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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pai e Filho (Otets i Syn) 2003



Representação da relação interior entre um pai e o seu recém amadurecido filho, ambos militares (tal como o pai de Aleksandr Sokurov, o realizador). O título faz-nos pensar que o filme poderia ser sobre uma criança, mas eles estão quase iguais, com o filho (Aleksey Neymsyshev), quase a ultrapassar o pai (Andrey Schetinin) e abandoná-lo, porque as funções paternais do pai estão quase a não ser mais necessárias. Os seus papéis são representados nos termos do que eles fazem pelo outro emocionalmente, não recriando as acções, permitindo que o público observe a uma certa distância.
A influência do mestre Andrey Tarkovsky nesta obra surreal e mística é óbvia, porque qualquer cena podia ser real, imaginária, ou sonhada. Neste mundo simbólico e enigmático, pai e filho são personagens individuais, mas são também um todo, em fases diferentes da vida. Os actores são colocados e posicionados para mostrar a distância, a intimidade, a exteriorizar a relação interior. O filme de Sokurov é bem sucedido a mostrar os dois lados da relação, a natureza contraditória, mas amorosa, que é um conflito entre desejo e necessidade. Tenta mostrar o amor enraizado no espírito, em vez do sexo.
O próprio Sokurov admitiu que a relação entre pai e filho retratada neste filme não podia acontecer na realidade, e por isso mesmo o filme deve ser interpretado como uma fábula, um devaneio poético sobre a relação pai/filho. Grande parte do filme foi gravado em Lisboa, em detrimento de qualquer cidade Russa, como se Sokurov quisesse apresentar ao seu público uma parábola sobre o mundo inteiro no novo milénio, depois da história - aos olhos de certos intelectuais inteligentes - ter chegado ao fim.

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Viagem a Lisboa (Lisbon Story) 1994



O realizador Friedrich Monroe tem problemas a acabar um filme a preto e branco, sobre Lisboa, e chama o seu amigo, engenheiro de som, Phillip Winter, para o ajudar. Quando Winter chega a Lisboa, semanas depois, Monroe desapareceu, mas deixou o filme inacabado. Winter decide ficar, porque está fascinado pela beleza da cidade, e pela cantora Teresa (Teresa Salgueiro), e começa a gravar o som para o filme.
Portugal e a cidade de Lisboa tiveram um papel importante na carreira de Wim Wenders. Foi em Portugal que Wenders fez o seu primeiro filme fora da Alemanha, "A Letra Escarlate", uma obra pouco memorável em termos de cinema, mas que certamente terá levado Wenders a reavaliar a sua carreira, e levá-la para outro nível. Houve uma certa auto-crítica em "O Estado das Coisas", também filmado em Portugal, e em Lisboa, em que o realizador reconsiderou a sua posição como realizador europeu, agora a fazer filmes nos Estados Unidos, e o conflito que surgia na aproximação destas duas formas de filmar tão diferentes. Seria apropriado então, que para o ano do centenário do cinema, Wenders voltasse a Lisboa, para considerar o papel e a função do cinema, se ele está a ser utilizado da forma correcta, e se, depois de 100 anos, não haverá melhor modo de fazer cinema, que não seja através das mesmas ferramentas e técnicas, que existiam quase desde o inicio.
Lisboa, uma cidade que permanece próxima ás suas raízes históricas, mudando rapidamente, uma vez que se vai tornando uma parte importante da Europa, mudando drasticamente, desde os anos em que Wenders a visitou pela primeira vez. Confrontado com as memórias do que a cidade costumava ser e no que se tornou agora, o realizador vê-se obrigado a olhar para ela com olhos frescos. Inicialmente, Wenders baseia-se na velha tradição do cinema - o road movie - que ele próprio ajudou a estabelecer como um meio válido e eficaz, não só para a análise do crescimento de um personagem, mas também para analisar a jornada que é precisa para um realizador completar um filme.
Dentro da carreira de Wenders, não foi dos seus filmes mais admirados, mas vale pela bela fotografia da cidade de Lisboa. Um elenco que conta com alguns actores portugueses conhecidos, incluindo os elementos dos Madredeus, que fazem a banda sonora, numa altura em que estavam no auge da sua carreira.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A Cidade Branca (Dans la Ville Blanche) 1983



Um marinheiro suiço (Bruno Ganz) chega a Lisboa, cansado da barulhenta casa de máquinas do navio onde trabalha. Aluga um quarto numa pensão, e escreve cartas para a sua namorada, descrevendo a brancura da cidade, a solidão e o silêncio. Envia-lhe filmes com a sua câmera de 8mm, e é então que conhece Rosa, empregada na pensão onde está a viver, e com quem se envolve. Ele continua a enviar cartas e filmes caseiros, mas a sua namorada está magoada  e com raiva, e lança-lhe um ultimatum...
O suíço Alain Tanner, conseguiu com este filme alcançar o que não conseguiu com mais nenhum. Hipnótico, poético e bastante convincente, é uma obra inigualável da desorientação emocional. Trabalhado num estilo que parece reminiscente da obra do italiano Michelangelo Antonioni, evidente na magnífica abertura do filme, com um navio a chegar a um porto português, usa estruturas físicas e linhas geométricas  que sugerem e simbolizam a intersecção da natureza da vida, que é a espinha dorsal da narrativa elíptica do filme.
O argumento de Tanner narra a tentativa de um marinheiro tentar escapar da sua vida monótona, para um sítio desconhecido. Tanner fá-lo através de uma dupla aproximação, feita tanto através do diálogo - via as longas cartas que o protagonista escreve para a namorada - e a parte inteiramente visual, capturando shots de sonho com uma câmera de 8 mm. Esta arte de usar um filme dentro de um filme, altera as concepções típicas de tempo e espaço, acrescentando ao vazio qualidade onírica da história. Mostrados ao público (e à namorada) sem benefícios narrativos, estes filmes caseiros permitem ao público um pico no processo do pensamento, de forma a que, apenas as palavras nunca seriam suficientes.
Cena após cena, shot após shot, são compostos de modo a que um exercício multidimensional possa ser melhor compreendido. As ruas de Lisboa são mais bem filmadas do que nunca, e ainda há a acrescentar um elenco recheado de actores portugueses: Teresa Madruga, José Carvalho, Francisco Baião, José Wallenstein, Lídia Franco, Joana Vicente, entre outros.

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Lisboa (Lisbon) 1956



Aristides Mavros (Claude Rains), um contrabandista internacional com sede em Lisboa, fez um contrato com Sylvia Merril (Maureen O'Hara), jovem e linda mulher dum ancião americano multimilionário, Lloyd Merril (Percy Marmont),  a fim de conseguir a sua fuga e liberdade dum país atrás da Cortina de Ferro, onde se encontra incomunicável durante dois anos. Precisando dum barco veloz, Mavros contrata o serviço do capitão Robert Evans (Ray Milland), um ex oficial da marinha de guerra dos Estados Unidos, actualmente exercendo actividades ilegais transportando contrabando de vinhos e jóias no seu barco Orca.
Primeiro filme americano filmado em Lisboa, com interiores nos estúdios da Tóbis, e exteriores em alguns locais de Lisboa: Torre de Belém, Praça do Comércio, Castelo de S. Jorge e Mosteiro dos Jerónimos. Segunda obra realizada por Ray Milland (também protagonista), é um filme de série B bastante modesto, mas também muito charmoso.
Elegância é a palavra que melhor descreve este filme. A direcção de arte é um desses temas obscuros que ninguém se preocupa, mas neste caso, todo o filme é todo ele uma festa para os nossos olhos, graças a uma gestão inteligente de arte, usando tons de azul e castanho para reflectir a beleza natural das paisagens de Portugal. Cada frame é uma pintura quase perfeita, e o filme vale sobretudo pelos seus exteriores sumptuosos.
A banda sonora incluía a versão instrumental de "Lisboa Antiga", assinada por Nelson Riddle, que foi nº 1 no top dos Estados Unidos da América.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Os Amantes do Tejo (Les amants du Tage) 1955



Um taxista francês em Lisboa, transportando as cicatrizes de um casamento que terminou em tragédia quando a encontrou com o amante quando regressava da guerra. Uma francesa com problemas com a lei, e com um inspector da polícia no seu rasto. Apaixonam-se perdidamente, mas por causa do seu passado ele não é capaz de confiar na mulher, pensado que ela o está a usar para fugir à polícia. Ela vai ter de escolher entre fugir com ele e permanecer sempre na dúvida ou entregar-se para provar que o ama.
Adaptação de um romance de Joseph Kessel, não é certamente dos filmes mais famosos de Henri Verneuil, mas ainda assim é uma obra bastante interessante, onde encontramos a veia mais exótica e romântica do realizador, em vez da mais política, que era mais habitual nas suas obras.
Filmado numa Lisboa dos anos cinquenta, ainda sem ponte, e sem cristo-rei, mas em ruas com pregões populares, varinas, empregados de mesa fardados, ardinas, engraxadores, e Salazar, que mandou cortar cerca de 20% do filme.
Amália Rodrigues canta o famoso fado "Barco Negro", e do elenco destacam-se três estrelas: Daniel Gélin, Françoise Arnoul, e o actor inglês Trevor Howard, conhecido na altura pelo noirish "The Third Man", e cuja pronuncia francesa está muito bem disfarçada.
Vale sobretudo como um belíssimo cartão postal de Lisboa nos anos 50. Legendado em inglês.

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domingo, 10 de agosto de 2014

Lisboa

"With the coming of the Second World War, many eyes in imprisoned Europe turned hopefully, or desperately, toward the freedom of the Americas. Lisbon became the great embarkation point. But, not everybody could get to Lisbon directly, and so a tortuous, roundabout refugee trail sprang up - Paris to Marseilles..."

Estas são as palavras de Lou Marcelle que abrem "Casablanca", uma das primeiras vezes que a cidade de Lisboa foi referida num filme de nível internacional. Lisboa sempre foi uma cidade cobiçada devido ao seu posicionamento estratégico, mas foi com a segunda guerra mundial, com as suas histórias de espiões, principalmente por Portugal ser um país neutro, que ficou mais conhecida. Enquanto a Europa ardia, por Lisboa passeava-se tranquilamente, e a cidade tornou-se num sitio estratégico, para demonstrar que a história é feita de ciclos.
Foram bastantes os realizadores que desde então se sentiram atraídos por Lisboa, e para cá vieram filmar. O mais simbólico filme talvez seja "Lisbon Story", de Wim Wenders, e a ele juntei mais quatro diferentes visões para completar este ciclo, algumas delas obras perdidas no tempo, que merecem ser recordadas.
Eis o alinhamento do próximo ciclo.

 Segunda: Os Amantes do Tejo (1955), de Henri Verneuil

Terça: Lisboa (1956), de Ray Milland

Quarta: Dans la Ville Blanche (1983), de Alain Tanner

Quinta: Lisbon Story (1994), de Wim Wenders

Sexta: Pai e Filho (2003), de Alexandr Sokurov