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domingo, 26 de janeiro de 2020

Loulou (Loulou) 1980

Nelly (Isabelle Huppert), jovem casada de classe média, é expulsa de casa pelo marido depois de se envolver com Loulou (Gérard Depardieu), um vagabundo recém-saído da cadeia. Os dois passam a viver juntos, com Nelly sustentando a casa e Loulou arriscando pequenos golpes. O amor é intenso, assim como as brigas, mas depressa a mulher descobre que está grávida e Loulou não aceita mudar de estilo de vida.
Maurice Pialat dirige com poder e autoridade um argumento escrito a meias com Arlette Langmann. Pialat quer que a história tenha um significado mais amplo em termos de crítica das atitudes francesas e consegue obter um ataque bem direcionado a uma sociadade obcecada pelo conforto da prosperidade, à custa das virtudes sociais.
Ao enfatizar os seus personagens e os elementos que os unem, e não as formas normais de desenvolvimento da história, Pialat consegue construir um filme agradável. Huppert estava ainda em inicio de carreira, e já conseguia aqui a sua quarta nomeação para os Césares (Óscares franceses). Era a segunda vez que Pialat concorria para a Palma de Ouro.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ao Sol de Satanás (Sous le soleil de Satan) 1987


"Sous le soleil de Satan" é uma história sobre a fé católica. Centra-se num padre desafiador que acredita que Deus está a abandoná-lo e ao seu rebanho, deixando as suas almas abertas à influência corruptora de Satanás. O filme é uma adaptação de um livro do radicalmente religioso autor francês, Georges Bernanos, dirigido por um realizador ateu, Maurice Pialat, também um dos grandes realizadores franceses dos anos 70, 80 e 90.
Quem luta no coração do profundo dilema de Satanás é Gérard Depardieu. Logo depois de ganhar a Palma de Ouro com este filme, Pialat proclamou: "Eu não podia ter feito este filme com outro actor", uma afirmação grandiosa e bem fácil de perceber, tendo em conta a forma como Depardieu domina o papel.
O filme descreve as dores de Donissan, um jovem sacerdote com uma pequena dose de instabilidade mental, tentando encontrar o seu lugar no mundo, tornando-se cada vez mais convencido de que ele todos ao seu redor estão profundamente corrompidos pela influência do mal. Dean Menou-Segrais, interpretado pelo próprio Pialat num dos seus raros papéis como actor, é o seu guia espiritual que o tenta manter no caminho certo.
Quem vai cruzar no caminho de Donissan é Mouchette (Sandrine Bonnaire), uma jovem sedutora de 16 anos que é como veneno para os homens mais velhos, um dos quais ela afirma que a engravidou. Esta jovem, é uma criatura tão perturbada como Denissan, e sem as restrições e o peso moral da religião ela rebela-se contra o seu tradicional ambiente usando a arma mais poderosa que tem: o sexo. Eventualmente irá colidir com Donissan, que se apresenta como seu salvador, mas que irá apresentar resultados desastrosos.
"Sous le soleil de Satan" é um filme sombrio, mas sobriamente belo, fervilhante de raiva. As suas emoções fortes vão continuamente de encontro ao estilo calmo e fresco da estética de Pialat. Até a música parece limitada, muitos dos sons do filme são diegéticos mas de vem em quando os acordes pesados de uma peça clássica de Henri Dutilleux, surgem na banda sonora.

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