Uma jovem e bonita mulher, no Sul de França, é perseguida, e de seguida violada por um misterioso assaltante mascarado. Ela mata-o logo depois, e atira o seu corpo para o mar. Mais tarde aparece um investigador americano (Charles Bronson), que para horror dela, parece saber tudo o que ela fez...
Uma vez Charles Bronson disse que fez alguns dos seus melhores filmes na Europa, mas que infelizmente poucos os viram na América. É o caso deste "Le Passager de la Pluie", realizado por René Clément, autor de grandes filmes como "Jeux Interdits", ou "Plein Soleil". Neste ponto, a carreira de Clément estava a entrar em declínio, mas ainda assim o filme conseguiu conquistar um Globo de Ouro para Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Cada shot, e cada cena, tem um estilo evocativo, particularmente no inicio. A iluminação, o trabalho de câmara, a montagem e a banda sonora de Francis Lai, são todos de primeira. Há tons fortes reminiscentes de Hitchcock, mas tal como em Hitch os actores tornam-se meros peões para mostrar a visão do realizador sobre a história.
Diz-se que a música "Riders on the Storm" dos Doors foi inspirada por este filme.
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domingo, 2 de agosto de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
À Luz do Sol (Pleine Soleil) 1960
O amoral Tom Ripley (Alain Delon) aceita de um rico industrial a missão de trazer de volta para casa o seu filho Philippe (Maurice Ronet), que vive com a namorada Marge (Marie Laforêt), na paradisíaca Riviera Italiana. Frio e calculista, Ripley aproxima-se de Philippe, tornando-se no seu melhor amigo. É o início de um plano diabólico.
Patricia Highsmith teve sorte. O seu primeiro livro foi transformado num filme de sucesso realizado por Alfred Hitchcock. Os críticos franceses, que adoravam Hitchcock muito mais do o público adorava naquela época, começaram a procurar por mais obras desta escritora. Foi então que surgiu este filme de René Clemént, nove anos depois de "Strangers on a Train". Baseado no livro de Highsmith chamado "The Talented Mr. Ripley", "Plein soleil" concentrava-se num belo e carismático, mas completamente amoral jovem chamado Ripley (interpretado brilhantemente por Alain Delon), que se prepara para matar o seu amigo e assumir a sua identidade.
O neo-realismo crú que se fazia sentir nos primeiros filmes de Clément (La Bataille du rail (1946), Le Père tranquille (1946), Au-delà des grilles (1949)), podia se sentir aqui, mas era mais evidente no estilo de documental que atravessa o filme, quando seguimos o principal protagonista que vai precorrendo os exteriores italianos. A câmera cola-se a Delon como um admirador dedicado, mas um pouco nervoso, determinada, mas a falhar constantemente de alcançar a aura mística que ele projeta tão facilmente, seja para salvaguardar a sua própria privacidade, ou para esconder segredos obscuros sobre esta personagem.
Foi o filme que fez de Deloin uma estrela mundial, e também o que definiu a sua personagem tipo para o resto da sua carreira, embora o seu papel em Le Samurai" seja mais forte. Estreou apenas uma semana depois do filme de Godard "À bout de souffle", tendo inclusivé muitas semelhanças com este. Contudo, dada a sua atmosfera negra, aproxima-se muito mais do género noir americano, do que do movimento da Nouvelle Vague francesa. Maurice Ronet, um dos protagonistas, ficaria muito ligado à Nouvelle Vague nos anos seguintes, assim como o director de fotografia Henri Decae. Contudo, o caminho seguido por Clément seria o oposto.
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domingo, 11 de janeiro de 2015
Os Malditos (Les Maudits) 1947
Final da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1945, um médico francês é raptado por um grupo de Nazis, e levado para bordo de um submarino. Os alemães pretendem fugir da captura dos Aliados, traçando uma rota para a América do Sul. O médico encontra-se na companhia de vários fugitivos desagradáveis, incluindo um chefe da Gestapo, um general alemão, um industrial italiano, e um jornalista francês que colaborou com os Nazis. Quando notícias do armistício são recebidas dá-se um motim a bordo do submarino...
Há uma certa perca de pungência em "Les Maudits", filme de René Clément, conhecido nos Estados Unidos como "The Damned". Este filme sobre um grupo de Nazis e relutantes passageiros franceses a fugirem num submarino, foi filmado apenas dois anos após o final da guerra.
Esta pungência não pode ser transmitida para as audiências modernas, cujas ideias do pós-guerra em França giram em torno de uma guerra completamente diferente, e de um país completamente novo. Isto foi imediatamente notado assim que o imediatismo da influência Nazi e controlo sobre a França foram perdidos sobre Clément e o seu argumentista Jacques Rémy, portanto nenhum cenário era demonstrativo dos eventos que estavam por vir. Clément e Rémy confiavam nas recordações da sua audiência de um passado recente.
Este filme, a preto e branco, estava bem longe de ser apenas o preto e o branco, e enquanto os Nazis são obviamente os vilões, esta estranha combinação de "filme de submarino" com "film noir", desprende-se dos padrões normais de herói e vilão e explora cada personagem (quase à vez) como uma personagem completa. O ostensivo personagem principal de Henri Vidal narra o filme (com moderação) e providencia o fundo de cada personagem assim como o seu próprio estado de inconsciência nesta viagem para a América do Sul. Personagens como a Ingrid Ericksen de Anne Campion, a gentil filha de um oficial Nazi, como oposição à crença do pai, e o Willy Morus de Michel Auclair, um jovem soldado que preferia não o ser, turvam as águas entre o campo do bem e do mal.
Ganhou um prémio no festival de Cannes de 1947, o "Prix du meilleur film d'aventures et policier". O festival estava então na sua terceira edição.
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