Mostrar mensagens com a etiqueta Novo Cinema Extremista Francês. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Novo Cinema Extremista Francês. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Martyrs (Martyrs) 2008
Lucie foi raptada em jovem, e mantida em cativeiro durante um ano num matadouro abandonado. Os médicos não encontram evidências de abuso sexual, o que sugere algo diferente do que a gratificação instantânea geralmente associada a casos de violação. Depois da sua fuga Lucie vive num lar, onde conhece Anna, ela mesma uma vítima de abusos sexuais, que se torna a sua melhor amiga e confidente. Mas Lucie é assombrada pela estranha culpa que violentamente se manifesta como uma mulher magra que continua a infligir dor nela. Andamos quinze anos para a frente, quando Lucie procura a vingança impiedosa e tenta rastrear as pessoas que acredita que a raptaram.
Narrativamente falando, Martyrs é um filme fora de vulgar, que tem algumas voltas e reviravoltas, e numa última análise, sente-se distante do seu ponto de partida. Embora isso possa soar como um pouco sinuoso e incoerente, na realidade não o é - e é um filme bastante coeso, como um todo. Estejam preparados para um filme com duas partes distintas que finalmente se juntam para formar uma experiência instigante e muito interessante.
De certa forma, Martyrs é um pouco semelhante ao primeiro Hostel, que injustamente foi marcado com o estigma "Torture Porn", no entanto, existe um método aqui, em que a loucura é explorada por Laugier nos cantos mais depravados da mente humana. Uma vez que são finalmente revelados, os vilões e as suas motivações são extremamente intrigantes e originais, e francamente assustadoras. Dito isto, há algumas sequências extremamente violentas na tradição dos brutais filmes franceses que saíram nos anos anteriores.
O filme é levado a bom porto pela direção focada de Laugier e a beleza da fotografia. Para ser um filme tão violento, Martyrs realmente está bastante bonito, e parece ter uma camada de brilho polido que funciona muito bem. Muitos condenaram a violência substancialmente gráfica que preenche Martyrs como uma indulgência, sugerindo a violência e o derramamento de sangue a serem empregados simplesmente num esforço para chocar, horrorizar, e incentivar uma reação visceral. Embora este argumento seja indiscutivelmente válido, este é sem dúvida o melhor dos filmes franceses de terror extremista, considerado por muitos especialistas como o melhor filme de terror da década passada. Será?
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Novo Cinema Extremista Francês,
Pascal Laugier
À l'intérieur (À l'intérieur) 2007
Na véspera de Natal, Sarah ainda está traumatizada com a memória do acidente de carro horrível em que faleceu o seu marido, e que ela por pouco sobreviveu. No dia seguinte irá ao hospital para dar à luz, mas primeiro deve passar uma última noite sozinha na sua tranquila casa suburbana. Naquela noite, uma estranha mulher bate à porta e pergunta se pode fazer um telefonema urgente. Mais tarde, naquela mesma noite, Sarah é acordada pelo som de um intruso em casa. É a mesma mulher de preto que ela viu antes! Sarah logo percebe que a sinistra mulher veio para levar o seu bébé para longe dela...
Aqui vamos nós outra vez. Quando pensávamos que o cinema de autor teve os seus tempos nos filmes de terror, volta outra vez, como se o fantasma de Michael Myers se tratasse, mais sangrento e mais faminto do que nunca. França está na vanguarda do mais recente ressurgimento do interesse no género "slasher", o que é surpreendente, dado que os franceses têm, tradicionalmente, o género de terror como um cinema menor. À L'intérieur eleva o conceito do terror e impulsiona-o numa nova e mais terrível direção, combinando-o com elementos de fantasia e suspense psicológico para entregar ao espectator uma experiência de visualização verdadeiramente angustiante.
O que torna À l'intérieur tão particularmente preocupante e que o diferencia do filme de terror mais convencional é que ele ultrapassa a fronteira entre a realidade e a imaginação, de tal forma que tudo é possível, e mesmo assim tudo parece ser assustadoramente real. O filme mais próximo é o de Wes Craven A Nightmare on Elm Street (1984), que oferece uma excursão semelhante num pesadelo de tormento auto-induzido, aquele em que a repressão sexual adolescente manifesta-se como um mal onipresente e mortal (chamado Fred). O título À l'intérieur sugere o mesmo tipo de de conflito interno, em que o protagonista, uma jovem mulher grávida, deve enfrentar os seus próprios demónios, o produto de um acidente de carro traumático e um parto iminente, e o risco de perder a sua sanidade mental.
Para os fãs dos slasher clássicos, À l'intérieur é um must-see, que mostra este género agora revivido e vilipendiado no seu modo mais niilista e chocante. Com um pouco mais de trabalho no argumento, poderia ter sido algo especial, um estudo escuro e inteligente do colapso mental que investiga os limites absolutos do terror psicológico.
Link
Imdb
domingo, 19 de janeiro de 2014
Frontière(s) (Frontière(s)) 2007
Quando a extrema direita está prestes a tomar o poder, uma gang de jovens dos subúrbios comete um assalto e põem-se em fuga. Perseguidos pela polícia, fogem de carro para a fronteira com o Luxemburgo. Aqui, no meio de uma floresta, são recebidos pelos moradores de uma pousada isolada. Mas nem tudo é o que parece. Os moradores aparentemente tolerantes deste pequeno e acolhedor estabelecimento são, na realidade, canibais sádicos e neo-nazis.
A expressão "torture porn", foi utilizada ultimamente como uma forma para descrever filmes de terror que levam o seu conteúdo violento a novos extremos. Em "Frontiere(s)" há sangue suficiente para saciar até mesmo os cães mais vorazes que conseguirem encontrar. A verdadeira surpresa é que esta obra assustadora e contemporânea também tem algumas idéias, visuais e não só. Tal como outros filmes de língua francesa de terror do mesmo período ("Alta Tensão", "Calvaire"), este também tem uma dívida com o moderno filme de terror americano, e o original "Texas Chainsaw Massacre", entre muitos outros, embora "Frontier(s)", acrescenta um toque político divertidamente simplista a toda a sua carnificina.
Xavier Gens alega ter concebido o filme durante as eleições presidenciais francesas de 2002, quando o candidato da extrema direita Jean-Marie Le Pen foi uma forte surpresa nas urnas, mas é fácil perder o conceito de que "Frontiere(s)" é passado ligeiramente no futuro, sob um regime conservador repressivo. Mas a sugestão de que os vilões Von Gieslers encarnam uma cepa de racismo francês é clara: Eles desprezam Yas e os amigos porque eles não são de uma raça pura, e não os consideram melhores do que os porcos destinados à mesa do jantar.
Este era o filme de estreia de Xavier Gens, e tal como outros dos seus compatriotas do terror francês deste período, partiu logo para os Estados Unidos, onde já realizou duas longas, "Hitman" e "The Divide", e um segmento para o filme "The ABCs of Death".
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Novo Cinema Extremista Francês,
Xavier Gens
Sheitan - Pacto com o Diabo (Sheitan) 2006
A história segue os amigos Thai (Nicolas Le Phat Tan), Bart (Olivier Bartelemy), Ladj (Ladj Ly) e Yasmine (Leïla Bekhti), que conhecem Eve (Roxane Mesquida) numa discoteca e concordam segui-la a uma casa no campo para continuar a sua festa. É de manhã, na véspera de Natal, e quando chegam a esta casa no meio da nada, são recebidos por um rebanho de cabras e estranho governante... Joseph (Vincent Cassel).
Joseph é a verdadeira estrela do filme e a interpretação de Vincent Cassel é incrível. A sua personagem psicótica, maníaca, de olhos arregalados, sorrindo, é ao mesmo tempo divertida e assustadora, em igual medida, e desde os início sabemos que os outros personagens devem ser cautelosos. Ele saúda os jovens - um pouco calorosamente - para dentro de casa, onde Eve mostra a coleção de bonecas da sua família. Essas bonecas fazem Chucky parecer um simpático brinquedo. A mise-en-scene diz "Corram, seus tolos". É óbvio que eles devem fugir dalí o mais rápido possível.
"Sheitan" pertence a uma produtora chamada Kourtrajme (gíria em francês para "curta-metragem"), um coletivo urbano de jovens realizadores, músicos e designers gráficos, onde Kim Chapiron, o realizador deste filme, pertence. Depois de algumas curtas postadas no site da Kourtrajme ganharam fama no submundo do cinema francês, e uma certa hype na imprensa francesa, ajudada pelo realizador de "La Haine" Matthieu Kassovitz, e o actor Vincent Cassel - tanto que ambos apareceram em algumas das suas curtas, e Cassel é o protagonista deste filme. Mesmo Chris Marker, o lendário realizador de La Jetée (1962), não hesitou em compará-los como a nova onda do cinema francês.
Pelo que é visto em Sheitan, a sensibilidade de Chapiron está algures entre Gaspar Noé (Irreversível) e Harmony Korine (Gummo), um surrealismo desprezível povoado por imagens grotescas e uma aberrante violência extrema. Em muitos aspectos, é um exercício de culto juvenil, o que provavelmente explica por que ganhou tanta fama, e o cobiçado prémio Midnight Madness no Toronto Film Festival. Mas o filme tem um trunfo enorme em Vincent Cassel, e só por isso já vale a pena uma visualização.
Link
Imdb
sábado, 18 de janeiro de 2014
Eles (Ils) 2006
Clémentine e Lucas são um jovem casal francês que têm vivido em Bucareste à vários meses. Ela trabalha como professora, ele é escritor. Vivem numa mansão isolada, a milhas da cidade mais próxima. Uma noite, Clémentine é acordada por um barulho estranho. Convencidos de que alguém invadiu a casa, ela acorda Lucas que sai para explorar no escuro. Como temia, Lucas encontra provas de intrusos, mas eles parecem estranhamente relutantes em se mostrar. O pesadelo está apenas a começar...
Supostamente baseado numa história verdadeira, Ils é um exemplo superlativo do género psycho-thriller/horror que se tornou popular na década de 70 e ganhou alguma respeitabilidade com "Shining", de Stanley Kubrick (1980). O realizador John Carpenter desenvolveu o género para o que hoje denominamos o "thriller de terror" através da introdução de violência gráfica com o seu filme Halloween (1978). Recentemente, o género tornou-se cada vez mais sangrento e repugnante. Ils dá um passo ou dois para trás de todo este derramamento de sangue gratuito, e mostra que um thriller muito, muito mais eficaz pode ser alcançado como resultado.
É interessante notar que até recentemente este era um género que era excepcionalmente raro no cinema francês. O único filme semelhante, de nota, era "Alta Tensão", de Alexandre Aja (2003), embora este se desvie dos excessos do filme de Aja, e apareça involuntariamente engraçado em algumas de suas sequências mais violentas. Por contaste, Ils é muito mais contido, com menos violência retratada na tela do que encontramos, por exemplo, num episódio de "Tom & Jerry". A razão pela qual o filme é tão eficaz e tão absolutamente convincente, é porque a maioria do horror das experiências dos espectadores, enquanto vê o filme vem de da sua própria imaginação. O terror é muito mais terrível quando se trata das profundezas obscuras da nossa própria consciência. Este, afinal, é o lugar onde nascem os pesadelos.
A leve abordagem adoptada pelos realizadores em estreia David Moreau e Xavier Palud (reparem que até agora todos os filmes deste sub-ciclo têm sido realizado por estreantes) para este filme, na verdade, serve o tema do filme muito bem. O verdadeiro inimigo que os dois protagonistas enfrentam aqui é o seu medo, não os seus perseguidores humanos. A incapacidade de lidar com o medo e lidar com a ameaça que os enfrenta de forma racional é o que os impulsiona a sua condenação. Na maioria dos filmes deste tipo, as vítimas são atormentadas por alguém do mal quase sobre-humana, alguém que (incrivelmente) sabe todos os seus movimentos e tem um talento especial implausível de saber exatamente em que canto se esconder. Aqui, as vítimas são seus próprios algozes. É o medo cego que os leva a entrar em pânico e mergulha-los num pesadelo vivo, tornando a sobrevivência de uma impossibilidade virtual. Ils é um filme impressionante que nos lembra o quão perigoso e destrutivo pode ser o medo, se nós permitirmos que ele tome conta de nós.
Link
Imdb
Les Revenants (Les Revenants) 2004
Os mortos voltaram. Por todo o mundo, milhões de homens, mulheres e crianças que morreram nos últimos dez anos saíram dos seus túmulos. Eles andam, atordoados e silenciosos, em locais públicos, com o mundo a olhar em espanto. Então, de repente, param de chegar. O problema agora é o que fazer com todas essas pessoas recém ressuscitadas. Como é que os seus amigos e famílias vão lidar com a reunião com alguém que achavam que tinham perdido para sempre? Será que vai ser possível voltar a integrá-los de volta para a sociedade? A humanidade enfrenta um dos seus maiores desafios - aprender a viver com os mortos...
Um dos filmes franceses mais falados de 2004, foi o filme de zombies dos seus dias, mas é menos um filme de terror convencional e mais uma alegoria subtil sobre como a sociedade responde a um súbito afluxo de pessoas de fora (por exemplo, imigrantes). Foi o primeiro filme a ser dirigido por Robin Campillo, que já se tinha distinguido com a montagem de filmes de Laurent Cantet, como Humaines Ressources (1999) e L'emploi du Temps (2001).
Embora o seu tema seja pura fantasia, "Les Revenants" é uma peça original e pensativa de cinema que proporciona uma reflexão séria sobre a natureza da dor, e como uma sociedade com medo trata de grupos minoritários e pessoas de fora. O filme tem alguns pontos fortes - uma intensa atmosfera e uma fotografia assombrosa - mas o seu impacto é enfraquecido pelo ritmo letárgico e o facto de que praticamente todos os personagens - humanos e zombies normais - serem interpretados do mesmo modo inexpressivo. O tipo de reações que naturalmente esperaríamos quando um parente enlutado é confrontado com o seu ente querido está dolorosamente ausente, e esta falta de realismo emocional apenas acentua a artificialidade e absurdo descarado da narrativa. Apesar de suas falhas óbvias, este filme tem a sua própria poesia obscura e é estranhamente atraente...
Link
Imdb
Calvaire (Calvaire) 2004
Marc Stevens é um cantor itinerante que realiza espectáculos principalmente para casas de repouso. Depois de um concerto num hospício ser cancelado, o seu carro avaria no meio do nada. Um estranho aparece e leva-o para uma estalagem dirigida por Monsieur Bartel. Desde que a sua esposa Gloria o deixou, este tem andado num estado de desequilíbrio mental. Para surpresa de Marc, Bartel está convencido de que ele é a reencarnação da sua esposa. A surpresa de Marc transforma-se em horror quando o seu anfitrião aprisiona-o e veste-o com as roupas da esposa...
"Haute Tension", de Alexandre Aja (2003), mostrou ao mundo que o cinema francês poderia fazer filmes de terror de sobrevivência, tão ou mais emocionantes e elegantes do que qualquer coisa feita pelos seus colegas norte-americanos, mas tinha uma falha: não tinha sentido de humor. Na sua estreia, no ano seguinte, o belga Fabrice Du Welz evitou cometer esse mesmo tipo de erro, e deu ao público desavisado algo muito mais satisfatório e saudável: um limpo filme de terror de gelar o sangue que faz o público rolar pelo chão em histeria (bem , quase). "Calvaire" mostra as suas influências com uma quase desavergonhada falta de modéstia: The Texas Chainsaw Massacre (1974), sendo o filme de terror clássico que mais obviamente se baseia neste filme, mas ao mesmo tempo se afasta, por ser tão escandalosamente off-the-wall, e ridiculamente doente.
A maior parte do filme é muito bem estruturada, com um músico da cidade a tornar-se atormentado pelo mais estranho dos campestres, que o confunde com a reencarnação da sua esposa. Jackie Berroyer consegue ser hilariante e terrível como o vilão, enquanto Laurent Lucas revela-se uma escolha eficaz para o papel da vítima que adoramos ver passar por um inferno. Desde o início, é o pinteresco Berroyer que monopoliza a nossa simpatia, e chegamos mesmo a apreciar as humilhações e crueldades que ele submete o personagem de Lucas. Calvaire é um filme que nos lembra de que, não importa o quanto nós podemos fingir o contrário, há um pouco de sadismo em todos nós.
A história pode não ser particularmente original - é praticamente uma repetição da maravilhosamente insana comédia de humor negro de Philippe Haïm, Barracuda (1997) - mas isso pouco importa se, tal como Du Welz, a vermos a partir de um ângulo completamente novo, e com auto-contenção e bom gosto. Claramente muito mais interessado no estilo do que na substância, Du Welz ataca o seu filme com uma espécie de alegria maníaca, invadindo quase todos os filmes de terror americanos feitos a partir de meados da década de 1970. O filme começa vertiginosamente bizarro, com porcos e moradores que parecem zombies (todos do sexo masculino) com um sentido geral de desordem e histeria. Um dos filmes de terror mais elegantes e dementes da língua francesa, Calvaire é uma fantasia delirante desequilibrada que parece suspeita como um conto de fadas dos Irmãos Grimm horrivelmente fora de controle, e que merece um lugar na coleção de qualquer entusiasta dos filmes de terror.
Link
Imdb
Alta Tensão (Haute Tension) 2003
As melhores amigas Marie e Alex decidem fazer uma pausa no campo para estudar para os exames. Mas logo depois de chegarem à casa da família de Alex, uma casa isolada, um visitante sinistro chega numa van. Marie assiste com horror ao estranho a matar sistematicamente os pais de Alex e o seu irmão mais novo. Enquanto tenta resgatar a amiga, Marie acaba por ficar encurralada na van do assassino enquanto ele vai embora. Consegue escapar num posto de gasolina e faz uma tentativa desesperada de encontrar ajuda para que ela possa salvar Alex...
Esta homenagem do entusiasta Alexandre Aja aos filmes de terror americanos encharcados de sangue dos anos oitenta, não é um filme que agrade a todos os gostos, mas para os devotos do género muito criticado vale a pena conferir. Na sua segunda longa-metragem (esta é a primeira), Aja passou a dirigir o remake do aclamado "The Hills Have Eyes" e ganhou reconhecimento como um dos mais talentosos da mais recente onda de realizadores de filmes de terror. Haute Tension é um trabalho muito mais interessante do que a grande maioria dos filmes de terror que têm saído dos estúdios de cinema norte-americanos, muitos dos quais são sequelas cansadas que oferecem pouco em termos de originalidade ou recurso ao susto. O trabalho de câmera fluido tem uma sensação de voyeur sinistro, o que funciona bem com o design de som misterioso para criar uma aura sustentada de ameaça e terror montados lentamente. O filme transmite-nos a sensação de estarmos preso num pesadelo, um pesadelo onde o terror é ilimitado e qualquer horror indescritível pode se tornar realidade.
Como acontece frequentemente com este tipo de filmes, a tensão e o impacto dramático são, em última análise, prejudicados pelos excessos sangrentos que são necessários para proporcionar a experiência completa dos slasher. O desempenho fascinante da personagem central de Cécile De France compensa, pelo menos em parte, a falta de contenção de Aja na demasiada exposição do sangue e ajuda a restaurar um senso de realidade ao processo. O seu design elegante e a montagem são duas outras das vantagens, que o tornam numa das entradas mais respeitáveis do género slasher na década passada.
Link
Imdb
Etiquetas:
Alexandre Aja,
filmes completos,
Novo Cinema Extremista Francês
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
O Novo Cinema Extremista Francês: A brutalidade nos filmes de terror do milénio
Esta vaga que temos vindo a seguir, terminou por volta de 2004, com os seus realizadores mais importantes, já estabelecidos na indústria de cinema francesa. Praticamente ao mesmo tempo começava uma nova vaga, agora ligada ao cinema de terror.
Esta segunda parte deste ciclo vai apresentar uma nova vaga de brutalidade em filmes de terror franceses na década de 2000. Estes obras também têm em conta os filmes do "novo extremismo", um termo nebuloso e vagamente concebido para filmes que tem um ponto ou outro não incluídos apenas no cinema de arte reconhecido, mas também no novo horror francês. Utilizando estratégias estéticas que atravessam as fronteiras da expectativa, tanto no cinema de arte como no género horror, estes filmes repelem e brutalizam as suas audiências até à exaustão. Derivam como representações alegóricas de ansiedades culturais de uma cultura inundada com imagens de tortura e terrorismo, e como imagens que são projetadas para nos repelir jogando com essas ansiedades.
Os filmes dentro desta nova vaga do Novo Cinema Extremista francês têm diferentes influências de uma série de sub-géneros do horror - a saber, os slashers, o terror psicológico e os filmes de gore - mas todos os que estão dentro desta categoria transmitem também influências de um outro género infame, o Body Horror. Pascal Laugier, o realizador de Martyrs - sem dúvida o filme mais reconhecído dentro deste movimento - citou as séries americanas de "torture porn" "Saw", e "Hostel", de Eli Roth como duas grandes influências no seu trabalho.
Outro realizador notável ligado a este novo género, Xavier Gens (criador de Frontier's), descreveu o seu trabalho como: "Uma carta de amor ao cinema de género". Quando estimulado a lançar luz sobre as inspirações desta carta de amor, ele disse: "Há um monte de referências a "Texas Chainsaw Massacre", "The Fly", e muitos outros." À luz das influências americanas/Canadianas deste duo de importantes realizadores, é relativamente seguro supor que um número significativo de realizadores ligados a esta tendência recente assumiram semelhante influências.
Nos próximos dias, vamos ver 8 filmes deste sub-sub-género, alguns deles do cinema de terror mais importante da década passada. Espero que gostem.
Esta segunda parte deste ciclo vai apresentar uma nova vaga de brutalidade em filmes de terror franceses na década de 2000. Estes obras também têm em conta os filmes do "novo extremismo", um termo nebuloso e vagamente concebido para filmes que tem um ponto ou outro não incluídos apenas no cinema de arte reconhecido, mas também no novo horror francês. Utilizando estratégias estéticas que atravessam as fronteiras da expectativa, tanto no cinema de arte como no género horror, estes filmes repelem e brutalizam as suas audiências até à exaustão. Derivam como representações alegóricas de ansiedades culturais de uma cultura inundada com imagens de tortura e terrorismo, e como imagens que são projetadas para nos repelir jogando com essas ansiedades.
Os filmes dentro desta nova vaga do Novo Cinema Extremista francês têm diferentes influências de uma série de sub-géneros do horror - a saber, os slashers, o terror psicológico e os filmes de gore - mas todos os que estão dentro desta categoria transmitem também influências de um outro género infame, o Body Horror. Pascal Laugier, o realizador de Martyrs - sem dúvida o filme mais reconhecído dentro deste movimento - citou as séries americanas de "torture porn" "Saw", e "Hostel", de Eli Roth como duas grandes influências no seu trabalho.
Outro realizador notável ligado a este novo género, Xavier Gens (criador de Frontier's), descreveu o seu trabalho como: "Uma carta de amor ao cinema de género". Quando estimulado a lançar luz sobre as inspirações desta carta de amor, ele disse: "Há um monte de referências a "Texas Chainsaw Massacre", "The Fly", e muitos outros." À luz das influências americanas/Canadianas deste duo de importantes realizadores, é relativamente seguro supor que um número significativo de realizadores ligados a esta tendência recente assumiram semelhante influências.
Nos próximos dias, vamos ver 8 filmes deste sub-sub-género, alguns deles do cinema de terror mais importante da década passada. Espero que gostem.
Etiquetas:
Novo Cinema Extremista Francês
À Aventura (À l'Aventure) 2008
Sandrine está aborrecida com a sua confortável existência de classe média numa cidade da provincia. Finalmente, cansada dos rituais diários e compromissos intermináveis que limitam a sua liberdade, deixa a casa e o namorado e sai em busca de aventura. Ela começa por conhecer um jovem psiquiatra que acontece partilhar da sua sede de paixão e auto-realização através das mais intensas experiências sensuais...
Os três filmes que compõem a trilogia da exploração da sexualidade feminina e o tabu, de Jean-Claude Brisseau, tem sido marcados por uma controvérsia extraordinária que acabou por prejudicar o seu propósito e lançado dúvidas sobre os seus métodos. Acusado de assédio sexual por duas actrizes depois do primeiro filme (Choses Secrètes), o segundo filme da trilogia acabaria por ficar comprometido pelo realizador sentir a necessidade de se explicar e os seus métodos, sugerindo ainda que a sua grave exploração de um assunto tão proibido e esotérico como a sexualidade feminina tinha desencadeado forças místicas negativas contra ele para provocar a sua queda. Destemido, Brisseau completa a trilogia com "À l'Aventure", e embora ainda fixado em misticismo sexual e, finalmente, um tanto mais simplicista no seu argumento, o filme, no entanto, recupera um pouco da intenção séria da sua obra.
No contexto da trilogia, então, o título "À l'Aventure" sugere claramente a crença na força libertadora da exploração sexual, ou pelo menos a ambição de lutar pela sua realização. Para os personagens do filme, há uma série de fatores inibidores de condicionamento social e modernos estilos de vida burguesa que os impedem de alcançar esse aspecto vital das suas vidas, mas o principal obstáculo para as mulheres, o que está em causa é claramente a instituição do casamento. É uma armadilha que Sandrine (Carole Brana), observando a insatisfação dos casamentos dos seus amigos e a sua própria relação de rotina com o namorado, deseja escapar. Incapaz até mesmo de dar prazer a si mesma, sem incorrer à ira do seu namorado inseguro, ela acaba por trocá-lo por um homem que encontra num café.
O casting foi o aspecto mais problemático de l'Aventure, o assunto polémico não conseguir atrair actores de qualidade que se encaixassem nos papéis e fizessem justiça ao material. E num filme cujo objetivo era inspirar toda a exploração de outras vias sexuais, é uma grande falha pois há pouco sentido de qualquer verdadeira liberdade, alegria ou libertação aqui expressa.
Link
Imdb
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Flandres (Flandres) 2006
Num local remoto do interior, algures em França, uma jovem chamada Barbe prossegue uma intensa relação física com um jovem agricultor, Demester. Este último parece não se importar quando Barbe começa a ter um caso com outro rapaz local, Blondel. Demester e Blondel são apenas dois dos vários jovens da região que foram chamados para o serviço militar activo numa terra distante. A perspectiva de aventura excita os jovens que estão ansiosos para partir. Mas não demora muito para que a realidade da guerra destrua as suas ilusões e os transforme em brutais monstros armados. Enquanto isso, de volta a casa, Barbe sofre um trauma emocional cada vez mais tortuoso ao antecipar os horrores que os seus amantes estão a passar, longe do seu país de origem...
Depois de um filme vago e incoerente, Twentynine Palms (2003), Bruno Dumont teve um regresso à forma com Flandres, uma obra friamente expressionista em que os piores defeitos da natureza humana são expostos como carcaças em decomposição incrustadas de sangue na prateleira de um talho. Muitos críticos saudaram este filme como uma obra-prima e poucos ficaram surpresos quando ele venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes em 2006. Lançado numa altura em que duas aventuras militares imprudentes e aparentemente condenadas estavam a acontecer no Ocidente, Flandres oferece uma reflexão oportuna sobre a futilidade e a influência corruptora da guerra.
Dumont primeiro revelou o seu talento para o cinema instigante e sombrio com o controverso drama social "La Vie de Jésus", que seguiu com o igualmente preocupante "L'Humanité" (1999). Estes dois filmes e Flandres quase que formam uma trilogia, em que a desintegração social, o vazio moral e a falta de realização individual na era pós-industrial materialista eram explorados com um realismo intransigente e uma sensação inconfundível de desespero. Flandres afasta-se um pouco do realismo dos dois primeiros filmes de Dumont, embora ainda mostre queda do realizador para o naturalismo.
O filme mostra-nos que o que nós pensamos como sendo a civilização é, de facto, não mais do que uma máscara para esconder a nossa vergonha. Debaixo da superfície o selvagem esconde-se, ocultando a sua verdadeira natureza com perfume. O que quer que possamos pensar, a agressão é um componente inevitável da condição humana. Dados os estímulos adequados, o conjunto certo de circunstâncias, o lado animal da nossa natureza irá emergir, ansioso para saciar o seu apetite com fome de luxúria e sangue.
Flandres não é de nenhum modo um filme fácil de se assistir. A natureza do seu assunto e a abordagem fria e austera de Dumont, sem dúvida, irão assustar muitos espectadores, que serão conduzidos ainda mais fundo para lá da sua zona de conforto. Mas para aqueles com vigor para este tipo de provação cinematográfica, Flandres é uma obra-prima ousada e sedutora que vai deixar uma impressão duradoura, causando-nos a refletir muito e bem sobre o tipo de criatura que realmente somos.
Link
Imdb
Etiquetas:
Bruno Dumont,
filmes completos,
Novo Cinema Extremista Francês
Os Anjos Exterminadores (Les Anges Exterminateurs) 2006
"Les Anges Exterminateurs",de Jean-Claude Brisseau, começa em San Francisco no Roxie Cinema, e é baseado em eventos que supostamente ocorreram durante e depois do seu filme de 2002, Coisas Secretas (aka Choses Secrètes), onde o realizador foi acusado de assediar sexualmente jovens atrizes, obrigando-as a masturbarem-se durante as audições. Foi multado, mas nunca chegou a ser preso. Aqui, ele conta a história de um realizador de cinema, François (Frédéric Van Den Driessche), que tem intenção de fazer um filme sobre a sexualidade feminina. Infelizmente, a sua ideia de sexualidade feminina joga muito com as lúgubres fantasias lésbicas de um homem. François entrevista várias jovens mulheres. Muitas recusam os seus pedidos de se exibirem para ele, mas acaba com três actrizes aventureiras, Charlotte (Maroussia Dubreuil), Julie (Lise Bellynck) e Stéphanie (Marie Allan), e cada uma delas começa a agir se uma forma obsessiva, cruel e depravada, enquanto François observa. (aparentemente ele não tem autoridade como realizador sobre elas.) Dormem juntos para a audição, decidem que gostam e continuam a dormir juntos, tocam-se, e muito mais.
Como acontece em Coisas Secretas, Brisseau recusa-se a deixar o filme caír em exploitation. Continua a insistir que está a fazer algo artístico e/ou verdadeiro, levando o filme para terrenos perigosos: o pretensionismo. O olhar da câmera de Brisseau é análogo ao voyeurismo de François, interligando o processo com um tom autobiográfico, e a presença de anjos/demónios que assistem e comentam sobre (e manipulam?) François e as suas actividades, a principal preocupação é a dinâmica compartilhada entre o observador e o observado. É uma relação multifacetada sobre a qual Brisseau não está interessado em dar respostas concretas, mas sim, com este, um filme quase pornográfico, e estranhamente metafísico, criando uma mistura de confusão, medo, e emoções.
Link
Imdb
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Minha Mãe (Ma Mère) 2004
Quando fica a saber da morte do pai, o jovem de 17 anos, Pierre, vive uma súbita e dramática crise de identidade. Enquanto passa férias com a mãe, Hélène, numa ilha do Mediterrâneo, ele passa por uma iniciação turbulenta e destrutiva nos mistérios do sexo. Com a sua amada mãe, ele descobre que é um ninfomaniaco incontrolável, viciado em práticas sexuais obscenas, e que o seu pai possuía um vasto tesouro de material pornográfico. Longe de incomodada pelo despertar violento do seu filho, Hélène piora as coisas, incentivando-o a entregar-se aos seus desejos carnais ao máximo - com consequências desastrosas.
De um modo geral, os filmes dividem-se em duas categorias: aqueles que vemos por prazer e aqueles que vemos para ampliar os nossos horizontes. Ma mère é um filme que certamente não se enquadra na primeira categoria (exceto para aqueles que têm algumas idéias muito estranhas sobre o que constitui o entretenimento), mas provavelmente também não pertence ao segundo ponto. É um filme que empurra os limites em relação ao conteúdo sexual explícito. Definitivamente não é para pessoas fracas de coração.
Ma mère é baseado numa novela controversa de Georges Bataille, e é o segundo filme a ser realizado por Christophe Honoré, cuja primeira obra, o duro, mas envolvente drama "17 fois Cécile Cassard", ganhou enorme aclamação da crítica. Pelo positivo, há algumas interpretações excepcionais - mais notadamente as de Isabelle Huppert e Louis Garrel - e o argumento de Honoré consegue capturar a complexidade da relação mãe-filho, com todas as suas conotações edipianas obscuras. Honoré é menos bem sucedido a fazer o filme acessível ao seu público - a escolha do estilo cinematográfico e a montagem fazem o filme parecer feio e incoerente, uma abordagem que serve para distanciar o espectador do drama, tornando o que vemos ainda mais grotesco e ofensivo do que caso contrário pode ter parecido. O realizador também tem uma tendência a tornar-se pretensioso em certas ocasiões, com algumas opções da música, obviamente, inadequadas para imagens panorâmicas do mar e da areia, de uma forma que compromete o tom sombrio do realismo em que esteve antes. Ainda assim, uma obra a descobrir.
De um modo geral, os filmes dividem-se em duas categorias: aqueles que vemos por prazer e aqueles que vemos para ampliar os nossos horizontes. Ma mère é um filme que certamente não se enquadra na primeira categoria (exceto para aqueles que têm algumas idéias muito estranhas sobre o que constitui o entretenimento), mas provavelmente também não pertence ao segundo ponto. É um filme que empurra os limites em relação ao conteúdo sexual explícito. Definitivamente não é para pessoas fracas de coração.
Ma mère é baseado numa novela controversa de Georges Bataille, e é o segundo filme a ser realizado por Christophe Honoré, cuja primeira obra, o duro, mas envolvente drama "17 fois Cécile Cassard", ganhou enorme aclamação da crítica. Pelo positivo, há algumas interpretações excepcionais - mais notadamente as de Isabelle Huppert e Louis Garrel - e o argumento de Honoré consegue capturar a complexidade da relação mãe-filho, com todas as suas conotações edipianas obscuras. Honoré é menos bem sucedido a fazer o filme acessível ao seu público - a escolha do estilo cinematográfico e a montagem fazem o filme parecer feio e incoerente, uma abordagem que serve para distanciar o espectador do drama, tornando o que vemos ainda mais grotesco e ofensivo do que caso contrário pode ter parecido. O realizador também tem uma tendência a tornar-se pretensioso em certas ocasiões, com algumas opções da música, obviamente, inadequadas para imagens panorâmicas do mar e da areia, de uma forma que compromete o tom sombrio do realismo em que esteve antes. Ainda assim, uma obra a descobrir.
Etiquetas:
Christophe Honoré,
filmes completos,
Isabelle Huppert,
Louis Garrel,
Novo Cinema Extremista Francês
29 Palms (Twentynine Palms) 2003
Daniel, um fotógrafo freelancer, chega a Los Angeles com a namorada russa Katia, e põe-se à procura de um deserto para uma sessão fotográfica. O casal só consegue comunicar-se num muito mau francês e como estão num lugar muito quente resolvem fazer amor tão frequentemente quanto possível. Um dia, quando exploram o deserto são atacados por três homens, um dos quais viola Daniel diante dos olhos da sua namorada...
A génesis de Twentynine Palms veio durante a viagem de Bruno Dumont ao deserto da Califórnia. Não é que este local seja mais perigoso e, portanto, mais assustador, do que a sua cidade natal, no norte de França, mas o ambiente seco, empoeirado, e montanhoso são uma mudança surpreendente das vegetativas quintas que ele estava habituado. Dumont criou Twentynine Palms à volta do horror da desolação, mas, a paisagem é sem dúvida o personagem principal.
O modo pelo qual o público interage com as imagens de paisagens é alternado pelo que temos visto recentemente da crueza dos seres humanos. Apesar da marca de Dumont, alternando entre os close-up e imagens de ângulo mais distante, criarem um conflito entre os seres humanos e a paisagem, o nosso filme tem uma tendência para ignorar as abstrações e optar por se concentrar nos conflitos tradicionais entre os personagens . Há certamente muitas brigas porque David e Katia têm de passar muito tempo juntos, mas o casal está no meio de descobrir o quão poderão ser compatíveis. O facto de que o inglês ser a primeira língua de David e que Katia não falar nada desta língua torna as coisas mais difíceis, e David vê-se obrigado a falar palavras inglesas no meio das conversas em francês, por falta de um francês adequado. No entanto, Katia é ainda mais difícil de compreender, dizendo o oposto polar e depois voltar atrás, recusando-se a explicar-se. Recusam-se a responder um ao outro, agem em urgência e impulso, repetindo o essencial da sobrevivência.
Twentynine Palms mostra uma progressão negra na obra de Dumont. A personagem de Pharaon em L'Humanité foi pensada à medida de um mundo miserável, mas tendo sido revertida para o seu estado mais primitivo. A raça humana em Twentynine Palms está agora totalmente desprovida de compaixão. Essas pessoas não têm consciência, não sentem remorsos, e não sentem culpa, o que faz com que todos sejam uma ameaça potencial. Isto é mais do mundo que vemos em certas obras de época, sejam de homens das cavernas, ou cowboys do oeste selvagem onde qualquer pessoa que encontramos nos podem tentar roubar, violar ou até assassinar. A grande diferença é o herói, e qualquer senso de glamour ou nostalgia foi removido.
Link
Imdb
Etiquetas:
Bruno Dumont,
filmes completos,
Novo Cinema Extremista Francês
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Irreversível (Irréversible) 2002
Marcus e o seu amigo Pierre procuram vingança. Invadem um bar gay em busca de um homem, e encontram-no, espancando-o até à morte. O que poderia ter causado estes dois jovens descerem ao nível de animais? Poucas horas antes, a namorada de Marcus, Alex, foi brutalmente violada por um chulo homossexual, e antes disso, Marcus soube que Alex estava grávida dele...
Com o seu filme de estreia, Seul contre tous (1998), o realizador argentino/francês Gaspar Noé era tanto criticado como elogiado em quase igual medida, pela sua abordagem escandalosamente provocativa ao cinema. Na sua longa-metragem seguinte, Irréversible, ele monta o equivalente cinematográfico a um golpe terrorista, tendo a sua audiência como refém e submetendo-os durante 90 minutos ao material mais gratuitamente horripilante e degradante que o seu génio artístico poderia conceber. O filme é tão brilhante como é falhado, algo que tem dividido os críticos, tanto quanto o seu conteúdo inegavelmente chocante. Irréversible é, literalmente, o tipo de filme mais insano, que as pessoas sensatas só podem ver uma vez, mas a experiência - para o bem ou para o mal - é aquela que permanecerá para sempre.
Irréversible não é um filme para pessoas de coração fraco. Foi condenado com um fervor quase religioso em alguns setores por causa da violência intransigente mostrada na sua primeira metade. E, talvez, merecidamente, já que é composto por um homem a ser espancado diante dos nossos olhos e uma cena de violação aparentemente interminável. Ambas as sequências são traumatizantes, e levaram muitos críticos a questionar os motivos de Noé - será que ele simplesmente usa a extrema violência como um dispositivo para ganhar notoriedade que o seu talento artístico por si só não poderia conquistar? A cena da violação é particularmente preocupante, principalmente por causa da forma como é filmada, num único shot, com uma câmera totalmente estática - um forte contraste com os movimentos de câmera frenéticos utilizados nos primeiros 20 minutos de filme. Enquanto outros realizadores tentaram recriar o horror da violação através de uma montagem inteligente, Noé simplesmente obriga-nos a sentar e assistir ao evento do ponto de vista de um observador passivo - é uma sequência totalmente demente, mas também dolorosamente eficaz.
Outro ponto de controvérsia é a estrutura da narrativa invertida. Começa com o terrível final de uma história trágica e, de seguida, relaciona os acontecimentos que levaram a esta situação, numa série de episódios com duração de cerca de dez minutos. Noé justifica a narrativa inversa inteligentemente provocando-nos a reavaliar constantemente o que temos visto e com base no que aprendemos. O filme começa no final cronológico da história, com as consequências de uma orgia incontrolável de sede de sangue, e, de seguida, explica porque isso aconteceu. Inevitavelmente, o desenvolvimento dos personagens convencionais correm em sentido inverso, que é uma experiência verdadeiramente bizarra, como pessoas que inicialmente parecem totalmente repugnantes e gradualmente evoluem para indivíduos simpáticos.
Noé desafia a sua audiência em tantos níveis diferentes, muitas vezes, ao mesmo tempo. As imagens de destruição niilista são muito chocantes, a fotografia demasiado frenética, o que é uma luta, mesmo para o mais tolerante dos espectadores. Aqueles que não são influenciados pelos excessos artísticos do realizador vão ser surpreendidos pela facilidade com que são seduzidos a alterar o seu ponto de vista, à medida que o filme avança. Se este tem alguma justificação moral, é aqui. Uma vez que nos mostra que a nossa visão do mundo é fundamentalmente influenciada pelo que sabemos dele. Quanto mais se sabe, então, talvez, maior será a nossa compaixão e a nossa vontade de perdoar. É uma pena que Noé sentiu que tinha de ir a tais extremos para fazer uma conclusão tão simples, assumindo que este era o seu objetivo.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Gaspar Noé,
Novo Cinema Extremista Francês
domingo, 12 de janeiro de 2014
Coisas Secretas (Choses Secrètes) 2002
Nathalie é uma dançarina de um clube noturno consciente do seu poder de sedução e Sandrine trabalha no bar. Ambas são despedidas e como Sandrine não pode pagar as suas despesas Nathalie convida-a para morar com ela. Tornam-se mais do que amigas e decidem conquistar as suas vidas profissionais, numa empresa tradicional, através do poder da sedução.
O que se segue é um aumento de tensão sexual carregado por duas femme fatales, o erotismo, ocasionalmente interrompido pela traição do costume, conivente com os jogos de poder da empresa. No entanto, quando elas finalmente têm o seu principal alvo Christophe (Fabrice Deville), o herdeiro playboy da empresa que têm em mira, este revela-se ser um adversário mais perigoso do que qualquer uma delas esperava.
Há um grande olhar sobre este filme, embora não tão exuberante como a de Kubrick em "Eyes Wide Shut". Há também um elemento subjacente na fantasia, todo o filme é narrado do ponto de vista de Sandrine, e ela conta a história para o público de um modo muito real. O realizador Jean-Claude Brisseau apresenta uma visão moderna intransigente e profundamente cínica do amor e do romance neste drama erótico bizarro que irá, sem dúvida, perturbar algumas pessoas. "Choses Secrètes" é ousado tanto na escolha do tema - a representação explícita de mulheres jovens e atraentes impiedosamente usando a sua sexualidade para destruir egos masculinos - como no seu conteúdo explícito (o que inclui orgasmos femininos simulados em grande quantidade e uma cena de orgia que parece ter sido inspirada por uma pintura de Hieronymous Bosch). Quando o filme cai, é na falta de realismo e na caracterização fraca das personagens, que roubam à história alguma credibilidade. Mesmo assim, Coisas Secretas é um filme absolutamente coeso, sendo a estrutura muito detalhada e bem calculada.
Este filme de Brisseau é o primeiro de uma trilogia estranhamente ligada, cada segmento filmado como um género diferente, desde o art house soft core, aos jogos de poder psicológicos. Como filme esquizofrénico não se coíbe de mostrar a sexualidade feminina. No festival de Cannes de 2003, ganhou o prémio de French Cineaste of the Year, e foi escolhido para melhor filme do ano pela revista Cahiers du Cinema, empatado com "Ten", de Abbas Kiarostami.
Link
Imdb
sábado, 11 de janeiro de 2014
Baise-Moi (Baise-Moi) 2002
Duas jovens conhecem-se numa estação de comboios e formam uma ligação instantânea. Ambas têm sido abusadas e humilhadas por uma sociedade que as trata com desprezo. Manu acabou de matar o irmão. Nadine acabou de matar a colega de apartamento. Nenhuma tem alguma coisa a perder. Elas têm uma arma. Elas têm os seus corpos, e isso é tudo o que precisam. Agora é hora de vingança ...
O filme mais controverso a ser feito em França durante várias décadas, Baise-moi é uma obra profundamente perturbadora e explora o lado mais sombrio da feminilidade e da psicologia feminina, de uma forma que nenhum outro cineasta ousou. É também o definitivo road movie niilista, totalmente consumido pela apresentação da gratificação sexual e a violência implacável. Ousado, anarquista, mas honesto: esta é a reação mais extrema que se possa imaginar contra uma sociedade moralmente falida que ainda trata as mulheres como pouco mais do que objetos sexuais fracos e das minorias raciais como uma espécie inferior. De uma certa forma, é tão relevante para a sociedade contemporânea como o aclamado de 1995, La Haine.
O filme foi escrito e co-dirigido por Virginie Despentes, que se baseou no seu romance inovador com o mesmo nome, que por sua vez foi baseado na sua própria experiência como prostituta. A outra realizadora do filme é Coralie Trinh Thi, que anteriormente tinha desenvolvido uma carreira como actriz pornográfica. Para ambas as mulheres esta foi a primeira vez que dirigiram um filme mainstream. Baise-Moi foi feito com um orçamento relativamente baixo, filmado em vídeo digital sem iluminação artificial. Apesar de parecer um pouco amador em alguns pontos, a fotografia granulada muito contribui para a sensação niilista que precorre o filme e o enorme sentido de realismo perturbador. Com uma melhor apresentação, as cenas mais violentas e explícitas do filme teriam parecido grotescamente absurdas. Mas a sensação " áspera" ajuda a reforçar a visão artística e extrai as mensagens que ele tenta passar, sem distrair a audiência com imagens excessivamente coreografadas.
Baise-moi é um filme claramente destinado a chocar. As suas autoras reconhecem que têm razão e que vale a pena ir até ao limite. O problema é que o fazem com pouca concessão para as sensibilidades do público que estão a abordar, e o filme, talvez involuntariamente, visivelmente cruza a linha entre arte e o lixo em certo número de ocasiões. Esta poderia ser a razão porque os críticos ficaram tão divididos, com um espectro de pontos de vista que se estendia de um extremo absoluto ao outro.
Apesar dos seus excessos e de ser extremamente provocativo, Baise-Moi é essencialmente um bom filme, que é contado de uma forma não convencional. No entanto, é tão extremo que é difícil de ser visto pelos menos tolerantes, e, portanto, quase impossível de ser feita uma avaliação objetiva verdadeira. Quem vê o filme provavelmente ficará chocado - talvez menos pela violência, mas mais pelo alto nível de conteúdo pornográfico. O acto sexual é reduzido a um processo mecânico. Se há uma crítica válida que pode ser levantada contra as autores do filme é que deveriam ter cortado algum deste material, não para se desviar dos censores, mas para evitar a repetição inútil. Onde o filme é mais bem sucedido é na interpretação dos seus dois personagens principais, e isso decorre principalmente por causa de algumas interpretações notáveis e naturalistas de Karen Bach e Raffaëla Anderson. Ambas são críveis e, apesar das coisas terriveis que sofrem, como um dos últimos dias de Bonnie e Clyde, não podemos deixar de ter alguma simpatia por elas. "Que tipo de sociedade poderia ter levado estas mulheres a se comportarem assim?".
Se tinha a intenção de chocar, teve mesmo esse efeito, e, provavelmente, muito mais do que as suas autoras Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi poderiam ter esperado. Logo depois de lhe ter sido dado uma certificação até aos 16 anos em França, o governo francês proibiu-o poucos dias depois dele ser lançado nos cinemas. Uma certificação XXX foi concedida (em vez do certificado de 18, que já não existia), com a promessa de que as leis de censura seriam revistas. Como havia apenas um punhado de cinemas em França licenciados para mostrar filmes pornográficos, e como Baise-Moi não é manifestamente um filme desses, este deveria ter sido o golpe mortal para esta obra. A polémica em torno do filme, no entanto, ganhou muita atenção nos mídia e adquiriu uma espécie de status de culto. Embora tenha sido proibido em vários países, Baise-Moi foi lançado em muitos outros, ganhando elogios e condenação em aproximadamente igual medida.
Legendado em inglês.
Link
Imdb
Dans Ma Peau (Dans Ma Peau) 2002
Marina de Van faz a estreia nas longa-metragens com o Cronenberg-esque "Dans Ma Peau". Nele, a narcisista Esther (De Van) corta a perna acidentalmente numa festa, e, de seguida, começa a encontrar um estranho prazer no desmembramento e comer a sua própria carne. Isso soa como uma receita para uma experiência de um cinema singularmente revoltante, mas é mais calmo do que realmente parece, com De Van - mais conhecida pelas colaborações com François Ozon (ela apareceu em vários dos seus filmes e co-escreveu o argumento de outros dois), a estar mais interessada na parte cerebral do que nos choques viscerais.
Embora a auto-mutilação de Ester seja preocupante, o filme trata-a de uma forma menos intensa, um prazer privado que acabamos por sentir sem direito de o questionar. É fácil imaginar como cenas mostrando os seus cortes poderiam ter levado a aumentar o factor gore, o choque e o enjoar o público com closes de cortes e carne mutilada. Mas isso teria sido fácil demais. Ao fazer desta mutilação uma suave iluminação e um excitante espetáculo, De Van acabou por encontrar uma maneira mais provocante para nos perturbar. Ao invés de focar sobre as feridas, o filme foca-se no rosto de Esther, que registra um horror enlouquecido, e um frenesim orgástico.
"Dans Ma Peau" recusa-se a explicar o comportamento de Esther. Na verdade, o namorado parece projetado principalmente para ridicularizar a busca de explicações simples. Passivo-agressivo, ciumento, e repetidamente intrusivo, Vincent não pode aceitar que Esther tenha uma vida para além dele. Num outro filme qualquer, os seus esforços para compreendê-la poderiam ser "sensíveis", mas aqui retrata-os como tentativas invasivas para controlá-la. Com Vincent a perguntar-lhe repetidamente como é que o seu comportamento a faz sentir, começamos a aceitar a recusa de Esther para responder como uma estratégia de defesa adequada. Quanto mais reconhecemos o interrogatório implacável como "racional", mais agradecemos a retirada de Esther para o irracional.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Marina de Van,
Novo Cinema Extremista Francês
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
La Vie Nouvelle (La Vie Nouvelle) 2002
Um mosaico de cenas, a maioria delas sombrias e cruas. Vemos os seres humanos serem vendidos como peças de carne, uma cena infinitamente depressiva de uma prostituta forçada a ter o seu cabelo cortado com uma faca, um americano que se apaixona por uma prostituta, um cliente perturbadoramente abusivo, alguns chulos e criminosos, um clube de strip e uma disco party. Lentamente vamos juntando a história de um rapaz que se apaixona por uma prostituta e que quer salvá-la do seu submundo.
O corpo humano é o tema mais frequentemente fotografado no cinema, por isso, quando um realizador consegue encontrar maneira de fazê-lo com que pareça erótico e emocionante, é difícil ignorarmos o acontecimento. Passado primeiro num hotel do Leste Europeu abandonado, La Vie Nouvelle, a segunda longa-metragem do realizador francês Philippe Grandrieux, visa aproximar-se de um estado de espírito em que os sentidos de um indivíduo tornam-se oprimidos. Empurrando os seus personagens a tais extremos, embora sexuais e emocionais, o realizador cria um estilo no qual os seus visuais experimentais e auditivos têm tanta justificação narrativa como qualquer outra coisa no filme. Ao mudar de stock de filme, permitindo que o foco da câmera produza efeitos, e colocando a câmera tão perto dos seus atores que se torna totalmente conivente com o elenco, trazendo emoção para as suas interpretações, Grandrieux cria uma atmosfera tátil.
Enquanto Sombre encarna a categorização do conto de fadas gótico, quase alegórico, La Vie Nouvelle pode ser descrito como quase-mitológico no seu argumento subjacente. A implementação de um lento revelar das trevas para uma imagem nervosa, contextualmente ambígua que ocorre da mesma forma na sequência de abertura de Sombre, o efeito é de uma abstrata dissociação, de um mundo físico real para um subconsciente.
Legendas em inglês.
Link
Imdb
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O Pornógrafo (Le Pornographe) 2001
Na década de 1970, Jacques Laurent foi um grande realizador de filmes pornográficos, em França. No início dos anos 80 desistiu de fazer cinema, frustrado por não ser capaz de fazer o tipo de filmes que queria. Quase vinte anos depois e fortemente endividado, Jacques é obrigado a voltar a fazer filmes pornográficos, embora ainda tenha a intenção de abordar os filmes de forma mais significativa. Desiludido com o seu trabalho, fica animado quando entra em contacto com o filho, Joseph, que o abandonou anos antes, ao descobrir a profissão do pai.
O segundo filme de Bertrand Bonello é um estudo meditativo, intensamente sombrio, de um homem a passar por uma crise de meia-idade infernal e a progressão do seu filho até a idade adulta. Habilmente discreto, o filme usa tomadas longas e diálogos escassos para amplificar o clima existencialista transmitido pelos desempenhos extraordinários dos seus dois actores principais: Jean-Pierre Léaud e Jérémie Renier. É ao mesmo tempo um trabalho provocativo é filmado sumptuosamente, que nos convida a refletir sobre o sentido das nossas próprias vidas num mundo cada vez mais corrompido e artisticamente falido.
Desde a sua estreia em "Les 400 Coups" de François Truffaut, que Jean-Pierre Léaud é um emblema do Cinema Francês d'auteur, um actor amado por fãs do cinema do mundo todo. Nos últimos anos, a sua carreira vinha a passar por uma espécie de renascimento, com Léaud finalmente a encontrar papéis que correspondem tanto ao seu talento como à sua aparência de meia-idade. No filme de Olivier Assayas "Irma Vep" (1996), ele tem um desempenho impressionante como um cineasta a lutar para recuperar os seus poderes criativos. Em Le Pornographe, Léaud encontra-se num papel semelhante, embora aqui o seu papel seja mais central e isso permite-lhe ter o que pode ser considerado como um dos seus melhores desempenhos até então. Longe de ser o energético rebelde, na flor da sua juventude, aqui vemos os últimos vestígios de um homem a olhar para trás com uma profunda tristeza melancólica.
Com base neste e outros filmes recentes similares, Jérémie Rénier parece ser um digno sucessor de Jean-Pierre Léaud. Em Rénier há uma intensidade semelhante ao desempenho e presença na tela para o que vemos com a sua co-estrela mais velha, fazendo-o material ideal para dramas sérios de filmes franceses. Embora a contribuição de Rénier seja impressionante, a presença do seu personagem no filme parece estranhamente intrusivo, e isso mostra um dos pontos fracos do filme. Ao dar tanta atenção a Joseph, a sua vida amorosa e as atividades políticas, o filme desvia a nossa atenção da crise de meia-vida do pai.
O filme contém material sexualmente explícito (algum do qual foi retirado pelo Board of Film Classification britânico) - que alguns espectadores podem achar ofensivos. Para estas breves cenas, Bonello contratou duas estrelas pornográficas, Ovidie e Titof. É discutível se tais cenas fazem uma contribuição positiva para o filme - um crítico mais cínico diria que elas foram incluídas só pelas audiências. Um fã mais generoso diria que essas cenas, filmadas com muito frio e um falso-erotismo mecânico, são fundamentais para a condução da extensão da frustração do personagem central.
Subscrever:
Mensagens (Atom)