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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Clayton, o Cavaleiro da Noite (Amore, Piombo e Furore) 1978

A um pistoleiro condenado, Clayton Drumm (Fabio Testi), é dada uma hipótese de liberdade e salvação, se ele aceitar uma proposta apresentada pela companhia ferroviária. Matar um fazendeiro chamado Matthew Sebanek (Warren Oates), que se recusa vender as suas terras para a companhia. Clayton aceita a missão, mas a sua vitima parece ser uma pessoa agradável e os dois acabam por se tornar amigos. As coisas complicam-se quando a jovem noiva de Matthew se apaixona por Clayton.
"China 9, Liberty 37" (o titulo refere-se a um poste de sinalização que é mostrado no inicio do filme) é uma produção italo-espanhola com a excepção do realizador e um par de actores, com o resto da equipa de produção a ser europeia, principalmente italiana. A história de fundo, sobre as companhias de caminhos de ferro a retirarem pessoas das suas terras é sem dúvida uma homenagem ao filme de Sérgio Leone, "Aconteceu no Oeste", mas, por outro lado, esta obra parece mais um western revisionista americano, não fosse ele realizado por um dos realizadores de culto daquele país, Monte Hellman, que já tinha dado cartas em dois outros grandes westerns, "The Shooting" e "Ride in the Whirlwind", ambos de 1966.
Sam Peckinpah tem um pequeno papel (como escritor de "pulp fictions"), e há algumas semelhanças com o seu "Ride the High Country" (a noiva em fuga, os irmãos instáveis, e Warren Oates), apesar de Hellman ter declarado querer fazer um western mais tradicional, mas também há muitas semelhanças com os seus westerns mais experimentais, a atmosfera é muitas vezes opressiva, os diálogos são escassos, e embora os dois protagonistas serem pistoleiros esta é uma história que se foca mais nas relações entre pessoas isoladas da sociedade.   
Realizado numa altura em que os spaghetti já tinham praticamente desaparecido, não é uma obra para quem gostasse do filme mais tradicional deste género, mas ainda assim é um autêntico filme de culto.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Terror (The Terror) 1963

Um jovem tenente francês (Jack Nicholson) perde-se do seu regimento e vai parar a uma praia aparentemente deserta. Logo vê a imagem de uma bela jovem, que o ajuda a encontrar água bebível – é certo que ela o livrou de um problema, mas está para lhe criar uma série de outros, numa trama envolvendo um estranho assassinato passional, que teria sido cometido pelo Barão Von Leppe (Karloff), um velho sinistro que vive soturnamente no seu castelo, alvo de estranhas feitiçarias. Encantado com a mulher e intrigado com os mistérios do local, o jovem tenente vai tentar desvendar o mistério.
"The Terror" foi realizado em apenas três dias. Roger Corman tinha apenas três dias para o cenário do filme que tinha acabado de fazer, "The Raven", ser retirado, e também mais três dias de contracto com Boris Karloff, uma estrela. Falou com alguns elementos da produção de "The Raven" para fazerem um trabalho rápido, e convidou o actor Leon Gordon para escrever um argumento que girasse em volta dos cenários do castelo, com as cenas exteriores a serem rodadas mais tarde. Corman também convidou alguns dos seus protegidos para realizarem algumas sequências, que acabaram por dar ao filme um ar confuso. Entre as pessoas que deram uma mãozinha encontravam-se Francis Ford Coppola, Jack Hill, Monte Hellman, ou Jack Nicholson, que também era protagonista. Dado os nomes que participaram na produção, todos eles viriam a alcançar sucesso no futuro, esta obra tornou-se num filme de culto.
Jack Nicholson estava em inicio de carreira, e este seria o seu primeiro papel de protagonista. Para contracenar com ele chamou Sandra Knight, a sua esposa da altura, também ela ligada a Roger Corman. Uma nota também para outro actor em início de carreira e ligado a Roger Corman: Dick Miller.

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domingo, 23 de agosto de 2015

Galo de Briga (Cockfighter) 1974

Frank Mansfield (Warren Oates) é um treinador de galos de luta, tão explosivo como os animais que treina. Faz uma aposta com Jack (Harry Dean Stanton), mas o seu melhor galo é morto na noite anterior à disputa pelo "Cockfighter of the Year". Por causa do seu comportamento obsessivo Frank fez um voto de silêncio, e mergulha numa nova jornada rumo ao seu novo objectivo: ser o melhor treinador de galos do ano, nem que isso lhe custe todas as suas posses e a mulher que ama.
Produzido por Roger Corman, este seria um dos quatro filmes que Monte Hellman e Warren Oates fizeram juntos, quase todos nos anos setenta. Se existe um herói esquecido do cinema americano dos anos setenta, esse tem de ser Warren Oates, embora ele fosse sempre um actor de poucas palavras, mas algumas das suas obras, não só as de Hellman, ficaram como autênticos filmes de culto. Aqui a personagem de Oates só tem duas cenas com diálogos, mas a sua expressividade é tão envolvente que é impossível ao espectador não se identificar com o protagonista.
Ficamos com uma sensação muito realista, já que o filme foi rodados em exteriores autênticos do sul dos Estados Unidos, e explora com olhos bem abertos a atracção da subcultura dos jogos e das apostas ilegais. Néstor Almendros faz um belo trabalho na fotografia.
O filme passou por baixo dos radares na altura em que saíu, por ser tão perturbador nas descrições sangrentas da crueldade animal, mas aparte isso é um dos filmes de culto dos anos 70.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Estrada Não Tem Fim (Two-Lane Blacktop) 1971


Os condutores em Two-Lane Blacktop, os homens por trás das rodas de carros potentes, competindo entre si por dinheiro e orgulho, são verdadeiros párias da sociedade, existindo num mundo estranho algures afastados da sociedade. Eles pareciam ter formado o seu próprio mundo privado e a sua própria linguagem, uma linguagem obscura sobre peças de carros, números, marcas e modelos, velocidades, transmissões. Falam completamente na linguagem dos carros, aparentemente incapazes de falar sobre qualquer outra coisa. Todo o seu modo de vida, a maneira de pensar, é centrada em torno de carros: dirigindo-os, competindo, arranjando dinheiro para arranjá-los ou actualizá-los, definindo destinos arbitrários apenas para quando chegarem lá, poderem chegar a um novo destino. Eles nem sequer têm nomes, neste filme são creditados simplesmente como "the driver" (o cantor James Taylor), "the mechanic" (o Beach Boy Dennis Wilson), "GTO" (Warren Oates), este último com o nome da marca do carro que dirige. Uma jovem que apanha boleia ao longo do caminho é simplesmente chamada de "the girl" (Laurie Bird), e nenhum deles parece querer saber do nome dela, que vai alternando no meio deles, aborrecida e tentando encontrar alguém que pensa em algo mais do que carros. Taylor e Wilson desafiam Oates para uma corrida a atravessar o país, com o vencedor a ficar com as chaves de ambos os carros.
Monte Hellman captura esta empoeirada e sinuosa caminhada com um olho afiado para os detalhes. Este é um filme de pequenos gestos, uma ode minimalista para aqueles queexistem dentro de seu próprio mundo, privado, itinerante, nómadas à deriva em torno da periferia da civilização. Dos quatro actores principais, Taylor, Wilson e Bird nunca tinham entrado em qualquer antes, e as suas interpretações são feitas para ser naturalistas e tranquilas. Eles são figuras icónicas, sem muito a dizer uns aos outros.O discurso destas personagens é mínimo, muitas vezes rondando um sussurro ou um murmúrio incoerente. Wilson e Taylor não são utilizados para conversas, não são usados para pessoas de fora da sua própria sub-cultura insular, essas, que não falam sobre carburadores ou válvulas. A "girl" entra na parte de trás do carro, um dia, sem dizer uma palavra, quando os nossos amigos estão a almoçar, e quando regressam e a encontram não mostram nenhuma surpresa e nem sequer lhe dizem nada.
Hellman contrasta estes personagens minimalistas com um Oates "maior do que a vida", que domina implacavelmente o cenário sempre que aparece. Se os outros personagens são andarilhos sem raízes, sem personalidades claras, Oates, ou "GTO", é um homem que experimenta novos personagens, novas identidades, como se muda de roupa. É um contador de histórias, tecendo um passado para si próprio a partir de uma manta de retalhos. de histórias, cuja verdade é dúbia na melhor das hipóteses: de acordo com várias versões da história da sua vida, ele é um veterano de guerra da Coreia, um ex-piloto de testes de aviões, um empresário, um homem de família que deixou a esposa para trás. Todas estas histórias podem ser verdade, mas provavelmente nenhuma é, principalmente porque mais tarde também acabará por inventar uma para Wilson e Taylor. É um homem em busca de uma identidade, desesperado por algumas raízes, algumas ligações, alguma coisa para agarrar. Oates claramente não tem lugar dentro da cultura mainstream, que não pode acalmar o seu desejo de viajar ou a vontade da novidade, mas ele também não se encaixa confortavelmente dentro dos parâmetros da cultura do carros.
Esta é a tragédia do filme, em que estes andarilhos mal conseguem ver para além dos limites dos seus pára-brisas, uma visão restritiva que Hellman frequentemente destaca como um quadro dentro do quadro.

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