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domingo, 29 de janeiro de 2017

Hungarians (Magyarok) 1978

Durante a II Guerra Mundial, um grupo de camponeses húngaros sem terra aceita trabalhar como emigrantes-trabalhadores numa quinta do norte da Alemanha, onde os salários são bons e as esposas e familiares são autorizados a acompanhá-los. Embora estejam a meio da Segunda Guerra Mundial estão relativamente despreocupados. Estes camponeses não alcançam muito para lá da pequena localidade onde vivem e trabalham na propriedade sem descanso, mas ali perto existe um campo de prisioneiros de guerra onde se ouvem tiros a toda a hora, e cadáveres a serem transportados. Aos poucos este grupo de camponeses começa a acordar para a realidade...
Zoltán Fábri já em fase final da sua carreira, que acabaria poucos anos depois, em 1983. É mais uma das suas obras a narrar a luta contra o Fascismo. A história era baseada num livro de József Balázs, que também escreveu a livro que Fábri adaptaria no seu filme seguinte: "Fábián Bálint találkozása Istenne".
Pela segunda vez Fábri era nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, dez anos depois de "The Boys From Paul Street", e mais uma vez perdeu. A concorrência nesse ano era forte, e o Óscar acabaria por ir parar ás mãos do francês Bertrand Blier, com o filme "Préparez Vos Mouchoirs". 
Legendas em inglês. Este filme nunca foi lançado em DVD ou outro formato de vídeo, esta versão é gravada da televisão.

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sábado, 28 de janeiro de 2017

The Fifth Seal (Az ötödik Pecsét) 1976

A consciência é levantada durante uma reunião de quatro amigos num bar de Budapeste, passada durante a ocupação Nazi da Hungria durante a Segunda Guerra Mundial. embora o filme/livro substitua a suástica por uma estranha cruz, sob os uniformes equivalentes aos uniformes nazis. Mas a menção aos russos, que naquela altura ocupavam o território em substituição dos nazis, demonstra a intenção clara do realizador/escritor. A pergunta lançada é, se morrermos hoje será que gostaríamos de renascer como um poderoso, rico, cruel ditador ou dono de escravos que não acreditasse que estaria a fazer algo de antiético.
Poucos filmes lidam com filosofia e escolhas humanas éticas em situações de testes extremos. "The Fifth Seal" é um filme que não só apresenta um dilema filosófico na sua história mas vai fazer um espectador inteligente e sensível ponderar sobre a sua própria escolha em situações semelhantes. 
O filme,dirigido por Zoltan Fabri é baseado num livro de Ferenc Santa, possivelmente o melhor escritor húngaro, e que ganhou quase todas as honras de topo naquele país. O próprio Santa escreveu o argumento do filme, por isso pode adivinhar-se que o filme reflecte o conteúdo do livro com muita precisão. Era o segundo trabalho de Fabri baseado na obra de Ferenc Santa, sendo o primeiro "Twenty Hours" (1965). Ambos os filmes ganharam o prémio principal nos respectivos anos no Festival de Cinema de Moscovo.
Para apreciar suficientemente o filme, ajuda consideravelmente se o espectador tiver alguns conhecimentos sobre a Bíblia Sagrada ou sobre artes visuais,  especificamente o autor holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). As razões são muito simples. 
O título do filme refere-se a uma passagem da Bíblia: "E quando abriu o quinto selo, vi por baixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa da obra de testemunho que costumavam ter". Além disso, um personagem do filme/livro, Karoly Keszei, que é um fotógrafo artístico e um ex-soldado ferido, refere-se à passagem acima, especificamente mencionando o Quinto Selo, num monólogo crucial do filme.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

The Boys of Paul Street (A Pál Utcai Fiúk) 1969

No final do século 19, em Budapeste, dois grupos de adolescentes envolvem-se numa guerra simulada num dos poucos lotes vagos que restam na cidade. Os Paul Street Boys há muito que consideram o terreno sua propriedade exclusiva, mas agora os temíveis Red Shirts decidiram expulsá-los e tomar conta do lote. Enquanto os preparativos para a batalha começam cada lado planeia a sua estratégia, e o soldado Nemecsek, o mais pequeno e mais jovem dos Paul Street Boys aspira a se tornar oficial. Ao espiar os Red Shirts é obrigado a esconder-se na água para não ser apanhado, e apanha uma pneumonia. Apesar da doença do jovem soldado, os dois gangues preparam-se para lutar.
Baseado num livro escrito em 1907 por Ferenc Molnar, este filme é uma produção híbrida. Produzido por Endre Bohem, um húngaro naturalizado norte-americano, cujos créditos incluem a série de televisão "Rawhide", e realizado por Zoltán Fábri, um realizador húngaro pouco conhecido no exterior. Bohem e Fábri colaboraram no argumento, e recrutaram um elenco de jovens, descobertos na sua maioria em Inglaterra. 
"The Boys of Paul Street" tem um certo charme porque, acima de tudo, é um filme que se leva a sério a si próprio. O resultado não é exactamente uma sátira às futilidades da guerra como as nossas gerações a conhecem, mas um filme sobre os códigos de honra dramatizados na literatura Vitoriana, e que foram bem preservados em filmes como  "The Lives of a Bengal Lancer," "White Feather" ou "Fort Apache." 
Apesar de ter vários jovens ingleses era um filme falado em húngaro, e graças a isso seria nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

The Brute (Dúvad) 1961

O cenário é o campo, onde um agricultor independente, proprietário de terras, ocupa o seu tempo livre a deitar-se com as mulheres do seu terreno, para depois as atirar fora. Uma destas mulheres mal tratadas acaba por casar com um jovem jovem que está encarregado de um terreno comum, uma quinta onde a besta do título é mais tarde obrigado a juntar-se. O arrogante, e antes independente agricultor, não reformulou o seu caminho, e depressa começa a perseguir a esposa do gerente, a mulher que tinha abandonado não fazia ainda muito tempo. O resultado vai ser desastroso...
Mais um drama não conformista a ter lugar na Hungria do pós-guerra, um pouco influenciado por motivações políticas, mas ainda assim um filme envolvente. Sétimo filme de Fabri, era a sua terceira participação em Cannes, a segunda tinha sido "Édes Anna", que não veremos neste ciclo. A concorrência neste ano era muito forte, com "A Rapariga da Mala", de Zurlini, "Madre Joana dos Anjos", de Jerzy Kawalerowicz, "Duas Mulheres", de De Sica, "Viridiana", de Buñuel, entre outros.
Não existe muita informação sobre este filme, é uma grande raridade, mas ele aqui está com legendas em inglês.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Merry-Go-Round (Körhinta) 1956

Num cenário rural, no meu de mudanças difíceis vive uma jovem camponesa humilde, chamada Mari Pataki. O pai proíbe-a de ver o homem que ela ama, acima de tudo preocupado com a vida do campo e a riqueza em perspectiva, e decide dar a mão da sua filha em casamento a um homem velho, mas rico, com que faz negócios. Esta parece ser a regra inflexível do camponês húngaro, mas o jovem amante está disposto a enfrentar qualquer coisa para ficar com o amor de Mari.
Uma peça de propaganda comunista, disfarçada sob a aparência de um olhar fascinante sobre a vida rural camponesa, e uma história de amor directa, "Merry-Go-Round" é um filme historicamente importante porque foi lançado pouco antes do fracasso da insurreição e revolução do país, contra o regime imposto pelos soviéticos em 1956. 
As personagens principais do filme são Mari (Mari Töröcsik) e Mate (Imre Soós), e estão apaixonados, mas a política mantém-nos afastados. O pai de Mari, Istvan (Béla Barsi),  não os quer ver juntos porque discorda da cooperativa agrícola, da qual Mate é membro. Preferindo possuir e cuidar da sua própria terra, Istvan entra num acordo de parceria com outro proprietário de terras, ao qual oferece a mão da filha em casamento.
Zoltan Fabri em tempos foi considerado um dos realizadores mais importantes da Hungria, uma figura chave na chamada "new wave" húngara, mas a sua fama não duraria muito tempo. Durante a década de 50 foram vários os nomes que se destacaram nesta filmografia, e o sucesso de alguns perdurou durante anos, como Istvan Szabo, Miklos Jancso ou Karoly Makk. "Korhinta" é um desses filmes que muita gente fala mas poucos viram. A sua importância no país é considerável, foi lançado numa altura em que a maioria dos países ocidentais tinha uma visão negativa sobre a Hungria. Lançado dois anos mais tarde nos Estados Unidos, este filme colocaria o cinema húngaro no mapa mundial. 

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domingo, 22 de janeiro de 2017

Zoltán Fábri

Zoltán Fábri foi um dos melhores realizadores do pós-Segunda Guerra Mundial, na Hungria. Embora o seu trabalho não tenha inovado muito depois da década de 60, nas duas décadas anteriores foi de grande valor artístico.
Fábri nasceu e foi educado em Budapeste, onde o seu primeiro interesse foi a pintura, estudou nesta área desde 1935 a 1938, na Academia de Belas Artes em Budapeste. Mudou de curso em 1938, quando se matriculou na Academy of Film and Drama, para se tornar encenador. Em 1941 era membro do  Hungarian National Theatre, onde além de dirigir também desenhava cenários, e actuava em peças.
A carreira de Fábri como realizador, descolou já na década de 50, quando decorria o realismo socialismo, e onde trabalhou primeiros como director artístico nos Hunnia Film Studios, para se tornar realizador em 1952.
O seu primeiro filme,  "Gyarmat a fold alatt" (Underground Colony, 1952), era um típico produto da indústria cinematográfica húngara nacionalizada e carregada da propaganda da altura. O tema era sobre uma suposta sabotagem ocidental da produção de petróleo húngara.
O seu primeiro verdadeiro sucesso veio três anos depois, e chamava-se "Korhinta" (Merry-Go-Round, 1955). 20 anos mais tarde, foi considerado pelo crítico Istvan Nemeskurty um dos melhores filmes da história do cinema húngaro. Seria a primeira vez que estaria presente em Cannes,e num festival importante.
Da sua carreira de mais de 20 filmes, poucos estão acessíveis pela internet. Por isso fiz uma pequena selecção de filmes que poderão acompanhar esta semana, ao longo da qual poderão conhecer melhor este realizador.
Aqui ficam os filmes que poderão ver:

- "Korhinta" (1956) - Nomeado para a Palma de Ouro
- "Duvad" (1961) - Nomeado para a Palma de Ouro
- "A pál-Utcai Fiúk" (1969) - Nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira
-  "Az ötödik Pecsét" (1976) - Nomeado para o Urso de Ouro
- "Magyarok" (1978) - Nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira

 Boa semana, espero que seja do vosso agrado.