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terça-feira, 29 de outubro de 2019

The Great Chase (The Great Chase) 1962

Uma grande compilação das maiores acrobacias, perseguições, quedas e sequências perigosas dos primeiros anos do cinema, muito antes do duplo se tornar uma profissão real, com feitos cada vez mais impressionantes a serem conquistados. Este filme é um documentário e inclui sequências de artistas bem conhecidos do período do cinema mudo.
Com narração de Frank Gallop, destacam-se imagens de obras como "The General" (1927), com Buster Keaton, "The Perils of Pauline" (1914) com Pearl White, "The Mark of Zorro" (1920), com Douglas Fairbanks, o pioneirismo de Edison em "The Great Train Robbery" (1903), o último filme de William S. Hart, "Tumbleweeds" (1925), e o incomparável "Way Down East" (1920) de D.W. Griffith. A banda sonora inclui músicas de Larry Adler na harmónica, e alguns efeitos sonoros que aumentam bastante a acção no ecrã.
São 81 minutos de acção e empolgação sem parar, e mada de enredos aborrecidos. A produção está a cargo de Harvey Cort.
Uma pequena pérola do cinema dos anos sessenta com a qual terminamos este ciclo dedicado ao catálogo Janus Films. Muito obrigado ao Rafael Lima pela participação.
Legendas em inglês.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A Balada do Soldado (Ballada o soldate) 1959

O ano é de 1942. As forças soviéticas estão a recuar dos exércitos nazis. O último sobrevivente de um pelotão, o jovem de 19 anos Alyocha (Vladimir Ivashov) foge de uma divisão blindada alemã. Graças tanto á sorte como á coragem ou habilidade, o soldado desesperado e sozinho consegue destruir dois tanques. A sua conduta no campo de batalha faz dele um herói, mas em vez de uma medalha ele pede o raro privilégio de licença o tempo suficiente para visitar a mãe e consertar o telhado de casa. A aldeia natal fica a um dia de distância em tempo de paz, mas durante o caos de guerra a viagem será mais longa. O seu general recompensa-o com seis dias - dois para chegar lá, dois para visitar e dois para voltar. Durante a viagem, conhece uma série de pessoas diferentes a quem se oferece para ajudar no que for preciso, acabando por conseguir estar com a mãe apenas alguns minutos, o tempo apenas para uma breve troca de palavras e um abraço. E Alyosha volta a partir para a frente de batalha... para não mais regressar. 
O drama de guerra pacifista da Segunda Guerra Mundial pelo argumentista/realizador Grigori Chukhrai, foi o primeiro filme russo a ser um sucesso nos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes em 1960 e o de melhor filme no Festival de Cinema de San Francisco. É um filme humanista, a preto e branco e lírico, que transmite uma mensagem anti-guerra universal que é facilmente compreensível. É contada através dos olhos de um camponês, honesto e decente, que é condecorado como um herói. É conhecido pelas suas descrições detalhadas da vida russa de todos os dias. Chukhrai vem da ala conservadora de cineastas russos, e oferece um belo exemplo do artesanato estilístico e consegue manter o melodrama até ao fim.

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sábado, 26 de outubro de 2019

Ricardo III (Richard III) 1955

As habilidades militares de Richard ajudaram a colocar o seu irmão mais velho, Edward, no trono de Inglaterra. Mas os ciúmes e o ressentimento fazem com que Richard procure o trono para si, e para isso ele concede um plano longo e cuidadosamente calculado, usando o engano, a manipulação e o assassinato para atingir os seus objectivos. Esta trama longa tem consequências tumultuosas, tanto para ele como para o próprio país.
Laurence Olivier, um dos actores mais consagrados de Inglaterra, realizou cinco filmes ao longo de toda a sua carreira, três deles adaptações de William Shakespeare. Em 1944 adaptou "Henrique V", em 1948 "Hamlet", e agora seria a vez de "Richard III". "Richard III" era o filme mais ousado desta trilogia, quando falávamos de Richard III falávamos da crueldade absoluta, e de um homem sem escrúpulos, e Olivier pegou no texto original de Shakespeare, alterando apenas alguns diálogos aqui ou ali. 
Com o uso de cenários simples, um excelente Technicolor, e uma adaptação inteligente de Colley Cibber, cortanto nas palavas até deixar só o essencial. Olivier, como realizador, enfatiza a natureza do mal como sendo cómico. A produção é impecável, dissipando os rumores de que uma adaptação desta obra seria muito dficil de fazer. A interpretação de Olivier tornou-se essencial para o sucesso do filme, e não esquecer o resto do elenco com uma série de talentos do cinema britânico da altura: Cedric Hardwick, Ralph Richardson, John Gielgud, Mary Kerridge, Claire Bloom, entre muitos outros. 

Loucura em Veneza (Summertime) 1955

Jane Hudson (Katherine Hepburn) é uma secretária de meia-idade, natural de Akron, no Ohio, que está a passar as férias do verão, finalmente desfrutando do seu sonho de visitar Veneza, em Itália.  Considerando-se uma "mulher independente, ela considera-se feliz a explorar a cidade sozinha, mergulhando na cultura local, e filmando tudo com uma câmara portátil. No hotel conhece um casal americano, mas depressa descobre que apesar de todo o cenário deslumbrante e pessoas amigáveis, tudo pode ser ilusório quando se vê sozinha. No entanto, tudo muda quando ela chama a atenção de um comerciante local chamado Renato De Rossi (Rossano Brazzi), iniciando com ele um romance de férias. 
A interpretação de Katherine Hepburn alcança um resultado bastante conseguido, porque o personagem de Jane é uma mulher presa em contradições. Está animada e confiante, e ao mesmo tempo bastante aborrecida. Veste-se com elegância, mas leva uma garrafa de bourbon para o hotel e acaba por se envolver com um homem casado. Tudo se resume a uma coisa: a solidão, e apesar de estar cercada de pessoas e até fazer alguns amigos temporários pelo caminho ela assonada pela solidão e a falta de amor na sua vida, o que acaba por manchar a ideia das férias perfeitas que tinha na sua mente.
Talvez a verdadeira estrela do filme seja a própria cidade de Veneza. Filmado interinamente em exteriores e num espectacular Technicolor, David Lean, o realizador, filma do amanhecer ao entardecer, e durante a noite, com estrelas cintilantes no céu. Para uma cidade tão lutada e quase claustrofóbica, Lean consegue encontrar os amplos espaços abertos e filmá-los de todos os ângulos, desde o nível do canal à torre mais alta da igreja. Foi o primeiro filme que Lean filmou totalmente em exteriores fora do país, e preparava-se para começar a sua série de grandes êxitos comerciais.

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A Importância de se Chamar Ernesto (The Importance of Being Earnest) 1952

Quando Algernon (Michael Denison) descobre que Ernesto (Michael Redgrave) criou um irmão fictício para todas as oportunidades em que ele precise de um motivo para escapar da vida monótona do campo, apresenta-se como o irmão, causando um confusão cada vez maior.
A última e mais popular das comédias sociais de Oscar Wilde, a peça "The Importance of Being Earnest" estreou no Teatro de St. James no dia dos namorados de 1895. No entanto, a sua exibição inicial foi interrompida depois de Wilde ter sido acusado de imoral, sendo denunciado por um dos seus conhecidos da altura, o então Secretário do Interior (e mais tarde primeiro ministro) Herbert Asquith. Ironicamente,  e numa reviravolta bizarra, seria o filho deste, Anthony Asquith, que faria a primeira versão para o cinema.
A produção de Anthony Asquith para o cinema derivou em grande parte do material apresentado das primeiras vezes nos teatros. Asquith fez 10 filmes em colaboração com o dramaturgo Terence Rattigan, bem como três derivados de peças de George Bernard Shaw, mas ao adaptar a peça de Wilde, Asquith ousadamente resolveu enfatizar as origens dos palcos. 
Feito em grande parte pela insistência de Michael Denison (que interpreta Algernon), o filme também apresentava a estreia de Dorothy Tutin, e uma das interpretações pouco frequentes de Edith Evans (apenas a sexta desde a sua estreia nos cinemas em 1915) num papel que ela já tinha feito algumas vezes nos palcos, a primeira vez em 1939.  
Asquith fez apenas cinco filmes a cores em toda a sua carreira, e este seria o seu primeiro. Evitando a ousadia característica e a elegância dos primeiros Technicolor, ele reserva as cores mais exageradas para as roupas de Lady Bracknell (Evans). Ela entra no filme usando um vestido côr de púrpura vívido e um chapéu que parece ser feito de penas de pavão, pouco antes de pronunciar a linha imortal de Wilde: "Levante-se, senhor, dessa postura semi-reclinada".

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Oito Vidas por Um Título (Kind Hearts and Coronets) 1949

É uma jóia finamente polida de inteligência literária com uma visão sátirica e impiedosa do privilégio da vida, o conflito de classes, e a moral Edwardiana, "Kind Hearts and Coronets" desmente o título(original) aparentemente gentil, concentrando-se num jovem determinado a matar no seu caminho para o ducado onde ele sente é a sua primogenitura. Feito nos anos negros depois da Segunda Guerra Mundial, "Kind Hearts and Coronets" rompeu com o tom mais quente e suave da maioria dos filmes produzidos nos famosos Ealing Studios, com uma visão barbaramente abatida da natureza humana.
A mãe de Louis Mazzini (Dennis Price, que representa a essência da urbanidade refinada com uma mente assustadoramente sociopata) é banida da sua herança familiar régia por causa do grave pecado de se casar por amor, e não pela riqueza e posição. Isto deixa Louis sem a pretensão da sua herança familiar. Preso num trabalho sem perspectivas e rejeitado pela sua antiga namorada Sibella (Joan Greenwood) por um bronco implacável com mais potencial financeiro (John Penrose), Louis decide matar pelo seu caminho, até eliminar os oito membros da família d'Ascoyne que se interpõem entre ele e o ducado.
Numa façanha de mestre, o incomparável Alec Guinness foi escolhido para interpretar todos os oito membros da família d'Ascoyne, que variam desde um padre a um almirante ridiculamente orgulhoso, passando por um playboy e até mesmo uma feminista agitadora. Guinness, embora não apareça em cena por muito tempo com cada personagem, ainda consegue dotar cada uma deles com bastantes traços e personalidades únicas para torná-los instantaneamente memoráveis. Guinness já tinha deixado a sua marca há vários anos em duas adaptações de clássicos de Charles Dickens por David Lean, Oliver Twist e Grandes Esperanças, e "Kind Hearts and Coronets" não deixa qualquer dúvida sobre a sua versatilidade única. 
No entanto, apesar de Guinness ser tão grande, não domina completamente "Kind Hearts and Coronets", um filme cuja leve crueldade se torna no seu traço mais duradouro. O realizador Robert Hamer consegue minar toda a moral e os valores convencionais, de tal forma que, nunca se sente que o próprio filme seja tão depravado como realmente é. "Kind Hearts and Coronets" é mais frequentemente descrito como uma comédia de humor negro, mas não é cómica, no sentido usual da palavra, mesmo para os refinados padrões britânicos. Na realidade, "Kind Hearts and Coronets" é, provavelmente, o melhor filme já criado para ilustrar a teoria de Alfred Hitchcock, em que o público deve se identificar com qualquer personagem na tela, não importa o quão vil ela seja. Louis Mezzini é o retrato de um malandro muito amoral, não só nas suas atividades assassinas, mas também no tratamento de todos ao seu redor como uma série de peões para serem manipulados para alcançar o seu próprio fim.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O Ídolo Caído (The Fallen Idol) 1948

Philippe, filho de um diplomata e bom amigo de Baines, o mordomo, fica confuso com as complexidades e evasões da vida adulta. Tenta guardar segredos, mas acaba por os contar, mente para proteger os amigos mesmo sabendo que deveria dizer a verdade. Resolve não ouvir mais os adultos quando Baines é acusado de assassinar a sua esposa e ninguém ouvir as suas informações vitais.
"The Fallen Idol" é uma história de mal-entendidos vistos através dos olhos de uma criança. Uma amizade improvável entre o solitário filho de um embaixador, interpretado pelo jovem Bobby Henrey, um actor não profissional que só seria visto em mais outro filme, e o mordomo da embaixada, interpretado por Ralph Richardson, um actor já mais experiente.
"The Fallen Idol" seria a primeira de três colaborações entre Carol Reed e Graham Greene, e era baseado num dos contros de Greene chamado "The Basement Room". Ao adaptar a sua história para o cinema Greene alterou a ênfase do filme. Enquanto que na história original a criança testemunhou um crime mas tentou proteger o amigo, no filme o público sabe que o que aconteceu foi um acidente, mas o jovem interpreta mal.
"The Fallen Idol" é ofuscado pela colaboração seguinte entre Reed e Greene, "The Third Man", que veria a luz do dia no ano seguinte, e de certa forma é um filme precursor desse, principalmente em termos visuais. Muitos dos famosos ângulos utilizados em "The Third Man", já encontraram similaridades aqui, e o ambiente que caracteriza mesmo os trabalhos mais sombrios do realizador, também está já aqui presente. 
Conseguiu duas nomeações para os Óscares: realização e argumento. 

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Foi Uma Mulher Que O Perdeu (Le jour se lève) 1939

Um homem é baleado atrás de uma porta fechada. Ele tropeça pelo apartamento, e cai pelas escadas abaixo , passando pela única testemunha, um homem cego. A policia está confusa, e acredita que o atirador se trancou no quarto. Ninguém sabe quem é o morto, muito menos porque o vizinho supostamente atirou nele. O único que tem todas as respostas está atrás de uma porta fechada, e sem falar. 
Esta é a sequência de abertura, e a configuração básica para "Le Jour se Lève", um "thriller" tenso de Marcel Carné de 1939. O atirador é interpretado pelo formidável Jean Gabin, um dos actores mais naturalistas e credíveis da história do cinema. A sua presença é como a de Bogart, e precursora de  Depardieu, mas na verdade ele é apenas Gabin, um actor único. Perfeitamente credível como um herói da classe trabalhadora, e o tipo de personalidade que poderia despertar o nosso interesse agarrado à solidão do seu quarto. É isso mesmo que acontece em "Le Jour se Lève", embora a sua noite escura da alma esteja carregada de memórias e arrependimento. 
A coisa porque este filme é mais conhecido, é pela sua forma única de contar histórias. É um dos primeiros filmes que apresenta uma história, principalmente, contada em flashbacks, variando continuamente entre o passado e o presente. Esta técnica de contar histórias foi, pouco tempo depois, tornada mais famosa em "Citizen Kane", de Orson Welles.  Também é conhecido por ter quatro directores de fotografia diferentes, e as sombras e a sua aparência visual desempenham um papel importante no filme.
Legendas em inglês. 

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Pigmaleão (Pygmalion) 1938

Henry Higgins é um professor de fonética que, junto com o seu amigo, o Coronel Pickering, resolvem transformar Eliza Doolitle, uma florista de rua inculta e sem o mínimo de educação exigido pela sociedade, numa grande dama, no espaço de três meses. No entanto, eles descobrem o que é envolverem-se com um ser humano com ideias próprias.
Dirigido por Anthony Asquith,  e interpretado por Leslie Howard, esta versão cinematográfica da peça de George Bernard Shaw, que mais tarde foi transformado num filme mais conhecido e vencedor de um Óscar de Melhor Filme chamado "My Fair Lady" (com Rex Harrison e Audrey Hepburn) apresenta Howard no papel do muito confiante Henry Higgins, e Wendy Hiller no papel de vendedora de flores da rua. W.P. Lipscomb, Cecil Lewis e Ian Dalrymple e Shaw estiveram entre os nomes que contribuíram para os que escreveram o argumento e os diálogos, com o qual ganhariam o único Óscar do filme. Tanto Howard como Hiller receberam nomeações nas suas categorias de actor e actriz.
"Pigmaleão" tinha sido produzido pela primeira vez para os palcos de Londres em 1914. Shaw tinha visto  Hiller em palco em duas peças suas e recomendou-a para esta adapatação cinematográfica. Viria a ser a primeira tentativa do produtor húngaro Gabriel Pascal em colocar Shaw no grande ecrã. Voltaria a repetí-lo em 1941, com "Major Barbara", em 1945 com "César e Cleopatra" e 1952 com "Andrócles e o Leão". George Bernard Shaw nunca foi muito relutante em adapatar as suas peças para o grande ecrã, mas Pascal acabava sempre por convence-lo graças ao seu charme.
Tal como todas as adaptações que tinha tido para o teatro, a versão cinematográfica também foi um êxito monstruoso. Uma curiosidade, David Lean foi o autor da montagem, então com apenas 30 anos de idade.

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sábado, 19 de outubro de 2019

Pépé le Moko (Pépé le Moko) 1937

A Casbah de Argel nos anos 30: uma rede inextricável de ruelas, casas de jogos clandestinas e traficantes. Pépe le Moko (Jean Gabin), um gangster de origem metropolitana reina nessa área, gozando com os policias. Para capturá-lo, seria preciso que ele saísse do seu reduto, inacessível às autoridades. É o que tenta fazer o astuto inspector Slimane.
"Pépé le Moko" é o filme que fez do actor francês Jean Gabin uma estrela. Longe de ser o seu primeiro papel, ele já tinha entrado em cerca de duas dezenas de filmes anteriormente, e não era um actor convencionalmente bonito que se colocasse como protagonista de um filme, mas era um actor que transmitia confiança e autoridade, mesmo quando o víamos preso numa trama fatalista condenado a morrer. André Bazin definiu-o como o "herói trágico do cinema contemporâneo", e foi de facto este filme que ajudou a definir a sua persona.
Na altura o filme foi descrito como "realismo poético", um termo usado para filmes de realizadores como Jean Renoir ou Marcel Carné, que usavam cenários realistas que foram evocativamente estilizados para melhorar o clima e a atmosfera. Nesse sentido, o realizador Julien Duvivier usou o próprio Casbah para filmar as fatalidades do filme. O Casbah era um bairro construído numa colina e composto por ruas estreitas e sinuosas, becos sem saída e uma variedade multiétnica super lotada por pessoas de todo o mundo, um labirinto misterioso onde poucos de fora podiam penetrar, e por isso era um esconderijo perfeito para o nosso esquivo protagonista.
Curiosamente, Duvivier era muitas vezes descrito como um realizador pouco talentoso, um realizador que se apropriava de qualquer estilo que se adaptasse às suas necessidades, sem uma voz autoral verdadeira. No entanto, quem vê "Pépé le Moko" reconhecerá imediatamente a amplitude das suas habilidades, sendo ele capaz de coreografar momentos de intenso desejo emocional, bem como momentos de flagrante violência. 
Apesar de grande aclamação mundial o público americano ficou largos anos sem o ver, porque o realizador John Cromwell o refez um ano depois como "Algiers", que apesar de um bom elenco (Charles Boyer foi nomeado para o Óscar como protagonista), ficou muito aquém do filme de Duvivier, nem mesmo com algumas cenas a serem copiadas integralmente. 

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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Quem Programa Sou Eu: Catálogo Janus Films, por Rafael Lima

Chegamos ao sexto capítulo da rubrica "Quem Programa Sou Eu", e desta vez o convidado vem do Brasil. O Rafael Lima é já um velho conhecido dos Thousand Movies, tendo participado uma vez na outra rubrica, chamada "5x5", ainda no tempo do My One Thousand Movies.
Desta vez, o Rafael trouxe-nos uma ideia muito interessante, que originou este ciclo, com filmes escolhidos por si. Vamos ler as suas palavras:

"O catálogo Janus Films faz parte da vida de muitos cinéfilos pelo mundo. Filmes como "A Grande Ilusão" de Renoir, "Rashomon" de Kurosawa, "Morangos Silvestres" de Bergman, "A Estrada da Vida" de Fellini, "Viridiana" de Buñuel e "A Aventura" de Antonioni estão presentes em seu arsenal fílmico, a título de exemplos. O meu intuito com este novo ciclo é apresentar-lhes os filmes que são lembrados num grau menor, porém não menos importantes que os citados anteriormente. Espero possam acompanhar com entusiasmo, assim como eu também farei!" - Rafael Lima


Certamente que muitas pérolas sairão daqui. Não acham?
Quem quiser participar numa próxima rubrica toca a enviar mail para myonethousandmovies@gmail.com