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domingo, 6 de março de 2022

A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther) 1963

O incompetente e desastrado inspector Jacques Clouseau da Sûreté francesa anda há anos atrás de um notório ladrão de joias conhecido como Fantasma. Clouseau e a sua mulher Simone reunem-se, na luxuosa estância de Inverno de Cortina d¿Ampezzo, com o playboy britânico sir Charles Willingham e a princesa indiana Dala. Clouseau está seguro de poder deitar a mão ao ¿Fantasma¿ que certamente não resistirá a roubar a fabulosa joia da princesa, a célebre Pantera Cor de Rosa. Na verdade, o Fantasma é sir Charles e a sua cúmplice e amante é, nada mais nada menos, que a própria mulher de Clouseau, o que complica especialmente todas as iniciativas do inspector. Na sumptuosa casa de Roma da princesa, na sequência de um tresloucado baile de máscaras, a joia é finalmente roubada mas no fim é o infeliz Clouseau que acaba por ser acusado do furto.
"A Pantera Cor de Rosa", realizado em 1963 por Blake Edwards, foi o primeiro filme de uma série de grande sucesso de tresloucadas comédias policiais que tornaram Peter Sellers numa vedeta internacional. Uma itenerante história policial, sobre um arrojado e sofisticado ladrão internacional de joias perseguido pelo mais desastrado e incompetente inspector da polícia, é o pretexto para Edwards construir uma deliciosa comédia, recheada de gags hilariantes, como a cena do baile de máscaras com os três gorilas ou a disparatada perseguição automóvel que termina na fonte. Curiosamente, a personagem do inspector Clouseau, com o seu ar imbecil, as suas disparatadas deduções, a sua tendência para criar o caos e a destruição e o seu intolerável sotaque, não era ainda a personagem central e fulcral que acabaria por dominar todos os filmes da série. Peter Sellers cria uma personagem inesquecível e inconfundível, fruto do seu extraordinário talento para as mais sinuosas caracterizações que lhe permite, mesmo aqui, frente a David Niven, Robert Wagner, Capucine e Claudia Cardinale, roubar todas as cenas em que participa.
*Texto RTP

domingo, 15 de março de 2020

Gangsters Falhados (I Soliti Ignoti) 1958

Cosimo (Memmo Carotenuto) é um pequeno ladrão que é preso por tentar roubar um carro.  Depois de ser condenado, pede à namorada (Rossana Rory) e ao advogado que encontrem alguém que, por 100.000 liras, ocupe o seu lugar na cadeia para que ele possa fazer o assalto perfeito a uma loja de penhores. O boxeur Peppe (Vittorio Gassman) concorda trocar de lugar com Cosimo, mas o juiz não acredita na sua história, e acabam os dois presos. Na prisão, Peppe fica a saber sobre o assalto, e como sai antes de Cosimo da cadeia, resolve recrutar o gang de Cosimo para fazer o assalto.
Embora o ritmo do filme seja bastante lento, é interessante observar estes pequenos criminosos enquanto planeiam o assalto. Como previsto, como se trata de uma "Commedia all'italiana", nada corre conforme o planeado. O apartamento ao lado da loja de penhores parecia estar vazio, e de repente duas senhoras de idade mudam-se para lá, mal saindo de casa. Pelo caminho encontram uma série de situações que complicará ainda mais os seus planos.
No início "I Soliti Ignoti" funcionava como uma espécie de remake, ou paródia, de "Rififi" (1955), de Jules Dassin, visto como o pai de todos os filmes de assaltos, mas o filme italiano acaba por alcançar um lugar na história do cinema, por mérito próprio, e dar início a este novo género do cinema italiano. Personagens maravilhosas, argumento fantástico, fotografia perfeita. Um sentido de humor incrível, embora muitas das piadas não sejam percetíveis por audiências fora de Itália, porque têm a ver com trocadilhos da linguagem italiana, e também um elenco maravilhoso como podem ver a seguir. 
Vittorio Gassman era uma revelação no papel que mudaria a sua carreira. Até então era conhecido mais por papéis dramáticos, mas como verão neste ciclo tudo mudaria a partir daqui. O restante elenco inclui nomes como Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Claudia Cardinale (num dos seus primeiros papéis), e Totò, que é uma espécie de consultor do gang. 
Foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua estrangeira, mas acabaria por perder para outra comédia: "O Meu Tio", de Jacques Tati.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Rapariga da Mala (La Ragazza con la Valigia) 1961

Aida é uma jovem mulher pobre, atraente, cantora, que é enganada por um rapaz que lhe prometeu um bom contrato mas depois a abandonou. Aida descobre-o em Parma, bate à porta de casa dele e ele manda o irmão, Lorenzo, adolescente de 16 anos, atender a porta e dizer que ele não mora ali, que é engano. Mas Lorenzo apieda-se dela e tenta ajudá-la. Começa aqui uma relação de profunda amizade da parte de Aida e de amor da parte de Lorenzo. Esta relação vai ajudar Lorenzo a crescer e Aida a buscar um rumo para a sua vida. 
Sendo ele de uma família abastada, mas com inclinações de esquerda e querendo-se encaixar na comunidade artística mais boémica dos cineasta italianos, Zurlini conhecia bem as diferenças entre os dois mundos transcritos no filme, o de Aida e o de Lorenzo, e seriam as precisões destas diferenças que fariam deste filme tão grande. Aida tem pouco mais do que as roupas no corpo, lutando para ganhar a vida da única forma como ela pode, como uma "showgirl", vivendo dos favores dos homens e lidando dos contratempos que vai enfrentando ao longo do caminho. Lorenzo vem de uma família rica e privilegiada, mas não está orgulhoso da forma como eles se comportam com os outros menos afortunados, e a sua consciência começa a pesar pelos maus tratos que Aida recebe do seu irmão.
Mais uma vez, como acontece com "Verão Violento", Zurlini mistura uma história de amor e um cenário socialmente consciente, cada um deles com uma quantidade razoável de sentimento pelo outro, mas muito mais subtilmente do que o flash bombástico do filme anterior. Em "A Rapariga da Mala" a caracterização é muito mais contida, mas não menos magistral. A desconfiança de Aida em relação aos homens é mostrada apenas em pequenos detalhes, como a forma como ela tranca a porta e como obriga constantemente Lorenzo a jurar por tudo o que diz. 
Concorrendo para a Palma de Ouro em Cannes, seria o primeiro grande sucesso de Claudia Cardinale, como protagonista, apesar de na altura ela já ter trabalhado com realizadores como Luchino Visconti, Pietro Germi, Luigi Zampa ou Mario Monicelli. 

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sábado, 12 de setembro de 2015

Fuga Para Atenas (Escape to Athena) 1979

As desventuras de vários indivíduos que tentam a sua sorte para enriquecer ás custas dos tesouros que as ilhas gregas escondem, principalmente um conjunto de pratos de ouro com rubis incrustados. Mas a missão para encontrar estes pratos encara outros problemas. Como se desfazer das tropas que estão na cidade? Como fazer para eliminar as tropas que estão no mosteiro?
Filme pouco vulgar sobre a Segunda Guerra Mundial, filmados nas exóticas ilhas gregas, e com uma banda sonora empolgante de Lalo Schifrin, mas o realizador não conseguiu decidir sobre o tom geral do filme, e a música parece ir recolher influências a vários outros clássicos do género, como "The Guns of Navarone", “Kelly’s Heroes” e “The Great Escape”, só que misturar os três não seria boa idéia. Não é um filme tão mau como foi pintado na altura, e talvez venha a ser do agrado a fãs dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.
O realizador era George Pan Cosmatos, que ficaria mais conhecido por trabalhar com Stallone, em "Rambo II" e "Cobra", tinha aqui ao seu encargo um elenco de estrelas de primeira: Telly Savalas, David Niven, Stefanie Powers, Claudia Cardinale, Richard Roundtree, Sonny Bono, Elliot Gould, e Roger Moore no papel de Nazi. "Escape to Athena" vai buscar influências óbvias a "Doze Indomáveis Patifes".

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Não Faças Ondas (Don't Make Waves) 1967



Carlo Cofield (Tony Curtis) é um vendedor de piscinas de Nova York em férias na costa oeste, que vai em busca de uma bela mulher que arruinou o seu carro (Claudia Cardinale) e envolve-se com as figuras das praias da Califórnia, entre elas uma linda pára-quedista e ginasta, Malibu (Sharon Tate) e um campeão de fisioculturismo, Harry Hollard (David Draper, então Mr. Universo).
Este foi o último filme do britânico Alexander Mackendrick (realizador de filmes como "The Man in the White Suit" ou "The Ladykillers") antes de trocar a produção de filmes por professor de cinema no California Institute of the Arts. É um filme agradável, sátira sobre o modo de vida nas praias da Califórnia. É baseado no livro "Muscle Beach" de Ira Wallace, que também escreve o fraco argumento a meias com George Kingo e Maurice Richlin. Acaba por ser um filme decepcionante, já que se esperava muito mais de Mackendrick, mas a cena climax da casa de Malibu a deslizar por um penhasco abaixo, dá a esta farsa comédia física suficiente para salvar o filme.
Sharon Tate é Malibu, uma loira atlética sempre de bikini, por quem o personagem principal se apaixona. Seria o primeiro filme de Tate a ser lançado nos Estados Unidos, e seria alvo de uma campanha publicitária monstruosa, com fotos em tamanho real da actriz a serem distribuídas por todos os cinemas, e expostas nas salas de entrada. O filme acabaria por ser arrasado pela crítica, mas mesmo assim Tony Curtis gostou porque teve participação na bilheteira. 

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Fitzcarraldo (Fitzcarraldo) 1982



Fitzcarraldo (Klaus Kinski) é um homem obcecado por ópera, que quer construir uma Ópera no meio da selva. Para conseguir isso ele primeiro tem de fazer uma fortuna no negócio da borracha, e para o conseguir ele elabora um plano astuto que envolve transportar um enorme barco pelo rio, através de uma montanha com a ajuda dos indios locais.
Uma das melhores colaborações entre Kinski e Herzog, talvez apenas suplantada pelo primeiro filme dos dois (Aguirre), e talvez mesmo o melhor do ponto de vista visual. Falta-lhe apenas a crueza e a ferocidade que fizeram de "Aguirre" um filme tão convincente. Nesse aspecto "Fitzcarraldo" é um filme mais simples.
Mas simples não é bem a palavra certa para este filme, uma vez que envolve arrastar um navio através de uma montanha. Herzog arrastou mesmo um navio através de uma encosta, apesar de lhe terem dito que era impossível. Com Stanley Kubrick disse: "Um filme é - ou deve ser - mais sobre música do que sobre ficção. Deve ser uma progressão de estado de espírito e de sentimentos. O tema, o que está por trás da emoção. O sentido, tudo o que vem depois". O filme fala para nós a um nível muito profundo, mas explicá-lo em palavras é muito difícil, já que mesmo o realizador não é capaz de fazê-lo. Isto resume o filme perfeitamente, já que não há razão para tentar explicá-lo verbalmente, pois representa o cinema na sua forma mais artística.
Kinski, num dos seus papéis mais frenéticos, aparece aqui na sua melhor força. O facto da história ser mínima pode deixar em aberto algumas críticas, mas há que apreciar todos os méritos cinematográficos do filme. Fitzcarraldo é um filme que celebra tanto a importância da arte nas nossas vidas como a resistência do espírito humano em face às adversidades. Muito bem trabalhado e intensamente poético na sua simplicidade narrativa, é um filme fascinante.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

8 e Meio (8 1/2) 1963



Guido Anselmi é um realizador de cinema que atravessa a maior crise da sua carreira. O seu último filme foi um enorme sucesso e o produtor espera que o sucessor seja um sucesso ainda maior. Milhões já foram gastos em cenários, atores e atrizes já foram contratados, o argumentista está pronto a começar a trabalhar ... Mas Guido não tem a mais remota idéia do que o seu próximo filme vai ser. Com o produtor a pressioná-lo, é atormentado pelas mulheres da sua vida - a amante, a esposa Luisa, e as atrizes principais. À medida que a sua vida começa a desmoronar-se, Guido recua até ao mundo da imaginação, na esperança de que os seus sonhos e experiências passadas servirem como uma fonte de inspiração...
O filme que mais merece o epíteto de "Fellini-esque", mais do que qualquer outro, é certamente "8 ½". Nesta extravagante e auto-indulgente fantasia criativa, o mestre do cinema italiano, Federico Fellini, leva-nos a uma exploração bizarra da sua arte e da sua vida. Simbolismo freudiano e imagens Dali-nescas abundam num trabalho que é ao mesmo tempo fascinante e insondável, uma obra-prima surreal que trabalha na nossa consciência como um sonho familiar que é ao mesmo tempo cómica e assombroso.
Além de ser mais o abstrato filme de Fellini, é também aquele que mais se aproxima e espelha a sua própria vida. Quando ele começou a fazê-lo, tal como o personagem principal de 8 ½, passava por um bloqueio criativo depois do sucesso internacional inesperado do seu filme anterior, La Dolce Vita (1960). Tinha ganho fama, riqueza e aclamação da crítica, mas onde é que ele poderia ir mais? Se um realizador na sua posição não tinha mais nada a dizer, como era possível fazer mais um filme? 8 ½ foi a resposta. 
O título do filme é, talvez, a sua maior auto-indulgência, e é mais um indicativo do agudo senso de ironia do seu realizador. Antes deste filme, Fellini fez sete longas-metragens (uma como co-realizador) e duas curtas-metragens - que dá por volta de sete filmes e meio. Portanto, usando a lógica matemática simples (sempre uma companheira quando tudo mais falha), o seu próximo filme seria o número oito e meio. Como melhor poderia Fellini mostrar a sua falência criativa do que nomear o seu 8 ½ º filme como "8 ½" ..? O título do filme é a maior pista para o que esta obra trata. Retrata um artista que - como Fellini poderia ter sido na altura - é apanhado nas garras de um bloqueio mental. A experiência é devastadora, já que o artista não sabe se alguma vez vai voltar a ser capaz de produzir uma obra de mérito, e isso faz com que ele se questione se tinha algum talento anteriormente. À medida que a turbulência mental, se intensifica, agravada pelas exigências egoístas das pessoas ao seu redor, o artista começa a perder a noção da realidade, e as fronteiras entre imaginação, memória e realidade começam a desaparecer.
O que o filme nos mostra não é o resultado final do processo criativo - uma obra polida com uma narrativa racional -, mas sim o processo criativo como acontece. Claro, isto tudo poderia facilmente ter acabado numa enorme confusão, uma desculpa para uma peça muito malfeita de cinema - inúmeras idéias semi-cozidas e editadas em cenários com a mesma pretensão e astúcia que é empregue em pelo menos 95% da arte moderna. Surpreendentemente, 8 ½ não é nada disso e, se alguma coisa tem, é algo com uma coerência indefinível, o que o torna completamente convincente e inequívoco. O filme pode fundir realidade e imaginação ao ponto que acabamos por não ser capaz de distinguir um do outro, mas continua a ser um dos trabalhos mais gratificantes e artisticamente talentosos do cinema.
Ganhou dois Óscares, e contava com um elenco fabuloso, onde se destacavam: Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Claudia Cardinale, e Sandra Milo.

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sandra (Vaghe stelle dell'Orsa...) 1965




Luchino Visconti tem dois estilos, dois períodos em que os seus filmes parecem se encaixar. Temos o cinema realista, "Ossessione", "La Terra Trema" e "Belíssima", e depois temos os filmes operáticos, por vezes decadentes, como "Os Malditos", "Violência E Paixão" e "Ludwig". "Sandra" foi feito exactamente no meio. Lançado em 1965 e vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza (batendo filmes como "Os Amores de Uma Loira", de Milos Forman e de "Pierrot le fou", de Godard) e não parece ter o selo de Visconti. 
O filme segue Sandra (Claudia Cardinale) e o marido americano Andrew (Michael Craig) quando eles viajam para a antiga casa de Sandra, no interior. Lá encontram o seu irmão, Gianni (Jean Sorel), o padrasto Gilardini (Renzo Ricci) e a mãe (Marie de Bell). Sandra e Gianni têm vendido uma parte das suas propriedades, um parque que agora vai ter que o nome do pai, um judeu que morreu durante a 2 ª Guerra Mundial num campo de concentração. Mas Andrew vai descobrir segredos obscuros sobre a família, especialmente aqueles que envolvem Sandra e Gianni na sua relação com o padrasto.
O diretor de fotografia, Armando Nannuzzi, que trabalhou em "Ludwig" e "The Damned" usa uma série de sequências de longa distância. Enche o frame, mas faz com que a acção apenas ocorra nos cantos do quadro, ou criando um quadro dentro do quadro. Ele raramente, ou nunca, na verdade, usava a tela inteira. A técnica faz lembrar a de Antonioni, mas quando Antonioni o fez foi para criar o isolamento. Quando Visconti faz isto sentimos que ele está a acrescentar mais à história do que é necessário. Coloca uma maior importância na história.  

Visconti também utiliza a câmera para fazer close-ups de Sandra, o que  é compreensível uma vez que o filme se chama "Sandra". A câmera permanece no seu rosto e, por vezes, mesmo em ângulos de longa distância, onde Sandra fica no meio do quadro para que o espectador possa admirar a sua figura. Cardinale, que durante os anos 60 foi um dos símbolos sexuais do cinema italiano e entrou num hit nos EUA (apareceu no original "Pantera Cor de Rosa") viria a entrar em outros filmes de Visconti, como "O Leopardo" e "Rocco e Seus Irmãos ". Mas é aqui que ela é o centro das atenções. 
"Sandra" é realmente um estudo de personagem-tipo, uma vez que Visconti tenta entrar na sua mente, e chegar a alguma conclusão sobre quem ela realmente é. Passa também algum tempo a examinar Gianni, embora haja pouco para ser mostrado, já que o personagem não é tão complexo. Mas Sandra é um quebra-cabeças. Quem é ela mesmo? O que aconteceu no seu passado? Visconti não responde completamente a essas perguntas, mas o espectador nunca se importa.

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