Durante a altura da depressão, Bertha Thompson (Barbara Hershey) viu o pai ser forçado a pilotar um avião em condições precárias e morrer num acidente. Mais tarde ela liga a "Big" Bill Shelley (David Carradine), um líder sindical, mas na "caça às bruxas" que caracterizou a época do macartismo, ele era considerado um comunista. Assim, "Big" Bill é perseguido e logo os dois veem envolvidos em assaltos.
Primeiro filme feito em Hollywood por Martin Scorsese, feito com um orçamento limitado de 600 mil dólares. Era considerado uma imitação fiel do recente êxito de bilheteira "Bonnie & Clyde", e era também um projecto pouco pessoal do realizador, baseado nas memórias da verdadeira Boxcar Bertha Thompson. Evitava a todo custo ser um filme político, concentrado-se sobretudo na natureza do ser humano.
Há algumas sequências cómicas, e outras com sexo quase explícito, que o transformam num produto a ser mais comercial do que artístico. Ainda assim é uma obra a descobrir.
A produção era de Roger Corman, e o filme cairia nas boas graças de John Cassavetes. O restante elenco contava ainda com um bom naipe de actores: Barry Primus, Bernie Casie, John Carradine e Victor Argo.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Uma Mulher da Rua (Boxcar Bertha) 1972
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sábado, 20 de dezembro de 2014
O Touro Enraivecido (Raging Bull) 1980
Nos créditos iniciais de "Raging Bull" nasce um clássico. Jake La Motta (Robert De Niro) apanhado pela luz da fotografia a preto e branco de Michael Chapman, rodopia em volta de um ringue vazio. O tema de abertura de uma banda sonora operática de Pietro Mascagni é o único acompanhamento para a solidão de La Motta. É uma sequência tão lindamente e cuidadosamente composta que parece ficar presa ao nosso cérebro todo o resto do filme.
La Motta é um boxeur peso-médio, respeitado e temido, e conhecido pela sua capacidade de levar e aguentar mais porrada do que qualquer outro pugilista.Ele quer ganhar o título pelo seu próprio mérito, sem a ajuda de qualquer outra figura do underground que habitam o Bronx, em Nova Iorque. O seu irmão Joey, (Joe Pesci) é também o seu treinador, tenta negociar a ascensão de La Motta até ao top da divisão.
Pesci e De Niro - voltariam a reunir-se 10 anos mais tarde, para outra obra prima de Scorsese, "Goodfellas" - parecem ter nascido para estes papéis. A devoção de um actor para um papel nunca tinha sido tão testada como a de De Niro. O seu retrato do paranóico e profundamente pertrubado La Motta é preparado ao mínimo detalhe em cada cena. Uma interpretação ao nível do Travis Bickle de "Taxi Driver", mas ainda mais horripilante. Para se preparar para este papel De Niro passou por uma fase de treinos muito dura e longa, tendo mesmo até participado em três combates contra lutadores profissionais, tendo ganho dois. Depois ainda teve de engordar 26 quilos para interpretar um La Motta envelhecido, num período de apenas 4 meses em que não houve filmagens.
Quando o verdadeiro Jake La Motta viu o filme, confessou ter percebido a terrível pessoa que ele realmente foi. Perguntou à sua segunda esposa (Vicki), se era realmente assim, ao que ela respondeu "Eras pior".
De Niro ganhou um mais do que merecido Óscar, para além do prémio da montagem, mas o filme acabaria por perder o prémio de melhor filme, que foi ganho por "Ordinary People", de Robert Redford. 10 anos mais tarde "Raging Bull" era considerado o melhor filme da década de 80, com toda a justiça.
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domingo, 24 de novembro de 2013
Ciclo Viagem a Itália - (My Voyage to Italy, 1999)
"My Voyage to Italy" - parte reminiscência, parte ensaio, é um documentário esplêndido de quatro horas de duração realizado por Martin Scorsese, sobre o pós-Segunda Guerra Mundial do cinema italiano. Concentrando-se em filmes realizados entre Roma, Cidade Aberta (1945) e 8 ½ (1963), com um olhar para filmes feitos anteriormente a este período, analisa as origens do movimento neo-realista, a que o realizador chama de "o mais precioso momento da história do cinema", e a sua influência no cinema italiano. Scorsese concentra-se nos cinco realizadores mais importantes que saíram do movimento e foram inspirações tanto para os seus próprios filmes e, de uma forma ou de outra para quase todos os filmes italianos feitos depois deles.
Scorsese passa a primeira meia hora do documentário a relatar quando era criança, e começou a familiarizar-se com o cinema italiano assistindo a filmes legendados exibidos na televisão ameicana nas noites de sexta-feira com a família e os vizinhos, iniciando com o primeiro filme italiano que viu, "Paisá" do neo -realismo de Roberto Rossellini. Conta como os avós, imigrantes da Sicília que nunca sequer se tornaram cidadãos americanos, e amigos e vizinhos da família em Little Italy, em Nova Iorque, onde ele cresceu, se reuniram na sua casa para ver estes filmes com cenas da sua terra natal e ouvir o dialeto siciliano que era o falado nos filmes. Foi com esta experiência que ele pela primeira vez tomou conhecimento das origens da sua própria família, e sendo já um jovem fascinado pelos filmes americanos que via regularmente com o seu pai, descobriu que um novo mundo no cinema se abria para ele. O documentário é intercalados entre pedaços de filmes italianos e filmes caseiros da sua própria família e da vizinhança no final de 1940. Juntos, pintam um quadro vívido da própria infância de Scorsese, tanto a real como a imaginária.
O documentário segue ao longo de quatro horas, e vai revisitando um total de 38 filmes, não só do neo-realismo mas também anteriores, e faz desta obra um movimento e uma experiência pessoal. Mostra como esses realizadores e os seus filmes o afectaram tanto como um jovem impressionável ou como um adulto, inspirando-o e ensinando-o para a sua própria carreira como realizador de cinema. No entanto, ele consegue filtrar as suas percepções através das suas próprias reações a esses filmes, sem nunca cair na armadilha dessa abordagem do Novo Jornalismo. Ainda mais impressionante, ele faz um filme informativo com substância real, oferecendo uma penetrante e perspicaz análise desses realizadores que surgiram a partir do neo-realismo e do seu trabalho, e faz isso sem mostrar sequer um traço de pretensão académica ou intelectual.
Vamos começar este ciclo com o documentário. Vejam-no com atenção, que nas próximas semanas irão passar pelo blogue todos os filmes que Scorsese falou no documentário. Espero que seja um ciclo do vosso agrado.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
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Scorsese passa a primeira meia hora do documentário a relatar quando era criança, e começou a familiarizar-se com o cinema italiano assistindo a filmes legendados exibidos na televisão ameicana nas noites de sexta-feira com a família e os vizinhos, iniciando com o primeiro filme italiano que viu, "Paisá" do neo -realismo de Roberto Rossellini. Conta como os avós, imigrantes da Sicília que nunca sequer se tornaram cidadãos americanos, e amigos e vizinhos da família em Little Italy, em Nova Iorque, onde ele cresceu, se reuniram na sua casa para ver estes filmes com cenas da sua terra natal e ouvir o dialeto siciliano que era o falado nos filmes. Foi com esta experiência que ele pela primeira vez tomou conhecimento das origens da sua própria família, e sendo já um jovem fascinado pelos filmes americanos que via regularmente com o seu pai, descobriu que um novo mundo no cinema se abria para ele. O documentário é intercalados entre pedaços de filmes italianos e filmes caseiros da sua própria família e da vizinhança no final de 1940. Juntos, pintam um quadro vívido da própria infância de Scorsese, tanto a real como a imaginária.
O documentário segue ao longo de quatro horas, e vai revisitando um total de 38 filmes, não só do neo-realismo mas também anteriores, e faz desta obra um movimento e uma experiência pessoal. Mostra como esses realizadores e os seus filmes o afectaram tanto como um jovem impressionável ou como um adulto, inspirando-o e ensinando-o para a sua própria carreira como realizador de cinema. No entanto, ele consegue filtrar as suas percepções através das suas próprias reações a esses filmes, sem nunca cair na armadilha dessa abordagem do Novo Jornalismo. Ainda mais impressionante, ele faz um filme informativo com substância real, oferecendo uma penetrante e perspicaz análise desses realizadores que surgiram a partir do neo-realismo e do seu trabalho, e faz isso sem mostrar sequer um traço de pretensão académica ou intelectual.
Vamos começar este ciclo com o documentário. Vejam-no com atenção, que nas próximas semanas irão passar pelo blogue todos os filmes que Scorsese falou no documentário. Espero que seja um ciclo do vosso agrado.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
A Última Valsa (The Last Waltz) 1978
The Last Waltz narra o último concerto do grupo altamente influente e versátil, The Band, em San Francisco, em 1976. Talvez, hoje, seja mais famoso entre os fãs do cinema por ser um documentário de Martin Scorsese (Taxi Driver, O Rei da Comédia), do que é para a própria banda, mas uma vez que o filme começa, é provável que esqueçamos rapidamente o realizador e nos emocionemos com o som de uma das principais bandas ao vivo dos anos 70. Nem sequer temos de nos estar familiarizados com a banda para apreciar o filme, como participações especiais de alguns pesos pesados da musica, juntando-se ao grupo estrelas como Bob Dylan, Eric Clapton, Joni Mitchell, Neil Young, Neil Diamond, Ronnie Hawkins, Muddy Waters, e muitos outros.
As palavras iniciais do filme imploram-nos para aumentarmos o volume, e por boas razões. Todos os sons são perfeitamente capturados, e este é provavelmente um dos melhores filmes concertos já vistos. Mesmo assim, o som não é mesmo a melhor parte, pois o visual é ainda mais impressionante, com sequências bem editadas que nunca deixam de faltar algumas acções importantes. A fotografia é sumptuosa, seja no concerto ao vivo ou fora do palco, com movimentos de câmera e transições suaves que acentuam o humor e a sensação de cada uma das músicas é muito boa.
Entre as performances ao vivo estão trechos de entrevistas entre Scorsese e os The Band, onde eles discutem a sua história juntos, os seus pensamentos sobre a indústria da música, bem como o que inspirou a passar tantos anos na estrada juntos fazendo o que eles fazem.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Taxi Driver (Taxi Driver) 1976
Houve poucos filmes que criaram e sustentaram um sensação de medo constante, como a que permeia cada frame de "Taxi Driver", obra-prima urbana de Martin Scorsese. É um filme que de forma lenta e quase insuportavel constrói uma enorme tensão até que literalmente explode num clímax sangrento de violência, que era diferente de tudo o que o público tinha visto antes. A direcção soberba de Scorsese - tão confiante, tão intensa na sua mistura dos clássicos de Hollywood com vários estilos europeus de novas vagas - juntamente com o desempenho escaldante de Robert De Niro no papel do título, argumento fantástico de Paul Schrader, e banda sonora de Bernard Herrman assegurando algo único e memorável, assim como aterrorizante e perturbador.
O filme mostra-nos a sórdida cidade de Nova York através dos olhos cada vez mais psicóticos de Travis Bickle (De Niro), um solitário veterano do Vietname, que é incapaz de compreender a sociedade em que vive. Um solitário à deriva do mundo, ele é o epítome da alienação, constantemente (e muitas vezes patéticamente) tentando dar-se com os outros, mas nunca conseguindo. O filme obriga-nos a seguir a subjectividade desconcertante de Bickle: estamos sempre com ele, a ouvir os seus pensamentos, como ele os expõe num diário que nunca ninguém vai ler, vendo os crimes da cidade e da pobreza através dos seus devastados olhos errantes, e vê-lo a falar para si mesmo no espelho, decretando delirantes papéis de duro e praticando a confrontação.
Scorsese não poupa nada no seu retrato de uma cidade em guerra consigo próprio. Bickle é um homem doente, mas a ironia é que ele está tão doente como o mundo ao seu redor. Capturada num estilo quase documental-realista, Nova York é um submundo húmido e sujo, os sinais de néon berrante e ruas mal iluminadas onde os traficantes de droga e as prostitutas apenas se movem por entre nuvens gasosas de vapor que escapa através dos buracos do esgoto das ruas molhadas. Entendemos a fascinação perversa e o ódio de Bickle, pecaminoso e contaminado, e a tensão do filme emerge da nossa crescente percepção de que acabará por empurrá-lo para o limite.
Bickle aceita um emprego a dirigir táxis, porque não consegue dormir à noite. Não se importa a que hora da noite conduz, ou através de que bairros o faz. O banco traseiro é constantemente preenchido com a escória da sociedade, seja ela um político a pegar uma prostituta, ou um marido homicida a perseguir a sua esposa adúltera (interpretado por Scorsese num papel particularmente assustador). No final da noite, Bickle limpa o sangue e o sémen do banco de trás e regressa ao pequeno apartamento decadente apenas com os pensamentos como companhia. Nunca plenamente capaz de se comunicar com alguém, excepto ele mesmo, e é por isso que os seus pensamentos irão finalmente explodir em violência.
É a reviravolta final, irónica mas estranhamente compreensível, num filme que é uma descida ao inferno em linha recta, levando-nos do um mundo superficial do crime e da corrupção, para a visão do mundo de um vigilante preverso, no processo de criação de um dos retratos mais enervantes do heroísmo.
Ganhou, com todo o mérito, a Palma de Ouro em 1976. No ano seguinte, conseguiria 4 nomeações aos Óscares. Mas, estava muito à frente, para ganhar algum.
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