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sábado, 30 de maio de 2020

Os Novos Monstros (I Nuovi Mostri) 1977

"Os Novos Monstros" é um filme em sketchs composto por 14 contos com uma característica em comum entre eles: são sobre circunstâncias da vida real onde, de alguma forma, os personagens principais assumem uma conduta perturbadora, transformando-se em monstros da vida real e como eles colocam os seus interesses acima de tudo.
Realizado quase 15 anos depois de "I Mostri" de Dino Risi, um dos melhores exemplos de comédias em sketchs saídos dos estúdios italianos, era uma espécie de sequela, onde Risi se vê reforçado de dois dos maiores realizadores da "commecia all'italiana": Mario Monicelli e Ettore Scola, além dos ilustres argumentistas Age e Scarpelli, e um elenco de luxo que incluía Vittorio Gassman, Alberto Sordi, Ugo Tognazzi e Ornella Muti, sendo por isso quase um best of deste género. 
Mais do que uma selecção, era quase uma despedida do género que vinha a ser tão popular quase há vinte anos. O último sketch (um funeral) é simbólico. Representa a morte da "commédia all'italiana" que ajudou a Itália durante muitos anos a ser o segundo país com mais produções cinematográficas no mundo. Terminamos também assim este ciclo. Espero que tenham gostado. 
Nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

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segunda-feira, 25 de maio de 2020

Perfume de Mulher (Profumo di donna) 1974


Um antigo capitão do exército italiano viaja de Turim para Nápoles para reencontrar um amigo que, como ele, ficou cego depois da explosão de uma granada. Ciccio, um jovem soldado destacado pelo exército, acompanha o capitão nessa viagem. A braços com um homem fanfarrão e irascível que afirma reconhecer uma mulher bonita apenas pelo cheiro, Ciccio está longe de imaginar que a finalidade daquela viagem é cumprir um pacto de suicídio feito entre os dois oficiais. 
Nova reunião entre Dino Risi e Vittorio Gassman, uma dupla que rendeu alguns títulos interessantes, como "Il Sorpasso" ou "Em Nome do Povo Italiano", e que aqui estava de volta para uma obra cujos resultados foram acima do merecido. Foi um êxito comercial, foi muito bem sucedido a nível de prémios, tendo sido nomeado para dois Óscares (Filme Estrangeiro e Argumento), e Gassman ter sido vencedor do prémio de Melhor Actor em Cannes. Mais tarde, um remake inferior, também garantiu um Óscar a Al Pacino. 
Uma odisseia com sabor a clássicos como "Don Quixote" ou "Jacques le Fataliste" com um capitão do exército italiano e o seu Sancho Pança a viajarem por cidades como Roma, Turim, Génova e Nápoles. A força do filme reside em Gassman, que dá uma profundidade à personagem que é difícil de se encontrar. 

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Em Nome do Povo Italiano (In Nome del Popolo Italiano) 1971

Um obscuro magistrado italiano suspeita que a morte de uma jovem drogada foi provocada por um poderoso industrial. Decide investigá-lo e levá-lo a juízo, independente de ter provas para acusá-lo. Em nome do poder que o povo italiano lhe conferiu, esse juiz tem direito de agir assim? O filme discute a ação da justiça, que nem sempre se detém em seus limites. 
Este ataque selvagem ao sistema judicial italiano é uma obra-prima desconhecida, com o realizador Dino Risi e os actores Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman no topo da sua forma. Embora necessariamente muito falado e pesado, o ponto forte do filme é a forma como trata vários pontos densos e relevantes sobre o estado do país na altura, dentro dos limites de um filme de suspense e comédia. O resultado final é uma caracterização estimulante (colocando duas postas uma contra a outra (Tognazzi como magistrado obstinado e Gassman como suspeito de assassinato industrial) com algumas vinhetas memoráveis, e muitas vezes cáusticas, denunciando burocracia, grandes empresas e diferenças de classe e geração.
Na melhor tradição da comédia italiana, o argumento é realizado de uma forma grotesca, que acaba por ser emocionante, deixando um sabor amargo no final.

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Vejo Tudo Nu (Vedo Tudo) 1969

"Neste filme, um dos mais divertidos de Dino Risi, o realizador retoma a sua fórmula de comédia em episódios, traçando o retrato da Itália dos anos 60 através de ousadas histórias que giram em torno do sexo. No episódio mais kitsch, a actriz Sylva Koscina pretende socorrer um ferido mas acaba por provocar uma tal loucura no hospital, com a sua roupa quase inexistente, que vira para si todas as atenções e o pobre homem acaba por morrer. Num outro, um culturista muito míope espia uma bela mulher nua que, afinal, não é mais que uma ilusão de óptica provocada pelo seu reflexo no espelho. Há ainda um homem que trai a sua mulher com um comboio, um fetiche que acaba por se tornar uma obsessão partilhada. E se Ornella é o mais sensível retrato de um amor homossexual feito pelo cinema italiano, em "Audiência À Porta Fechada" conta-se a história do julgamento de um lavrador que abusa de uma galinha, recorrendo a todos os elementos da grande comédia à italiana. 
O filme conta ainda com a extraordinária interpretação de Nino Manfredi, que fecha o filme com a história de um publicitário que, à força de despir as mulheres, passa a vê-las sempre nuas."
* texto RTP

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sexta-feira, 27 de março de 2020

Os Monstros (I Mostri) 1963

"Os Monstros" é uma compilação de 20 histórias, nas quais alternam Vittorio Gassman e Ugo Tognazzi para satirizar os mitos e as contradições tipicas do ser humano e em parte representativa da sociedade italiana dos anos 60.
"Os Monstros" confirmava o valor transcendental de muitos trabalhos rotulados genericamente de "commedia all’italiana", mas, na verdade, apropriava-se dos instrumentos mais sofisticados para dar outro ponto de vista, mais desencantado. É uma comédia de derrota e sobrevivência, juntando as espirais existenciais à surpresa dos índices económicos. Dino Risi transforma a matéria-prima da comédia social numa jornada transcendental de individualização nacional, criando sem esforço um mundo coeso e "monstruoso" da Itália emergente.
Vittorio Gassman e Ugo Tognazzi, a dupla de "La Marcia Su Roma" volta a funcionar muito bem, e um argumento onde trabalharam várias caras conhecidas, ou futuramente conhecidas, como era o caso de Elio Petri, em inicio de carreira, Ettore Scola, na quarta colaboração com Risi como argumentista, e o habitual Ruggero Maccari.

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quarta-feira, 25 de março de 2020

Marcha Sobre Roma (La Marcia su Roma) 1962

Depois da Primeira Guerra Mundial, Domenico Rocchetti é um jovem que, em Milão, usa diferentes e engenhosos truques para extorquir dinheiro das pessoas. É obrigado a portar-se como um vagabundo, pois não tem dinheiro suficiente para comer. É neste momento que, por pura sorte, conhece Capitano Paolinelli, que recrutava membros para o partido fascista. Junto com Umberto Gavazza vai juntar-te ao partido fascista, onde ambos terão comida, mas também vão ter de matar. Esta situação irá causar uma série de momentos tragicómicos.
O fascismo foi perigoso não só para Itália, mas para toda a Europa. "La Marcia Su Roma" foi realizado em 1962, altura em que o cinema era uma parte bastante importante na cultura dos países, e o cinema italiano vivia de enorme popularidade, tanto a nível crítico como comercial. Dino Risi era já um expoente na comédia, e a escolha de um filme sobre o "fascismo" acabou por surpreender muitos espectadores. Mas o filme mostrava o que tinha acontecido 40 anos antes, quando os fascistas faziam planos elaborados para obter controle político através da persuasão e de meios violentos.
Para quem não sabe, a Marcha Sobre Roma foi uma grande manifestação fascista com características de golpe de estado, realizada a 29 de Outubro de 1922.  O evento representou a chegada ao poder do Partido Nacional Fascista (PNF) e o fim da democracia liberal. Mas de forma nenhuma o filme apoia este evento, apenas se serve da situação para contar uma história com humor.
Vittorio Gassman e Ugo Tognazzi brilham nos principais papéis.

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domingo, 22 de março de 2020

A Ultrapassagem (Il Sorpasso) 1962

Roberto, um tímido estudante de Direito em Roma, conhece Bruno, um exuberante e caprichoso homem de quarenta anos de idade, que o leva para um passeio pelas terras romanas e da Toscânia, no verão de 1962. Eles vão passar dois dias juntos, conhecer tanto a família de Roberto como a de Bruno. O tempo que Roberto passa com Bruno é hilariante, mas por vezes torna-se num emocional e impiedoso processo de maturização. 
Il sorpasso (1962) soa como qualquer velha buddy comedy, mas o talentoso elenco e realização fazem dele mais do que isso. Roberto é interpretado por Jean Louis Trintignant no seu mais romanticamente reprimido papel. Vittorio Gassman brilha com um lampejo de desespero no papel cheio de fanfarronice de Bruno, com um grande sorriso na cara. E o realizador é Dino Risi, que preparava a familiarizada Commedia all'italiana, onde ele foi um dos principais artesãs. 
"Il Sorpasso" é a definitiva combinação de comédia e road movie. Ao longo de toda a viagem (digo novamente que é um road movie, e é para ser classificado entre os melhores do género), os dois personagens mudam e temos a estranha sensação de que quanto mais os vemos menos os conhecemos. Roberto é uma jovem muito tímido, ao contrário do desconcertante Bruno, que serve como contraponto com outra personalidade. A personalidade de Bruno é especial, é um veterano que falhou em tudo, e passa todo o tempo a viajar no seu carro desportivo. Todo o argumento desenvolve um humor suave, mas constante, o que nos faz manter o sorriso durante todo o filme, enquanto mostra o retrato de uma maravilhosa Itália dos anos 60, que inclui a banda sonora sensacional de Riz Ortolani. Além disso, temos a fotografia num branco e preto evocativo de Alfio Contini. 

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sábado, 21 de março de 2020

Uma Vida Difícil (Una Vita Difficil) 1961

No Dongo, durante a Segunda Guerra Mundial, Silvio Magnozzi, um partigiani em fuga, conhece Elena que lhe salva a vida e o esconde dos alemães durante 3 meses. Silvio volta depois a juntar-se à Resistência Italiana e acabada a guerra regressa a Roma para trabalhar num jornal de esquerda. É então que volta a encontrar Elena que foge para a capital para viver com ele. Atravessando juntos as várias fases do pós-guerra italiano, a vida a dois será plena de dificuldades. 
Ao lermos a sinopse de "Una Vita Difficil", de Dino Risi, ficamos com a ideia de ser um filme trágico e bastante triste. E enquanto a história de um combatente da resistência comunista que volta para casa depois da Guerra tem raízes no neorrealismo, a abordagem do realizador é diferente da geração anterior de cineastas.  Risi mantém tudo muito mais leve e divertido, mesmo quando o personagem de Alberto Sordi está a passar dificuldades maiores. Esta qualidade de resolver problemas sérios com humor é uma característica do cinema italiano, mais especificamente da commedia all'ittaliana.
"Una Vita Difficil" também nos dá uma boa imagem do boom depois da guerra e das diferenças de mentalidade entre o Norte rico e o Sul pobre, de Itália, que levaram ao problema de Mezzogiorno. De repente houve oportunidades para aqueles que estavam dispostos a seguir as regras. Muitos estavam esperançosos de fazer riqueza, enquanto que os que não estavam dispostos a seguir as massas eram simplesmente deixados de lado. 
Alberto Sordi e Lea Massari são os protagonistas.

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quarta-feira, 18 de março de 2020

O Castigador (Il Mattatore) 1960

Gerardo Latini (Vittorio Gassman) é um ex-vigarista, agora casado e trabalhador honesto, mas ansiando pela vida que levava antes. Um dia o casal recebe a visita de um jovem vigarista que quer vender um castiçal de prata a um peço muito baixo. Gerardo, depois de perceber as suas verdadeiras intenções, sente-se identificado e percebe o jovem e, por esse motivo, contará a sua história e toda a sua carreira na arte da vigarice e do disfarce.
Comédia episódica maravilhosamente agradável realizada por Dino Risi, interpretada por Vittorio Gassman como um actor camaleónico que disfarça a sua paixão pelo roubo e Peppino de Fillipo como o seu cúmplice, foi filmada em Roma e nos seus subúrbios recém-erguidos, reflectindo uma cidade num crescimento desenfreado. Segundo Risi, foi uma fase de transformação para Gassman, que ainda não tinha uma cara reconhecível no cinema, mas o actor exibia já vários rostos diferentes em filme.
Uma nota para o argumento de Ettore Scola, então com 29 anos e ainda longe de realizar o seu primeiro filme. Antes de se iniciar na realização ele escreveu várias comédias de sucesso para Risi, como por exemplo, e além desta, "Il Sorpaso", "La Marcia su Roma" e "I Mostri". Mais tarde, Scola viria a ser um dos grandes nomes da "Commedia all’italiana".
Nota: as legendas não estão muito boas, mas tiveram mesmo de ser estas.

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terça-feira, 17 de março de 2020

O Viúvo Alegre (Il Vedovo) 1959

Alberto Nardi é um homem de negócios à beira da falência. Casado por interesse com uma empresária de Milão, dona de uma grande fortuna, Alberto não cabe em si de contente quando o comboio que a transportava cai de uma ponte e não deixa sobreviventes. Convencido que a mulher está morta, o empresário começa a sonhar com a vida que levará depois de herdar toda a sua fortuna. No entanto, em breve descobrirá que afinal ela está viva. A frustração dessa notícia leva-o a engendrar um plano maléfico para garantir que desta vez ela morre mesmo!
Primeira grande colaboração entre Dino Risi e Alberto Sordi, com um papel não muito diferente do que o actor interpretaria em "Il Boom", de Vittorio de Sica. Um dos argumentistas, Rudolfo Sonego, baseou-se num caso famoso para escrever o argumento, o caso Fenaroli de 1958, no qual um industrial supostamente assassinou a esposa para ficar com o dinheiro do seguro. Foi um caso muito falado na altura, com cerca de 20 mil pessoas a esperarem do lado de fora para ouvir o veredicto. 
O personagem de Sordi fica em êxtase quando descobre que a sua esposa morreu num acidente de comboio, mas para o seu horror ela sobrevive, o que o leva a completar o serviço pelas suas próprias mãos. A situação causa bastantes gargalhadas, mas tal como muitos outros filmes deste movimento, também existe um lado negro. Sordi nunca perde o ritmo, e Franca Valeri como a sua esposa também está muito bem.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A Mulher do Padre (La Moglie del Prete) 1970

Ao descobrir que o seu namorado é casado, uma jovem mulher tenta suicidar-se, parando apenas para telefonar para uma linha de ajuda. Vai parar ao hospital, onde conhece o padre que lhe atendeu a chamada da linha de ajuda. Tenta seduzi-lo, e ele sucumbe aos seus encantos, mas logo se apercebem que o problema é o Santo Voto de Celibato dele...
Produzido por Carlo Ponti, e pela sua esposa, que também é a actriz principal, Sophia Loren, que tiveram uma grande batalha contra o Vaticano, e o governo Italiano por causa da falta de legislação do governo sobre o divórcio.
Dino Risi, com muito humor, faz uma crítica profunda ao celibato exigido aos sacerdotes da igreja católica. Para além de Sophia Loren, conta ainda com Marcello Mastroianni no principal papel.

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