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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Capítulo 11 - Western

Estávamos muito reduzidos no que tocava a Westerns lançados durante os anos 80. Não mais do que uma dezena (ou nem tantos), dignos de nota, de um género que nunca se recompôs do desastre financeiro que foi o seu último épico, "As Portas do Céu", de Michael Cimino. Mas o Western não estava esquecido, enquanto era comum passar na televisão, agora tinha outra fonte de divulgação, o mercado de VHS, principalmente a venda directa, que aos poucos lançava todos os seus grandes sucessos.

As Portas do Céu (Heaven's Gate) 1980
1890, Estado de Wyoming, EUA. Um xerife (Kris Kristofferson) faz o possível para proteger fazendeiros imigrantes dos ricos criadores de gado, em guerra por mais terras. Ao mesmo tempo, ele luta pelo coração de uma jovem (Isabelle Huppert) contra um pistoleiro (Christopher Walken).
Tal como as colunas de fumo e as nuvens de poeira que sopram em qualquer épico com mais de 200 minutos, o desastre incial crítico e comercial deste filme de Michael Cimino perdurará para sempre, obscurecendo as suas maiores qualidades artísticas, que digamos que eram muito boas, levando o filme hoje a ser muito mais apreciado do que era na altura.
"Heaven’s Gate" marcava o fim de uma época. Produzido e distribuído pela Unites Artists, o estúdio fundado pelo realizador D.W. Griffith, e pelos actores Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, e Mary Pickford, como forma de escapar ao controle dos grandes estúdios sobre a sua arte, este filme era suposto ser o ponto mais alto da chamada “New Hollywood”, que tinha tomado conta do cinema nos anos 70, formada por jovens realizadores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, o próprio Cimino, entre outros, e que eram um cruzamento entre o cinema de arte europeu, e o cinema clássico de Hollywood. Se este filme tivesse vingado, a história do cinema seria muito diferente hoje em dia.

Silverado (Silverado) 1985
Kevin Kline, Scott Glenn, Kevin Costner e Danny Glover são quatro heróis involuntários que têm no seu caminho a esquecida Silverado, a cidade em que os seus pais vivem e que foi tomada por um xerife corrupto e por um cruel ladrão de terras. Está nas suas habilidades com as armas a salvação da cidade. Mas primeiro eles têm que tirar uns aos outros da cadeia e aprender quem são os seus verdadeiros amigos.
"Silverado" era um retrocesso do Western que não se incomodava de  tentar reinventar o género numa nova fórmula. Abrange todos os velhos clichés e fórmulas dos velhos tempos, actualizando-os com uma nova geração de estrelas que não cresceu a vê-los. Na altura do seu lançamento foi considerada uma grande revisão, mas com o passar dos anos, e a quantidade de tempo entre o seu lançamento e o declínio do western, já não parece um filme tão importante.
Mesmo assim merece ser visto ou revisto, não só pelo realizador, Lawrence Kasdan, como pelo fantástico elenco, que para além dos nomes mencionados em cima, contava ainda com John Cleese, Rosanna Arquette, Brian Dennehy, Jeff Goldblum, Linda Hunt, Jeff Fahey,  entre outros.

O Bando de Jesse James (The Long Riders) 1980
"The Long Riders" era mais uma entrada (entre muitas) nos westerns sobre o bando dos irmãos James-Younger, os famosos assaltantes de bancos, mas também um dos esforços mais interessantes para cobrir o território. O realizador Walter Hill tem um dos seus melhores trabalhos por trás das câmeras, o seu primeiro filme directamente no território do Western, com um certo pendor Peckinpah-esque (talvez um pouco demais, até) capturando a brutalidade e a violência sangrenta do pistoleiro ocidental. Hill tem fama de ser o verdadeiro sucessor de Peckinpah, a até chegaram a trabalhar juntos, e, definitivamente, este foi dos filmes que mais ajudou para o mito. 
Grande parte do filme conta a história da queda do bando dos irmãos James-Younger, como a agência de detetives Pinkerton conseguiria apanhá-los nas suas casas das famílias do Missouri, enquanto os cofres tornavam-se cada vez mais difíceis de arrombar. Para dar maior realismo, o elenco de irmãos na tela é interpretado por irmãos na vida real - os três Carradines (David, Keith e Robert) como os Youngers, os dois Quaids (Dennis e Randy) como o Millers, e dois Keaches (Stacy e James) como os irmãos James. Mesmo o elenco de apoio tem irmãos na forma de Christopher Guest e Nicholas Guest como os irmãos Ford. Curiosamente, os irmãos não são pintados nem como bons, nem como maus, eles têm respeito uns pelos outros, mas irão cometer alguns atos hediondos, incluindo assassinatos, que só pode ser visto como repreensível. 
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O Último Filme (The Last Movie) 1971

Um filme rodado no Perú corre extremamente mal quando um actor morre numa sequência de duplos, e um dos profissionais, Kansas (Dennis Hopper), decide desistir da produção e ficar numa aldeia, para se envolver com a prostituta Maria. Mas os seus sonhos de uma existência sem problemas são interrompidos quando o padre da aldeia lhe pede ajuda para fazer com que os habitantes da aldeia não se matem uns aos outros, ao tentar encenar as cenas do filme.
Depois do sucesso de "Easy Rider", em 1969, Dennis Hopper era o novo messias do cinema. Filme que era uma ode à contracultura, e que facturou 50 milhões de dólares, provocando uma reviravolta na indústria. Hopper ficou com carta livre para fazer o filme que quisesse, e assinou contracto com a Universal, para realizar este "The Last Movie". Era um projecto antigo do actor, que já vinha desde 1958, que só agora conseguia meter em produção. O argumento era escrito a meias com Stewart Stern, o argumentista de "Rebel Without a Cause", onde Hopper também colaborara.
Com um orçamento de mais de um milhão de dólares, mais do que o dobro de "Easy Rider", Hopper construiu cenários a mais de quatro mil metros de altitude, envolvendo alguns amigos, entre os quais Peter Fonda e Samuel Fuller, que também participaram nas rodagens. A montagem do filme demorou mais de um ano, para terminar com uma narrativa difícil, onírica, e fragmentada.
Apesar de ter ganho um prémio em Veneza, o filme foi massacrado pela crítica e pelo público, saíndo das salas de cinema em apenas duas semanas. Diz-se que Hopper até foi agredido na estreia, por uma estudante. Mesmo assim, ainda houve quem considerasse o filme visionário, muito à frente no seu tempo.

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terça-feira, 31 de março de 2015

Amantes em Veneza (Blume in Love) 1973



Stephen Blume (George Segal), é um advogado, de meia idade, especialista em divórcios. Vive numa situação paradoxal quando, depois de ver o seu casamento terminado, ainda está apaixonado pela sua mulher (Susan Anspach).
"Blume in Love" é uma meditação, essencialmente benigna sobre os relacionamentos confusos, num tempo em que muitas pessoas viviam com a sensação de "vale tudo". Paul Mazursky é um realizador com um "toque" muito próprio, que permite que o seu grupo de actores se aproximem do comportamento humano naturalista, mas ainda assim mantém o suficiente para seguir uma narrativa em movimento. Se há alguma sátira aqui, é filtrada atavés de uma sensibilidade que respeita os personagens, e coloca os seus sentimentos em primeiro lugar.
"Blume in Love" é também um conto sobre um homem com um coração destroçado que se torna um náufrago apaixonado e encontra o perdão. Todos aqueles que viveram por uma crise pessoal semelhante reconhecerão o final romântico de Mazursky. O filme é notável pelo que alcança na área de redefinir o que significa o casamento. Alimenta uma discussão interessante sobre como duas pessoas gerem as suas expectaticas da relação, e como essas percepções podem levar uma ruptura entre marido e mulher.
O elenco de secundários inclui alguns nomes interessantes: Kris Kristofferson, Marsha Mason, Shelley Winters, e o próprio realizador.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Comboio dos Duros (Convoy) 1978


Convoy é talvez um dos mais estranhos filmes do final dos anos setenta sobre caminonistas e os ataques à autoridade, com um enredo confuso, e o facto do filme pisar uma linha, não muito bem definida, entre a auto-paródia e a auto-importância. Talvez devemos considerar que a saúde de Peckinpah nos últimos anos da sua vida, e as histórias sobre o abuso de substâncias ilegais, acabam por fazer alguma mossa na carreira do realizador. É relatado que o actor James Coburn rodou uma boa parte da longa-metragem como segundo realizador, quando Peckinpah não se sentia à altura da tarefa.
Kris Kristofferson desempenha um camionista durão, que ganha a vida nas estradas dos Estados Unidos, fazendo amigos e amantes, ao longo do caminho. Um dia, ele e os amigos, são incomodados por um xerife corrupto (e racista), Lyle (Ernest Borgnine), que leva o seu dinheiro, até ao momento da vingança, depois de uma gigante parada de camiões. Na luta contra as autoridades rapidamente Rubber Duck (Kristofferson) se torna um herói para outros camionistas, que rapidamente se envolvem em ajudá-lo, seguindo a sua liderança num comboio que se estende por mais de um quilómetro.
Provavelmente o motivo porque este filme foi feito, foi o sucesso de "Smokey and the Bandit", que contava uma história muito semelhante, de um bandido desportivo, que alcançava muitos corações por causa da sua indefinição com a lei, fazendo com que as pessoas o ajudassem sempre que podiam. As comparações acabam aqui. Onde Smokey conseguia um charme irreverente, Convoy vacilava, levando a sua própria história muito a sério, apesar do ridículo dos muitos eventos que aconteciam. Com o passar dos anos, este filme ganhou um estatuto de filme de culto para os nostálgicos dos anos 70, assim como para os fanáticos de Peckinpah, que provavelmente viam-no como uma curiosa obra-prima. O verdadeiro valor do filme, talvez seja algo a meio caminho de tudo isto que falei, no entanto vale a pena ser descoberto.

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