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terça-feira, 24 de abril de 2018

Duelo no Missouri (The Missouri Breaks) 1976

Tom Logan é um ladrão de cavalos. O rancheiro David Braxton tem cavalos, e uma filha, que valem a pena roubar. Mas Braxton acabou de contratar Lee Clayton. um infame "regulador" que chega para caçar os ladrões de cavalos. Um de cada vez...
"The Missouri Breaks" não é um western usual. Na verdade, não é nada usual. As palavras mais usadas pela altura da sua estreia eram "bizarro" e estranho, e confundiu bastante as audiências tendo em conta que era um filme interpretado por Marlon Brando e Jack Nicholson. Mas hoje em dia, esta mistura peculiar de clichés do western, humor negro, romance e drama de vingança, contribuem para um entretimento interessante.
A história era antiga, sobre dois inimigos naturais, rancheiros e foras da lei, mas o escritor e argumentista Thomas McGuane dá-lhe uma inesperada reviravolta. Fazendo equipa com ele estavam os actores Marlon Brando e Jack Nicholson, no auge da sua fama, um realizador, Arthur Penn, que era um autor e ao mesmo tempo, entertainer. Para não falar do fantástico elenco de secundários: Randy Quaid, Kathleen Lloyd, Frederic Forrest, Harry Dean Stanton, entre outros. Apesar de McGuane ser mais conhecido pelos seus casamentos, já tinha escrito algumas obras interessantes sobre a exploração do machismo, como "Rancho Deluxe" e "Ninety-Two in the Shade". McGuane tinha escrito este argumento para ser um projecto seu, com ele próprio a realizar o filme, com Warren Oates e Harry Dean Stanton como protagonistas. Quando o produtor Elliott Kastner se envolveu no projecto, teve a ideia de convidar Brando e Nicholson para protagonistas (vizinhos na vida real, mas nunca tinham trabalhado juntos). Os dois acabaram por concordar, indo a realização parar às mãos de Arthur Penn, um realizador que ambos respeitavam.
Enquanto que a maioria dos críticos tenham sido particularmente indelicados com o filme quando estreou, Tom Milne foi dos poucos que admirou. Considerou-o um dos grandes westerns dos anos setenta.

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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Perseguição Impiedosa (The Chase) 1966

O xerife Calder (Marlon Brando) tem problemas a resolver numa pequena cidade quando Bubber (Robert Redford) foge da prisão e é acusado de assassinato. O problema é que o filho do magnata do petróleo Val Rogers (E.G. Marshall) tem um caso com a esposa de Bubber, que acabou de escapar da prisão, e Rogers quer Bubber fora do caminho para poder encobrir o caso do filho. Só que Calder quer encontrar o prisioneiro vivo e não quer ceder ao magnata do petróleo.
"The Chase" era uma produção ambiciosa de Sam Spiegel, baseado num romance e numa peça de Horton Foote. Era o primeiro filme de Spiegel desde o sucesso internacional de "Lawrence of Arabia", o filme vencedor do Óscar de 1962, que queria que a argumentista Lillian Hellman lhe escreve-se o argumento.
No final dos anos cinquenta e inicio da década de sessenta, as relações raciais estavam entre os temas mais quentes do momento, e vários realizadores veteranos acharam que fazia sentido investigar facetas dos males da sociedade, que se estendiam já por várias gerações nos Estados Unidos. "The Chase" passou por várias reavaliações, em parte porque Arthur Penn era responsável por uma série de clássicos "modernos", como o seu filme anterior, "Mickey One". "The Chase" era um ensaio sobre as coisas mais terríveis da América, que podem corromper o poder, como racismo, sexo e violência, usando uma pequena cidade do Texas, Tarl, para defender a teoria de que todos nós somos pecadores e que não podemos ser salvos.
O filme faz-se valer, sobretudo, de um grande elenco: Marlon Brando, Robert Redford, Jane Fonda, E.G. Marshall, Angie Dickinson, Robert Duvall, James Fox, entre outros.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Um Eléctrico Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire) 1951

Depois de perder o trabalho e a sua casa no Mississippi, Blanche Dubois desloca-se para New Orleans, para visitar a irmã, Stella. Blanche mal consegue acreditar no nível em que Stella caiu. Vive num apartamento apertado num bairro decadente da cidade, casada com um brutamontes chamado Stanley, que parece saído directamente da idade da pedra. Não demora muito até que o seu ar de senhora e o seu criticismo exagerado a tornem numa visita pouco desejada, e Stanley começa a acreditar que ela esconde alguma coisa...
Adaptação de Tennessee Williams de uma peça sua vencedora de um Pulitzer em 1947, estava rodeada de controvérsia desde o primeiro minuto, mas tornou-se num filme marcante no modo como mudava o retrato do sexo no cinema americano. Apesar de algumas alterações à peça original de Williams, e alguns cortes de última hora para cumprir com os Códigos de Produção de Hollywood, o filme foi devastado com uma enorme onda de criticismo, para não falarmos em total condenação, pelas suas conotações eróticas e evidentes referências sexuais. Mesmo assim foi um grande sucesso, tendo conseguido 12 nomeações ao Óscar, tendo apenas ganho quatro (incluindo Melhor Actriz e Melhor Actor/Actriz Secundários).
Foi realizado pelo cineasta independente Elia Kazan, que já tinha dirigido a primeira adaptação teatral da peça. O elenco era constituído na sua maioria por actores que tinham colaborado na adaptação teatral de Kazan, principalmente Marlon Brando, que aqui participava na sua segunda obra cinematográfica. A principal mudança era a inclusão da actriz Vivien Leigh, como Blanche, repetindo o papel que tinha interpretado na primeira adaptação inglesa da mesma peça, dirigida na altura pelo então marido Laurence Olivier. Era o seu papel mais icónico desde a sua participação em "Gone With the Wind", como Scarlett O´Hara. Doze anos passaram entre estes dois filmes, que valeram dois Óscares a Vivien Leigh.
O que é tão impressionante neste filme, mesmo hoje em dia, é a intensidade sensual e o realismo, em vez da prosa altamente estilizada da peça, e, como é óbvio, os cenários teatrais. O cenário claustrofóbico (que quase faz lembrar uma cela num asilo), e a fotografia quase noir criam um sentimento sufocante de opressão, que reflecte e acentua a crescente tensão sexual na casa dos Kowalski, e a descida à degradação mental de Blanche. Até a música é profundamente evocativa, sugestionando a atmosfera de um bordel barato de Paris.

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domingo, 14 de junho de 2015

Reflexos num Olho Dourado (Reflections in a Golden Eye) 1967

1948, num posto do exército dos Estados Unidos, um major impotente, homossexual latente, é casado com uma mulher que nunca perde uma oportunidade para ridicularizar as suas falhas masculinas. Ele descola a sua hostilidade brutalizando o seu cavalo, e ela retalia humilhando-o perante uma casa cheia de convidados, repetidamente, cortando-o no rosto com o seu chicote. Ela anda a cometer adultério com um oficial, cuja esposa cortou os mamilos com tesouras de jardim depois de ter perdido o bébé. Ela procura consolo no empregado de casa, efeminado.
Opiniões críticas parecem divididas em relação a este filme invulgar de John Huston, baseado num livro de 1941 de Carson McCullers sobre a repressão sexual numa base da Carolina do Norte. Enquanto algumas pessoas o viam simplesmente como um filme gótico sulista, em que a perversidade das personagens converge para um foco de tensões irrealisticamente melodramático, outros reconhecem-no como uma perspectiva exclusivamente compassiva sobre os caprichos da repressão sexual, como vistos pelas visões colectivas de Huston e McCullers.A verdade talvez seja a meio dos dois extremos.
Subjacente a todo o filme estão as suas duas forças principais: a primeira é a sua aparência única, como especificamente previsto por John Huston, que trabalhando com o director de fotografia Aldo Tonti, tinha a cor estrategicamente dessaturada, numa tentativa de emular a perspectiva do titular da história. Embora o filme só tenha sido autorizado a circular nos cinemas por uma semana com este esquema de cores, a versão restaurada é um verdadeiro prazer visual. Em segundo lugar, a magnifica interpretação de Marlon Brando, um desempenho verdadeiramente comovente no papel de um oficial do exército tragicamente reprimido. Cada expressão de Brando revela a profundidade da confusão da sua personagem, a raiva o desejo.
Um grande elenco, que inclui Brando, Elizabeth Taylor, Brian Keith, Julie Harris, Robert Foster, e um estreante chamado Harvey Keitel, então com 18 anos.
 
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quarta-feira, 10 de junho de 2015

O Homem na Pele da Serpente (The Fugitive Kind) 1960

Val Xavier (Marlon Brando), um andarilho de origens obscuras, chega a uma pequena cidade do sul e consegue um emprego numa loja governada por  Lady Torrence (Anna Magnani), uma mulher carente de sexo, cujo marido está a morrer de cancro.Val é perseguido por Carol Cutere (Joanne Woodward), uma espécie de vagabunda de boas famílias, que tanto cobiça do casado de cobra de Val, como o tenta seduzir. Val fica mais atraído pela senhora mais madura, que engravida...
Muito da visão sórdida de Tennessee Williams pode ser aqui observada, a partir da sua peça "Orpheus Descending," aqui chamada de "The Fugitive Kind". Hollywood estava faminta para a mistura individual de melodrama sexy e a escrita poética que este autor oferecia. A expansão da sua obra tinha chegado através de pesos-pesados, como Elia Kazan (A Streetcar Named Desire, 1951), Richard Brooks (Cat on a Hot Tin Roof, 1958 e Sweet Bird of Youth, 1962), John Huston (Night of the Iguana, 1964), Daniel Mann (The Rose Tattoo, 1955), e Joseph L. Mankiewicz (Suddenly, Last Summer, 1959) e este "The Fugitve Kind", o quarto filme do novato Sidney Lumet, sendo talvez o filme menos conhecido desta série.
Lumet captura e explica algo vital dentro da escrita de Williams que outros não conseguiram. A sua visão gótica do Sul pisa uma linha ténue entre o expressionismo exótico e o realismo. Para isso muito contribuíram a fotografia brilhante de Boris Kaufman e a maravilhosa banda sonora de Kenyon Hopkins. Como é costume nas obras de Williams, há uma sensação de que as fronteira entre passado e presente, o real e o fantástico podem ser ultrapassadas.
Os críticos na altura não foram muito generosos, não só porque o filme chegou na mesma altura que tantos outros filmes de Williams, mas também porque era adaptado de uma das suas obras menos conhecidas, que já por si tinha sido uma adaptação da sua primeira obra, chamada "Battle of Angels", e que também tinha sido um fracasso comercial.
 The Fugitive Kind" humaniza o crime, da mesma forma que "Dog Day Afternoon", outro filme de Lumet, o faria anos depois. O monólogo de abertura, quando Brando murmura sobre um crime que ele claramente cometeué um mecanismo de enfrentamento permanente, um modo de julgar as pessoas que nunca vão entender o seu comportamento.

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Queimada (Queimada) 1969



Sir William Walker (Marlon Brando) é um mercenário profissional que instiga uma revolta de escravos na ilha de Queimada, a fim de ajudar a melhorar o comércio de açúcar com os britânicos. Alguns anos mais tarde ele é enviado de novo para a ilha para lidar com os mesmos rebeldes, só que desta vez com objectivos diferentes, porque eles aproveitaram-se do poder, e ameaçam o comércio do açúcar com Inglaterra.
Um filme que retrata o conceito de liberdade no contexto colonial da América Latina. A certa altura Dolores diz a um soldado negro que o capturou: "A Liberdade é algo que tu deves tomar. Se o Homem te dá Liberdade, isso não é Liberdade". Esta declaração questiona as medidas para os quais os Latino Americanos estavam livres da exploração do imperialismo, e retrata a manipulação contínua das colónias pelos seus ex-colonizadores, à custa da população trabalhadora. Também retrata a incrível violência e destruição do meio ambiente, e da população das colónias, em nome dos recursos valiosos que os europeus tanto necessitavam. A última cena foca-se na dor e na raiva presente nos rostos da população negra que atravessou anos de devastação e perda em nome de uma liberdade nunca alcançada, e que, aparentemente, nunca será.
Gillo Pontecorvo vinha do sucesso de "A Batalha de Argel", e dá a "Queimada" uma inconfundível sensibilidade "larger than-life" de proporções épicas - completada por um grande número de personagens secundárias - e não há como negar no sucesso do filme a nível do puro espectáculo. Pontecorvo está perfeitamente consciente dos paralelismos políticos dos tempos modernos com a sua história, especialmente com a do Vietname. Tudo se sente próximo e imediato, Brando consegue arrancar uma interpretação memorável, e a banda sonora de Morricone é assombrosa. 

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sábado, 31 de agosto de 2013

Os Jovens Leões (The Young Lions) 1958



The Young Lions conta-nos a história da 2ª Guerra Mundial de ambos os pontos de vista (americano e alemão). No início do filme, em 1937, o jovem alemão Christian Diestl (Brando), um instrutor de ski, sente-se atraído por uma jovem americana, mas esta retrai-se ao perceber que ele sinceramente acredita nas boas intenções de Hitler. Com a queda da França, em 1940, toda a Europa se curva ante o invasor nazi e Christian torna-se um oficial. Pelo lado americano, Michael Whiteacre (Dean Martin), uma estrela da Broadway, e o jovem judeu Noah Ackerman (Montgomery Clift) envolvem-se na luta, tornando-se amigos.
Edward Dmytryk faz um bom trabalho na adaptação do bestseller aclamado de longa duração de Irwin Shaw sobre a WWII para a tela, embora a narrativa seja um pouco desigual. Edward Anhalt escreve o argumento e o filme é rodado a preto-e-branco e em Scope.
Um filme que realmente coloca o caráter acima de tudo, esta obra examina três homens e os seus problemas comuns - com mais frequência com as mulheres - que os unem. Declarações ousadas sobre a abordagem e os motivos para a guerra dos indivíduos estão colocados em diálogos realistas e comoventes. Enquanto filme anti-guerra, é uma abordagem justa e equilibrada sobre o assunto que permite ver as coisas através dos olhos e das vidas dos personagens, e permite que o público faça a sua própria opinião sobre as coisas. Isto não quer dizer que seja um filme estritamente intelectual, mas a ação não é tão visceral como em muitos outros filmes de guerra. Talvez por causa do envolvimento do realizador com o HUAC, o filme foi ignorado em 1958 e caiu em relativa obscuridade, mas merece sempre ser redescoberto.
É contado que Clift ficou chateado por Brando ter interpretado um papel de Nazi pacifista, como ele ridicularizou os objetivos narcisistas e o método do ator. Neste filme, Clift desempenha intensamente o seu papel de forasteiro judeu angustiado preenchido com uma mistura de emoção e otimismo. Brando pode ter um sotaque alemão vistoso, mas é o desempenho sensível do Clift que traz maior profundidade do que o personagem de Brando. Dean Martin assume o seu primeiro papel sério depois de romper com o parceiro comediante Jerry Lewis.Alguns actores europeus faziam aqui a sua estreia em filmes americanos, como May Britt, Maximilian Schell, Dora Doll, Liliane Montevecch.

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