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domingo, 18 de junho de 2017

Tempo de Amar (Sevmek Zamani) 1965

Halil é um pintor que se apaixona por um rosto num quadro, que pertence à filha dos donos de uma mansão. Certo dia, a rapariga chega à mansão no exacto momento que Halil está a olhar para o retrato, e é o inicio de uma estranha relação. 
O filme é contado em duas formas distintas. Primeiro, um realismo rigoroso na busca da identidade específica do povo turco. Ocidente ou Oriente, a eterna batalha caótica. Em segundo lugar, através desta separação de Ocidente e Oriente, o filme mostra-nos duas percepções diferentes do amor: uma cantora moderna, urbanizada (Sema Ozcan) a querer estar com um homem (Musfik Kenter), que por sua vez está apenas apaixonado pelo retrato da cantora. Por outro lado, o homem oriental a recusar o amor da cantora que está mais ligada ao Ocidente, e à perdição.
Um filme obscuro, um tesouro escondido para os amantes de cinema internacional, é considerado um dos melhores filmes da história do cinema turco, apesar de ainda permanecer desconhecido para muitos cinéfilos da nova geração. Elogiado pela sua fotografia a preto e branco, o filme segue a tradição estética de Antonioni, sendo uma mistura eclética de temas modernistas (a solidão individual), a metafísica (a luta do bem contra o mal, com o mal a ser representado pelas influências do ocidente), e as noções do marxismo, visíveis em outros filmes do realizador Metin Erksan, um dos primeiros realizadores turcos que viu o cinema como uma forma de arte, além de um meio de entretenimento das massas.

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sábado, 17 de junho de 2017

Verão Seco (Susuz Yaz) 1963

Uma história de luta de classes que se passa durante um verão seco na zona rural da Turquia. Como consequência das condições climáticas quentes e secas os agricultores que vivem na aldeia não podem regar os seus campos. O proprietário da única terra com nascente de água não deixa os outros proprietários usarem a sua água, construindo um dique, e ambos os lados entram em conflito a propósito do uso deste recurso natural. 
Desta forma, este conflito transforma-se numa disputa de propriedade, que é um dos assuntos preferidos do realizador Metin Erksan. Além disso, o realizador usa a obsessão do proprietário para seduzir a jovem e encantadora esposa do irmão, que acaba por tomar partido dos outros agricultores para fortalecer esta questão de propriedade. 
A beleza deste filme vem da sua simplicidade visual. Faz lembrar muito os grandes clássicos do neorealismo italiano, mas tem um espírito mais livre, que lhe confere uma identidade verdadeiramente única. O foco da atenção é a moralidade flexível dos principais protagonistas. Ao longo do filme, aos três personagens principais (os dois irmãos e a esposa e de um deles) são apresentados dilemas difíceis, que os obrigam a tomar decisões difíceis, decisões que indirectamente desafiam e expõem as falhas dos entendimentos tradicionais turcos sobre responsabilidade e respeito. Impressionante também é o tom erótico do filme, com algumas imagens da actriz Hülya Koçyigit a ultrapassarem surpreendentemente os censores turcos da altura.
Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Berlim de 1964, e da Biennale do Festival de Veneza desse mesmo ano, foi o primeiro sucesso internacional do cinema turco. Contudo, as coisas não foram muito fáceis interinamente. Foi retirado da circulação pelas autoridades turcas pouco tempo depois da estreia. 

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