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terça-feira, 20 de abril de 2021

Os Cavaleiros do Asfalto (Mean Streets) 1973

Little Italy, cidade de Nova York. Charlie (Harvey Keitel) trabalha ao lado do tio, um mafioso respeitado, coletando pagamentos e realizando cobranças. Enfrenta o descontentamento da sua família, devido à relação que mantém com Teresa (Amy Robinson). Charlie, na verdade, não nasceu para o crime e deseja iniciar uma vida nova ao lado da namorada. Só que Johnny Boy (Robert De Niro), o seu melhor amigo, mete-o numa enrascada quando se recusa a pagar uma dívida de jogo.
O filme que trouxe para a ribalta Martin Scorsese. Um dos seus temas principais era que pagar pelos seus pecados não era no confessionário, era nas ruas. Enquanto que Francis F. Coppola transformaria o mundo dos mafiosos com os seus dois filmes da série "O Padrinho", Scorsese concentrava-se nos criminosos menores, com os que podiamos encontrar na nossa vizinhança, que atravessavam uma  linha ténue entre ser respeitáveis e fazer um dinheiro extra pelas vias menos legais.
Crú, apaixonante e agressivo. Não era o primeiro filme de Scorsese, mas foi o primeiro em que ele teve rédea solta para trabalhar, com dinheiro suficiente, e também a primeira vez que trabalhava com aquele que viria a ser o seu actor preferido, Robert de Niro. Mas aqui, Keitel é Scorsese no ecrã, um jovem italo -americano que luta com responsabilidade por uma vida melhor. 
Exibido na secção Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 1974. era um filme muito importante para a nova geração de realizadores americanos. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Smoke - Fumo (Smoke) 1995

Brooklyn, Nova York, verão de 1987. Auggie Wren, o dono de uma tabacaria, dedica-se a elaborar uma coleção de fotografias peculiar: todos os dias, à mesma hora, tira uma foto do cruzamento de ruas na frente da sua casa. A história rocambolesca de como conseguiu a sua câmara fotográfica e por que se vem dedicando a esse hobby curioso há quatorze anos servirá de argumento a Paul Benjamin, um romancista de prestígio em crise criativa. Paul, por sua vez, ajudará Rashid, um adolescente negro um tanto perdido, a procurar o pai, que é Cyrus, um modesto mecânico que tenta recomeçar a vida. 
"Smoke", de Wayne Wang, é um daqueles pequenos filmes perfeitos que sabe que não deve ir além do que deveria. Observa de perto o dia a dia de um punhado de pessoas, neste caso os clientes e trabalhadores de uma tabacaria do Brooklyn. Paul Auster, o argumentista, baseou esta história numa matéria de opinião do New York Times, e seria a sua primeira de quatro colaborações com Wang.  "Blue in the Face", realizado no mesmo ano, e produzido pela mesma dupla, faz par com "Smoke".
Um destaque especial para o elenco, que incluía Harvey Keitel, Willliam Hurt, Giancarlo Esposito, entre muitos outros.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Polícia Sem Lei (Bad Lieutenant) 1992

Em Nova Iorque, um polícia corrupto faz uso da sua autoridade para assediar sexualmente adolescentes e fazer acordos com traficantes, para obter drogas e dinheiro sujo. Mas quando uma jovem freira é violada no altar de uma igreja do bairro, este polícia sem lei é atraído pelo seu caso e por uma derradeira e desesperada tentativa de encontrar os verdadeiros caminhos do poder da misericórdia.
"Bad Lieutenant" é, ao mesmo tempo um dos melhores e mais típicos dos filmes de Abel Ferrara, uma vez que contém grande parte dos elementos que definem a sua obra. E isto inclui cenas toxicodependentes errantes, polícias sujos, punks urbanos, armas, agulhas, e, no fim, uma mensagem definitiva de redenção. E seguindo os passos de Christopher Walken em "King of New York" ou Zoe Tamerlis em "Angel of Vengeance" vamos encontrar um Harvey Keitel que tem uma interpretação marcante. Nunca está fora do ecrã, e é difícil imaginar um actor que conseguisse fazer um tamanho acto de equilíbrio para esta personagem.  O crime nas ruas sujas de Nova Iorque é vividamente capturado, e os vilões que ela povoam são autênticos. É mais um filme onde Ferrara coloca uma atmosfera sórdida à frente da história, e continua a ser um trabalho admiravelmente intransigente. 
Junto com "Reservoir Dogs", de Quentin Tarantino, foi um dos filmes que ajudou a catapultar o nome de Harvey Keitel, um actor que já andava na estada desde os anos setenta, com bons resultados, mas que nunca tinha tido tanto reconhecimento. Uma personagem similar ao Travis de "Driver", muito mais crú do que o Mickey Cohen de "Bugsy" que ele tinha interpretado no ano anterior, e lhe tinha valido uma nomeação para melhor actor secundário. Keitel ganhou com este filme o premio de Melhor Actor no Fantasporto e o mesmo prémio nos Film Independent Spirit Awards.


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Cães Danados (Reservoir Dogs) 1992

Cinco estranhos juntam-se para o que pensavam ser o crime perfeito, no entanto, quando este assalto não corre como esperado, Mr. Pink, Mr. White, Mr. Blue, Mr. Orange e Mr. Blonde começam a duvidar uns dos outros e tentam descobrir qual dos cinco é, na verdade, um informador da polícia.
"Reservoir Dogs" é a longa-metragem de estreia extremamente confiante do realizador e argumentista Quentin Tarantino, e, assim como o seu sucessor, "Pulp Fiction" (não veremos neste ciclo), gerou um tipo de hype difícil de explicar, mas que continua tão chocante, perversamente engraçado e estiloso como na altura da estreia, quase 30 anos depois. Ganhou a reputação de ser um filme violento mas a sua visualização revela uma verdade diferente. 
A história é a do assalto que corre mal, que não era nenhuma novidade no mundo do cinema, mas este caso era diferente. Não vemos o roubo, vemos a evolução, Joe a reunir a equipa, a dar-lhes nomes disfarçados, cada tem o nome de uma cor. E depois vemos as consequências, depois de tudo dar errado, mas não vemos o assalto em si. O talento de Tarantino para o diálogo é o que catapulta o filme para o clássico instantâneo. Faz-se rodear de um elenco fantástico: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Steve Buscemi, Chris Penn, Lawrence Tierney, ele próprio, e deixa-os falar. Tipos normais a terem conversas normais, mas eles não têm nada de normal, são assassinos que costumam atirar primeiro e perguntar depois, o que ainda torna o filme mais interessante.
Estreou no festival de Sundance de 1992, logo no início do ano. Durante esse ano precorreu inúmeros festivais, tendo finalmente estreado nas salas americanas em Outubro. A Portugal só chegaria em Maio do ano seguinte, e ao Brasil em Junho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Blue Collar (Blue Collar) 1978

Três trabalhadores, Zeke (Richard Pryor), Jerry (Harvey Keitel), e Smokey (Yaphet Kotto), trabalham juntos numa fábrica de carros. Uma noite, quando conseguem separar-se das suas mulheres para se divertirem têm a ideia de roubar o sindicato local. Colocam a ideia em prática mas só conseguem roubar 600 dólares, embora Zeke perceba que também conseguiram algum material "quente". Resolvem chantagear o próprio sindicato, mas ficam surpreendidos pelo facto do sindicato revelar que perdeu 10 mil dólares no roubo, e as coisas começam a complicar-se...
Obra de estreia de Paul Schrader, é um filme muito seguro para quem está a realizar pela primeira vez. Tendo observado de perto a realização do seu argumento em "Taxi Driver",  Schrader emergia assim no grupo dos chamados de "Nova Hollywood", da qual faziam já parte realizadores como Scorsese, De Palma (com quem ele já tinha trabalhado), Coppola, Cimino, entre outros. "Blue Collar" era o tipo de filme duro e realista, uma espécie cada vez mais difícil de encontrar no cinema americano, com uma forte mensagem social que permanecia relevante numa altura em que as grandes empresas ainda controlavam a política e mantinham as classes mais baixas dóceis, através de preconceitos.
Os três principais actores têm alguns dos seus papéis mais fortes. Keitel prova mais uma vez que está à altura de De Niro ou Pacino, embora nunca tenha tido a sorte de entrar em filmes tão marcantes como "Taxi Driver" ou "The Goodfather". Yaphet Kotto bastante intenso, enquanto que Richard Pryor, um nome forte na comédia, mostra que também pode brilhar em papéis dramáticos. 
Embora um pouco esquecido, é um filme que deve ser visto por todos os fãs da Nova Hollywood".
Filme escolhido pelo Miguel Meira. 

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Noite de Varennes (La Nuit de Varennes) 1982

Em 20 de junho de 1791, o Rei e a Rainha da França (Luiz XVI e Maria Antonieta),tentaram fugir dos revolucionários de Paris para se juntar aos aliados monarquistas de fora da França, no entanto foram capturados na cidade de Varennes. O incidente deu início a uma inflamada desconfiança popular e repúdio à monarquia. Ligados a esse evento histórico, nesse mesmo caminho está um grupo de viajantes, incluindo Thomas Paine (Harvey Keitel), um patriota americano, o conhecido e sedutor Casanova (Marcello Mastroianni), o escritor Frances Restil de La Bretone (Jean-Louis Barrault) e uma das pajens da Rainha. A partir dessa idéia original, Scola retrata os diversos olhares daquele momento em relação à Revolução Francesa.
"La Nuit de Varennes" continua a tradição francesa de filmes de época de qualidade nos anos 80, e oferece-nos um atraente retrato da pré-revolução francesa. Produção franco-italiana de grande orçamento, era realizada pelo italiano Ettore Scola, e contava com um elenco cheio de estrelas e valores de produção que muitos realizadores franceses não podiam sequer sonhar.
Pouco vulgar, o filme mantém os seus personagens e a audiência bem longe dos actores principais desta história, e, em vez disso, reflecte sobre  os eventos históricos e os seus efeitos nestas personagens. Quando finalmente o rei e a raínha aparecem no filme, é por uma breve cena, dando ênfase ao abismo intransponível entre a monarquia real e o povo.
Durante a maior parte do tempo, "La Nuit de Varennes" está mais preocupada com os problemas políticos e sociais do dia, particularmente o papel da monarquia e a pressão que eles fazem perante a revolução sangrenta. Em vez de nos apresentar um contexto histórico, Scola anima as coisas usando personagens coloridas para contar a história, usando mesmo elementos cómicos para fazer a ponte com os nossos dias. Isto torna o filme mais relevante para uma audiência moderna, sem perder o contexto histórico ou o sentido de autenticidade.
Fez parte da selecção oficial do Festival de Cannes.

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Melodia para Um Assassino (Fingers) 1978

Jimmy Angelelli (Harvey Keitel) quer ser pianista. O seu pai, Ben Angelelli (Michael V. Gazzo), quer que ele entre para o "negócio da família". O problema é que o negócio de família representado em "Fingers", é o crime organizado. Jimmy vai encontrar-se dividido entre a arte e a lealdade ao pai, entre a sua sexualidade e o seu passado.
Filme de estreia de James Toback, argumentista de "The Gambler" de Karel Reisz, é uma obra que consegue capturar muito bem o mundo sinuoso e desolado da década de setenta. Tudo é cinzento, e quase que podemos sentir o cheiro do Inverno. Toback recusa-se a censurar as suas fantasias mais febris, como o estereotipo do homem negro que maltrata as mulheres (Jim Brown tem um papel notável aqui). Mesmo vinte anos depois Toback ainda não tinha perdido as obsessões presentes nesta sua primeira obra, como pode ser visto em "Black & White" ou "Two Girls and a Guy". Claramente o realizador consegue dizer o que quer sobre a natureza dualista dos homens, de si próprio como um artista.
Grande interpretação de Harvey Keitel, que então já se tinha destacado em filmes como "Mean Streets" ou "The Duellists", e que dá aqui boas indicações para um futuro risonho.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Duelo (The Duellists) 1977

Dois oficiais do exército de Napoleão, enfrentam-se violentamente numa série de duelos. Os duelos começam por causa de um incidente insignificante e tornaram-se ferozmente compulsivos, passando a reger a vida destes dois homens, durante 15 anos.
Baseado numa história de Joseph Conrad,"The Duellists" é, em primeiro lugar, um filme sobre a natureza da obsessão. Porquê estes dois homens continuam a lutar por tantos anos, quando nenhum deles se lembra da fonte original da sua animosidade? (um dos principais pontes fortes do filme é que nem é preciso nos lembrarmos da fonte original). De certa forma funciona como uma metáfora para a natureza da guerra em geral, que é sublinhada pela intromissão constante da guerra nas suas vidas. Na verdade, as únicas vezes em que não os vemos a lutar é quando a França está em guerra, e a certa altura encontramos os dois a lutar lado a lado nas tundras geladas da Rússia, durante as invasões napoleónicas.
Ridley Scott, que poucos anos depois ficaria mundialmente conhecido por filmes tão visionários como "Alien" (1979), ou "Blade Runner" (1981) tinha então 39 anos, e era um realizador de comerciais da televisão, quando embarcou para este seu primeiro filme. Scott trabalhou como seu próprio operador de câmera, graças ao seu orçamento muito curto. Filmado inteiramente em França, e com um visual arrebatador, acabaria por ganhar unanimemente o prémio de melhor primeira obra, e nomeações para dois BAFTA. Do elenco destacavam-se Ketih Carradine e Harvey Keitel.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Fumo (Smoke) 1995



Personagens e subtramas são habilmente tecidas numa tapeçaria de histórias que só lentamente emergem à nossa vista..."Smoke" tenta convencer-nos de que a realidade não importa tanto como a satisfação estética. Na tabacaria de Auggie (Harvey Keitel), em Nova Iorque, o dia a dia passa aparentemente imutável, até que eles nos ensina a notar nos pequenos detalhes da vida.  Paul Benjamin (William Hurt), um escritor desmotivado e falido, tem um encontro com a morte, que vai gerar uma série improvável de acontecimentos que lhe vão dar luz para um novo livro, nesta rua da tabacaria de Auggie.
A essência de "Smoke" é que providencia um elemento pretendido por tantos outros filmes: personagens fortes, complexas, interessantes e difíceis. Toda a gente no filme tem algo a dizer, o que implica que o seu discurso seja sempre articulado, e que revele um pouco de si em cada sentença. A loja de cigarros da esquina é fundamental para estas interligações, uma janela para as vidas diárias de Brooklyn, e uma âncora que se estende muito no passado. A lenta libertação de cada personagem dá-nos tempo para crescer com eles, e apreciar as suas boas e más qualidades em vez de nos inundar com a habitual informação do início dos filmes. No entanto, esta abordagem leva-nos a um ritmo contido que ocasionalmente se torna pesado e difícil. O argumento não flui continuamente por causa do corte, do filme, deliberado, em secções, que servem para juntar as histórias.
"Smoke" foi rodado em conjunto por Wayne Wang e o novelista Paul Auster, que voltariam a trabalhar juntos em "Blue in the Face". Além de Keitel e Hurt, o elenco contava ainda com Giancarlo Esposito, Harold Perrineau, Forest Whitaker e Stockard Channing. Tom Waits colaborava na banda sonora, com 2 temas: "Downtown Train" e "Innocent when you dream".

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Taxi Driver (Taxi Driver) 1976



Houve poucos filmes que criaram e sustentaram um sensação de medo constante, como a que permeia cada frame de "Taxi Driver", obra-prima urbana de Martin Scorsese. É um filme que de forma lenta e quase insuportavel constrói uma enorme tensão até que literalmente explode num clímax sangrento de violência, que era diferente de tudo o que o público tinha visto antes. A direcção soberba de Scorsese - tão confiante, tão intensa na sua mistura dos clássicos de Hollywood com vários estilos europeus de novas vagas - juntamente com o desempenho escaldante de Robert De Niro no papel do título, argumento fantástico de Paul Schrader, e banda sonora de Bernard Herrman assegurando algo único e memorável, assim como aterrorizante e perturbador.
O filme mostra-nos a sórdida cidade de Nova York através dos olhos cada vez mais psicóticos de Travis Bickle (De Niro), um solitário veterano do Vietname, que é incapaz de compreender a sociedade em que vive. Um solitário à deriva do mundo, ele é o epítome da alienação, constantemente (e muitas vezes patéticamente) tentando dar-se com os outros, mas nunca conseguindo. O filme obriga-nos a seguir a subjectividade desconcertante de Bickle: estamos sempre com ele, a ouvir os seus pensamentos, como ele os expõe num diário que nunca ninguém vai ler, vendo os crimes da cidade e da pobreza através dos seus devastados olhos errantes, e vê-lo a falar para si mesmo no espelho, decretando delirantes papéis de duro e praticando a confrontação.
Scorsese não poupa nada no seu retrato de uma cidade em guerra consigo próprio. Bickle é um homem doente, mas a ironia é que ele está tão doente como o mundo ao seu redor. Capturada num estilo quase documental-realista, Nova York é um submundo húmido e sujo, os sinais de néon berrante e ruas mal iluminadas onde os traficantes de droga e as prostitutas apenas se movem por entre nuvens gasosas de vapor que escapa através dos buracos do esgoto das ruas molhadas. Entendemos a fascinação perversa e o ódio de Bickle, pecaminoso e contaminado, e a tensão do filme emerge da nossa crescente percepção de que acabará por empurrá-lo para o limite.
Bickle aceita um emprego a dirigir táxis, porque não consegue dormir à noite. Não se importa a que hora da noite conduz, ou através de que bairros o faz. O banco traseiro é constantemente preenchido com a escória da sociedade, seja ela um político a pegar uma prostituta, ou um marido homicida a perseguir a sua esposa adúltera (interpretado por Scorsese num papel particularmente assustador). No final da noite, Bickle limpa o sangue e o sémen do banco de trás e regressa ao pequeno apartamento decadente apenas com os pensamentos como companhia. Nunca plenamente capaz de se comunicar com alguém, excepto ele mesmo, e é por isso que os seus pensamentos irão finalmente explodir em violência. 
É a reviravolta final, irónica mas estranhamente compreensível, num filme que é uma descida ao inferno em linha recta, levando-nos do um mundo superficial do crime e da corrupção, para a visão do mundo de um vigilante preverso, no processo de criação de um dos retratos mais enervantes do heroísmo.
Ganhou, com todo o mérito, a Palma de Ouro em 1976. No ano seguinte, conseguiria 4 nomeações aos Óscares. Mas, estava muito à frente, para ganhar algum.

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