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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

As Servas de Drácula (Twins of Evil) 1971

Twins of Evil é o terceiro filme da Karnstein Trilogy, baseada na personagem Carmilla, criada em 1872 por Joseph Thomas Sheridan Le Fanu, para a novela com o mesmo nome. De Jean Rollin a Jess Franco, Carmilla foi uma grande fonte de inspiração na criação de vampiros do sexo feminino no cinema. Mas Twins of Evil não é uma adaptação directa da obra de Le Fanu pois a Mircalla Karnstein, reencarnada em Carmilla na novela, são concedidos apenas alguns minutos da trama. O destaque é dado às gémeas Maria (Mary Collinson) e Frieda (Madeleine Collinson), que, depois da morte dos pais, viajam de Veneza para Karnstein para serem adoptadas pelo tio Gustav Weil (Peter Cushing), líder de uma terrível irmandade responsável pela captura e morte de bruxas e de outros supostos seguidores do diabo. O conde de Karnstein (Damien Thomas), invocando o demo, ressuscita Mircalla (Katya Wyeth) e com a sua ajuda é transformado em vampiro. Uma das gémeas, Frieda, entediada com o isolamento que vive na aldeia, procura a companhia do conde, que a seduz e secretamente transforma em vampira. 
One uses her beauty for love! One uses her lure for blood. Which is the virgin? Which is the vampire? 
A Karnstein Trilogy é uma resposta dos estúdios Hammer ao esgotamento dos filmes protagonizados por Dracula e também à mudança de costumes no que diz respeito à utilização do sexo e da violência no panorama audiovisual da época. Desde o primeiro filme na Hammer e ao longo das sucessivas releituras, Dracula - interpretado por Christopher Lee - largara um certo ar romântico e acentuara a frieza e o sadismo. Em Dracula: Prince of Darkness (Terence Fisher, 1966), o conde não profere uma única palavra, bastando a sua figura aterradora. Scars of Dracula (Roy Ward Baker, 1970) marca o ponto mais alto na violência, até essa data. Mas os resultados críticos e de público tornavam-se desanimadores. A introdução de mulheres libidinosas e com orientações lésbicas foi a estratégia que o estúdio estabeleceu para revitalizar o género. Primeiro com The Vampire Lovers (Roy Ward Baker, 1970) e depois com Lust for a Vampire (Jimmy Sangster, 1971), ambos em torno da tentadora vampira Carmilla. No filme seguinte, Twins of Evil, a novidade recai no protagonismo entregue a duas irmãs gémeas, numa bela imagem do bem e do mal. Enquanto Maria aceita resignada a realidade que o tio lhe impõe, Frieda oferece a alma ao diabo e não se coíbe em condenar a irmã à morte. As irmãs Collinson chegam à Hammer depois de terem posado nuas para as páginas da Playboy, como Playmates do mês. Desenganem-se, desde logo, aqueles que procurarem Twins of Evil por este aspecto pois é muito comedido nas cenas de nudez (ou lésbicas), quando comparado com os outros dois filmes da série. A Hammer introduziu a nudez em The Vampire Lovers e, a partir daí, tornar-se-ia em algo vulgar nos filmes do estúdio. Algum pudor nas cenas de sexo também se perdera com o tempo, mas mantendo-se sempre dentro do socialmente aceitável e sob a vigia do British Board of Film Classification. Isto obrigava ao uso de subtilezas - algumas muito pouco subtis - que criam apontamentos camp, como no plano de Twins of Evil em que vemos a mão de Mircalla a agarrar-se a um candelabro quando, fora de campo, está deitada na cama com o conde. Na Karnstein Trilogy, há regras importantes da mitologia vampírica que assumem outras formas. Uma delas, a possibilidade de os vampiros caminharem sob a luz solar, provoca incerteza no espectador quanto à definição das personagens e alterações dramáticas significativas na relação dos vampiros com os mortais. Os dentes também aumentam de tamanho, acentuando a pose grotesca. 
Texto do Carlos Alberto Carrilho, daqui

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domingo, 30 de outubro de 2016

Capítulo 1 - Terror

Cemitério Vivo (Pet Sematary) 1989
Para muitas famílias, mudar de casa significa recomeçar. Mas para os Creed pode estar a começar o fim. É que eles mudaram-se para próximo de um lugar que as crianças construíram com desilusões, o Cemitério Vivo. Trata-se de um estreito pedaço de terra, que oculta um misterioso sepulcro indígena com poderes de ressurreição. O mestre do terror, Stephen King, leva todos ao inferno, mas os Creed não tem passagem de volta. O guia turístico é o gentil Jud Crandall (Fred Gwynne), o vizinho simpático que conhece os segredos da vida, mas que já viu o suficiente para acreditar firmemente que às vezes a morte é bem melhor.
Era apenas a segunda obra de Mary Lambert, e a primeira que Stephen King adaptava directamente para o cinema um dos seus romances. Sendo o livro um best-seller, o filme acabou por se tornar também um êxito de bilheteira, mesmo tendo em conta o tom mórbido filmado por Lambert, e o componente dos slasher movies. Rendeu 57 milhões só nas bilheteiras americanas, tendo em conta o budget de 11,5 milhões, sendo de longe o filme de terror com melhores resultados nesse ano.
Não é das melhores nem mais importantes adaptações de Stephen King, mas é das mais bem sucedidas. Teve uma sequela 3 anos depois.

A Catedral (La Chiesa) 1989
Na Idade Média uma catedral é construída com o propósito de abrigar corpos de pessoas consideradas possúidas pelo Demónio. Séculos depois um jovem bibliotecário liberta o mal que está sobre a construção removendo uma pedra nas catacumbas. Ao redor, uma série de eventos macabros começa a acontecer, e o Padre Gus parece ser o único que não está possuído. Portanto, cabe a ele a tarefa de evitar o caos na cidade encontrando um segredo, na própria igreja, libertando a cidade dos demónios.
Produzido e com argumento de Dario Argento, e realizado por um dos seus protegidos, Michele Soavi, segue um pouco a história de "Demons" de Lamberto Bava, usando o mesmo dispositivo de uma presença maligna a enclausurar pessoas inocentes num prédio, com os mais pobres de espírito a serem afectados pela presença demoníaca. Um truque eficaz, muito bem explorado por Soavi, aqui um jovem de 32 anos ainda na sua segunda longa metragem, conseguindo uns momentos de choque bastante eficazes.

Os Olhos da Floresta (The Watcher n the Woods) 1980
O espírito de uma criança, assombra os filhos de um casal americano na sua nova residência, uma bela casa cercada por uma floresta na Inglaterra. As duas filhas do casal começam a ver coisas e ouvir vozes. A mais velha das meninas procura desvendar o desaparecimento de uma rapariga ocorrido há trinta anos.
Produzido pela Disney, numa das suas raras incursões ao território do terror, é baseado num livro de 1976 de Florence Engel Randall. O filme teve vários problemas de produção, tendo sido retirado da circulação logo depois de ter estreado, em 1980, tendo sido novamente lançado depois de uma nova montagem. A primeira versão foi realizada por John Hough, especialista em cinema de terror que já tinha realizado, por exemplo, "The Legend of Hell House".
Destaque especial para duas velhas glórias de Hollywood em final de carreira: Bette Davis e Carroll Baker.

Jardim do Mal (The Lair of the White Worm) 1988
Ao fazer escavações nas terras de um convento, o arqueólogo Angus Flint encontra uma estranha caveira que lembra a cabeça de um dinossauro, e um mosaico romano. Há uma lenda local sobre uma antiga serpente morta na caverna de Stone Rigg. Paganismo e cristianismo entram em conflito, porque segundo a lenda essa cobra monstruosa pode transformar-se em mulher.
Campy, erótico, gory, por vezes intencionalmente engraçado, filme sobre vampiros, aqui sob a forma de uma mulher serpente adorada por um velho culto religioso. O britânico Ken Russell injecta na história as suas típicas alucinações e sonhos surreais. O filme é vagamente baseado no último trabalho conhecido de Bram Stoker, antes de morrer. Embora não tão conhecida como "Drácula", a história ainda tinha um número considerável de fãs.
Interpretado por um Hugh Grant muito jovem, alguns anos antes de se tornar famoso, e duas beldades: Amanda Donohoe e Catherine Oxenberg.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Indecente Mary e o Louco Larry (Dirty Mary Crazy Larry) 1974


A história é baseada numa novela de Richard Unekis, chamada "The Chase". Envolve um condutor de carros de corrida, chamado Larry, e o seu mecânico (Peter Fonda e Adam Roarke), que decidem fazer um assalto para fazer face às despesas. O assalto não decorre conforme planeado, e, perseguidos, vão ser acompanhados por uma prostituta chamada Mary (Susan George), e os três irão passar o resto do filme  no carro de Larry,  um Dodge Charger com um poderoso motor V-8com a polícia sempre na sua perseguição.
Esta premissa descreve uma série de chase-movies produzidos durante a década de 70. Alguns filmes de culto saíram desta vaga, como: Two-Lane Blacktop, Vanishing Point, Thunderbolt and Lightfoot, Gone in 60 Seconds, e um clássico particularmente perfeito chamado Dirty Mary, Crazy Larry. 
Se procurarem um filme com grande profundidade ou que tenha algo a dizer, bem que podem prcurar noutro lugar. Dirty Mary Crazy Larry não tem nada de importante a dizer, sobre qualquer assunto. É simples e directo ao ponto ser muito eficaz  como um filme de pura testosterona e acção. Sempre que uma perseguição está em vigor a câmera faz um grande trabalho a capturá-la e torná-la numa obra com muito suspense.
Peter Fonda deixou a sua marca nos filmes independentes de baixo orçamento, e, de certa forma, nunca saiu do underground cinematográfico. Apesar de em 1969, Fonda ter sido considerado uma estrela pelo filme de culto, "Easy Rider", vale a pena lembrar que o próprio filme foi feito por quase nada (um orçamento estimado em $400.000 com um lucro bruto de US $60 milhões), com actores que, na altura, eram reletivamente desconhecidos. "Dirty Mary Crazy Larry" e "Ride With the Devil", feitos quase de seguida, são filmes perfeitamente característicos de Peter Fonda onde ele consegue arrancar duas interpretações emocionantes com papéis que são bastante antagónicos. 
O filme está cheio perseguições, e bastante realistas. No início não é fácil de torcer pelas personagens, que fazem algumas coisas bastante desprezíveis, mas no decorrer da fuga, somos transportados para o seu mundo, e somos obrigados a torcer por eles; Mary tem as suas próprias razões para querer fugir, e existe uma enorme química entre Peter Fonda e Susan George como Larry e Mary. Vic Morrow é divertido como o policia desonesto que os persegue, disposto a fazer qualquer coisa para conseguir a sua captura.  A realização estava a cargo de John Hough.

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