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quarta-feira, 16 de março de 2016

Um Homem na Solidão (Man in the Wilderness) 1971

Em 1820, os territórios do Norte da América eram inóspitos e de vida selvagem. Um grupo de caçadores de peles de animais regressa dessa região antes que o inverno chegue e os castigue a todos. Zachary (Richard Harris) é o guia e batedor do grupo, que atacado pelo temido urso selvagem americano, é ferido e deixado para trás para morrer, pelo líder dos caçadores, o paranóico Capitão Henry (John Huston, o realizador). Zachary sobrevive e persegue o grupo em busca de vingança, não sem antes conviver e aprender sobre a vida selvagem com os índios da região.
"Man in the Wilderness" é vagamente baseado na história e vida de Hugh Glass, e numa expedição que este realizou ao Missouri entre 1818 e 1820, história esta que recentemente deu origem a um outro filme, "The Revenant", que valeu um Óscar a Leonardo DiCáprio e outro a Alejandro González Iñárritu. Foi filmado perto de Covaleda, província de Soria, Espanha, com o terreno a ser mais parecido com o deserto das montanhas de Adirondack, do que da área em questão. No mesmo local foram filmadas muitas cenas de "Doctor Zhivago", que David Lean realizara alguns anos antes. Um dos aspectos mais fortes deste filme, é o "mood" e a atmosfera, com o realizador Richard C. Sarafian e a sua equipa a colocarem muito detalhe na mais pequena coisa, trazendo muito realismo a esta esta história de sobrevivência.
O filme deixa por explicar alguns detalhes, como a razão porque as larvas limparam as feridas infectadas, mas a verdadeira história também era inexplicável, mas Richard Harris tem aqui uma interpretação incrível, provavelmente a melhor da sua carreira, assim como é muito agradável o papel do veterano realizador, John Huston.
Foi o filme que sucedeu a "Vanishing Point" na carreira de Sarafian, o seu filme mais aclamado. "Man in the Wilderness" acabou por ficar esquecido durante muitos anos, para voltar agora para a ribalta.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Corrida Contra o Destino (Vanishing Point) 1971


"Vanishing Point" é a ode final para a necessidade de velocidade, uma corrida feroz dedicada ao "último herói americano para quem a velocidade significa liberdade de alma", o condutor Kowalski (Barry Newman), a fazer uma corrida de alta velocidade do Colorado a San Francisco com a polícia na sua perseguição. Os pulsar do cinema e as grandes rotações com Kowalski num vaivém entre os estados ocidentais, como um motorista de entregas. Atravessando o oeste americano, Kowalski tem a missão de levar um Super Dodge Challenger para o seu dono em tempo record. Tinha apostado com um amigo que cumpriria o objectivo – mas, mesmo se não houvesse alguma aposta, Kowalski não diminuiria a velocidade. Está disposto a correr no deserto. Ele, o carro e a estrada, chamando a atenção da polícia, que segue no seu encalce. 
O realizador Richard C. Sarafian tem uma obsessão pela estrada, e transforma este filme numa celebração extática da jornada de Kowalski, no seu desafio teimoso e sem propósito de autoridade, numa odisseia através das planícies. A maior parte do filme passa-se na estrada, no carro com Kowalski ou olhando pela janela para o que ele vê, a panorâmica através das paisagens desfocadas do Oeste ou olhando para baixo nas linhas brancas da estrada, acelerando e não vendo mais do que os poucos metros à frente do nariz do carro.A primeira meia hora do filme é quase perfeita, ficando tão próxima da experiência subjectiva do movimento de Kowalski, que se pode praticamente sentir os solavancos e o rugido do poderoso motor. 
"Vanishing Point" continuava a tendência de muitos lançamentos de baixo orçamento no final dos anos 60 e início dos 70, em que era apresentada a filosofia da contracultura misturada com problemas existenciais que trazem à história algo mais profundo na mensagem. Comparações com "Easy Rider" são difíceis de evitar, ambos apresentam heróis em fuga das autoridades numa viagem cheia de drogas e anti-autoritarismo de comportamento, enquanto a banda-sonora, cheia de rock e melodias folclóricas reforçam os ideais predominantes do estilo de vida hippie.
É um dos melhores filmes de perseguição dos anos 1970 (e porque não o melhor?), que exploravam a canonização de pessoas que se atreveram a domar o último vestígio da  liberdade, e da estrada aberta. Tem um orçamento modesto, mas efectivamente tornou-se num dos maiores filmes de culto dos anos 70.

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