Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Ritchie. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Ritchie. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Que Se Lixe a Taça (The Bad News Bears) 1976


Em “The Bad News Bears” pouco ou nada se aprende, isto é, se só tivermos em conta os preceitos dos sociólogos canónicos, dos ministérios de educação oficiais, dos grandes pedagogos de secretária, dos partidos conservadores da boa consciência familiar e patriótica... da lengalenga determinista... Na abertura o treinador e atleta falhado de Walter Matthau é enleado por uma luz espessa, brilhante mas perfurada por demasiada granulação da película para tudo se poder acreditar harmónico; no final, ele e a sua equipa de petizes vão acabar a beber cerveja no primeiro lugar dos últimos. A harmonia é apanhada em linhas convulsas. Pois esse treinador que contrata a sua talentosa «filha» para a quadra de basebol não com palavras belas ou pelo falar de almas entrelaçadas, mas sim por largar umas notas para o que ela realmente almeja, jamais trata a criançada de modo inferior, infantil ou apalhaçado mas sim com trejeitos tão severos como se fosse meter um Mickey Mantle na linha. 
É essa a inteligência que não o faz prescindir da sua personalidade nem das crenças que a vida vivida ensinou mas antes fazer perceber aos novos demais da pureza disso mesmo – mesmo nas contradições, mesmo nas falhas. Fidelidade, e complexidade, tanto no bailado cénico que conjuga Georges Bizet com a magia e os milagres dos tacos e do swing puramente americanos que Walt Whitman cantou, como nos pactos calados entre aquele balneário que é um mundo – raparigas, mexicanos, bêbados, bons corações – sempre em genuína evolução e irmandade: modernidade para lá dos rótulos e cadernos de encargos, um por todos e todos por um, mais vale quebrar do que torcer, incluindo no momento da falha técnica e humana no jogo ou para lá dele: sempre em recomposição e aprendizagem, a tentarem perceber, como as bolas curvas, do que trata a tal da existência plena. Michael Ritchie, considerado nos compêndios um realizador de terceira, atingiu nesta simplicidade de afectos e instintos quase todos os modos e géneros do cinema americano. Como quem não quer a coisa e não larga o osso. Brilhante e terno como a espantosa e perfurada luz iniciática das origens, lídima estripada.
* Texto de  José Oliveira

Link
Imdb

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carne de Primeira (Prime Cut) 1972

Mary Ann (Gene Hackman) é o dono de um matadouro com ligações a Jake, um grande chefe da Máfia. O seu negócio é apenas fachada para o comércio de drogas e prostituição. Deve uma grande quantia de dinheiro a Jake, mas os primeiros cobradores são transformados em salsichas (literalmente). Assim, Nick Devlin (Lee Marvin) é contratado pelo poderoso mafioso para receber a dívida, nem que para isso tenha de matar Mary Ann.
Esta mistura pouco frequente entre acção e sátira é um passeio memorável ao "vale tudo" que Hollywood experimentou durante a década de 70. "Prime Cut" tem a quantidade de pancadaria e tiroteios do que se espera para um filme de acção, mas a inspiração do argumentista Robert Dillon, pouco vulgar para o argumento de um filme deste género, colocando a história num ambiente rural, acompanhada por um tom satírico. Michael Ritchie, mais conhecido por comédias como "The Bad News Bears", conduz a acção com um toque leve e espirituoso, e consegue arrancar óptimas interpretações dos seus actores principais: Marvin como o gangster machista, Hackman como o seu tempestuoso inimigo, e Sissy Spacek e Angel Tompkins como fortes suportes femininos.
Tudo somado, pode parecer um pouco estranho para os espectadores que gostam de filmes de acção, mas tem a mistura perfeita para o que é considerado cinema de culto.

Link
Imdb