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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Deanimated (Deanimated) 2002

"Martin Arnold sujeita um clássico do cinema de terror americano de 1941 a uma cirurgia cinematográfica radical. Os actores desaparecem graças à tecnologia digital, fazendo com que o espaço cinemático se transforme no verdadeiro actor principal e fornecendo uma nova interpretação precisa e absurdamente cómica. Arnold pega no filme original “The Invisible Ghost”, no qual uma esposa “hipnotiza” o marido como parte de um plano assassino, e transforma-o em “Deanimated” – um estudo sobre a crescente desintegração dos filmes de actor. No final, o olho da câmara vagueia sobre os sets desprovidos de vida humana onde as luzes parecem ter sido apagadas, literalmente. Em “Deanimated”, a morte transforma-se na fúria do desaparecimento o que testemunha uma “insustentável transição para além da existência” (Georges Bataille). A loucura está inscrita nos rostos. O êxtase da supressão, a aniquilação do ser, a reificação do inorgânico, o olhar que busca, que já não encontra qualquer tipo de reconhecimento – estas são as fases que preparam a transição para uma rigidez catatónica (Thomas Miessgang). “Deanimated” embarca no despovoamento radical do ecrã e do auditório. Enquanto os filmes mais antigos de Arnold lidavam com o momento de sobre-ênfase através da repetição do sempre-semelhante, o tema central do filme “Deanimated” é a ideia de desaparecimento. Este velho tema, que nos é familiar dos filmes de crime e de terror, é aqui intensificado e reforçado: protagonistas essenciais do enredo são apagados do filme através de “composição digital”, as bocas dos casais que conversam são apresentadas fechadas, a banda sonora orquestrada amplifica-se para dar mais ênfase dramática aos não-acontecimentos. O que permanece são apenas vestígios de acontecimentos, provas circunstanciais escassas de situações cujas origens não são explicadas: pó que rodopia, o som de disparos, o horror reflectido no rosto de uma mulher que se afasta do vazio." Curtas de Vila do Conde.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Três Curtas

Rose Hobart (Rose Hobart) 1936
"Rose Hobart", é uma montagem de 19 minutos retirada do filme de 1931 da Universal Pictures, "East of Borneo", e de outros filmes, que parece um estudo sobre o movimento que retrata as ondulações da água depois de uma grande pedra ser atirada a uma lagoa. Nas raras ocasiões em que é exibido o filme mudo, acompanha-o uma gravação de "Holiday in Brazil" (1957), do compositor brasileiro Nestor Amaral, que contribui com algumas canções não autorizadas para "The Gang’s All Here" (1943), com a sua compatriota brasileira Carmem Miranda. O realizador Joseph Cornell viria a projectar o filme a uma velocidade mais lenta através de um filtro azul, embora anos mais tarde usasse um filtro côr de rosa.
Joseph Cornell era um pioneiro que trabalhou e influenciou com cineastas da vanguarda como Stan Brakhage e Rudy Burckhardt."Rose Hobart" é o seu filme mais conhecido.

Alone. Life Wastes Andy Hardy (Alone. Life Wastes Andy Hardy) 1998
Mickey Rooney e Judy Garland são clonados num musical experimental. O ponto de partida é uma série de cenas dos dias em que ambos eram adolescentes dos dias da série de musicais familiares de Busby Berkeley. Estes são colocados numa nova ordem, e perante os nossos olhos andam para trás e para a frente num adágio suave. 
Durando apenas 15 minutos, e consistindo inteiramente de pedaços de filmes retirados das comédias de adolescentes de Andy Hardy, "Alone. Life Wastes Andy Hardy", de Martin Arnold é uma pequena obra-prima, uma curta experimental que desconstrói o cinema narrativo separando as cenas dos filmes de Hollywood frame a frame, repetindo cenas chaves em movimentos tão lentos que revelam subtextos ocultos criando novos significados para momentos anteriormente inócuos.

The Film of Her (The Film of Her) 1997
"The Film of Her" baseia-se na história do funcionário da Biblioteca do Congresso que guardou um cofre de bobines, documentando os primeiros dias do cinema, do incinerador. Um magnifico tributo à origem das formas de arte, esta curta de 12 minutos é atravessada pela memória deste homem, que fixou na sua mente desde a infância a imagem de uma mulher que viu num filme pornográfico dos primeiros tempos. "The film of Her" é o que leva o funcionário a salvar os filmes, essa memória colectiva, e também serve como ponto focal para os pensamentos de Bill Morrison sobre a experiência pessoal e o acontecimento histórico.
Bill Morrison criou uma filmografia de mais de trinta trabalhos que foram apresentados em cinemas museus e galerias pelo mundo inteiro. Fazendo uso de imagens de arquivo raras, muitas vezes danificadas pelo passar do tempo, Morrison explora o poder do filme como um meio que evoca a memória e dá origem a um senso de mitologia colectiva.
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