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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

O Homem das Pistolas de Ouro (Warlock) 1959

A cidade de Warlock é atormentada por um gang, levando os moradores a contratarem Clay Blaisdell, um pistoleiro famoso, para interceder como marshall. Quando Blaisdell chega, vem acompanhado pelo amigo Tom Morgan, um jogador que é extraordinariamente protetor da vida e da reputação de Blaisdell. Entretanto, Johnny Gannon, um dos antigos fora-da-lei, oferece-se para aceitar o cargo de xerife oficial por rivalidade com Blaisdell, e uma mulher chega à cidade acusando Blaisdell e Morgan de terem assassinado o seu noivo. O palco está montado para um conjunto complexo de conflitos morais e pessoais. 
Apesar dos seus primeiros filmes lidarem mais com diversas questões sociais, o trabalho posterior de Edward Dmytryk, particularmente as produções de grande orçamento em CinemaScope, muitas vezes apresentavam elementos de injustiça em escala mais épica. "Warlock" lida com os habitantes insignificantes de uma pequena cidade, mas o brilho de uma grande fotografia em widescreen trai um pouco a verdadeira intimidade do drama. A realização de Dmytryk, no entanto, mantém um equilíbrio sólido de ação, tensão constante, e o tumulto de duas linhas de personagens específicos: Henry Fonda com a sua raça de homem da lei contratado, e Richard Widmark a superar a pressão dos colegas, assumindo na comunidade uma vital posição para o benefício da cidade. Adaptado da novela de Oakley Hall, pelo argumentista Robert Alan Authur, este é um western agradável evocando generosamento os conflitos e a ação do incidente de OK Corral, embora por outras palavras. 
O elenco é magnifico, e conta com caras conhecidas, como Richard Widmark, Henry Fonda, Anthony Quinn, Dorothy Malone, e Dolores Michaels.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Shalako (Shalako) 1968



Baseado num romance de Louis L'Amour, Shalako é passado no Novo México, nas terras da reserva Apache, onde um grupo de caçadores europeus de elite alegremente ignora repetidas advertências de que estão em perigo de um ataque indio iminente. Passado nas ruínas de um forte, Shalako (Sean Connery, com um sotaque escocês intacto) faz o seu melhor para preparar a burguesia arrogante e ignorante. Deixa-os então com o guia Fulton (Stephen Boyd), na esperança de chegar a um posto do exército e regressar com soldados antes dos caçadores brancos serem mortos. No entanto, quando a situação no forte se deteriora, Shalako regressa numa tentativa desesperada de levar os europeus através do território indígena para um local de segurança.
Na esteira do sucesso dos Westerns espanhois, alemães, e, principalmente, italianos, os Euro-Westerns de maior orçamento tornaram-se inevitáveis. A natureza intrínseca destas produções intercontinentais é compensada com uma história muito bem contada. Shalako tem um realizador norte-americano (Edward Dmytryk), tem actores escoceses, franceses e alemães, exteriores espanhóis e interiores britânicos. Os créditos identificam-no como uma produção britânica, apesar de dinheiros franceses e alemães e, possivelmente, poderem ter sido envolvidos no projeto. Embora tais produções cinematográficas muitas vezes acabem em desastre, Shalako funciona muito bem. A dicotomia dos ricos, europeus impecavelmente vestidos, com seu desgaste formal, porcelanas finas, e jóias, faz um contraste interessante com o sujo, rude cowboys americano. O cerco do forte é bem dirigido, cheio de acção e suspense críveis. 
O que parece ter decepcionado o público em 1968 foi a falta de química entre Connery e a co-estrela Brigitte Bardot, que interpreta uma condessa que se apaixonava por Shalako. Bardot, entrando no seu período de rosto pálido e activista dos animais, tem cabelo e maquilhagem singularmente anacrónicos.  
O elenco é extremamente interessante, e conta ainda com Jack Hawkins e Woody Stroode. 

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Batalha de Anzio (Anzio) 1968



Produzido por Dino De Laurentiis e centralizado numa das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial, Anzio tem Robert Mitchum como Dick Ennis, um correspondente americano da guerra que se vai juntar aos Aliados em Janeiro de 1944, o durante o desembarque no porto da cidade italiana de Anzio. Uma vez que as tropas estão em segurança em terra, Ennis, acompanhado pelo Cabo Rabinoff (Peter Falk) e pelo soldado Movie (Reni Santoni), têm um jeep à sua disposição para encontrar a estrada para Roma, sem a oposição alemã em qualquer lugar à vista. Ele relata as suas descobertas ao General Lesley (Arthur Kennedy), que, temendo uma armadilha, decide não avançar, mas ficar parado em Anzio e fortalecer a ponte. A sua hesitação dará tempo ao inimigo tempo para se reagrupar, levando a um confronto, que acabará por custar aos Aliados milhares de homens.
Anzio tem as suas fraquezas, uma das quais logo nos momentos iniciais do filme. Trata-se da balada que toca durante os créditos iniciais, uma música intitulada "This World is Yours", cantada por Jack Jones. Outra falha que assombra continuamente o filme, no entanto, é sua inclinação anti-guerra, que ocasionalmente espreita através da forma de diálogo enfadonho que nunca se sente ser genuíno. Ao discutir os objectivos da guerra com o General Lesley, Ennis revela o motivo pelo qual ele continua como um correspondente. "Eu tenho que responder a uma pergunta que tem sido feita por mim desde que vi o meu primeiro homem morto. Por que fazemos isto? Porque as pessoas se matam umas às outros?"
Anzio compensa estas falhas graças a algumas cenas de batalha emocionantes, muitas vezes acompanhadas pela banda sonora empolgante do compositor Riz Ortolani. Há uma sequência tensa em que as tropas americanas caminham para a direita numa emboscada alemã, com alguns snipers Nazis a brilharem. Estes momentos, junto com a bela paisagem italiana e um desempenho sólido de Peter Falk (que, supostamente, estava tão descontente com o argumento que acabou por escrever o seu próprio diálogo), Anzio é um filme que, embora não seja perfeito, é divertido o suficiente para valer uma atenção, bem como uma recomendação.

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Alvarez Kelly (Alvarez Kelly) 1966



Alvarez Kelly (1966) conta-nos a história de um senhor do gado cuja manada se torna objeto de uma guerra entre a União e as forças Confederadas durante os dias em que os alimentos eram escassos na altura da Guerra Civil Americana. A história seria banal se não fosse pelo seu herói do mesmo nome, também conhecido como o Señor irlandês. Em contraste com os outros personagens, que prestam serviço sincera e inquestionavelmente para o cada lado da Guerra Civil, Kelly tem um relacionamento complexo e crítico para com os Estados Unidos.
Alvarez Kelly é um cowboy que acabou de pastorear durante três meses o seu gado através das pradarias para entregá-lo ao coronel da União Albert Steadman. Para sua decepção, Steadman informa-lhe que ele é quem agora vai levá-los de comboio para Richmond, na Virginia. Os homens discutem, mas Steadman aponta-lhe para as suas obrigações contratuais para entregar o gado para a área considerada mais urgente. Kelly acaba por concordar e leva os novilhos para leste, deixando claro que ele não dará o mínimo para quem ganhar a guerra, e só quer receber o seu salário. Ficamos a saber que ele anda envolvido na guerra da especulação, comprando gado por US $ 2 por cabeça e a vendê-los por US $ 20. Mas Kelly não é apenas um bom negociante renegado. A sua maneira inteligente de falar, salpicada com observações sarcásticas, dão indícios de que as suas motivações são mais complexas do que parecem. 
Uma história decente, um bom realizador e uma dupla de protagonistas sólida em William Holden e Richard Widmark são as coisas que mais jogam a favor deste western, "Alvarez Kelly". Mas há uma coisa que vai contra o filme. Apesar do filme ter quase 2 horas, os primeiros 80 minutos andam em círculos, estabelecendo personagens, mas na verdade não movendo a história para diante. O filme acorda para uma conclusão cheia de acção empolgante. A sua salvação é que as cenas de ação do final dão um novo sopro de vida. Caso contrário, a película seria feita por um argumento confuso que nunca funcionaria. Supostamente baseado num incidente verdadeiro da Guerra Civil, durante o cerco de Richmond.

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Miragem (Mirage) 1965



As coisas estão muito confusas para David Stillwell quando uma falha na sua memória parece coincidir com um corte de energia num grande edifício. De repente, consciente de que tem vivido nos últimos dois anos numa névoa mental, sem amigos ou um conhecimento concreto do seu trabalho, Stillwell contrata um detetive particular para descobrir o que lhe aconteceu. Gregory Peck é o protagonista em Mirage, um filme sinuoso do suspense da década 60 pelo realizador Edward Dmytryk, que também é interpretado por Diane Baker e Walter Matthau. 
Stillwell de súbito desperta e torna-se ainda mais confuso por todos aqueles ao seu redor, muitos dos quais parecem cumprimentá-lo como um amigo.A mais intrigante é Sheila (Baker), uma mulher com quem Stillwell pode ter partilhado um passado romântico. Sheila garante a Stillwell que ele só está vivo porque não se lembra do passado, e menciona que "o Major" quer alguma coisa dele. Depois de, sem êxito o tentaram levar ao Major, Stillwell contrata um detetive inexperiente Ted Caselle (Matthau) para encontrar algumas respostas.
A cena de abertura no escuro arranha-céu é excelente, e estabelece um clima de paranóia e confusão. Os rostos que aparecem da escuridão são análogas às memórias difusas voando de regresso para Stillwell. Um homem sem memória realmente está numa situação difícil. Stillwell tenta ver um psiquiatra, mas o médico está convencido de Stillwell está a tentar usá-lo para criar uma defesa criminal. Mas, Caselle é mais astuto do que parece à primeira vista, e vê um homem rejeitado em Stillwell.  
As voltas e reviravoltas de Mirage são brilhantes, pelo menos durante a primeira metade do filme. O realizador Edward Dmytryk usa cortes de cenas anteriores para enfatizar a confusão mental de Stillwell, que é agravada quando um homem que era suposto ser o seu chefe se atira de uma janela. Mirage é mais eficaz quando mantém o público tão confuso como Stillwell, e só vacila quando começa a acumular nas explicações complicadas na segunda metade. Quando a percepção e a realidade colidem, Mirage expõe vários buracos no enredo questionáveis ​​que travam o seu impacto ligeiramente. 

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Para Onde Foi o Amor (Where Love Has Gone) 1964



Um brutal esfaqueamento coloca a história em movimento. A rica escultora Valerie Hayden (Susan Hayward), do influente San Francisco Haydens, testemunha o esfaqueamento até à morte do seu amante, pela histérica filha de 15 anos de idade, Danny (Joey Heatherton). Ellis (George Macready), o frio e sombrio advogado da igualmente imperiosa matriarca Hayden, a Sra. Gerald Hayden (Bette Davis), chama o pai de Danny, o construtor Lucas Miller (Mike Connors), que vive e trabalha no Arizona, para chegar rapidamente a Frisco. A Lucas é contado por Ellis que a sua presença é estritamente necessária para o espectáculo, por assim dizer, para dar a ilusão de uma família unida quando os tribunais começarem o processo do julgamento. Divorciado de Valerie, Lucas detesta a sua ex-sogra, quase tanto como ela o detesta a ele, mas ama a filha (com quem nunca teve contato), então vai ajudar neste plano.
Edward Dmytryk, junto com o mesmo argumentista de "The Carpetbaggers", John Michael Hayes (Janela Indiscreta), adapta outro romance violento e sexy de Harold Robbins. Para quem não sabe, Robbins era o rei das famosas "novelas de aeroporto" de bolso, cheias de glamour a fazer coisas sujas, sórdidas exemplificadas em posteriores adaptações gráficas para o cinema como "The Adventurers", "The Betsy", e o inspirador "The Lonely Lady". "Where Love Has Gone" ainda resiste bem em comparação com os filmes anteriores, em grande parte graças à relação de adversárias na vida real de Susan Hayward e Bette Davis, ambos a rasgarem o cenário em pedaços durante duas horas.
Embora os produtores negassem na altura, toda a gente sabia que esta história tinha sido inspirada por um dos escândalos mais famosos de Hollywood, de 1958, o esfaqueamento até à morte do amante de Lana Turner, Johnny Stompanato, pela sua filha, Cheryl Crane. Um banquete saudável de voltas e reviravoltas no argumento e personagens enlouquecidas, o filme proporciona enormes quantidades de entretenimento. Dmytryk, mais tarde voltou a trabalhar com Heatherton no gótico "Barba Azul", em 72. Inimigas ou não, é muito divertido ver Hayward e Davis nas suas cenas juntas, facilmente ofuscando o resto do elenco (que inclui também uma série de atores secundários respeitáveis como Whit Bissell, George Macready, Jane Greer, DeForest Kelley e Ann Doran).

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Os Insaciáveis (The Carpetbaggers) 1964



A tagline original para The Carpetbaggers declara: "Este é o entretenimento adulto!" Mas o que constituiu "entretenimento adulto", em meados da década de 1960 era complicado para os Códigos de Produção, Hollywood gerou diretrizes de padrões e normas para o conteúdo dos filmes no auge da era dos estúdio. Em 1964, no entanto, o Código foi sendo desafiado por uma série de prestígiosas adaptações teatrais e literárias, e a forma mais prevalente de entretenimento "adulto", lançado por Hollywood foi exemplificado por filmes como The Carpetbaggers.
No entanto, ao mesmo tempo que promete conteúdos "adultos", tais como situações sexuais explícitas, diferentes graus de nudez e violência gráfica, The Carpetbaggers não pode escapar inteiramente ao código de ética, e oferece esses elementos apenas superficialmente. Típico das tentativas da indústria na altura de gerenciar o conteúdo polémico, oferecendo uma trama simplista, as relações sexuais relativamente castas e uma moralidade pesada. 
Adaptado de um romance de Harold Robbins (declaradamente inspirado na vida de Howard Hughes), o filme começa nos anos 20, com o jovem Jonas Cord (George Peppard) a tomar conta do negócio químico da família depois da morte repentina do seu pai (Leif Erickson), causada por um ataque cardíaco. Jonas insensivelmente dá a notícia à sua madrasta e ex-namorada, Rina (Carroll Baker), que trocou Jonas pela riqueza e poder do seu pai. Jonas nunca lhe perdoou ou ao seu pai pela traição e anuncia que vai-se vingar na altura que lhe apetecer. Aqui, a excitação do desejo sexual incestuoso e sede de sangue combina com uma clara referência ao drama grego clássico numa curiosa mistura de drama, suspense e sexo que só Hollywood poderia fazer.
O que significa o sucesso, segundo The Carpetbaggers? Poder, dinheiro e sexo. Hollywood tem frequentemente tentado dramatizar a questão, muitas vezes utilizando a própria instituição de Hollywood como o ponto focal. Superficialmente, The Carpetbaggers é um filme inofensivo, um estimulante suave, possivelmente exagerado na adaptação de um romance com o mesmo sentimento. E ainda assim este filme aborda tanto e replica elementos mais obscuros da crueldade do American Dream, da ganância e do vazio moral do capitalismo de questões ainda no centro do debate nacional e da consciência popular. 

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O Santo Relutante (The Reluctant Saint) 1962



Tal como o seu protagonista, Saint Joseph Desa of Cupertino, em grande parte da vida e na maior parte do filme, esta obra de Edward Dmytryk, de 1962, The Reluctant Saint é um filme modesto, que atraiu pouca atenção, mas que tem mais a oferecer do que aparenta. As críticas não foram favoráveis para o filme na altura da sua estreia. Como Les e Barbara Keyser escreveram no Hollywood and the Catholic Church, uma crítica reclamando o comportamento desajeitado da estrela do filme Maximilian Schell, que parecia mais um pastelão do que outra coisa, e um crítico do Saturday Review que considerou a sequência final humoristicamente edificante como uma cena digna de um Laurel e Hardy.
Estas queixas evidenciaram um mal-entendido do filme quase tão notável como o mal-entendido do assunto pelos seus contemporâneos. É verdade que The Reluctant Saint, sendo uma produção respeitosa, é marcada por um humor grosseiro e uma ausência da gravidade reverente digna das típicas produções devotas da Idade de Ouro de Hollywood. Por exemplo, a heroína de The Song of Bernadette também era uma camponesa analfabeta, que foi incompreendida e maltratada pelos seus vizinhos - mas ela sempre manteve a compostura e serenidade.
Apesar de muito diferente no humor de The Song of Bernadette ou BecketThe Reluctant Saint não é frívolo nem deixa de ser sério. Em certos aspectos sentimos algumas semelhanças a filmes como "Francis of Assisi" do ano anterior e realizado por Michael Curtiz, ou o excelente filme italiano neo-realista de Roberto Rosselini "Francesco, giullare di Dio" - um filme que, de acordo com seu título original, oferece uma representação levemente cómica dos primeiros franciscanos como sendo de raciocínio lento, "loucos santos", muito dados a tropeçar nos seus esforços para seguir os passos de Francisco.
Na verdade, dado o contexto franciscano de St. Joseph, The Reluctant Saint quase que poderia ser visto como uma sequela espiritual do filme de Rosellini. Filmado em exteriores na região de Lazio, em Itália, com um elenco de apoio de actores italianos, este filme evoca um autêntico senso de tempo e lugar iludindo a maioria das produções de Hollywood do período da Golden Age. Como os filmes de Rossellini e outras obras de neo-realismo italianoThe Reluctant Saint mostra-nos um camponês italiano, com autenticidade e persuasivos detalhes.
O filme é baseado na vida de São José de Cupertino, no início do século 17 , conhecido como o santo dos pilotos por causa de suas levitações milagrosas. Ele é retratado como um trapalhão quase idiota, que é um íman para entrar em sarilhos. Mas a sua mente era como um vaso vazio preenchido apenas com a graça de Deus, que abriu o caminho para a sua eventual canonização. Por incrível que pareça, mais milagres são atribuídos a este simples homem do que a qualquer outro santo. Edward Dmytryk dirige este filme biográfico religioso, inspirador e comovente de uma forma simples e directa com paixão e sem segundas intenções. É baseado em "The Saint of the Satellites", embora tenha um pouco de ficção semi-biografia engraçada e comovente de São José de Cupertino, escrito por John Fante e José Petracca.

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domingo, 1 de setembro de 2013

Restos de Um Pecado (Walk on the Wild Side) 1962



O início dos anos 1960 foram anos de incerteza para os estúdios de Hollywood que ainda ficavam com um pé na idade de ouro, e outro provisoriamente num ambiente mais permissivo em termos do tipo de temas que eram aceitáveis ​​na tela. Em 1961, a peça de Lillian Hellman, The Children's Hour foi filmada pela segunda vez, desta vez por William Wyler, com referências muito mais explícitas ao tema do lesbianismo do que tinha sido possível anteriormente. O filme seguinte na esteira era "Walk on the Wild Side", produzido por Charles Feldman para a Columbia. Foi adaptado de um romance de Nelson Algren, mas como era comum, pouco do romance real aparecia adaptado no filme.
A história diz respeito a um jovem texano, Dove Linkhorn. Depois da morte do seu pai, Dove deixa a casa para procurar o amor perdido, Hallie Gerard, a quem ele acredita estar em Nova Orleans. Dove (Laurence Harvey) é transformado num homem com uma missão, viajando para New Orleans para se reunir com o verdadeiro amor (Capucine). No caminho, ele encontra conspirações na adolescente vagabunda Kitty Twist (Jane Fonda), que o ajuda a apanhar boleia para o Big Easy. Enquanto isso, Hallie trabalha num elegante bordel chamado Doll House, dirigido com punho de ferro pela madame Jo (Barbara Stanwyck). 
Os amantes estão finalmente reunidos, embora Hallie parta o coração de Dove quando ele descobre o que ela faz por causa do dinheiro. Ele promete tirá-la desta vida, mas a gestora do bordel é vingativa e relutante em deixar Hallie partir, e emprega Kitty num plano para chantagear Dove. O filme termina com uma nota sombria, atípica para a sua época, mas também tranquiliza o espectador que todos os culpados foram devidamente punidos.
Fielmente traduzido para a tela, Walk on the Wild Side seria um caso sério, em 1962, para os reestritos Production Codes, se estes estivessem em pleno vigor. No entanto, são menos as descrições explícitas da pobreza e de casas de prostituição, e mais o ponto de vista das pessoas que habitam este mundo. Walk on the Wild Side ainda assim é um filme do máximo interesse, e a sua frieza é surpreendente. A Hallie de Capucine deve ser uma das protagonistas românticas mais deprimidas da história, e o final é brutalmente angustiante. Mas o destaque vai também para a abertura ultra-sexy de Saul Bass e na sequência de créditos finais, que seguem um gato preto através das ruas de New Orleans, e entra numa violenta briga com um gato rival.
Legendas em espanhol.

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O Homem das Pistolas de Ouro (Warlock) 1959



A cidade de Warlock é atormentada por um gang, levando os moradores a contratar Clay Blaisdell, um pistoleiro famoso, para interceder como marshal. Quando Blaisdell chega, vem acompanhado pelo amigo Tom Morgan, um jogador que é extraordinariamente protetor da vida e da reputação de Blaisdell. Entretanto, Johnny Gannon, um dos antigos fora-da-lei, oferece-se para aceitar o cargo de xerife oficial por rivalidade com Blaisdell, e uma mulher chega à cidade acusando Blaisdell e Morgan de terem assassinado o seu noivo. O palco está montado para um conjunto complexo de conflitos morais e pessoais.
Apesar dos seus primeiros filmes lidarem mais com diversas questões sociais, o trabalho posterior de Edward Dmytryk, particularmente as produções de grande orçamento em CinemaScope, muitas vezes apresentavam elementos de injustiça em escala mais épica. "Warlock" lida com os habitantes insignificantes de uma pequena cidade, mas o brilho de uma grande fotografia em widescreen trai um pouco a verdadeira intimidade do drama. A realização de Dmytryk, no entanto, mantém um equilíbrio sólido de ação, tensão constante, e o tumulto de duas linhas de personagens específicos: Henry Fonda com a sua raça de homem da lei contratado, e Richard Widmark a superar a pressão dos colegas, assumindo na comunidade uma vital posição para o benefício da cidade. 
Adaptado da novela de Oakley Hall, pelo argumentista Robert Alan Authur, este é um western agradável evocando generosamento os conflitos e a ação do incidente de OK Corral, embora por outras palavras. O elenco é magnifico, e conta com caras conhecidas, como Richard Widmark, Henry Fonda, Anthony Quinn, Dorothy Malone, e Dolores Michaels.

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sábado, 31 de agosto de 2013

Os Jovens Leões (The Young Lions) 1958



The Young Lions conta-nos a história da 2ª Guerra Mundial de ambos os pontos de vista (americano e alemão). No início do filme, em 1937, o jovem alemão Christian Diestl (Brando), um instrutor de ski, sente-se atraído por uma jovem americana, mas esta retrai-se ao perceber que ele sinceramente acredita nas boas intenções de Hitler. Com a queda da França, em 1940, toda a Europa se curva ante o invasor nazi e Christian torna-se um oficial. Pelo lado americano, Michael Whiteacre (Dean Martin), uma estrela da Broadway, e o jovem judeu Noah Ackerman (Montgomery Clift) envolvem-se na luta, tornando-se amigos.
Edward Dmytryk faz um bom trabalho na adaptação do bestseller aclamado de longa duração de Irwin Shaw sobre a WWII para a tela, embora a narrativa seja um pouco desigual. Edward Anhalt escreve o argumento e o filme é rodado a preto-e-branco e em Scope.
Um filme que realmente coloca o caráter acima de tudo, esta obra examina três homens e os seus problemas comuns - com mais frequência com as mulheres - que os unem. Declarações ousadas sobre a abordagem e os motivos para a guerra dos indivíduos estão colocados em diálogos realistas e comoventes. Enquanto filme anti-guerra, é uma abordagem justa e equilibrada sobre o assunto que permite ver as coisas através dos olhos e das vidas dos personagens, e permite que o público faça a sua própria opinião sobre as coisas. Isto não quer dizer que seja um filme estritamente intelectual, mas a ação não é tão visceral como em muitos outros filmes de guerra. Talvez por causa do envolvimento do realizador com o HUAC, o filme foi ignorado em 1958 e caiu em relativa obscuridade, mas merece sempre ser redescoberto.
É contado que Clift ficou chateado por Brando ter interpretado um papel de Nazi pacifista, como ele ridicularizou os objetivos narcisistas e o método do ator. Neste filme, Clift desempenha intensamente o seu papel de forasteiro judeu angustiado preenchido com uma mistura de emoção e otimismo. Brando pode ter um sotaque alemão vistoso, mas é o desempenho sensível do Clift que traz maior profundidade do que o personagem de Brando. Dean Martin assume o seu primeiro papel sério depois de romper com o parceiro comediante Jerry Lewis.Alguns actores europeus faziam aqui a sua estreia em filmes americanos, como May Britt, Maximilian Schell, Dora Doll, Liliane Montevecch.

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A Árvore da Vida (Raintree County) 1957



O abolicionista John Wickliff Shawnessy afasta-se da sua namorada do colegio Nell Gaither e entra num caso de amor apaixonante com uma rica senhora de New chamada Susanna Drake, mas é levado a casar-se com ela quando esta falsamente lhe diz que está grávida. Mas mesmo depois de Susanna lhe dizer a verdade ele continua com ela por amor. John descobre que Suzana esconde um segredo obscuro que a leva à loucura. Esta loucura provoca Susanna a fugir para o sul durante a guerra civil levando o filho com ela. John sai de casa para se alistar no Exército do Norte como o único meio para encontrar Susanna.
Dirigido por Edward Dmytryk, com argumento de Millard Kaufman (Take a High Ground! (1953) e Bad Day at Black Rock (1955)), este filme sobre a era da guerra civil recebeu quatro nomeações ao Oscar, incluindo uma para Elizabeth Taylor como Melhor Atriz. O elenco também inclui Montgomery Clift, Eva Marie Saint, Nigel Patrick, Lee Marvin, Rod Taylor, Agnes Moorehead, Walter Abel, Tom Drake, Rhys Williams, e até mesmo DeForest Kelley (Dr. McCoy em Star Trek), entre outros. O filme é longo (quase três horas de duração), um pouco lento, e sofre não só do acidente de carro de Clift durante a rodagem do filme, que lhe provocou uma representação inibida, mas também de uma conclusão pouco satisfatória.
Schary Dory, chefe de produção da MGM, pensou que este best-seller de 1948, de Ross Lockridge Jr. seria a sua resposta para Gone With The Wind. O romance é um longo conto de divagação da vida de uma pequena cidade em Indiana, em meados do século 19. Logo depois do livro ser publicado Lockridge, aos 33 anos, suicidou-se, sofrendo de uma depressão. O argumento Millard Kaufman preocupava-se com as esperanças não cumpridas e os sonhos não realizados de um pequeno grupo de cidadãos comuns. Dmytryk dirigiu este épico romântico de grande orçamento que custou ao estúdio quase seis milhões de dólares (Gone With the Wind custou apenas cinco milhões, apesar de ter sido feito alguns anos antes). O filme vale sobretudo pelo seu guarda-roupa esplêndido e o uso de câmeras de 70 milímetros - apelidadas de "Câmera 65".
Só consegui o filme com legendas em inglês.

Parte 1
Parte 2 
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of God) 1955



"The Left Hand of God" é um drama extremamente peculiar, em parte devido à decisão do argumentista Alfred Hayes em se concentrar quase que exclusivamente em cenas de personagens, apesar do cenário da Revolução Chinesa marginal durante o final dos anos quarenta, e a névoa perceptível da tristeza circundante no seu elenco principal: era o antepenúltimo filme de Humphrey Bogart, e o canto do cisne da carreira de Gene Tierney, antes de travar uma luta com a doença mental que a manteve fora da tela durante sete anos. 
Um homem com vestes sacerdotais, aparentemente o tão esperado Father O'Shea, chega a uma missão católica pouco frequentada, na China de 1947. Embora o homem pareça curiosamente desconfortável com os seus deveres sacerdotais, as suas tácticas duras são muito bem sucedidas nas Sete Aldeias, enquanto à volta deles a China se desintegra numa guerra civil e numa revolução. Mas ele tem um segredo, e a sua amizade com a enfermeira da missão Anne (uma viúva bastante atraente) parece estar a tomar um rumo pouco vulgar...
Uma produção menor do que outros filmes de estúdio "asiáticos" do período - como " Inn of the Sixth Happiness (1958)" do produtor Buddy Adler,  ou Love is a Many-Splendored Thing (1955) - a maioria dos cenários são compactos, levando a suspeitar que o filme nunca foi feito para ser mais do que uma obra de nível médio, num filme interpretado por duas estrelas de Hollywood em decadência: Humphrey Bogart e Gene Tierney. "Left Hand of God" poderia facilmente funcionar como uma peça de teatro, mas Dmytryk e o diretor de fotografia Franz Planer (20.000 Léguas Submarinas) quiseram investir cuidadosamente na organização de planos para manter a intimidade das personagens, apesar do scope largo.
Algumas sequências de flashback quebram com as cenas de interiores, e a viagem de Jim para uma missão protestante nas proximidades também introduz uma nova ameaça - a exposição e a vingança da igreja - mas Jim descarrega toda a tensão ao admitir que ele é um impostor para o reverendo Marvin (personagem do veterano actor Robert Burton). É mais uma volta estranha na adaptação do romance de William Barrett Hayes, mas faz sentido em termos de manter o drama focado em Jim, e mantendo o foco da trama num  eventual confronto entre ele e Yang (Lee J. Cobb).

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