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segunda-feira, 18 de março de 2019

Contrato Para Matar (The Killers) 1964

“Os Assassinos” (The Killers), de 1964, é a terceira adaptação do conto de Ernest Hemingway. As outras duas foram as de Robert Siodmak, de 1946 – um clássico noir -, e a segunda um curta metragem de Andrei Tarkovsky (em co-direção com Alexander Gordon e Marika Beiku), de 1957, mas nenhum deles se iguala a essa versão dirigida por Don Siegel. Como se sabe, o filme foi produzido originalmente para a televisao, mas por causa de sua brutalidade foi exibido nos cinemas.
Se o conto de Hemingway, e consequentemente as suas adaptações cinematográficas, mostra dois assassinos que vão a um restaurante rural para eliminar um homem marcado. Don Siegel subverte muda completamente o ponto da história, mostrando Charlie Strom (Lee Marvin) e Lee (Clu Gulager) como os dois assassinos contratados para eliminar Johnny North (John Cassavetes) que, ao ficar frente a frente com o seu destino, o aceita. A sua passividade diante da morte, aceitando-a sem implorar, choca a dupla. Os dois, após investigar o motivo de tanta submissão, descobrem que Johnny North estava envolvido com Sheila Farr (Angie Dickinson), namorada de Jack Browling (Ronald Reagan). 
Don Siegel fez um trabalho e tanto com seu elenco. Conhecido por sua direção de atores econômica e eficiente, ele arranca performances memoráveis de Dickinson e Reagan. Ela, uma femme fatale na mais pura acepção do termo; ele, na performance de sua vida, a sua ultima atuação antes de se dedicar à política. “Os Assassinos” é um filme que se sustenta pelo olhar, seja na cena de abertura em que o rosto do personagem de Lee Marvin aparece refletido nas lentes dos óculos escuros de Clu Gulager, assim como os olhos de John Cassavetes que não saem da cabeça de seus executores. 
Don Siegel é um realizador que fez muito a minha cabeça como cinéfilo em formação: títulos como “Meu Nome é Coogan” (Coogan’s Bluff), de 1968; “Os Abutres Têm Fome” (Two Mules For Sister Sara), de 1970; “Perseguidor Implacável” (Dirty Harry), de 1971; e “O Homem Que Burlou A Máfia” (Charley Varrick), de 1975, da mesma forma que este “The Killers” formaram o meu gosto estético por filmes que Rogério Durst, crítico de cinema do jornal O Globo, nos anos noventa, alcunhou de Cine-Machão. Filmes secos, diretos, crus. Todos os títulos acima citados foram vistos na televisão, em madrugadas passadas em claro esperando a próxima atração do Coruja Colorida. 
* Texto da autoria do Alexandre Mourão. 

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sábado, 10 de dezembro de 2016

Capítulo 11 - Western

O Pistoleiro do Diabo (High Plains Drifter) 1973
Um homem chega à pequena cidade de Lago, no Arizona. Provocado, mata três pistoleiros e fica a saber que um dos homens que matou tinha sido contratado pelos moradores para defender a cidade dos bandidos violentos que vão chegar em breve. O estranho aceita assumir a tarefa, mas impõe as suas condições. Entre elas, que a cidade seja toda pintada de vermelho e que o seu nome seja mudado para Hell (inferno).
A última grande vaga de westerns, conhecida evocativamente como os "anti-westerns", e exemplificada pelos filmes de Sam Peckinpah ou Monte Hellman, chegou durante a época do Vietname, quando os mitos americanos sobre o bem e o mal foram universalmente chamados à razão. Os velhos estereótipos do western, good guy bad guy, duelos, cidades trabalhadoras da fronteira, foram interrogados até à sua hipocrisia amoral, um processo que nenhum outro filme sofreu tão explicitamente, como "High Plains Drifter", de Clint Eastwood.
Eastwood interpreta um personagem que voltaria várias vezes ao longo da sua carreira, o "homem sem nome", que aqui é um robusto pistoleiro saído da névoa do deserto, e tropeça na pequena cidade de Lago, onde pode ou não pode ter negócios inacabados, trazidos de outra vida.
Seria a segunda realização de Clint Eastwood, a primeira tinha sido "Play Misty for Me" (1971).

Soldado Azul (Soldier Blue) 1970
Quando atravessavam o território Cheyenne transportando um cofre e levando Cresta Marybelle Le (Candice Bergen) uma mulher branca que viveu com os Cheyennes, vinte e dois soldados da cavalaria são atacados por índios. Apenas Cresta e o ingénuo, idealista e desajeitado recruta Honus Gent (Peter Strauss) sobrevivem. Juntos, caminham até ao Forte Reunion, onde Cresta deverá encontrar-se com o noivo e durante esta viagem, Honus protege Cresta contra os índios Kiowa, destrói o carregamento de um traficante de armas e apaixona-se por Cresta, mas não acredita nas suas palavras quando ela o tenta convencer que os Cheyennes são pacíficos.
Com um tom antibelicista, em defesa dos índios mas, na verdade, dirigido à guerra do Vietname, que por esta altura estava no seu auge, tenta chocar o público com imagens do massacre dos índios, fazendo ligação com o incidente do massacre da aldeia vietnamita de My Lai, na qual também foram mortas mulheres e crianças pelas tropas americanas.
Realizado por Ralph Nelson, "Soldier Blue" foi um filme cercado por uma enorme controvérsia devido à brutalidade e ao sadismo documentado pelas suas imagens. A influência era de "The Wild Bunch" (1969), de Sam Peckinpah, um filme que marcou uma vaga invisível de violência, abrindo o caminho a uma série de realizadores ansiosos por empurrar os limites do gosto e da decência dentro dos limites comerciais. Tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido foi fortemente cortado, só sendo possível ser visto a sua versão integral quando o filme foi lançado em DVD.

 Monty Walsh - Um Homem Difícil de Morrer (Monte Walsh) 1970
O triste olhar de dois velhos cowboys sobre o fim do Velho Oeste. Bebedeiras, rodeios, brigas e tiroteios começam a sair da rotina e Monte e Chet (Lee Marvin e Jack Palance) pensam em como dar um sentido às suas vidas, antes que se tornem peças de museu.
"The Wild Bunch" (1969), de Sam Peckinpah é muitas vezes considerado o último suspiro no território do western, mas o certo é que o território do velho oeste continuou a ser explorado com relativa afluência durante alguns anos. O caso de "Monte Walsh", obra de estreia de William A. Fraker, um pequeno western relativamente pouco conhecido, situa-se algures entre a fúria de "The Wild Bunch" e a calmaria de "McCabe & Mrs. Miller" (1971) de Robert Altman, mas ainda assim é um filme impressionante que beneficia muito da experiência de Fraker como fotógrafo, principalmente por ter fotografado filmes como "Rosemary´s Baby", "Bullit" ou "Paint Your Wagon".
Fraker pinta um retrato do velho Oeste que é ao mesmo tempo romantizado e surpreendentemente decrépito. Como era costume nos westerns da época, a fronteira parece sempre bonita, mas os personagens não parecem entender a sua beleza, apenas tentam sobreviver num ambiente implacável.
Contracenando com as duas estrelas principais, Lee Marvin e Jack Palance, vamos encontrar Jeanne Moreau,numa das suas primeiras incursões pelo cinema americano.

Nevada Smith (Nevada Smith) 1966
Velho Oeste, final do século XIX. Sam Sand (Gene Evans) e a sua mulher, uma índia, são torturados e mortos por três pistoleiros, que acreditam que Sam escondia uma boa quantidade de ouro. O filho do casal, Max Sand (Steve McQueen), ficou tão chocado ao ver os corpos dos pais que decidiu que não queria que ninguém mais os visse assim, queimando a casa com os corpos lá dentro. Max decide vingar-se custe o que custar, mas não sabe disparar e nem sequer escrever ou ler. Além disso não sabe o nome dos assassinos, que viu apenas uma vez por breves instantes.
Embora as prequelas sejam consideradas uma idéia moderna, apenas o nome é uma invenção recente. "Nevada Smith", estreado em 1966, conta a história de um dos personagens do filme "The Carpetbaggers", lançado em 1964, com realização de Edward Dmytryk. Ambos os filmes são baseados nos eventos do livro de Harold Robbins, mas se no primeiro a personagem de Nevada Smith é interpretada por Alan Ladd, no segundo é Steve McQueen quem salta para o papel. Apesar da ligação, não é necessário nenhum conhecimento prévio para ver qualquer um dos filmes.
McQueen era um actor carismático e talentoso, aqui em fase claramente ascendente. "Nevada Smith" funciona mais como um filme veículo do talento do actor, com uma realização segura de Henry Hathaway. O elenco de apoio também era de muito valor: Karl Malden, Brian Keith, Arthur Kennedy, Janet Margolin, Martin Landau, entre outros.

Os Comancheros (The Comancheros) 1961
Em 1843 um capitão dos Texas Rangers, Jake Cutter (John Wayne), captura o jogador Paul Regret (Stuart Whitman), que teve o azar de matar em duelo o filho de um juiz. Jake encaminha Paul para a sua cidade e durante a viagem os dois unem-se para acabar com os comancheros, brancos que vendem armas e bebidas para os índios.
"The Comancheros" foi o último filme do realizador Michael Curtiz, que faleceu no ano seguinte. Supostamente Curtiz estava constantemente doente durante a produção do filme, e Wayne teve de substitui-lo em algumas cenas, embora não apareça creditado como tal. O filme é basicamente um veículo para John Wayne, com um argumento pouco inspirado. Mas tem um ponto forte muito interessante: a introdução do cowboy bêbado de Lee Marvin, que teve continuação em filmes como "The Man Who Shoot Liberty Valance", "Cat Ballou" ou "Paint Your Wagon". Quando chegada a altura de "Cat Ballou" Marvin já era muito bom neste papel, ao ponto de ter ganho um Óscar por interpretar esta personagem.
como entretenimento funciona bastante bem.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Desaparecido em Combate (Missing in Action) 1984
O coronel das Forças Especiais James Braddock precisa de trazer de volta soldados norte-americanos que ainda estão a ser mantidos como prisioneiros no Vietname. Contando com a ajuda da funcionária do Departamento de Estado e de um ex-colega do Exército, Braddock reúne informações altamente confidenciais e armamento da última geração. Braddock forma então um exército de um homem só, disposto a invadir o Vietname para localizar e salvar os seus restantes companheiros desaparecidos em combate.
Um dos filmes de acção mais famosos dos anos oitenta, que originou uma vaga de filmes revisionistas sobre a Guerra do Vietname. O argumento de James Bruner é tipicamente tão anticomunista que faria Ronald Regan orgulhoso. A questão de soldados americanos ilegalmente mantidos no Vietname e do campo minado da diplomacia burocrática já tinha sido explorada com algum efeito em "Uncommon Valor" (1983). Mas onde "Uncommon Valor" procura desenvolver as personagens, motivações, e o estado emocional, "Missing in Action", como veículo promocional de Norris, opta por todos os tipos de acção. A odisseia do coronel James Braddock chegou aos cinemas pouco antes do seu copycat, "Rambo: First Blood Part II" (1985).
Com um modesto orçamento de 2,5 milhões de dólares (ao contrário de "Rambo: First Blood Part II", que tinha um orçamento de 44 milhões) o realizador Joseph Zito consegue fazer milagres. Ele foi, sem dúvida, prejudicado pela estratégia económica da Canon Films, mas era extremamente eficiente a trabalhar com baixos orçamentos, já tinha sido assim com "The Prowler" (1981) e "Friday the 13th: The Final Chapter" (1984), dois interessantes filmes de terror. "Mission in Action" foi uma das entradas mais importantes nos filmes dos anos 80 transbordantes em  testosterona e machismo. Podem ler mais sobre ele, aqui.

Invasão EUA (Invasion U.S.A.) 1985
Mikhail Rostov (o eterno vilão Richard Lynch) é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. Junta uma quadrilha de mercenários e terroristas de todo o mundo, liderados por ele e pelo seu braço direito, Nikko (Alexander Zale), e entram facilmente no território americano, iniciando uma série de atentados e assassinatos que seria o início da auto-proclamada "Invasão dos Estados Unidos". O plano de Rostov é jogar os próprios americanos uns contra os outros e fazer ruir a democracia americana. E só há uma pessoa capaz de o deter: Matt Hunter (Chuck Norris).
 Apesar da sua longa associação com Charles Bronson, e a sua curta colaboração com Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris era, inquestionavelmente a jóia da coroa da Canon Films desde meados dos anos 80 até ao início dos anos 90. Era uma estrela internacional que não ligava a nomes, nem se importava com argumentos, desde que tivesse hipóteses de dar uns tiros e pontapés. Em "Invasion USA" ele escreveu o argumento em conjunto com James Bruner, a partir de uma história do seu próprio irmão, Aaron Norris, ´que tinha trabalhado como duplo em vários filmes do seu próprio irmão. Joseph Zito era de novo o realizador, depois de "Desaparecido em Combate".

Força Delta (Delta Force) 1986
Quando um avião norte-americano de passageiros é sequestrado e levado para Beirute, o Presidente chama a Força Delta - uma equipa de ataque comandada pelo Coronel Nick Alexander (Lee Marvin) e o Major Scott McCoy (Chuck Norris). Enfrentando todas as adversidades, os homens invadem o esconderijo e - sem levar nenhum prisioneiro - resgatam os reféns. Mas a missão ainda não acabou. Alguns passageiros remanescentes estão a ser "escoltados" a Teerão, o que dá início a uma corrida contra o tempo à medida que Alexander e McCoy tentam salvá-los e vingar a honra da América, antes que seja tarde demais.
Vagamente baseado num sequestro do voo 847 da TWA, é um filme muito parecido com os blockbusters da série "Aeroporto". Introduz-nos a um número elevado de personagens (na forma típica dos filmes da série "Aeroporto", como Martin Balsam, Joey Bishop, Shelley Winters, Lainie Kazan, ou George Kennedy), antes de serem todos empurrados para um avião comercial em Nova Iorque, e serem raptados por dois terroristas libaneses (Robert Forster, David Menachem) que protestam a existência de Israel. A mais estranha e impressionante coisa sobre o filme, é o balanço entre heróis e vilões. Em vez do heroísmo exagerado esperado o realizador/ produtor/ co-argumentista Menahem Golan (ele próprio um israelita), permite que a Força Delta faça algumas coisas más, e os terroristas façam algumas coisas boas. Não era exactamente um filme com o preto no branco, como era habitual na tarifa da Canon.
O elenco era recheado de estrelas, e para além das faladas em cima contava ainda com: Hanna Schygulla, Susan Strasberg, Bo Svenson, Robert Vaughn, Kevin Dillon, e Liam Neeson.
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domingo, 14 de fevereiro de 2016

A Fúria das Armas (Gun Fury) 1953


Originalmente filmado e lançado em 3-D, Gun Fury (1953) é um dos melhores westerns produzidos neste formato, e funciona tão bem como uma versão "normal", deixando intactos todos os seus truques originais. A história tem lugar na pós-Guerra Cívil, e abre com Jennifer Ballard (Donna Reed) a viajar numa carruagem ao encontro do seu noivo Ben Warren (Rock Hudson). A acompanhar Jennifer na sua viagem está Frank Slayton (Phil Carey), que viaja com o nome de Mr. Hampton, por uma razão.Na verdade ele é um ex-confederado tornado fora-da-lei que fica com uma simpatia especial pela senhora Ballard, com a sua natureza a ser revelada mal o casal está reunido. Slayton e o seu gang assaltam a carruagem que agora transporta o casal, abusam de Jennifer e deixam Ben como morto, depois de o abaterem. O que se segue é uma história de vingança e retribuição, com Ben, ferido, a perseguir os bandidos, usando a astúcia para resgatar a sua noiva.
Dirigido por Raoul Walsh depois dos seus anos de ouro na Warner Bros, "Gun Fury" é uma aventura de acção robusta e divertida, que preenche todos os requisitos de um filme de orçamento modesto. As paisagens naturais deslumbrantes (filmado perto de Sedona, Arizona), e um ritmo sempre acelerado são as principais características do filme, mas a principal atracção do filme é o elenco, que inclui dois dos maiores pesos pesados no que diz respeito a vilões de Hollywood,  Lee Marvin como Blinky e Neville Brand como Brazos. Apesar de papéis pequenos, os dois fazem justiça à sua fama de vilões, mas neste filme ninguém chega perto da vilania de Phil Carey. 
Existe uma tensão por toda a parte, principalmente no que diz respeito à heroína vitimada de Donna Reed. A ameaça de violação em grupo está implícita na personagem de Jennifer, que nunca é glamourizada. Na verdade, ela é submetida a uma provação física após outra, principalmente depois de uma tentativa de fuga onde ela é amarrada e arrastada por um cavalo. 
"Gun Fury" é baseado no livro "Ten Against Caesar" de Robert A. Granger, e foi adaptado para o grande ecrã por Roy Huggins e Irving Wallace. Donna Reed interpretaria cinco filmes neste ano, ganhando o Óscar de Melhor Actriz Secundária em "From Here to Eternity".

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carne de Primeira (Prime Cut) 1972

Mary Ann (Gene Hackman) é o dono de um matadouro com ligações a Jake, um grande chefe da Máfia. O seu negócio é apenas fachada para o comércio de drogas e prostituição. Deve uma grande quantia de dinheiro a Jake, mas os primeiros cobradores são transformados em salsichas (literalmente). Assim, Nick Devlin (Lee Marvin) é contratado pelo poderoso mafioso para receber a dívida, nem que para isso tenha de matar Mary Ann.
Esta mistura pouco frequente entre acção e sátira é um passeio memorável ao "vale tudo" que Hollywood experimentou durante a década de 70. "Prime Cut" tem a quantidade de pancadaria e tiroteios do que se espera para um filme de acção, mas a inspiração do argumentista Robert Dillon, pouco vulgar para o argumento de um filme deste género, colocando a história num ambiente rural, acompanhada por um tom satírico. Michael Ritchie, mais conhecido por comédias como "The Bad News Bears", conduz a acção com um toque leve e espirituoso, e consegue arrancar óptimas interpretações dos seus actores principais: Marvin como o gangster machista, Hackman como o seu tempestuoso inimigo, e Sissy Spacek e Angel Tompkins como fortes suportes femininos.
Tudo somado, pode parecer um pouco estranho para os espectadores que gostam de filmes de acção, mas tem a mistura perfeita para o que é considerado cinema de culto.

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Homem Que Matou Liberty Valence (The Man Who Shot Liberty Valance) 1962



Quando o Senador  Ransom Stoddard regressa para casa em Shinbone, para o funeral de Tom Doniphon, conta a um editor do jornal local a história por detrás da sua vida. Ele tinha chegado à cidade muitos anos antes, um advogado por profissão. A diligência tinha sido roubada pelo rufia local, Liberty Valance, que tinha deixado Stoddard sem nada, a não ser uns livros de direito. Consegue um trabalho na cozinha de um restaurante, onde conhece a sua futura mulher, Hallie. Em flachback vamos ficar a saber como é que a vida destas quatro pessoas se cruzou.
A mudança da guarda, a perseverança de um homem, e a necessidade de um herói são temas recorrentes neste grande clássico de John Ford, The Man Who Shot Liberty Valance. Mais elegante do que a maioria dos westerns de Ford, resultou na única vez que contracenaram dois dos mais míticos actores da história do cinema, John Wayne, o cowboy maior do que a vida, e James Stewart, o bom rapaz que toda a gente gostava em Hollywood. O resultado seria um dos maiores westerns jamais feitos.
De certa forma, Wayne nunca esteve tão bem como aqui, nem mesmo em "The Searchers", e Stewart, que costuma estar sempre bem, mantém-se firme num papel oposto ao de Wayne, e mantém um contraste interessante com a dureza do outro actor. O personagem de Stewart é o mais efeminado dos dois, e usa mesmo avental a maior parte do filme, incluindo no duelo com o vilão. A fotografia de William H. Clothier dá ao filme uma atmosfera quase noirish, e Ford, como é habitual faz um grande uso do seu naipe de actores secundários, em especial Woody Stroode, e Lee Marvin como vilão. 
É evidente que Ford ficou cada vez mais desiludido com a sociedade, que é visível principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial, e quanto mais profundo se tornou o seu desespero, mais visível isso ficou nos seus westerns. Mesmo nos filmes menores do final da sua carreira, como Cheyenne Autumn, a sua fé deu lugar ao pessimismo, tal como se vê nos filmes da cavalaria onde ele mostra os seus soldados a derrubarem os índios desarmados.
Foi o último filme que Ford fez com Wayne como protagonista. Os dois morreriam na década seguinte, Ford em 1973 e Wayne em 1979.
Filme escolhido pelo Nuno Fonseca.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Sargento da Força Um (The Big Red One) 1980



Em 1980, depois de 30 anos a dirigir filmes, Samuel Fuller fez aquela que esperava a ser sua obra-prima, com base nas suas próprias experiências na II Guerra Mundial, com a unidade , o "big red one". A versão de Fuller era um épico de quase quatro horas de duração. Certamente que teria sido o culminar de toda a sua obra, e de facto foi a sua obra-prima - mas só foi reconhecida alguns anos mais tarde. Não foi logo na altura porque o estúdio cortou-o para 2 horas, com narração adicionada, e uma nova banda sonora que Fuller não aprovava. Como está agora , The Big Red One é uma das muitas obras-primas do realizador, entre os seus muitos e baratos filmes de série B, como The Steel Helmet, Pickup on South Street , Shock Corridor , ou The Naked Kiss .Teria sido fantástico ver Fuller nomeado ao Óscar por este filme, mas a triste verdade é que não era um grande momento para os filmes da Segunda Guerra Mundial na bilheteria. Os filmes do Vietname, Apocalypse Now, The Deer Hunter, e Coming Home tinham tudo sido recentemente lançados, e os da Segunda Guerra Mundial pareciam já ter sido ultrapassados. Mas The Big Red One é um filme de guerra tão bom, ou melhor, do que aqueles, e ainda melhor em alguns aspectos. É provavelmente melhor do que Platoon ou Full Metal Jacket, da segunda vaga de filmes do Vietname na década de 80. The Big Red One recebeu algumas críticas respeitáveis ​​e alguns resultados na bilheteria, e desapareceu, assim como a maioria dos outros filmes de Fuller.
Lee Marvin interpreta um sargento sem nome, que tinha sobrevivido à Primeira Guerra Mundial. O filme abre com um prólogo em que Marvin mata um soldado inimigo antes de descobrir que a guerra já tinha terminado há quatro horas. Tecnicamente, ele agora é um assassino. Marvin carrega esse peso no seu grande rosto de granito ao longo de todo o filme. The Big Red One é o pelotão de Marvin, que contém quatro soldados que parecem sobreviver a todos os tipos de horror, não importa o quanto bizarro sejam, e uma série interminável de jovens recrutas que morrem antes que possamos saber os seus nomes. Mark Hamill (no mesmo ano em que fez O Império Contra-Ataca) é Griff, um cartoonista e um covarde que quase sempre parece que vai fugir, mas não o faz.The Big Red One é composta por muitas pequenas histórias desligadas, excepto pelos personagens e o cenário. A equipa sobrevive a uma emboscada alemão, liberta um grupo de idosos e mulheres italianas da escravidão pelos alemães, invade um manicómio (um retrocesso para Shock Corridor), e entrega um bébé dentro de um tanque alemão. Estas são histórias lúcidas e frescas. A memória de Fuller não desapareceu de todo ao longo de 40 anos, não há nenhum sentimentalismo, nenhuma mensagem, nenhuma justificação. É apenas um relato em primeira mão, sobre os horrores e as maravilhas da guerra. 
O filme termina com uma situação semelhante à do início, e sabemos que os países vão voltar à guerra, e quase nada irá mudar. Nada, excepto as pessoas que serviram na guerra. Pode acontecer como nas linhas finais do primeiro filme de guerra de Fuller, The Steel Helmet, em que o realizador proclama, No End to This Story. The Big Red One é atravessado por uma onda emocional honesta, porque consegue ser cinema em estado puro. Ele também pode ser sentido como um filme maldito, porque é o registro de alguém que sobreviveu.
Fuller falou sobre restaurar a sua versão original, mas morreu em 1997 sem o conseguir fazer. O crítico de cinema Richard Schickel supervisionou a reconstrução que leva o filme até 158 minutos, e revela uma riqueza que faltava na versão anterior, suspeita-se que a versão de 270 minutos foi um corte brusco mesmo. O restaurado "The Big Red One" é mais capaz de sugerir a extensão e a duração da guerra, as distâncias percorridas, e torna-o num dos melhores filmes de guerra de todos os tempos. A versão aqui apresentada neste post, é a restaurada.
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sábado, 31 de agosto de 2013

A Árvore da Vida (Raintree County) 1957



O abolicionista John Wickliff Shawnessy afasta-se da sua namorada do colegio Nell Gaither e entra num caso de amor apaixonante com uma rica senhora de New chamada Susanna Drake, mas é levado a casar-se com ela quando esta falsamente lhe diz que está grávida. Mas mesmo depois de Susanna lhe dizer a verdade ele continua com ela por amor. John descobre que Suzana esconde um segredo obscuro que a leva à loucura. Esta loucura provoca Susanna a fugir para o sul durante a guerra civil levando o filho com ela. John sai de casa para se alistar no Exército do Norte como o único meio para encontrar Susanna.
Dirigido por Edward Dmytryk, com argumento de Millard Kaufman (Take a High Ground! (1953) e Bad Day at Black Rock (1955)), este filme sobre a era da guerra civil recebeu quatro nomeações ao Oscar, incluindo uma para Elizabeth Taylor como Melhor Atriz. O elenco também inclui Montgomery Clift, Eva Marie Saint, Nigel Patrick, Lee Marvin, Rod Taylor, Agnes Moorehead, Walter Abel, Tom Drake, Rhys Williams, e até mesmo DeForest Kelley (Dr. McCoy em Star Trek), entre outros. O filme é longo (quase três horas de duração), um pouco lento, e sofre não só do acidente de carro de Clift durante a rodagem do filme, que lhe provocou uma representação inibida, mas também de uma conclusão pouco satisfatória.
Schary Dory, chefe de produção da MGM, pensou que este best-seller de 1948, de Ross Lockridge Jr. seria a sua resposta para Gone With The Wind. O romance é um longo conto de divagação da vida de uma pequena cidade em Indiana, em meados do século 19. Logo depois do livro ser publicado Lockridge, aos 33 anos, suicidou-se, sofrendo de uma depressão. O argumento Millard Kaufman preocupava-se com as esperanças não cumpridas e os sonhos não realizados de um pequeno grupo de cidadãos comuns. Dmytryk dirigiu este épico romântico de grande orçamento que custou ao estúdio quase seis milhões de dólares (Gone With the Wind custou apenas cinco milhões, apesar de ter sido feito alguns anos antes). O filme vale sobretudo pelo seu guarda-roupa esplêndido e o uso de câmeras de 70 milímetros - apelidadas de "Câmera 65".
Só consegui o filme com legendas em inglês.

Parte 1
Parte 2 
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os Revoltados do Caine (The Caine Mutiny) 1954



The Caine Mutiny é várias coisas no mesmo filme. É um filme de guerra, um drama de tribunal, alegoria política, e a hora de ouro para muitos dos heróis do estúdio de Hollywood. Produzido por Stanley Kramer e dirigido por Edward Dmytryk, a partir de um romance vencedor do Pulitzer por Herman Wouk (The Winds of War), The Caine Mutiny. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, a bordo de um pequeno e insignificante navio da Frota do Pacífico dos EUA, ocorre um evento diferente de qualquer outro que Marinha dos Estados Unidos passou. O capitão do navio é removido do seu comando pelo Diretor Executivo, num aparente acto de motim. Como o julgamento dos amotinados a desdobrar-se, sabe-se então que o capitão do navio era mentalmente instável, talvez até mesmo insano. A Marinha deve então decidir: se o Caine Mutiny foi um acto criminoso ou um acto de coragem para salvar um navio da destruição nas mãos do seu capitão.
A intriga ocupa os dois primeiros actos de The Caine Mutiny, e é tão fascinante como qualquer filme de guerra, mesmo sem a presença constante de armas em punho. Entre os dissidentes, Van Johnson e Fred MacMurray trabalham bem juntos. Maryk (Van Johnson) tem um consciente sentido do dever e da honra e ir contra Queeg (interpretado por Bogart) é uma decisão difícil, que toma quando sente que não tem outra escolha. Keefer (MacMurray), por outro lado, não parece acreditar em muita coisa. As instituições são vazias e os homens são feitos de palha - incluindo ele próprio. MacMurray desempenha o cinismo, mas não sem emprestar ao desempenho da personagem toda a sua dúvida e o ódio. Tal como Keith (Robert Francis) se divide entre os dois, interpretando aquele que é, essencialmente, o papel central de The Caine Mutiny. Felizmente, que todo o material do filme ofusca o actor o suficiente para que Francis não arraste o filme para baixo.
Mas são outros actores que fogem com o filme. Um deles, é claro, é Bogart. Enquanto o seu papel como o obcecado Dobbs em Treasure of the Sierra Madre serve como uma espécie de protótipo para Queeg, Bogart dá um verdadeiro festival como o capitão do navio. Já suspeitavamos que Dobbs era um personagem fraco de vontade e ganancioso, mas Queeg não é assim tão óbvio na sua psicose. O capitão foi um grande homem, que foi deitado abaixo pela guerra, mas vai permanecendo no comando. Quando ele, finalmente, quebra, Bogart torna-se doloroso. O ator é sensível à doença do seu personagem, e tem uma das melhores performances do grande ícone.
A outra interpretação memorável em The Caine Mutiny vem de José Ferrer, que interpreta o tenente Barney Greenwald, o advogado que defende Maryk contra as acusações de motim. O acto final do filme é a audiência da corte marcial. Greenwald está relutante em levar o caso para a frente, mas uma vez que ele é convencido a levar o caso, fará de tudo para tentar expor a verdade
Na altura do seu lançamento, em 1954, The Caine Mutiny foi um grande sucesso. Em retrospectiva, a nossa leitura do filme pode abranger significados agregados, relacionados com o clima político da época. Stanley Kramer era um produtor liberal famoso, e é provável que tenha visto alguma relação entre Queeg e o senador Joseph McCarthy, o capitão paranóico que lutava para manter o poder de um retrato contundente do líder da caça às bruxas comunistas da América. Por outro lado, Edward Dmytryk, que dirigiu filmes tão progressistas como "Crossfire" e "Christ in Concrete", fazia parte dos 10 de Hollywood originais, antes de ter decidido tornar-se uma testemunha amigável e cooperar com HUAC. Podemos especular que talvez ele visse um pouco dele próprio em Maryk, um homem que fez o que achava que tinha de fazer, e para o bem ou para o mal, se viu a ter de explicar as suas escolhas. Maryk foi contra o sistema, interrompeu a ordem das coisas, e houve consequências para ele.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Conspiração do Silêncio (Bad Day at Black Rock) 1955



A execução modesta mas forte em propósito exibida por "Bad Day at Black Rock" onde John J. Macreedy (Spencer Tracy), um misterioso veterano da Segunda Guerra Mundial expõe um segredo xenófobo da cidade do título, espelha a imagem de John Sturges, um grande realizador esquecido na maior parte das vezes, realizador de filmes de grande orçamento cujas obras foram diversas vezes definidas pela sua habilidade eficiente e pela forte preocupação com a masculinidade. Realizador semelhante a Robert Aldrich ou John Huston, dois cineastas com interesses semelhantes em clássicos, géneros com figuras masculinas centrais, Sturges sabia como movimentar uma história a partir do ponto A para o ponto B, fazendo um mínimo de barulho. Meio século depois, a sua estética limpa e evocativa, e firme uso de widescreen permanecem extremamente subvalorizados, e o seu elevado número de trabalhos, desde épicos como "The Great Escape" e "The Magnificent Seven", até à sua adaptação de Hemingway em "O Velho e o Mar" ou "Joe Kidd", é caracterizada por uma competente robustez, que permanece por demais ausente na moderna era de Hollywood.
"Bad Day at Black Rock" foi o primeiro filme da MGM rodado em Cinemascope, e Sturges, seria nomeado para um Oscar de Melhor Realizador, transforma o vazio expansivo do seu corpo num personagem onipresente. Depois de uma sequência de abertura em que um comboio atravessa o deserto vazio (uma imagem agressiva de um contemporâneo 1945, cuja cultura era invadinda pelo antiquado Velho Oeste), chega o Macreedy (de Tracy) a Black Rock, e a sua presença inesperada e enigmática imediatamente coloca a cidade em alerta. Black Rock não teve visitantes nos últimos quatro anos, e esta falta de acções de turismo servia ao fazendeiro Reno Smith (Robert Ryan) ao seu capanga Coley (Ernest Borgnine) e a Hector (Lee Marvin) muito bem, uma vez que lhes permitia manter o controle sobre a comunidade, tomada pela culpa sobre a morte de um agricultor japonês chamado Komoko. Macreedy procura Komoko, ainda antes de encontrar os seus anfitriões pouco hospitaleiros, e Sturges apresenta-o numa posição perigosa na cidade através de sequências em ecrã largo, opressivo contra a vasta paisagem. Um homem civilizado de Los Angeles fora do seu elemento natural, Macreedy, cujo fato preto e deficiência (não tem a mão esquerda) marcam-no como um outsider, que é regularmente colocado no ecrã em contraste espacial com os seus inimigos, é ameaçado não só por Smith, mas pelo mundo em si, que o envolve como uma serpente envolvendo as mandíbulas à volta da sua presa. 
O argumento de Millard Kaufman, adaptado do conto de Howard Breslin "Bad Time at Hondo", de Don McGuire, é fiel aos moldes de "High Noon", tanto no que diz respeito à sua narrativa superficial sobre um homem decente em pé de guerra contra um bando de vilões e, em termos do seu confronto alegórico da lista negra de Hollywood. Durante a sua estadia de 24 horas em Black Rock, Macreedy, um intruso intrometido compara Smith a uma doença, e que ele desesperadamente quer destruir - descobre uma cidade atormentada pelo ódio, pela culpa, cobardia e hipocrisia, em que os homens (e uma mulher, Anne Francis) ou incentivados ou vergonhosamente permitem que Smith haja violentamente com o seu fanatismo. O silêncio nominal das personagens "boas" como Doc (Walter Brennan) e o bêbado xerife Tim Horn (Dean Jagger) são tão condenáveis como a brutalidade da Smith e dos seus capangas.
Filmado em 1955, "Bad Day at Black Rock" foi uma das primeiras produções de Hollywood a enfrentar directamente a Segunda Guerra Mundial e o internamento de cidadãos japoneses-americanos, um incidente de preconceito e paranóia alimentada pela desconfiança. E embora o filme astutamente se recuse a transformar o seu herói num mártir,Macreedy pode estar determinado a desvendar o crime da cidade, mas ele está preocupado principalmente com a tentativa de não sofrer o mesmo destino fatal de Komoko).

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