Mostrar mensagens com a etiqueta Joaquim Pinto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joaquim Pinto. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de maio de 2018

Das Tripas Coração (Das Tripas Coração) 1992

Dois gémeos ruivos de vinte anos, Beatriz e Armando realizam o seu sonho tornando-se bombeiros. No exercício dessa função Armando acode a uma linda vizinha em apuros. Entre eles nasce uma calma amizade, mas que se transforma nas conversas com a irmã, numa paixão escaldante. Beatriz começa então a sentir estranhos sintomas: ouve fogos! Para se proteger do ruído destas imaginárias fogueiras ela compra um walkman, coisa que contribui para a isolar dos outros e sobretudo do irmão. Até que, por acaso, descobre a cura: beijos. É simples: basta que alguém a beije para que o silêncio volte à sua cabeça. Passa então de homem em homem, escolhendo de preferência turistas, que ela não verá nunca mais....
Alguns dos filmes portugueses mais interessantes dos anos noventa eram sobre a adolescência, e a forma como tentavam construir a sua subjectividade. Joaquim Pinto constrói uma bela, tocante e intensa história em torno de dois irmãos gémeos, um rapaz e uma rapariga, ambos bombeiros que se deixam perturbar muito mais pelo fogo interior das suas paixões, desejos e receios, que pelo fogo real que combatem no quotidiano. Pinto mais uma vez traça o retrato de jovens almas em conflito num filme sensível e amargo que conta com a participação de Leonor Silveira, Armando Cortez e Márcia Breia no elenco.
Contribuição de Joaquim Pinto para a série “Os Quatro Elementos” (co-produção Madragoa, RTP, La Sept) em que lhe coube filmar o Fogo, ao lado de João César Monteiro (a Água: "O Último Mergulho"), João Mário Grilo (a Terra: "O Fim do Mundo") e João Botelho (o Ar: "No Dia dos Meus Anos").

Link
Imdb

sábado, 25 de abril de 2015

Onde Bate o Sol (Onde Bate o Sol) 1989

Laura vive em Vouzela com o marido, bastante mais velho do que ela. Quando Nuno, seu irmão, a visita, apercebe-se de que Laura não tem uma vida feliz. Por sua vez, Nuno enceta amizade com um ajudante na quinta do seu cunhado. Começa, então, a sentir algo que, antes, nunca experimentara. As circunstâncias colocam Laura e Nuno um contra o outro, até que - esgotadas as possibilidades de saída para as situações em que se encontram - voltam a aproximar-se...
"“Onde Bate o Sol”, segunda longa-metragem de Joaquim Pinto realizada em 1989, abre com um largo plano do céu rasgado pelos vapores de um avião, parecidíssimo com um que Fernando Lopes também fez pelos inícios de “Matar Saudades”. Tanto num como noutro o avião surge-nos longíssimo, praticamente um risco animado na pelicula, para nos localizar, e para o filme se localizar, longe dos aeroportos, das capitais e de certas leis.
Assim como no belíssimo e cosmicamente sussurrado “Uma Pedra no Bolso”, tudo parece e é fragilidade, filigrana, mínimo, dos meios técnicos aos actores e não-actores, para nos momentos decisivos onde as coisas acontecem e abanam se tornar extremamente coeso, forte, físico. Dessa horizontalidade etérea da primeira imagem que logo desce em panorâmica total para as marcas e cicatrizes de um rosto até à profundidade em que o filme fecha, com dois seres caminhando verticalmente e mesmo desvanecendo-se no que pode ser a consumação dos segredos e descobertas de uma trama igual e logo diferente de todas as outras, tudo se pode passar.
Rodado e vivido em Vouzela e em idênticas regiões ingremes e agrestes, solares e faiscantes, a cidade e a sua poluição vão ser um lugar a evitar e o comboio vai teimar em não regressar desde a severa chegada encantatória e ambígua do protagonista. Quando esse regresso infame se dá, não pode durar. Protagonista que encontra um mundo que parecendo tão fora dele é verdadeiramente mundo, tão às avessas como o que deixou e tão propicio à perdição, efabulação e caos. É a irmã que parece estar a desperdiçar a vida nas aparências quando podia ter tudo a seus pés, o ajudante da quinta onde tudo se passa que lhe mostra o que se calhar nunca esperou, sentimentos abafados e proibições imemoriais, enfim, também a letargia e desinteresses de que parece padecer a encontrarem terreno fértil para vingarem. A cena do primeiro almoço é assustadora de espelho e projecção de um ontem como hoje e assim de um fado muito nosso."
Por José Oliveira. Podem ler mais, aqui

Link
Imdb

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma Pedra no Bolso (Uma Pedra no Bolso) 1988



Uma história de iniciação e embate com a idade adulta: em férias na estalagem de uma tia à beira mar, Miguel encontra Luísa, o pescador João e o Dr. Fernando, três personagens que marcarão a entrada da sua primeira.
"Uma equipa de filmagens de quatro pessoas, uma longa-metragem autofinanciada  em grande parte, a aventura calculada e apaixonante de fazer um filme sem estar à espera de subsídios, um projecto de cinema em perfeita adequação à magreza de meios que não de vontade de cinema nem de rigor narrativo: assim nasce um filme livre, moderno, atento, disponível, estimulante. No centro da ficção, o fim da inocência, a iniciação de um miúdo às encruzilhadas da vida, às desilusões.
O filme mistura habilmente amadores e profissionais, daqueles esperando o rigor e o imprevisto (e é mérito da câmera de Joaquim Pinto ter esperado por isso), destes colhendo a solidez. O resultado é um filme vivo e fresco, dolorido quanto baste, que sabe que o cinema é acção e sussuros, uma história e pontas soltas por onde o espectador possa investir por sua conta e risco.
O resultado é uma das maiores surpresas do cinema português dos anos 80."  Jorge Leitão Ramos

Link
Imdb