Little Italy, cidade de Nova York. Charlie (Harvey Keitel) trabalha ao lado do tio, um mafioso respeitado, coletando pagamentos e realizando cobranças. Enfrenta o descontentamento da sua família, devido à relação que mantém com Teresa (Amy Robinson). Charlie, na verdade, não nasceu para o crime e deseja iniciar uma vida nova ao lado da namorada. Só que Johnny Boy (Robert De Niro), o seu melhor amigo, mete-o numa enrascada quando se recusa a pagar uma dívida de jogo.
O filme que trouxe para a ribalta Martin Scorsese. Um dos seus temas principais era que pagar pelos seus pecados não era no confessionário, era nas ruas. Enquanto que Francis F. Coppola transformaria o mundo dos mafiosos com os seus dois filmes da série "O Padrinho", Scorsese concentrava-se nos criminosos menores, com os que podiamos encontrar na nossa vizinhança, que atravessavam uma linha ténue entre ser respeitáveis e fazer um dinheiro extra pelas vias menos legais.
Crú, apaixonante e agressivo. Não era o primeiro filme de Scorsese, mas foi o primeiro em que ele teve rédea solta para trabalhar, com dinheiro suficiente, e também a primeira vez que trabalhava com aquele que viria a ser o seu actor preferido, Robert de Niro. Mas aqui, Keitel é Scorsese no ecrã, um jovem italo -americano que luta com responsabilidade por uma vida melhor.
Exibido na secção Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 1974. era um filme muito importante para a nova geração de realizadores americanos.
A história de uma equipa profissional de Baseball de Nova Iorque, e de dois dos seus jogadores. Henry Wiggen (Michael Moriarty) é o arremessador e estrela de equipa e Bruce Pearson (Robert de Niro) é o apanhador, longe de ser estrela, mas amigo de todos os jogadores da equipa. Bruce descobre que tem uma doença terminal, e Henry, o seu único verdadeiro amigo, está determinado a ajudá-lo ao máximo na sua última época com o clube.
Conto sobre o mundo do baseball escrito por Mark Harris foi adaptado de uma produção televisiva da década de cinquenta, que contava com Paul Newman no principal papel. "Bang the Drum Slowly" era mais um estudo sobre uma relação entre dois homens, que por acaso eram jogadores de baseball, do que propriamente sobre desporto. Um homem que está determinado a dar ao seu amigo uns momentos de alegria nos seus últimos meses de fica, e que tem alguns momentos tristes sem caír no melodramático.
Grandes interpretações dos actores principais, Moriarty e, especialmente, De Niro, que na altura era apenas um virtualmente desconhecido, embora "Mean Streets" estreasse poucas semanas depois o que mudaria a sua carreira. Destaque também para Vincent Gardenia, como treinador da equipa, que lhe valeu uma nomeação para um Óscar.
Passado em Itália, o filme segue as vidas e interacções de dois rapazes/homens, um de origem camponesa (Gérard Depardieu), e o outro filho de um rico proprietário (Robert de Niro). O drama estende-se de 1900 a 1945, e foca-se principalmente na ascensão do fascismo, e eventual reacção dos camponeses por apoiar o comunismo, e como estes eventos moldam o destino das duas personagens principais.
Depois do sucesso do drama erótico controverso "O Último Tango em Paris", Bernardo Bertolucci finalmente teve a hipótese de fazer um filme sobre a épica história de Itália do século 20. Contando a história de camponeses e donos de terras, e as suas vidas paralelas ao longo dos anos da turbulência política, na perspectiva de dois homens diferentes. O resultado seria um filme épico, que explorava a inocência do homem na sua descoberta do sexo e da política, ao longo do século vinte.
Enquanto o filme é um drama passado nos primeiros 45 anos da Itália no século 20, é também um revisionismo histórico sobre a pobreza em no país, e a ascenção do Socialismo e Comunismo, e como o Fascismo começou. Ainda assim, o núcleo do filme centra-se nos personagens Olmo e Alfredo, e as suas vidas. Como é um filme contado em 45 anos, com a última cena a ter lugar em 1976, é contado numa escala épica, em quatro partes e dois actos. Era suposto haver um terceiro acto, passado nos anos posteriores a 1945, mas o realizador acabaria por desistir, por achar que o filme já era suficientemente longo.
O filme começa com dois jovens a explorarem inocentemente a sua sexualidade, e os seus pénis. Dois jovens não muito diferentes, mas com origens opostas, cujos ensinamentos irão marcar o desenvolvimento dos seus carácteres. Olmo apesar de ser pobre tem uma vida doméstica feliz, e torna-se um revolucionário a tentar fazer as coisas correctas pelo seu povo. Alfredo, tenta entender as alegrias da vida, apesar de não ter muito para tal, já que vida de rico nem sempre é sinónimo de felicidade. Torna-se numa pessoa fria. Ainda mais fria do que o foram o seu próprio pai, e o avô. Os dois tentam fazer a sua própria perspectiva da vida juntos, mas não o podem devido à sua educação. Principalmente por causa das situações políticas das suas vidas.
Bertolucci era ajudado por uma grande equipa de produção, que incluía banda sonora de Morricone, fotografia de Storaro, num orçamento chorudo de 9 milhões de dólares, que era muito para a altura. Apesar da sua importância histórica, acabaria por ser um flop financeiro. Mas claro, um flop bem vindo.
Nos créditos iniciais de "Raging Bull" nasce um clássico. Jake La Motta (Robert De Niro) apanhado pela luz da fotografia a preto e branco de Michael Chapman, rodopia em volta de um ringue vazio. O tema de abertura de uma banda sonora operática de Pietro Mascagni é o único acompanhamento para a solidão de La Motta. É uma sequência tão lindamente e cuidadosamente composta que parece ficar presa ao nosso cérebro todo o resto do filme.
La Motta é um boxeur peso-médio, respeitado e temido, e conhecido pela sua capacidade de levar e aguentar mais porrada do que qualquer outro pugilista.Ele quer ganhar o título pelo seu próprio mérito, sem a ajuda de qualquer outra figura do underground que habitam o Bronx, em Nova Iorque. O seu irmão Joey, (Joe Pesci) é também o seu treinador, tenta negociar a ascensão de La Motta até ao top da divisão.
Pesci e De Niro - voltariam a reunir-se 10 anos mais tarde, para outra obra prima de Scorsese, "Goodfellas" - parecem ter nascido para estes papéis. A devoção de um actor para um papel nunca tinha sido tão testada como a de De Niro. O seu retrato do paranóico e profundamente pertrubado La Motta é preparado ao mínimo detalhe em cada cena. Uma interpretação ao nível do Travis Bickle de "Taxi Driver", mas ainda mais horripilante. Para se preparar para este papel De Niro passou por uma fase de treinos muito dura e longa, tendo mesmo até participado em três combates contra lutadores profissionais, tendo ganho dois. Depois ainda teve de engordar 26 quilos para interpretar um La Motta envelhecido, num período de apenas 4 meses em que não houve filmagens.
Quando o verdadeiro Jake La Motta viu o filme, confessou ter percebido a terrível pessoa que ele realmente foi. Perguntou à sua segunda esposa (Vicki), se era realmente assim, ao que ela respondeu "Eras pior".
De Niro ganhou um mais do que merecido Óscar, para além do prémio da montagem, mas o filme acabaria por perder o prémio de melhor filme, que foi ganho por "Ordinary People", de Robert Redford. 10 anos mais tarde "Raging Bull" era considerado o melhor filme da década de 80, com toda a justiça.
Depois da estreia de "Murder a la Mod", Brian de Palma começou a fazer filmes underground bastante baratos. Os dois filmes mais notáveis do seu inicio de carreira são "Greetings" (1968), e "Hi, Mom!" (1970), que mostravam De Palma como um talentoso realizador, com um enorme sentido de tempo e lugar, e como sendo um brincalhão espiritual. Estreado apenas oito meses depois de "Murder a la Mod", "Greetings" não parecia um filme para ir muito longe, feito com apenas $39,000, não estava particularmente interessado em seguir uma trama tradicional, e foi o primeiro filme a receber a polémica classificação "X". Mas enquanto não era um sucesso de público, conseguiu acumular um milhão de dólares no box-office, estabelecendo de Palma como um talento emergente.
A trama do filme seguia três amigos Paul (Jonathan Warden), um jovem obcecado por mulheres, Lloyd (Gerrit Graham), um jovem obcecado com o assassinato de Kennedy, e Jon Rubin (Robert De Niro), um realizador que deseja transformar uma espécie de arte, com voyeurismo e pornografia, em algo que chama de “Peep Art”. Os três perseguem jovens meninas, tentam fugir à guerra do Vietname, e não ser apanhados nas suas próprias obsessões.
De Palma não esconde as suas influências, nomeadamente a influência de Hitchcock, alguns jump cuts da Nouvelle Vague, a abordagem com um sentimento verité, referências constantes a "Blow-Up", de Michelangelo Antonioni, mas a sua relização é muito mais segura do que no filme anterior. Há sempre algo a acontecer, tanto no plano geral como em fundo, que dá a De Palma a hipótese de mostrar o que está a acontecer a várias personagens ao mesmo tempo.
A sequela de "Greetings" chamava-se "Hi, Mom", e era ainda melhor. Enquanto "Greetings" colocava de Palma e De Niro, no estatuto de pessoas a seguir, "Hi Mom" elevava-os ainda mais, e deu-lhes mais hipóteses de mostrarem os seus talentos. Deixamos de seguir as co-estrelas de De Niro no filme anterior, e concentramo-nos no seu Jon Rubin, que segue o sonho de "peep artist", apanhado no mundo underground da arte, e tornando-se numa figura revolucionária da América. A primeira parte do filme é um cruzamento entre o estilo irreverente de Godard, e uma comédia. Homenagem desprezível a "Janela Indiscreta" de Hitchcock com o personagem de De Niro a tentar filmar os prédios à sua volta, para captar imagens de "momentos privados", e de jovens a despirem-se. A segunda parte do filme satiriza o cinema verité, com jovens revolucionários em Nova Iorque.
A Nova Iorque de De Palma é ainda mais bem definida aqui. O cinema verité mostra o choque entre a burguesia da cidade e os radicais de esquerda de Greenwich Village/Panteras Negras. É um mundo completamento formado, e com um mestre a explorá-lo.
"Hi, Mom!" é ainda mais episódico do que "Greeting", mas também mais engraçado e cheio de momentos de bravura. A exploração do cruzamento entre a pornografia e a mais pretensiosa arte é grande: De Niro tem uma reunião com um produtor de pornografia, que se queixa que demasiados filmes para adultos têm actrizes a quem não foi dito que tipo de personagem iam interpretar, e assim não conseguem atingir toda a sua potencialidade. O filme também reconhece todo o seu voyeurismo e artificialidade de formas diferentes: shots longos de De Niro a espiar personagens, convidando o espectador a tornar-se ele próprio um espião.
Charles Durning é outro dos protagonistas, ele que viria a tornar-se um habitual dos filmes de De Palma.
Houvepoucos filmesque criarame sustentaram umsensação de medoconstante,como a que permeiacada framede "Taxi Driver", obra-prima urbana de Martin Scorsese.Éum filme quede forma lenta equase insuportavelconstróiuma enorme tensãoaté queliteralmente explodenumclímax sangrentode violência, queera diferente de tudoo que o públicotinha visto antes.A direcçãosoberbade Scorsese-tão confiante,tão intensa na sua mistura dosclássicosde Hollywood com vários estilos europeusde novas vagas - juntamentecom o desempenhoescaldantede RobertDe Nirono papel do título, argumento fantástico dePaul Schrader,e banda sonora de BernardHerrmanassegurandoalgo único e memorável, assim comoaterrorizantee perturbador. O filmemostra-nos asórdidacidade de Nova Yorkatravés dos olhoscada vez maispsicóticos deTravisBickle(De Niro),um solitário veterano do Vietname, queé incapaz de compreendera sociedade em que vive.Um solitárioà derivado mundo, eleé o epítomeda alienação,constantemente (e muitas vezespatéticamente)tentando dar-se com os outros, masnunca conseguindo.O filme obriga-nos a seguir asubjectividadedesconcertante deBickle: estamos sempre comele, a ouvir os seuspensamentos,como ele os expõe num diárioque nunca ninguém vailer, vendoos crimes da cidadee da pobrezaatravés dos seusdevastados olhoserrantes, evê-lo afalar para si mesmono espelho,decretandodelirantespapéisde duroe praticando a confrontação. Scorsesenão poupa nadano seu retratode uma cidadeem guerra consigo próprio.Bickleé um homem doente, mas aironia é que eleestá tãodoente comoo mundoao seu redor.Capturada num estilo quase documental-realista, NovaYork éum submundo húmidoe sujo, os sinaisde néonberranteeruas mal iluminadas ondeos traficantes de drogae as prostitutasapenasse movem porentrenuvensgasosas devapor queescapa através dos buracos do esgoto das ruasmolhadas.Entendemos a fascinação perversae o ódio de Bickle,pecaminosoe contaminado,ea tensãodo filmeemerge danossacrescente percepção de queacabará porempurrá-lopara o limite. Bickleaceita um empregoa dirigirtáxis, porque não consegue dormir ànoite.Não se importa a que hora da noiteconduz, ou através de que bairros o faz.Obanco traseiroé constantemente preenchido coma escória da sociedade, seja elaum político a pegar umaprostituta,ou um maridohomicida aperseguir a suaesposa adúltera(interpretado porScorsesenumpapel particularmenteassustador).No finalda noite,Bicklelimpa osangue e o sémendobanco de trás eregressa ao pequeno apartamentodecadenteapenas com ospensamentos comocompanhia.Nunca plenamente capaz dese comunicar comalguém, exceptoele mesmo,e é por isso queos seus pensamentosirão finalmenteexplodir emviolência. É a reviravolta final, irónicamas estranhamentecompreensível, num filme que é uma descida ao inferno em linha recta, levando-nosdo um mundosuperficialdo crime e dacorrupção, para avisão do mundodeum vigilante preverso, no processo de criação de um dosretratos maisenervantes do heroísmo. Ganhou, com todo o mérito, a Palma de Ouro em 1976. No ano seguinte, conseguiria 4 nomeações aos Óscares. Mas, estava muito à frente, para ganhar algum.
Se "Os Intocáveis" prova alguma coisa, é que, secolocarmos muitagente talentosaa trabalhar em conjunto, o mais certo é que os bons resultados sejamobrigados a surgir.Este é o equivalentede Hollywood aoAll-Star Game, com um elenco e uma equipaselecionadospelas suas habilidades, para oprojeto em mãos.O diálogo do estimado argumentista DavidMamet,faz com queBrianDe Palma tenha um argumento perfeitamente adequado para as suas virtudescinematográficas. EmboraHarrisonFordtivesserecusado opapeldeEliot Ness, KevinCostnerprovouser bastante profissional para o papel, que acabaria porcatapulta-lo paragalãdurante muitos anosvindouros.SeanConnery ganha o seuprimeiro e únicoÓscar pelo seu papel de secundário, ancorando o protagonista comum grande desempenho, como JimMalone, o mentor deNess. A banda-sonora de EnnioMorricone, é uma das suas melhorese mais memoráveisaté hoje. E claro, não esquecer que tinhamos um Robert de Niro em forma, como Al Capone. Passado durantea década de 20,naChicagoda Era Proibida, umagente do tesouro de nome Eliot Nessé chamado areprimir omercado ilegaldo tráfico do álcool,executadopelo crime organizado, e apanhar o gangster mais notório,AlCapone.As regras deCapone, mandar os seus lacaiospara fazerem o trabalho sujo, e subornar funcionários públicos paraolharem para o lado.Nessmonta uma equipade homens que nãopodem ser "tocados" pela persuasão de Capone, mas sem conseguirem obter qualquer evidência por parte dos gangsters. As testemunhasvão morrendoantes que consigam ir a tribunal acusar Capone. "Os Intocáveis" é umdrama de acçãopotente queatinge quase todos os níveisnecessários.As interpretaçõesbrilhantes, com excelente desempenhode todo oelenco, especialmente pelos actoresprincipais.BrianDe Palmarealmente faza sábia escolhade perceber o que está a mais, sópuxandopelos seus floreioselegantesquando é necessário, como na homenagem a "O Couraçado Potemkine" comum carrinho de bébé, que é umapeça verdadeiramenteclássicade cinemaemambos os filmes.Morriconemantémo tomfebrilcom a músicafantástica,acentuandoesta cenaperfeição.