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domingo, 13 de setembro de 2020

O Correio do Inferno (Rawhide) 1951

Tom Owens trabalha como assistente de Sam Todd na distante estação de comboio em Rawhide (Nevada). Um dia chega Vinnie Holt, que carrega o bebé nos braços. Sabendo que uma quadrilha está nas redondezas, Todd e Owens obrigam Vinnie a ficar na estação até ao próximo dia. No entanto, chega à estação um desconhecido chamado Zimmerman, que inicialmente se faz passar por um xerife, mas logo revela-se ser o líder do bando..
"Rawhide" não é um filme de acção, mas um conto psicológico lento com foco nas ansiendades, como por exemplo, como um simples crime pode ser complicado por personalidades imprevisíveis e a presença de uma mãe ferozmente protectora do seu filho. Ameaças são trocadas e planos são forjados, mas a maior parte do filme é focado em personalidades complicadas em modo de sobrevivência. Supostamente foi inspiração para o filme de Tarantino "The Hateful Eight", projectando o mesmo tipo de impasses e a exploração de personalidades, até toda a acção irromper no terceiro acto.
Realizado por Henry Hathaway a partir de um argumento original de Dudley Nichols, o argumentista de "Stagecoach" e de tantos outros filmes de John Ford, tem um excelente elenco estrelado por Tyrone Power, Susan Hayward, e Hugh Marlowe, e também por um excelente naipe de secundários, como Dean Jagger, Edgar Buchanan, Jack Elam e Jeff Corey, 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Uma Vida Inteira”, de john Ford

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O trigésimo sexto convidado é o historiador de cinema Tag Gallagher, autor do monumental volume sobre John Ford intitulado John Ford: The Man and His Films, e que escolheu The Long Gray Line, pois, como começou por dizer: «Bem, nunca pode haver Ford demais, por isso escolho “The Long Gray Line”»

Sinopse: Homenagem de John Ford ao Exército, evocando a mais célebre instituição para a formação de oficiais, a Academia de West Point. Centra-se na história de “Marty” Maher, treinador na Academia e da sua relação com cadetes que se tornarão famosos, como Eisenhower (interpretado por Harry Carey Jr). Um dos melhores trabalhos de Tyrone Power e Maureen O’Hara em estado de graça.

O crítico e argumentista Frank S. Nugent escreveu no livro colectivo John Ford Made Westerns que “John Ford é um homem grande e bamboleante com um rosto enrugado, cabelo ruivo que enfraqueceu com os anos, um feitio que não enfraqueceu, e um dom para fazer filmes que lembra de forma desconfortável a Hollywood que os filmes não são apenas uma indústria, mas uma arte. Entre os conhecedores de cinema, é considerado um dos maiores realizadores que já viveram; alguns chamam-no o maior. Ganhou três Óscares da Academia pessoalmente endereçados—entre os realizadores, só Frank Capra tem tantos como ele—e é o vencedor inigualável por quatro vezes dos prémios anuais da Associação de Críticos de Nova Iorque para realização. Ford tem orgulho dos seus troféus, mesmo sem nunca ter aparecido nos jantares da Academia ou nas transmissões dos críticos para os aceitar. Odeia publicidade.” 
Em entrevista a Jean Mitry para a revista Cinémonde, em 1955, e quando o francês lhe pergunta quais são os filmes preferidos entre os que fez, John Ford contra-ataca com a sua humildade mordaz, dizendo “os meus filmes preferidos? Bah! Não sei. Diz que fiz bons filmes, acredito em si. Não sabia que as pessoas estavam tão interessadas no meu trabalho, em França. Fico encantado, mesmo assim. Bom! Digamos The Long Voyage Home, Stagecoach, The Informer. The Sun Shines Bright também e o meu último, The Long Gray Line. Acho que é um dos melhores. Vai ver.” 

Amanhã, a escolha de Francisco Rocha.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Pirata Negro (The Black Swan) 1942



Quando o famoso Pirata Henry Morgan (Laid Cragar) é nomeado governador da Jamaica, tenta chegar a acordo com os piratas da região, mas acaba por encontrar alguma resistência em alguns. Entretanto, Jamie Waring (Tyrone Power), um dos seus homens de confiança, apaixona-se pela filha do antigo governador, Margaret (Maureen O'Hara), que o despreza.
Se "The Sea Hawk" era o filme modelo para o velho bom swashbuckler, "The Black Swan" é o seu lascivo irmão mais novo. Interpretado por Tyrone Power, o principal rival de Errol Flynn para os papéis de galã nos filmes de capa e espada, do final dos anos 30, e anos 40, que aqui tem mais uma das suas muitas colaborações com Henry King, "The Black Swan" é mais um filme essencial para esta saga da pirataria. King, um pioneiro do cinema, e um realizador muito pensativo, deixou de lado os pormenores, e reduziu a uma fachada o modelo da dupla Curtiz/Flynn. O tema mais descaradamente retratado, por vezes sugestivamente, mas recorrente nos filmes de Flynn, a dança da sedução perigosa, entre o perigoso bandido e a primeira dama, como é Olivia de Havilland, é aqui transmutado a uma fantasia. Tal como Duelo ao Sol (1948), "The Black Swan" é, no seu caminho tortuoso e sujo, um dos filmes mais bizarros a saír dos grandes estúdios de Hollywood na década de 40. Enquanto "The Sea Hawk" apanhou boleia dos filmes de guerra para navegar por esses ventos, "The Black Swan" era inteiramente uma rejeição da relação contemporânea, excepto talvez na sua celebração agressiva da masculinidade do guerreiro.
Alguns dos filmes que ajudaram a inventar o que mais tarde seria chamado de "estética camp" (e "The Black Swan" certamente que era um deles, ao lado de "Cobra Woman", de Robert Siodmark, e os melodramas de Bette Davis e Joan Crawford), deitaram para fora ansiedades frenéticas, que por vezes podiam ser comparadas com o film noir.
A grande razão pela qual este filme tem tanto entretimento, é pela mistura de humor com acção. Isso muito deve à escolha de Thomas Mitchell como parceiro de Power. De gloriosas lutas de espadas, a canhões explodindo navios, é um dos filmes de mais entretimento das gloriosas aventuras de piratas.

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