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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Night Has a Thousand Eyes (Night Has a Thousand Eyes) 1948

 

Um mentalista (Edward G. Robinson) descobre que tem poderes psíquicos legítimos, e fica assustado ao saber que pode prever acontecimentos trágicos. Quando ele prevê a morte, violenta e iminente de uma jovem herdeira (Gail Russell), Carson (John Lund), o namorado preocupado,  suspeita que o mentalista pode ser o criminoso - mas Robinson continua determinado a proteger Russell, a qualquer custo.
Este pequeno thriller de série B (dirigido por John Farrow, o pai de Mia Farrow) é um valente soco no estomago, oferecendo muito suspense e tensão nos seus cerca de 80 minutos. Edward G. Robinson é extremamente simpático como um psíquico inconsciente, que prefere não ser capaz de ver o futuro, e que resiste à exploração a qualquer custo - na verdade, ele é, essencialmente, um herói trágico, já que os seus poderes lhe custaram a noiva (Virginia Bruce), a integridade (ninguém acredita nele), e qualquer hipótese de ter uma vida normal e feliz. Gail Russell (alguma actriz tem os olhos mais expressivos?) interpreta uma herdeira com muito para pensar, e em quem nós tememos pela sua segurança. A fotografia de John Seitz a preto e branco adiciona ao filme uma rica atmosfera, onde podem faltar muitos dos tons cinzentos do filme noir, mas tem igualmente um conteúdo sombrio.
A direcção de John Farrow neste filme é bastante elegante, embora este tivesse insuficiências no argumento, especialmente no seu último terço. Apesar de Edward G. Robinson, mais tarde, não ter falado deste filme na sua própria autobiografia, a qualidade do seu desempenho foi apontada como notável por muitos críticos da época. Nesse mesmo ano Robinson teve outros dois dos seus mais notáveis papéis, como o gangster Johnny Rocco em Key Largo (1948, John Huston) e como o industrial Joe Keller, na peça de Arthur Miller, All My Sons (1948, Irving Reis). Com uma carreira tão notável, Edward G. Robinson nunca foi nomeado a um Óscar, tendo apenas ganho um honorário, depois da sua morte. 
Por esta altura, em Hollywood, não se faziam filmes de terror. Este era o que mais próximo se poderia considerar. As legendas do filmes (em português) não estão muito boas, por isso coloquei-as em anexo. Podem assim vê-lo com ou sem legendas.

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O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray) 1945

 

Ao lado de "The Canterville Ghost"e "The Importance of Being Earnest""Picture of Dorian Gray" é uma das histórias mais famosas de Oscar Wilde. Embora tenha havido muitas adaptações cinematográficas, a versão de 1945 é a mais conhecida. 
A história passa-se na Inglaterra da era vitoriana. Dorian Gray (Hurd Hatfield) é um jovem inexpressivo, cuja alma também é um pouco vazia. O seu retrato é pintado por Basil (Lowell Gilmore), que lhe deseja o melhor possível. No entanto, Lord Wotton (George Sanders) é quem lhe tem maior influência, e tem um prazer cínico em manipular Dorian, para este cometer os actos mais hediondos, e amorais. 
Dorian pede o desejo de permanecer jovem para sempre, enquanto que o retrato fica com a queda dos seus pecados e da passagem do tempo. De alguma modo, o desejo é-lhe concedido; e a única explicação, muito vaga, está ligada a uma estátua sinistra de um gato egípcio.
Dorian tem um romance com uma inocente e jovem cantora, chamada Sybil (Angela Lansbury, num dos seus primeiros papéis). É aconselhado pelo Lord Wotton e descarta-la, mas a vida de boémio de Dorian torna-se o escândalo de Londres, mas o seu rosto e as suas feições permanecem inalterados. Até quando?
Pelos padrões de hoje, o aspecto deste filme de terror é muito suave. A discussão sobre este assunto, infelizmente, viria a introduzir muitos spoilers. Mas, enquanto que o sangue e a carnificina dos "modernos" filmes de terror está ausente, ainda há muitos momentos arrepiantes. O comportamento de Dorian, com excepção de um crime impulsivo, nunca parece corresponder ao retrato, e à sua mente distorcida. Mas a moral, é clara, não é julgar as pessoas pela aparência. Dorian pode parecer jovem e inocente, mas ele não é. 
"The Picture of Dorian Gray" foi filmado a preto e branco, mas o retrato é mostrado a cores quando Dorian o vê. A fotografia de Harry Stradling ganhou um Óscar, e Angela Lansbury foi nomeada para melhor actriz secundária, mas não ganhou. O papel de Lord Wotton foi feito à medida para George Sanders, que se tornou especialista em papéis mais espirituosos e sinistros (All About Eve, Rebecca). A personagem de Sanders é um grande feito para a carreira do actor,  assim como a de Hurd Hatfield. Embora o papel de Hatfield exigisse pouco mais do que uma boa postura, ficaria para sempre associado a ele. Continuaria a aparecer em filmes nas décadas seguintes, quase sempre em papéis secundários.
 

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A Dança da Morte (Dead of Night) 1945


Walter Craig é convidado a visitar uma propriedade Britânica. Não conhece o proprietário, porém, a sua cara é-lhe familiar. Tal como o são os restantes convidados. Pouco a pouco, reconhece-as como as personagens que lhe aparecem recorrentemente num sonho que termina sempre num indescritivel terror. Tomando conhecimento de experiências sobrenaturais das outras pessoas, acabará por assassinar a pessoa que o está a tentar ajudar, fornecendo-lhe uma explicação ciêntifica para o sucedido.
"Dead of Night" é um filme de terror intrigante, de origem britânica. É composto por uma série de histórias de fantasmas que conduzem a um final único e inesperado, muito antes deste género entrar em voga naquele país. Cada um dos cinco segmentos, e a história principal, foram realizados por quatro realizadores diferentes, e cada história apoia a narrativa principal do dilema do pesadelo de Walter Craig.
Não foi o primeiro, mas "Dead of Night" tornou-se o principal exemplar das antologias de terror (também conhecidas como filmes multi-episódicos) - um trabalho que apresenta várias histórias independentes, geralmente unidas por uma narrativa de ligação. A influência de Dead of Night sobre os filmes da Amicus, durante os anos 1960, que fez uma série de antologias de terror começando por "Dr Terror’s House of Horrors" (1964), é inconfundível. "Dead of Night" é considerado um dos grandes clássicos do género, enquanto o segmento do boneco ventríloquo foi considerado um dos mais influentes, tendo sido imitado inúmeras vezes.
Seria o primeiro filme dos Ealing Studios no pós-guerra, e tinha na direcção alguns dos melhores realizadores que passaram por aqueles estúdios, como era o caso de Alberto Cavalcanti,  Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Casa Assombrada (The Uninvited) 1944

 
Um irmão e uma irmã mudam-se para uma casa antiga à beira-mar que encontram abandonada na costa inglesa, e cujo preço foi uma pechincha. O encanto original com a casa diminui à medida que eles ouvem histórias dos antigos proprietários e conhecem a filha (agora uma jovem mulher), que vive perto como vizinha, com o avô. Também são ouvidos sons inexplicáveis ​​durante a noite. Torna-se evidente que a casa está assombrada. As razões para a assombração e como eles se relacionam com a filha por quem o irmão está caindo de amor, prova ser um mistério complexo. Conforme eles vão sendo obrigados a resolver o mistério, a actividade sobrenatural aumenta até um nível assustador.
"The Uninvited" precedeu "The Haunting" (de Robert Wise) em quase vinte anos, mas muitas vezes é esquecido pelo público fã deste género de filmes. Dirigido por um ex-director de teatro, Lewis Allen (primeira obra no cinema), e adaptado por Dodie Smith e Frank Partos da explêndida novela de Dorothy Macardle chamada "Uneasy Freehold", The Uninvited tem a distinção de ser o primeiro filme de Hollywood a apresentar uma assombração como um autêntico acontecimento sobrenatural. Ocasionalmente brinca com a luz, mas desde muito cedo que percebemos que a assombração é real. E é realmente um pouco assustadora.
 Como era comum em filmes do género, a assombração de The Uninvited era apenas um componente de um mais complexo enredo, funcionando como catalisador para a jornada do herói, um mistério para os personagens principais resolverem, e a força motriz para um romance florescente entre Rick e Stella, uma relação com grande diferença de idades, que era comum no período anterior à década de 70. O que é surpreendente é a velocidade com que uma presença sobrenatural é estabelecida, primeiramente inferida pelas flores frescas que Pamela coloca no estúdio e que murcham perante os nossos olhos.
Com o desenrolar da história, o mistério de uma morte torna-se a força motriz da narrativa, como são levantadas questões sobre as circunstâncias que levaram a que ela ocorra e à relevância de infidelidade amplamente conhecida do marido. 
Sendo este um filme de série A de Hollywood, não faltava o grande elenco. Ray Milland como protagonista, ao lado de Ruth Hussey, Donald Crisp, e uma jovem actriz promissora, chamada Gail Russell. Com apenas 20 anos de idade quando entrou no elenco, como Stella, Russell era tímida, e a beleza que transparecia nos seus olhos dizia que nunca devia ter ido para a indústria do cinema. Diz a lenda que Russell começou a beber nas filmagens de "The Uninvited", para superar o medo debilitante da câmara, e foi aí que os problemas começaram. Desentendimentos com a lei na sua vida foram bem divulgados, o divórcio, rumores de adultério - eram o prato do dia para mais uma playgirl moderna de Hollywood, mas isto não era bem visto nas décadas de 40 e 50. Russell morreu com 36 anos, em 1961, foi encontrada morta com graves danos no fígado e desnutrição, no chão do seu apartamento, sozinha, rodeada de garrafas vazias de alcool. Apenas mais uma história triste de Hollywood.  

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O Túmulo Vazio (The Body Snatcher) 1945


"The Body Snatcher" continuava a vaga de filmes de terror inteligentes do produtor Val Lewton para a RKO, uma série de filmes de série B com alguns sustos e emoções fortes, mas que sempre superavam o seu objectivo modesto. Os filmes de Lewton eram extraordinários, não apenas por causa atmosfera lúgubre como pelo aclamado uso inventivo de sombras para sugerir o horror em vez de mostrar-lo diretamente. Para Lewton, estas produções de terror de baixo orçamento tornaram-se numa maneira de explorar a atracção sexual e estranheza (Cat People), questões de classe (The Leopard Man) e a psicologia da infância (The Curse of the Cat People). The Body Snatcher é, superficialmente, um conto de um silêncio assustador de assassinos em série que incorpora tanto de uma história da vida real do início do século XVIII, dos assassinos Burke e Hare, como de uma curta história de Robert Lewis Stevenson baseada nesses eventos. Burke e Hare eram uma dupla de assassinos que mataram 18 pessoas e depois venderam os cadáveres das suas vítimas para o Medical Edinburgh College, onde os médicos essencialmente eliminavam as provas através da dissecação. O filme capta os temas subjacentes deste incidente macabro, investigando as questões da moralidade levantadas pela história: os compromissos envolvidos na investigação científica, o valor comparativo de vidas humanas e a ética da profissão médica em geral.
Dr. MacFarlane (Henry Daniell) é um pesquisador respeitado, o chefe de uma escola para médicos em formação e um especialista em anatomia. No entanto, a sua prática está contaminada pela associação com o sinistro John Gray (Boris Karloff), um homem monstruoso que cava sepulturas e fornece o hospital, mais propriamente o médico, com um suprimento constante de cadáveres para dissecção e estudo. O médico vê Gray como uma terrível necessidade, uma maneira de contornar as leis que ele acredita que restringem a pesquisa científica e limitam o progresso da medicina. Se Gray poder fornecer a escola com mais cadáveres, segundo MacFarlane, poderá treinar melhores médicos que podem, mais tarde, salvar mais vidas. No entanto, as justificações à parte, Gray também parece ter uma enorma influência sobre o médico, pois eles aparentemente já se conhecem desde hà muitos anos e estavam de alguma forma envolvidos juntos nos crimes de Burke e Hare. MacFarlane arrasta o seu jovem assistente Fettes (Russell Wade) para a história, para este receber os cadáveres de Gray, assinando e pensando que eles eram obtidos através de meios legais. 
Lewton, em conjunto com o realizador Robert Wise, criam uma atmosfera tipicamente obscura e sombria. As ruas de Edimburgo, parece constituir-se principalmente de becos escuros através dos quais os personagens sinistros como Gray, podem circular, com a sombra estendia por todas as paredes. O design do som é igualmente impressionante. Uma pedinte que parece estar constantemente em volta da acção, preenche a noite com canções melancólicas. O constante trote do cavalo de Gray, com os cascos ecoando no vazio da noite, enquanto puxam a carruagem, sinalizando a chegada da desagradável carga, durante a noite.
 O desempenho de Karloff como Gray é poderoso e surpreendentemente complexo. Karloff tem uma presença intimidante, especialmente quando revela a sua técnica com uma só mão para sufocar as vítimas. Este personagem sinistro torna-se claro que é mais complexo do que um simples vilão de filme de terror, porque na realidade ele é um homem solitário e pobre, com muito pouco para viver para além da sensação de poder que recebe de associar-se com um médico famoso como MacFarlane. Há uma nota de tristeza na interpretação de Karloff, um leve núcleo emocional sob a superfície do mal. Esta complexidade marca Karloff como um dos grandes nomes do cinema de terror. Este filme foi a sua última colaboração com o seu companheiro, e também ícone dos anos 30 e 40, Bela Lugosi, que tem aqui um papel menor, como o servo de Karloff, Joseph. O confronto entre estas duas lendas da tela é terrivelmente desequilibrado. Aqui, Karloff domina claramente Lugosi, mas é muito divertido ouvir o actor húngaro dizer, através de seu sotaque característico, "I'm from Liverpool".

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Maldição da Pantera (The Curse of the Cat People) 1944

Poucos títulos de filmes poderiam ser tão enganadores como "The Curse of the Cat People", um filme suave, meditativo sobre uma jovem menina e o seu amigo imaginário. Concebido apenas como outro filme de terror de baixo orçamento do produtor Val Lewton, uma sequela ao primeiro grande sucesso, Cat People, mas em vez disso, Lewton criou uma ode profundamente pessoal para a inocência da infância, da confusão e da solidão das crianças num mundo adulto que não compreendem. A jovem Amy (Ann Carter) é a filha dos heróis de Cat People, Oliver e Alice (Kent Smith e Jane Randolph, ambos repetindo os papéis do primeiro filme), agora casados depois dos trágicos acontecimentos do filme anterior. Apesar desta conexão tangível com o passado, o tom desta sequela está muito longe do melancólico e sombrio terror sobrenatural de Cat People.
Em vez disso, o filme é sobre o mundo de fantasia interior de uma criança solitária. Amy é uma menina isolada e distante, facilmente distraída das brincadeiras com as outras crianças, muitas vezes preferindo correr sozinha para fazer amizade com uma borboleta, por exemplo. Ela tem uma imaginação activa e um espírito livre, mas o seu encapsulamento vai aumentando no seu mundo próprio, o que preocupa o pai Oliver, que já viu o estrago que as fantasias vivas podem fazer. De facto, os problemas de Amy só são agravados por Oliver, que, ferido pelo seu passado, simplesmente repreendende-a e punindo-a quando julga que as suas fantasias foram longe demais. Praticamente corta as linhas de comunicação entre eles, explicitamente dizendo-lhe que ele não quer ouvir nada sobre as suas fantasias ou sobre o seu isolamento das outras crianças na escola.
Depressa ela descobre que a sua amiga imaginária, na forma de Irena (Simone Simon), a mulher gato mortal do primeiro filme, é a falecida esposa de Oliver. Mas, apesar de Simon volta a interpretar o papel de Irena - possivelmente um fantasma ou simplesmente uma invenção da imaginação da jovem - ela não é de todo a criatura intimadora que espreitava em Cat People. Vestida de belas e glamorosas ropuas, brilhando sob a luz do inverno gelado do quintal da família, Irena parece uma princesa de um musical da Disney. Com a sua voz melodiosa e ligeiramente estrangeira, Simon prova ser tão potente neste filme como era com o seu papel mais sinistro do seu antecessor. Ela é amiga de Amy, uma fonte de conforto quando a jovem tem de lidar com a maldade e a inconstância das crianças da escola ou as mensagens inconsistentes da paternidade que enfrenta em casa.
Na verdade, Amy encontra conforto e apoio em todos os lugares, menos na sua própria casa, onde os seus bem-intencionados pais não conseguem descobrir se há algo de errado com a jovem ou se ela é apenas uma criança comum. Amy é amiga da velha senhora Farren (Julia Dean), que vive numa mansão, assustadora e decrépita ao virar da esquina. Esta velha senhora dá à menina um "anel de desejos" (o anel do primeiro filme) e conta-lhe histórias de fantasmas como a lenda do cavaleiro sem cabeça. O próprio Lewton cresceu não muito longe de Sleepy Hollow, e do misto de fascínio e terror que Amy sente ao ouvir esta história, cuja idéia deve ter sido tirada da própria infância de Lewton. A Sra. Farren é interessante para Amy, mas a jovem não entende o que está acontecer nesta casa.
Apesar de "The Curse of the Cat People" dificilmente ser uma história de terror, a atmosfera sombria e beleza visual que as produções de Lewton nos habituaram, é muito possivelmente o seu pico de forma. O filme teve dois realizadores, ambos estreantes: Gunther von Fritsch, que foi demitido por causa da lenta pogressão do filme, e Robert Wise, que tinha feito a montagem de obras como Citizen Kane, e que só entrou neste filme para o completar. Há uma aura levemente estranha no filme, uma sugestão de algo assustador sob a sua superfície ensolarada suburbana, mas a única dica do filme ser sobrenatural está no caminho de Irena. Logo fica evidente que o verdadeiro perigo reside não com uma presença fantasmagórica a voltar para assombrar os vivos, mas com os problemas incompreensíveis e as emoções do mundo adulto.

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Zombie (I Walked With a Zombie) 1943


O vento sopra através das folhas das palmeiras na escuridão. O ritmo insistente de tambores tribais batendo à distância. Um estranho gemido ecoa através do ar da noite fria. Com estes simples efeitos, o realizador Jacques Tourneur e o lendário produtor Val Lewton conjuram uma estranha atmosfera genuinamente assombrosa para um filme que tem apenas uma relação tangencial ao seu póprio título exagerado, "I Walked With a Zombie". Como de costume nas produções de Lewton, o título veio primeiro, o que sugere uma história comovente de série B, mas em vez disso Lewton e a sua equipa elaboraram um romance, simples e assustador, e emocionalmente complexo situado na ilha de São Sebastião. Quando a jovem e séria enfermeira Betsy (Frances Dee) chega à ilha para cuidar da doente Jessica (Christine Gordon), ela encontra-se inesperadamente no meio de um triângulo amoroso entre Jessica, o seu marido Paul Holland (Tom Conway), e o meio-irmão Wesley (James Ellison). Há aqui um passado misterioso, uma sugestão de traição e amor ilícito que imediatamente precede a descida súbita de Jessica a uma condição quase de comatose. O filme não só contra uma história, como sugere ainda outra, traçando os contornos de um conto que reside sobretudo no passado, as suas partes mais importantes já foram contadas. Isso deveria necessitar de uma grande quantidade de exposição, mas excepto pela resolução de um mistério perto do final do filme, o argumento é prudente e alusivo. No final do filme, o público sabe mais ou menos o que aconteceu sem ter sido directamente dito, e sem ter o mistério essencial da história dissipado.
Este sentido de mistério é criado quase inteiramente com pequenos efeitos atmosféricos de Tourneur. O vento é praticamente uma personagem do filme, o farfalhar da brisa através das árvores cria uma aura inquieta que paira sobre tudo. Quando Betsy chega pela primeira vez à ilha, ela é acordada a meio da noite por gritos, dentro de algum lugar do complexo de Holland, e ela parte para a escuridão, para explorar. O clima é definido pelo uso elegante das sombras - todas as janelas desta casa parecem ter ripas, o melhor para criar essas sombras noir - e o sussurro do vento, o balanço das palmeiras. Há um olhar poético nos detalhes nestas cenas, o filme tem como objetivo criar um terror assustador rastejante ao invés de partir para os choques repentinos ou imagens horripilantes. A iluminação do filme e o movimento da câmera, circulando à volta de Betsy, como uma criatura da selva em torno da sua presa, transformam a mansão da ilha numa casa assombrada.
Como o avançar do filme, Betsy inexplicavelmente apaixona-se por Paul, e começa a aprender mais sobre as tradições da ilha, eventualmente, a suspeitar de que Jessica pode ser curada por uma cerimónia vodoo onde a medicina falhou. Betsy lidera o sonambulismo de Jessica através dos campos de cana-de-açúcar, além de um guarda zombie, esquelético, a uma clareira onde a dança dos sacerdotes e sacerdotisas do vodoo e do canto. Esta é uma obra-prima do horror atmosférico, nem uma palavra proferida durante a caminhada, e nem um som, excepto a batida dos tambores, os gemidos da canção, e o apito do vento através dos campos e das árvores. Ao longo do caminho, as duas mulheres deparam-se com muitos sinais do culto vodoo, espalhados por todo o caminho como marcadores ou avisos: o crânio de uma vaca numa vara, o cadáver pendurado de um animal, uma cabaça com furos para que o vento sopre uma canção lamentosa através do seu corpo oco, um crânio humano despedaçado colocado no centro de um círculo de ossos.
Ao longo do filme, imagens potentes como esta conduzem a história sem explicar nada muito diretamente. O mais próximo que o filme chega da exposição adequada é na forma de um cantor da ilha, cuja canção sobre a família Holland preenche alguns dos antecedentes sobre Paul, Wesley, e Jessica. Mas este material não é exposto ao calhas, e Tourneur faz Betsy ouvir esta música, estranhamente ameaçadora, apesar da sua voz melodiosa, as palavras parecem pressagiar o perigo que está para vir, para a jovem enfermeira. É uma cena assustadora, e um perfeito exemplo dos métodos que Tourneur e Lewton usam para transformar as convenções do género - como a exposição necessária do triângulo amoroso que precedeu o coma de Jessica.

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A Sétima Vítima (The Seventh Victim) 1943



A história diz respeito a Mary, uma jovem de uma escola conservadora, que parte para Nova York para procurar a sua irmã mais velha, desaparecida, Jacqueline, que tem sido o seu único meio de sustento. Em Nova York, ela rapidamente descobre que a sua irmã, aparentemente, vendeu a fábrica de cosméticos (a um colega um pouco hostil) e que Jacqueline tinha casado secretamente com um homem que também a procura. Mary também conhece um estranho psiquiatra que aparentemente tratava de Jacqueline, e através dele descobre que o desaparecimento de Jacqueline está ligado à sua participação num culto satânico de adoradores do diabo. Parece que o desejo de Jacqueline para fugir do culto foi proibido, e os membros da seita tinham decretado que ela, assim como os seis anteriores membros desencantados, devem morrer por causa desta traição. E ela está sob a ameaça de se tornar a sétima vítima.
Como a maioria dos filmes produzidos por Lewton, não existem eventos sobrenaturais ou fantasmas no filme, todos os eventos são baseados em acontecimentos deste mundo. No entanto, a implausibilidade do argumento é a principal fraqueza do filme. Ao longo do filme, as personagens aparecem e os eventos ocorrem sem qualquer justificação. Muitos dos personagens, particularmente os secundários, são bizarramente exagerados por parte dos actores e actrizes que os interpretam. E o relacionamento romântico entre o marido de Jacqueline e de Mary é completamente absurdo. Além disso, o comportamento estranho do assustador psiquiatra parece um pouco deslocado.
Com todas estas falhas, é de se supor que "A Sétima Vitima" seja uma obra completamente irrecuperável e irrelevante. Mas, estranhamente, o filme tem uma qualidade assombrosa que permanece na nossa memória. Tudo isto porque esta película é formado por um conjunto de sequências brilhantes. Logo na sequência de abertura, na escola, o filme é lúgubre e claustrofóbico ao extremo. Além disso, também há a famosa sequênca do chuveiro, no qual Mary é visitada por uma personagem hostil, que é vista nas sombras por detrás da tela de chuveiro. Esta cena é totalmente convincente e está acima da sequência do chuveiro de "Psycho", de Hitchcock. Há também a cena escura que descreve os membros adoradores do culto do Diabo, tentando exercer a sua vontade sobre Jacqueline. Porque os princípios das suas crenças satânicas proibe-os de realizar actos violentos, eles tentam obrigar Jacqueline a cometer suicídio. Jacqueline quase sucumbe, mas consegue escapar, apenas para cair nas suas próprias fantasias da morte, no final do filme.
Com este conjunto de sequências acumuladas, mesmo que não se encaixam perfeitamente num todo narrativo, dão ao filme uma qualidade pertubadora. A personagem de Mary, interpretada por Kim Hunter no seu primeiro papel, é de uma virtude completa e inocência. Ela é basicamente uma Alice de olhos arregalados vagando no escuro, numa Wonderland assombrada. Muitos dos outros personagens são enfaticamente voluntariosos e cínicos, como a diretora da escola, o novo proprietário da fábrica de Jacqueline... Todos eles são criaturas de um pesadelo. Em contraste com Mary, que representa a inocência e a vitalidade da juventude e da vida, a personagem Jacqueline, representa o oposto o desespero e o desejo de morte. 
Este seria o filme de estreia de Mark Robson, que de seguida faria mais alguns para Lewton.  

sábado, 5 de janeiro de 2013

A Pantera (Cat People) 1942



Cat People foi a primeira produção de séries B do produtor Val Lewton, que ao longo dos anos 40 supervisionou uma série de aclamados filmes de terror de baixo orçamento, que Lewton e a sua equipa  ajudaram a elevar acima das suas humildes pretensões. Este filme, dirigido com o talento visual característico de Jacques Tourneur, tem uma história de terror sensacionalista e, com efeitos especiais mínimos, transforma-o num estudo psicológico denso de emoções proibidas e medos primitivos. A um homem americano comum, Oliver (Kent Smith), que se apaixona pela beleza eslava de Irena (Simone Simon), é involuntariamente lançado sob a sombra de uma antiga maldição que pode afectar a sua noiva. Irena teme apaixonar-se e não está disposta a submeter-se aos delírios da paixão, porque está convencida de que é descendente de bruxas satânicas, e que a sua maldição seria transformá-la numa pantera viciosa em momentos de êxtase erótico ou raiva ciumenta. Isto, obviamente, cria tensões entre os recém-casados​​, e como Oliver luta para encontrar uma maneira de "curar" a mulher da sua reticência sexual, ele vê-se cada vez mais distante dela e atraído para a sua colega de trabalho Alice (Jane Randolph), mais do que uma girl-next-door, sem maldições a pairarem na cabeça.
O horror do filme funciona apenas superficialmente, tal como nos demais filmes de série B. O suspense e o temor crescente emanam, não tanto nas cenas reconhecidamente eficazes de algumas obras de terror convencional, mas das tensões psicológicas tangíveis dentro dos personagens. A pantera pronta a explodir e a devorar uma amante é uma óbvia metáfora para a paixão sexual contida, está representada em grande parte do filme. Esta representação também existe na moralidade do Código Hays, de 1940, que mantém representações da sexualidade apenas até um certo nível. A auto-contenção de Irena espelha as restrições do Código. Quando o casal se conhece, Irena convida Oliver para o seu apartamento para o chá, e a cena termina rapidamente para muito mais tarde, à noite, quando a escuridão cai sobre o apartamento e Oliver ainda está descansando no sofá, e ainda assim nada aconteceu entre o casal. Esta falta de consumação perpétua no romance central surge simultaneamente a partir das exigências da moral cinematográfica da época, e dos medos de Irena, cujo pantera interna poderia muito bem ser as forças culturais que a proíbem de ter ou especialmente expressar fortes sentimentos sexuais. O filme atira fora esse terror sexual, o medo de perder o controle das próprias emoções. 
Se o terror psicológico crescente do filme é eficaz na criação de suspense, a forma como os filmes de Tourneur são desenvolvidos só contribuiem para o horror atmosférico do filme. Tanto Lewton como Tourneur se tornaram famosos por criarem uma estética de horror fundada na contenção visual e no minimalismo, influenciado em partes iguais pelas restrições orçamentais e uma crença de que o invisível é muitas vezes mais aterrorizante do que o visto. Para este fim, Tourneur filmou um punhado de cenas sombrias, maravilhosamente evocativas de um suspense quase insuportável como Irena, possivelmente transformada em pantera, persegue a sua presa. Como o amor de Oliver e Alice cresce mais ao longo do filme, a raiva e a inveja de Irena acumulam, e numa cena em que ela persegue a outra mulher pela cidade escura estrada apenas iluminada apenas pelas luzes de rua, criando poças de luz na escuridão.  Tourneur filma esta perseguição com o uso inteligente da desorientação, filmando as duas mulheres sempre separadamente, com Irena a seguir Alice. 
Cat People é uma peça incrivelmente eficaz de terror psicológico, levantando-se muito acima das suas origens de filme de baixo orçamento e criando um trabalho permanente de exploração psico-sexual.

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O Homem Lobo (The Wolf Man) 1941



Depois da morte do seu irmão, Larry Talbot regressa da América para a sua terra natal, no País de Gales. Visita um acampamento de ciganos com uma jovem da aldeia, Jenny Williams, que é atacada por Bela, um cigano que se transformou num lobisomem. Larry mata o lobisomem, mas é mordido durante a luta. A mãe de Bela diz que isso fará com que ele se transforme num lobisomem em cada lua cheia. Larry confessa a situação ao seu pai incrédulo, Sir John, que depois se junta os aldeões numa caça ao lobo.
Dos três maiores filmes de monstros da Universal Studios, Drácula, Frankenstein e O Lobisomem, O Homem Lobo foi o único que não nasceu de um romance notável. Embora muitas lendas de lobisomens abundassem na imprensa, valeu a habilidade do argumentista Curt Siodmak, o talento na caracterização de Jack Pierce, e a interpretação de Lon Chaney Jr para contar a história de um homem condenado por uma maldição eterna, para matar os que ama pela luz da lua cheia.
"The Wolf Man" foi originalmente concebido como um veículo para Boris Karloff, mas como muitas vezes acontece em Hollywood, registaram-se mudanças nas intenções, assim como no argumento. Apenas o título se manteve e o filme acabou por ser atribuído ao realizador George Waggner e ao argumentista Curt Siodmak. Enquanto a realização sem inspiração e directa de Waggner é suficiente, é o trabalho de Siodmak que se destaca, primeiro sobre o folclore europeu, depois, criar a sua própria história sobre um conto de fadas que se transformou numa tragédia grega, uma história sobre um simpático herói condenado.
Lon Chaney Jr foi o único actor a retratar o trágico Larry Talbot, amaldiçoado a se transformar no Homem Lobo e matar contra a sua vontade, em cinco filmes de terror da Universal, fazendo assim o papel exclusivamente seu. O seu desempenho agradável como Lennie em "Of Mice and Men" como um tipo corpulento, simpático, revelou ser o actor perfeito para este retrato da agonia de Talbot e do seu alter-ego demoníaco.
A Universal, em clara crise criativa, queria outro monstro memorável para adicionar à sua lista principal, mudou a ambiguidade inicial do argumento, o que deixou o público a querer saber se Larry era um lobisomem verdadeiro, ou se apenas apenas pensava que era um, o que já tinha acontecido num filme anterior da Universal, "Werewolf of London".
A caracterização, única, de Pierce faz o lobisomem ter uma humanidade, que muita falta faz nos filmes de hoje gerados em CGI. O processo de dissolução do lobisomem que na tela dura alguns segundos, na verdade, levou horas de filmagens trabalhosas como camadas de cabelo a serem aplicados na cara de Chaney e a ser fotografado. Durante o processo, Chaney teve que se manter muito quieto e na mesma posição durante horas, mas o inovador resultado final valeu a pena, e o procedimento seria melhorado no decurso dos filmes subsequentes. 
 Uma palavra também para os actores secundários. Claude Rains muito bem no papel de pai de Talbot, Bela Lugosi no papel do Lobisomem que morde em Talbot, e Maria Ouspenskaya, sempre brilhante, como cigana que sabe tudo o que se está a passar.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Cinema de terror na Década de 40

O cinema de terror da década de 40 foi bastante influenciado pela Segunda Guerra Mundial. Em grande parte dos países da Europa os filmes de terror foram proibidos, e durante largos anos a produção limitava-se ao cinema americano, que mesmo assim também era em pequena quantidade.
O grande expoente do cinema de terror da década anterior tinha sido a Universal, com os famosos filmes de monstros, mas a partir de uma certa altura o estúdio começou a entrar em colapso em relação ao género, atravessando uma enorme crise criativa. As apostas nas sequelas eram constantes, filmes como "Son of Frankenstein", "Ghost of Frankenstein", "Son of Dracula", quatro filmes de "The Mummy", etc. O melhor momento desta produtora chegaria com a inclusão de mais um monstro na galeria o homem-lobo. Realizado por George Waggner em 1941, "The Wolf Man" era o melhor filme da Universal nesta década.
Se a Universal estava em crise, outros houve que aproveitaram para florescer. A RKO contratava o produtor Val Lewton para produzir uma série de filmes de horror em pequena escala, muito polidos, baseados nas sombras, sem dúvida influenciados pelo expressionismo alemão, e sugerindo o medo em vez de mostrar directamente o terror. Lewton apostava em três jovens realizadores, que pouco depois já eram nomes de respeito em Hollywood: Jacques Tourneur, Robert Wise e Mark Robson. Esta fase da RKO, que não teve mais do que quatro anos, e trouxe para a ribalta pouco mais de 10 filmes, e mesmo poucos, seriam das obras mais influentes do cinema de terror de todos os tempos. Falo de "Cat People", "I Walked With a Zombie", "Curse of the Cat People", "Isle of the Dead", "The Seventh Victim", "The Body Snatcher", entre outros...
Nesta década também havia a MGM. Logo em 1941, a produtora apostava num remake de "Dr. Jekyll and Mr. Hyde", realizado por um nome de peso, como era Victor Fleming, e com um elenco de luxo, com Spencer Tracy à cabeça, como protagonista. Mas este filme acabou por ficar aquém das expectativas.A MGM acabaria por obter melhores resultados com "The Picture of Dorian Gray", adaptação do romance de Oscar Wilde. Da Paramont chegava-nos um dos filmes mais interessantes deste período, com "The Uninvited". Pela primeira vez na história de Hollywood era abordado, num filme sério, o tema da casa assombrada, numa obra que acabaria por ser um sucesso, tanto de público, como de crítica.
Na Grã-Bretanha, como no resto da Europa, o cinema de terror era quase inexistente. Eu disse quase, porque dos estudios da Ealing, saíria um dos mais interessantes filmes de terror britânicos, de todos os tempos. "Dead of Night", uma antologia de seis contos de terror, realizados a oito mãos, por quatro dos melhores realizadores britânicos do período.
Entretanto, chegava-se ao final da década de 40. A crise por esta altura seria ainda maior, entre 1947 e 1951 só seria produzido um único filme de terror, e mesmo assim, pouco relevante. Mas os tempos eram de mudança, com a guerra já terminada, chegavam aos cinemas os chamados "film noir". Só mais tarde estes filmes seriam chamados por este nome, mas estas obras faziam lembrar bastante os filmes de Val Newton. Eram passadas nas sombras, por entre as trevas e a escuridão, os seus vilões podiam ser terríveis assassinos, e durante um certo tempo, estes filmes substituiram os normais filmes de terror. Alguns dos envolvidos no antigo cinema de terror dedicavam-se a estes filmes, como era o caso de Jacques Tourneur, que de "Cat People" e "I Walked With a Zombie", passou para "Out of the Past", uma das obras maiores do "film noir". Robert Siodmark que tinha realizado "Son of Dracula" para a Universal, passava a realizar algumas das mais interessantes obras deste novo género. E vários outros filmes eram baseados nas sombras, chegando-se a confundir com o cinema de terror: "Night Has a Thousand Eyes", "Nightmare Alley", "Sorry, Wrong Number", "Brute Force", entre muitos outros.
O tema desta semana, vai ser o cinema de terror da década de 40. Tenho para vós uma selecção de 10 filmes, espero que gostem.