Brendan Byers III (Jerry Lewis), um dos homens mais ricos da América, foi declarado inapto pelo serviço militar, e não pode servir o seu país na luta contra Hitler. No entanto, Byers é daquele tipo de pessoas que não aceita um não como resposta, e assim reúne um exército de outros recrutas declarados inaptos, para lutarem contra os Nazis.
Uma das duas realizações de Jerry Lewis em 1970. Foi retraçado pela crítica na altura que estreou, e, desta vez, nem os críticos franceses lhe valeram. Hoje em dia é considerado por muitos fãs como o pior filme de Lewis como realizador. A realização de Lewis era composta por duas câmaras diferentes, que filmavam a acção em ângulos diferentes, para de seguida serem editadas em conjunto. Este tipo de realização resultava na televisão, mas aqui é uma tentativa óbvia de enganar o público. Jerry Lewis é realizador e produtor, e coloca a acção a passar-se em 1943, só que não faz nenhuma tentativa dos actores vestirem roupas daquele tempo, ou de usar cenários de acordo com a época. São erros atrás de erros, que levou muita gente a considerá-lo das piores comédias de sempre.
A versão aqui presente é um TV Rip, já que o filme é difícil de se encontrar.
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sábado, 1 de agosto de 2015
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Jerry 8 3/4 (The Patsy) 1964
Quando uma estrela da comédia morre, a sua equipa tenta desesperadamente encontrar um substituto para o seu lugar. Esse substituto é Stanley Belt (Jerry Lewis), um simples empregado de hotel que assim salta da obscuridade para o estrelato. Mas nem tudo corre bem para o desajeitado Stanley, e a estreia está cada vez mais próxima...
Na altura em que a sua popularidade estabilizou, e gradualmente foi cativando o público mais jovem, Jerry Lewis poderia ter jogado pelo seguro, e ter feito um filme mais previsível, mas em vez disso ele fez "The Patsy". "The Patsy" era outro filme muito pessoal, e mais ousado do que qualquer outro filme que ele tinha feito até então. Tanto que antecipava os perdedores que Martin Scorsese iria explorar em "The King of Comedy", e para o qual o realizador contaria com o próprio Jerry Lewis, já em fase decadente de carreira.
De certa forma, para Lewis, "The Patsy" era o culminar do estilo cómico influenciando pelo cinema mudo, e a passagem para uma abordagem mais pessoal, mais parecida com o cinema europeu daquela época, do que com qualquer coisa feita em Hollywood durante a década de 60. Estilisticamente tinha mais a ver com o surrealismo do checo Jan Svankmejer, do que com as obras do actor anteriores a 1960.
Exceptuando os elementos mais negros de "The Nutty Professor", Lewis nunca tinha feito nada como isto. Para trás ficava o sentimentalismo cómico dos seus filmes anteriores, as inconsistências das interpretações de Lewis num papel único, e até ao seu climax "The Patsy" é uma odisseia hipnótica, através de um mundo de entretenimento louco.
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As Noites Loucas do Dr. Jerryll (The Nutty Professor) 1963
Jerry Lewis desempenha um duplo papel, como o nerd Professor Kelp e como o arrogante e super cool Buddy Love, duas personalidades perfeitamente opostas da mesma pessoa, depois do professor ter inventado uma fórmula para o fazer mais forte e mais confidente. Ele faz isso principalmente para impressionar a sua adorável aluna, Miss Purdy (Stella Stevens).
Este é talvez o filme mais pessoal de Jerry Lewis. Muitos comentadores dizem que a personagem de Buddy Love é a encarnação do ex-colega de Lewis, Dean Martin, enquanto que o nerd é ele próprio, o que leva a crer que já no tempo desta dupla, havia um conflito de identidades, com Lewis a ficar muitas vezes para trás. O tempo justificou que Jerry Lewis tinha mais talento do que Dean Martin. Por ser uma comédia, ainda por cima nonsense, não foi possível aprofundar mais as personagens, mas mesmo assim tem alguns gags brilhantes, ao nível dos melhores do actor/realizador.
Lewis apresenta-nos o filme cheio de cores brilhantes e corajosas, escurecendo nos momentos apropriados, como nas transformações em Buddy Love. O seu olho para o humor visual e auditivo sobressai neste filme, mas Lewis também mostra o seu génio para o silêncio, em momentos parados antes de uma piada. É um grande trabalho de realização, mas o filme não poderia ter resultado sem Jerry Lewis nos dois papéis, especialmente nos momentos em que a personagem está prestes a se transformar.A história, é claro, é inspirado na famosa obra "Dr. Jeckyll and Mr. Hyde", e foi um projecto que Lewis manteve em carteira durante 10 anos. Quando o filme entrou em produção, foi dos mais bem preparados deste realizador, tanto que acaba por o seu melhor trabalho tecnicamente, e provavelmente não só tecnicamente. John Williams era o actor que deveria ter desempenhado o papel de colega do protagonista, mas este rejeitou porque considerava a carreira de Jerry Lewis demasiado "pateta", e não quis trabalhar com ele. O certo é que muitos críticos europeus, especialmente do "Cahiers du Cinema" consideraram este o melhor filme do ano, em 1963, começando aqui o culto em redor de Jerry Lewis. Palavras do crítico Stuart Byron: "Lewis has really made his view of life into a true comic vision that can be discussed on par with Chaplin's, Keaton's, and Laurel and Hardy's".
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
O Homem das Mulheres (The Ladies Man) 1961
Jerry Lewis é Herbert H. Heebert, um homem que vem de uma relação que o deixou completamente destruído e desiludido com as mulheres. Ironicamente ele apenas consegue trabalho numa pensão lotada de jovens mulheres. Será que ele vai conseguir adaptar-se a esta nova vida?
A maior parte do filme, praticamente sem enredo, passa-se num cenário de três andares, com paredes abertas e escadas sinuosas por onde desliza a câmara de Jerry Lewis, para cima e para baixo, para dentro e para fora, do edifício. Alguns dos gags prolongam-se por muito tempo, mas outros são puro deleite, além da riqueza da côr, que faz deste filme um festim visual, tal como também é "The Nutty Professor".
Realizado no auge da sua fama na Paramount, "The Ladies Man" é realizado, produzido, co-escrito, e ainda interpretado por Jerry Lewis, no seu estilo mais indulgente, ou seja, uma mistura de acção com comédia satírica, sentimentalismo superficial, alguns gags visuais brilhantes, uma personagem central inconsistente, a delirante música de Walter Scharf, e um inevitável cameo de George Raft, tudo misturado num caldeirão de inventividade cinematográfica.
O cenário central do filme é enorme, provavelmente o maior e mais elaborado até ao covil-vulcão de Ken Adam, em You Only Live Twice (1967), da saga 007. Este cenário, com a sua "quarta parede" aberta para a câmera, é como uma colossal casa de bonecas trazida à vida. Mesmo no universo CGI dos dias de hoje, este cenário seria imponente.
O filme em si, é uma colecção de gags irregulares, alguns são apresentados como se estivéssemos perante uma comédia muda, com algumas cenas passadas num silêncio total, mesmo sem haver razão para tal. Em algumas das melhores cenas são visíveis as influências do antigo realizador de Lewis, Frank Tashlin, mas é claramente um filme de Jerry Lewis.
Mel Brooks escreveu o argumento original para este filme, mas uma vez que muita coisa que ele escreveu foi retirada da versão final do filme, ele pediu para retirarem o seu nome dos créditos finais.
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terça-feira, 22 de abril de 2014
Cinderelo dos Pés Grandes (Cinderfella) 1960
A resposta de Jerry Lewis para a clássica história da Cinderella. Quando o pai morre, Cinderfella (Jerry Lewis) é deixado à mercê da sua madrasta snob (Judith Anderson) e dos seus dois odiosos filhos (Robert Hutton e Henry Silva). Enquanto Cinderfella fica aprisionado como escravo da família, os seus dois meio irmãos tentam encontrar um tesouro que o pai de Fella deixou. Entretanto, na esperança de restaurar a sua fortuna em declínio, a madrasta organiza um grande baile em honra da princesa Charming, na esperança de casá-lo com um dos filhos. É então que aparece a Fada Madrinha (ou Fada Padrinho, Ed Wynn) de Cinderfella, que o convence de que ele é que pode ficar com a princessa.
Claramente um veículo para Jerry Lewis, que não faz parte do lote de filmes realizados por si próprio (foi realizado por Frank Tashlin). Mais interessado em seguir o conto de fadas original, do que dependente da personalidade maníaca de Jerry Lewis, era um claro exemplo do quanto medíocre se estava a tornar a carreira de Jerry Lewis, e de que precisa de tomar um novo rumo. Não quer isto dizer que o filme não tenha entretimento, pois na realidade tem, mas a última coisa que era esperada de Jerry Lewis era um filme que puxasse para o trágico ou sentimental. O problema é que o produtor queria uma comédia sentimental, para toda a família, para que fosse exibido nas férias do Natal de 1960, como tal o tom do filme não é tão caótico como noutras comédia do actor.Tashlin era um tarefeiro, habitual realizador dos filmes de Lewis. Os dois continuariam a trabalhar juntos, mas a carreira de Jerry Lewis daria uma grande reviravolta noutro filme realizado neste ano, "The Bellboy" (postado ontem). Com um orçamento muito menor, acabaria por ser um grande sucesso, e revelaria o caracter de autor que Jerry Lewis começaria a empregar nos seus filmes a partir daqui.
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segunda-feira, 21 de abril de 2014
Jerry no Grande Hotel (The Bellboy) 1960
Em Miami Beach um paquete mudo trabalha no luxuoso Fontainblue Hotel. Apesar de ser um empregado útil e agradável Stanley (Jerry Lewis) também é muito desajeitado, e anda constantemente metido em problemas por causa dos seus erros.
Filme de estreia de Jerry Lewis como realizador, é uma obra quase experimental, sem história, um conjunto de vinhetas cada uma mais cómica do que a anterior. A idéia para este filme surgiu depois de Jerry Lewis ter tentado, com êxito, adiar o seu mais recente filme, "Cinderfella", para a altura do Natal de 1960, onde poderia ter mais sucesso, sobretudo entre o público mais jovem. Era a grande aposta de Lewis para este ano, num filme que contava com um orçamento de 3 milhões de dólares, e uma realização de Frank Tashlin. A Paramont acedeu, mas continuou a exigir um filme de Lewis para o Verão. Foi aí que surgiu a idéia de "The Bellboy", por parte de Jerry Lewis, com um orçamento bem menor, e uma corrida contra o tempo para conseguir terminar o trabalho na altura devida. Acabou por ficar pronto em 26 dias, com realização, argumento, produção e interpretação de Jerry Lewis. Lewis trabalhou muito bem sob pressão, e no fim pode dizer-se que terminou um dos seus melhores filmes, talvez por não ser necessária a auto-consciência encontrada nas suas obras posteriores como realizador.
Jerry Lewis fez este filme como um tributo a Stan Laurel, quem tinha conhecido por volta desta altura, e que vivia num pequeno apartamento em Santa Mónica. Há um pouco de Stan na personagem do bellboy de Lewis, embora a maior parte do papel seja da transição do seu personagem Kid, para uma interpretação mais moderna e adulta. Mesmo assim esta personagem de Lewis é mais consistente. E, claro, também há a influência do Mr. Hulot de Jacques Tati, visto que a personagem de Lewis também é muda.
É um filme irreverente e anarquista, uma saudação à comédia slapstick de Chaplin e Keaton, mas também mostra Lewis a interpretar papéis que não fossem doces e sentimentais (como era costume). Com um orçamento de 900 mil dólares, acabou por arrecadar 10 milhões nas bilheteiras.
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domingo, 20 de abril de 2014
Jerry Lewis
No cinema, pode dizer-se que Jerry Lewis é o último dos grandes comediantes americanos, o herdeiro dos mestres do burlesco: Chaplin, Keaton, Harold Lloyd, juntamos-lhe a anarquia dos irmãos Marx e o espírito destrutivo e a paródia do Bucha e do Estica.
Começou a carreira em pequenos espectáculos musicais, e em 1946 forma parelha com Dean Martin, parelha essa que rapidamente se torna um sucesso num casino de Atlantic City, passando depressa para um contrato com a Paramont. Durante vários anos Lewis fez uma série de comédias musicais com Martin, que apesar de trabalhar como dupla, era Lewis acabava por ser o coadjuvante do outro actor. Esta dupla seria desfeita em meados da década de 50.
Seria já na década de sessenta que Jerry se afirmaria em toda a plenitude do seu talento, assumindo a direcção dos seus próprios filmes. O primeiro é uma obra prima do burlesco, quase mudo, quase uma espécie de colagem de situações absurdas, "Jerry no Grande Hotel". A partir daqui a sua obra constitui uma espantosa sátira ao "american way of life", e ás suas fobias e manias: "O Homem das Mulheres", "As Noites Loucas do Dr. Jerryll", "Jerry 8 3/4", "O Charlatão", etc.
Este nosso pequeno ciclo vai reincidir sobre esta melhor fase da carreira de Lewis, toda entre os anos de 1960 e 1964. Aqui ficam os filmes que poderão ver durante a semana:
Segunda: Jerry no Grande Hotel (The Bellboy, 1960)
Terça: Cinderelo dos Pés Grandes (Cinderfella, 1960)
Quarta: O Homem das Mulheres (The Ladies Man, 1961)
Quinta: As Noites Loucas do Dr. Jerryll (The Nutty Professor. 1963)
Sexta: Jerry 8 3/4 (The Patsy, 1964)
Infelizmente a carreira de Lewis é quase desconhecida para as gerações mais recentes, mas pelo menos os mais velhos lembrar-se-ão de ver os seus filmes nas matinés de Domingo, ou nas lotações esgotadas da RTP. Este ciclo vai servir como um recordar para alguns, e provavelmente, como algo novo para outros.
Nas décadas de 60 e 70, Lewis tinha um culto de seguidores na Europa, especialmente entre os críticos franceses. História que pode ser recordada aqui.
A partir de segunda cá estaremos para o primeiro filme. Até já.
Começou a carreira em pequenos espectáculos musicais, e em 1946 forma parelha com Dean Martin, parelha essa que rapidamente se torna um sucesso num casino de Atlantic City, passando depressa para um contrato com a Paramont. Durante vários anos Lewis fez uma série de comédias musicais com Martin, que apesar de trabalhar como dupla, era Lewis acabava por ser o coadjuvante do outro actor. Esta dupla seria desfeita em meados da década de 50.
Seria já na década de sessenta que Jerry se afirmaria em toda a plenitude do seu talento, assumindo a direcção dos seus próprios filmes. O primeiro é uma obra prima do burlesco, quase mudo, quase uma espécie de colagem de situações absurdas, "Jerry no Grande Hotel". A partir daqui a sua obra constitui uma espantosa sátira ao "american way of life", e ás suas fobias e manias: "O Homem das Mulheres", "As Noites Loucas do Dr. Jerryll", "Jerry 8 3/4", "O Charlatão", etc.
Este nosso pequeno ciclo vai reincidir sobre esta melhor fase da carreira de Lewis, toda entre os anos de 1960 e 1964. Aqui ficam os filmes que poderão ver durante a semana:
Segunda: Jerry no Grande Hotel (The Bellboy, 1960)
Terça: Cinderelo dos Pés Grandes (Cinderfella, 1960)
Quarta: O Homem das Mulheres (The Ladies Man, 1961)
Quinta: As Noites Loucas do Dr. Jerryll (The Nutty Professor. 1963)
Sexta: Jerry 8 3/4 (The Patsy, 1964)
Infelizmente a carreira de Lewis é quase desconhecida para as gerações mais recentes, mas pelo menos os mais velhos lembrar-se-ão de ver os seus filmes nas matinés de Domingo, ou nas lotações esgotadas da RTP. Este ciclo vai servir como um recordar para alguns, e provavelmente, como algo novo para outros.
Nas décadas de 60 e 70, Lewis tinha um culto de seguidores na Europa, especialmente entre os críticos franceses. História que pode ser recordada aqui.
A partir de segunda cá estaremos para o primeiro filme. Até já.
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