Norte da Itália, a Primeira Guerra Mundial atravessa um impasse sangrento. Atolados nas suas trincheiras, é dado um objectivo a uma divisão de infantaria italiana: retomar um alto posto de comando que está nas mãos do inimigo. Infelizmente, a ingenuidade táctica do General Leone, o pouco popular comandante da divisão, consiste em atacar o inimigo com ataques frontais contra poderosas metralhadoras. As tropas estão desmoralizadas, o número de vítimas aumenta, e a indignação espalha-se entre as fileiras. Perturbado pela decisão dos seus superiores, o tenente Sassu é progressivamente levado a questionar-se sobre o propósito da guerra...
Realizado por Francesco Rossi, "Uomino Contro" está provavelmente, para sempre destinado a ser comparado com "Paths of Glory" de Stanley Kubrick, e as similaridades não são apenas superficiais. Em primeiro lugar sublinham a desumanidade pura e absurda do que era lutar nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, através de uma variedade de técnicas formais cuidadosamente afinadas, para chegarem a uma condenação apaixonada, e persuasiva da guerra. Mas o filme de Kubrick nunca atinge os níveis de raiva ostensiva que o de Rosi atinge. A fúria da guerra é visceralmente sentida cena após cena, num movimento pulsante, e numa explosão sonora.
Sendo um filme de Francesco Rossi, tem contornos políticos, e a presença habitual de Gian Maria Volonté num dos principais papéis.
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
sexta-feira, 30 de maio de 2014
O Caso Mattei (Il Caso Mattei) 1972
Enrico Mattei ajudou a mudar o futuro de Itália, primeiro como combatente da liberdade contra os Nazis, depois como investidor em gás metano, através de uma empresa pública, e, finalmente, como chefe da E.N.I., um organismo do estado formado para o desenvolvimento de recursos petrolíferos. A 27 de Outubro de 1962 ele morreu, quando o seu avião particular caíu, um minuto antes ele devia estar a aterrar no aeroporto de Milão. Oficialmente ele morreu num acidente de avião, mas outros jornalistas exploram outras razões plausíveis para a sua morte.
O mistério da vida e da morte de Mattei, e a investigação que sucedeu à sua morte, é o tema deste thriller político de Francesco Rossi, vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes, a meias com outro filme que já vimos neste ciclo: "A Classe Operária Vai ao Paraíso". Rossi já estava habituado a lidar com personagens controversas, como era o caso de "Salvatore Juliano", e já desde o início dos anos 60 que vinha a produzir obras dentro do cinema político.O filme é uma inovação híbrida do documentário e de ficção, representado o conceito de Rossi do que é cinema de investigação. A estrutura em flashback mostra influência de filmes como "Citizen Kane", ou Salvatore Giuliano", um filme anterior de Rossi. O realizador mantém-se fiel ás suas raízes neo-realistas com filmagens em exteriores, e actores não profissionais. O filme é intercalado com imagens do realizador tentando encontrar o seu amigo, o jornalista investigador Mauro de Mauro, que desapareceu enquanto fazia pesquisas para o filme. Diz-se que foi morto pela Máfia siciliana, mal tal como o caso de Enrico Mattei, este também nunca foi resolvido.
Um destaque especial para o actor Gian Maria Volonté, protagonista do filme, e que a esta altura já era figura de proa dentro deste cinema político italiano, já que aparecia como protagonista de alguns dos mais importantes filmes desta série. Para além dos que já vimos esta semana, ele também protagonizava "Uomini Contro", de Rossi, "Sbatti il Mostro in Prima Pagina", de Bellocchio, "Lucky Luciano", de Rossi, "Io ho Paura", de Damiano, "Todo Modo", de Petri, entre outros.
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domingo, 30 de junho de 2013
Cadáveres Incómodos (Cadaveri Eccellenti) 1976
Quando um promotor estadual é assassinado numa cidade do interior, o Inspector Rogas começa a procurar o assassino. Depois de mais dois assassinatos, e ambas vítimas sendo magistrados proeminentes, o provável suspeito aparece: um farmacêutico que foi injustamente condenado por tentar matar a sua esposa. A investigação de Rogas toma um rumo estranho, e ele vê-se a ser direccionado para grupos políticos extremistas…
Esta potente mistura de thriller político e e filme de mistério/crime, de Francesco Rosi, é uma alegoria poderosa e perturbadora da corrupção política, do tipo que abalaria vários países (incluindo a Itália natal do realizador) na década seguinte. O filme sustenta uma atmosfera pesada de funeral e suspense até ao último frame, tornando-se uma peça envolvente e profundamente perturbadora do cinema em que nada deve ser tomado pelo aparente valor.
O filme é interpretado por Lino Ventura, um actor francês (e antigo wrestler) mais conhecido por interpretar papéis pesados, em filmes policiais corajosos como o de Jean-Pierre Melville , “Le Deuxième Souffle”. O seu desempenho neste filme é um dos seus melhores, a personalidade taciturna e áspera fazem dele perfeito para este tipo de papel clássico do cinema noir, o do herói durão e solitário apanhado na rede de um adversário invisível, e aparentemente invencível.
É, acima de tudo, a fotografia atmosférica do filme, assustadoramente bela, que o torna tão memorável. O filme abre com uma sequência um pouco doentia no Convento dei Cappuccini, com a câmara panorâmica a mostrar cadáveres em decomposição mumificados – uma metáfora óbvia e poderosa para os temas de corrupção estatal que predominam na segunda metade do filme. A pelicula é muito forte no sentido visual, escuro por um lado , e ameaçador, por outro requinte artístico, que dá ao filme uma profundidade insondável e nos torna cada vez mais conscientes de uma ameaça que é pequena demais para ser abarcada pela lente da câmara. O frio existencialista do filme atinge o seu público como uma chuva de balas, e faz um comentário profundamente pessimista sobre o futuro de qualquer sociedade em que todo o poder é investido nas mãos de uma minoria de selecção.
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