sexta-feira, 17 de setembro de 2021

domingo, 12 de setembro de 2021

A Fonte da Virgem (Jungfrukällan) 1960

A história do filme é beaseada numa lenda sueca do século 13, chamada "Tores Dotte i Vangd" (A filha de Tore o Vange).  No conto duas irmãs exploram o conceito do bem versus o mal, na forma de Karin, a irmã virginal loira, e Ingeri, a morena e temperamental que tem ciúmes de Karin. Enquanto caminhavam por uma floresta para trazer velas para a igreja, Ingeri confunde Kari tanto que a irmã loira que se perde na floresta, e a irmã a abandona sem dizer uma palavra. Três pastores de cabras andam à espreita na florenta, e quando descobrem Karin sozinha e perdida violam-na e matam-na. 
A maior objecção dos censores foi a sequência da violação com cerca de 90 segundos. Apesar dos censores de Detroit terem concordado em dar autorização aos três cinemas de arte da cidade, desde que eles mantivessem longe o público com menos de 18 anos, no entanto este filme tornou-se num caso especial, e os censores acabaram por eliminar a cena de violação em "Two Women" e neste filme, mesmo nos casos em que eles eram mostrados apenas para adultos. 
Em Forth Worth, no Texas, os censores invocaram uma portaria que proibia a exibição de qualquer filme que fosse "indecente ou injurioso para a moral dos cidadãos". O distribuidor recusou fazer o corte das sequências propostas, e o caso seguiu para tribunal numa disputa entre a Janus Films e a cidade de Forth Worth. Um caso polémico que acabou por valer uma vitória importante para a Janus Films. 

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Nunca aos Domingos (Pote tin Kyriaki) 1960

"Never on Sunday" foi escrito, realizado e produzido por Jules Dassin, um produtor e realizador de topo de Hollywood que emigrou para França no início da década de 50, depois de ter sido colocado na Lista Negra anticomunista durante a caça ás bruxas conduzida pelo Comité de Atividade Antiamericanas (HUAC) em Washington DC. Mesmo depois do sucesso deste filme, que custou 150 mil dólares a fazer, e rendeu 6 milhões a fazer, Dassin continuou sem conseguir trabalho alguns anos depois de ter sido ouvido pelo HUAC. 
O argumento gira à volta da animada e vivaz prostituta Ilya, que pratica a sua profissão de Segunda a Sábado e descansa aos Domingos. Trabalha independentemente, e recusa-se a trabalhar para um chulo chamado Noface, que lhe faz ofertas repetidas. Quando conhece Homer, um estudante americano que está de férias na Grécia, a sua natureza séria parece desafiá-la. 
O distribuidor americano para "Never on Sunday" não o inscreveu para o selo de aprovação do MPAA. Se o tivesse feito, provavelmente o selo tinha-lhe sido negado, porque ao contrário de outros filmes sobre prostitutas como "Butterfly 8" em que a heroína peca e depois morre, e apesar de Ilya trabalhar seis dias e depois descansar ao Domingo, ela não parece ter remorsos do que faz nos restantes dias da semana. O filme foi exibido em grande parte em cineclubes, e não teve problemas até pedir licença para exibição em Atlanta, Georgia. O censor de Atlanta exigiu que certos cortes fossem feitos, incluindo referências à profissão de Ilya, e à sua sua moralidade relaxada para que o filme pudesse ser exibido. O distribuidor fez um novo apelo aos censores da cidade, que decidiram que mesmo com os cortes pedidos primeiramente o filme não poderia ser exibido, porque poderia ser prejudicial para as crianças, e tentava vender uma ideia inaceitável. O caso seguiu para tribunal, com o Tribunal Superior do Condado de Fuldon a decidir que considerou que o filme não era obsceno, e os censores de Atlanta violavam as disposições da liberdade de expressão das constituições da Georgia e dos Estados Unidos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder) 1959

 Baseado num best seller de 1958 escrito por Robert Traver, vagamente baseado num caso real, um assassinato ocorrido em Michigan em 1952. A história, passada principalmente num tribunal, gira à volta da morte do proprietário de um bar por um tenente do exército, Manion, que afirma ter agido com uma apaixonante raiva depois do proprietário do bar ter violado a sua esposa. A defesa de Manion cabe a Paul Bigler que, desde que foi eleito procurador local, passou mais tempo a pescar do que a exercer a sua actividade. Biegler concorda defender o tenente, mas o caso começa a ficar mais complicado por causa do comportamento sedutor de Laura Manion, e à medida que a história se desenvolve começam a ser questionadas as motivações do crime. 
Em 1959, a cidade de Chicago invocou uma portaria de 1907 para recusar a licença à Columbia Pictures para exibir "Anatomy of a Murder". Os censores da cidade, chefiados pelo superintendente da policia, opôs-se ao filme devido ao uso de termos como "violação", "esperma", "penetração", "contracepção" no depoimento do julgamento. Os membros do conselho também se opuseram ao relato de Laura Manion sobre a violação e argumentaram que o utilização de tal terminologia tornavam o filme obsceno de acordo com a portaria da cidade. Representando a Columbia Pictures, o realizador e produtor Otto Preminger, abriu um processo contra a cidade, para obter licença para a exibição do filme.
Ao preferir a decisão, o tribunal determinou que a comissão de censores tinha ultrapassado os limites constitucionais, e reverteu a decisão dos censores. O juiz aplicou a medida estabelecida em relação a livros e peças que exigia que a obra fosse julgada como um todo em termos do seu efeito sobre um leitor ou espectador. Mais um caso complicado, em que a justiça venceu em tribunal.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

A Stranger Knocks (En fremmed banker på) 1959

 "Stranger Kncks" passa-se numa área isolada na costa da Dinamarca, onde a viúva Vibeke vive sozinha desde que os nazis mataram o seu marido durante a Segunda Guerra Mundial. Quando um homem chega à sua porta numa noite tempestuosa ela agradece-lhe a companhia e sente-se fisicamente atraída por ele. Ele não revela que é um fugitivo das autoridades dinamarquesas e refugiado nazi, que pode muito bem ter sido o responsável pela tortura e morte do seu marido...
As tentativas de censurar "A Stranger Knocks" em Nova Iorque levaram a uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que a lei da censura estadual que foi usada para avaliar cerca de 18 mil filmes entre 1929 e 1965, violava o processo da Décima Quarta Emenda. O exibidor apresentou o filme ao Conselho de Regentes do Estado de Nova Iorque, que se recusou a emitir uma licença para exibição do filme, sob o argumento de que era obsceno porque continha duas cenas de relações sexuais. Os advogados do distribuidor contestaram a decisão, e ganharam. O Conselho de Regentes apelou ao tribunal de Recursos de Nova Iorque, que voltou a reverter a decisão, desta vez contra o distribuidor. 
O tribunal decidiu que o conselho não precisava de aplicar o teste da obscenidade aplicado pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que exigia que os censores considerassem se o "tema dominante da obra como um todo", apelava ao "interesse lascivo". O tribunal escreveu: "Se esse requisito fosse aplicável a casos desta natureza, a lei seria incapaz de lidar com casos da pornografia mais grosseira que se possa imaginar". Na altura foi considerado um dos filmes mais provocativos de todos os tempos.
Legendas em inglês.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Os Amantes (Les Amants) 1958

 Baseado num livro do século 19 chamado "Point de Lendemain" , escrito por Dominique Vivant, mas o filme passa a história para o Século 20. Jeanne Tournier, uma mulher de 30 anos aborrecida com a vida,  casada com um rico editor, sente-se presa e inquieta na província de Lyon, infeliz no casamento porque o marido a ignora. Seguindo o conselho da amiga Maggy, começa um caso em Paris com o playboy Raoul Flores, um homem culto e atraente, que em breve também a aborrece.
"Os Amantes" era um filme intensamente sensual, mas a sua principal objecção não era a visão romantizada do adultério. Em vez disso, os censores de várias cidades opuseram-se à prolongada cena de amor dos últimos 20 minutos. Embora a nudez seja reduzida ao mínimo, a cena entre uma mãe casada de 30 anos, e o arqueologista mais novo foi bastante polémica na sua época. Na Virginia e em Maryland os censores apresentaram aos donos dos cinemas uma lista de cenas a cortar para que o filme fosse mostrado, ao que os donos dos cinemas preferiram não mostrar o filme. Em Nova Iorque tiveram que ser retirados alguns segundos aos 20 minutos finais para que o filme tivesse autorização, e em Memphis, Boston e Providence  o filme foi mesmo mostrado sem os minutos finais, a intensa cena de amor. 
A ocorrência mais famosa em relação a este filme, foi o longo que opôs em tribunal Nico Jacobellis e o Estado do Ohio, um caso que alterou as regras da proibição de filmes para sempre. Em 1959, Jacobellis um gerente de um cinema que passava filmes de arte foi preso sob a acusção de posse e exibição de um filme obsceno. Quando o caso foi a julgamento a acusação era baseada inteiramente na cena de amor dos minutos finais do filme, sendo o exibidor condenado. O advogado apelou da decisão, chegando a ser discutido perante a Suprema Corte do Estados Unidos que decidiu em 1964, cinco anos depois, que o filme não era obsceno perante os padrões dos Estados Unidos. Uma decisão que teve um grande impacto em futuras disputas em tribunal por causa da censura de filmes.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Desejo Sob os Ulmeiros (Desire Under the Elms) 1958

A peça de 1924 com o mesmo nome foi a base para esta adaptação de Irwin Shaw. "Desire Under the Elms" é essencialmente a história de pessoas cujas vidas são tingidas pela solidão e abaladas por paixões frustradas. Para eles a única solução é através do amor. Os filhos do velho Cabot odeiam-no. Eben, o mais novo e filho da segunda esposa só se lembra da mãe a trabalhar até à morte, e acredita que a vê por aí, como se ela tivesse ressuscitado do seu túmulo. Quando o pai trás para casa a terceira esposa, Anna, os dois filhos mais velhos partem para a Califórnia, enquanto que o mais novo fica para vingar a mãe. Para surpresa do jovem, o seu ódio ardente por Anna transforma-se em paixão.
 O conselho de censores de Chicago concedeu à Paramount uma licença para exibir o filme na cidade, mas apenas para pessoas com mais de 21 anos de idade. O distribuidor entrou com um pedido no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte de Illinois para impedir a cidade de bloquear a exibição do filme para públicos de todas as idades. Os representantes legais da Paramount argumentaram que o código municipal de Chicago estabeleceu claramente a base para a concessão de licenças para exibição, e que apenas filmes considerados "imorais" ou "obscenos" seriam negadas as exibições. Começou aqui uma longa batalha judicial até que por fim a Paramount obteve autorização para exibir o filme para todas as idades.

domingo, 22 de agosto de 2021

13 anos de Thousand Movies

 Os últimos tempo tem sido mais difícil de postar com regularidade, pelo menos com a regularidade de antigamente, mas cá continuamos. Agora com 13 anos nas pernas, e sempre a mesma vontade, embora menos tempo.
Fiquem com um vídeo antiguinho, e esta semana continuamos com os filmes.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

E Deus Criou a Mulher (Et Dieu... Créa la Femme) 1956

 "E Deus Criou a Mulher", realizado por Roger Vadim, contava com Brigitte Bardot, a "fantasia de todo o homem casado" no papel de uma orfã de 18 anos que se torna numa mulher sexy e amoral de um homem e o objecto de desejo para dois outros. Trabalhando numa banca de jornal e a viver em St. Tropez com um casal que ameaça mandá-la de volta para o orfanato se ela não aceitar em mudar o seu comportamento em relação aos homens, sobre quem exerce um grande poder de atração. 
"E Deus Criou a Mulher", de Roger Vadim, juntou-se  a "L'Amant de Lady Chatterley" de Marc Allégret, e "Les Amants" de Louis Malle, numa série de filmes que forneciam ao público americano novas formas de visão artística e sensualidade nunca antes vistas em produções de Hollywood. Ainda mais importante, a sua popularidade levou a que mais filmes que tratavam da sexualidade humana a um nível mais adulto,  e por sua vez a um maior número de desafios que iriam parar aos tribunais, trazendo mais vitórias para o cinema.
Foi desafiado pela Legião de Decência em todas as cidades onde foi distribuído, mas mesmo assim conseguiu obter licenças em estados como Nova Iorque, Maryland e Virginia. Apesar dos protestos foi exibido em várias outras cidades nos estados de California, Illinois, Kentucky, Missouri, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Texas e Washington. Na cidade de Filadélfia teve muitos problemas, foi proibido de acordo com uma lei que poderia considerar ilegal qualquer filme que fosse "lascivo, sacrílego, obsceno, indecente ou de natureza imoral", e de acordo com os padrões da cidade o filme preenchia 4 dos 5 requisitos. O aviso alertou os proprietários dos cinemas que exibirem o filme poderia resultar na sua prisão e apreensão do filme. A distribuidora, a Kingsley International, levou o caso a tribunal, numa luta bastante disputada, acabando por vencer contra a cidade de Filadélfia.

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

A Voz do Desejo (Baby Doll) 1956

"Baby Doll" é o resultado da combinação e expansão de duas peças de Tenneessee Williams, "Twenty-Seven Wagons Full of Cotton" e "Unsatisfying Supper". O filme começa com a visão de uma jovem mal vestida, loira, deitada num berço, com um homem calvo de meia idade a espia-la lascivamente por um buraco na parede. Enrolada, e chupando o polegar, ela dorme pacificamente até ouvir o som do homem a alargar o buraco na parede para que possa ter uma melhor visão do corpo da jovem posado provocativamente. Ela sai furtivamente do berço e entra silenciosamente na sala onde confronta Archie, o seu marido. A jovem a quem ele chama de "Doll" fará 20 anos. Quando eles se casaram dois anos antes, Archie tinha combinado com o já falecido pai dela que não consumaria o casamento até ela ter 20 anos.
Quando "Baby Doll" estreou foi denunciado como lascivo, revoltante, sujo, obsceno, moralmente repelente e provocador. Uma crítica na Time afirmava que era o filme americano mais sujo que jamais tinha sido exibido legalmente. Tão forte foi a revolta do público contra o filme, que muitos cinemas foram obrigados a cancelar a sua exibição. Apesar de tal oposição, o filme foi um êxito nas bilheteiras, porque temas como a repressão sexual, luxúria, sedução, decadência moral e corrupção humana atraiam um elevado número de pessoas aos cinemas. O argumento teve um longo atraso de 3 anos por causa de imposições do PCA. Elia Kazan recusou-se a fazer uma das principais mudanças sugeridas, a cena do swing, que afirmavam ser uma cena de sedução muito clara, ao ponto de sugerir que Baby Doll está a ter um orgasmo físico. 
Embora o PCA tenha garantido finalmente o selo de aprovação, o filme foi depois duramente criticado pela Legião Católica de Decência quando estreou em Nova Iorque. Embora os líderes protestantes desafiassem a visão da Legião Católica de Decência e defendessem a "moralidade essencial" do filme, todos os grupos religiosos concordaram que a forma com que a Warner divulgou o filme era questionável. Os cartazes retratavam uma jovem Carroll Baker a fazer beicinho com pouca roupa, posando sedutoramente em pé contra o batente da porta, ou enrolada no seu berço a chupar o dedo. Alguns cinemas que exibiram o filme chegaram mesmo a receber ameaças de bomba.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

L'Amant de lady Chatterley (L'Amant de lady Chatterley) 1955

"L'Amant de Lady Chatterley" é baseado num romance de 1928 do mesmo nome de D.H. Lawrence, que ganhou notoriedade durante os anos 30, altura em que a obra foi proibida e contrabandeada para os Estados Unidos, em edições pirateadas e expurgadas, e na peça escrita por Gaston Bonheur e Philippe de Rothschild, a partir do mesmo livro. Num relato em defesa do livro num caso histórico de censura em 1959, Charles Rembar observa que o livro foi amplamente proibido porque apresentava actos proibidos em detalhes proibidos, e descrevia-os também numa linguagem proibida. 
O filme retém algum do sabor original do romance, mas apresenta os actos proibidos com muito menos detalhes, enquanto que a linguagem gráfica usada para descrever os órgãos genitais e as funções corporais foi removida. O enredo, no entanto, permanece o mesmo. Connie Chatterley é uma jovem nobre casada com um barão tirânico, Clifford Chatterley, que está paralisado da cintura para baixo e sexualmente impotente depois de um acidente na Primeira Guerra Mundial. Aparentemente apaixonada pelo marido, mas ainda jovem e no seu auge sexual, Connie tem um breve e insatisfatório caso com alguém do seu circulo social..
Mais um caso de um filme que passou pela alfândega dos Estados Unidos, sem ter sido bloqueado, apesar de ser baseado numa obra maldita nos Estados Unidos, a quem já tinham tentado adaptar ao cinema no passado, sem sucesso. A Kingsley International, a distribuidora do filme nos Estados Unidos, recusou-se a fazer cortes antes do filme ser exibido, o que levou a uma dura disputa entre as barras do tribunal entre ela e a cidade de Nova Iorque, onde o filme só pode ser exibido três anos depois.
Legendas em inglês.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Ingénua... Até Certo Ponto (The Moon is Blue) 1953

 Um dos casos mais famosos de filmes estreados sem o selo de aprovação da PCA foi "The Moon is Blue", baseado numa peça com o mesmo título, também escrita por F. Hugh Herbert, hoje parece  uma comédia leve e muito datada, Patty O´Neal, uma jovem actriz de televisão lutadora e ingénua conhece Donald Gresham, um jovem arquitecto, no Empire State Building. Ele convida-a para jantar, ela aceita, mas pelo caminho pergunta-lhe se podem passar pelo seu apartamento para costurar um botão que caíu. Ela pergunta-lhe se ele tentará seduzi-la ou se as suas intensões são honrosas, ao que ele a repreende por ter sido directa demais. 
Foi negado o selo de aprovação ao filme por causa da sua forma despreocupada como lidava com o assunto do adultério, apesar de não acontecer nenhum adultério durante todo o filme. A LOD classificou-o como "C" de condenado, mas a importância deste filme perante os censores de Hollywood não foi por questões técnicas, mas sim porque os censores esperavam que o distribuidor perdesse dinheiro por não ter conseguido um selo de aprovação. Em vez disso, o filme que tinha custado 450 mil dólares, acabaria por ser exibido em mais de 4000 cinemas, facturando 6 milhões de dólares na estreia. O seu sucesso enfraqueceu os poderes do PCA e fez outros estúdios tomarem nota, principalmente quando a United Artists deixou de ser membro da MPAA, em apoio a este filme.
Alguns anos depois, e depois do PCA ter revisto os seus padrões extensivamente, a United Artists voltou aderir ao MPAA, mas o filme ainda enfrentaria uma grande luta para conseguir o selo de aprovação para ser exibido em todos os cinemas, tendo sido proibido em várias cidades.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Um Eléctrico Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire) 1951

 Adaptado da peça de Tennessee Williams do mesmo nome, que ganhou o prémio Pulitzer e gozou de um enorme sucesso na Broadway. Elia Kazan usou grande parte do elenco da peça no filme, e fez apenas algumas mudanças no argumento, para satisfazer o chefe do PCA, Joseph Breen. "A Streetcar Named Desire", passado no bairro françês de New Orleans nos anos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, conta a história de Blanche Dubois, uma frágil e neurótica ex-professora de inglês, que chega ao apartamento da sua irmã grávida Stella, e do cunhado Stanley, da sua cidade natal Laurel, no Mississipi. Ela clama que tirou um tempo de folga por causa de uma exaustão nervosa, mas na verdade perdeu o emprego porque seduziu um jovem de 17 anos, que o seu pai denunciou. 
A versão cinematográfica foi a fonte de um amargo conflito entre os censores, o realizador Elia Kazan, e o dramaturgo Tennessee Williams. Antes mesmo das filmagens começarem Joseph Breen disse ao produtor que o filme não seria feito sem grandes cortes em algumas cenas e diálogos. Depois de ler o argumento Breen escreveu u memorando para a Warner Bros relatando que eles teriam de remover todas as interferências de sexo e perversão em referência a Blanche e o seu jovem amante, assim como algumas referências a que Blanche fosse uma ninfomaníaca.  Além disso Breen também previu problemas com uma cena de violação e sugeriu várias alternativas, incluindo Blanche inventar a violação e Stanley provar que não a violou. Nas negociações que sucederam entre os censores e a produtora, esta última acabou por levar a melhor, porque Kazan e Williams mantiveram-se firmes, e a produtora não quis perder já todo o dinheiro investido, mas Breen acabou por levar a melhor na parte da violação.
Depois do filme terminado, a Warner deparou-se com outro problema, a LOD (Catholic Legion of Decency), que planeou avaliar o filme com a categoria C (de condemned) que deixaria muitos católicos afastados do filme, mas a Warner pediu para Kazan se reunir com um representante da LOD, o padre Patrick Masterson, que disse ao realizador que não faria nada, porque não era um censor. Só que a produtora não precisava de autorização do realizador ou argumentista para fazer cortes no filme, e a mando da LOD cortou mesmo algumas cenas na versão final. 
Quando o filme estreou criou uma tempestade de controvérsia, foi considerado imoral, decadente, vulgar e pecaminoso, mesmo depois dos cortes substanciais a que já tinha sido sujeito. Kazan lutou contra os cortes mas perdeu, e durante anos faltaram aqueles cinco minutos, que apesar de não serem muito tempo eram cruciais para o filme. A restauração de 1993 devolveu os minutos em falta, e agora já se pode ver o filme em toda a sua extensão e beleza.

Imdb    

sexta-feira, 30 de julho de 2021

A Ronda (La Ronde) 1950

 "La Ronde" é uma adaptação da peça "Reigen", uma comédia escrita por Arthur Schnitzler que trata de forma irónica assuntos como promiscuidade, adultério e sedução entre um grupo de pessoas de uma variedade de classes sociais, já que os personagens "continuam as suas intrigas enquanto...hipocritamente ignoram as tensões sociais". O cenário move-se entre um carrocel e a cidade de Viena, coforme os jogadores do carrocel sexual aparecem e desaparecem de cena, passando do palco sonoro artificial do carrocel para um quarto ou outros locais, para depois voltarem para o carrocel. Um narrador urbano e espirituoso classifica as seduções cómicas e fornece perspectivas sobre os pares.
O filme não mostra actividade sexual, apenas os eventos que levam a ela e a precedem e as reacções emocionais que a acompanham em cada fase. Focando o duplo objectivo de examinar o desejo sexual e as mentiras que as pessoas contam para satisfazer esse desejo, o filme examina cada personagem em duas cenas de sedução, uma a seguir à outra. 
O filme foi importado de França e passou pela alfândega dos Estados Unidos sem problemas. O seu status de filme estrangeiro significava que não exigia um selo de aprovação para ser exibido e a decisão era deixada para os censores locais. Em 1952 os censores do estado de Nova Iorque recusaram-se a emitir uma licença para o filme, alegando que era "imoral" e tendia a corromper a moral. Os advogados da distribuidora, a Commercial Pictures, apelaram da decisão, que após revisão restringiu a decisão. O caso então entrou no tribunal de apelações de Nova Iorque, que apoiou a decisão do conselho de censores. Durante cerca de 2 anos o filme permaneceu em tribunal, até finalmente conseguir autorização para ser exibido.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Um Cântico de Amor (Un Chant D'amour) 1950

Escrito e realizado por Jean Genet em 1947, o seu único filme, transpõe as suas ideias e escritas para imagens visuais. Um trabalho de vanguarda que não contém qualquer música ou som, foi muitas vezes comparado com os filmes de Jean Cocteau, Keneth Anger e Maya Deren, e a sua história lírica de amor e romance gay é considerado pelos especialistas como um dos filmes mais intensamente físicos já feitos. O filme contrasta cenas de fantasia com a representação realista e dura da prisão, e o espectador é deixado a ser levado para onde termina a fantasia e começa a realidade. 
Uma das mais memoráveis curtas metragens já feitas e também mais controversas, o seu conteúdo picante impediu que fosse mais exibido. Embora muito silêncio e confusão cercassem este tesouro escondido, tornou-se a curta-metragem gay mais famosa da Europa, e um dos mais emblemáticos da cultura gay.
Em 1965 Saul Landau foi autorizado a exibir o filme na zona da baía de São Francisco, num acordo em que não seria exibido em casas comerciais. Landau exibiu o filme em várias sessões até ser ameaçado de prisão pela polícia. Os advogados que representavam Landau colocaram uma acção pedindo que o caso fosse arquivado, porque o filme possuía "valor artístico"  e "importância social". Mesmo com testemunhas especializadas, entre as quais autoridades em dramaturgia, literatura, cinema, criminologia e direito o tribunal decidiu que o filme era não mais que pornografia barata, calculada para promover a homossexualidade, perversão e práticas sexuais mórbidas. 

sábado, 24 de julho de 2021

Herança Cruel (Pinky) 1949

A história, adaptada de um livro de Cid Rickets Sumner, foi primeiro concebida como um filme chamado "Quality". A personagem principal é Patricia Johnson, uma mulher negra de pele mais clara, de alcunha Pinky, nascida no Mississipi numa altura de grandes preconceitos raciais. Depois de acabar o colégio vai para Boston para fazer um grau em enfermaria e trabalhar, num sitio onde passa por "branca". Apaixona-se por um doutor que não sabe nada do seu passado nem família. 12 anos mais tarde regressa ao sul, a casa da avó...
As acções do anticomunista HUAC, que investigava todas as possibilidade de deslealdade ao governo colocaram muitos realizadores nervosos no final dos anos 40, e uma tendência promissora de filmes com conteúdo social foi interrompida. "Quality", tal como outros filmes que expunham a dura realidade do racismo, estavam entre os que os argumentistas comunistas consideravam ser um importante passo na luta contra o racismo, mas estes filmes também deixavam outros americanos preocupados, o que levaria uma investigações da HUAC, mais agressivas. HUAC queria dizer House Un-American Activities Committee. A 20th Century Fox arquivou os seus planos para "Quality", que tratava em detalhes o tópico volátil inter-racial, mas encarregou Pjilip Dunne de reescrever o argumento e minimizar severamente o livro para depois renomear o filme para "Pinky". O filme foi exibido nos cinema de todo o país sem problemas, até em locais onde o racismo era mais proeminente, mas não passou nos censores de Marshall, no Texas. 
A cidade tinha nos livros um estatuto que permitia aos funcionários locais agirem como uma agência de censura de filmes, com poderes para pré-visualizar todos os filmes que pudessem ser exibidos publicamente e rejeitar todos os que fossem de um carácter a ser prejudicial aos interesses da cidade. E foi assim que o operador de um cinema da cidade, chamado Gelling, foi condenado por uma contravenção ao violar o estatuto local e ter mostrado o filme. Foi assim que nasceu um dos casos mais mediáticos em tribunais americanos, "Gelling vs. State of Texas.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

A Estrela do Norte (The North Star) 1943

"The North Star" é uma relíquia do seu tempo, um dos vários filmes de propaganda sobre a Segunda Guerra Mundial criados por Hollywood, que refletiam a nova relação entre os Estados Unidos e a União Soviética depois de em 1941 estes terem passado de aliados da Alemanha para aliados dos Estados Unidos. Estes filmes, que incluíam "Mission to Moskow", "Days of Gloria" e "Song of Russia",  foram feitos para ajudar os esforços dos americanos na guerra, e o mesmo tempo para fazer algum dinheiro nas bilheteiras. Samuel Goldwyn juntou uma equipa bastante criativa, que continha desde o realizador Lewis Milestone, ao fabuloso elenco, mas em vez de seguir os outros filmes de propaganda, centrava-se, segundo dizia, "na vida de russos normais, para americanos normais."
A história passa-se numa pequena cidade agrícola ucraniana, e começa com cenas extensas da vida das pessoas antes da guerra estourar. A vida dos russos são cantos, danças, piqueniques e tocar acordeão, vivendo todos felizes. Tudo muda drasticamente quando a guerra começa, e a paisagem torna-se num amontoado de destruição. O filme evita a política negra de Estaline e os fardos sob os quais os russos comuns trabalharam nas décadas de 20 e 30, e em vez disso, concentra-se na tragédia de guerra.
Ao contrário dos outros filmes deste ciclo, pelo menos a maioria, este não foi banido na estreia, nem teve qualquer problema até a guerra acabar, mas viria a ter depois. Ao longo dos anos, e ao longo dos acontecimentos da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, foi sendo alterada a mensagem de cooperação entre os dois países no filme. Ao saber que o seu material estava a ser alterado, a argumentista Lillian Hellman tentou que o seu nome fosse retirado do filme. Numa versão televisiva de 1956 foram removidos 25 minutos, e todas as referências à palavra "camarada", além de todo o discurso pró-comunista ter passado a anti-comunista. Já na parte final de década de 40, tanto Milestone como Hellman foram perseguidos pelos anti-comunistas e colocados na lista negra de Hollywood. 

terça-feira, 20 de julho de 2021

A Terra dos Homens Perdidos (The Outlaw) 1943

"The Outlaw" contava mais uma vez a relação entre Doc Holliday, Billy the Kid, o xerife Pat Bonner e Rio, uma meia-nativa americana que é namorada de Doc Holliday. Garret é o novo Xerife de Lincoln, New Mexico, e fica a saber que o velho amigo Doc Holliday está de passagem pela cidade. Embora Doc tenha uma uma reputação de causar sarilhos o xerife está satisfeito com a sua visita, mas Doc acaba por fazer amizade com Billy the Kid, um dos criminosos mais procurados das redondezas, e traír a confiança do Xerife. No meio desta nova amizade vai estar Rio, a rebelde namorada de Doc. 
"The Outlaw" foi o objecto da luta final de Joseph Breen como líder da PCA, e a sua disputa com Howard Hughes sobre o filme levou-o à renuncia. Como o filme era independente Hughes não precisava de enviar o argumento com antecedência ao Conselho de Revisão do Código de Produção, mas resolveu fazê-lo de qualquer forma, e quando Breen leu o argumento listou mais de 100 alterações entre diálogos e interacões entre as personagens. Queria que todas as sugestões de um relacionamento sexual entre Doc e Rio fossem suprimidas, e todas as referências de assassinatos a sangue frio de Billy fossem retiradas. Mais tarde, quando Breen viu o filme, chegou à conclusão que não só a maioria das sugestões tinham sido ignoradas como também ficou possesso pela forma como Hughes explorou os dotes físicos da actriz que interpretava Rio, Jane Russell. Breen insinuou que Russell só tinha ficado com o papel por ser a nova namorada de Hughes, e que tinha sido dada demasiada ênfase aos seios voluptuosos da actriz. Hughes concordou com algumas alterações sugeridas de Breen, e cobrir um pouco mais o corpo da actriz, mas voltou a ignorar mais uma série de exigências. Depois de muitas discussões foi emitido finalmente um selo para o filme.
O filme estreou num único cinema de São Francisco a 5 de Fevereiro de 1943, acompanhado por gigantes cartazes de uma Jane Russell escassamente vestida, espalhados por toda a cidade. O marketing causou mais protestos do que o filme, com grupos  religiosos e cívicos a escreverem para Hays para reclamar do retrato nojento da figura feminina. Os outros estúdios também protestaram porque viram no esquema de Hughes uma forma de concorrência desleal. O filme foi retirado de exibição quando a polícia emitiu mandados de prisão, e desapareceu do mapa durante alguns anos. Terminada a Segunda Guerra Mundial Hughes lançou o filme novamente com uma nova campanha publicitária. A PCA retirou o selo de aprovação, e Hughes processou a MPPDA tendo ganho no tribunal. Apesar de muitas contrariedades o filme estrou finalmente e acabou por ser um grande sucesso, apesar de ter estreado com o "C" de "condemened".


sexta-feira, 16 de julho de 2021

O Grande Ditador (The great Dictator) 1940

 "O Grande Ditador", o primeiro filme falado de Charles Chaplin, marcava o seu regresso ao cinema depois de um hiato de 5 anos, que seguiram a estreia de "Tempos Modernos", o seu último filme mudo. Um dos dois únicos filmes americanos que condenaram Adolf Hitler e o partido Nazi antes do envolvimento dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. O filme abre com um aviso: "Qualquer semelhança entre o ditador Hynkel e o barbeiro judeu é pura coincidência", e é construído à volta de um caso de identidade equivocada em que um barbeiro judeu é confundido com um ditador. Feito como uma sátira ao lider alemão nazi Adolf Hitler, cujo Terceiro Reich ainda era pouco conhecido nos Estados Unidos, o filme detalha a ascenção de Adenoid Hynkel, um soldado humilde da Primeira Guerra Mundial, que se torna no ditador implacável num país chamado Tomania. O vulgar Hynkel usa um bigode de escova de dentes e cria uma máquina de guerra agressiva e anti-semita. 
Os Estados Unidos ficariam mais um ano fora da guerra quando da estreia deste filme, e muitos americanos, entre eles Chaplin, ainda não se tinham apercebido do horror do reinado de Hitler. Portanto, o seu ditador é um pouco tolo, infeliz e humano. Napaloni, o ditador de Bacteria (inspirado no ditador Mussolini, aliado de Hitler) é igualmente tolo, deixando o público especular que, se os tolos comandam regimes totalitários, eles não podem ser muito perigosos. Algumas das palhaçadas mais divertidas acontecem quando Hynkel conhece o seu aliado Napaloni e tenta impressioná-lo portando-se como um intelectual em todas as reuniões.
"O Grande Ditador" era claramente um ataque a Adolf Hitler e ao seu regime nazi, que criou preocupações dos dois lados do Atlântico, mesmo antes de estar terminado. Ainda em 1938 os censores britânicos e o consulado alemão entraram em contacto com o Hays Office para dizer que ia ser feita uma sátira a Hitler, e isso podia não caír bem. Joseph Breen ainda não tinha sido informado dos planos de filmagem, mas manteve-se atento. Não seria então de surpreender que o filme fosse banido na estreia, nos Estados Unidos, e em vários países como Espanha, Perú e Japão, que anunciou que todos os filmes anti-nazis seriam banidos neste país.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Os Loucos Divertem-se ( Idiot's Delight) 1939

Robert Sherwood originalmente escreveu "Idiot´s Delight" como uma peça de teatro que ganhou o prémio Pulitzer em 1936, e se tornou na base para o último filme anti-guerra feito pelos estúdios da MGM antes do início da Segunda Guerra Mundial na Europa. O filme passa-se num pequeno hotel italiano perto da fronteira com a Suiça, que repentinamente entra em actividade quando o governo italiano fecha a fronteira e lança um ataque aéreo de surpresa a Paris para iniciar a Segunda Guerra Mundial - uma filosofia perpicaz de Sherwood. O hotel, antes pacífico, de repente enche-se de pessoas que querem passar a fronteira para a Suíça. O mix de personagens incluí: um cientista alemão, um artista americano que viaja com seis coristas, um jovem casal inglês em lua de mel, e um fabricante de armas americano com a sua amante, que pode ou não ser russa. A fuga da guerra irá mudar a vida de todas estas personagens. 
A história por detrás deste filme demonstrava o medo que Hollywood tinha em fazer declarações politicamente fortes e expunha até que ponto um filme podia ser censurado antes do seu lançamento. Os críticos tinham acusado em 1936 que a peça não era apenas anti-guerra mas também anti-italiana nas suas numerosas referências à incompetência da Itália moderna. No início de 1936 tanto a Warner Bros como os Piorneer Studios tinham expressado interesse em transformar a peça em filme, ao que o PCA tentou desencorajar expressando que o filme poderia não ser bem aceite no exterior e poderia causar represálias da Itália e dos seus aliados contra a indústria de Hollywood, porque o filme tinha muitas críticas contra o fascismo e o militarismo. Mesmo com a pressão do embaixador italiano contra a MPPDA seria a MGM quem avançaria para a produção do filme já em finais de 1936. 
Seguiram-se 15 longos meses de negociações com o governo italiano para conseguirem autorização para o filme, o embaixador queria que o filme não tivesse ligação com a peça original e não contivesse ofensas aos italianos, e também que o título do filme fosse diferente da peça e que as cópias que fossem circular em Itália não tivessem referências a Sherwood. O produtor insistiu que o filme mantivesse do sentimento anti-guerra original, mas também prometeu que seria uma história de amor e não uma declaração antifascista e para apaziguar Sherwood e persuadi-lo a transformar o seu protesto politico numa ardente história de amor, a MGM explicou-lhe a importãncia de manter o mercado interno. 
Um novo argumento estava pronto em 1938, e enfatizava a história de amor entre Irene e Harry, mudando o cenário para um país sem nome da Europa Central, mudando também a linguagem de italiano para esperanto. O governo italiano aprovou o projecto depois de Benito Mussolini ter aprovado o argumento, mas depois de estreado os críticos criticaram muito Hollywood por ter feito mudanças tão drásticas para acalmar os italianos, e por outro lado, mesmo depois de todas estas mudanças, alguns países recusaram na mesma o filme, como Espanha, França, Suiça e Estónia. 
Legendas em Espanhol.