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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Perseguição Impiedosa (The Chase) 1966

O xerife Calder (Marlon Brando) tem problemas a resolver numa pequena cidade quando Bubber (Robert Redford) foge da prisão e é acusado de assassinato. O problema é que o filho do magnata do petróleo Val Rogers (E.G. Marshall) tem um caso com a esposa de Bubber, que acabou de escapar da prisão, e Rogers quer Bubber fora do caminho para poder encobrir o caso do filho. Só que Calder quer encontrar o prisioneiro vivo e não quer ceder ao magnata do petróleo.
"The Chase" era uma produção ambiciosa de Sam Spiegel, baseado num romance e numa peça de Horton Foote. Era o primeiro filme de Spiegel desde o sucesso internacional de "Lawrence of Arabia", o filme vencedor do Óscar de 1962, que queria que a argumentista Lillian Hellman lhe escreve-se o argumento.
No final dos anos cinquenta e inicio da década de sessenta, as relações raciais estavam entre os temas mais quentes do momento, e vários realizadores veteranos acharam que fazia sentido investigar facetas dos males da sociedade, que se estendiam já por várias gerações nos Estados Unidos. "The Chase" passou por várias reavaliações, em parte porque Arthur Penn era responsável por uma série de clássicos "modernos", como o seu filme anterior, "Mickey One". "The Chase" era um ensaio sobre as coisas mais terríveis da América, que podem corromper o poder, como racismo, sexo e violência, usando uma pequena cidade do Texas, Tarl, para defender a teoria de que todos nós somos pecadores e que não podemos ser salvos.
O filme faz-se valer, sobretudo, de um grande elenco: Marlon Brando, Robert Redford, Jane Fonda, E.G. Marshall, Angie Dickinson, Robert Duvall, James Fox, entre outros.

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dois Homens e Um Destino (Butch Cassidy and the Sundance Kid) 1969

Butch (Paul Newman) e Sundance (Robert Redford) são os dois líderes do gang  Hole-in-the-Wall . Butch é o homem das idéias, Sundance o homem da acção e habilidade. O Oeste está a ficar civilizado, e como eles assaltam um comboio com muita frequência acabam a ser perseguidos, vão eles para onde quer que vão. Por cima das rochas, por dentro das cidades, através dos rios, um grupo segue sempre no seu encalço. Quando finalmente escapam por pura sorte, Butch tem uma nova idéia: "Vamos para a Bolívia".
Quando "Butch Cassidy and the Sundance Kid " estreou, em 1969, o western como género cinematográfico dominante estava a entrar em eclipse, e não iria ressurgir durante muitos anos, embora ninguém soubesse disso na altura. Apenas John Wayne, com o sentimental "True Grit" (1969) tornou-se no favorito para ganhar o Óscar de Melhor Actor nesse ano, continuaria a entrar em westerns regularmente. Mas mesmo estes filmes que restavam eram tocados por uma consciência da doença que o perseguia, e que lhe levaria a vida em 1979. Os tempos tinham mudado, a percepção da história foi-se alterando, e as antigas mitologias do western já não resultavam mais. Numa época de rebeldião contra-cultural e protesto anti-governamental, filmes como "Bonnie & Clyde" (1967), de Arthur Penn, transformaram o criminoso no herói fora da lei, o rebelde simpático que tentava fugir da tirania da sociedade e da autoridade opressiva. Neste ambiente, surgiram dois westerns com abordagens decididamente diferentes de tudo o que havia sido feito antes.
O primeiro foi "The Wild Bunch" (1969), de Sam Peckinpah, um banho de sangue nos últimos dias do Velho Oeste, que juntamente com as transmissões da guerra do Vietname, mudaram para sempre a nossa consciência sobre violência no ecrã. O outro foi, "Butch Cassidy and the Sundance Kid", feito num momento em que a sociedade se estava a aproximar dos heróis, selando o seu inevitável destino. Também eram uma lufada de ar fresco no western convencional, que de certa forma reafirmavam a nossa identificação com o género, com personagens que pareciam mais do nosso tempo do que foram do passado. Onde Peckinpah e Penn mostraram os seus personagens a morrerem de horríveis mortes sangrentas, em câmara lenta, chocante, mas estranhamente românticas, George Roy Hill, neste "Butch Cassidy and the Sundance Kid ", congelou o quadro final, antes da morte da dupla de bandidos, interrompendo a tempo a sua amizade afectuosa e divertida, bem como a lenda. Nostálgia e sátira, detalhes históricos e sensibilidades modernas, uma lamentação por tempos perdidos e uma sentido cómico contemporâneo. "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tinha tudo isto, e a audiência adorou.
Com críticas medíocres na estreia, "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tornou-se num fenómeno no boca a boca, impulsionando a carreira de todos os envolvidos. Paul Newman já era uma estrela, mas encontrou aqui uma nova geração de fãs, conseguindo ainda o seu primeiro grande sucesso num papel cómico. Robert Redford, que até aqui era apenas mais um protagonista conseguiu alcançar o estrelato graças ao seu talento.  William Goldman estabeleceu-se como um argumentista de sucesso com o seu primeiro argumento importante, vencendo um Óscar com este filme, e George Roy Hill, ganhou mais controle sobre os seus trabalhos. Quatro anos mais tarde, este trio formado por Hill - Redford - Newman voltariam a reunir-se para mais um filme de sucesso, chamado "The Sting". Hill também voltaria a trabalhar com os dois actores em separado.

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domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Bird - Fim do Sonho (Bird) 1988
"Bird" evoca a figura genial e trágica do saxofonista Charlie Parker (1920-1955), um exemplo superior dessa sua atitude criativa. A história de Charlie Parker é indissociável do seu protagonismo na criação do chamado som “bebop”. Não admira, por isso, que algumas das personagens marcantes do filme de Eastwood se chamem Red Rodney ou Dizzy Gillispie. Em todo o caso, "Bird" não é um mero inventário de figuras emblemáticas do jazz — é, acima de tudo, uma viagem pelos fantasmas mais íntimos de Charlie Parker.
No papel de Charlie Parker, Forest Whitaker tem aquela que, a meu ver, continua a ser a melhor composição de toda a sua carreira. E importa não esquecer a sua mulher, Chan Parker, interpretada por uma actriz admirável, infelizmente pouco conhecida — é ela Diane Venora. Entretanto, pode dizer-se que Clint Eastwood continua a ser um cineasta de "todos" os géneros: a sua agilidade temática e expressiva tem-lhe permitido ziguezaguear entre os mais diversos registos, reforçando uma imagem de marca muito pessoal — tal como Charlie Parker no jazz, Eastwood é um dos grandes individualistas do cinema americano.
* Texto de João Lopes.

Gente de Dublin (The Dead) 1987
6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis num ambiente de neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um encontro musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história.
Passado na Irlanda, durante a viragem do século 19 para o século 20, o filme mostra um jantar em casa de uma família com os seus convidados, onde reminiscências e momentos de melancolia trazem indagações e algumas revelações existenciais.
Baseado num conto do mesmo nome do livro "Dubliners", de James Joyce, foi o derradeiro filme realizado por John Huston, e contava com Anjelica  Huston, a sua filha, no papel de protagonista. O argumento era da autoria de outro filme de Huston, Tony Huston, e esta seria considerada a adaptação mais fiel a contos de Joyce, com apenas algumas alterações para ajudar a sua passagem para o cinema.

Os Amantes de Maria (Maria's Lovers) 1984
1946. O veterano de guerra americano Ivan Bibic (John Savage), que foi um prisioneiro de guerra, sofreu uma crise nervosa que só lhe permitia morrer ou sonhar. Assim, ao regressar para a sua pequena cidade natal, Brownsville, na Pensilvânia, ele só pensa em encontrar o seu sonho: uma refugiada jugoslava, Maria Bosic (Nastassja Kinski), uma amiga de infância que se tornou numa bela mulher. Ele sempre sonhou ter com Maria o casamento perfeito, embora ela seja desejada por outros homens. Ivan diz que sonhou tanto com Maria que ela vive nos seus sonhos, não no seu corpo, e é verdade, pois os sonhos dele não são iguais à realidade. Maria e Ivan casam-se, mas ele descobre que não consegue fazer amor com ela.
Andrei Konchalovsky era um realizador russo bastante bem cotado no cinema do seu país, que entre outras coisas, era amigo e colaborador do lendário Andrei Tarkovsky, estreava-se aqui em território americano. Um filme notável porque marcava a estreia de Konchalovsky em língua inglesa, sendo também um dos primeiros filmes de realizadores russos falados em inglês.
Nastassja Kinski, filha de Klaus Kinski, com apenas 23 anos era já uma das maiores sex symbols dos anos 80 graças a filmes como "Tess", "One From the Heart", "Cat People", "Paris Texas", "The Hotel New Hampshire", entre outros, sendo esta uma das suas maiores explosões de sensualidade.
Para além de John Savage o filme conta ainda com o veterano Robert Mitchum, num dos papéis principais.

Havana (Havana) 1990
Final da década de 1950. Vivem-se tempos turbulentos, e a política de Cuba vive uma violenta fase de transição. A poderosa milícia de Fidel Castro bate de frente com o Exército do país, liderado por Fulgencio Baptista, e toma o poder na capital, Havana. É neste cenário conturbado que Jack (Robert Redford), um jogador norte-americano, chega à bela e destruída cidade para organizar um histórico torneio de póquer. Contundo, durante a viagem, ele conhece a bela Roberta (Lena Olin), uma cubana que rouba o seu coração. Pouco depois de se envolverem, a mulher reencontra o marido, o revolucionário Arturo, e os dois acabam presos e torturados. Jack irá tentar ajudá-los...
Um filme que queria ser o "Casablanca" das Caraíbas. Era o regresso de Sydney Pollack ao cinema depois do seu multi-premiado "Africa Minha", e marcava a sétima colaboração do realizador com Robert Redford. 
Apesar de uma recepção considerável na altura, foi um fracasso comercial, tendo em conta que era uma super-produção americana. 
Raul Julia recusou-se a ser creditado no filme depois de não lhe ter sido dado honras de ter o nome ao lado de Redford e Olin no cartaz do filme. O elenco contava com dois actores nascidos em Cuba, Tomas Milian e Tony Plana, para além dos experientes Alan Arkin e Richard Farnsworth. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Flor à Beira do Pântano (This Property Is Condemned) 1966

A cidade de Dodson, no Mississippi, na era da Depressão, fica particularmente devastada com a chegada de Owen Legate (Robert Redford), um oficial com o bolso cheio de avisos de demissão para os ferroviários. Alva Starr, interpretada por Natalie Wood, é a namoradeira da cidade, com muitos planos, mas sem ter para onde ir ... até que Legate aparece na sua porta. O inevitável romance enfurece a mãe de Alva (Kate Reid), e causa a furia de toda a cidade.
Robert Redford apareceu em vários papéis no cinema e na televisão no inicio dos anos sessenta, mas foi apenas com o seu primeiro grande sucesso na Broadway, "Barefoot in the Park" (1963), que Hollywood começou a reparar nele. A sua interpretação de bissexual contracenando com Natalie Wood em "Inside Daisy Clover" (1965) deu-lhe um Globo de Ouro como "Best New Star" e a admiração e a amizade de Natalie Wood. No ano seguinte os dois voltariam a contracenar, neste "This Property Is Condemned", baseado numa peça de um só acto de Tennessee Williams.
Elizabeth Taylor era apontada para protagonista, com John Huston a realizar, mas ela queria o marido Richard Burton atrás das câmaras. Huston e Taylor saíram da produção (Taylor era demasiado velha para o papel), que iria parar a Natalie Wood, ela própria uma fã de Tennessee Williams. Natalie Wood acabaria por escolher Robert Redford para contracenar com ela, com o actor a recomendar o seu amigo Sydney Pollack, que tinha apenas realizado o seu filme de estreia, para dirigir.  Redford disse mais tarde ao seu biógrafo que "This Property Is Condemned" teve um desenvolvimento infernal. Segundo ele o argumento foi passando de mão em mão, desde Huston a Francis F. Coppola, incluindo James Bridges, Charles Eastman, e John Houseman, sem que nenhum se apercebesse que isto tinha de ser uma peça de um só acto. Finalmente Pollack fechou-se num quarto de motel com os vários rascunhos do argumento, e, literalmente, cortou-os e colou-os, para depois passar a um novo argumentista, David Rayfiel, para passar a limpo. Reza a lenda que Tennessee Williams ficou tão insatisfeito que pediu para ser removido dos créditos finais, apenas conseguindo que nos créditos finais aparecesse "suggested by a play by Tennessee Williams," em vez do habitual "based on a play by."   
A rodagem também foi muito problemática. Natalie Wood estava a passar por um periodo muito dificil na sua vida, e o argumento mudava de dia para dia. Era uma casa de loucos. Havia muita tensão na produção, e Redford chegou a escrever no seu diário que esperava que Natalie fosse embora da produção do filme. Depois das filmagens terem terminado, por causa de todo o stress da vida familiar e profissional, Wood tomou uma overdose de comprimidos para dormir. 

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domingo, 14 de abril de 2013

Os Homens do Presidente (All the President's Men) 1976



All the President´s Men (1976), de Alan J. Pakula, apostava no facto de que homens a falar aos telefones, a escrever em cadernos ou jornais, poderia ser emocionante - e ganhou. Nenhum thriller político feito hoje teria a coragem de rapar a sua história até aos ossos, como este fez,  e em vez disso, teria que ser preenchido com efeitos especiais, armas, perseguições e fugas. Ajuda que All the President´s Men tem no seu núcleo uma grande história, e com uma grande verdade. O assunto ainda estava fresco na imprensa, apenas três anos depois dos factos reais terem acontecido, do livro, e o filme.
O filme descreve os acontecimentos depois do 17 de junho de 1972, no Hotel Watergate, que serviu de sede para o Comité Democrata Nacional. Os cinco homens presos não pareciam ser ninguém importante. O Washington Post atribuíu dois repórteres novatos para seguir a história, Bob Woodward e Carl Bernstein. Seguiram as pistas, algumas indescritíveis, de uma fonte misteriosa chamada Deep Throat e descobriram que a história os levava de encontro a altos funcionários da Casa Branca. Pouco mais de dois anos depois, a 9 de agosto de 1974, o presidente Richard Nixon renunciou ao seu mandato, em vez de enfrentar um processo no tribunal. 
Dirigido por Alan J. Pakula, nunca o filme mostra os vilões ou tiroteios, e ainda assim sustenta uma sensação palpável de ameaça. Woodward (interpretado por Robert Redford, que também produziu) só tem de olhar por cima do ombro para capturar um enorme sentimento de paranóia. Numa cena em que Woodward rastreia uma série de pistas sobre o telefone, a câmera permanece fixa nele, ininterrupta por vários minutos, e a montagem do suspense é feita de um modo tão simples que não podemos sequer ver ou detectar. Interpretado por Dustin Hoffman, talvez no seu melhor desempenho, Bernstein projeta uma intensidade nervosa por toda a parte, especialmente quando trabalha psicologicamente uma fonte difícil, que não quer falar (interpretada por Jane Alexander, que recebeu uma nomeação ao Óscar por este filme).
A fotografia de Gordon Willis mostra-nos o escritório do jornal como se fosse uma profunda caverna, iluminada por fileiras de luzes quadradas e apoiadas por sinistras colunas retangulares. Estranhamente, a garagem na qual Woodward se encontra com Deep Throat (Hal Holbrook) parece mais do mesmo, mas mais obscuro.
Mas porque não nos foi dito o que pensar, o filme continua a ser urgente e relevante hoje, como uma história de David e Golias, contra aqueles que usam o cargo político como um meio de obtenção de poder pessoal e de conspirar contra o seu parceiro. O filme foi o segundo maior êxito de bilheteira do ano, e ganhou quatro Óscares. 

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