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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Final do Ciclo Islandês

Vamos terminar este ciclo com uma dose dupla de 2013. Como estes filmes são muito recentes vou deixá-los online por uma semana, e depois apago o post.

Metalhead (Málmhaus) 2013
Passado na Islândia rural, o filme conta a história de uma jovem que presencia a morte do irmão mais velho, fã de Heavy Metal, num acidente que ela se culpa a si própria. Desde então encontra força e consolo na música, e sonha tornar-se uma estrela de rock. Realizado por Ragnar Bragason, retrata a solidão e a transformação das pessoas através do luto. A banda sonora é composta por canções dos anos setenta aos anos noventa. 

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Cavalos e Homens (Hross í oss) 2013
Seguimos o destino do homem através da percepção dos cavalos. O homem ama a mulher, e a mulher ama o homem. Mas o homem está apaixonado pelo seu bem mais precioso, a sua égua, que por sua vez está obcecada pelo cavalo garanhão. Isto acontece numa povoação isolada da Islândia, onde os vizinhos sequem a vida uns dos outros. O amor e a morte entrelaçam-se, com consequências imprevistas para toda a humanidade. Foi o filme de estreia de Benedikt Erlingsson, mais um actor islandês a passar para trás das câmeras. Foi escolhido para representar a Islândia nos Óscares de 2015, mas não apareceu entre os 5 nomeados.

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Fica por aqui este ciclo de cinema islandês, passou por aqui um total de 28 filmes desta nacionalidade, espero que tenham gostado. Já sabem que daqui a uma semana desaparece este post.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Vulcão (Eldfjall) 2011



A história do amadurecimento de um homem de um homem com 67 anos de idade. Quando Hannes se reforma começa um enorme vazio para o resto da sua vida. Afastado da família, quase não tem amigos, e a relação com a sua esposa não é das melhores. Uma tragédia vai afectar esta família, e Hannes percebe que vai ter de mudar para ajudar alguém que ama.
"É praticamente impossível não comparar esse VULCÃO (2011), primeiro trabalho em longa metragem do diretor vindo da Islândia RÚNAR RÚNARSSON com o fantástico AMOUR (2012) do alemão MICHAEL HANEKE. No filme somos apresentados a um homem de idade que está se aposentando de seu trabalho como inspetor escolar, rígido, que agora vai ter que se habituar com a sua rotina em casa junto com a esposa.
Digo que é difícil não comparar os dois filmes, por que apesar de um homem mais bruto e introspectivo, o personagem de Rúnar ama sua esposa a sua maneira. Sem deixar transparecer para as pessoas que estão a sua volta, como seus filhos que acreditam que ele não gosta da mãe. E as coincidências não param por aí. Sua esposa tem um AVC que a incapacita fisicamente e ele opta por tomar conta da mulher, mesmo contrariando o desejo dos filhos que acreditam que ela estaria melhor acompanhada em um hospital ou clínica especializada.
As semelhanças com a obra de Haneke não param por aí, mas mais do que isso seria entregar toda a trama desenvolvida pelo diretor. As diferenças, bom, a obra do alemão é muito mais sensível, é algo que se nota ao ficar parado para aquela locação simples, que serve de palco para a obra de arte que ele nos apresenta. No caso do filme islandês, temos realmente uma obra ousada que trata de um assunto complicado, mas que não consegue se aprofundar e trazer a tona todas as discussões que são necessárias para que o filme tenha um sentido maior. Agora, não sei dizer, quem copiou a ideia de quem." Texto de Marcotul, daqui.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Mamma Gógó (Mamma Gógó) 2010



Mamma Gógó é uma senhora idosa a quem é diagnosticada Alzheimer. O filme parte da reação da família em relação à descoberta da doença, enquanto o filho, realizador de cinema, luta de todas as formas para poder ajudar, mas passa por dificuldades financeiras depois do fracasso comercial do seu último filme: "Filhos da Natureza".  Gógó vai piorando dia após dia, e a família apercebe-se da necessidade de uma enfermeira lá em casa.
"Mamma Gógó" é um filme semi-autobiográfico, escrito e realizado por Friðrik Þór Friðriksson, tendo sido o filme Islandês a ser submetido à 83ª edição dos Óscares, na categoria de Melhor Filme em língua estrangeira. Conta com uma interpretação de grande qualidade da actriz principal, Kristbjörg Kjeld, uma islandesa veterana que já passou por vários filmes deste ciclo, como "O Riso da Gaivota", "Hafio", "Cold Light", mas este é claramente o papel da sua vida. Consegue lidar com a comédia e o drama ao mesmo tempo, de forma brilhante. Contracenando com ela, e igualmente em grande forma, encontramos Hilmir Snær Guðnason, actor não muito reconhecido internacionalmente, mas que já desde o ano 2000 vinha a entrar em quase todos os filmes islandeses, quer em papéis principais, ou secundários. Anualmente eram feitos muito poucos filmes islandeses, por isso era normal os actores repetirem-se em várias obras, já que também não havia muitos actores de cinema. Os Edda Awards, que eram os prémios mais importantes lá do sítio, nunca tinham mais de 3/4 filmes nomeados por ano. 
"Mamma Gógó" demonstra o lado trágicómico do Alzheimer, e os conflitos e dificuldades dos seus familiares são retratados de uma única forma, na relação entre mãe e filho. Simultaneamente Friðriksson satiriza o ambiente político da sociedade, que afectou a produção do seu filme, para o pior e para o melhor.
Alguns detalhes a ter em conta, a repetida aparição do marido morto, interpretado por Gunnar Eyjólfsson, e também a utilização de cenas do filme "The Girl Gogo"(1962), em que contracenam Kjeld e Eyjólfsson nos seus tempos de jovens. É um dos filmes Islandeses mais importantes de sempre, mas não cabia neste ciclo.
Este filme ganharia o prémio da audiência no Féstroia de 2011.

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Reykjavik Whale Watching Massacre (Reykjavik Whale Watching Massacre) 2009



Um grupo de turistas observadores de baleias parte numa viagem de barco, mas depressa começa a reinar o caos com a morte do comandante da tripulação. Uma pequena embarcação surge em auxílio, mas está longe de ser a ajuda esperada. A bordo vem uma família disfuncional, e se os turistas já estavam confusos nem sabem o que agora os espera...
Uma espécie de homenagem ao grande clássico "Massacre no Texas", de Tobe Hooper, mas que vai além da base do filme original. A família predadora do original é aqui substituída por uma familia de caçadores de baleias em fúria, com a acção a mudar para um barco, cheio de acessórios para caçar, e nenhuma caça possível, a não ser humanos. O cinema de terror era um caso muito raro na Islândia, mas este filme está cheio de humor negro, que já por si é típico daquele país, e muita ironia.
O suspense, a fotografia, o cenário de horror está muito bem criado, e encontramos uma sátira aos amantes de baleias, com a violência a envolver acessórios inusitados e criativos, mas o problema está sobretudo com os actores. A maioria são irritantes, interpretando com sotaques acentuados. Mas também há o grande trunfo da escolha do actor Gunnar Hanson para o papel do comandante do barco. O actor islandês nunca tinha entrado num filme do seu país. Estreou-se em 1974, precisamente no papel de Leatherface, em "The Texas Chain Saw Massacre", e desde aí tinha andado perdido por produções de série B de terror. Regressa ao seu país numa clara homenagem ao filme em que se estreou, reparem que até o próprio nome do filme é uma homenagem.
A realização estava a cargo do islandês Júlíus Kemp, e por Portugal o filme foi visto numa edição do Motel X.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Mr. Bjarnfreðarson (Bjarnfreðarson) 2009



Georg Bjarnfreðarson (Jón Gnarr, que co-escreveu o argumento com o realizador Ragnar Bragason) é um prisioneiro a quem é dada a liberdade condicional. Ele é conhecido por ser um tirano, um homem que impõe sempre a sua vontade. Alguns flashbacks mostram-nos as razões. Sendo ele filho de uma mãe solteira, foi criado como vegetariano, feminista e comunista, e era esperado que ele fosse um "grande homem". Em vez disso, as suas desventuras levaram-no à prisão. Depois de ser libertado, a mãe recusa-se a vê-lo, então ele vai viver com Daniel, com quem passou algum tempo na cadeia. Com eles vive ainda outro ex-prisioneiro.
Baseado numa popular série de televisão, "Bjarnfreðarson" dominou o box-office no país durante várias semanas, durante o Natal de 2009, superando até mesmo "Avatar", de James Cameron. Embora exista muita familiaridade com a série de TV o filme funciona bem como uma história independente, e de certa forma chega a levar o público a querer ver o resto da série. 
Ao observarmos estes três personagens principais interagirem, não é de admirar que o tenham feito numa série inteira. O filme, no entanto, foca-se mais na personagem do excêntrico Georg, e leva-nos a preocupar com ele. Foca-se na sua infância, e percebemos que ele nunca foi uma pessoa normal, com relações normais. O seu desejo de se envolver com Oli leva a alguns momentos hilariantes. 
O elenco era maioritariamente composto por desconhecidos do cinema islandês, mas não da televisão, e atrás das câmaras tinhamos Ragnar Bragason, de quem já tinhamos visto dois filmes neste ciclo.
Legendado em inglês.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Small Mountain (Heiðin) 2008

É dia de eleições, e Emil (Jóhann Sigurðarson) tem de transportar a urna para o aeroporto para que seja levada de avião para a contagem final, mas acaba por atrasar-se e perde o avião. O seu filho, que mora noutra cidade e tem uma personalidade imprevisível está de volta à terra natal, mas Emil terá de levar a urna através da pequena montanha. Um acidente vai piorar a situação. 
O realizador Einar Thor é grande fã do contraste entre o velho e o novo, a dicotomia entre as novas tecnologias e os métodos mais antiquados no campo da comunicação, o sentimento da velha geração, de dever versus o desejo dos jovens ricos pela recompensa. Apesar destes conflitos - e da influência da história de Isaac e Abraão - é um filme resolutamente acessível.
"Small Mountain" encontra grande força na simplicidade, e isso está bem visível no argumento. Uma farsa cheia de personagens convincentes e pouco convencionais. No entanto por baixo da camada superficial está um coração bem escuro. A raiva acumulada do filho Albert ameaça transbordar em violência e agressão sexual, mas é destruição injusta da violência que é aqui retratada.
A atmosfera relaxante do filme é complementada pela beleza da fotografia, que combina belas imagens do interior do país. Como é frequente no cinema islandês, a promoção do turismo no país é muito importante, e nesse campo este "Small Mountain" cumpre o seu papel muito bem. Cada detalhe parece sedutoramente deslumbrante, acompanhados por uma grande banda sonora de Danny Chang, que enfatiza o tom da luz.

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White Night Wedding (Brúðguminn) 2008



Jon é um professor de meia idade que está quase a casar pela segunda vez, com uma das suas ex-alunas que tem metade da sua idade. Mas nem tudo são rosas. Em primeiro lugar temos a mãe da noiva, que se opôs violentamente a esta relação, e que exige o reembolso de um empréstimo antes do casamento. Em segundo lugar são os seus planos para construir um campo de golfe, na ilha onde vão viver. Em terceiro a bebedeira descomunal do seu padrinho, e por último a presença emocional da sua primeira esposa que assombra todos os seus movimentos. Depois de uma longa noite a beber e a pensar, será que Jon vai mesmo querer casar?
Baltasar Kormakur parece ter um prazer quase perverso em apresentar personagens peculiares que seguem os seus instintos sem pensarem nas consequências que poderão ter as suas acções. Ele armadilha este filme, tal como já o tinha feito em duas anteriores como "The Sea" ou "101 Reykjavik". Comportamentos bizarros juntamente com interacções compassivas dão aos seus filmes um sentimento muito distinto, que acaba por resultar num filme muito interessante, pelo meio da complexidade humana e de questões não resolvidas.
Baseado numa peça de Chekhov chama "Ivanov" o filme é rico em questões filosóficas e devaneios ideológicos. O filme é essencialmente sobre a necessidade de Jon encontrar a felicidade dentro dos constrangimentos do que é fazer a coisa considerada certa. Felizmente não são dadas respostas a estas questões complexas.

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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Reykjavík Rotterdam (Reykjavík Rotterdam) 2008



Kristofer (Baltasar Kormákur) está preso a uma aborrecida rotina de trabalho, como segurança de um navio de carga. Um dia é detido ao ser apanhado a roubar garrafas de bebida. A passar por problemas financeiros, Kristofer é seduzido pela oportunidade de ganhar dinheiro fácil quando um velho amigo, Steingrímur (Ingvar Eggert Sigurdsson), lhe garante meios para voltar ao seu antigo trabalho. É quando Kristofer inicia uma onda de roubos em Roterdão.
Há uma "back story" interessante acerca deste filme. O actor principal é nada mais, nada menos do que Baltasar Kormákur, na altura já um realizador de créditos firmados, de quem já vimos vários filmes neste ciclo. Este mesmo Kormákur, quatro anos depois realizaria um remake em Hollywood, que ganharia o nome de "Contraband", contando com Mark Wahlberg e Kate Beckinsale nos principais papéis.Foi um filme que fez um sucesso considerável, apesar de ter recebido críticas moderadas. Desde 2005 que Kormákur vinha a dividir a sua carreira entre Hollywood e o seu país natal, mas foi na Islândia que fez os seus melhores filmes.
A fotografia é fluida e interessante, mesmo dentro dos espaços confinados de um barco. É um thriller de gato vs. rato, caíndo por vezes nos clichés dos "heist movies", mas no seu melhor consegue criar uma bela e interessante atmosfera. As personagens são alegremente vistosas, especialmente a de Ingvar Eggert Sigurdsson, talvez o maior actor islandês. Sigurdsson interpreta-o de um modo muito especial, fazendo dele um homem triste e solitário, mas também é isso que faz dele uma fonte de entretimento na segunda metade do filme.

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Jar City (Mýrin) 2006



Baseado num best seller de Arnaldur Indriðason o filme segue um detective experiente (interpretado pelo omni-presente Ingvar Eggert Sigurðsson) enquanto ele tenta resolver o que parece ser um assassinato de rotina, mas que se vai tornar num caso muito mais complicado do que aparentava ser. Depois de um homem ser encontrado morto um velho caso é reaberto, pois parece que este crime está ligado à morte de uma menina muitos anos antes. Numa cidade pequena, as pessoas podem estar mais ligadas do que aparentam.
"Mýrin" é baseado num best seller de Arnaldur Indriðason, e tem um argumento bastante complicado, mas depressa o público é recompensado quando as peças começam a encaixar. O realizador Baltasar Kormákur conduz a acção com uma enorme sensibilidade, que complementa o filme perfeitamente, enquanto o actor principal, o experiente Sigurðsson tem uma interpretação silenciosa e subtil, que é extremamente convincente. É um thriller muito inteligente, que vai emprestar muito mais influências no campo internacional, a obras como "Les Rivières Pourpres" de Mathieu Kassovitz, ou "Insomnia" de Christopher Nolan, do que propriamente à filmografia islandesa, e também marca uma mudança radical na carreira do realizador Kormákur, que se tinha dado mal com a sua estreia americana, "A Little Trip to Heaven". Dele já tinhamos visto dois filmes neste ciclo.
É um thriller com alguns laivos de film noir, algo que nunca tinha sido explorado na filmografia islandesa, e com muita pena, pois o ambiente natural do país, se bem usado, pode ser um grande trunfo. Como acontece neste caso.

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Cold Light (Kaldaljós) 2004



O que poderia ser melhor do que saber o que o futuro nos reserva? Mas, será que seria bom ter esse conhecimento? Grímur teve uma infância feliz, mas toda essa felicidade teve um fim abrupto, quando uma calamidade atingiu a sua família matando a sua família. Grímur viu toda essa catástrofe e não fez nada para impedir, ou evitar as suas consequências.
Grímur agora tem 40 anos de idade, e ainda está atormentado pela culpa. A criança que em tempos tinha o dom de prever o futuro tornou-se num adulto, atormentado por visões, e as imagens que circulam na sua mente apenas transmitem os horrores do passado.
Realizado por Hilmar Oddsson, que não era um realizador particularmente novo e já tinha alguns filmes realizados anteriormente ao boom do cinema islandês, aparece na sequência do sucesso internacional de "Noi, o Albino". Mexe com alguns temas que eram comuns no cinema islandês: um estranho e solitário herói, uma avalanche, a luta dos pescadores contra o mar cruel, e a presença de poderes mágicos, especialmente a capacidade de prever o futuro.
A acção alterna-se entre os dias modernos de Reykjavik, onde Grímur se matricula numa escola de arte, e a pequena vila piscatória onde cresceu, na sombra de uma montanha que é uma presença ameaçadora para toda a gente, por causa das avalanches. O jovem Grimur é intenso e reticente, atormentado por visões algumas das quais ele transporta para desenhos. E só quando ele visita uma velha mulher que tem a fama de ser uma bruxa, é que aprende a respeitar o seu dom.
Protagonizado por um dos melhores actores islandeses, Ingvar Eggert Sigurðsson, que já o tínhamos visto, por exemplo, em "Angels of the Universe".

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ragnar Bragason e os filmes gémeos

Ragnar Bragason é um dos realizadores mais populares e aclamados da recente geração de realizadores islandeses.
Nascido em Reykjavik mas criado na pequena vila piscatória de Súðavik, a sua primeira experiência no mundo do cinema foi a ver filmes numa pequena sala aos sábados de manhã. Depois de dirigir um grande número de videos musicais para bandas nacionais e internacionais, fez a sua primeira longa-metragem chamada Fíaskó (Fiasco). Na sua obra Ragnar usou métodos de trabalho similares aos usados por John Cassavetes e Mike Leigh, trabalhando com actores para estes criarem personagens com argumentos improvisados.
Em 2006 e 2007 Bragason realizou uma dupla de filmes que são considerados gémeos, duas obras que exploravam os papéis dos pais e dos filhos numa  Reykjavik contemporânea. Passados nos subúrbios da capital, e filmados a preto e branco, os dois filmes tinham um realismo muito poderoso como pano de fundo.  Enquanto o primeiro se debruçava mais sobre as personagens mais humildes de Reykjavik, o segundo centrava-se na classe média. Feitos com um orçamento muito pequeno, os dois filmes devem ser vistos em conjunto, daí este post duplo. Ambos os filmes são legendados em inglês.

Children (Börn) 2006
"Children" nasceu do desejo de Ragnar Bragason fazer um filme com o mais famoso grupo de teatro da Islândia, o grupo de Vesturport, totalmente baseado na improvisação, tal como antes já o tinha feito John Cassavetes. Uma mãe solteira luta para dar educação aos seus quatro filhos. Trava uma batalha perdida com o seu ex-marido pela custódia de 3 filhas, mas não se apercebe ao que está a acontecer ao seu filho de 12 anos, Gudmund, vitima de um bullying brutal na escola, caminhando a passos largos para a destruição. O seu único amigo é um esquizofrénico de  40 anos. 

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Parents (Foreldrar) 2007
As vidas de três personagens desesperadas cruzam-se nesta pequena obra inspirada pelos métodos da improvisação. Mais uma vez em conjunto com os actores do grupo de teatro de Vesturport, Bragason baseou os seus personagens em pessoas reais. O filme é acerca de vários pais, e a questão sobre quem são os pai e quem são os filhos, relações e família. As famílias serão os parentes de sangue, ou será que isso interessa?  "Parents" é uma sequela independente de "Children".

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Noi, O Albino (Nói Albinói) 2003



Noi será o idiota da aldeia ou um génio disfarçado? Com apenas 17 anos de idade ele deriva pela vida num fiorde longínquo. No inverno o fiorde fica isolado do mundo exterior, cercado por montanhas ameaçadoras e enterrado sob um manto de neve. Noi sonha escapar desta prisão gelada com Iris, uma rapariga da cidade que trabalha no local. Mas as suas tentativas desastradas de fuga saem fora de controle, e terminam num completo falhanço. Apenas um desastre natural vai partir o universo de Noi, e abrir-lhe uma janela para um mundo melhor.
Dagur Kári  é um jovem realizador islandês (tinha apenas 30 anos nesta altura), para quem fazer filmes era apenas uma forma de expressão artística. No seu filme de estreia, leva-nos até ás paisagens cobertas de neve do extremo Noroeste da Islândia, até uma pequena comunidade onde a vida é muito lenta para todos os seus habitantes, incluindo um jovem albino de 17 anos.
Como filme, "Nói Albinói" é bastante inconsequente, uma série de eventos e anedotas passadas à volta de uma personagem bastante invulgar, mas é suficientemente estranho para se tornar num filme invulgar, e bastante interessante. O personagem principal e a localização são demasiado estranhos e desligados da realidade para que o espectador comum não se sinta ligado a eles.Mas enquanto o filme nunca liga os seus eventos particulares a uma narrativa convencional, ou a um estudo de personagem, captura um estado de espírito muito especial com um maravilhoso trabalho de câmara e uma banda sonora assombrosa, que se acumulam numa experiência invulgar. A maioria dos actores são amadores, ou trabalham em part-time, o que dá ao filme um certo charme extravagante, comparado aos filmes de Aki Kaurismäki, populados por personagens excêntricas numa comunidade onde o tempo e as experiências se movem a um ritmo e a um nível de realidade diferentes.
Passou em inúmeros festivais pelo mundo fora, tendo inclusive ganho os prémios de Melhor Actor e Melhor Realizador nos European Film Awards.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Duas Curtas Islandesas

On Top Down Under ( On Top Down Under) 2002
Um conto erótico com uma diferença. Passado nos terrenos baldios da Islândia, e no interior da Austrália.  Um homem e uma mulher...duas pessoas separadas por milhares de quilómetros, que nunca saberão da existência do outro. Ambos procuram respostas para a sua solitária existência. O contraste das paisagens, a neve do norte da Europa e a terra vermelha empoeirada da Austrália fazem um contraste muito interessante.
Não tem o objectivo de ser um filme feliz, mas tem uma enorme beleza em cada sequência.
Sem diálogos ou comentários, salvo por versos de um soneto de John Keats, "On Top Down Under" liga os pensamentos, as emoções, o desejo sensual de jovens amantes em lados opostos do mundo. Realizado pelo nosso já conhecido Friðrik Þór Friðriksson.

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The Last Farm (Síðasti Bærinn) 2004
Curta metragem realizada por Rúnar Rúnarsson, conta-nos a história de um velho agricultor que terá de lidar com a perda da mulher. Um filme muito, muito escuro, não apenas em relação à luz, mas também em relação à iluminação. Deita um olhar sobre o que vale a nossa vida, e outro ao amor que este camponês sente pela esposa. Com muito pouco diálogo, mesmo que não queiramos ler as legendas conseguimos perceber a mensagem. Foi a segunda nomeação ao Óscar de um filme islandês (aqui, melhor curta metragem), e um início de carreira auspicioso para Rúnar Rúnarsson, de quem ainda iremos ver outro filme neste ciclo.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Falcons (Fálkar) 2002



Simon, um homem com um passado misterioso regressa à Islândia com a intenção de acabar a sua vida. Antes de conseguir completar a tarefa conhece uma jovem mulher chamada Dúa, que ele acredita que pode ser a sua filha. Quando ela arranja problemas com a polícia, Simon esquece o seu desejo de morrer, e decide ajudá-la. Juntos fogem para a cidade de Hamburgo, e levam com eles aquela que é a melhor exportação dos Vikings, o falcão islandês, que pretendem contrabandear...
Para quem viu "Kes", de Ken Loach, o simbolismo da ave de rapina capturada é imediatamente significativo - a representação de um espírito livre que pretende elevar-se acima da pobreza das suas circunstâncias - mas enquanto este simbolismo pode não ser original, é bem sucedido na caracterização de Dúa. Caso não a consigam identificar com a ave, Simon refere-se a Dúa como uma "ave estranha".
"Falcons" é um "road movie" minimalista desenhado num tom sedutor, mesmo quando o sentimos estranho e artificial.  Fridriksson trabalha no já reconhecido estilo islandês - luzes e cores fortes, personagens idiossincráticos, e sequências tanto com longos silêncios como diálogos desconexos.
Contracenando lado a lado estão Keith Carradine e Margrét Vilhjálmsdóttir, que já a tínhamos visto como protagonista de "O Riso da Gaivota". Estes dois personagens encontram conforto na presença um do outro. Estão ambos ligados e descobrindo verdades sobre eles próprios que ignoraram nos seus passados. Fridriksson permite que eles se desenvolvam organicamente na tela. É uma odisseia envolvente, que nos surpreende continuamente, é tão original que nunca sabemos para onde vai a seguir.  
Legendas em inglês, nas partes faladas em islandês.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O Mar (Hafið) 2002



Um velho patriarca, desafiando a modernização, recusa-se a vender um negócio de pesca que ele próprio fundou, e como resultado causa enormes conflitos no seio da sua família. Sendo um homem rico, junta os seus herdeiros para discutir o futuro do negócio da família. Mas ao fazer isto, desencadeia uma tempestade de abuso sexual reprimido, suspeitas persistentes, rivalidades entre irmãos, e paixões incestuosas. Vai ser uma dura batalha entre o passado e o futuro, que culmina numa noite explosiva de raiva.
Shakespeare viaja até à Islândia para visitar uma particular família odiosa. "The Sea" é muito mais uma comédia de humor negro do que uma tragédia, este segundo filme de Baltasar Kormakur (depois de "101 Reykjavík"), deita um olhar em como um homem de família consegue dividir a sua família, mesmo que cheio de boas intenções, ao querer dividir o seu império.
O implacável frio islandês estabelece o cenário para um família que está unida por laços de sangue, mas não por amor. À medida que vamos conhecendo os personagens vamo-nos deparando com grandes doses de raiva, incesto, ciúmes, e uma batalha pela modernização de um negócio de família.
A história desta família está longe de ser amável. O pai está agora casado com a irmã da sua falecida esposa. Uma história de abuso e humilhação emerge rapidamente neste clima cinzento. A desolação na aldeia é paralela ao desespero que impera no seio da família, e que explode numa raiva (literalmente) ardente.
A paisagem exótica de gelo, neve e montanhas contrasta com a vulgaridade dos personagens. O talento de Kormakur reside em criar um ambiente opressivo, sem passar por cima destes personagens. Há momentos de humor suficientes para manter o ritmo do filme, ao mesmo tempo que pulamos para aquele canto esquecido do mundo, onde se vai passar a acção.

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domingo, 25 de janeiro de 2015

O Riso da Gaivota (Mávahlátur) 2001



Interior Islandês no pós-guerra, por volta de 1950. Freyja que era uma adolescente gordinha, regressa da América, agora uma viúva com uma cintura de 20 polegadas, sete malas de vestidos, e uma lista de quem a tratou mal em adolescente. Ela vai morar com um tio e uma tia socialistas, e encontrar um novo marido não está na sua agenda. A ordem social e Freyja são mais complicadas do que parecem à primeira vista. Divisão de classes, laços de família, orgulho, o início da puberdade, são alguns dos temas que vamos lidar.
"O Riso da Gaivota" é um filme dirigido e escrito por Ágúst Guðmundsson ("The Dance"-1998), baseado num livro escrito por Kristin Marja Baldursdóttir, com o mesmo nome. Dos realizadores que veremos neste ciclo, Guðmundsson é dos poucos que já tinha carreira anterior a 1991, em especial no território da televisão, sendo ele autor da série "Áramótaskaup". O filme começa como uma típica comédia/drama, mas pelo final demonstra o seu lado mais sombrio, com a sua heroína a revelar-se uma mulher fatal, e o filme a deslocar-se para o território do "film noir". O filme pode ser visto com um complexo estudo de uma personagem, neste caso uma mulher amargurada com o passado, a preparar uma conspiração contra os homens que a fizeram sofrer no passado.
A história é nos contada pelos olhos de Agga, uma jovem menina que espia Freyja, e vai contar tudo a quem a quiser ouvir. O seu maior confidente é Magnus, um policia decente que parece estar atraído por Freyja mas nunca avança para ela. Agga diverte-o quando lhe diz que pensa que Freyja matou o seu marido na América.
Sempre enigmática, mesmo para Agga que segue todos os seus passos, Freyja revela que a sua maior esperança é encontrar um homem rico e casar com ele. Na antiga mitologia nórdica Freyja era a deusa do amor, e as acções desta personagem são reminiscentes da heroína das sagas islandesas.
Legendado em inglês.

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Angels of the Universe (Englar Alheimsins) 2000



Páll é um jovem e sensível artista. Depois de ser abandonado pela namorada, Dagny, desencadeia uma enorme descida para a loucura. Seguimo-lo na inevitável descida para a perdição: primeiro em casa com os pais, até ao momento em que não conseguem mais lidar com ele, e depois numa instituição mental.

"Sendo comummente apelidado como a versão islandesa do célebre One Flew Over the Cuckoo’s Nest, este filme de 2000 surpreendeu-me muito. Em primeiro lugar, o desempenho dos actores é digno de ser relembrado, especialmente no que concerne ao homem que interpreta o papel principal, Ingvar E. Sigurðsson. As suas expressões foram muito bem trabalhadas e construídas, assim como os maneirismos retratados, em tudo típicos de um doente esquizofrénico. O olhar deste actor, perdido no vácuo, bem como a sua expressão violenta e, por vezes, alheia à realidade, esteve sempre muito presente em todas as cenas.
O que mais me fascinou neste filme, para além da história, foi a dinâmica e o impacto espelhado nos diálogos. Inicialmente somos confrontados com uma personagem feliz, apaixonada e capaz de fazer tudo pela pessoa amada. Todas as suas palavras são poesia, os elementos da natureza utilizados como belas metáforas, possibilidades inimagináveis, a vida toda à frente do seu sorriso. Após a separação, e já no contexto da doença mental de Páll, surgem as reflexões mais profundas, acompanhadas sempre pelo cigarro (elemento, a meu ver, demasiado presente em todas as cenas. Poucos foram os momentos em que não se viu esse objecto fumegante suspenso nos dedos dos actores).
Existem pérolas magníficas, que deixam o espectador a pensar e a reflectir. Exemplo disso é o diálogo entre Páll e Óli, travado no corredor do hospital psiquiátrico:
Páll: When I was a boy, the patients went around in uniforms that looked like canvas bags.Óli: They changed that ages ago. The policy now is to make hospitals look as much like ordinary homes as possible.Páll: Why do you think that is?Óli: Because ordinary homes have become so much like hospitals.
Quanto à banda sonora (o motivo, aliás, que me fez ver este filme), é, na minha opinião, bastante boa. Quase etérea, com alguns laivos de uma loucura contida, proporciona a envolvência necessária para que o espectador viva todas as cenas da melhor forma possível. Correndo o risco de ser um pouco parcial neste aspecto, o tema final – “Bíum Bíum Bambaló” - é lindíssimo, sendo da autoria da banda Sigur Rós.
Englar Alheimsins tornou-se num filme especial para mim devido à sua capacidade de me fazer pensar e reflectir em vários assuntos, nomeadamente numa questão que há muito me fascina. Depois de o ver, penso que é inevitável que o espectador se questione acerca da dicotomia entre a realidade e o sonho, a lucidez e a loucura, a doença e a sanidade mental. Até que ponto podemos nós afirmar que a sociedade na qual estamos inseridos é uma sociedade sã, dita normal e cujos padrões devem ser seguidos? Como podemos afirmar que esta sociedade é “normal” quando vemos pessoas a roubar, maltratar e atacar pessoas? Não serão esses indivíduos ditos loucos? Como podemos afirmar que esta sociedade é normal quando assistimos a violência gratuita, ataques terroristas? Afinal de contas, o que separa estes dois conceitos tantas vezes tão próximos, sanidade e insanidade? Será que existe uma barreira que é destruída em algum momento da vida de um homem e que o faz ser um louco, um doente mental?
É pelo olhar atento e algo desiludido de um homem perdido que assistimos a todas estas questões. Porque, afinal de contas, o que é ser louco? O que é ser doido? O que são doentes mentais?
A personagem principal responde: são anjos. Anjos do Universo.
E é nessa resposta que se encontra a beleza deste filme."
Texto tirado daqui 
Legendas em inglês.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

101 Reykjavík (101 Reykjavík) 2000



Hlynur (Hilmir Snaer Gudnason) é o slacker para acabar com todos os slackers. 30 anos de idade, ainda a viver com a mãe, desempregado, o nosso anti-herói está prestes a mudar a sua vida com a chegada de uma bela professora de flamenco (Victoria Abril), que se vem a descobrir que é lésbica.
Embora a natureza da vida islandesa desempenhe um papel importante na estreia como realizador de Baltasar Kormakur (vimo-lo como protagonista de "A Ilha do Diabo"), esta é uma história que poderia ocorrer em qualquer país do mundo livre. Os filmes de slackers americanos são as primeiras influências que nós vêm à idéia, e de facto "101 Reykjavik" vai ali buscar muito conteúdo.
Não há romance, apesar de ser um filme sobre as relações entre homem e mulher, e o protagonista não é uma pessoa particularmente simpática. Existem motivações secundárias neste filme, que sugerem outros motivos ainda mais escuros: como numa sequência em que um jovem Hlynur fecha a porta a um pai bêbado, e sobe para cima da cama da mãe, que lhe vira as costas.
"101 Reykjavik" apresenta um retrato realista do que é a vida noutros sitios. Pelo menos duas coisas fazem valer a pena este filme: a cena de abertura, e a banda sonora. Esta tem a espectacular colaboração do ícone da música punk Einar Orn, membro dos The Sugarcubes, onde também pertenceu Bjork, e ainda do músico dos Blur, Damon Albarn. Mas toda a banda sonora vale a pena.
Foi dos filmes islandeses a conseguir mais sucesso, na virada do século. Passou em vários festivais, como Bogota, Buenos Aires, Chicago, Locarno, Tbilissi, entre outros.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Ilha do Diabo (Djöflaeyjan) 1996



"Djoflaeyjan" acontece em Reykjavik, nos anos que sucedem a Segunda Guerra Mundial. O exército de ocupação britânico e americano deixou os seus bunkers para trás, que se tornam a casa de centenas de pessoas da classe mais baixa, que se encontravam sem casa durante este período. O filme conta-nos a história da luta, e da vida durante aqueles tempos, de um grupo de pessoas.
Desde 1996 que Fredrik Thor Fridriksson tinha deixado de ser o segredo mais bem guardado da Islândia. "Cold Fever" tinha já incluído alguns diálogos em inglês, um elenco internacional, que incluía a então raínha do cinema independente Lili Taylor, cenários espectaculares, e uma mistura eficiente de comédia e drama, para mostrar ao mundo que a Islândia, apesar de ser dito que tinha mais ovelhas do que pessoas, também tinha indústria de cinema. "A Ilha do Diabo" era uma viagem no tempo até à terra natal do realizador.
"A Ilha do Diabo" enfatiza um dos recorrentes temas abordados por este realizador: a forte influência da cultura americana na sociedade islandesa. Através de uma viagem ao passado, Fridriksson mostra-nos que as coisas não eram muito diferentes no pós-guerra, quando os americanos tinham abandonado a base militar em Camp Thule.
Ao longo da sua carreira, Fridriksson nunca foi crítico sobre a americanização do seu país, embora se possa ver este "A Ilha do Diabo" como uma reversão na tendência do realizador, porque pode-se ver mais pontos negativos do que positivos. O filme também reflecte as experiências do realizador na juventude, já que ele nasceu em 1953, mesmo na altura em que a acção se passa.
O tom escuro do filme está espalhado por todo o lado, alternando entre a comédia negra e o drama sombrio, e poderia ser aborrecido se Fridriksson não fosse tão habilidoso. O melhor de tudo é que ele consegue manter o filme relativamente imprevisível, e consegue fazê-lo não centrando o filme numa só personagem. Mantém a acção voltada para a família, para o meio ambiente, e as condições nas quais eles vivem. Fica claro que a melhor forma de sobreviver é manterem-se unidos.
Legendado em inglês, é um filme bastante raro.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Cold Fever (Á Köldum Klaka) 1995



"Cold Fever" conta-nos a história da viagem espiritual de um jovem japonês de negócios natural de Tóquio, Atsushi Hirati, que desiste de umas férias memoráveis no Hawai para prestar tributo aos seus falecidos pais, que faleceram num rio isolado na Islândia, anos atrás. De acordo com os costumes japoneses os seus espíritos devem ser reconfortados e alimentados para que possam viver em paz.
A resistência e a paciência de Hirati são postas à prova numa difícil viagem por toda a ilha, num velho Citroen. Ao longo do caminho ele encontra uma mulher obcecada por funerais, um casal de perigosos americanos, uma menina espírita cujos gritos devastam icebergs. Hirati vai também encontrar um homem que tem o que ele precisa para cumprir as obrigações familiares.
No final não é a meditação sobre o tempo e a morte que nos ficam na mente, mas sim o seu aspecto de "diário de viagem". A neve está em todo lado, e em todas as suas variações. Durante o dia são quilómetros de quietude, nada mais do que o branco congelado. Mas, à luz da lua tudo muda de côr.
Escrito e realizado por Fridrik Thor Fridriksson, "Cold Fever" é um filme fascinante, especialmente para quem quiser conhecer as belezas paisagísticas da Islândia. Lembra-nos que as experiências mais gratificantes da vida muitas vezes não são planeadas, e podem ter pouco a ver com o lazer. Tal como diz o protagonista no final: "Sometimes a journey can take you to a place that's not on any map."
Lili Taylor e Fisher Stevens aparecem creditados no filme em segundo e terceiro lugar, mas na realidade têm apenas pequenos papéis.
Ganhou o prémio principal no Festróia de 1996.

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