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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
White Night Wedding (Brúðguminn) 2008
Jon é um professor de meia idade que está quase a casar pela segunda vez, com uma das suas ex-alunas que tem metade da sua idade. Mas nem tudo são rosas. Em primeiro lugar temos a mãe da noiva, que se opôs violentamente a esta relação, e que exige o reembolso de um empréstimo antes do casamento. Em segundo lugar são os seus planos para construir um campo de golfe, na ilha onde vão viver. Em terceiro a bebedeira descomunal do seu padrinho, e por último a presença emocional da sua primeira esposa que assombra todos os seus movimentos. Depois de uma longa noite a beber e a pensar, será que Jon vai mesmo querer casar?
Baltasar Kormakur parece ter um prazer quase perverso em apresentar personagens peculiares que seguem os seus instintos sem pensarem nas consequências que poderão ter as suas acções. Ele armadilha este filme, tal como já o tinha feito em duas anteriores como "The Sea" ou "101 Reykjavik". Comportamentos bizarros juntamente com interacções compassivas dão aos seus filmes um sentimento muito distinto, que acaba por resultar num filme muito interessante, pelo meio da complexidade humana e de questões não resolvidas.
Baseado numa peça de Chekhov chama "Ivanov" o filme é rico em questões filosóficas e devaneios ideológicos. O filme é essencialmente sobre a necessidade de Jon encontrar a felicidade dentro dos constrangimentos do que é fazer a coisa considerada certa. Felizmente não são dadas respostas a estas questões complexas.
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domingo, 1 de fevereiro de 2015
Jar City (Mýrin) 2006
Baseado num best seller de Arnaldur Indriðason o filme segue um detective experiente (interpretado pelo omni-presente Ingvar Eggert Sigurðsson) enquanto ele tenta resolver o que parece ser um assassinato de rotina, mas que se vai tornar num caso muito mais complicado do que aparentava ser. Depois de um homem ser encontrado morto um velho caso é reaberto, pois parece que este crime está ligado à morte de uma menina muitos anos antes. Numa cidade pequena, as pessoas podem estar mais ligadas do que aparentam.
"Mýrin" é baseado num best seller de Arnaldur Indriðason, e tem um argumento bastante complicado, mas depressa o público é recompensado quando as peças começam a encaixar. O realizador Baltasar Kormákur conduz a acção com uma enorme sensibilidade, que complementa o filme perfeitamente, enquanto o actor principal, o experiente Sigurðsson tem uma interpretação silenciosa e subtil, que é extremamente convincente. É um thriller muito inteligente, que vai emprestar muito mais influências no campo internacional, a obras como "Les Rivières Pourpres" de Mathieu Kassovitz, ou "Insomnia" de Christopher Nolan, do que propriamente à filmografia islandesa, e também marca uma mudança radical na carreira do realizador Kormákur, que se tinha dado mal com a sua estreia americana, "A Little Trip to Heaven". Dele já tinhamos visto dois filmes neste ciclo.
É um thriller com alguns laivos de film noir, algo que nunca tinha sido explorado na filmografia islandesa, e com muita pena, pois o ambiente natural do país, se bem usado, pode ser um grande trunfo. Como acontece neste caso.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
O Mar (Hafið) 2002
Um velho patriarca, desafiando a modernização, recusa-se a vender um negócio de pesca que ele próprio fundou, e como resultado causa enormes conflitos no seio da sua família. Sendo um homem rico, junta os seus herdeiros para discutir o futuro do negócio da família. Mas ao fazer isto, desencadeia uma tempestade de abuso sexual reprimido, suspeitas persistentes, rivalidades entre irmãos, e paixões incestuosas. Vai ser uma dura batalha entre o passado e o futuro, que culmina numa noite explosiva de raiva.
Shakespeare viaja até à Islândia para visitar uma particular família odiosa. "The Sea" é muito mais uma comédia de humor negro do que uma tragédia, este segundo filme de Baltasar Kormakur (depois de "101 Reykjavík"), deita um olhar em como um homem de família consegue dividir a sua família, mesmo que cheio de boas intenções, ao querer dividir o seu império.
O implacável frio islandês estabelece o cenário para um família que está unida por laços de sangue, mas não por amor. À medida que vamos conhecendo os personagens vamo-nos deparando com grandes doses de raiva, incesto, ciúmes, e uma batalha pela modernização de um negócio de família.
A história desta família está longe de ser amável. O pai está agora casado com a irmã da sua falecida esposa. Uma história de abuso e humilhação emerge rapidamente neste clima cinzento. A desolação na aldeia é paralela ao desespero que impera no seio da família, e que explode numa raiva (literalmente) ardente.
A paisagem exótica de gelo, neve e montanhas contrasta com a vulgaridade dos personagens. O talento de Kormakur reside em criar um ambiente opressivo, sem passar por cima destes personagens. Há momentos de humor suficientes para manter o ritmo do filme, ao mesmo tempo que pulamos para aquele canto esquecido do mundo, onde se vai passar a acção.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
101 Reykjavík (101 Reykjavík) 2000
Hlynur (Hilmir Snaer Gudnason) é o slacker para acabar com todos os slackers. 30 anos de idade, ainda a viver com a mãe, desempregado, o nosso anti-herói está prestes a mudar a sua vida com a chegada de uma bela professora de flamenco (Victoria Abril), que se vem a descobrir que é lésbica.
Embora a natureza da vida islandesa desempenhe um papel importante na estreia como realizador de Baltasar Kormakur (vimo-lo como protagonista de "A Ilha do Diabo"), esta é uma história que poderia ocorrer em qualquer país do mundo livre. Os filmes de slackers americanos são as primeiras influências que nós vêm à idéia, e de facto "101 Reykjavik" vai ali buscar muito conteúdo.
Não há romance, apesar de ser um filme sobre as relações entre homem e mulher, e o protagonista não é uma pessoa particularmente simpática. Existem motivações secundárias neste filme, que sugerem outros motivos ainda mais escuros: como numa sequência em que um jovem Hlynur fecha a porta a um pai bêbado, e sobe para cima da cama da mãe, que lhe vira as costas.
"101 Reykjavik" apresenta um retrato realista do que é a vida noutros sitios. Pelo menos duas coisas fazem valer a pena este filme: a cena de abertura, e a banda sonora. Esta tem a espectacular colaboração do ícone da música punk Einar Orn, membro dos The Sugarcubes, onde também pertenceu Bjork, e ainda do músico dos Blur, Damon Albarn. Mas toda a banda sonora vale a pena.
Foi dos filmes islandeses a conseguir mais sucesso, na virada do século. Passou em vários festivais, como Bogota, Buenos Aires, Chicago, Locarno, Tbilissi, entre outros.
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