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quarta-feira, 15 de maio de 2019

To go to Heaven First you Have to Die (Bihisht Faqat Baroi Murdagon) 2006

Impressionante e poético, "To Get To Heaven First You Have To Die" confirma o realizador Djamshed Usmonov ("Angel on the Right") como um dos mais brilhantes talentos do cinema soviético, e também do cinema da Ásia Central. Com mais clareza, mais sombrio e perturbador do que os seus filmes anteriores, conta com Khurched Golibekov a interpretar o Kamal, um homem de olhos arregalados, que está casado há alguns meses mas não consegue consumar o seu casamento. Depois de saber que fisicamente não há nada de errado com ele, depois de uma visita ao médico, Kamal parte para a cidade na tentativa de curar a sua impotência. Com uma ingenuidade infantil, ele esforça-se para encontrar alguém, até um encontro casual num autocarro , onde ele conhece uma jovem russa casada. Este encontro casual, leva-o numa jornada muito mais sinistra do que ele esperava…
Comparado por críticos a "A Short Film About Love", de Krzysztof Kieslowski, este filme conta com uma realização e uma narrativa absolutamente infalíveis de Usmanov, que gentil e gradualmente puxa o tapete dos nossos pés. Tomando como emprestadas muitas convenções do cinema americano de série B ("new boy in Town", introversão juvenil, iniciação numa família criminosa, sedução pelo mundo de gansters), para depois reduzir o ritmo para a velocidade de um caracol, Usmanov cria um ambiente estranho mas agradável. Injecta-nos um conto errante de voyeurismo e redenção com comentários sociais astutos e um humor brincalhão, tão elíptico e fatalista como seria de esperar deste cineasta. 
Legendas em inglês. 

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Angel on the Right (Fararishtay Kifti Rost) 2002

Hamro (Maruf Pulodzoda) é um durão que regressa à sua terra natal, no Tajiquistão, depois de uma década em Moscovo, depois de uma década em Moscovo, para visitar a sua mãe moribunda, Halima (Uktamoi Miyasarova), que pode estar a morrer. O dela é que seja feita uma porta dupla na sua casa, para que o o seu caixão possa ser levado cerimoniosamente, e para isso Hamro tem de fazer as renovações. Acontece que a "doença" de Halima é apenas um pretexto para atraír Hamro de volta para casa, mas agora ele vai ter de lidar com velhas dívidas e com um filho que não sabia que tinha.
O título do filme deriva de uma lenda islâmica que fala sobre um anjo invisível que se encontra em cima de cada um dos nossos ombros. do lado direito testemunha as nossas boas acções e pensamentos, do lado esquerdo os nossos maus. Depois da morte a balança da justiça é pesada, com o anjo a ser enviado para o céu ou inferno, dependente das suas acções em vida. O realizador, Jamshed Usmonov, recusa-se, no entanto, a pintar os seus personagens de preto e branco, de acordo com um sentido de mistério para as motivações e acções da mãe e filho. 
Filmando na sua própria aldeia natal, e usando os seus parentes próximos em importantes papéis, o realizador constrói um retrato revelador de uma comunidade empobrecida, ainda a recuperar dos efeitos da guerra civil. Muito dos prazeres do filme estão no detalhes e nos rituais da vida quotidiana: os apertos de mão vigorosos ao fazer negócios, as técnicas do agente imobiliário local, a forma como alguém reserva o tempo da sua passagem para a outra vida.
O filme foi exibido em inúmeros festivais, incluindo Cannes 2002, onde concorreu na secção "Un Certain Regard", ao lado de realizadores como Pablo Trapero, Bahman Ghodabi, Apitchapong Weerasethakul, Christophe Honoré, Abderrahmane Sissako, entre outros.
Legendas em inglês.

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segunda-feira, 6 de maio de 2019

A Estrada (Jol) 2001

Um realizador chega a uma encruzilhada na sua vida e na sua arte quando descobre que a sua mãe pode estar a morrer, neste drama com toques cómicos do realizador Darezhan Omirbayev. Amir Kobessov (Djamshed Usmonov) é um muito respeitado realizador do Cazaquistão que está a sofrer, tanto profissionalmente como pessoalmente, uma crise de confiança. Amir começa a perguntar a si próprio se o público ainda está interessado no seu trabalho, e tem um pesadelo recorrente em que a estreia do seu último filme é preterida a um épico de baixo orçamento. Em casa o casamento também não está bem, e luta com a sua esposa para o conseguir manter de pé. Quando Amir recebe a notícia de que a sua mãe está gravemente doente, ele parte no carro para visitá-la na pequena aldeia onde nasceu. Ao longo do caminho vai examinando o seu passado enquanto tenta aceitar um futuro incerto.
Este filme de Darezhan Omirbayev celebra abertamente o seu amor pelo cinema. Não só o filme é dedicado aos seus compatriotas realizadores do Cazaquistão, como o herói principal é interpretado por um outro realizador do seu país, Jamshed Usmonov, de quem veremos dois filmes futuramente neste ciclo, e que tem um capítulo, muito interessante, dedicado a si, no livro que vos ofereci no post abaixo.
O filme é um clássico exemplo de um "road movie", em que o movimento de Amir pelo espaço (as estepes do Caziquistão) permite que ele revisite a jornada da sua vida. O passado, no entanto, não está na distante aldeia da sua infância, mas sim, é regido por duas obsessões: sexo e cinema. Os pensamentos de Amir raramente regressam à sua mãe, ou ao seu passado na pequena aldeia, durante a viagem, e quando regressam, são marcados por ausência de ligações.
Em 2002 foi exibido no Festival de Cannes, integrado na selecção oficial "Un Certain Regard". Creio que nunca foi exibido em Portugal ou Brasil, por isso adaptei o nome do filme em português livremente, já que o título internacional é "The Road".
Legendas em inglês.

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