukai, ela para agradecer-lhe, ele para o apanhar.
Esta introdução parece ser muito grande, mas, na realidade, as três horas de filme providenciam muita história, muito maior do que está aqui contado. Abrange muito terreno temático, e conhecemos as duras realidade económicas do Japão do pós-guerra, já que o filme começa em 1947, altura em que o mercado negro está a florescer, muitas comodidades são dadas em pequenas quantidades, e o desespero financeiro. Inukai e os dois homens com quem ele estava são cidadão repatriados, e ficamos com uma noção das dificuldades que eles enfrentam. Quando Inukai conta o seu lado da história, temos de decidir se ficamos do seu lado ou não...e não conseguimos ficar indiferentes. Se acreditarmos nele, temos de ponderar sobre que as decisões que tomamos em face da crise. Este é também um filme sobre a culpa e a expiação, sobre a luta das mulheres nas cidades, sobre o karma espiritual, e sobre as obrigações de não podemos deixar de cumprir.
Realizado por Tomu Uchida, um nome que já vinha do cinema mudo, antigo actor e assistente de Mizoguchi na Mikkatsu. Dirigiu comédias antes de se virar para os dramas sócio políticos, com forte influências de esquerda. Aqui vamos encontrá-lo já em fase final de carreira, numa altura em que já não fazia um filme por ano. Esta seria uma das suas últimas obras, antes de falecer em 1970.

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terça-feira, 31 de maio de 2016

Pale Flower (Kawaita Hana) 1964

Muraki, um gangster da Yakuza, acaba de ser libertado da prisão depois de cumprir uma pena por assassinato. Revisitando o seu velho vício do jogo ele conhece Saeko, uma mulher notável da classe alta que procura emoções, e cuja presença apimenta os antiquados rituais do antiquado submundo masculino. Muraki torna-se o seu mentor, e simultaneamente envolve-se com ela, levando-o a envolver-se mais com o mundo do crime.
"Pale Flower", de Masahiro Shinoda, abre com uma sequência quase perfeita que diz praticamente tudo o que o filme tem a dizer sobre as personagens principais. Centrado à volta de uma casa de apostas, a câmara move-se à volta de muitas pessoas que tentam a sua sorte, onde se encontram a mulher bonita e o presidiário. É uma sequência virtuosa, mas o que a torna tão inebriante é a fantástica música de Toru Takemitsu, um dos maiores compositores japoneses de todos os tempos.
"Pale Flower" é um dos filmes mais poderosos sobre o mundo da Yakuza, com Masahiro Shinoda a homenagear o film noir americano, embora com algum desespero. Passado na década de 40, vamos encontrar um protagonista solitário com um carácter obsessivo. Shinoda vai buscar muita influência ao Film Noir Americano e à Nouvelle Vague, com uma história sombria, niilista, que não oferece redenção ou qualquer recompensa emocional para os moralmente corruptos protagonistas.
O preço para a liberdade criativa por vezes é elevado, e este filme esteve arquivado durante meses, depois do co-argumentista Masaru Baba acusar o próprio realizador de anarquista, considerando o filme mais preocupado com a parte visual do que com a história. Shinoda acabou por conseguir lançar o seu filme, mas os estragos já tinham sido feitos. O realizador, com outros realizadores que trabalhavam para o Shochiku, acabaram por deixar o estúdio para sempre.

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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Cruel Gun Story ( Kenjû Zankoku Monogatari) 1964

Um empresário consegue providenciar a libertação antecipada de  Togawa da prisão, dando-lhe hipótese de em troca conseguir uma pequena vingança pessoal contra o homem que tratou mal a sua irmã. Togawa é necessário para um assalto a um camião blindado carregado com 120 milhões de yenes, e assim conseguir dinheiro para uma cirurgia à irmã. O plano parece simples, mas há traições e duplas traições em todo o lado. Será que Togawa consegue dinheiro suficiente para ajudar a irmã e abandonar o Japão?
"Cruel Gun Story" foi realizado em 1964 por Takumi Furukawa, e segue a premissa de "The Killing" de Stanley Kubrick. Quatro gangsters que trabalham para a máfia japonesa são contratados para roubar um carro blindado que transporta o recheio dos lucros de uma pista de corridas. Claro que tudo vai correr mal, e acabam por raptar dois guardas. Pelo caminho irá haver várias traições não só dentro do grupo, como também fora. Desde o advogado desonesto que os contratou, ao chefe dá máfia que não tinha intenção de dividir o produto do roubo com o grupo, com o advogado a ter idéias de formar o seu próprio gang. Irá haver bastantes tiroteios maciços pelo caminho.
A acção é emocionante, e a narrativa mantém-se a um ritmo bastante rápido, impedindo o filme de se acomodar. O último tiroteio fica a dever muito ao último tiroteio de "The Killing", mas não antes do último do último twist, que deixa mais uma preocupação a Togawa. O protagonista é Jô Shishido, o mesmo de vários outros "noirs" deste ciclo.
Legendas em Inglês.

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domingo, 29 de maio de 2016

Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku) 1963

.Um grande executivo está numa situação crítica. Ele reservou uma verba para resolver problemas da fábrica de sapatos, quando descobre que o seu filho foi raptado. O resgate pedido pelos raptores aproxima-se do dinheiro separado para a empresa e será crucial para os seus negócios. Contudo, quando resolve salvar a vida do filho, acontece algo muito inesperado.
Depois do enorme sucesso de "Rashomon" em 1950, o filme que literalmente abriu os olhos do mundo para o cinema japonês, Akira Kurosawa passou a maior parte do tempo a fazer jida-geki, ou filmes dramáticos passados no passado, que incluía uma longa série de filmes de samurais, como "Os Sete Samurais" (1954) ou "Yojimbo" (1961). No entanto, durante este tempo ele também fez um punhado de gendai-geki, filmes dramáticos passados no Japão contemporâneo. Em cada um deles Kurosawa explorava questões pertinentes, morais e sociais, como o significado de viver (Ikiru), o medo da aniquilação nuclear (I Live in Fear), ou a prevaricação corporativa (The Bad Sleep Well).
Enquanto "Céu e Inferno" se encaixa perfeitamente neste segundo grupo de filmes, também se destaca como um thriller de mistério habilmente trabalhado, cuja história de um rapto e as suas consequências é tecida através de um retrato particularmente agudo da decadência do Japão Moderno. A idéia da moralidade e da honra debaixo de fogo, eram uma constante nos filmes de Kurosawa, mas nunca tinham sido tão vis e caóticas como aqui, principalmente no último terço do filme, passado nas favelas de Yokohama. Kurosawa tinha feito algo semelhante em "Cão Danado" (1949), um procedimento policial que era tanto sobre a natureza sórdida do submundo do crime como era sobre o seu mistério central, mas aqui assume uma febre ainda mais apertada do que anteriormente.
Foi nomeado para o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 1964.

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Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru) 1960

Um jovem tenta utilizar-se da sua posição no coração de uma empresa corrupta para expor os homens responsáveis pela morte do seu pai. No dia do seu casamento, vários rumores e comentários circulam entre os presentes, que cinco anos antes, o pai de Nishi morrera após cair de uma janela do andar do edifício da empresa. Muitos duvidam de um suicídio. Nishi, tentará investigar sobre um possível assassinato de seu pai.
O título deste filme de Akira Kurosawa, "Homem Mau Dorme Bem" (Warui yatsu hodo yoku nemuru), evoca com perfeita clareza a visão cínica do filme, e do mal que corre no mundo moderno. Enquanto os bons lutam e sofrem para fazer o que é certo, os maus dormem em conforto, sabendo que não só a sua ganância e fraudes não pagarão dividendos, como estarão seguros na sua teia de corrupção. É aqui que o filme revela o seu sentido mais agudo de amargura, cumprindo a tarefa de mostrar que no mundo corporativo moderno o fim justifica os meios, principalmente se os poderosos permanecerem no poder. Apesar de ter sido feito à tantos anos, e no ambiente japonês do pós-guerra, pode ser mais relevante do que nunca.
Kurosawa tenta recriar um Hamlet contemporâneo, segundo o estilo assumido do noir americano dos anos 40, mas tem outras coisas em mente para poder ser considerado 100% noir. Era a primeira produção independente para a companhia do realizador, que infelizmente não durou muito tempo. O argumento era escrito segundo um livro de Ed McBain, e manipulado por um grupo de argumentistas que incluía o próprio Kurosawa e uma equipa formada por Shinobu Hashimoto, Eijirô Hisaita, Ryuzo Kikushima e Hideo Oguni.

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sábado, 28 de maio de 2016

Cão Danado (Nora Inu) 1949

Murukami (Toshirô Mifune), um jovem detetive de homicídios, é roubado nos transportes públicos e perde a sua pistola. Atordoado e envergonhado tenta recuperar a arma, mas não obtem sucesso até ter a ajuda de um detetive mais velho e mais sábio, Sato (Takashi Shimura). Juntos, irão rastreiam o culpado.
"Com mesclas do noir americano e uma bela referência a um filme de King Vidor, Cão Danado (1949) aparece como a provável primeira grande obra de Akira Kurosawa, um penúltimo passo (se excluirmos Escândalo, seu filme seguinte) antes de sua obra-prima primeva, Rashomon.
A construção relativa acima certamente se aplica a muitos leitores e fãs do “Luminoso”, mas no meu caso, ela é menos nebulosa, pois contemplo Cão Danado como um verdadeiro filme-trampolim para o Kurosawa Master dos anos 1950, e entendo-o realmente como a primeira grande obra do cineasta japonês.
 Em Cão Danado, já é possível perceber um amadurecimento patente das nuances mais recorrentes de Kurosawa, como o trabalho com a matéria natural (em especial, a chuva), a disposição em múltiplos ângulos no mesmo cenário, e o lado sentimental e humano que se faz presente em qualquer situação. Neste caso, a postura passional de um jovem investigador de polícia é quase toda a matéria do filme, e o drama policial gira em torno de um tormento particular e da criminalidade na periferia de Tóquio.
Duas das primeiras coisas que se destacam no filme são a fotografia e a direção de arte, que logram transmitir uma forte sensação de calor ao espectador (o filme se passa durante dias terrivelmente quentes), bem como de uma “poluição visual” do cenário, sempre com takes em ambientes abarrotados de coisas, e em sua maior parte, muito pequenos, intensificando ainda mais a sensação de calor e dando espaço para uma interpretação claustrofóbica da história que está sendo contada. Ambos os setores técnicos foram premiados no Mainichi Film Concours de 1949, que também deu a Fumio Hayasaka o prêmio de melhor trilha sonora e a Takashi Shimura o de melhor atuação (também por seu papel em Duelo Silencioso)."
Texto de Luiz Santiago, podem ler mais aqui.

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O Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi) 1948

Depois de uma batalha com um gang rival, um pequeno gangster é tratado por um jovem médico alcoólico no Japão do pós-guerra. O médico diagnostica tuberculose ao jovem gangster e convence-o a iniciar o tratamento. Os dois começam a desfrutar de uma amizade inquieta, até que o antigo chefe do gangster é libertado da prisão e volta para o seu gang mais uma vez. O jovem doente perde o estatuto de líder e torna-se condenado ao ostracismo, envolvendo-se numa luta com o ex-líder até à morte.
Se não for por outras razões, "O Anjo Embriagado" é um marco na história do cinema, por ter sido a primeira colaboração entre Akira Kurosawa e Toshiro Mifune, uma colaboração que se prolongaria por mais 15 filmes, ao longo de duas décadas. Kurosawa reconheceu imediatamente o poder da volatilidade  de Mifune em acção, e lança-o como um jovem bandido chamado Matsunaga. Curiosamente, a última colaboração dos dois seria em 1964, no filme "O Barba Ruiva", no qual Mifune interpreta um médico que guia um jovem protegido na busca da maturidade espiritual.
O filme tem lugar nas favelas de Tóquio do pós-guerra, e foca-se na escória da sociedade - tanto nos pobres como nos criminosos que se alimentam deles. Kurosawa literaliza a corrupção social, centrando a maior parte da acção em volta de um esgoto no meio de uma praça do mercado negro. A fossa, que se torna um personagem importante, constantemente em ebulição, é a primeira coisa que vemos no filme. Kurosawa usa-a frequentemente como objecto de transição, e mesmo quando não é um objecto principal, está sempre lá no fundo, lembrando-nos em termos puramente visuais, de tudo o que é venenoso e destrutivo.
"O Anjo Embriagado" também é um filme importante na carreira de Kurosawa. Foi feito com os seus próprios meios, e mesmo que tenha sido obrigado a ceder em alguns elementos para se desviar dos censores dos americanos ocupantes, ainda é uma visão singular da corrupção da sociedade japonesa no pós guerra da Segunda Guerra Mundial. Kurosawa já tinha explorado este terreno antes, e vai continuar a fazê-lo por mais alguns anos, usando a luta dos bons personagens por entre as ruínas de Tóquio e os seus crescentes mercados negros, como uma forma de enfrentar as memórias remanescentes da derrota, e os desafios que se impõem da reconstrução.

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Kurosawa e o Noir

Akira Kurosawa uma vez disse: "Gosto muito de Georges Simenon, e queria fazer alguma coisa ao seu jeito". Simenon era um autor francês da década de 30, famoso pelas suas novelas de crime e ficção fortemente influenciadas pelo film noir francês. A influência de Simenon podia ser vista através da sua escrita, que minimizava a violência e a acção em troca de uma atmosfera visual escura. Ao afirmar a sua admiração por Simenon, Kurosawa identificava a sua influência no film noir.
Os filmes de Akira Kurosawa onde se pode aplicar o termo "noir" são os que têm as mesmas fontes literárias que os clássicos de Hollywood, misturados com o estilo do expressionismo alemão. Kurosawa gostava dos dois, então os filmes que conhecemos dentro deste estilo talvez sejam mais uma evolução paralela do que propriamente uma homenagem ou tributo.
 Dentro do ciclo do "Film Noir Japonês" vamos criar uma nova caixa, e nos próximos dias poderão seguir mais um ciclo dentro deste ciclo, onde poderão ser vistos os quatro "Noirs" realizados pelo famoso realizador japonês. Quatro filmes, todos de superior qualidade.

- "Drunken Angel" (1948)
- "Cão Danado" (1949)
- "Homem Mau Dorme Bem" (1960)
- "Entre o Céu e o Inferno" (1963)
Poderão ver tudo no fim de semana.

Gate of Flesh (Nikutai no Mon) 1964

A história, tirada de uma novela de Taijiro Tamura, centra-se à volta de um grupo de prostitutas, que se uniram por entre as ruínas da cidade de Tóquio, para sobreviverem. Trabalham sem chulos aderindo a um rigoroso conjunto de regras, a mais importante das quais é que nunca podem dormir com um homem de graça. No mundo delas o amor e o sexo são rigorosamente separados, e na verdade, é mais do que isso: o amor não é uma possibilidade, e se alguma delas quebrar essa regra será brutalmente espancada, humilhada, e expulsa do grupo para sempre.
O dia a dia destas mulheres é interrompido com a chegada de duas personagens. Primeiro chega Maya, uma jovem de 18 anos (interpretada pela estreante Yumiko Nogawa), uma jovem desesperada e obrigada a roubar para sobreviver. Ela não é como as outras, tem um ar muito inocente, mesmo quanto sentimos que ela esconde algo muito mais obscuro. A segunda chegada é a de Shintaro Ibuki (interpretado pelo habitual de Suzuki, Jo Shishido), um ex-soldado japonês, possivelmente psicopata, que se esconde no meio das prostitutas, porque é procurado por esfaquear um soldado americano. Também é procurado pela ligação a um assalto, do qual pode ou não estar a esconder o produto do roubo...
Tal como o título sugere, há abundância de elementos chocantes e de exploitation em "Gate of Flesh". Na verdade, para um filme japonês feito em meados da década de sessenta, é surpreendentemente explícito na sua mistura entre sexo e violência, embora Seijun Suzuki tenha uma grande habilidade em sugerir muita nudez, sem, na verdade, mostrar muito. No entanto, apesar de parecer ser um filme simplista, transmite um olhar bastante agudo sobre as dificuldades enfrentadas pelo Japão na esteira da Segunda Guerra Mundial, e sobre a essência melodramática do amor proibido.
"Gate of Flesh" também beneficiava do estilo visual único de Seijun Suzuki, como era habitual nas obras deste autor. Não é dos seus filmes mais conhecidos, mas é dos melhores deste período.

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Intenção de Matar (Akai Satsui) 1964

Sadako foi criada como uma empregada doméstica em casa do seu marido, que continua a tratá-la como uma serva. Enquanto o marido está fora, Sadako é repetidamente violada por um estranho, que lhe faz nascer um instinto indomável para a sobrevivência. Uma relação bizarra desenvolve-se entre o violador, que continua a perseguir a mulher assustada, algures entre a violência e o amor, e Sadako, cujas intenções de matá-lo levam a um desfecho impressionante.
Antecipando "Cerimónia" de Nagisa Oshima, na sua representação metafórica da morte da classe samurai através de linhas de sangue contaminadas, ligações místicas, relações incestuosas, fragilidade e impotência, "Intenção de Matar" tem a marca característica das preocupações recorrentes de Shohei Imamura: a sensualidade e a resistência das mulheres, a manifestação do individualismo numa sociedade codificada, as idiossincrasias e instintividade primitiva que definem o comportamento humano. Voltamos ao imaginário animal como um substituto para o comportamento humano que Imamura tinha incorporado em "Porcos e Couraçados" e "A Mulher Insecto".
 Enquanto que o título faz lembrar um thriller noir, "Intenção de Matar" é mais apropriadamente descrito como um melodrama perversamente nacional sobre como a sociedade japonesa permite que os homens patéticos manipulem e controlem as mulheres nas suas vidas. Imamura também utliliza várias sequências de sonhos surreais para exprimir algumas partes mais emocionais do filme, que, juntamente com o retrato contundente da hipocrisia social, ganhou muitas comparações com os filmes de Buñuel.

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Youth of the Beast (Yajû no Seishun) 1963

Joe Shishido interpreta um durão com uma agenda secreta. O seu comportamento violento chama a atenção de um duro chefe da Yakuza, que imediatamente o recruta. Depressa ele tenta fazer um acordo com um gang rival, e começa uma guerra de gangs. As suas reais motivações são gradualmente reveladas à medida que vamos descobrindo que tudo está relacionado com o assassinato de um polícia que é mostrado logo no inicio do filme.
Nas últimas décadas, desde que os seus filmes começaram a cruzar o oceano, Seijun Suzuki tornou-se numa figura de culto nos Estados Unidos, um génio impetuoso e original, habituado a quebrar as regras da desconexão lógica e da estética. Os seus estranhos filmes eram muitas vezes comparados com os de Samuel Fuller ou David Lynch, sendo ele próprio um fã fervoroso de Jim Jarmusch, que lhe agradeceu nos créditos finais de "Ghost Dog: Way of the Samurai" (1999). Na altura do lançamento deste filme, que muitos consideram o seu "breakthrough", já tinha realizado quase 30 filmes, no espaço de uma década. A maior parte eram filmes baratos, rápidos e simples, considerados "program pictures", uma expressão idêntica aos filmes de série B nos Estados Unidos.
"Youth of the Beast" era um "film noir" maravilhosamente distorcido pelos padrões de Suzuki. Começa a preto e branco, com dois policias a investigarem um aparente duplo suicídio de uma "call girl", e um homem casado com quem ela tinha um caso. Suzuki deixa logo caír a primeira pista de que este não é um crime normal. Tal como acontece na maioria dos filmes de Suzuki, a história não é central. À medida que a sua carreira evoluía as suas narrativas tornavam-se cada vez mais confusas e implausíveis, a tal ponto que ele acabou por ser demitido da Nikkatsu no final dos anos sessenta. "Youth of the Beast" não é um filme tão fragmentado narrativamente, mas o seu estilo visual ultrapassa a história.
Sexo e violência são admiravelmente misturados, e existe aqui um certo sadismo, ao desviar a atenção para as personagens mais bizarras. um dos personagens centrais é gay, e usa uma pequena navalha para cortar quem ousar lembrá-lo de que a sua mãe era prostituta. Uma das marcas de Suzuki é o tratamento do crime organizado como se fosse um estilo de vida absurdo.
Legendas em Inglês.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Zero Focus (Zero no Shôten) 1961

Um viagem de negócios desde Tóquio até à área isolada de Kanazawa, nas províncias ocidentais, conhecidas como os Alpes Japoneses, leva Kenichi Uhara (Koji Nanbara) um executivo e recém casado com Teiko (Yoshiko Kuga). Kenichi vai finalizar alguns negócios na sua antiga filial, onde trabalhou para o rico dono de uma fábrica chamado Murota (Yoshi Kato). Kenichi acaba por desaparecer passados poucos dias, e Teiko viaja de comboio na companhia de um executivo (Takanobu Hozumi) para tentar descobrir o que aconteceu ao marido, para perceber que existem coisas sobre o passado dele que ela não tinha conhecimento.
Realizado por Yoshitaro Nomura, filho do grande realizador do cinema mudo japonês Hotei Nomura, que realizou cerca de 70 filmes antes do cinema sonoro chegar ao Japão, é baseado num livro de Seicho Matsumoto. É reminiscente dos filmes noirs americanos dos anos quarenta, e coberto de grandes twists e uma atmosfera sinistra, com paisagens muito negras, tal como o ambiente da história e o território montanhoso onde a acção é filmada. É também um filme desafiante para espectadores estrangeiros, com algumas reviravoltas e pistas a poderem ser mal interpretadas, por terem a ver com os costumes locais.
Existe aqui uma grande crítica às mulheres Japonesas, e a forma como elas são vistas na sociedade. Teiko é recém casada com a idade de 36 anos, um pouco tarde para os velhos padrões japoneses, e mesmo para os actuais, sendo contrastada com mulheres que se tornaram prostitutas para sobreviver no pós-guerra do Japão. De certa forma o filme é sobre a perda da virgindade moral de Teiko. Enquanto ela não é corrompida por outros, é forçada a confrontar realidades da vida longe da sua calma existência em Tóquio.
Uma grande interpretação de Yoshiko Kuga, que tinha recentemente interpretado dois grandes filmes de Ozu: "A Flor do Equinócio" (1958) e "Bom Dia" (1959).

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domingo, 22 de maio de 2016

Porcos e Couraçados (Buta to Gunkan) 1961

Originalmente lançado em 1961, "Porcos e Couraçados" é um belo filme que captura maravilhosamente um período único na história japonesa. Depois da derrota do país na Segunda Guerra Mundial o Japão foi alvo de uma significativa presença americana, e com o país a recuperar dos efeitos muito graves da guerra isto teve um impacto significativo sobre a população. Afastando-se das crenças do tempo da guerra, lidavam com a desconfiança das gerações mais velhas e, lutando para sobreviver em circunstâncias difíceis, a população mais jovem japonesa foi lutando contra uma espécie de crise de identidade.
Paralelismos entre o Japão como país, e as vidas dos personagens deste filme, constantemente percorrem Porcos e Couraçados, impregnando as decisões com um maior significado e profundidade. Os dois protagonistas principais, um pequeno yakuza, Kinta (Hiroyuki Nagato), e a sua namorada Haruko (Jitsuko Yoshimura), estão num ponto importante de inflexão e há um sentido ao longo do filme em que as decisões que eles tomam vão definir as suas vidas.
Kinta esforça-se para alcançar sucesso como gangster, através de esquemas para obter dinheiro dos ricos e tentativas de favores de gangues mais poderosos, para levar a cabo assassinatos. Está desesperado para conquistar reputação como um gangster. Haruko por outro lado, quer sair da cidade portuária de Yokosuka em que vivem, vendo para lá da vida tradicional dos seus pais.
Baseado num argumento de Hisashi Yamauchi, o filme é uma obra um pouco complexa, com as acções das personagens secundários muitas vezes a terem mais importância do que aparentam. Um retrato impressionante do pós-guerra, a vida no Japão, selvagem e caótica contada por Shohei Imamura, "Porcos e Couraçados" é um documento que define não apenas o estilo singular Imamura - uma agressão deliberada à serenidade de Yasujiro Ozu -, mas também define profundamente a sua visão humana do mundo, muitas vezes apresentada através dos sonhos, desejos e desespero das pessoas que compõem os estratos mais baixos da sociedade do seu país. Tal como muitos outros filmes de Imamura, "Porcos e Couraçados" é preenchido com criminosos, chulos e prostitutas, mas o que liga muitos dos personagens simpáticos dos seus filmes não é tanto as suas profissões ou mesmo a realidade sombria económico e social que os rodeia , mas a vitalidade e o desafio que eles apresentam nesse meio. A visão do mundo Imamura é escura e profundamente cínica, é uma qualidade que fez dele, na minha opinião, o maior cineasta do cinema novo japonês.

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sábado, 21 de maio de 2016

O Inútil (Rokudenashi) 1960

A secretária Ikuko Makino é alvo de brincadeiras de mau gosto por parte do filho do chefe e dos seus amigos, um grupo de jovens rebeldes que fazem de tudo para matar o tédio. Apesar dessa relação conflituosa, Makino apaixona-se por Jun, um dos rapazes do grupo, a quem chama de “imprestável”.
Yoshishige Yoshida a demonstrar o seu talento logo no seu primeiro filme, mostrando, por exemplo, grande domínio na iluminação e na composição. "Rokudenashi" era fortemente influenciado pela Nouvelle Vague (de certa forma poderia ser considerado uma versão japonesa de "O Acossado", talvez com algumas piscadelas para "Cruel Story of Youth", realizado por Oshima pouco tempo antes. A fotografia dinâmica a preto e branco anuncia a mise en scène não convencional e os movimentos de câmara fluidos estão aqui presentes, tornando-se a assinatura de filmes posteriores de Oshida. 
É um filme que analisa o tema dos jovens sem rumo, a base da história é um grupo de quatro estudantes, dois dos quais de famílias ricas. Um dos mais pobres apaixona-se pela secretária de um dos mais ricos que tenta levá-lo para o caminho certo, mas como um filme socialmente sensível como este é, sabemos que não vai correr bem. 
 Yoshida ficaria mais tarde conhecido por obras como "Eros + Massacre" ou "Akitsu Springs".
Legendas em inglês.

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Take Aim at the Police Van (Jûsangô Taihisen' Yori: Sono Gosôsha o Nerae) 1960

Uma van da polícia é assaltada, e os dois prisioneiros que viajavam lá dentro são mortos. O guarda da prisão que se encontrava de serviço é suspenso, e não vê outra solução senão procurar ele mesmo os criminosos. Quem eram as vítimas, quem eram os seus familiares e namoradas, e quem mais estava na Van nessa noite? À medida que a investigação avança outros morrem, coincidências ocorrem, enquanto o polícia se aproxima da verdade.
Desde o final dos anos cinquenta e através dos anos sessenta, os filmes de gangsters selvagens eram o principal negócio da Nikkatsu, o mais antigo estúdio do Japão. Numa tentativa de fazer aproximar o público mais jovem que crescia habituado às importações que chegavam dos Estados Unidos e França, a Nikkatsu começou a produzir filmes de acção que incluíam elementos dos westerns, comédias, e filmes sobre a rebeldia juvenil. Seijun Suzuki era um dos nomes mais importantes nesta altura, ao lado de Toshio Masuda, e Takashi Nomura,e não será por acaso que este filme terá vários filmes seus.
"Take Aim at the Police Van" é brilhantemente fotografado por Shigeyoshi Min, que usa algumas cenas clássicas dos filmes americanos, tal como a utilização da câmara no pára-choques dianteiro, que compunha muitas vezes as sequências de abertura. Os locais utilizados para as filmagens ajudam a manter o filme fresco, e ajudam a capturar o ambiente do pós-guerra das cidades japonesas. Koichi Kawabe foi encarregado de fazer a banda sonora do filme, e faz um magnifico trabalho, adicionando o suspense necessário, além de serem notadas muitas familariedades com os film noir americanos.
A história é o clássico "whodunit". Os argumentistas Shinichi Sekizawa e Kazuo Shimada vão deixando muitas pistas para nos deixarem ocupados a pensar até ao final em quem é o principal criminoso, que vai mantendo o filme interessante.
Legendas em inglês.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dragnet Girl (Hijôsen no Onna) 1933

Tokiko é uma dactilógrafa que esta mais interessada em chamar a atenção do filho do chefe do que cumprir o seu dever. Isto porque o seu verdadeiro namorado é Joji, um boxeur que se tornou gangster, e vê nesta situação uma boa oportunidade para fazer dinheiro. Contudo, quando Kazuko, a inocente irmã de Hiroshi, um possível novo membro da quadrilha, pede a Joji para não aceitar o irmão, o gangster fica apaixonado pela jovem. Tokiko fica com ciúmes, e está determinada a reconquistar Joji, mas este já tomou a decisão de obter a redenção.
 "Dragnet Girl" é descrito como um dos filmes mudos mais populares e aclamados de Ozu, e é fácil perceber porquê. O filme está cheio de momentos maravilhosamente construidos, além de ser um dos seus filmes mais impressionantes visualmente, do período mudo. Faz um grande uso da profundidade de campo, enchendo o frame com as suas maravilhosas composições, acrescentando numerosas camadas por cada "shot". É a perfeita demonstração da força do filme, em adicionar dimensões visuais sem utilizar a tecnologia 3D, enigmática e desconfortável.
Tal como os outros filmes neste mini-ciclo, tem um núcleo moralista e sentimental, mas não se sente que seja encaminhado para este ponto, tal como os outros são. A mudança de foco dramático entre as personagens, embora contribuindo para uma história mais rica, pode fazer o filme mais difícil de se seguir, com o meio a ser um pouco lento. Ainda assim é o filme mais forte desta série.
Intertitles em português.

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