Mostrar mensagens com a etiqueta Fim do Mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fim do Mundo. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964
O General Jack D. Ripper (Sterling Hayden) enviou o seu esquadrão de aviões com ordem para atacar a União Soviética graças a uma falha de segurança, que, posteriormente, se torna impossível para qualquer outra pessoa trazer os aviões de volta. Quando a notícia deste ataque chega a Washington, o presidente Merkin Muffley (Peter Sellers) chama os seus assessores para a sala de guerra, onde o general Buck Turgidson (George C. Scott) sugere que o melhor plano de acção será a de apoiar os aviões com umas coordenadas mais ofensivas para paralisar as forças soviéticas e limitar as baixas americanas. Mas os russos, para surpresa de todos, acabam de construir uma "Doomsday Machine", destinada a destruir toda a vida animal do planeta.
A mais negra, e quase de certeza, melhor comédia negra de todas, Dr. Strangelove pensa o impensável e atinge o impossível encontrando humor na perspectiva da aniquilação termonuclear global. Sem dúvida que filme teve o maior impacto quando foi lançado pela primeira vez, logo depois da crise dos mísseis cubanos, no auge da Guerra Fria, em 1962, o mais próximo que a humanidade esteve, até agora, de fazer explodir o planeta. No entanto, o filme continua a ter uma ressonância poderosa e oferece uma experiência ao espectador convincente e estranhamente inquietante. A Guerra Fria pode ter terminado, mas a possibilidade de todos nós desaparecermos numa nuvem de fumo radioativo continua a ser uma hipótese assustadoramente real, especialmente como um número crescente de nações a ter poder nuclear.
Dr. Strangelove não é apenas uma brilhante sátira sobre a histeria da Guerra Fria e postura militarista lunática (aqui a guerra é justamente representada apenas como mais uma faceta da libido masculina reprimida), também aponta a uma falha fundamental na estratégia de destruição global, ou seja, que nenhum sistema, por mais bem concebido, seja infalível.
Dr. Strangelove marcou o ponto mais alto da carreira de Stanley Kubrick até ao momento, embora o realizador já tivesse feito uma série de filmes importantes, incluindo os seus antecessores Paths of Glory (1957) e uma superlativa adaptação de Lolita de Nabokov (1962), mas este foi o seu primeiro grande triunfo como auteur, o início de uma carreira de triunfos cinematográficos que incluem 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975) e The Shining (1980).
Não só é um filme extremamente engraçado que oferece o argumento mais convincente para a proibição de armas nucleares, como também é uma peça incrivelmente bem trabalhada de cinema. Kubrick sabia instintivamente como construir uma imagem visual que iria causar um grande impacto, emocionalmente e intelectualmente, e isso está evidente por todo o filme. Observemos o contraste entre as cenas estáticas, quase irreais na sala de guerra e o realismo quase documental nas cenas do cockpit e as sequências onde a base aérea é atacada, filmadas através do uso inovador da câmera na mão. Os líderes políticos e militares estão, como sempre, completamente separados da realidade da situação ridícula que eles criaram. Tal como os outros grandes cineastas, nomeadamente D.W. Griffith, Sergei Eisenstein e Alfred Hitchcock, Kubrick entendeu que as imagens, não as palavras, são o meio pelo qual o verdadeiro cineasta se comunica com o seu público. As palavras são apenas um complemento.
Com Peter Sellers a desempenhar três papéis, todos na perfeição, o filme não poderia deixar de ser uma obra-prima cómica. No seu contrato com Kubrick, a Columbia Pictures tinha estipulado que Sellers iria interpretar quatro papéis, mas o actor estava relutante em interpretar o Major Kong, e depois de ter sofrido uma lesão menor, o papel foi dado a Slim Pickens, que foi um substituto admirável. Enquanto Sellers domina o filme, atingindo novos patamares de hilaridade demente como o Dr. Strangelove, existem algumas contribuições memoráveis dos seus colegas do elenco. George C. Scott quase rouba o filme como o militar que vê a guerra como a solução para todos os problemas e Sterling Hayden é assustadoramente convincente no seu papel de general que causa toda esta confusão. E quem pode esquecer a visão de Pickens montado na bomba atómica? Um filme imperdível.
Mega
Link
Imdb
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O Último Homem na Terra (The Omega Man) 1971
Algumas histórias são, provavelmente, amaldiçoadas a serem persistentemente refeitas no cinema. Uma dessas histórias é a do livro de Richard Matheson, Eu Sou a Lenda, um curto, e rápido chiller sobre o fim do mundo, perturbador, que foi feita pela primeira vez como "O Último Homem na Terra", em 1964, dirigido por Sidney Salkow. Agora, mais uma vez o trabalho de Matheson é levado ao cinema, e os resultados são francamente melhores, mas ainda assim o filme é medíocre e desigual, com uma mão pesada nas caracterizações, desenvolvimento desleixado, e um estilo errático. É intitulado The Omega Man, e parece-se muito pouco com a sua fonte original.
Há algumas coisas bastante interessantes no filme, mas simplesmente não adicionam nada ao potencial da história. As primeiras cenas do homem solitário a dirigir um carro pelas ruas desertas de Nova York, faz lembrar uma das cenas mais misteriosas de Harry Belafonte nos momentos de abertura do filme "The World, the Flesh, and the Devil". Ambas são sequências muito bem conseguidas, a solidão e o terror oculto transmitidos com a absorção do impacto, devastando de tal forma que a pessoa não está preparada para o pior.
Charlton Heston é excelente a evocar essa qualidade de afectar a solidão, as conversas consigo próprio, o seu combate sozinho contra os sobreviventes da guerra biológica, e na unidade pessoal e convicção que não são muito diferentes do seu Taylor de O Planeta dos Macacos.
Infelizmente, as esperanças diminuem quando o filme avança, Heston encontra sobreviventes humanos como ele, incluindo uma jovem negra radical que eventualmente se apaixona por ele, dando uma nota falsa de ter alcançado uma harmonia racial. Descobrimos que as vítimas da peste são um grupo de fanáticos religiosos chamados "The Family", anti-sociais, anti-materialistas e anti-humanos.
Realização a cargo de Boris Sagal.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Quando os Mundos Chocam (When Worlds Collide) 1951
O filme começa com alguns astrónomos a descobrirem que uma estrela, Bellus, e o planeta que o acompanha, Zyra, vão passar através do sistema solar num curso que significará a destruição da Terra. A única esperança da humanidade será construir arcas sob a forma de naves para transportar alguns humanos para Zyra e continuar civilização, pois esse planeta tem todas as condições para ter vida. Quando estes resultados são apresentados na ONU, os cientistas são ridicularizados. Por sorte eles têm alguns apoiantes ricos dispostos a patrocinar o projeto da arca. O mais proeminente entre eles é Sydney Stanton, que é um pobre desgraçado numa cadeira de rodas, egoísta, que só se preocupa com ele mesmo. Também é o personagem mais convincente do filme.
When Worlds Collide, produzido por George Pal e dirigido por Rudolph Maté, que também realizou o clássico noir "DOA", venceu a categoria de efeitos especiais nos Óscares de 1952. E não há dúvida de que o trabalho em miniatura da sequência da catástrofe climática é o destaque absoluto deste clássico da sci-fi menor.
Seguimos a construção da arca e as discussões sobre como escolher quem nela irá viajar, e temos um triângulo romântico um pouco morno, entre um piloto freelancer "cool", um médico aborrecido, e a bela filha de um dos ciêntistas principais.
Quando Zyra finalmente passa perto da Terra percebemos que se trata de uma montagem óbvia, mas ainda assim são muito agradáveis as sequências de efeitos baseadas em miniaturas, onde as ondas gigantes inundam as cidades, estações elétricas em colapso explodindo, grandes incêndios e erupções.
When Worlds Collide é em alguns aspectos um filme encantador, apesar de bastante datado na maioria dos pontos. Mas a história é adequadamente bem contada e o argumento faz um esforço para retratar os lados nobres e ignóbeis da humanidade, embora o faça de uma maneira muito subtil. As interpretações não são das melhores, mas o velho e cínico bastardo Sydney Stanton é divertido. A principal atração do filme, no entanto, são os efeitos, e não se esqueçam que estávamos em 1951...
Anda a ser produzido um remake deste filme realizado por Stephen Sommers, que naturalmente vai ser mais um blockbuster sobre o fim do mundo.
Mega
Link
Imdb
A Invasão dos Violadores (Invasion of the Body Snatchers) 1978
O filme de Philip Kaufman "Invasion of the Body Snatchers" é o epítome de um remake bem feito. 22 anos depois do filme original, ter tocado em questões relativas ao conformismo e aos papéis de expansão para as mulheres, tanto no local de trabalho como em casa, e mais ainda do que o subversivo filme original, Invasion of the Body Snatchers(1978) é ao mesmo tempo inteligente, alegre, paranóico, rápido tanto na acção como nas revelações do enredo, e repleto de personagens que parecem lógicas e compreensíveis.
Mais arrepiante do que assustador, o filme permite o construir do medo constante, como se nós estivessemos numa viagem na montanha-russa, aproximando-nos do topo de uma colina muito alta, antes de Kaufman nos largar a voar pelo parque com a adrenalina no máximo.
Na primeira parte, seguimos uma esposa de um funcionário do governo, Elizabeth Driscoll (Brooke Adams), cujo marido, francamente desagradável, se transforma num autómato sem vida aparente durante a noite. Enquanto investiga o seu estranho comportamento, ao lado do seu colega, o inspector de saúde Matthew Bennell (Donald Sutherland), ambos percebem que o que aconteceu com o marido de Elizabeth é apenas o começo de algo muito maior, como uma invasão de seres de outro mundo.
De alguma forma, uma planta de outro mundo, com as vagens em crescimento, transforma as pessoas mais queridas em entes estranhos, para depois se unirem a outras pessoas (também transformadas), que nunca se tinham conhecido anteriormente, para promover uma invasão na Califórnia.
O resultado é um cinema muito mais sofisticado e, felizmente, menos sangrento do que alguns dos filmes dos anos 70, que as audiências mais provávelmente esperavam, sem dúvida, também enganados por preconceitos sobre a suposta falta de originalidade, dado o facto de que era um remake, apenas para descobrirem que Kaufman sabia exactamente quais partes deveria prestar homenagem e que outras se deveriam ajustar.
Um exemplo brilhante de como fazer um remake de um filme já por ele muito bom, a actualização de Philip Kaufman, de 1978, do arrepiante clássico de Don Siegel, de 1956, (ele próprio adaptado do romance de Jack Finney, The Body Snatchers) está entre os melhores filmes de ficção científica dos anos setenta. Aos poucos, a construção de um sentido potente de paranóia e mal-estar, a abordagem inicialmente sem pressa, que Kaufman eventualmente paga os dividendos. Um pesadelo terrível, que nos leva a pensar: e se os extraterrestes já cá estivessem entre nós, misturados entre os nossos governantes? Carpenter pegou neste mesmo tema em "Eles Vivem", mas aqui o final será bem mais terrível.
Mega
Link
Imdb
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
O Dia em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still) 1951
Num dia replecto de eventos, uma nave alienígena aterra em Washington, e dela surge um emissário do outro mundo (Rennie), que assume a forma humana. Ele tem uma mensagem para todos os habitantes da Terra, mas não irá revelá-la, a menos que todas as nações do mundo estejam presentes para ouvi-la. O ser escolhe uma mãe e um filho (Patricia Neal e Billy Gray) para transmitir esta directiva, mas, infelizmente, este é um mundo dividido e não pode aceitar a mensagem prontamente. Será que a incapacidade da humanidade em se unir irá levar à sua destruição?
O Dia em que a Terra Parou condensa Cristo, Lincoln e os ideais das Nações Unidas em Klaatu (Michael Rennie), um porta-voz interestelar para a "proteção mútua de todos os planetas e eliminação completa da agressão" e, ao fazê-lo, torna a força alienígena numa missão de paz, dissociando-os de qualquer discurso da supremacia americana, militar, política e moral, ou, pelo menos, esclarecendo que só existem na medida em que estão preparados para acabar com todo o tipo de guerra em nome da cooperação global e conciliação.
É certo que é parco em acção e efeitos especiais, e este clássico de Robert Wise de ficção científica inovadora pode parecer estranho superficialmente, mas este conto subtilmente paranóico de um mundo em crise ainda é enervante nos dias de hoje, como era nos anos 50. "The Day the Earth Stood Still" de facto transcende o seu género, tendo como objectivo a desconfiança generalizada e a intolerância da época, caracterizada pelo macarthismo e a Guerra Fria. O realizador, que fez a montagem de "Citizen Kane" e que viria, mais tarde, a realizar "The Haunting" e "The Sound of Music", consegue retirar performances bastante sólidas do seu elenco, com um Rennie contido e uma Patricia Neal a carregarem o filme.
Indispensável para os fãs do cinema dos anos 50, e todos os devotos de sci-fi.
Mega
Link
Imdb
domingo, 23 de dezembro de 2012
Missão Suicida (Fail-Safe) 1964
Depois de ter o azar de estrear menos de um ano depois do filme de Stanley Kubrick "Dr. Strangelove", que examinava a guerra nuclear com humor cáustico, este filme de Sidney Lumet é um drama dolorosamente grave de praticamente o mesmo o material que o antecessor, e foi recebido com relativa indiferença. Retirado deste contexto e visto hoje, com a Guerra Fria em retrospectiva, ardor à prova de falhas e seriedade, pode ser apreciado de uma forma muito mais objectiva. Sidney Lumet, um realizador que por vezes foi visto como um burro de carga de Hollywood, cujo génio hoje em dia lembra o grande autor, um pouco passivo, Howard Hawks, injecta um estilo cuidadosamente dinâmico no processo, uma vez que ostenta um realismo bastante corajoso.
Um dos grandes thrillers nucleares, "Fail-Safe" descreve a resposta do governo dos EUA para uma acidental implementação de jactos para o espaço aéreo soviético. Apesar de alguns momentos carismáticos de Henry Fonda, como o presidente, e Walter Matthau, como um especialista nuclear, a visão de Lumet é decididamente processual e impessoal, seguindo a paranóia silenciosa da Guerra Fria no cinema americano, o sentido perpétuo de que alguém está a ouvir. Na verdade, parte do que faz o filme radical é que Lumet filma como se o apocalipse já tivesse ocorrido: "Hiroshima and Nagasaki...those actions belong more properly to World War III than to World War II." Apesar de todo o filme ser passado no subsolo, em bunkers do governo, Lumet faz a sua câmera sentir-se tão remota e distante como a tecnologia de satélite que solicita o conflito em primeiro lugar. Por vezes, essa separação pode fazer um grande filme ser intransigentemente difícil. Isto explica em parte a incorporação de found footage e notícias, que também dão ao filme um tom de Mass Observation, aumentando a sensação de que esta guerra não é iminente, mas humanamente acontece com o decorrer do filme. Isto não quer dizer que ela se desenrola em tempo real, dado que um dos pontos fortes de Lumet é distender o tempo, tirando segundos, até que eles se transformem em cenas criando uma histeria liberal que é muito mais alucinante do que qualquer coisa vista em "Dr. Strangelove".
É melhor pensar neste filme como o gémeo mais distante de Dr. Strangelove. Fail Safe é mais sóbrio e sem humor. Ambos os filmes cobrem praticamente o mesmo território, de um ataque nuclear acidental sobre a União Soviética, mas enquanto Stanley Kubrick trata o Armagedon como um assunto digno de uma farsa absurda, Sidney Lumet leva isto muito mais a sério por algum motivo. De qualquer forma, são dois filmes imperdíveis, e este de Lumet é uma das obras mais injustamente esquecidas no tempo.
Mega
Link
Imdb
Pânico no Ano Zero (Panic in Year Zero!) 1962
A família Baldwin fica em choque quando saem de um acampamento de férias no extremo sul da Sierra Nevada - atrás deles vêem múltiplas nuvens de cogumelo aniquilando Los Angeles. Depois do choque inicial, Harry Baldwin (Ray Milland) a sua esposa Ann (Jean Hagen), o filho Rick e a filha Karen (Frankie Avalon e Maria Mitchel) tentam comprar suprimento nas lojas rurais antes que a população rural saiba o que aconteceu. Escondem-se num acampamento remoto para evitar o caos, o crime, saques e violações que certamente irão acontecer quando a civilização se aperceber da situação. Mas será que se vão conseguir esconder?
Um dos filmes-chave sobre a Guerra Fria atómica, Panic in Year Zero! segue a lógica de "On the Beach", de que o mundo poderia ser aniquilado por uma guerra nuclear. É uma tentativa de descrever as condições reais depois de um ataque nuclear. Depois de uma década de filmes a mostrarem ordem e optimismo após uma guerra nuclear, este foi um dos primeiros a sugerir que um ataque viria a precipitar um colapso imediato da sociedade, elaborando cuidadosamente a sua história dentro da experiência de uma família da classe média.
Feito com um orçamento bastante pequeno, como se fosse um filme de ficção-ciênticica de série B, Panic in Year Zero! contava com o actor Ray Milland atrás das câmeras. Ele que até então já tinha realizado um punhado de telefilmes, assim como longas-metragens menores, tinha aqui a sua obra mais importante como realizador.
Mega
Link
Imdb
sábado, 22 de dezembro de 2012
Um Rapaz e o Seu Cão (A Boy and His Dog) 1975
"A Boy and His Dog" mostra-nos um planeta Terra no ano de 2024, devastado pela catástrofe atómica da IV Guerra Mundial. O planeta tornou-se um deserto com seus poucos sobreviventes a lutarem para obter os poucos e preciosos recursos. É neste lugar que encontramos Vic (Don Johnson) e o seu seu cão Blood (voz de Tim McIntire) que se comunicam através de uma ligação telepática. Os dois olham um pelo outro enquanto buscam alimentos e...mulheres. Sim, mulheres. Estamos no território do low-budget, e a paisagem "pós-apocalíptica" é previsivelmente estéril. A alimentação é uma preocupação constante, e para Vic o desejo de encontrar encontrar uma mulher - aparentemente escassas neste mundo pós-apocalíptico - acrescenta ao filme uma grande agitação. A amizade de Blood e Vic parece em grande parte ser garantida por um acordo no qual Vic encontra alimentos para Blood, e o cão encontra as mulheres para Vic.
Em "A Boy and His Dog" (1975) os primeiros dois terços do filme apresentam esta relação e um cenário desolado de pós-guerra bastante eficaz, com Vic finalmente a encontrar uma mulher, chamada Quilla June Holmes. De seguida, o filme dá uma grande volta, depois de Vic ser ludibriado por Quilla em investigar o mundo "Down Under" - uma estranha sociedade que existe por baixo do deserto onde todos usam trajes de palhaços, e parece haver uma espécie de regime totalitario no controle. Jason Robards, entra aqui em cena como Lou Craddock, um líder que gosta de aplicar a sua autoridade, incluindo de ter a decisão de quem é enviado para a "farm" (isto é, ser executado). Vic torna-se um prisioneiro deste covil de palhaços loucos, e necessita de saír dali a todo o custo.
Esta adaptação de 1975 de uma novela de Harlan Ellison é um desses filmes do tipo Soylent Green, de sci-fi, que parece ter dois propósitos: (1) avançar com algum tipo de comentário social, e (2) assustar o público com um auto-consciente conjunto de peças bizarras. Há uma mensagem muito fácil de anti-guerra e anti-governamental aqui - mas nada que realmente nos faça pensar, no entanto. Na verdade, uma impressão esmagadora que tiramos daqui - particularmente durante o último terço do filme - é a forma como o realizador (e co-argumentista) LQ Jones parece desesperado em criar uma espécie de "midnight movie".
L.Q. Jones, um dos actores preferidos de Sam Pekinpah, dirigiu apenas este filme na sua carreira. Don Johnson, era um jovem actor que mais tarde se tornaria um ícone dos anos 80 na série de TV, Miami Vice.
Mega
Link
Imdb
On the Beach (On the Beach) 1959
Os únicos sobreviventes de uma guerra nuclear estão residentes na Austrália e na tripulação de um submarino americano que estava submerso quando as bombas explodiram. Com apenas alguns meses de vida antes que a precipitação chegue ao último continente resistente, estes tentam lidar com as suas mortes inevitáveis. Moira Davidson (Ava Gardner), um alcoólica, inicia uma relação com o recém-viúvo comandante dos EUA, Dwight Towers (Gregory Peck), enquanto que o tenente-comandante Peter Holmes (Anthony Perkins) deve encontrar uma maneira da sua esposa aceitar o que está a acontecer, e o que isso vai significar para o bébé de ambos. O cientista Julian Osborne (Fred Astaire) entra em numa perigosa corrida nos seus últimos dias. Entretanto, Towers leva o seu submarino para Norte, com Osborne e Holmes a bordo, para investigar um sinal de rádio, e tentar descobrir se haverá um lugar no mundo que seja seguro, mas ninguém acreditaque haja hipóteses.
Ver "On the Beach" agora é uma experiência diferente do que vê-lo à 40 anos atrás. Naquela altura, uma guerra nuclear poderia ter ocorrido a qualquer momento. No entanto, a grande diferença não está na realidade política, mas na percepção. De alguma forma, ver este filme era uma um acto subversivo. Os Conservadores detestaram-no, e consideraram qualquer filme como este, como anti-americano. Os conservadores ainda nos anos 80 reinvidicavam que poderiam vencer uma guerra nuclear. Esta loucura culminou com o filme The Day After, feito para televisão, quando os comentadores da Direita e os políticos exigiram o mesmo tempo de antena para explicar que a guerra nuclear poderia ser aceitável se detivesse os malditos Russos.
"On the Beach" saiu no final dos anos 50 (quando se poderia esperar que uma reação conservadora fosse ainda mais extremista), e foi o primeiro filme anti-nuclear que não envolveu baratas gigantes ou mutantes. O factor tempo pode ter diminuído o seu poder, mas ainda é um lembrete convincente e sombrio do que poderia acontecer com apenas um toque num botão da estupidez humana, e essa é uma qualidade que temos em abundância.
O produtor/realizador Stanley Kramer (Inherit the Wind-1960 Judgment at Nuremberg-1961, Guess Who’s Coming to Dinner-1967) tinha razão em fazer este filme, como sempre tinha, e não estava preocupado com um retrato realista de um mundo pós-apocalíptico. Ele queria mostrar o melhor da humanidade, depois dos piores resultados. Então, o filme está cheio de homens dedicados, altruístas, santos. Eles têm problemas psicológicos, mas nada comportamental.
Mega
Link
Imdb
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Ciclo: O Fim do Mundo
Uma questão que tem vindo a importunar o homem, é a do fim do mundo. Será que vai ser por causa de um meteorito? As mudanças climáticas? Uma catástrofe? Uma guerra nuclear?
No cinema, já desde os anos 50 que se tem vindo a debruçar sobre este assunto. Desde o "Dr. Stangelove", de Kubrick, até aos blockbusters que têm chegado às salas nos últimos anos.
Para iniciar este blog, e já que estamos a chegar à data fatídica tão anunciada, não poderia haver melhor assunto para a próxima semana.
Através de uma selecção de 8 ou 9 filmes, vamos ver aqui vários pontos de vista para este anunciado fim do mundo.
Já a começar no fim-de-semana. Não percam.
No cinema, já desde os anos 50 que se tem vindo a debruçar sobre este assunto. Desde o "Dr. Stangelove", de Kubrick, até aos blockbusters que têm chegado às salas nos últimos anos.
Para iniciar este blog, e já que estamos a chegar à data fatídica tão anunciada, não poderia haver melhor assunto para a próxima semana.
Através de uma selecção de 8 ou 9 filmes, vamos ver aqui vários pontos de vista para este anunciado fim do mundo.
Já a começar no fim-de-semana. Não percam.
Subscrever:
Mensagens (Atom)